segunda-feira, setembro 27

O grande negócio da Banca Portuguesa

À custa das dificuldades do Estado e das famílias link

Segundo o prof. Jacinto Numes, um antigo governador do Banco de Portugal, a divida da banca portuguesa ao Banco Central Europeu (BCE) deverá corresponder a 30% do PIB, ou seja, a cerca de 50.000 milhões €.

E o grande negócio actual da banca a operar em Portugal é o seguinte: financia-se junto do BCE pagando uma taxa de juro de apenas 1%, e depois empresta aos portugueses e ao Estado esse dinheiro cobrando uma taxa de juro muito mais elevada. De acordo com dados vindos a publico (Expresso de 25.9.2010), os empréstimos da banca a operar em Portugal ao Estado português totalizavam 10.530 milhões € no fim do mês de Julho de 2010. Sabendo que o governo de Sócrates está a pagar uma taxa de juros que varia entre 4,5% (empréstimos a 4 anos) e 6,4% (empréstimos a 10 anos), e admitindo uma taxa média de juros de 5,45%, a banca cobraria por empréstimos daquele valor só ao Estado 574 milhões € e pagaria ao BCE apenas 105 milhões € , ou seja, “encaixava” só com os empréstimos ao Estado 468 milhões €. E ainda ficam cerca de 39.500 milhões € obtidos junto do BCE a uma taxa de juro de 1% para emprestar às famílias e empresas cobrando de juro muito mais (só o “spread” exigido por muitos bancos é superior à taxa de juro que a banca a operar em Portugal paga ao BCE pelos financiamentos que obtém junto deste banco).

É esta banca, que quando em dificuldades se aproveitou do Estado e dos contribuintes, mas que agora não hesita em se aproveitar das dificuldades do Estado e das famílias, escondendo-se atrás da manta dos mercados, para impor taxas de juros que chegam a ser 6 vezes superiores às que paga ao BCE.

eugénio rosa

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terça-feira, novembro 24

Fim de ciclo


A degradação da vida política parece não conhecer limites.
Depois de ter desaproveitado a oportunidade estratégica de uma maioria absoluta para concretizar as reformas estruturais e de relançar o país o PS iniciou um penoso percurso de autofagia política. Nada tendo aprendido com a derrota nas Europeias nem com a relatividade da vitória nas legislativas o governo afunilou-se num espectro de penumbra perdendo o contacto com a realidade social e política. Os erros do passado são agora, humilhantemente, corrigidos pelos diferentes partidos da posição levando, nalguns casos, a exercícios acrobáticos desprestigiantes como aquele que ocorreu a propósito da revogação das taxas moderadoras. Numa tentativa extrema de controlar o incontrolável abdicou-se da política substantiva em favor da política das aparências. O esticar de tal modelo já levou ao extremo de vermos a Ministra do Trabalho afirmar-se surpreendida pelo desastre dos números relativos ao desemprego do país que, supostamente, governa.
Não será por isso de estranhar que possamos vir a assistir a uma surpresa semelhante quando esmiuçados que forem os dois orçamentos rectificativos de 2009 se ficar a conhecer o real contributo do sector da saúde.
É evidente para todos que até ao próximo ciclo eleitoral, provável em 2011, a navegação será à vista com iniludíveis consequências sobre o futuro do serviço nacional de saúde. A direita e os grupos económicos já há muito perceberam que não têm motivo para qualquer tipo de preocupação. O risco de uma reforma regeneradora do SNS há muito que deixou de existir e nem sequer constitui fulcro de preocupação do actual poder perdido que está na obsessão de não fazer ondas nem melindrar interesses corporativos. O exemplo da pirueta praticada com a avaliação dos professores põe a nu a dura realidade da ligeireza com que a política de plástico desautoriza o Estado e subverte o interesse público.
Pepe

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terça-feira, novembro 17

A Sucata da Política…

O episódio da revogação “a correr” das taxas moderadoras ilustra bem o modus operandi político que se foi instalando no nosso país não apenas na saúde mas no conjunto da acção governativa. Com efeito passámos da fase determinista, exigente, rigorosa, reformista e transformadora para a fase da cedência abúlica aos interesses sectoriais mandando (definitivamente) às urtigas o interesse geral. Foi assim na Educação, na Justiça, na Agricultura e já tinha começado a ser assim na Saúde. Escaqueirou-se uma (a única) maioria absoluta em nome da coragem e da determinação reformista para rapidamente ceder em toda a linha face ao desespero de ver o poder esfumar-se.

Na Educação, por exemplo, persistiu-se obstinadamente no non sense para, de um dia para outro, despedir em plena campanha eleitoral a Ministra emblema e de uma assentada retirar o tapete a centenas de professores e de dirigentes que tinham dado a cara, no terreno, pelas políticas do governo.

Na Saúde o processo não foi muito diferente tendo-se passado da tensão crítica à descontracção máxima. Sustentabilidade e reforma passaram a ser palavras malditas e pasme-se que até o anterior Ministro já veio maldizer as taxas que tinha inventado. No sector vai persistindo o domínio atrapalhado da gripe com um incessante abre e fecha, decide e contra-decide depois de já gastos muitos milhões de euros em inenarráveis planos de contingência públicos e privados de que já ninguém fala e nem ousa questionar a respectiva utilidade.

A política videirinha tornou-se mais evidente. O núcleo duro do governo convenceu-se que dominaria para todo o sempre o país tratando bem os amigos, fazendo favores ao capital, defendendo em público o SNS e dando gás às PPP’s em privado. A alquimia governativa foi estrategicamente pensada para iludir, entreter, fazer de conta com uma parte guronsan (o núcleo duro) e outra parte propofol para anestesiar as corporações e os interesses instalados…
Parece, com efeito, que estamos entregues a uma elite da sucata que nunca compreendeu o valor do trabalho e que despreza os valores da decência, da honradez e do brio profissional.
Alípio

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domingo, agosto 30

A política do “lava-mãos”


A cedência de tempo de antena da SIC não surpreende. Tal como no BPP parecem existir, na área das assessorias de comunicação, alguns investimentos de retorno (quase) absoluto. Ficam assim justificadas as generosas avenças…
Não há dúvida que há “coincidências” muito curiosas que não escapam a um observador minimamente atento. Desde que estas “assessorias” estão em funções o grupo Impresa (SIC, Expresso) têm feito bem o seu trabalho (setas para cima, setas para baixo, exaltação da banalidade e distrates “estratégicos” trabalhados ao pormenor).

É claro que este já longo (e penoso) exercício de “exploração” mediática da gripe vai ter um fim triste (com sorte depois de 27 de Setembro) quando se concluir, na prática, que muito do dinheiro e da propaganda feita não evitarão a inexorável ruptura dos serviços para os quais os cidadãos têm vindo a ser “empurrados” por esta “estratégia de comunicação excitatória e alarmista”.

Pelo caminho branqueia-se a capitulação perante a LCS24 não tocando no “negócio” dos “camaradas” da CGD.

Espera-se agora, no entanto, que em pré campanha, que as tais assessorias coloquem na SIC e no Expresso textos, entrevistas e debates sobre as questões relevantes da política de saúde, nomeadamente, no confronto ideológico, político e técnico com as diferentes propostas dos partidos da oposição e, em particular, com a verdadeira “ameaça global” representada pelas propostas, na área da saúde, do PSD.
Mas isso, certamente, será pedir muito pelo que nos teremos que contentar com mais um mês de articulação, agilização, ponderação, reflexão e muita, mas muita lavagem de mãos…

Quanto às PPP’s, sustentabilidade, acesso, desenvolvimento estratégico e outras quejandas questões, de somenos importância, não haverá carpetes que cheguem para acomodar tanto pó que há muitos meses tem vindo a ser empurrado para lá debaixo.
Passado o estoiro financeiro provocado pela “histeria” gripal virão os ACT’s generosamente prometidos e a garantida insustentabilidade do SNS.
Que melhor presente político poderia ter MFL?

goldeneye

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terça-feira, agosto 25

O Estado de cócoras…

foto JP
Linha Saúde 24 pede mais dinheiro para enfrentar epidemia link
A empresa gestora da Linha Saúde 24 afirma que o contrato celebrado com o Governo «não previa» uma situação de epidemia e que será necessário um pagamento extra para reforçar o serviço. Na semana passada, a ministra da Saúde criticou o funcionamento da linha.
Em declarações à Rádio Renascença, o administrador da Linha de Cuidados de Saúde (LCS), Artur Martins, recusou as críticas da ministra de Saúde Ana Jorge, que declarou na semana passada que «a linha não tem respondido às expectativas», tendo atendido apenas três mil das cerca de dez mil chamadas esperadas por dia.
Artur Martins justifica que o contrato celebrado com o Governo para o estabelecimento da linha «não previa» uma situação de epidemia, mas apenas «uma situação de funcionamento normal do sistema, pontualmente com alguns picos de situações de sazonalidade», mas não 10 ou 20 mil chamadas por dia.

A solução, defende a empresa, passa por fazer alguns «ajustes» ao contrato, o que implica um pagamento extra à LCS por parte do Estado.

«Estamos a conversar com a Direcção-Geral de Saúde para ter na Escola Superior de Enfermagem de Coimbra um terceiro centro de atendimento com 40, 50 ou 60 postos de trabalho», revelou Artur Martins.

Estado cede enfermeiros
O administrador negou ainda que a empresa tenha só começado a reforçar o serviço após as críticas de Ana Jorge, afirmando que «nos últimos dois meses» a LCS tem dado formação a 100 enfermeiros, cedidos pelo Serviço Nacional de Saúde.
Justificando que a linha «não foi planeada para este efeito», o administrador aconselhou ainda o público a aguardar o atendimento das chamadas e a não desligar o telefone enquanto a chamada está em lista de espera, cujo tempo médio tem sido de 10 minutos. «Se desligamos a chamada, ela é reposicionada no final da fila», explicou Martins.

Questionada na semana passada pelos jornalistas se estava «arrependida» de ter prorrogado o contrato com a LCS, Ana Jorge disse que não, considerando que é um «bom serviço» de atendimento e orientação dos doentes.
Numa fase de pandemia, «não é a altura para pôr em causa uma parceria público-privada», acrescentou…
…/…

Repetidamente aqui temos reflectido (premonitoriamente) sobre o “truque” das PPPs. É isto que vemos numa pequena operação que vale pouco mais de 42 milhões de Euros. Mas é isto que se passará em grande escala com os HH’s parceria. É por isso que os grupos que se lançaram nesta aventura investiram (proporcionalmente) em garantir os “lobbystas” certos e as agências de comunicação mais acertivas. Uns tratam de organizar os almoços e de fazer os telefonemas, as outras tratam de garantir a propaganda fantasiosa.

A Ministra bem pode barafustar que há um certo PS que, há muito, mandou as ideias às urtigas e se preocupa muito mais com os negócios. É por isso que o teimoso e persistente empate técnico das sondagens não há meio de se desfazer…

Horácio

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segunda-feira, agosto 3

A trupe...

O pântano em que ameaça afundar-se o regime democrático resulta mais de uma profunda crise de valores do que de meros circunstancialismos político-partidários. No entanto importa recordar que o velho PPD, nascido nos idos anos de setenta, nada tem que ver com aquilo em que o PSD se transformou. Nesta débacle auto-fágica que o acomete existe um antes e um depois marcado, na história, por aquilo a que se convencionou chamar “cavaquismo”. A concentração e a duração do poder atraíram muito do que pior têm as “elites” políticas. A partir de então o PSD transformou-se num grande entreposto de interesses e de negócios. Os fundos comunitários deram o mote para um verdadeiro desaforo em que, quase sempre, a política dos interesses se sobrepôs à política dos valores. Foi o tempo da renegação das ideologias, da proclamação do fim das diferenças entre esquerda e direita, dos yuppies.
A este propósito valeria a pena um trabalho académico, de natureza sociológica, que correlacionasse dirigentes políticos, deputados, titulares de cargos públicos, com escritórios de advogados e com a ocorrência de grandes negócios. Seria muito interessante conhecer as variações de riqueza de muitos destes actores entre o antes e o depois. Com efeito o cavaquismo transformou o PPD num PSD que se organizou para os “negócios” de Estado, com o Estado e a partir do Estado.
Resistiu o sector da saúde até onde pôde. Mas não resistirá mais se o PSD regressar, a curto prazo, ao poder. É que há já tão pouco para delapidar que a necessidade se afigura extrema. A “trupe” está pronta e ávida para com o blá-blá da livre-escolha, da concorrência e da eficiência engolir o serviço público de saúde. Muitos se lembrarão, certamente, das “orientações” políticas que levaram os hospitais SA a serem clientes do BPN.
O pior é no que no PS pululam, infelizmente, muitos “vendilhões do templo” prontos a cooperar mediante a simples possibilidade de se sentarem à mesa do grande festim e de poderem partilhar (ainda que apenas os restos) do faustoso repasto…
Simplício

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quinta-feira, junho 25

Fazer de Conta...


O que o Xavier anteviu link era, infelizmente, uma evidência tristemente explorada pelas assessorias de comunicação para fazer crer “mudança e determinação”. Apenas cedência e dissimulação. Os “velhos” sindicatos tiveram a sua hora de glória a partir da cedência fácil de uma governação desprovida de estratégia. A seguir virão os enfermeiros e os técnicos. Todos terão tudo o que quiserem disso já hoje não tem a mínima dúvida. A factura fica para depois de Outubro garantida que está a agonia do SNS.

O problema não se esgota neste facilitismo quase “amiguista”. A política prozac entretém, amolece, adia e compromete (sempre) o futuro. Que importa os SUB’s por abrir, as ambulâncias nos armazéns, a promiscuidade que persiste em desnatar o SNS, as listas de espera, os utentes sem médico de família, a baixa penetração dos genéricos, o desastre anunciado das PPP’s?

A política prozac tudo parece fazer esquecer. O diálogo, a preocupação, a cedência, a impreparação técnica fazem-nos cada vez mais lembrar o fim do guterrismo preparando num estilo delicodoce o terreno para o verdadeiro e faminto ataque que se antevê ao SNS por parte da direita.

tibúrcio

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quinta-feira, maio 28

O Estado de cócoras


Saúde24: Governo quer saber razões despedimento enfermeira
O secretário de Estado da Saúde garantiu, esta quinta-feira, que vai pedir «informações» sobre o despedimento da enfermeira responsável pela Linha Saúde24, que estava suspensa desde Outubro de 2008, por ter denunciado o «caos organizativo» em que viva esta linha telefónica. Instado a comentar o despedimento da enfermeira Ana Rita Cavaco, um dia depois de ter sido renovado o contrato entre o Estado e a empresa responsável pela linha, pertencente ao grupo Caixa Geral de Depósitos, Manuel Pizarro garantiu que «a Direcção-geral de Saúde tratará disso como tem tratado com absoluto rigor todas as questões». Segundo o governante, o Ministério da Saúde vai pedir «informações» sobre este caso que levou ao despedimento desta enfermeira que denunciou irregularidades nesta linha”...
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Palavras para quê? O Grupo CGD é um verdadeiro resort de ex-gestores públicos. Talvez por isso “mande” nos poderes públicos. São as PPP’s a seguir o seu natural (e previsível) caminho...

Orfeu

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