quarta-feira, março 23

Os ventos sopram a favor


José Sócrates, que já deu a entender querer assumir com toda a clareza o défice excessivo de 6,4% do PIB, vai poder negociar, a partir de agora, com Bruxelas a sua redução por um período alargado de três ou quatro anos.
Efectivamente, a flexibilização do Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) e a nova Agenda de Lisboa, aprovados recentemente na Cimeira de Bruxelas, vão permitir ao XVII Governo reduzir o défice orçamental mais lentamente, na pior das hipóteses até 2008, e permitir mais facilmente a aplicação do “choque tecnológico previsto no programa de governo.

a) - Sem modificar os valores "âncora" do Tratado - 3% do PIB para o déficit público e de 60% para a dívida, a UE pretendeu introduzir no PEC uma maior flexibilidade, através de uma maior discricionaridade na aplicação do Procedimento por Défice Excessivo (PDE), acompanhada pelo reforço dos mecanismos de acompanhamento.

b) - A Estratégia de Lisboa criada com o objectivo de: aumentar o investimento anual na pesquisa científica até três por cento do Produto Interno Bruto (PIB), um objectivo atingido em muito poucos Estados-membros; chegar aos 67% de taxa de emprego em 2005 e aos 70% em 2010. Em 2003 esta taxa ficou-se pelos 64%; e chegar aos 57% de taxa de emprego das mulheres em 2005 e aos 60% em 2010.

Com o relançamento da estratégia de Lisboa, pretendeu-se por a tónica no desenvolvimento económico, devendo cada Estado-membro adoptar um programa nacional de reformas com uma duração de três anos. Paralelamente, a Comissão definirá um programa comunitário de Lisboa que cubra o conjunto das actuações dos Estados-membros e que favoreça o crescimento económico e o emprego. A planificação das reformas económicas será ajustada de três em três anos.

2 Comments:

Blogger AVELINO said...

O provlema é que a malta acha que esta flexibilizaçom é (só) voa para nós. E seria: continuamos a gastar o que nom temos, bibemos acima do que podemos e, alguém, no futuro, que pague a conta.
Mas há mais. É que se nós podemos gastar mais (e despesas em I&D som como o Natal, quando e o que um homem quiser) mas os Alemons e Franceses tamvém. Esses já fazem mossa e nom tarda temos o BCE a suvir as taxas de juro.
Ficaremos com a factura dos défices para ser paga pelos bindouros mas arranjaremos outros encargos para nos entreterem - e os "nuestrus ermanus" na maior a comprar o algarbe, o alentejo, a indústria, o turismo ...
Muito cuidadinho !

9:47 da manhã  
Blogger xavier said...

O vento sopra a favor mas não vamos lá se não modificarmos a nossa forma de vida.
Vivemos acima das nossas posses.
O governo tem que criar incentivos à poupança. A máquina fiscal tem que funcionar. Temos que reformar profundamente a justiça. Há que melhorar a sua eficácia e eficiência da Saúde.
O vento a favor é uma mera oportunidade dada pelos deuses para ver se nós, finalmente, tomamos juízo.

4:05 da tarde  

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