terça-feira, julho 16

As pessoas perderam a esperança

Crise é gatilho que faz disparar homicídios
O número de homicídios está a crescer e com um cada vez maior desprezo pela vida humana. Para Carlos Poiares, psicólogo forense, a culpa é da crise. "As pessoas perderam a esperança", diz.
Os sinais de alarme quanto aos números começaram em 2012, mas a tendência manteve-se no primeiro trimestre deste ano, com uma subida de 20%. E os dados recolhidos pelo JN dão conta de que a aritmética da morte já vai, este ano, em 71 homicídios, até ontem, mais oito do que o registado no ano passado, até ao final deste mês. O último caso aconteceu ontem, em Loures.
JN 16-07-2013

É este o reverso da medalha. Portugal é mesmo um país em sofrimento e, tudo o indica, em elevado risco de desagregação.

Tavisto

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quarta-feira, dezembro 14

Natal 2011

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sábado, dezembro 3

Recessão mecanicamente induzida

PIB e função pública

«De repente, surgiu-me uma dúvida, depois de ouvir falar em mais austeridade, mais recessão…
O cálculo do PIB inclui actividades de mercados e actividades que não têm preços de mercado.
Um exemplo de actividades sem preço de mercado é a administração pública, a função pública.
Para as actividades sem preço de mercado, utilizam-se os custos de produção.
A função pública conta para o PIB de acordo com os seus custos de produção.
Reduzir salários baixa os custos de produção. Logo baixa o PIB.
Como o PIB baixa (recessão), tem que se voltar a reduzir os custos de produção, logo tem que se reduzir novamente os salários da função pública.
Será que estou a pensar bem, ou alteraram a forma de cálculo do PIB?
Podemos falar em recessão mecanicamente induzida? (para além do problema óbvio de sendo usados os mesmo recursos, desenvolvendo as mesmas actividades da mesma forma, o valor é menor porque se paga menos – o sistema de contabilização do PIB está criado para economias que estão sempre com os salários a crescer).» link

03 Dezembro, 2011, Pedro Pita Barros
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Quer dizer, estes liberais de aviário fodem-nos os subsidios para induzir mais recessão...
E nos castigar.

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quinta-feira, novembro 24

90%


O Governo continua a pensar que não se passa nada link

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sexta-feira, novembro 18

Greve Geral 24.11.11

Em reunião do conselho nacional, realizada no passado dia 15.11.11 o SIM decidiu apoiar a Greve Geral do dia 24 de Novembro de 2011.
Este apoio tem por fundamento as «medidas especificamente dirigidas contra os trabalhadores médicos, nomeadamente impondo a brutal e unilateral redução do valor hora de trabalho», o «ataque directo aos acordos colectivos de trabalho em vigor na administração pública e de boa fé subscritos pelos sindicatos médicos», e a «degradação das equipas de Urgência em número e em diferenciação técnica dos médicos».
link

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quinta-feira, novembro 10

Lá estaremos!

Fnam adere à greve a 24 de Novembro
Os sindicatos dos médicos das zonas Norte, Centro e Sul, que compõem a Fnam, já tornaram público o aviso prévio de greve para o próximo dia 24 de Novembro, juntando-se assim aos restantes trabalhadores do sector público.
No aviso prévio, a que o «TM» teve acesso, os sindicatos explicam que se juntam à greve nacional pela defesa do SNS e do Estado social, contra «o roubo nos salários e dos subsídios de férias e de Natal», pela defesa da contratação colectiva dos médicos e pela hierarquia técnico-científica» e contra «o comissariado político».
Tempo Medicina 07.11.11

Dr. Feelgood

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sábado, novembro 5

Para que nos serve este PS?

«A abstenção na votação do OE 2012, o orçamento do empobrecimento desigual, da desvalorização salarial e social, a antítese da social-democracia, indica que a nova direcção do PS já desistiu de dizer qualquer coisa de esquerda, qualquer coisa civilizada, qualquer coisa. Já desistiu do país. O definhamento é seguro.» link

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sábado, outubro 22

Nobel pró Gaspar

Se resultar deem o Nobel ao Gaspar

Até 2013, a generalidade dos trabalhadores portugueses por conta de outrem vai perder entre 40% a 50% do seu rendimento e todos os seus ativos (casas, poupanças, etc.) vão sofrer uma desvalorização da mesma ordem de grandeza. Pergunto: alguém pensa que isto se fará de forma pacífica? Alguém pensa que o bom povo português aceitará mansamente este roubo? Alguém pensa que assistiremos bovinamente a este assalto? Repito: entre 2011 e 2013, o Governo toma medidas que lhe permitirão confiscar metade do que ganhamos hoje. É deste brutal esbulho que falamos e que está ao nível de decisões idênticas tomadas por governos da América Latina nos anos 80. É isto que está por trás da proposta de lei do Orçamento do Estado para 2012 e das decisões que o Governo já tomou em 2011. É sobre os escombros resultantes desta violentíssima e muito rápida pauperização da generalidade dos trabalhadores e quadros médios e superiores, públicos e privados, bem como dos reformados e pensionistas, que o ministro das Finanças espera que Portugal triunfe “como economia aberta e competitiva na Europa e no mundo” no final do programa de ajustamento. Faz sentido?

Como é óbvio, só quem ensaia soluções asséticas e perfeitas em laboratório é que pode imaginar que esta história terá um final feliz. O mantra do ministro das Finanças (para conhecer o pensamento de Vítor Gaspar ler o excelente artigo que Pedro Lains publicou no “Jornal de Negócios” de 19 de outubro)
link é tornar-nos a pequena China da Europa, assente em salários baixíssimos, sem subsídio de férias nem de Natal, relações laborais precarizadas, horários de trabalho flexíveis e menos férias e feriados.

Mas Gaspar quer ir mais longe. E assim a draconiana consolidação orçamental só será eficaz se, como diz, for acompanhada por uma agenda de transformação estrutural da economia portuguesa, nomeadamente um amplo programa de privatizações. O que quer isto dizer? Quer dizer vender ao preço da chuva e ao estrangeiro tudo o que seja empresa pública lucrativa ou participações do Estado em empresas, mesmo que elas constituam monopólios naturais; e não deixar na posse do Estado nem um único centro de decisão. Outros dois componentes fundamentais desta agenda de transformação estrutural são a “flexibilização do mercado de trabalho” (que nos permitirá trabalhar com regras cada vez mais próximas dos chineses) e a reforma do sistema judicial (de que, até agora, ainda não tivemos nenhuma notícia).

O tatcherismo serôdio do ministro das Finanças afirma-se pelo preconceito contra tudo o que é público e pela fezada de que colocando-nos todos a pão e água conseguiremos atingir os grandes equilíbrios macroeconómicos em 2014, partindo daí para uma fase de grande prosperidade. Mas será que o senhor não percebe que os melhores quadros do sector privado vão emigrar logo que puderem? Será que não percebe que os bons (e cada vez mais raros) quadros da Função Pública se passarão para o privado à primeira oportunidade? Não percebe que ninguém investirá um cêntimo a criar novas unidades produtivas em Portugal nos próximos anos (comprar empresas já existentes não acrescenta nada em matéria de emprego e de criação de riqueza, como é óbvio)? Não percebe que os jovens licenciados, muitíssimo bem formados, só pensam em ir trabalhar para o estrangeiro? Não percebe que há muito se passou o limite dos sacrifícios aceitáveis e que, a partir de agora, haverá uma resistência passiva destinada a iludir o fisco? Não percebe que a economia paralela se vai tornar mais pujante do que nunca e que essa é a única via para os portugueses sobreviverem a este esbulho de que estão a ser alvo?

Dir-se-á: mas havia alternativa? Havia desde que se quisesse e lutasse por ela. O programa de ajustamento da Irlanda vai até 2015. Não se percebe porque o nosso não pode ser também estendido no tempo. O défice para 2011 já foi corrigido em alta pela troika. Porque é que não se luta para que também o de 2012 seja aumentado? Porque é que se quer impor esta insuportável dor social aos portugueses? E na questão do financiamento à economia, porque não se bate o Governo porque haja uma nova tranche (cerca de €20 mil a €30 mil milhões) para que o Governo pague às empresas públicas de transportes e estas aos bancos, que terão assim liquidez para financiar as pequenas e médias empresas? Mas não. O que Gaspar quer é tornar a economia portuguesa competitiva através de uma violentíssima desvalorização por via salarial, pela maior recessão desde há 37 anos e por quebras do investimento e do consumo que não se verificam desde os anos 80. Se isto der resultado, deem-lhe o Nobel.

Nicolau Santos, expresso 22.10.11

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quarta-feira, outubro 19

Co-pagamentos a partir de Janeiro

«Valor da receita previsto no OE/2012, confirma aumento substancial das taxas moderadoras para os utentes.
O Governo espera encaixar cerca de 300 milhões de euros como aumento das taxas moderadoras em 2012, confirmando assim uma subida muito significativa das taxas de acesso aos cuidados de saúde que os portugueses terão de enfrentar já a partirde Janeiro.

O encaixe da receita previsto na proposta de Orçamento do Estado para 2012 é de 409 milhões de euros, quando em 2011 a receita estimada era de 110 milhões de euros.
O valor nominal das taxas só será divulgado posteriormente, por portaria. Contudo, com base no valor total que o Estado espera encaixar no próximo ano, o preço a pagar por uma urgência polivalente num hospital poderá triplicar para um valor próximo dos 30 euros - hoje custa 9,40 euros – apurou o Diário Económico junto de fontes do sector.
Ao mesmo tempo que as taxas moderadoras aumentam, as multas para os utentes incumpridores também disparam. O OE/2012 prevê que as multas a aplicar sejam cinco vezes superiores ao valor da taxa moderadora com um limite mínimo de 50 euros. E será o Fisco cobrar.» DE 18.10.11
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Paulo Macedo, encolheu-se, relativamente a esta matéria, ao adiar recentemente no Parlamento o aumento das taxas moderadoras (previsto para Novembro) para Janeiro do próximo ano.
O primeiro passo para a introdução dos co-pagamentos a suportar, uma vez mais, pela classe média nacional (rendimentos superiores a mil euros com tendência para baixarem). Qualquer dia é mais barato ir ao BES.
Estes liberais de pacotilha não descansam enquanto não acabarem connosco.

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terça-feira, outubro 18

Desconstruir a sociedade e a economia

Em declarações à Lusa, José Reis disse que o Governo "não está a gerir uma crise, mas a desconstruir a sociedade e a economia", considerando que as medidas propostas, "além de violentas e injustas, têm um efeito recessivo que está expresso no cenário macroeconómico divulgado", que prevê uma recessão de 2,8% em 2012 e uma taxa de desemprego de 13,4%, um recorde. José Reis, JP 18.10.11

«Estas medidas têm várias características. Primeiro, radicam num profundo ódio ideológico aos servidores públicos. Segundo o Expresso, alguns responsáveis do Governo terão aventado que "estes não são os nossos constituintes". Segundo, pretende generalizar este ódio, destruindo qualquer solidariedade entre os cidadãos: "dividir para reinar". Terceiro, estas e outras medidas caracterizam-se por uma iniquidade profunda: incidem sobre os assalariados (e consumidores), poupando (quase) sempre o capital.» André Freire JP 17.10.11

Temos que dar a estes liberais de pacotilha (FP) o que merecem. Clara Gomes

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segunda-feira, outubro 17

OE/2012, amputação da rede de cuidados

«Na segunda fase, que se concentrará no ano de 2012, o Ministério da Saúde dará início ao processo de reestruturação dos serviços e organismos integrados no SNS, ou seja, unidades hospitalares e centros de saúde. A racionalização da rede de cuidados de saúde permitirá a otimização da utilização de recursos e, consequentemente, o aumento do acesso dos cidadãos aos cuidados de saúde, o aumento da qualidade dos serviços e a obtenção de poupanças significativas.» OE 2012, pag 190 link

Uma vez mais repete-se a estafada fórmula mágica da eficiência social pacotilha: Centralizar/encerrar serviços e unidades de saúde para obter melhoria do acesso, da qualidade e redução de custos da rede de prestação de cuidados do SNS.
Para conseguir este feito o MS colocou no terreno três equipas responsáveis pelo desenvolvimento dos indispensáveis estudos de amputação: "Grupo técnico para a reforma hospitalar”
link; "Grupo técnico para o desenvolvimento dos cuidados de saúde primários" link; "Comissão para a Reavaliação da Rede Nacional de Emergência e Urgência". link
Com tantos cortes - «a despesa total consolidada do ministério em 2012 é de 7.952 M€, o que corresponde a uma redução de 8,2% (-710 M€) face à estimativa de 2011»OE 2012, pag. 194; "Saúde sofrerá um corte de 900 milhões de euros no próximo ano. Maternidade Alfredo da Costa e Curry Cabral vão fechar portas.link - e prazos de execução curtissimos, o êxito deste processo de racionalização da rede do SNS, só poderá conduzir ao prejuízo grave do acesso dos doentes aos cuidados de saúde.

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domingo, outubro 16

O País e o futuro colectivo ameaçados


Passos Coelho decretou guerra à Função Pública e, de forma indirecta, ao Povo que o elegeu. Com os cortes brutais nos seus rendimentos, muitos funcionários públicos irão passar a viver ao nível da sobrevivência. Alguns poderão mesmo soçobrar, incapazes de poder cumprir com dívidas assumidas. A este pesadelo irá juntar-se por certo a degradação dos serviços públicos, em consequência da desmotivação profissional, assumindo particular preocupação as áreas da Educação, Justiça e Saúde.

Se a esta catástrofe juntarmos as consequências que trará para o sector privado a brutal perda de poder de compra dos funcionários públicos, com o consequente encerramento de empresas e sector do comércio em geral, levando à inactividade milhares de concidadãos por desemprego e contracção de emprego, temos uma ideia da situação de apocalipse social a que este governo irá conduzir o País.

Como irão os portugueses reagir a este desastre que se antecipa? Serão os partidos de oposição suficientemente responsáveis para, superando divergências, se sentarem e discutirem alternativas à actual (des)governação? Soprarão outros ventos da Europa que consintam aliviar o garrote financeiro que nos tolhe?

O País e o nosso futuro colectivo estão hoje seriamente ameaçado. Já não vale a pena continuar a gritar que nós não somos a Grécia, teremos é que lutar para que não nos remetam ao papel e insignificância política de uma Albânia. Para tal é necessário correr com esta corja de irresponsáveis comandados por um político asséptico, insensível e mentiroso.
Tavisto

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sábado, outubro 15

Uma raiva a nascer-nos nos dentes


Sr. primeiro-ministro, depois das medidas que anunciou sinto uma força a crescer-me nos dedos e uma raiva a nascer-me nos dentes, como diria o Sérgio Godinho. V.Exa. dirá que está a fazer o que é preciso. Eu direi que V.Exa. faz o que disse que não faria, faz mais do que deveria e faz sempre contra os mesmos. V.Exa. disse que era um disparate a ideia de cativar o subsídio de Natal. Quando o fez por metade disse que iria vigorar apenas em 2011. Agora cativa a 100% os subsídios de férias e de Natal, como o fará até 2013. Lançou o imposto de solidariedade. Nada disto está no acordo com a troika. A lista de malfeitorias contra os trabalhadores por conta de outrem é extensa, mas V.Exa. diz que as medidas são suas, mas o défice não. É verdade que o défice não é seu, embora já leve quatro meses de manifesta dificuldade em o controlar. Mas as medidas são suas e do seu ministro das Finanças, um holograma do sr. Otmar Issing, que o incita a lançar uma terrível punição sobre este povo ignaro e gastador, obrigando-o a sorver até à última gota a cicuta que o há de conduzir à redenção.

Não há alternativa? Há sempre alternativa mesmo com uma pistola encostada à cabeça. E o que eu esperava do meu primeiro-ministro é que ele estivesse, de forma incondicional, ao lado do povo que o elegeu e não dos credores que nos querem extrair até à última gota de sangue. O que eu esperava do meu primeiro-ministro é que ele estivesse a lutar ferozmente nas instâncias internacionais para minimizar os sacrifícios que teremos inevitavelmente de suportar. O que eu esperava do meu primeiro-ministro é que ele explicasse aos Césares que no conforto dos seus gabinetes decretam o sacrifício de povos centenários que Portugal cumprirá integralmente os seus compromissos — mas que precisa de mais tempo, melhores condições e mais algum dinheiro.

Mas V.Exa. e o seu ministro das Finanças comportam-se como diligentes diretores-gerais da troika; não têm a menor noção de como estão a destruir a delicada teia de relações que sustenta a nossa coesão social; não se preocupam com a emigração de milhares de quadros e estudantes altamente qualificados; e acreditam cegamente que a receita que tão mal está a provar na Grécia terá excelentes resultados por aqui. Não terá. Milhares de pessoas serão lançadas no desemprego e no desespero, o consumo recuará aos anos 70, o rendimento cairá 40%, o investimento vai evaporar-se e dentro de dois anos dir-nos-ão que não atingimos os resultados porque não aplicámos a receita na íntegra.

Senhor primeiro-ministro, talvez ainda possa arrepiar caminho. Até lá, sinto uma força a crescer-me nos dedos e uma raiva a nascer-me nos dentes.

Nicolau Santos, expresso 15.10.11

Nota: É a raiva a nascer-nos nos dentes. A foto acima foi tirada esta tarde nas escadarias da AR, depois de termos galgado a 1.ª barreira do forte dispositivo de segurança. Acompanharam-me neste "acto tresloucado" a minha mulher, os meus filhos, amigos, colegas do SNS. Estamos prontos para tudo.

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15 Outubro 2011

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