quarta-feira, fevereiro 11

Rui Portugal, livre pensador


Confesso que estou um pouco surpreso e procurei saber um pouco mais do que se teria passado na sessão.

Da minha leitura, RP partiu de uma premissa: não há médicos suficientes.

Dado isso, entre uma alternativa de falta de atenção determinada de forma casuistica (quem chega mais tarde ou ao sitio errado, fica de fora), RP falou em procurar-se estabelecer prioridades, significando que nem todos seriam tratados de forma igual.

Se este relato é fidedigno, então os ecos da imprensa são enganadores, parece-me.

Não retira o problema de um presidente da ARS ser "livre pensador" de repente e na presença da imprensa.
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domingo, maio 4

Avaliar, eis a questão


Curiosa esta discussão sobre a avaliação. link Vejamos as alternativas:
a) não avaliar - resultaria a acusação de falta de responsabilização (calculo que alguns comentadores usariam termos como "regabofe")
b) avaliar, mas sem anunciar a metodologia - resultaria a acusação de partidarite, amiguismo, corrupção, protecção de uns sabe-se lá porque razões.
c) avaliar, com anúncio da metodologia link- acusação de sistema complicado, etc... (ver os comentários anteriores).
Ou seja, querendo-se há sempre um motivo para estar contra.
Dentro deste contexto, estou com o Xavier, não se percebem as criticas. Ao menos com o sistema apresentado tenta-se dar alguma objectividade.
Nas empresas privadas, a vida é mais simples: a equipa de gestão dá retorno ao accionista? se sim, muito bem; se não, muda.
O sistema é de facto mais simples, e aqui também poderia ser aplicado - basta definir retorno para o Estado, algo como ganhos em saúde por euro gasto. Mas calculo que logo venham dizer que a realidade é mais complicada e multidimensional do que apenas este indicador...

Mas a verdadeira prova será feita com a aplicação da avaliação.
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terça-feira, outubro 23

SIGIC, um passo em frente

As leituras que têm sido feitas parecem-me exageradas em vários sentidos.link

O SIGIC é antes de tudo um sistema informático. O seu primeiro e principal benefício foi, e é, a criação de informação sobre a situação das listas de espera. A discussão sobre os tempos medianos de espera não era simplesmente possível antes da sua criação. Este aspecto é só por si um sucesso do programa.link

Em segundo lugar, o problema da articulação entre os cuidados de saúde primários e os hospitais, é deficiente, já se sabe. Mas esse não é um problema da lista de espera para cirurgia. A critica do TC aplica-se à incapacidade de saber o tempo de espera total, desde que um doente contacta o sistema até que dele sai. O sistema informático para listas de cirurgias intervem apenas numa das partes do sistema.

É natural que um melhor sistema de informação permita uma melhor gestão da capacidade instalada, mas será de esperar que tal suceda de um momento para o outro? possivelmente ainda não demos tempo para que ocorram esses ganhos dentro dos hospitais. Mas mesmo que não ocorram, não será culpa do sistema informática por si, mas de quem não o usou.

Fica a sensação de que se esperava demais do SIGIC, mas isso não deve fazer perder de vista o caminho já percorrido.

Repare-se que em vez de se estar a discutir se a lista tem x ou y inscritos, já fala em tempo de espera, e que a reacção do Ministério da Saúde foi dizer que desde o momento em que a informação foi recolhida pelo TC até hoje, já houve mudanças, e não que os números estão errados.

Tudo isto me faz crer que a vontade de "ver sangue" da imprensa acabou por prevalecer sobre uma análise mais objectiva. Contrariamente a muitos comentadores e opiniões, e com mesma informação que está no relatório do TC, retiro uma opinião favorável: deu-se um passo, ou vários, em frente; ainda não chegamos tão longe quanto se pretendia, mas vai-se no caminho certo.
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quinta-feira, agosto 23

Carros de Serviço


A decisão de prescindir de carros de serviço (ou será apenas da "renovação" dos carros de serviço?) não deixou de ser uma excelente oportunidade mediática.

Mas também pode ser sinal da vontade de um estilo diferente. E muitas vezes gestos desta natureza podem ter o papel de mudar o espirito de toda a organização. Deverá ser fácil verificar daqui a um ano se valeu a pena prescindir dos carros de serviço.

Curiosa também a troca de comentários mais "ácidos" entre quem não gosta e de quem gosta de JPKM (ou pelo menos dos seus inúmeros pseudónimos). Neste campo, só resta defender a liberdade de expressão para todos, nos limites que o Xavier entender estabelecer (e que me têm parecido razoáveis).
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sábado, dezembro 2

SNS, Controlo de Assiduidade

Os médicos podem faltar ou atrasar-se sem correr o risco de serem apanhados ou ter de justificar-se. Simplesmente, a quase totalidade dos hospitais públicos e dos centros de saúde não tem regras sobre horários de trabalho. link
André Macedo DE 30.11.06

Medidas de controle administrativo raramente resultam em aumentos de produtividade.

A motivação não se instala num sistema de controle estrito. Fiscalização do cumprimento de horários não induz uma responsabilização pela obtenção de resultados. Torna-se aliás mais fácil o argumento de "cumpri, porque estive lá o tempo exigido", independentemente do que se produziu.

Em funções onde seja controlar os resultados, e onde a relação entre o tempo de presença e o resultado obtido seja clara, o controle de tempo de presença poderá ser um mecanismo viável de aumento de produtividad.

Mas em funções onde os resultados decorrem de empenho dos profissionais, dificilmente observável e onde a ligação entre resultados e tempo de presença não é fácil de estabelecer, controles estritos não adiantam muito.

A utilidade do controle será dependente do uso que lhe for dado. A flexibilidade, como já foi referido noutro comentário, terá que estar presente, e terá que ser combinada com uma intervenção selectiva (o controle poderá detectar situações extremas para as quais importa chamar a atenção) e com ligação com os resultados que são obtidos.
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segunda-feira, junho 5

Comércio Médico

Para a OM "não faz sentido que os médicos paguem taxas, que é mais um imposto para exercer uma actividade para a qual já está regulado pela Ordem, o que irá destruir o pequeno comércio médico".

Ficamos a saber que afinal há "comércio" na actividade médica, segundo a ordem dos médico.
E que esse "pequeno comércio" ficará arruinado por ter que abdicar de menos de 2 consultas por ano a favor da Entidade Reguladora da Saúde.
Só faltou mesmo o Bastonário da Ordem dos Médicos sugerir que os médicos escolham dois dos seus "consumidores" no "pequeno comércio" para irem a uma consulta adicional e com isso pagarem o valor da manutenção da inscrição (claro que se o fizesse provaria a existência de mais um aspecto referido nos próprios estatutos da Entidade Reguladora - indução artificial da procura).
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quinta-feira, março 23

Discussão da Carreira (IV)


Em primeiro lugar, agradecer ao Vivoporto a resposta ao desafio do que constitui um bom AH. Não tinha ainda usufruido de tempo para voltar à escrita.
Como comentário prévio à discussão proposta neste post, a definição de um bom AH é algo que pessoalmente subscreveria para muitas outras "profissões". O aspecto sobretudo distintivo será o "conhecimento aprofundado do Sistema de Saúde, do que é um Hospital (da sua organização, das suas regras e do seu modo de funcionamento)".
Assim, e entrando como sugere o Vivóporto, nos pontos criticos para discussão do texto da APAH:
a.- não vejo qualquer motivo para que a ENSP detenha a exclusividade de acesso à profissão. Independentemente da opinião que se possa ter da formação que actualmente é dada na ENSP, o certo é que as competências pessoais e conhecimento técnico que um AH deve possuir podem ser obtidas noutros locais. A especificidade de conhecimento do sector da saúde e do hospital pode ser também ministrada em formação por outras entidades. O custo da exclusividade da ENSP é remeter a definição da formação para um conjunto restrito de decisores, abdicando da capacidade de inovação e da diversificação que outras entidades fossem eventualmente capazes de intervir. Sugestão: acabar de vez com esta ligação exclusiva.

b.- a qualificação para AH deveria ser obtida pela demonstração das competências criticas para o efeito, e não pela mera frequência de um programa.

c.- eliminação da ideia de quadro único e de todas as outras burocracias inerentes. Os AH devem afirmar-se pela qualidade da sua formação específica, e devem poder ser escolhidos livremente para cada hospital. Apesar de tudo será inevitável que cada AH ter maior ou menor gosto por certa área de actuação, que tenha maior ou menor capacidade de trabalho nesta ou naquela área. Deve-se procurar fazer o encontro entre os pontos fortes de cada AH e as necessidades do hospital. O quadro único é forma praticamente segura de garantir que isso não acontece (aliás, sinónimo disso é a quantidade de AHs que tendo depois lugar num hospital há anos que lá não vão, ou vão? e estou enganado? aceito correcções).

d.- avaliação periódica da manutenção de competências, por exemplo de 7 em 7 anos.

e.- por instinto, acordos colectivos de trabalho são a melhor de impedir o premiar de quem trabalha melhor. Num contexto onde o empenho pessoal é determinante, como é o caso da AH, é realmente isso que se pretende? Compreendo a preocupação com situações de precariedade de emprego, mas a que custo?
Julgo que deve ser de rejeitar tudo o que possa constituir mecanismo de protecção de quem já se encontra instalado quanto a avaliação do que faz (e não faz) e quanto a melhor desempenho de quem venha depois (se tenha formado posteriormente).

e.- APAH face à negociação colectiva? APAH como entidade sindical ou para-sindical? Creio que aqui a APAH terá que definir se quer ser um parceiro social do sector num sentido mais abrangente ou uma entidade sindical. Espero que opte por ser parceiro.

Um abraço ao Vivóporto por ir mantendo viva a chama da discussão... Boa discussão no seio dos AH.
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quinta-feira, fevereiro 23

Carreira de AH (discussão)



Comentários rápidos:
a)- não sou AH.
b)- apesar do esforço do VivoPorto, a ideia de carreira de AH, tão fechada como parece ser pela proposta não é desejável.
c)- aceitando que haja um enquadramento para o exercício da actividade, julgo que seria bem mais interessante a sua definição passar pela identificação das competências essenciais a ter para o seu bom exercício, e não pelas qualificações académicas que possam ter sido obtidas. Em vez de mestrados e doutoramentos como critério, porque não algo como uma acreditação individual do percurso de cada AH, feita eventualmente por um conjunto de pares (outros AH) e outras pessoas relevantes (médicos, economistas, gestores, o que for, para dar um olhar de fora sobre essa actividade). Avaliação realizada de forma anónima para o avaliado, claro. Sistema exigente pelo rigor que necessita para evitar ser efectivo (evitar "amigalhaços"), mas mais perto de avaliar o que realmente interessa.
d)- a manter-se um registo de qualificações académicas, porquê restringir à ENSP?
e)- considerar também contribuições escritas para o desenvolvimento da actividade de AH? por exemplo, estudos de boas práticas, exercícios de benchmarking, os AH saberão melhor o que lhes poderia ser útil receber.
Em lugar de automatismos, saiba-se exercer a capacidade discricionária de avaliar.
Desafio ao VivóPorto: que critérios usaria para definir o que é um bom e um mau AH ?
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sábado, fevereiro 18

Discussão do Modelo de Financiamento


Desconheço o que levou CC a proferir estas afirmações. Podem ser apenas balão de ensaio, ou "outspoken".
Há, porém, um fundo sério por detrás: mais cedo ou mais tarde será necessário reabrir a discussão sobre o financiamento do SNS, em termos da origem dos fundos que são usados para pagar o que é feito.
No final, são sempre os cidadãos que pagam, seja como for, e teremos, como sociedade, que discutir como queremos que isso seja feito.
A forma de maior participação directa dos utentes, se for pagamento no momento de consumo, será provavelmente inviável se pretender ser da ordem dos 50%, ou mesmo dos 25% para muitos procedimentos. Há muito a ser explicado e discutido, o começo dessa discussão talvez devesse ter sido iniciado de forma mais calma do que com base nestas declarações.
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quinta-feira, fevereiro 9

Liberalização das Farmácias

Assentemos nas três medidas:
a)- liberdade de instalação de novas farmácias ;
b)- liberdade de propriedade de farmácias, permanecendo a obrigatoriedade de controle técnico por parte de um licenciado em Ciências Farmacêuticas;
c)- liberdade de exercer descontos.

A componente que parece estar a causar maiores reacções é a c), embora naturalmentea as restantes também não sejam pacíficas.

Concentrando nos preços, a possibilidade de descontos a realizar pelas farmácias em si mesma só é efectiva caso os utentes/consumidores tenham a capacidade/possibilidade de comparar preços entre as diferentes alternativas de farmácia. E para uma farmácia vir a ter interesse nisso, as vendas que faz têm de ser suficientemente sensíveis a esses preços, de outro modo será um instrumento não utilizado.

Tem-se focado no receio de as farmácias entrarem em ciclos de redução de custos - diminuição de preços, com diminuição da qualidade do serviço que prestam (aconselhamento incluído). Ora, pode perfeitamente não suceder isso, e dado o actual ponto de partida, a prática de desconto ser até interpretada como um sinal de uma farmácia com menor nível de serviço. Não é certo que venha a ser uma prática corrente das farmácias, até porque devido ao elevado número de medicamentos que vendem, os custos de organização de seguir o que as farmácias mais próximas fazem será elevado. Só em estruturas comerciais que tenham muitas farmácias, e em que esta comparação e definição possa reunir economias de escala, fará sentido entrar numa politica de descontos. Assim, só com uma política de liberdade de propriedade e posterior concentração dessa propriedade em redes comerciais será de esperar que uma liberdade de descontos viesse a ter um efeito permanente na forma de funcionamento das farmácias.

Se seria bom ou mau, é também discutível, e a maior parte dos comentadores receia essa liberdade.
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segunda-feira, janeiro 30

Sustentabilidade do SNS


I - O SNS ser financeiramente sustentável é algo que em última medida depende sobretudo dos portugueses estarem dispostos a pagar mais impostos, ou a abdicar de alguma outra despesa.
É certo que é importante conseguir combater o desperdício e as ineficiências, que daí vem uma muito necessária contenção do crescimento da despesa.
A concretizar-se a comissão sobre o financiamento do SNS, vem em boa altura. A existência de orçamentos realistas para o SNS possibilita, à partida, uma discussão séria sobre a forma de financiamento do SNS e sua evolução - apenas impostos gerais, contribuições consignadas, papel dos subsistemas, papel dos seguros privados, etc...
A discussão do financiamento é relevante também porque diferentes formas de financiar o SNS levarão certamente a diferentes formas de organizar como esses cuidados são dados à população e a que custo.

II - Agora sobre as farmácias, e tendo em atenção o comentário anterior: entendo a medida de permitir a venda de medicamentos não sujeitos a receita médica fora das farmácias e eventual maior acessibilidade aos consumidores como algo que será a própria evolução do sector que ditará.

Se como se depreende do comentário, não há "espaço económico" (chame-se assim à falta de melhor nome) para que haja maior acessibilidade de noite, então ela não surgirá. O Governo não decretou que ela tenha de existir, permite apenas que se alguém considerar que há espaço para isso, que o tente fazer.

No restante, apenas concordar com a noção de que as farmácias são um sector que funciona relativamente bem, que presta um serviço público importante, e que tem recolhido algum do valor económico associado com esse serviço por via das restrições à abertura de novas farmácias (resulta directamente do valor que o trespasse de uma farmácia tem).
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segunda-feira, dezembro 26

Regulação da Saúde


A ERS não poderá ser apenas "caixa de reclamações", pois esse é um papel de intervenção apenas depois de alguma problema ter sido detectado. Deverá ter também um papel de prevenção de situações e um papel de construção de concorrência saudável/opções de escolha para os utentes. Nenhuma outra entidade reguladora existente se limita a fazer recolha de queixas ou inquéritos de qualidade (embora seja verdade que há umas mais activas que outras).
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sábado, dezembro 17

Liberdade de Escolha


A liberdade de escolha como um princípio básico é normalmente inquestionada, e parece-me que vários comentários vão nesse sentido.

Apesar de ser em geral partidário dessa liberdade de escolha, há dois aspectos que merecem ser mais discutidos:
a)- como conciliar a liberdade de escolha do hospital com a referenciação que se pretende a partir dos cuidados de saúde primários? E na presença dessa articulação quem escolhe (médico de familia ou doente) e com que consequências (financeiras)?

b)- se determinada instituição hospitalar começar a perder doentes, por falta de qualidade, pode chegar-se ao ponto em que é melhor encerrar (se recebe pela produção, e perde doentes, não conseguirá cobrir os seus custos). O que fica previsto em termos de encerramento, quando se permite a liberdade de escolha do estabelecimento?

Naturalmente, não faz sentido um modo de pagamento aos hospitais que não seja baseado na produção realizada, e não nos recursos usados. Nesse aspecto, julgo que existe concordância generalizada.

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terça-feira, dezembro 13

Centralizações Hospitalares

C.H.Cova da Beira

O que fará sentido é permitir que os hospitais se organizem para a realização de algumas dessas funções. Parece ser esse aliás o espirito subjacente ao diploma de transformação em EPE, que segundo entendi dá a possibilidade de os hospitais se associarem em entidades que possam realizar algumas dessas funções.

Hospitais de determinada zona ou com afinidades fortes podem ter vantagem em se organizarem, mas de forma voluntária e de acordo com os seus próprios interesses.

Centralização absoluta no SUCH não tem grande sentido. Julgo inclusive que não será de excluir a extinção do SUCH, como sinal de que não é essa centralização absoluta o caminho a seguir.

Os hospitais deverão ter a possibilidade de alguma coordenação entre si, mas como consequência de decisões de gestão dos mesmos.
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segunda-feira, dezembro 12

Acompanhamento

A Unidade de Missão dos Hospitais SA foi muito mais uma entidade de dirigismo central sobre os hospitais do que de acompanhamento. Coarctou liberdade de gestão quando a devia ter estimulado, embora face à qualidade de alguns gestores que foram colocados em certos SAs seja duvidoso que ter mais liberdade de gestão fosse bom. Há aqui então uma contradição: como princípio, um papel interventor da Unidade de Missão dos Hospitais SA não era desejável; face às nomeações que houve, já tão criticadas no SaudeSA, pode ter sido melhor do que dar total liberdade. Naturalmente que melhor seria ter tido boas nomeações, e liberdade de gestão. É isso que agora se espera.

O papel que convém não deixar cair é o de acompanhamento dos hospitais EPE.
Aqui a questão que se coloca é se deverá ser uma estrutura já existente no Ministério que o deve fazer, ou se deve ser criada um Grupo Técnico, como propõe o tonitosa. Afinal, existe ou não massa crítica de análise no seio do Ministério da Saúde?

Pessoalmente, julgo que haveria vantagem em ter um Grupo Técnico, integrando certamente pessoas do Ministério e eventualmente mesmo dos hospitais, liderada por alguém de perfil técnico, para evitar a tentação de o transformar em máquina de propaganda.
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sábado, novembro 12

Avaliação dos HH do SNS (III)

Sobre o estudo "Avaliação da eficiência e da qualidade em Hospitais EPE e SPA " da DGS :
Concordo que a informação base apresentada é útil. Mas, a meu ver, mal utilizada. E pelo menos o exemplo está matematicamente errado, o que destrói a meu ver toda a credibilidade do indice calculado.

Como pode ser que eu esteja a ver mal, cá vai a sustentação da minha opinião (para ser corrigida por quem tiver uma interpretação diferente), depois de 10 min a olhar para os números:

p. 5 a 7 do relatório - exemplo do Hospital de Anadia:

indicadores de gestão - são 13 - com factores de ponderação - a soma dos factores de ponderação não dá 1. Ou falta qualquer coisa, ou estão mal calibrados. Este factor não teria importância, seria apenas uma questão de escala, não fosse este indicador ser depois usado para fazer média com o de qualidade. Logo, está-se a dar menor peso a este elemento do que realmente se diz.

No primeiro indicador de gestão - o valor usado para somar de forma a dar o indice de gestão é obtido por uma regra de três simples entre a despesa de internamento corrigida com o ICM - indice de case mix e o valor médio. A ponderação não entra aqui. Ou seja, o valor somado no indice tem ponderação 1 e não a que é dita que tem.

No segundo indicador, já é o valor ponderado que é comparado com o valor médio (que pela escala parece não estar ponderado), criando algo estranho.

Mas depois é tudo somado. Uns com os outros.

Para os números em falta para certos hospitais, o valor introduzido foi o da média do grupo. O que obviamente pode alterar a posição do hospital no ranking de eficiência que se tenta traçar. Basta pensar que se um hospital for o mais eficiente que todos os outros, mas lhe faltar a informação sobre imagiologia, ao colocar o valor médio do grupo, como os indicadores são todos somados, pode facilmente deixar de ser o mais eficiente. Não sei se sucede ou não, é apenas uma possibilidade que deveria ter sido acautelada. Basta ver que na despesa com hospital de dia por sessão , grupo I, são mais os valores em falta que os existentes - e variam entre 20 e 3035 (p. 29) - ou seja, a informação está pouco trabalhada, no mínimo duvido que os conceitos subjacentes estejam uniformizados para se poderem comparar os hospitais. Algo de similar ocorre para despesas com medicamentos por sessão. E por aí fora.

Por fim, todos os indicadores de gestão estão associados a despesas, e as ponderações determinadas pelo peso dessas despesas. É muito pouco.

Conceptualmente, não é feita qualquer referência a justificar porque é este o indicador de eficiência correcto, ou indicador de qualidade correcto, e como é que se podem somar os dois indices...

Enfim, redefinindo a minha posição face a este estudo:
- informação de base útil, e ainda bem que é disponibilizada
- competência técnica do estudo muito fraca e para mim sem credibilidade neste momento (a julgar pela exemplo, contém erros)

Sei que esta é uma posição dura, mas devemos ser tecnicamente exigentes e não seguir apenas as "gordas" dos jornais, que certamente não se debruçaram sobre a qualidade técnica do estudo.

A Direcção-Geral de Saúde deveria retirar o estudo de circulação, corrigir, e sustentar as opções metodológicas, e só depois dar-lhe valor.

Mas pode ser que seja eu a estar enganado, e nesse caso algum dos outros comentadores do blog se encarregará de mostrar onde errei...
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quinta-feira, novembro 10

Avaliação dos HH do SNS (II)


O estudo em causa, "Avaliação da eficiência e da qualidade em Hospitais EPE e SPA ", deve ser visto grande cuidado. A forma como os diversos indicadores são agregados tem óbvias implicações para os resultados.

Além disso, nada nos diz sobre se de facto SA/EPE ou SPA são melhores - pois não é estabelecido claramente o ponto de partida. Se os hospitais SPA que surgem com melhor indicador neste estudo também tivessem melhor indicador há dois anos atrás, mas apresentem uma menor evolução, em termo de melhoria, que os SA, então a conclusão inversa seria tirada.

Não estou a afirmar que seja este o caso, apenas que o estudo deve ser analisado com cuidado.

Mesmo para a utilização de indicadores desta natureza, há metodologias que levam a uma melhor construção do índice. Veja-se o excelente exemplo do estudo de Jorge Simões, Retrato Político da Saúde, que constroi um índice de ponderação com cuidado. Aliás, esse trabalho nem é referenciado no estudo, ou por ignorância da sua existência ou por outra razão qualquer.

Antes de embarcar em conclusões que sejam simpáticas para as percepções que uns tenham, há que ter a honestidade de perceber as limitações do estudo.

Fora esses aspectos, o estudo fornece um conjunto de informação bastante útil, que poderá servir de base para análises mais trabalhadas.
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(link)Avaliação da eficiência e da qualidade em Hospitais EPE e SPA

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sexta-feira, novembro 4

Ranking SA


Sobre rankings e concorrência entre os hospitais:
A meu ver, valeria a pena fazer duas coisas:
a)- ter uma análise mais profunda da eficiência relativa dos hospitais, e sua correlação com o ranking. Até pode suceder que o ranking, tal como é calculado actualmente, seja uma boa aproximação a medidas mais complexas. Tem-se também que ter a abertura para perceber porque, por vezes, os rankings não correspondem às nossas percepções - pode ser por o ranking estar enviezado ou por as percepções não serem correctas;
b)- se é verdade que o ranking dá alguma animação às comparações, tem sempre o problema de não poderem estar todos acima da média (matematicamente é uma impossibilidade), pelo que importa definir um outro critério que não apenas a média, que permita a todos estarem dentro de um padrão aceitável segundo o ranking.
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quarta-feira, setembro 21

Para que serve o vivóporto

IPO - cidade do Porto

Mais importante que a razão primeira que levou ao nascimento do vivóporto é a razão da sua existência. Um espaço livre, mas sério, de discussão dos hospitais, e da saúde em Portugal, em geral, não dispensa o contributo do vivóporto, mesmo que amanhã todos os hospitais fossem geridos exclusivamente por AHs (objectivo que não partilho necessariamente).

O vivóporto serve para manter a discussão acesa, a consciência crítica e os argumentos sérios. E já não é pouco!
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Futuro dos Genéricos


A situação é confrangedora, pois denota sobretudo falta de capacidade de reacção à ANF. Esta tem naturalmente empenho em divulgar os números que lhe interessa e da forma que lhe interessa.
Esperaria que o Ministério da Saúde conseguisse desmontar rapidamente, de forma clara, tecnicamente correcta e sobretudo perceptível o que se passa com o preço dos genéricos.

Não custa muito explicar que para uma fase inicial se deu uma comparticipação adicional de 10%, que se pretendeu sempre que fosse transitória, para que se desenvolvesse o hábito de comprar genéricos, para que a prática dessa compra desse a garantia necessária aos utentes. Tendo terminado o que se pode chamar de período de experimentação, essa majoração na comparticipação termina.

Os preços aumentam 4% (+10%-6%)? Pode ser que sim, pode ser que não. A eliminação da vantagem em termos de comparticipação significa que para os genéricos manterem a vantagem de preço terão que acompanhar a descida dos preços. E a principal vantagem apontada aos genéricos é precisamente o terem preço mais baixo.
Provavelmente as pessoas que mais consomem genéricos são aquelas que mais atentas estão aos preços, e que são sensíveis a flutuações destes nas suas aquisições. (embora não tenha visto ainda qualquer confirmação desta pressuposição)

Se assim suceder, a pressão será para que os produtores de genéricos aceitem ou decidam voluntariamente baixar o seu preço. Poderá não ser hoje ou amanhã, mas poderá suceder, digamos, até ao final do ano.
É precipitado tirar conclusões desde já, sem perceber qual vai ser o ajustamento de comportamento dos utentes (irão continuar a comprar da mesma forma?) e das companhias que colocam os principais genéricos no mercado.
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