quinta-feira, julho 11

OPSS, Governação da Saúde, balanço

Quando o primeiro-ministro deu conta do que se estava a passar, tinham-se passado três anos e a equipa da saúde do seu governo não mostrava capacidade de liderança para gerir a política de saúde – andava aos solavancos, geriam-se rotinas e conflitos –, percebeu então que mais umas semanas e o céu caia-lhe em cima. Do que ficou desse tempo, embora contrafeita foi a tomada a decisão de nomear uma comissão para elaborar os termos de referência da revisão da Lei de Bases da Saúde, já no limite do admissível, quando havia bastante tempo que o assunto estava na agenda política, uma vez que se tinham criado as condições para alterar o que tinha trinta anos e dera uma importante contribuição para desequilibrar as relações entre o sector público e o sector privado. 
Ainda foi ensaiada uma reforma do Serviço Nacional de Saúde para a qual foram nomeadas equipas sectoriais. À exceção da equipa dos cuidados continuados, que conseguiu desenvolver um guião estratégico para o sector, pouco foi acrescentado à herança do governo anterior. Dessa reforma ficou ainda a criação do Programa Nacional de Educação para a Saúde, Literacia e Autocuidados (Despacho 3618-A/2016, de 10 de março) e a criação, na Direção-Geralda Saúde, da Divisão de Literacia, Saúde e Bem-Estar. 
A liberdade de escolha, a medida que se quis fazer acreditar que iria resolver o acesso aos cuidados de saúde, sobretudo aos cuidados hospitalares, dada a situação em que estes cuidados se encontravam, nem panaceia foi, antes uma futilidade gestionária que manteve tudo na mesma. Serviu principalmente para tentar mascarar a ausência de respostas de proximidade. Quando, a certa altura, foi feito o seu balanço, verificou-se que a escolha se fazia em torno dos hospitais mais próximos da residência dos doentes, os quais rapidamente deixavam de conseguir respostas oportunas e atempadas, dado o esgotamento dos serviços. Além disso, a medida deu um sinal que num serviço público não deve ser dado; neste caso, a concorrência entre prestadores, gerando desigualdades entre aqueles que se podiam deslocar e os que não tinham recursos para o fazer. Feitas as contas, a espera continua a ter longos meses, senão mesmo longos anos.
Passados os primeiros meses, quando o benefício da dúvida ainda estava em vigor, e as expectativas faziam o seu caminho, aguardando-se que no dia seguinte as boas novas chegassem, a partir de certa altura, o epítome do gabinete passou a ser “Somos todos Centeno”. Esse foi o argumento encontrado para, à falta do dinheiro, a tática passasse a ser a gestão corrente do sector. 
Não houve nem a vontade nem o empenho para se compreender que a solução política que tinha passado a governar o país mais tarde ou mais cedo iria exigir que se realizassem as mudanças que há muito se impunham mas não tinham encontrado a conjuntura política que lhe fosse favorável. E nas últimas quatro décadas a que tinha passado a vigorar desde 26 de novembro de 2015 era a que oferecia melhores condições para que se concretizasse. Pelo contrário, assistiu-se a uns penosos três anos de arrastar de pés.
Quando a 16 de agosto de 2017, tinham passado vinte meses desde que o governo tinha tomado posse, é tornado público o Manifesto pela nossa saúde, pelo SNS, com 1001 subscritores, no qual se afirmava que a atual situação no sector da saúde, quase a meio do mandato do governo, permanece sem sinais de mudança que alterem a natureza do modelo de política de saúde, promovendo a saúde dos portugueses, reabilitando e requalificando o Serviço Nacional de Saúde. O qual dificilmente se verificará sem a contribuição ativa dos actores sociais e políticos das comunidades. Embora sumário o diagnóstico que se apresentava da saúde dos portugueses naquele Manifesto era tudo menos animador: 
(1) com 70% de esperança de vida saudável (2015), os portugueses tinham o mais baixo valor dos países do sul da Europa – Espanha, França, Itália e Grécia; 
(2) com 32% de esperança de vida saudável aos 65 anos, os portugueses ficam bastante aquém dos valores daqueles países; 
(3) no grupo etário 16-64 anos só 58% da população considerava que a sua saúde era boa ou muito boa, quando na Grécia ou em Espanha é superior a 80% (2015); 
(4) no grupo com mais de 64 anos aquela percepção é de 12%, sendo em Espanha e França superior a 40%; 
(5) mais de 50% da população tem excesso de peso; 
(6) em 2016 verificou-se o maior excesso de mortalidade da década, correspondente a 4 632 óbitos. 
Foi este Manifesto o principal detonador da intensa discussão sobre política de saúde que a partir de então passou a ter lugar no país, para a qual o governo pouco ou nada contribuiu, sempre numa postura defensiva e reativa. O Manifesto era a expressão de que se não havia vontade política para se tomarem medidas transformadoras ao menos que se discutissem a natureza e o sentido dessas medidas. E foi isso que aconteceu. Na comunicação social, em reuniões, assembleias, congressos, convenções, o debate passou a fazer parte da ordem do dia político. Com a emergência das lutas sindicais dos vários sectores profissionais, sem que do lado do governo houvesse disponibilidade para encontrar soluções satisfatórias, mesmo no plano do diálogo institucional, a situação passou a tornar-se insustentável e, por isso, foi sem surpresa que, em 14 de outubro de 2018, se assistiu à mudança da equipa do Ministério da Saúde. 
A um ano de eleições para o parlamento e com uma herança particularmente turbulenta, à nova equipa faltava-lhe tempo para equacionar e acomodar as medidas que em devido tempo não tinham sido tomadas nem consideradas. Restava-lhe resolver os conflitos laborais e gerir politicamente a revisão da Lei de Bases da Saúde. As mudanças que deviam ter tido lugar teriam de aguardar por melhores dias, porventura para o mandato seguinte, caso os resultados eleitorais de outubro replicassem o cenário de 2015. No caso da Lei de Bases da Saúde, a decisão de não ter sido levado em linha de conta o trabalho realizado pela Comissão nomeada pelo governo, e entregue em 13 de setembro de 2018, deu lugar ao aproveitamento político por parte dos partidos da oposição e dos sectores favoráveis à legislação de 1990, tendo-se gerado um clima de litigância e suspeição que só terminou praticamente com a votação final da proposta de Lei apresentada pelo governo, após um longo processo de auscultação em sede do grupo de trabalho nomeado para acolher e dar conformidade aos diversos pontos de vista dos atores sociais. 
Não fossem as movimentações à margem da João Crisóstomo e o sector da saúde encontrava-se hoje em piores condições do que quando foi herdado do anterior governo. Na maior parte do tempo o que o caracterizou foi a inércia, foi deixar tudo como estava para que o tempo fizesse o resto. Se a falta de dinheiro para recuperar o que deixou de ser feito foi uma realidade, as medidas organizacionais que podiam ter sido tomadas e que tinham custos marginais nunca foram tomadas. E não foi por não se ter alertado para o facto que não foram tomadas. Foi porque não se quis. 
É lícito afirmar que, à parte uma ou outra medida, da qual a aprovação da Lei de Bases da Saúde é o melhor exemplo, perderam-se meses a mais em tergiversações, retórica e taticismo. Contudo, se a lição tiver sido suficientemente aprendida, o próximo ciclo governamental pode ser aproveitado para, de uma vez por todas, se procederem às mudanças que há anos batem à porta. 
 Cipriano Justo, OPSS - Relatório de Primavera, 2019 link

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sexta-feira, julho 7

Relatório Primavera 2017

... O PG apontava igualmente como prioridade para a Reforma dos Hospitais uma revisão da sua organização interna e do modelo de gestão apostando na autonomia e na responsabilização da gestão e na aplicação de incentivos ligados ao desempenho. O sucesso de qualquer entidade/empresa passa pela qualidade da sua gestão. O SNS tem de ser capaz de garantir a qualidade no recrutamento de gestores, e de realizar uma avaliação do seu desempenho. Por outro lado, não podem existir dúvidas de que a qualidade dos gestores e dirigentes depende da sua formação e dos conhecimentos, capacidades e competências que detêm. Recentemente, o Decreto-Lei 18/2017, veio reforçar o imperativo de uma maior capacitação dos conselhos de administração e dos órgãos de gestão intermédia, cujos membros deverão possuir formação específica relevante em gestão em saúde e experiência profissional adequada, a par com a transparência e igualdade de oportunidades nos processos de nomeação de diretores de serviço. Contudo, a aposta do legislador foi de natureza qualitativa. Consideramos que seria desejável avançar para critérios mensuráveis de uma forma transparente, como por exemplo um número mínimo de anos em lugares de direção intermédia, como critério de acesso aos lugares de direção de topo. De qualquer forma, será importante acompanhar o cumprimento destas novas orientações e em particular os reais impactos da sua aplicação. 
 Os hospitais são organizações que pela sua complexidade não são passíveis de ser geridas com o nível de centralização atualmente existente. Hoje, os conselhos de administração enfrentam um espartilho centralista que os impede de gerir as suas organizações, criando condições para a ineficiência, para a deterioração das condições de trabalho e da qualidade dos cuidados prestados. Assim, será desejável que os hospitais tenham um aumento gradual da sua autonomia acompanhada de uma maior responsabilização e de uma avaliação sistemática e objetiva dos conselhos de administração. Será igualmente importante que o nível de autonomia/responsabilização seja delegado em chefias intermédias conforme proposto recentemente pelo governo ao nível dos Centros de Responsabilidade Integrada (CRI). Contudo, sem dotarmos os hospitais de maior autonomia gestionária, a criação de CRI terá resultados muito limitados. 
OPSS, Relatório da Primavera 2017 link

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sábado, junho 27

Acesso aos medicamentos inovadores

Portugal é dos países europeus onde os medicamentos inovadores levam mais tempo a aprovar. 
O fenómeno não é recente: entre 2006 e 2008, os doentes Portugueses tiveram acesso a apenas 51% dos novos medicamentos aprovados na Europa, segundo dados da Federação Europeia de Associações da Indústria Farmacêutica (EFPIA). 
Obviamente que num período de restrições orçamentais o cenário não melhorou. O estudo COMPARE – Comparison of Access and Reimbursement Environments encomendado pela Medicines Austrália e realizado pela consultora IMS, comparou as diferenças no acesso e na comparticipação de terapias inovadoras entre 20 países da OCDE, com valores nominais e per capita do produto interno bruto (PIB) comparáveis. A consultora analisou 247 novos medicamentos registados pela primeira vez nos 20 países selecionados entre 1 de Janeiro de 2009 e 30 de Novembro de 2014, procurando determinar quais os que haviam sido aprovados e comparticipados pelos respetivos governos, fixando depois um ranking de acessibilidade, no qual Portugal ocupa a 20.ª posição
De acordo com este estudo, em Portugal, apenas 16% dos produtos analisados tinham obtido comparticipação do Estado. O desfasamento entre o nosso país e os demais considerados é ainda mais acentuado quanto o que é avaliado são as terapias inovadoras: apenas 9% destes medicamentos submetidos a AIM e pedido de comparticipação entre 2009 e 2014 estavam disponíveis, colocando Portugal na última posição em termos de acessibilidade a este tipo de medicamentos.
Os Portugueses esperam, em média, mais de um ano e meio para poderem aceder a novos medicamentos comparticipados pelo Estado. No que toca aos medicamentos selecionados para o estudo que inauguram novas classes terapêuticas, oferecendo mecanismos de ação únicos, dos 46 registados em Portugal entre 2009 e 2014, apenas um obteve comparticipação do Estado.
Sendo certo que é necessário garantir a sustentabilidade do sistema de saúde e em concreto do SNS, compete a todos os stakeholders e responsáveis politicos envolvidos no circuito do medicamento, assumir opções estratégicas e consensos que de forma alguma penalizem o acesso dos doentes à inovação terapêutica que traz valor para o doente e para a sociedade em geral.
Relatório Primavera 2015

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quinta-feira, junho 18

Relatório Primavera 2015

As comissões da qualidade e segurança são obrigatórias, mas apenas seis hospitais, das 23 unidades que responderam aos questionários enviados pelo Observatório, identificaram a sua existência, refere o Relatório de Primavera 2015.link Foram mandados para 50 unidades. O relatório deste ano dedica um capítulo às questões da segurança do doente. E refere que os procedimentos de controlo de infecção foram referidos somente por cinco hospitais, “o que denota que as práticas seguras não estão a ser executadas pelos hospitais” do SNS. Embora os doentes devam ser informados sobre os riscos das intervenções médicas, antes de assinarem os consentimentos informados, o relatório conclui que estes “continuam a expressar um puro acto ‘burocrático’ de recolha de assinatura, maioritariamente sob responsabilidade médica, sem os esclarecimentos devidos sobre a natureza da intervenção, consequências e riscos, o que parece significar que continua a ser gerido pelas organizações hospitalares não como um procedimento central da segurança do doente, mas como um mero acto administrativo.”
Perante as respostas dos hospitais, os autores do estudo notam que estas “indiciam que as questões inerentes à segurança do doente são geridas como procedimentos exigíveis externa e/ou internamente, e não como uma verdadeira cultura de segurança do doente.
Segundo o Eurobarómetro de 2014, os portugueses consideram provável que os doentes sejam lesados nos cuidados hospitalares (75% consideram provável e apenas 21% consideram improvável; 4% desconhecem), o que, dizem os autores, revela a fraca confiança dos portugueses na qualidade dos cuidados

JP 16.06.15

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quarta-feira, julho 2

RP 2014, síndroma da negação

Na dimensão financeira e segundo a “Síntese de Execução Orçamental” de Abril de 2014, da Direção Geral do Orçamento “O saldo do SNS no final de abril situou-se em -104 milhões de euros, representando um agravamento de 28,4 milhões de euros face a igual período do ano anterior”. Estes dados não se constituem como exceção, mas sim como regra. Ou seja, o ritmo de agravamento da dívida da saúde mantém-se, grosso modo, inalterado, malgrado as regularizações periódicas de dívidas conseguidas pelo MS.
Os Cuidados de Saúde Primários são sistematicamente referidos no discurso político como a área a privilegiar. Acresce a isso que a evidência disponível nos diz que os CSP podem assumir um papel determinante nos momentos de crise como a que atravessamos. No entanto, a prática política sugere-nos que os CSP não se têm constituído como prioridade. De facto e apesar de algumas evoluções positivas (e.g., a aprovação do perfil profissional do enfermeiro de família; abertura de vagas para o internato de medicina geral e familiar; a abertura de algumas USF novas), prevalecem dificuldades no dia-a-dia dos profissionais que dificultam muito a prestação de cuidados (e.g., sistema de Informação deficiente; falta de recursos humanos; fragilidade de algumas unidades funcionais).
Em suma, parece ser evidente e à semelhança do que afirmámos em anos anteriores, que estamos perante um conjunto de dados que indiciam o impacto negativo da crise sobre a saúde das pessoas. Ou seja, está a acontecer o que era expectável. Apesar disso, não se vislumbram sinais indiciadores de uma política intersetorial de saúde que tenha como objetivo monitorizar indicadores de impacte e acautelar ou minimizar os previsíveis efeitos da crise, nomeadamente nos grupos mais vulneráveis. Ao invés, parece ser evidente um manifesto esforço quer da UE, quer do governo português, de negar a evidência do impacte da crise sobre a saúde das pessoas e negando-o, evitar a discussão e consequentemente a adoção de medidas de prevenção e/ou de combate. Tal atitude poderia até ser apelidada de síndroma de negação.
O único senão é que do outro lado estão pessoas em sofrimento e com um desenvolvimento cada vez mais hipotecado tal como se percebe pelos dados apresentados. link

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segunda-feira, junho 30

Retrocesso

Retrocesso, no processo de descentralização do sistema de saúde público. 
A evolução das transferências do OGE para o SNS, de carácter não excepcional, como se  pode ver na figura 1, evidencia essa redução. A limitação dos recursos públicos afectos  ao sector foi acompanhada pela centralização nos órgãos de topo do Ministério da  Saúde (MS) e do Ministério das Finanças (MF) de decisões que deveriam ser tomadas ao nível regional e local, por quem tem responsabilidades na gestão das organizações e dos serviços públicos prestadores de serviços de saúde.
No recente relatório de abril da avaliação do programa de assistência financeira a Portugal (IMF, 2014) é referido que as reformas levadas a cabo no sector da saúde já conduziram a uma redução na despesa no SNS de 1.500 milhões de Euros, 15% menos do que em 2010, mas que as dívidas vencidas no sector continuam a acumular-se, em particular as dos Hospitais EPE.
O referido relatório refere ainda que uma das medidas tomadas pelo actual governo, com vista a controlar esta situação, consistiu na criação de uma unidade central no MF para acompanhar a evolução das dívidas acumulados e para coordenar acções com vista ao completo cumprimento da Lei dos Compromissos, constringindo de forma directa as escolhas e as decisões ao nível das organizações de saúde.
A crescente e indiscriminada redução dos graus de liberdade de quem tem a responsabilidade na gestão dos recursos e na administração dos serviços públicos de saúde, tem coexistido com decisões no sentido de uma desresponsabilização do Estado neste domínio, como é o exemplo da transferência para as Misericórdias da gestão de unidades de saúde públicas e da prestação de cuidados de saúde.
Em resumo, centraliza-se porque o MS não confia na capacidade de gestão de quem foi por si nomeado para administrar os hospitais, as ULS, os ACES e os serviços de saúde públicos e descentraliza-se porque o MS considera que passar para sector privado, ainda que não lucrativo, a responsabilidade da gestão de unidades de saúde assegura menor despesa pública. No entanto, não há evidência que a tais decisões correspondam benefícios líquidos efectivos com ganhos de efectividade, de eficiência e de uma superior qualidade na resposta às necessidades em saúde.
RELATÓRIO DE PRIMAVERA2014 OBSERVATÓRIO PORTUGUÊS DOS SISTEMAS DE SAÚDE  link

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sábado, julho 6

Abril, estudos/trabalhos mil

1.º Relatório de Primavera 2013 - duas faces da saúde link 
2.º Infecção VIH/SIDA:a situação em Portugal a 31 de dezembro de 2012 link 
3.º Execução Financeira Avançada Março 2013 link 
4.º Monitorização mensal da actividade assistencial | março 2013 link 
5.º Relatório da Actividade em Cirurgia Programada 2012 link 
6.º Novo regime jurídico das taxas moderadoras link 
7.º Acesso, concorrência e qualidade do sector convencionado com o SNS – Análises clínicas, diálise, medicina física e de reabilitação e radiologia link 
8.º Relatório de Benchmarking | hospitais EPE e PPP dados a 31 de dezembro de 2012 link 
Relatório de Benchmarking – documento enquadrador link 
9.º Guia das boas práticas para o sector da saúde link 
10.º Relatório sobre as causas da diminuição das colheitas e transplantação de órgãos link 
11.º Impacto das taxas moderadoras na utilização de serviços de saúde link

Fica sempre a dúvida porque o ministro da saúde não esteve presente na cerimónia de apresentação do RP 2013

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terça-feira, junho 18

Relatório Primavera 2013

O Observatório Português dos Sistemas de Saúde (OPSS) cumpre, pelo décimo quarto ano consecutivo, a sua missão de analisar, de forma independente e objetiva, a evolução do sistema de saúde português e os fatores que a determinam.
O OPSS escolheu este ano como título para o RP 2013
"Duas Faces da Saúde".link
Este relatório procura mostrar a situação que se vive neste momento de grave crise, onde parecem coexistir dois mundos – o oficial, dos poderes, onde, de acordo com a leitura formal, as coisas vão mais ou menos bem, previsivelmente melhorando a curto prazo, malgrado os cortes orçamentais superiores ao exigido pela Troika e a ausência de estratégia de resposta às consequências da crise na saúde da população; e um outro, o da experiência real das pessoas, em que temos empobrecimento, desemprego crescente, diminuição dos fatores de coesão social, e também uma considerável descrença em relação ao presente e também ao futuro com todas as consequências previsíveis sobre a saúde.
Perante esta clivagem parece haver uma parte do SNS que se está a degradar, mas há ainda uma outra em que a resiliência domina. Até quando?
Esta preocupante dúvida necessita de uma obrigatória reflexão que nos deverá conduzir a um SNS renovado, melhorado, modernizado e com futuro.
Coordenação: Ana Escoval, Manuel Lopes e Pedro Lopes Ferreira

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terça-feira, junho 19

Carta aberta ao ministro da Saúde

Senhor Ministro da Saúde, Dr. Paulo Macedo. Endereço-lhe esta carta aberta na sequência do seu último comunicado e do discurso lido, em seu nome, na sessão de apresentação do Relatório de Primavera 2012, do Observatório Português dos Sistemas de Saúde (OPSS), na passada quinta-feira, num dos auditórios da Fundação Gulbenkian. Faço-o na condição de coordenador científico daquele relatório.
Nesta conjuntura gostaria de lhe dizer o seguinte:

1. Põe em causa o Senhor Ministro o título do Relatório "um país em sofrimento". Diz que o Relatório não o demonstra - ter-se-á limitado a citar meros artigos de jornal.
Para o Observatório o evidente sofrimento do País foi um ponto de partida, que requer estudo e análise continuada dos efeitos da crise sobre o sistema de saúde português. E o que dizem esses meros artigos dos jornais? Desemprego, precariedade, falências, perdas de casas por impossibilidade em pagá-las, endividamento, perda de rendimentos das famílias, aumentos de preços, banco alimentar sobrecarregado...
O Senhor Ministro tem alguma dúvida de que o País esteja em sofrimento?

2. Diz o Senhor Ministro que o Observatório tem pouca legitimidade para criticar o Memorando de Entendimento com a troika, e as suas consequências, porque os seus membros teriam participado nas negociações que lhe deram origem.
Não é verdade. A verdade é outra: como bem sabe, os técnicos da troika ouviram, no decurso da elaboração do Memorando, várias organizações e associações técnico-científicas, entre as quais o Observatório. Este foi recebido por um técnico, da área financeira da Comissão Europeia. Numa troca de impressões com o Sr. Ministro, há meses, por sua iniciativa, relatei-lhe este encontro, para ilustrar de forma crítica o pensamento da troika. O ponto principal dos comentários do Observatório ao técnico da troika foi o de chamar a atenção para a necessidade de se investir na qualidade dos instrumentos da governação da saúde (análise e direção estratégica). O nosso interlocutor não mostrou grande interesse por esse tema. Quando chegou ao tema do custo dos transportes dos doentes, começou a tirar apontamentos. O ponto de vista do OPSS, foi, e é, a de que a questão do transporte de doentes em viaturas não medicalizadas deve estar sob a coordenação e responsabilidade das autarquias locais (com o respetivo financiamento). Algum tempo mais tarde lemos no Memorando a decisão, muito pouco inteligente, de simplesmente cortar um terço nos custos dos transportes.
Não entendo com que base o Senhor Ministro pôde afirmar que os investigadores do OPSS tiveram responsabilidades na negociação/elaboração do Memorando.

3. Compreendendo as dificuldades da atual situação, o Observatório, no âmbito do seu principal objetivo - contribuir para a melhoria da qualidade da governação da saúde -, por sua iniciativa, procurou manter-se em contacto com o Ministro da Saúde no decurso da elaboração do Relatório (e não me estou a referir aos dados que o OPSS pediu e não obteve) - dois exemplos do passado recente:
- O OPSS pediu informação ao MS sobre a existência de um sistema de monitorização e alerta sobre os efeitos da crise sobre a saúde, e também eventuais respostas locais integradas, da saúde com a ação social, para responder às situações emergentes.
Não obteve resposta.
Mas é um facto que não existem indícios de que o Ministério da Saúde tenha feito, em tempo, uma análise prospetiva dos efeitos da crise na saúde, que tenha estabelecido um sistema de monitorização para esse efeito ou que tenha adotado estratégias locais integradas para os contrariar.
- Mais tarde, pedi pessoalmente uma entrevista ao Senhor Ministro no sentido de o alertar para o facto de a nossa análise apontar para o sério inconveniente de, nas atuais circunstâncias, o País não dispor de uma Estratégia/Plano de Saúde, e também para sinais preocupantes relativos à reforma dos cuidados de saúde primários.
O Senhor Ministro está naturalmente no seu direito de não considerar isso relevante.

4. Diz o Sr. Ministro que as conclusões do Observatório relativas às dificuldades crescentes dos portugueses em aceder a cuidados médicos e medicamentosos não correspondem à realidade. E nesse contexto utiliza expressões, no mínimo, pouco razoáveis em relação à Associação das Unidades de Saúde Familiar, como se o Observatório tivesse baseado a sua análise nos seus pontos de vista. O Observatório nada pediu, a não ser os endereços dos seus 1600 associados. Aproveito, no entanto, a oportunidade para acrescentar que esta Associação reúne uma parte considerável dos maiores impulsiona- dores da mais importante reforma do SNS, hoje em sérios riscos de degradação.
Os investigadores que contribuem para o trabalho do Observatório sabem bem o que é investigação em saúde e fazem-na nas universidades onde ensinam. No âmbito do Observatório, uma vez por ano, esses investigadores são chamados a ajuizar a situação da saúde, com base no melhor conhecimento disponível, nesse momento. É isto o que os Observatórios fazem.

5. Sobre o fenómeno do racionamento implícito, o OPSS recolheu e reportou indícios.
A Ordem dos Médicos anunciou que está a investigar denúncias de racionamento.
O Senhor Ministro tem a certeza de que nada se passa.

6. O Observatório preocupou-se, como lhe compete, em assinalar e realçar os aspetos positivos e marcantes do trabalho do Ministério da Saúde. O Senhor Ministro não reconhece nenhuma das insuficiências que o OPSS aponta.
Finalmente, Senhor Ministro, não posso deixar de lhe dizer que o tom, o teor, a linguagem, a seriedade intelectual do Relatório e a compostura do OPSS contrastam de tal forma com os conteúdos do seu comunicado e do discurso lido em seu nome, que desaponta penosamente aqueles que sempre manifestaram por si a maior consideração.

CONSTANTINO SAKELLARIDES, Professor catedrático jubilado da Escola Nacional de Saúde Pública, DN 17.06.12 link

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sexta-feira, junho 15

OPSS, Relatório da Primavera 2012


Relatório de Primavera 2012 - Crise & Saúde - Um país em sofrimento link

1.º - Apresentação do relatório:

- Observatório da Saúde denuncia falta de análise e estratégia do Governo link
- Cortes orçamentais estão a racionar cuidados de saúde link
- Sakellarides diz que Governo transformou taxas moderadoras em pagamentos link
- Portugal: Observatório: crise e austeridade dificultaram acesso aos serviços de saúde link
- Crise agrava problemas de saúde mental e dependências link link
- Ordem dos Médicos confirma racionamento link
- Portugueses têm a Saúde racionada link
- Medidas da troika estão a dificultar acesso aos cuidados de saúde link

2.º - Reacção empenhada da equipa de Paulo Macedo :

- Ministério acusa OPSS de "contradições" e "ideia preconcebida link

- Racionamento na saúde: ministério contesta relatório link

- Paulo Macedo defende-se da “ideia preconcebida” divulgada pelo OPSS link

- Portal da Saúde: MS esclarece e corrige conclusões do Relatório da Primavera 2012. link

- Intervenção do Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde, Fernando Leal da Costa, na apresentação do Relatório - 14/06/2012 link

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Um país em sofrimento



Questionário efectuado a membros da Associação Nacional de USF, entre 11 e 31 de Maio 2012. Obtidas 878 respostas (53% do total de inquiridos), JP 14.06.12

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