quinta-feira, junho 10

A insustentável leveza do ser…

…” Encerramento nocturno de Pediatrias preocupa Margem Sul”…

Ausência total de gestão previsional, imponderação das consequências, insensibilidade clínica e social e, uma ARS, tão ligeirinha, tão ligeirinha que deixou de “flutuar” sobre os problemas para, decididamente, ter entrado na estratosfera.
Nota digna de registo: uma decisão com tanta relevância social é gerida pelo porta-voz da ARSLVT. Da parte do MS nada de novo…link

Saloio

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quinta-feira, junho 3

Defender o SNS

Como pode este Governo defender o SNS, se permite situações como as descritas?

"Auditoria do TC arrasa Serviço de Utilização dos Hospitais"
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terça-feira, junho 1

Perguntar não ofende…


A propósito das medidas de contenção na saúde deixam-se aqui algumas sugestões de perguntas que poderiam ser colocadas ao MS.

Qual o impacto nos custos globais, no desempenho e na qualidade do SNS:

1. - da criação de um Observatório do Sistema de Saúde verdadeiramente eficaz e independente, apoiado nas Universidades, que fosse capaz de produzir informação e conhecimento (produzindo, publicando e publicitando informação e análise crítica) sobre o Sistema de Saúde e ao mesmo tempo fosse monitorizando (trimestralmente) o desempenho global do sistema e as políticas do governo?

2. - da criação de um Programa de redução efectiva e controlada da Taxa de Infecção Hospitalar?

3. - da criação de um Programa de redução dos internamentos inapropriados e de revisão global das demoras médias hospitalares?

4. - da persistência de graves disfunções na relação entre os Cuidados de Saúde Primários e os Cuidados de Saúde Hospitalares e a Rede de Cuidados Continuados?

5. - do agravamento do número de utentes sem médicos de família?

6. - da criação de um Plano Estratégico para a Utilização Racional do Medicamento plurianual que envolvesse, paritariamente, a Apifarma, a Apogen, a ANF, a Ordem dos Médicos e a Ordem dos Farmacêuticos?

7. - da criação de uma Agência Nacional para a Avaliação das Tecnologias da Saúde?

8. - da criação de um Formulário (contendo os Termos de Referência) para as Boas Práticas de Prescrição nos Cuidados de Saúde Primários?

9. - da implementação efectiva da obrigatoriedade de prescrição por DCI?

10. - do alargamento da quota prescrição de medicamentos genéricos para, pelo menos, 35 % do mercado total?

11. - da revisão dos critérios de formulação de preços e comparticipações ajustando-o às melhores práticas em curso nos países da UE?

12. - da implementação imediata de uma experiência concreta de prescrição electrónica (retomando, por exemplo, a experiência de Portalegre)?

13. - da implementação efectiva de uma Carta Hospitalar de âmbito nacional?

14. - da criação de um Programa de substituição urgente dos Centros Hospitalares com maiores ineficiências estruturais por edifícios únicos e integrados (CHLO, Médio-Tejo, CHC, etc)?

15. - da concentração de Urgências nas áreas metropolitanas?

16. - da concentração, fusão e extinção de Serviços Centrais e Regionais no âmbito do MS?

17. - da criação de um Programa de incentivo ao aumento da taxa actividade de Cirurgia de Ambulatório?

18. - da realização de uma auditoria nacional e independente ao transporte de doentes?

19. - da criação de um Programa de informatização (obrigatória) na relação de todas as entidades convencionadas com o MS?

20. - da criação de um Grupo Profissionalizado na ACSS de apoio, acompanhamento e monitorização à rede empresarial da saúde?

21. - da criação de novos CRI’s, com avaliação prévia de custo-efectividade, que possam substituir serviços ineficientes e suprir carências de actividade?

22. - da criação de um plano muito mais ambicioso e urgente na implementação do Registo de Saúde Electrónico?

23. - da criação imediata de locus regionais e experimentais de prescrição electrónica?

24. - da criação de novas ULS?

25. - da criação de experiências-piloto de ULS com financiamento capitacional?

26. - da progressiva destruição da experiência inovadora da ULS de Matosinhos?

27. - da criação de um Sistema Global de Avaliação de Desempenho profissional e institucional?

28. - da criação de um Sistema Integrado de Informação e de Reporte de acesso público nos diferentes indicadores de actividade e de performance do SNS?

Estas são apenas algumas das (muitas) perguntas que se poderiam fazer para evitar que estivéssemos a perder tempo com uma espécie de política de “marquise” discutindo apenas toners e jarros de água.

Amorim

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sábado, maio 29

Demita-se

foto portal da saude
Óscar Gaspar quis ser o primeiro a dar a (má) notícia: «...a factura do SNS com medicamentos aumenta a um ritmo superior a dois dígitos, o que tem de ser aplacado» link
Infelizmente, assim é:
Segundo dados publicados pelo Infarmed, a despesa do SNS com medicamentos atingiu no primeiro trimestre do corrente ano, o valor record de 418 milhões de euros, um crescimento, imagine-se só, de 11,8%, em relação a igual período do ano anterior.link
Isto, quanto a despesa com medicamentos dos Hospitais do SNS cresceu 7,9% no mesmo período.link
Números preocupantes, quando a dívida dos hospitais aos laboratórios atinge igualmente valores record (788 milhões).
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“Os cidadãos deviam ter o direito de exigir responsabilidades aos dirigentes políticos que, ano após ano, “fecham” os olhos ao escândalo de fazer de Portugal, um dos países mais pobres da UE e da OCDE, com uma das maiores despesas em medicamentos (Estado e famílias)”.
link

Por isso, senhora ministra, face a estes e outros resultados catastróficos, fruto da sua actuação politica, no lugar de vir agora promover, à pressa, cortes generalizados na Saúde, peço-lhe um assomo de coragem e dignidade e demita-se.

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sábado, maio 22

Expiração do prazo

O sector da saúde, nos últimos dias, não tem destoado do tom geral do governo. Esgotado, sem ideias, sem capacidade de inovar vai-se arrastando, penosamente, na recriação de “soluções” e de protagonistas que torna bem evidente que este ciclo está acabado.
O discurso político redondo, quase sempre imperceptível, apenas é salpicado por esporádicos assomos de acção quase sempre, desconexa, incoerente e inconsequente.

Na “política” do medicamento este governo ficará para a história como aquele que mais prejudicou a investigação, o desenvolvimento e a modernização da indústria inovadora e que, ao mesmo tempo, mais penalizou os cidadãos enquanto contribuintes e enquanto consumidores. A prática política, neste sector estratégico para a economia e o bem-estar dos cidadãos, fica marcada por um serpentear de incompetência ao nível da gestão estratégica.

No capítulo dos recursos humanos assistimos a uma continuada acumulação de erros de consequências, infelizmente, duradouras e irreversíveis. Para conquistar (comprar) simpatias e apoios o PM e a MS prometeram aquilo que não podiam e, sobretudo, não deviam cavalgando a dívida pública e deixando um lastro de destruição do sector de que não há memória no sector, há muitos anos.
Não intervindo, como deviam, com sentido de Estado e prudência na governação da “coisa pública” em duas áreas fundamentais - medicamento e recursos humanos, criaram constrangimentos insanáveis ao nível da gestão operacional das unidades de saúde.

Tendo a actual tutela uma visão “passadista” do sector, desgarrada no tempo e incapaz de compreender a natureza de um sector empresarial na saúde, o que vimos foi uma desvirtuação da gestão com uma progressiva alienação da autonomia e da responsabilização da gestão.

Em desespero de causa vem-se agora com um simulacro de modelo de avaliação para justificar, à pressa, o prenunciado falhanço na governação da rede hospitalar pública. Nesta área do SNS a norma foi sendo o retomar progressivo da cadeia de comando burocrático administrativista em que a actual tutela foi “formatada”. O desapoio progressivo das equipas de gestão foi a nota dominante com o alijar de responsabilidades políticos como regra. Espanta, aliás, como ainda existem pessoas dispostas a integrar conselhos de administração quando o papel que lhes está destinado é o de serem os “patinhos feios” de uma política sem norte e sem qualquer sentido de solidariedade ética.
Esta ausência de ética política é, igualmente, visível na deliberada omissão sobre o incumprimento das obrigações contratuais, por parte do Estado, relativamente às Instituições que tutela.

O que é impressionante é como estes dirigentes políticos não percebem o “estado de alma” do sector e a falta de reconhecimento e de autoridade que lhes é acometida.
Há um tempo para tudo. Para prometer, para fazer e para ser avaliado. Esse tempo expirou. Só os próprios ainda não perceberam…
amorim

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Ode à qualidade

do discurso político

Ministra: «Vai ser preciso gerir melhor os recursos da saúde»
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A ministra da Saúde afirmou hoje que vai ser preciso "gerir melhor" os recursos do sector, dado o contexto de crise, mas que os serviços de Saúde "são para manter" e estão "garantidos".
"A Saúde tem de gerir muito bem aquilo que faz, temos de garantir os cuidados de saúde, que são essenciais", afirmou Ana Jorge aos jornalistas quando confrontada com os alertas de sindicatos, associações e profissionais do sector que temem que as medidas de austeridade anunciadas pelo Governo para os serviços públicos ponham em causa o Serviço Nacional de Saúde (SNS).
"Com aquilo que temos vindo a fazer vamos conseguir garantir os cuidados de saúde", disse a ministra, acrescentando: "Vamos gerir melhor e vamos ter o envolvimento dos profissionais e também das pessoas".

pepe

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sexta-feira, maio 21

EPE, novas regras de boa gestão


Num ano «particularmente exigente» no campo orçamental, a tutela prepara a regulamentação do diploma das EPE que trará novas regras de monitorização do desempenho dos hospitais. Para breve está também prevista a divulgação da legislação da avaliação dos administradores hospitalares.

A tutela está a preparar a regulamentação do diploma que legisla sobre as entidades públicas empresariais (EPE) e que incluirá «regras de boa gestão» que devem ser seguidas por quem está à frente destes organismos. O anúncio foi feito por Óscar Gaspar, secretário de Estado da Saúde, à margem da assinatura dos contratos-programa dos hospitais para 2010, na sede da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), que decorreu no passado dia 17.
O responsável explicou aos jornalistas que o despacho está a ser preparado entre os Ministérios das Finanças e da Saúde, e «deve sair este ano». Esse diploma virá, assim, completar a legislação referente às EPE e resulta da necessidade de serem encontradas «novas medidas de monitorização da despesa e da produção».
Por outro lado, o despacho que já está pronto e só aguarda as assinaturas de responsáveis dos Ministérios da Saúde e das Finanças é o que diz respeito à avaliação dos administradores hospitalares. «Estamos prontos para avançar», adiantou o secretário de Estado, garantindo aos jornalistas que haverá «notícias sobre isso nos próximos dias».

Óscar Gaspar adiantou ainda que, brevemente, mais precisamente no mês de Junho, também será conhecida a proposta de reestruturação dos serviços hospitalares preparada pela equipa coordenada por Maciel Barbosa.
Tempo de Medicina, 24.05.10

Para já, perspectiva-se, à boa maneira portuguesa, nova enxurrada de leis para a gestão hospitalar. Veremos que alterações positivas resultarão no terreno.

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quarta-feira, maio 19

Pérolas da Liberdade de Escolha

na Prestação Privada e da Silly Season no SNS
Parte I
Doente operado ao braço errado no Hospital Particular de Lisboa
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“Ao acordar na sala de recobro do Hospital Particular, em Lisboa, Fernando Castro sentiu um desconforto numa parte do corpo onde nada de diferente deveria sentir. Chamou uma enfermeira, pediu para lhe retirar o lençol que o cobria e verificou que tinha o braço direito envolto em ligaduras. O esquerdo, ao qual deveria ter sido operado, estava rapado e sem qualquer vestígio de intervenção clínica. Um engano. Um terrível engano ocorrido no passado dia 12 e cujo desfecho final parece encaminhar-se para uma sala do tribunal”


Imaginemos, por absurdo, que tal se passava num hospital público. Telejornais, primeiras páginas, talkshows pelo menos durante uns meses. Neste caso apostamos que o fogacho da notícia rapidamente se esbaterá na espuma dos dias “convenientemente” esquecido no meio dos noticiários sobre o défice e o TGV. É que as agências de comunicação não brincam em serviço. Alguém se lembra do estranho caso de um treinador de futebol que terá estado às portas da morte por ter sido alvo de uma cirurgia estética por médico para tal não credenciado? Alguém sabe o nome do médico? E o nome da clínica? E o nome da seguradora a quem distraidamente foi reportada lipoaspiração como herniorrafia? Conhecem a posição da OM? E da ERS?


Parte II
“A Entidade Reguladora da Saúde (ERS) intimou dois hospitais públicos a pagarem a meias uma operação a um descolamento da retina
link que uma doente fez no hospital privado Cuf Descobertas (Lisboa), depois de esta não ter sido atendida de imediato nas duas unidades, por ser véspera de fim-de-ano. HUC aceitaram pagar 7.526 euros, ou seja, metade do custo da operação. A ERS conclui que houve violação grosseira do direito de acesso ao SNS. Os Hospitais da Universidade de Coimbra aceitaram pagar a sua parte (metade de 7.526,33 euros, custo da operação), mas o Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC) recusou, por discordar das conclusões da ERS e considerar que não há indícios de má prática clínica.
O director do Serviço de Oftalmologia do CHLC - que foi quem operou a doente na instituição privada - adiantou, porém, ao PÚBLICO que a administração já lhe pediu para apresentar um projecto para alterar a situação na unidade pública, de forma que casos como este não se repitam”…


Valha-nos o espírito de sacrifício e a disponibilidade do director do Serviço de Oftalmologia do CHLC que não sendo capaz de organizar o serviço público que dirige para responder às necessidades dos cidadãos contribuintes teve o denodo de estar disponível para o fazer no sector privado. Pode, porém, ficar descansado que o SNS irá pagar o que é devido a tal esforço.

É claro que, mais uma vez, nada se passará.
Com o MS fechado para obras e entretido na gestão quotidiana das trapalhadas só podemos esperar muitos e enriquecidos capítulos nos próximos dias a ilustrar o fim triste do SNS.


Notas Finais:
Consta que o CA do CHLO terá reunido a totalidade da classe dirigente para comunicar que a Instituição estava falida…

Os hospitais militares não param de conhecer novos destinos. Depois de se constituírem promitentes e piedosos compradores desse exaltante estudo de caso que dá pelo nome de hospital dos Lusíadas parece que à falta de numerário (para ajudar a tapar o buraco) se viraram para o HPV. Não nos surpreenderíamos se na próxima semana fosse anunciado que, afinal, iriam para o Miguel Bombarda.

saloio

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Algumas medidas de moralização

e de contenção de despesas na Saúde

1.º Cortar no n.º de membros dos Conselhos de Administração: Os CA apenas devem ter, no máximo, 3 elementos. O Presidente do CA (PCA) deve ser obrigatoriamente um gestor (com CV comprovado e préviamente visado por uma entidade independente), nomeado pela Ministra, mais o Director Clínico e o Enfermeiro Director nomeados pelo PCA. Os restantes elementos são apenas boys, são verbo de encher...cadafalso com eles!

2.º Fazer cessar todas as contratações e nomeações feitas à margem de critérios legais nínimos (respeito pelo principio da pulblicidade, da transparência e da igualdade, pelo menos). Todos os elementos admitidos nestas situações devem pura e simplesmente ir para o olho da rua. São milhares os boys admitidos nestas circunstâncias. Num hospital do Porto o próprio PCA afirmou recentemente, em público, gabando-se do feito, que só nos últimos 5 anos, entraram 1.000 novos elementos (será possível?!!!). No mesmo hospital há diversos quadros de valor na prateleira e continuam a admitir-se boys atrás de boys, alguns récem-formados em Administração Hospitalar que, sem critério, foram nomeados para lugares de Direcção ultrapassando tudo e todos, a ganhar como Administradores de 1.ª classe com um subsídio acrescido de 750 euros mensais.

Fazer cessar todas estas ilegalidades trará uma enorme poupança, tanto mais que todos estes elementos não fazem falta aos hospitais pois apenas vieram roubar trabalho a quem estava a trabalhar e gostaria de continuar a trabalhar.

3.º Auditar e fazer cessar as remunerações principescas que alguns hospitais teimam em continuar a pagar, apesar da crise. Em outro hospital do Porto foi nomeado, por livre escolha, recentemente, um técnico superior como Director do Serviço ao qual pertencia, passando a ganhar de cerca de 1700 euros para 5000 euros por mês, dezasseis meses por ano.

4.º Auditar, fazer cessar e responsabilizar por elas, todas as práticas de sobrefacturação/facturação indevida ao SNS;

5.º Auditar os gastos e os erros de gestão que se tenham/estejam a traduzir em desperdícios financeiros e responsabilzar por eles os gestores, se necessário com reposição das verbas indevidamente realizadas;

6.º Fazer cessar, de imediato, a nomeação de todos os Directores Executivos dos ACES (73) e dos Directores das Unidades Operacionais de Gestão (73) nos casos em estes representem novas admissões. São novos boys a provocar um aumento de despesas desnecessário ao sistema. Há nos serviços de saúde profissionais preparados (com mestrados, cursos de pósdgraduação em gestão de saúde) para exercer essas funções.

Gestão rasca

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De cabeça perdida

Administração do Serviço de Utilização Comum dos Hospitais "estupefacta" com nomeação de novo presidente, link
O Conselho de Administração (CA) do Serviço de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH) revelou hoje ter recebido com "estupefacção" a notícia da nomeação de um novo presidente porque "nenhum dos seus elementos renunciou ao cargo" ou foi "destituído". O Ministério da Saúde anunciou hoje que o ainda presidente da administração do hospital Garcia de Orta (Almada), Nelson Baltazar, vai presidir ao SUCH. Em comunicado, o "CA em funções" dos SUCH manifestou a sua "estupefacção" com este anúncio por estar "completo, cumprindo a maioria dos seus membros o segundo mandato, após ter sido reconduzido em 2009 e não tendo nenhum dos seus elementos renunciado ao cargo nem sido destituído".


É espantoso o desplante e o desaforo com que as responsáveis pela degradação do SUCH com a acumulação de passivos inenarráveis e actos de gestão da mais duvidosa qualidade se permitem desafiar a tutela e os associados branqueando as consequências dos seus actos. Estupefactos estamos nós sem perceber como foi possível levar tão longe o desmando.
Se houver coragem e autoridade política deverá, de imediato, ser pedida uma auditoria externa e independente para, de uma vez por todas, aclarar os factos tornando-os públicos e apurando, integralmente, todas as responsabilidades.

Asdrúbal

para recordar: "O poblema foi o arranque" link

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sexta-feira, maio 14

Deplorável espectáculo !

Ana Jorge: «Ministério não é o paizinho dos hospitais» link

A ministra da Saúde, Ana Jorge, apelou hoje à «boa gestão» dos hospitais e pediu responsabilidades às unidades pelos seus gastos e cumprimento dos contratos-programa, recusando que o Ministério sirva de «paizinho» dos hospitais.
«Não é necessário que o Ministério ou os seus organismos sirvam quase de um paizinho que tem de andar a acompanhar periodicamente os hospitais para eles cumprirem aquilo que são as regras que vêm na contratualização», advertiu a ministra, durante uma visita ao Hospital Geral do Centro Hospitalar de Coimbra.
Ana Jorge falava aos jornalistas a propósito da subida da dívida dos hospitais à indústria farmacêutica e do relatório do Tribunal de Contas que conclui que estas unidades estão a atrasar o pagamento aos fornecedores porque o Estado, no contrato-programa que define o financiamento das mesmas, não paga algumas actividades da prestação de cuidados.
A Lusa divulgou hoje dados da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma) que apontam para uma subida da dívida dos hospitais à indústria farmacêutica, no primeiro trimestre, de 13,6 por cento, para 742 milhões de euros. Em média, segundo o relatório de Março da Apifarma, os hospitais demoravam 10 meses a pagar aos fornecedores da indústria farmacêutica.
…/…

É natural perder-se a cabeça quando se está confrontado com a responsabilidade de deixar o Ministério da Saúde com o pior défice da sua história. Até dá para fazer tábua rasa do que é dito no relatório do Tribunal de Contas: …” que conclui que estas unidades estão a atrasar o pagamento aos fornecedores porque o Estado, no contrato-programa que define o financiamento das mesmas, não paga algumas actividades da prestação de cuidados”…

Correia de Campos nunca alijaria responsabilidades, para cima dos dirigentes, mesmo que a primeira responsabilidade fosse destes. Tratava, no sítio próprio, como deve ser, as questões que havia a tratar. Acompanhava o sistema de saúde bem como o desempenho das respectivas unidades. Preocupava-se com a sustentabilidade do SNS procurando minorar os riscos que este enfrentava. Tinha muitos defeitos mas, claramente, tinha outra envergadura.

Neste fim de ciclo assistimos ao deplorável espectáculo do exercício indigno da falta de coragem e da fuga às responsabilidades.

Afinal a responsabilidade política começa e acaba onde? Quantos dirigentes dos hospitais foram avaliados? Quantos foram demitidos neste últimos três anos? Qual a dívida do Estado (ACSS e ADSE) aos hospitais públicos? Qual o controlo da pseudo-inovação por parte do MS? Quem é o responsável pelo descalabro com a despesa nas farmácias do ambulatório? E pelo desastre da reforma dos cuidados de saúde primários? E pela atabalhoada fuga de médicos de família, por reforma, que deixarão até ao final do ano mais de um milhão de portugueses sem médico de família?

Infelizmente, em Portugal, a responsabilidade política não existe. Gastaram-se milhões de euros com a histeria da (pseudo) gripe. A palavra de ordem foi gastar à tripa forra. Comprar simpatia e popularidade prometendo aumentos e promoções às corporações. Se fosse por diante o dislate prometido aos médicos e aos enfermeiros seriam, pela certa da mesma maneira, responsabilizados os gestores hospitalares pelo descalabro das contas que lhes seriam impostas pelo MS.

É assim de inauguração em inauguração que se escreve o fim da história do SNS num quadro de desorientação e de falta de ética política.
De facto há coisas que se tem ou não tem. A ética, a grandeza de carácter e a coragem são alguns exemplos.

Direito à Indignação

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Medicamento, despesa disparou

Foi publicado o decreto-lei n.º 48-A/2010 (D.R. n.º 93 , Suplemento, Série I de 13.05.10) link que aprova o novo regime geral da comparticipação do Estado no preço dos medicamentos, e altera as regras de avaliação prévia de medicamentos para aquisição pelos hospitais do Serviço Nacional de Saúde.
O secretário de estado, Óscar Gaspar acredita que o objectivo orçamental de limitar a despesa com medicamentos do ambulatório em 1% ainda é possível com a implementação deste pacote de medidas.
Costuma-se dizer que a esperança é a última a morrer...

Entretanto, a despesa do ambulatório no primeiro trimestre deste ano disparou, como reconhece o próprio Óscar Lopes:
«Os números que tenho sobre o primeiro trimestre deste ano intensificam estes sintomas intrigantes: o mercado cai mas a factura do SNS com medicamentos aumenta a um ritmo superior a dois dígitos, o que tem de ser aplacado»
link

"Placado" parece este Governo, refém da estratégia do PSD, da sua Inépcia, onde as intervenções dos seus responsáveis são levadas cada vez menos a sério.

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sexta-feira, maio 7

SNS, propostas de mudança

Algumas propostas de mesinha-de-cabeceira. Para mudar o rumo do SNS (presunção e água benta). Sem qualquer organização ordinal. Nestes tempos de recurso ao clonazepam para um sono tranquilo. Sem agências de rating.

1. Aprovar uma tabela remuneratória única para todos os médicos, em regime de 40 horas (mais 5 obrigatoriamente em SU), vinculativa dentro das instituições do SNS. O que se pouparia em horas extra, serviços a la carte de médicos indiferenciados, contratos individuais escandalosos, etc., daria para pagar bem melhor aos profissionais do SNS. (A prova de poder poupar-se gastando mais. O princípio da roldana, ou isso...).

2. Separar o acto de triagem do SU do episódio de urgência (entre outras coisas, remunerando-os diferenciadamente), permitindo o reencaminhamento (com definição de prazos) para a consulta aberta do CS ou para qualquer uma das consultas externas do Hospital. Reduzir-se-iam imenso as horas extra.(Mas as procuradorias? Teriam que fazer horas extra?).

3. Entregar a «Medicina Preventiva» aos enfermeiros em CSP. O estímulo a estes profissionais que isto representaria, e a poupança em vencimentos a médicos e em contratos individuais ou de prestação de serviços destes, levaria a uma poupança descomunal. Acabaria também esta vergonha mitológica da falta de médicos. (Não adianta saber supostamente mais, sem tempo para fazer, pois não?).

4. Reorganizar os serviços, nem que por força da Lei da Mobilidade; a partir de um momento em que há um Hospital do Norte, com área de influência (para esta especialidade) de cerca de 300000 habitantes com 30 psiquiatras e 24 internos, e outro com uma área de influência de quase 800000 habitantes com 12 psiquiatras e 6 internos, está tudo dito. Nomeadamente em relação à pretensa falta de médicos. (Isto, eu sei, é provavelmente impraticável. Estragaria muita privada. E há deuses no Olimpo que só se avistam).

5. Dar poder organizativo e remuneratório a estruturas intermédias de gestão, como por ex. os CRI, em contexto hospitalar. («CRI-as», digo eu)

6. Extinguir a ADSE (já estou preparado para as críticas; em todo o caso, qualquer seguro de saúde com cerca de 300 milhões de aporte e 1000 milhões de gastos já teria sido extinto há muito) e, dito isto, acabar com esta parafernália de instituições privadas, verdadeiras sanguessugas do OE e do SNS, sobredependentes deste subsistema. (Talvez descobrir que, em Portuga, só em certas «linhas» há mercado para os hospitais privados)

7. Aproximar o método de assiduidade dos médicos àquele dos enfermeiros (isto seria facilitado pelos CRI); apesar do trabalho não ser maioritariamente por turnos, se este fosse organizado por módulos com controlo de assiduidade faseado (internamento, consulta, hospital de dia, urgência, etc.), evitavam-se inúmeros incumprimentos e ajudaria a acabar com esta vergonha de SIGIC e recuperações de listas e afins... (incluem-se cirurgias nas Misericórdias em dia de urgência na SPA/PE…)

8. Acabar com qualquer tipo de suplemento por assiduidade (se ainda fosse decremento por falta dela...).

9. Isto exigiria uma nova reforma da AP, mas deveria ser possível, num futuro sistema de avaliação, o que de novo poderia ser facilitado por uma organização de proximidade, um médico (ou qualquer outro profissional da AP) regredir na carreira, dentro de uma mesma categoria obtida por concurso, por incumprimento das funções atribuídas, da mesma forma que é defensável e instituído que progrida no caso de cumprimento satisfatório destas. (E ainda me acho eu de esquerda. Tenho que fazer o political kompass de novo...)

10. Acabar com a possibilidade de um médico trancar uma receita, desde que o farmacêutico fosse obrigado a ceder o genérico aprovado mais barato, ou na famosa «ausência de stock», a Farmácia tivesse que colocar a diferença. Em alternativa, concursos anuais, com um só genérico comparticipado que teria que ser cedido. (Já vejo os bichos papões. A aproximarem-se. Tenebrosos).

11. Nem quero falar das margens de lucro das farmácias. Andamos todos incomodados com a falta de concorrência nos combustíveis, mas pactuamos silenciosamente com a completa, total e absoluta (passe o pleonasmo) ausência de concorrência entre farmácias. Ou alguém na blogosfera consegue comprar o brufen mais barato na farmácia X? (Concorrência limitada aos unguentos, não, obrigado).

12. Cada utente ter, em vez do cartão de saúde, um qualquer sistema de armazenamento portátil de informação, onde ficassem registados actos médicos/cirúrgicos prévios, medicação e exames complementares. (Não perdessem os portugueses tantas vezes estas coisas)

13. Incluir no currículo escolar noções básicas acerca do âmbito, funcionamento e relevância do SNS como elemento social agregador. (isso e a agricultura de subsistência, como fez a Dinamarca).

14. E, depois disto tudo, da reorganização dos serviços, de um horário alargado, de uma tabela remuneratória decente, de um sistema de avaliação eficaz, do protagonismo dos enfermeiros em CSP, depois de descobrirmos todos que o nº de médicos é suficiente, exigir a exclusividade de funções (não só aos médicos, como é evidente). (E acabar com médicos como eu, que não dão atenção nenhuma à privada)

E isto, de preferência, antes de 2110, quando formos cidadãos prováveis de uma qualquer Federação de Estados Europeus.
Este ramerrame em que vivemos só vai levar a um fim: o do SNS, pelo menos como o conhecemos, cuidamos e queremos melhor.

PS: depois de escrever este texto, não sei por que motivo, fiquei com uma sensação estranha. Aquela com que fico quando ouço o «movimento perpétuo» dos Deolinda. A de não sermos suficientemente merecedores do «movimento perpétuo» do Paredes…

AM

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quinta-feira, abril 29

Os Deuses devem estar loucos…


Serviço de Saúde está "praticamente insustentável" link

…”A Alta Comissária para a Saúde, Maria do Céu Machado, disse hoje, quinta-feira, que "a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde é um problema complicado", sublinhando que "neste momento o SNS português está praticamente insustentável"….

Parece que o desnorte chegou também ao ACS. Afinal o que será um …Serviço de Saúde "praticamente insustentável"…? Será, certamente, um problema complicado! Ficamos, contudo, sem perceber o que quer a ACS dizer com “está praticamente insustentável”. Se muito insustentável, quase insustentável ou assim-assim sustentável.

A preocupação que nos assalta ganha expressão, de maior perplexidade, quando nos damos conta que estas declarações foram feitas, em plena Macaronésia, por ocasião da abertura do Congresso Internacional das Ciências e Tecnologias da Saúde.

A responsável reconheceu ainda que o Plano Nacional de Saúde 2004/2010 "falhou nos mecanismos de gestão e execução", que é necessário "corrigir no plano 2011/2016" tendo de seguida proferido nova declaração surpreendente: "um inquérito feito em 2007 a técnicos de saúde sobre o plano (PNS) anterior revelou que 87% já o conheciam mas 83% não o tinham lido". Quer isto, portanto, dizer que o conheceriam, provavelmente, de vista ou dele terem ouvido falar no café ou no salão de cabeleireiro uma vez que se depreende, da afirmação proferida, que o respectivo conhecimento dispensaria, na análise feita, qualquer tipo de leitura.

Assim vai a política (de saúde) à portuguesa…

Saloio

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Insustentável leveza

«A Alta Comissária para a Saúde, Maria do Céu Machado, disse hoje que "a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde [SNS] é um problema complicado", sublinhando que "neste momento o SNS português está praticamente insustentável".» link

A acreditar na transcrição do JP, gostaria de saber o que é que a senhora comissária entende por “praticamente insustentável”.
A insustentável leveza do saber e rigor em todo o seu esplendor.

joão pedro

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quarta-feira, abril 28

Épater le bourgeois

É hoje evidente o fim de ciclo. No meio de uma enorme confusão sobressaem sinais de muito perigo. Há muito tempo que se percebeu não existir rumo político no MS. Pior do que isso parece estarmos confrontados com táctica em que os dirigentes políticos se “fazem de mortos” aparecendo a espaços para uma ou outra inauguração de umas camas de cuidados continuados ou de uma USF para, de seguida, voltarem à “clandestinidade”.

A regra dominante é lateralizar as questões fugindo de abordar o seu fundo como “o diabo da cruz”.

Patético é um jornal pôr setas para cima porque o MS resolveu “agora” pedir um relatório semestral para “avaliar” (sempre avaliar nunca resolver) o problema das horas extraordinárias nas urgências (como se descobrissem agora, com enorme surpresa, o problema).
Ridículo é fazer a rábula policial de punir os hospitais que contratam médicos através de empresas omitindo que a alternativa é fechar serviços e interromper actividade.
Pouco edificante é ver os dirigentes políticos repassarem sempre os problemas para cima dos dirigentes (que nomearam e persistem em não demitir) fazendo de conta que a definição e execução das políticas de saúde e do programa do governo não lhes dizem respeito.

É o triste fim de um ciclo político esgotado de ideias e incapaz de soluções. Na saúde é talvez a maior oportunidade perdida nos últimos trinta anos.

bigbang

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domingo, abril 25

Exclusividade obrigatória

As notícias da manhã tornaram-me mais esperançoso relativamente ao futuro do SNS. Pela mão do PS, fazendo parte do pacote de medidas anticorrupção, foi posta à discussão na Assembleia da República a exclusividade obrigatória para quem trabalha no Serviço Público.
Como era de esperar, as cassandras da desgraça, pela voz do Dr. Pedro Nunes, vieram logo anunciar o apocalipse: Que os melhores iam sair, que o SNS ia ficar só para os pobrezinhos que …o choradinho do costume. Como se não fosse o actual estado de coisas que está a conduzir à situação que pressagia, com os grandes grupos económicos privados, em pesca à linha, a retirarem ao SNS os seus melhores quadros.
É evidente que a exclusividade não é um fim em si mesmo, esta medida terá de se fazer acompanhar de um conjunto de outras para fazer sentido (contratualização interna aprofundada, política salarial com incentivos, melhor remuneração dos cargos de direcção do serviços com reforço da governação clínica, entre outras). Porém, o regime de exclusividade é determinante para o SNS ser viável.

O Dr. Passos Coelho, que não é suspeito de amores pelos serviços públicos, já escreveu algures que, se chegasse ao poder, uma medida que tomaria era precisamente a separação de sectores na Saúde. Bem sei que já muitos o disseram anteriormente mas, uma vez chegados à governação, o renegaram. Tratando-se porém de declarações bem frescas, espera-se que mantenha o que disse e que o grupo parlamentar do PSD seja coerente com o sei líder. Quanto aos partidos à esquerda do PS, não será de esperar outra coisa que o apoio e contributos para a implementação desta medida.

As crises financeiras obrigam por vezes a tomadas de decisão que em circunstâncias normais vão sendo proteladas. Tenhamos pois esperança que um dos maiores vícios do sistema, a promiscuidade público/privado, seja agora levada a sério e tenha a solução adequada.

tavisto

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terça-feira, abril 20

IPO Porto


O Ministério da Saúde vai escolher o Instituto Português de Oncologia do Porto como estudo de caso para saber qual é a receita utilizada pelo IPO do Porto para a recomendar aos hospitais que estão a dar prejuízo.

O IPO foi empresarializado em 2002 tendo apresentado resultados sempre negativos até 2006. Em 2007, o IPO, por um passe de mágica, começou a apresentar resultados positivos na ordem dos vários milhões de euros, tornando-se o hospital do país mais lucrativo.

O que sucedeu? Algum passe de mágica ou apenas engenharia financeira? Génios da gestão ou fraude?

O facto não foi estranho ao então Sectretário de Estado, Dr. Francisco Ramos. Este, no entanto, entendeu nada fazer por lhe interessar demonstrar que os Hospitais EPE davam lucro. A situação continua no entanto a causar estranheza. O Ministério actual quer tirar a situação a limpo. Sobretudo porque sabe que no IPO estão a gastar-se dezenas de milhões de euros em investimentos de rentabilidade muito duvidosa por conta dos milhões que o IPO tem conseguido facturar ao Serviço Nacional de Saúde.

O Ministério da Saúde vai procurar saber a que se deve o brutal aumento do número de quimioterapias desde que estas passaram a poder ser facturadas como GDH’s de Ambulatório. Nesta linha de produção o IPO tem estado a arrecadar vários milhões de euros pelo que deixou de gastar e pelo que passou a facturar.

O resultado de dois estudos de benchemarking envolvendo o IPO do Porto, o IPO de Coimbra e o IPO de Lisboa mostram um desfasamento muito grande entre estas instituições na produção e facturação das quimioterapias.

Auditores da Inspecção Geral de Finanças já conseguiram identicar uma situação que pode explicar o milagre. O IPO do Porto como acontece com todos os hospitais do país, incluindo o IPO de Coimbra e o de Lisboa, distribuía gratuitamente medicação aos seus doentes que não é vendida nas Farmácias. Esta distribuição representa um custo demasidado elevado para os hospitais sobretudo para os hospitais oncológicos. O IPO porém arranjou uma solução singular. Transformou cada comprimido dado aos doentes em quimioterapia e passou a facturá-los ao Serviço Nacional de Saúde como GDH de Ambulatório. Transformou em receita o que antes era um custo. Esta prática tornou-se, para o IPO, numa verdadeira galinha de ovos de oiro como passou a verificar-se a partir de 2007 até agora.

Este critério no entanto não está a ser seguido por outros hospitais nem pelo IPOs de Coimbra e Lisboa, que já procuraram saber junto do Ministério se é correcto o que o IPO está a fazer.
A verificar-se que a situação é correcta todos hospitais estão na intenção de exigir ao Serviço Nacional de Saúde a correcção das contas e o reembolso das importâncias que lhes são devidas.

A curto prazo iremos ficar a saber se o Conselho de Administração do IPO descobriu o ovo de Colombo ou se estamos apenas perante mais um caso de chico-espertismo.

gestãorasca

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segunda-feira, abril 19

Médicos tarefeiros

O Serviço Nacional de Saúde (SNS) gastou mais de 34 milhões de euros com a contratação de médicos tarefeiros para prestar serviços nas Urgências, a maior parte contratados pelos hospitais a empresas, entre Janeiro e Setembro de 2009.
Este valor supera em quase 20 milhões de euros os custos com os contratos de tarefeiros em 2008, que se ficaram pelos 14,6 milhões.
Médicos e gestores temem que estes valores aumentem ainda mais este ano por causa das reformas antecipadas dos clínicos e da consequente falta de médicos.
CM 13.04.10

Assim vai o SNS. Sai-se por uma porta reformado, entra-se por outra a receber x vezes mais que o salário base. E não haverá nada a fazer? Será socialmente justo que quem se reforma com antecipação possa continuar a desempenhar a mesma actividade profissional no público ou no privado? Não se pode considerar esta atitude como um comportamento anti-social? Não será isto uma forma de burla qualificada?
Alguém me explica o que é um estado de Direito.
tavisto

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domingo, abril 18

"Opting out" à portuguesa


Há quem tenha prescindido expressamente desse direito. No total, perto de 300 mil utentes declararam não querer assistência personalizada nos centros de saúde. Inscrevem-se, mas dispensam ter um médico fixo.
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O número foi revelado ao Expresso pelo secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Manuel Pizarro, que explicou tratar-se de beneficiários de subsistemas e seguros privados de saúde. Ou seja, pessoas que não costumam recorrer às unidades públicas de Cuidados Primários ou que o fazem apenas para pedir baixa médica, credenciais para exames comparticipados pelo Estado ou vacinas. “São pessoas que não querem personalizar a assistência no centro de saúde porque só lá vão pedir papéis e pode até ser conveniente ir a médicos diferentes”, justifica o coordenador da Missão de Cuidados de Saúde Primários, Luís Pisco. A directora clínica do Agrupamento de Centros de Saúde de Lisboa Central, Leonor Lima das Neves, confirma. “Há colegas que se queixam dos utentes que são seguidos no privado e que chegam ao centro de saúde só para pedir baixa ou a credencial para um exame. Muitas vezes temos de lhes explicar que também somos médicos e que não estamos ali só para passar papéis”.

E a dimensão real de utentes que poderiam abdicar do médico de família pode ser muito maior: basta pensar que há dois milhões de portugueses titulares de seguros de saúde e mais 1,2 milhões com subsistemas (ADSE, SAMS, ADM...) . No entanto, são raras as unidades de saúde que, no momento da inscrição, perguntam se a pessoa quer que lhe seja designado um clínico e a maioria nem sabe que esta opção existe.

Vera Lúcia Arreigoso, Joana Pereira Bastos e Cristina Bernardo Silva , semanário expresso 17.04.10

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