2008-2009

Da Crise do Neo-Liberalismo aos 30 Anos do SNS
Em tempo de balanço vai resistindo o hábito de escolher o acontecimento do ano. No ano que ora finda essa escolha é muito evidente. Por um lado a crise do neo-liberalismo por outro a eleição de Barack Obama.
No primeiro caso assistimos à implosão ética de um modelo, baseado na especulação e no oportunismo, que ao ser vítima da sua avidez arrastou a economia mundial para a maior tormenta dos últimos oitenta anos. No segundo caso assistimos à surpreendente mudança de paradigma do “american way of live” com a (aparente) rendição da “velha América” à política dos valores em detrimento da política dos interesses.
Num tom de prospectivo optimismo dir-se-ia que a “bolha” dessa infecção sistémica que dá pelo nome de globalização rebentou, finalmente, libertando o pus tóxico do neo-liberalismo ao mesmo tempo que acendeu uma luz sobre a (possível) regeneração do tecido económico, social e, sobretudo, político.
Neste contexto parecem conjugar-se as melhores condições para a produção de novas ideias que suportem a reconstrução da doutrina e do pensamento político. É hoje reconhecido por muitos que a neutralidade ideológica foi o grande alimento dos párias que colonizaram o sistema económico. Ancorados nessa neutralidade nela buscaram o suporte teórico para “normalizar” o funcionamento da economia e dominar o sistema financeiro.
Em 2008 assistimos, em tempo real, à maior e à melhor aula de História Contemporânea relativamente à qual todos deveremos ser capazes de retirar as necessárias ilações. A substituição dos valores filosóficos pelos valores do “mercado” desestruturou o mundo e alienou, por tempo indeterminado, o direito à felicidade e ao bem-estar social e económico dos indivíduos e das famílias.
E nós por cá?
Em 2009 completam-se 30 anos sobre a criação do Serviço Nacional de Saúde. Não poderia haver melhor motivo para lançar um amplo debate sobre o papel do Estado e das políticas públicas na economia e na sociedade. No âmago desse debate é fundamental reflectir sobre qual o papel do sistema de saúde enquanto instrumento de coesão social e de desenvolvimento humano. Afinal que valor acrescentam, ao sistema de saúde, os critérios de mercado e de concorrência baseada na busca de lucro financeiro? Qual o balanço nestes últimos 30 anos do serviço público? Qual a custo-efectividade do sector convencionado? Qual o impacte do modelo espúrio de combinação público-privada?
O ano de 2009 tem todos os ingredientes para que o sistema de saúde seja uma das áreas onde a diferenciação política se fará com maior nitidez.
De um lado estarão aqueles que defendem um SNS público, prestigiado e socialmente justo. Um SNS moderno, promotor da qualidade, integrado, eficiente e equitativo. Um SNS que se reafirme como o local privilegiado para a formação e para a investigação e onde se cumpram, com rigor e exemplaridade, os valores mais nobres do papel do Estado na sociedade.
Do outro lado estarão aqueles que têm como objectivo fazer do SNS a maior área de negócio do país. Inventando PPP’s para se constituírem em sorvedores permanentes dos fundos públicos, atomizando convenções e acordos para proliferar actos de necessidade duvidosa, apostando em esquemas de e unbundling para tirar o melhor partido dos acordos com o Estado. Estarão também os promotores das empresas de intermediação, dos check-up’s mass market, das lojas da saúde. Estarão todos aqueles para quem o sistema existe apenas para dele retirar vantagem pessoal.
Em tempo de balanço vai resistindo o hábito de escolher o acontecimento do ano. No ano que ora finda essa escolha é muito evidente. Por um lado a crise do neo-liberalismo por outro a eleição de Barack Obama.
No primeiro caso assistimos à implosão ética de um modelo, baseado na especulação e no oportunismo, que ao ser vítima da sua avidez arrastou a economia mundial para a maior tormenta dos últimos oitenta anos. No segundo caso assistimos à surpreendente mudança de paradigma do “american way of live” com a (aparente) rendição da “velha América” à política dos valores em detrimento da política dos interesses.
Num tom de prospectivo optimismo dir-se-ia que a “bolha” dessa infecção sistémica que dá pelo nome de globalização rebentou, finalmente, libertando o pus tóxico do neo-liberalismo ao mesmo tempo que acendeu uma luz sobre a (possível) regeneração do tecido económico, social e, sobretudo, político.
Neste contexto parecem conjugar-se as melhores condições para a produção de novas ideias que suportem a reconstrução da doutrina e do pensamento político. É hoje reconhecido por muitos que a neutralidade ideológica foi o grande alimento dos párias que colonizaram o sistema económico. Ancorados nessa neutralidade nela buscaram o suporte teórico para “normalizar” o funcionamento da economia e dominar o sistema financeiro.
Em 2008 assistimos, em tempo real, à maior e à melhor aula de História Contemporânea relativamente à qual todos deveremos ser capazes de retirar as necessárias ilações. A substituição dos valores filosóficos pelos valores do “mercado” desestruturou o mundo e alienou, por tempo indeterminado, o direito à felicidade e ao bem-estar social e económico dos indivíduos e das famílias.
E nós por cá?
Em 2009 completam-se 30 anos sobre a criação do Serviço Nacional de Saúde. Não poderia haver melhor motivo para lançar um amplo debate sobre o papel do Estado e das políticas públicas na economia e na sociedade. No âmago desse debate é fundamental reflectir sobre qual o papel do sistema de saúde enquanto instrumento de coesão social e de desenvolvimento humano. Afinal que valor acrescentam, ao sistema de saúde, os critérios de mercado e de concorrência baseada na busca de lucro financeiro? Qual o balanço nestes últimos 30 anos do serviço público? Qual a custo-efectividade do sector convencionado? Qual o impacte do modelo espúrio de combinação público-privada?
O ano de 2009 tem todos os ingredientes para que o sistema de saúde seja uma das áreas onde a diferenciação política se fará com maior nitidez.
De um lado estarão aqueles que defendem um SNS público, prestigiado e socialmente justo. Um SNS moderno, promotor da qualidade, integrado, eficiente e equitativo. Um SNS que se reafirme como o local privilegiado para a formação e para a investigação e onde se cumpram, com rigor e exemplaridade, os valores mais nobres do papel do Estado na sociedade.
Do outro lado estarão aqueles que têm como objectivo fazer do SNS a maior área de negócio do país. Inventando PPP’s para se constituírem em sorvedores permanentes dos fundos públicos, atomizando convenções e acordos para proliferar actos de necessidade duvidosa, apostando em esquemas de e unbundling para tirar o melhor partido dos acordos com o Estado. Estarão também os promotores das empresas de intermediação, dos check-up’s mass market, das lojas da saúde. Estarão todos aqueles para quem o sistema existe apenas para dele retirar vantagem pessoal.
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