Sábado, Novembro 21

Fim das taxas, chá e simpatia


Explicando ao i online a anulação das taxas moderadoras dos internamentos e das cirurgias, afirmou a Sr.ª Ministra da Saúde:

"São muito pouco eficazes para a sustentabilidade do sistema e a sua eficácia enquanto moderadoras não existiu".link

Esta explicação para o fim das chamadas taxas moderadoras das cirurgias só pode mesmo ser apresentada por quem não é muito dada às contas.
Então, quando foram lançadas, não era possível calcular, com suficiente aproximação, o valor da receita que iriam gerar?
Nem sequer seria preciso utilizar uma folha de cálculo! Papel e lápis e, vá lá, também uma borracha, para safar qualquer engano, seria tudo o necessário. Conquanto se saiba multiplicar e somar!
A pouca eficácia moderadora também não era difícil de prever. Um internamento ou uma cirurgia não acontecem por vontade do próprio e, considerando a lista de isenções e o valor das taxas, não me parece que os doentes deixassem de ser tratados por dificuldades económicas.

Os objectivos de criação das ditas taxas só podem ter sido outros.
O que se tratou foi de um ensaio para o recurso a verdadeiros co-pagamentos, numa altura em que, segundo CC, não se sabia “se o SNS era viável nos termos em que vinha sendo feito o seu financiamento.”
Foi uma precipitação, tacitamente reconhecida por CC ao revelar que pensou em acabar com as taxas ainda no seu consulado, não o tendo feito por recear que essa decisão pudesse ser considerada demagógica.

A actual decisão do Governo só pode ter um sentido: o de que, pelo menos durante a actual legislatura, se põe de parte a ideia dos co-pagamentos.
Como não se prevê que o Governo tenha condições políticas para impor “contribuições compulsórias, temporárias, determinadas pelo nível de rendimento utilizando o sistema fiscal e direccionando as verbas obrigatoriamente para o SNS”, hipótese extrema considerada pela Comissão de Sustentabilidade, forçoso é concluir que o SNS vai depender, essencialmente, das verbas passíveis de ser transferidas do Orçamento do Estado.
Sendo a percentagem das despesas de saúde em relação ao PIB já elevadas, e com previsões do crescimento do produto muito pessimistas, a Sr.ª Ministra da Saúde só tem uma solução: travar o crescimento da despesa.
Infelizmente, isso não se consegue apenas com chá e simpatia.

Brites

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Sexta-feira, Novembro 20

USA HC Reform (43)


1.º - The Senate's Health Care Bill link
2.º - Comparing the House and the Senate Health Care Proposals
link
3.º - CBO report
link
4.º - Is this why the Senate bill has an ok CBO rating?
link
5.º - Reid Is Ready to Go (Updated)
link
6.º - WHY DOES THE UNIVERSE LOOK THE WAY IT DOES?
link
7.º - Senate unveils health-care bill
link
8.º - Deep divisions linger on health care
link
9.º - Krugman slides
link
10.º - Unlawful health reform?
link
11.º - Senate Health Plan Seeks to Add Coverage to 31 Million
link
12.º - Why Health Reform Legislation Won’t Pass; More About Insurers’ 2010 Margins
link
13.º - The Case for a Cost Containment Commission
link
14.º - What should we do instead of the Obama health reform bill?
link
15.º - Health care reform strategy: Sell patients like baseball players – seriously
link
16.º - Progressives and the National Debt Consequences and Solutions
link link link link link

Terça-feira, Novembro 17

A Sucata da Política…

O episódio da revogação “a correr” das taxas moderadoras ilustra bem o modus operandi político que se foi instalando no nosso país não apenas na saúde mas no conjunto da acção governativa. Com efeito passámos da fase determinista, exigente, rigorosa, reformista e transformadora para a fase da cedência abúlica aos interesses sectoriais mandando (definitivamente) às urtigas o interesse geral. Foi assim na Educação, na Justiça, na Agricultura e já tinha começado a ser assim na Saúde. Escaqueirou-se uma (a única) maioria absoluta em nome da coragem e da determinação reformista para rapidamente ceder em toda a linha face ao desespero de ver o poder esfumar-se.

Na Educação, por exemplo, persistiu-se obstinadamente no non sense para, de um dia para outro, despedir em plena campanha eleitoral a Ministra emblema e de uma assentada retirar o tapete a centenas de professores e de dirigentes que tinham dado a cara, no terreno, pelas políticas do governo.

Na Saúde o processo não foi muito diferente tendo-se passado da tensão crítica à descontracção máxima. Sustentabilidade e reforma passaram a ser palavras malditas e pasme-se que até o anterior Ministro já veio maldizer as taxas que tinha inventado. No sector vai persistindo o domínio atrapalhado da gripe com um incessante abre e fecha, decide e contra-decide depois de já gastos muitos milhões de euros em inenarráveis planos de contingência públicos e privados de que já ninguém fala e nem ousa questionar a respectiva utilidade.

A política videirinha tornou-se mais evidente. O núcleo duro do governo convenceu-se que dominaria para todo o sempre o país tratando bem os amigos, fazendo favores ao capital, defendendo em público o SNS e dando gás às PPP’s em privado. A alquimia governativa foi estrategicamente pensada para iludir, entreter, fazer de conta com uma parte guronsan (o núcleo duro) e outra parte propofol para anestesiar as corporações e os interesses instalados…
Parece, com efeito, que estamos entregues a uma elite da sucata que nunca compreendeu o valor do trabalho e que despreza os valores da decência, da honradez e do brio profissional.
Alípio

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Investimento em I&D 2008


De acordo com o relatório da CE “The 2009 EU Industrial R&D Investment Scoreboard”, quatro empresas portuguesas figuram entre as companhias europeias que mais investiram em Investigação e Desenvolvimento (I&D) em 2008 . link link
Basta comparar o nosso resultado, por exemplo, com a Bélgica que coloca neste ranking 39 empresas com um investimento de 2.558 milhões de euros, Dinamarca, 47 empresas, 3.418 milhões de euros em I&D; irlanda, 12 empresas, 531,72 milhões de euros em I&D; Alemanha (claramente doutro campeonato), 209 empresas, 43.097 milhões de euros em I&D; para comprendermos quão distantes estamos de construir uma economia capaz de competir satisfatoriamente no espaço da UE.

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Extinção das Taxas Moderadoras


“As taxas para cirurgias e internamento não cumpriram os objectivos que visavam, um efeito pedagógico na consciência sobre os custos do SNS”

Foi esta a explicação dada por Pedro Silva Pereira para o fim das tão contestadas taxas agora extintas. Confesso que, numa primeira leitura, li a frase no sentido oposto: "foram extintas porque cumpriram os objectivos que visavam, um efeito pedagógico na consciência sobre os custos do SNS”. Não é que fizesse mais sentido, mas pelo menos fora encontrada uma boa explicação para a sua criação e uma boa desculpa para a sua extinção, evitando-se ferir susceptibilidades.

É que se o objectivo em vista era mesmo o de consciencializar os portugueses para os custos do SNS e se mesmo assim a rapaziada não aprendeu, então o que havia a fazer era mesmo agravá-las até pôr o pessoal na linha. Caso contrário iremos ter mais concidadãos a exigir serem internados e se possível operados, para gozo do corpo e distracção da alma, agravando ainda mais a despesa do SNS. A não ser que o Governo tenha encontrado uma forma mais eficaz de contrariar esta taradice dos portugueses por hospitais e bisturis. A ver vamos.
Provavelmente PSP não me vai ouvir, ele há tantos mais blogues e assuntos tão mais escaldantes que as questões da Saúde, que seria estultícia da minha parte esperar que ele ou um outro membro do Governo por aqui passasse os olhos. De qualquer forma aqui fica a sugestão:

Se a vossa preocupação é mesmo pedagógica, porque não passar a enviar para casa dos utentes a factura da despesa contraída e suportada pelo SNS, sem mais? É que, desta forma, todos passariam a estimar seguramente mais o serviço público e a utilizá-lo com maior consciência. É que, convém não esquecer, por trás de cada doente há também um contribuinte.

tavisto

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Estamos tocando el fondo


Portugal não precisa só de ser vacinado. Precisa de ser varrido, lavado e desinfectado.
Varrido de sucateiros: dos encamisados, dos engravatados, dos fardados e dos togados.
Dos de mão sujas e dos enluvados. Dos suados e dos perfumados.
Estou farto. Estamos fartos. Dos “emPINocados” dos sobreiros, dos esquecimentos dos Loureiros, do pivete de Alcochete e da porcaria submarina.
De tanta contrapartida e de tanta massa perdida. De gente tão maltratada e de tanta face ocultada.
“Estamos tocando el fondo, estamos tocando el fondo.”
Brites

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Dedicado a José Sócrates



Clara Gomes

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Segunda-feira, Novembro 16

USA HC Reform (42)


1.º - Half done on health reform link
2.º - Insurer enlists employees to fight health reform
link
3.º - Free to Lose
link
4.º - Medicines to Deter Some Cancers Are Not Taken
link
5.º - The Changing Face of Labor, 1983-20
link
6.º - Aging and Health: The Challenges of Entitlement Growth
link
7.º - Cost Estimate for Health Care Legislation Pending in the House
link
8.º - Who Would Be Most Impacted By The Stupak Amendment?
link
9.º - Michelle Obama Uses Stories That 'Touch Our Hearts' In Health Care Pitch
link
10.º - Reform and Medical Costs
link
11.º - An Open Letter to Harry Reid on Controlling Health Care Costs
link
12.º - Why We Need an Individual Mandate for Health Insurance
link
13.º - Health Reform: Measurables and Immeasurables
link
14.º - Report: Bill would reduce senior care
link
15.º - Health bill foes solicit funds for economic study
link
16.º - Obamacare: Buy now, pay later
link
17.º - Estimated financial effects of USA affordable health choices act of 2009 (HR 3962) as passed by the House Nov 07
link
18.º - Drug Makers Raise Prices in Face of Health Care Reform
link
19.º - Drug costs
link
20.º - Little Benefit Seen, So Far, in Electronic Patient Record
link
21.º - World Out of Balance
link

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Sábado, Novembro 14

Portugal fede

…/
«Junte-se então um governo cujo primeiro-ministro é dado a companhias comprometedoras, um sistema em que se fundem e confundem o político e o económico, o público e o privado, uma justiça que verdadeiramente se tornou cega e surda, mas não muda, um Presidente da República que se desautorizou a si próprio no pior momento, e um país onde as noções de interesse público e serviço público já quase se perderam por completo sem vergonha alguma, e tudo isto começa já a cheirar indisfarçadamente mal. Cheira a fim de regime e só os loucos ou os extremistas é que podem achar isso uma boa perspectiva para o futuro.»
link
Miguel Sous Tavares, expresso 14.11.09

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Ask y?

Quinta-feira, Novembro 12

Decisão justa


As taxas de moderadoras do internamento e cirurgias do ambulatório (um ensaio de CC visando a criação de um sistema de co-pagamento das prestações do SNS) tiveram início em Abril 2007 (Portaria n.º 395-A/2007 de 30 de Março). link

Hoje (12.11.09), o Conselho de Ministros aprovou a sua revogação, com efeito a partir de 1 de Janeiro de 2010
link
Finalmente!

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USA HC Reform (41)


1.º - Democrats Raise Alarms Over Costs of Health Bills link
2.º - Is the House Health Care Bill Better than Nothing?
link
3.º - The House Bill Is "Worse Than Nothing"? Really?
link
4.º - The Abortion Amendment: Could Obama Have Done More?
link
5.º - Health Information Technology in the United States
link
6.º - A Survey of Primary Care Physicians in 11 Countries, 2009: Perspectives on Care, Costs, and Experiences
link
7.º - Reid Says Health Bill Will Be Done by Christmas
link
8.º - Opt-Out’ Proposal Puts State Leaders to the Test
link
9.º - On Hill, Clinton gives a health-care pep talk
link
10.º - Health scare tactics
link
11.º - A hard choice on health care
link
12.º - Narrowly Clearing the Next Hurdle — Passage of the House Reform Bill
link
13.º - Getting to the Real Issues in Health Care Reform
link
14.º - Controlling U.S. Health Care Spending — Separating Promising from Unpromising Approaches
link
15.º - Health Care History 101
link
16.º - How to Control Rising Health Care Costs
link
17.º - New Evidence of Pharma's Sweetheart Deal
link
18.º - Want real reform? Let's start with Congress
link

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House's health-care reform debate

Quarta-feira, Novembro 11

EHR, USA pior que Portugal


Surpreendente a leitura do relatório, “Health Information Technology in the United States: On the Cusp of Change, 2009”, link onde se conclui que a maioria dos hospitais americanos não dispõe de sistemas de registo electrónico centralizado de dados de informação clínica (EHRs) (81,5% - HH 400 camas; 90,2% - HH 100-399 camas, 93,0 nos HH com menos de 100 camas, quadro acima).

A maioria das aplicações utilizadas nos hospitais americanos incluem MCDTS (77%), relatórios e imagens de radiologia (78%). Apenas cerca de 1 em 5 hospitais utilizam sistemas computadorizado de apoio à decisão clínica.

Cerca de 70% dos responsáveis dos HH dos EUA, apontaram o financiamento como a maior barreira na adopção de EHRs. Há ainda outras dificuldades como a resistência do pessoal médico (1 em 3 hospitais), custos de manutenção, etc.
Um das conclusões mais intrigantes deste inquérito é a verificada em relação aos hospitais da rede do Medicaid (que presta cuidados às populações mais pobres), onde a adopção de EHRs não evidencia melhoria na qualidade dos cuidados. Entre inúmeros factores de ineficiência é reduzida a influência dos EHR na melhoria da qualidade das prestações desta rede de cuidados.

Nota: Comparativamente, as coisas vão bem melhor no nosso país. Mas longe do necessário.
Costuma-se dizer:Com o mal dos outros posso eu bem.

drfeelgood

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Terça-feira, Novembro 10

Reforma dos CSP

Documento da FNAM entregue no gabinete da Sr.ª Ministra da Saúde, expondo os pontos de vista sobre o estado actual e de opções inadiáveis no quadro da reforma dos CSP, no contexto do início dum novo ciclo governativo. link

…/ Para desenvolvimento da reforma dos CSP, importa que sejam dadas respostas inadiáveis às seguintes medidas de política:
1. Criação de um novo dispositivo de liderança, apoio e condução da reforma e da construção dos ACES, capacitado do ponto de vista operacional, mas também autónomo da administração tradicional, de forma a garantir-se a transparência da evolução da reforma e a criação das devidas condições para que os ACES possam assumir uma verdadeira autonomia contratualizada.
2. Criação das condições para que as Unidades de Apoio à Gestão se desenvolvam e capacitem através da mobilização da massa crítica indispensável, e assumam um papel fundamental para a autonomia responsável dos ACES, a materializar através dum contrato-programa público.
3. Garantir que a integração e continuidade de cuidados entre os diferentes níveis de prestação – hospitais e cuidados primários – sejam asseguradas por mecanismos efectivos que garantam a regulação, transparência e participação dos actores, no respeito pelas identidades, especificidades e missão de cada um.
4. Adequar as políticas de recursos humanos, no que diz respeito ao número e à formação básica e contínua dos profissionais, às características das suas carreiras e sistemas de incentivos e à possibilidade de incluir “novas profissões” nos ACES (URAP), em número tecnicamente recomendável.
5. Dotar as diferentes unidades funcionais dos ACES de sistemas de informação e comunicação adequados às suas necessidades, disponibilizando-se a banda larga em todos os ACES e a todos os seus níveis, com a generalização do processo clínico único. Em simultâneo há que implementar plataformas tecnológicas interactivas que possibilitem o agendamento on-line para aceder à marcação de consultas e contactos indirectos.
6. Aprofundar as funções de apoio e de contratualização, efectivamente autonomizadas (split purchaser-provider), embora concorrendo para um mesmo fim – inovação, eficiência e efectividade, e consequente melhoria do desempenho.
7. Compreender em toda a sua dimensão a importância de se criarem condições para desenvolver o conceito e os métodos da governação clínica e de saúde, combinando processos de melhoria contínua da qualidade com as estratégias regionais de saúde, orientadas para resultados e ganhos de bem-estar de grupos e populações.

FNAM – Federação Nacional dos Médicos, 06.11.09

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JS e AJ, vacinas em directo

José Sócrates e Ana Jorge, ao que tudo indica, serão vacinados (11.11.09) na Unidade de Saúde Familiar Marginal em São João do Estoril.
Vamos tê-los, certamente, amanhã, na abertura de todos os telejornais.
Aguentemos.
Infelizmente, não há vacinação para a dívida pública e a sustentabilidade do SNS.

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Proposta da ARS do Norte


Nem de propósito. Acabava de ler a entrevista do Professor Sakellarides link e deparei-me com este título do Público: “Fecho de hospital contestado em S. João da Madeira." link
Refere a notícia que treze instituições da cidade fizeram questão de vincar a sua posição no processo de discussão pública do Estudo Reordenamento Hospitalar da Área Metropolitana do Porto da ARS Norte.
link

O Estudo da ARS apresenta cenários de reordenamento hospitalar na Área Metropolitana do Porto “que possam contribuir para uma melhoria da capacidade assistencial das várias unidades territoriais, tendo em consideração critérios de segurança, qualidade assistência e acessibilidade das populações a cuidados hospitalares.”

São João da Madeira está inserido na NUT III – Entre Douro e Vouga – que inclui outros 4 concelhos (Vila da Feira, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra e Arouca), e onde estão instaladas três unidades hospitalares: o Hospital de S. Sebastião e os Hospitais de S. João da Madeira e Oliveira de Azeméis.

O estudo conclui que, naquela área, não há desajustamentos globais significativos, em termos de capacidade instalada, recomendando apenas o reforço da carteira de serviços em Dermatologia, Nefrologia, Psiquiatria e Pedopsiquiatria e Medicina Nuclear.

Sendo o Hospital de São Sebastião uma unidade moderna, e apresentando os outros dois hospitais graves limitações infra-estruturais, o cenário recomendado pelo estudo faz todo o sentido: substituição dessas duas unidades, por um novo hospital de proximidade, com forte capacidade resolutiva ao nível do ambulatório.
A concentração de recursos humanos e tecnológicos na nova estrutura, permitirá assegurar a massa crítica suficiente para prestar mais e melhores cuidados.

Claro que a política de campanário se dá mal com decisões baseadas em conhecimentos técnico-científicos.
Por isso as “forças vivas” e os autarcas vão lutar, “ferozmente”, pelos supostos interesses das “suas” populações. Mesmo aqueles que, depois, reclamam, publicamente, contra os gastos excessivos do Estado.

Parafraseando o Dr. Sakellarides, diria que “A Ministra da Saúde tem agora a oportunidade de aproveitar a fase mais doce e susceptível à mudança que é o início do segundo mandato do Governo”, para defender e fazer vingar a proposta da ARS Norte.

Esperemos que não a enjeite.

Brites

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USA HC Reform (40)


1.º - House expected to vote on health bill Saturday link
2.º - eleven eminent economists released a letter
link
3.º - Democrats wary of health-bill defections
link
4.º - Health Reform Passes a Big Test, With Obama’s Aid
link
5.º - Overweight Americans Push Back on Health Debate
link
6.º - House Jumps One Hurdle
link
7.º - Lawmakers Join Protest Over Bill
link
8.º - Democrats to resolve abortion impasse on the House floor
link
9.º - Paranoia Strikes Deep
link
10.º - Obama Presses Senate to Act Quickly on Its Health Bill
link
11.º - House Democrats Who Voted Against the Health Care Bill
link
12.º - Louisiana Republican Breaks Ranks on Health Bill
link
13.º - Comparing the Health Care Proposals
link
14.º - If Anything, the Senate’s Task Is Trickier
link
15.º - The Medical Industry Grumbles, but It Stands to Gain
link
16.º - Making Health Care Better
link
17.º - A high price for health reform
link
18.º - It's the Building, Not the Blueprint, That Matters
link
19.º - Maybe a New Day for Doctors’ Pay
link
20.º - The cost of not enacting health care reform
link
21.º - Assurance game
link
22.º - Loading More People Onto the Titanic
link
23.º - Long Before Berlin
link
24.º - Abortion an obstacle to health-care bill
link

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Segunda-feira, Novembro 9

Um exemplo a seguir


«O Ministério da Saúde, no âmbito de uma avaliação de desempenho dos seus organismos, distinguiu o trabalho da ARS NORTE, desenvolvido em 2008, com a classificação de excelente. Foi a única ARS do país a receber a nota máxima, também atribuída ao Instituto Português do Sangue e à Inspecção Geral das Actividades em Saúde.» link

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Domingo, Novembro 8

Ana Jorge, uma nova Ministra da Saúde


.../ Agora, Ana Jorge deverá ter capacidade de iniciar um novo ciclo, concentrando-se na liderança efectiva da modernização do SNS e das reformas em curso (CSP e CCI), além de ter também que liderar outras reformas necessárias, como a verdadeira criação de uma rede nacional de Urgência e a modernização do hospital público, que deverá responder melhor às necessidades da população, sem derrapagens nos custos. link
...
Significa perceber que também no SNS, o papel das lideranças é decisivo. Elas devem ser esclarecidas, cultas, informadas, reconhecidas, motivadas e… regularmente avaliadas.
Desejo a Ana Jorge um bom governo e espero que, para levar a bom porto as reformas programadas, nomeadamente a tão publicitada implementação dos Aces, se dedique ao que é verdadeiramente relevante -- liderar a reforma dos CSP.
Fico, assim, à espera de uma «nova» ministra.

João Rodrigues
TEMPO MEDICINA ONLINE 05.11.09

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TM confronta Inés Guerreiro


O TM apresenta na edição de 09.11.09 uma extensa entrevista a IG que vale a pena ler link
Tempo Medicina (TM)Segundo o dr. Lourenço Marques, os doentes internados em unidades de cuidados paliativos da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) não têm acesso aos recursos que teriam se estivessem internados em unidades de agudos. Isto significa que a rede discrimina os doentes?
Inês Guerreiro (IG) — O dr. Lourenço Marques tem razão. O próprio Plano Nacional de Cuidados Paliativos, publicado em 2004, contempla três níveis deste tipo de cuidados. Desde o mais intenso, que é o nível 3, ao menos intenso, que é o nível 1. Há doentes de cuidados paliativos (CP) considerados mais complexos que são os que devem estar internados em hospitais de agudos onde podem beneficiar de todos os recursos tecnológicos e das várias especialidades clínicas. Há unidades que têm um perfil menos complexo e que se destinam sobretudo ao alívio do sofrimento, ao apoio à morte e à dignidade nos últimos tempos, e é aqui que a RNCCI se enquadra. Há ainda o nível das acções paliativas, que a rede também está a desenvolver e que corresponde às equipas de cuidados domiciliários. Portanto, tudo depende das necessidades dos doentes, e por isso a rede impõe a obrigatoriedade de referenciação com avaliação prévia a nível clínico, de enfermagem e social.
«TM»O dr. Ferraz Gonçalves, que dirige uma unidade de cuidados paliativos (UCP) integrada na RNCCI, critica também o facto de o financiamento da rede não ser igual ao dos outros serviços. Porque é que tal acontece?
IG — Porque a rede não é um serviço hospitalar. Um serviço hospitalar tem enorme diferenciação de tecnologia e de áreas de intervenção, bem como várias especialidades médicas e outras, que não são necessárias numa unidade da rede. Se o dr. Ferraz Gonçalves faz essa crítica é porque certamente gostaria de dirigir uma unidade num hospital de agudos, que seria um departamento equivalente a um serviço de Medicina, de Ortopedia, etc., como é o caso do serviço [de Medicina paliativa] dirigido pelo dr. Lourenço Marques.
/...
entrevista de Andreia Vieira, TM 09.11.09

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Está quase...

Já Está!

1.º - A Câmara dos representantes aprovou a regra que rege a discussão da legislação sobre cuidados de saúde por uma votação de 242 a 192, sugerindo, mas não garantindo que os democratas terão o número suficiente de votos para fazer aprovar a nova legislação mais tarde, ainda este sábado.link
Quinze Democratas juntaram-se aos 177 republicanos da oposição e um democrata não votou .

2.º - Depois de um longo debate de doze horas, que terminou às 04:15 horas de Lisboa (acompanhámos até às 02:00 horas), a Câmara dos Representantes, aprovou a proposta de reforma
link que prevê o alargamento da cobertura de cuidados a quase toda a população, por uma estreitíssima margem de cinco votos (220 votos contra 215). link
De notar que 39 democratas votaram ao lado dos republicanos (176+39=215).
link link

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Sábado, Novembro 7

Rigor e transparência, precisam-se


«Melhorar, no âmbito das Parcerias Público-Privadas (PPP), os instrumentos de gestão, no acompanhamento e avaliação dos compromissos contratuais estabelecidos.» Programa do XVIII Governo Constitucional (pag. 75.º) link

Há falta de informação sobre a constituição e forma de actuação das equipas de acompanhamento dos contratos PPP.
Do que se conhece, parece faltar-lhes conhecimento, "apport técnico", distanciamento e experiência para desenvolverem com êxito tão espinhosa missão.
Nesta terra de brandos costumes todos sabemos como usualmente se fazem estas nomeações. Será que as empresas objecto desta fiscalização também são ouvidas neste processo ?
Seja como for, a maioria dos problemas relacionados com a fiscalização dos contratos PPP poderia ser evitada caso o MS conseguisse assegurar maior rigor e transparência sobre esta matéria.
antunes

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Quinta-feira, Novembro 5

A oportunidade de Ana Jorge

foto GH
Alguns pontos relevantes da entrevista do Professor Sakellarides link

• Tal como na segunda metade do ciclo político tem que se entender que não é possível iniciar novas reformas, também tem que se entender que se não forem iniciadas e reforçadas na primeira metade, também não o serão na segunda.

• A ministra da Saúde tem agora a oportunidade de aproveitar a fase mais doce e susceptível à mudança que é o início do segundo mandato do Governo. É a grande oportunidade...

O que se espera é que seja completada até ao final da legislatura. Agora isso implica que, no princípio desta nova legislatura, se faça uma reavaliação cuidadosa do ponto da situação da reforma. É preciso ser muito objectivo quanto ao que correu bem e ao que correu mal. E houve coisas que correram menos bem.

• A criação de unidades de saúde familiar (USF) foi um sucesso, porque implicou uma forma completamente diferente de estar no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Agora, os agrupamentos de centros de saúde (ACES) não seguiram o mesmo método, seguiram o mais antigo.

• Como nasceram no fim do ciclo político, não tiveram as condições necessárias para arrancar da melhor forma possível. Agora vão ter essa oportunidade.

• O que as USF têm de extraordinário é que são um contraponto ao que há de mais ineficaz no sistema de saúde tradicional. E os ACES ou são da raça das USF, ou são da raça da administração pública tradicional da saúde. E se forem desta, vão acabar por prejudicar as USF.

JN - Há esse risco?

Acho que é o mais provável. A experiência mostra que estas aventuras extraordinárias como as USF são absorvidas pelo status quo. É preciso uma luta tremenda para que não aconteça, para que não envelheçam e se tornam como o resto. Costumo dizer que a criação das USF foi a reforma improvável.

Constantino Sakellarides, entrevista de Ivete Carneiro, JN 03.11.09
António Rodrigues

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A asfixia (literal) do Bloco de Esquerda


"Algures neste continente, neste preciso momento, em qualquer momento em que esta crónica estiver a ser lida, haverá alguém dizendo que os eurodeputados não fazem nada. Pessoalmente, gostaria de me encontrar com essa pessoa – e talvez estrangulá-la com as minhas próprias e ambas mãos? – mas não tenho tempo." Rui Tavares, eurodeputado pelo Bloco de Esquerda, in Público 4/11/09.

Nas últimas campanhas eleitorais falou-se muito da asfixia democrática do governo socialista. Também são célebres as frases de Jorge Coelho - "quem se mete com o PS, leva!" - e de Augusto Santos Silva - "gosto de malhar na oposição!". Mas é Rui Tavares que se propõe atravessar a última fronteira. Um político a estrangular cidadãos é, à primeira vista, uma ideia radical. Mas afinal só prova que o Bloco de Esquerda já não é um partido de utópicos.

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USA HC Reform (39)


1.º - 2009 Comparative Price Report Medical and Hospital Fees by Country link
2.º - It’s The Prices, Stupid: Why The United States Is So Different From Other Countries
link
3.º - Too Little of a Good Thing
link
4.º - Obama Strategy on Health Legislation Appears to Pay Off
link
5.º - Rushing Things
link
6.º - The House's better health-reform option
link
7.º - Yesterday's Overwhelming Historic Republican Victory Makes Democratic Health Care Reform Just A Bit Easier
link
8.º - Paul Starr's "The Logic of Health Reform
link
9.º - Becky Blanton talks about the year she spent homeless
link
10.º - The American Public and the Next Phase of the Health Care Reform Debate
link
11.º - Compromises and Controversies — Moving Forward on Reform
link
12.º - Not “Socialized Medicine” — An Israeli View of Health Care Reform
link
13.º - Doctors, Patients, and the Need for Health Care Reform
link
14.º - Payment Reform for Safety-Net Institutions - Improving Quality and Outcomes
link
15.º - Health Care Debate Focuses on Legal Immigrants
link
16.º - G.O.P. Counters With a Health Plan of Its Own
link

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Quarta-feira, Novembro 4

Klaus podepsal Lisabon


O Presidente da República Checa assinou finalmente o Tratado de Lisboa. Não há imagens do momento mas o SaudeSA sabe que Vaclav Klaus não brindou com uma "pivo". Durão Barroso é que fez a festa.

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Terça-feira, Novembro 3

Dúvidas


As reformas no sistema de saúde têm, infelizmente, uma taxa de sucesso muito reduzida. A organização dos diferentes interesses consegue, na maior parte dos casos, anular as estratégias de mudança acabando, quase sempre, por anular os movimentos de transformação. Não deixa, por isso, de ser curioso confundir acalmia com eficácia política, ao mesmo tempo que se associa a turbulência mediática e a contestação das corporações a incapacidade governativa.

Na história da democracia portuguesa todos conhecemos as consequências económicas, sociais e políticas do diálogo pelo diálogo e da obsessão com a imagem e o silêncio das corporações e dos interesses. A questão que se coloca é se um governo ou um ministro devem ser intérpretes de um conjunto de estratégias eleitoralmente sufragadas e consequentes executores de políticas de interesse geral ou, se pelo contrário, deverão ser agentes reguladores dos interesses sectoriais ou corporativos das áreas que tutelam.

Esta dúvida estará na génese da transmutação política de Sócrates ao passar da determinação reformista, da atracção pelo afrontamento e pela ruptura para a fase oposta em que o núcleo político se fecha e os Ministérios não estratégicos enveredam pelo registo do “chá e simpatia” deixando o “controlo político” a secretários de estado de “confiança” do referido núcleo político cuja missão é “enquadrar” politicamente os “ministros simpáticos”.
Fica claro, neste cenário que o tempo das reformas acabou que a palavra de ordem é resistir e distrair. Na saúde também será assim. É claro que esta situação constitui um enorme deleite para os “conservadores” situacionistas que até sonham poder salvaguardar a liderança política “entretendo” o país e o sistema com “remodelações” de dirigentes como se o problema não fosse as estratégias e as políticas.

A fatalidade de tudo isto, infelizmente, é que a degradação do SNS se acentuará, num quadro de exaustão financeira abrindo caminho para que a direita quando regressar ao poder, daqui a dois anos, concretize o desmantelamento do SNS em cima de evidência técnica, económica e financeira que lhe será entregue de bandeja pelos “arautos” da acalmia. Os mesmos que persistem em confundir carreiras com regimes de trabalho, despesismo com inevitabilidade, sustentabilidade com economicismo, os mesmos que persistem em perpetuar poderes imobilistas e que têm uma visão do SNS que está fora do seu tempo há pelo menos mais de vinte anos. Pouco importará proclamar laudas acusatórias, a partir de Coimbra ou de qualquer outro ponto de país, contra a privatização destruidora do SNS porque esses mesmos incorrem na responsabilidade de a favorecer quando mostram não compreender a importância de reformar, transformar e modernizar.

Os próximos tempos vão ser muito difíceis. A “confusão” persistente entre a agenda técnica e a agenda política no caso da gripe A, a cedência a troco do silêncio e a desistência de uma agenda reformista afundará o resto de esperança que ainda muitos alimentavam. No plano da contestação social aqueles que teceram loas à acalmia constituindo-se nos maiores aliados passarão, rapidamente, na rua, a ser os principais algozes quando confrontados com a impossibilidade material de satisfação integral dos seus interesses.
Quanto ao resto o Antunes é muito claro na premonição do inevitável…
link

SNS

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Tomada de posse

Do novo secretário de Estado da Saúde, Oscar Gaspar, a quem cabe, nos próximos tempos, o comando da missão impossível de suster a derrapagem das contas da saúde.

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Programa da Saúde


Do Programa da Saúde (pag. 68.º a 80.º), link respigamos as seguintes orientações:
Reforçar o sistema de saúde
O utente é, sempre e em todas as medidas, o centro de gravidade da política de saúde. Os desafios do Serviço Nacional de Saúde (SNS) devem concentrar-se em aprimorar a qualidade dos resultados e em corrigir as desigualdades ainda existentes. Estes objectivos passam por ganhos de eficiência na gestão, por ganhos no acesso aos cuidados de saúde, pela garantia da sustentabilidade e pela responsabilização dos profissionais de saúde, elementos essenciais para garantir qualidade.
O sector privado de prestação de serviços de saúde, complementar ao SNS, deve também assegurar qualidade e segurança nos cuidados prestados. O Estado deve, por isso, aprofundar o seu papel regulador. As convenções para a prestação de cuidados de saúde merecerão nova abordagem, em ambiente de estímulo concorrencial, onde o acesso e a qualidade dos serviços prestados serão permanentemente monitorizados.

A reforma da organização interna dos hospitais é um objectivo da próxima legislatura.
Consolidado o modelo empresarial público com significativos ganhos de gestão, pode agora avançar-se para a experiência de centros de responsabilidade integrada, promovendo autoorganização de equipas que conduzam à excelência dos cuidados prestados.
Aplicar nos Hospitais EPE um modelo de avaliação da gestão hospitalar, clarificando o seu papel e responsabilidades, expectativas e prestação de contas, de modo a promover uma gestão mais eficaz e eficiente, assente na responsabilização pelos resultados das entidades empresariais e na avaliação do seu desempenho, ao serviço da qualidade dos cuidados de saúde;
Melhorar, no âmbito das Parcerias Público-Privadas (PPP), os instrumentos de gestão, no acompanhamento e avaliação dos compromissos contratuais estabelecidos.

Financiamento e distribuição de recursos
A sustentabilidade do SNS deve ser assegurada, em primeira linha, valorizando a importância da saúde e promovendo a eficiência dos serviços de saúde. O modelo de acesso universal e tendencialmente gratuito a todos os serviços de saúde é o que melhor garante o direito à saúde e a sustentabilidade do desenvolvimento económico e social do nosso País.
É possível melhorar a gestão do SNS. Os últimos quatro anos demonstram-no. Esta será uma das linhas orientadoras da política de saúde: mais eficiência, esgotando todos os instrumentos de combate ao desperdício.
Sendo bem conhecidas as principais razões que conduzem ao crescimento dos gastos em saúde (envelhecimento, novas tecnologias…), o crescimento dos recursos colocados à disposição do SNS deve ser realizado mantendo o financiamento através do Orçamento do Estado.
.../

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Segunda-feira, Novembro 2

Negócio da Saúde

Dá milhões...de prejuízo
O negócio da saúde do Grupo CGD, apresentou prejuízos superiores a 33 milhões de euros nos primeiros nove meses do corrente ano. link

A actividade hospitalar teve prejuízos de 32,1 milhões de euros em resultado "do investimento das novas unidades hospitalares, dos Lusíadas e de Cascais, e o fim da parceria com a USP Hospitales".

Em igual período, a facturação da actividade hospitalar do grupo cresceu 45 por cento, numa base comparável (que não inclui a exploração do Hospital de Cascais, parceria público-privada iniciada em 2009). Mas na qual uma fatia importante da facturação emitida pelo hospital dos Lusíadas corresponde a serviços prestados ao hospital de Cascais, após o início da sua exploração pelo grupo CGD.

Pressupõe-se irrepreensível o desempenho dos gestores hospitalares do Grupo CGD.

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New York City Marathon


Hélder Ornelas, vencedor da Corrida do Tejo, classificou-se em 23.º lugar na Maratona de Nova Iorque (2:22.44 horas), link link ganha pelo americano Meb Keflezighi (2:09.15).
HO foi o orientador dos cinco treinos de preparação da nossa Corrida do Tejo.
Se conseguissimos terminar a NYM faríamos qualquer coisa como 4:20.00.
Talvez um dia, quem sabe.


Medo de Competir


Portugal é um país sui generis. Os primatas que por cá nascem andam de pé como o homo sapiens. Interiormente, contudo, quase todos vivem agachadinhos. Basta sentirem que alguma coisa que digam ou façam os pode prejudicar na sua vidinha e zás: do peito dos bravos lusitanos salta logo o ‘ homo agachadinhus’ que trazem dentro deles. Mas o pior de tudo é desagradar ao padrinho. Isso é que nunca! Jamais! As consequências podem ser terríveis e muito duradouras! Nicolau Santos, Expresso 30.10.09

1.º - Não posso estar mais de acordo com este trecho do Nicolau Santos.
Bem podem os economistas e gestores debaterem qual o melhor modelo de desenvolvimento para o nosso país. Por mais aprimorada que seja a ideia está condenada a morrer espapaçada no habitual circulo de amigalhaços. Gente medíocre da maior confiança. Sempre pronta a retribuir o favor, a nomeação, o carinho, a deferência, a cunha, o lugarzinho para o jovem desempregado. Tudo a contento do padrinho, algures bem colocado na malha de relações que o diabo tece.
Tudo na paz do senhor.
Salvo quando é necessário remexer a mistela e rodar um ou outro elemento de confiança na sequência de inevitáveis eleições,

2.º - Não estranhei os longos suspiros de alívio que ecoaram pelos corredores dos IP, EPE, SPA, PPPs e sindicatos da saúde após a confirmação da recondução da ministra, Ana Jorge. Sempre é, pelo menos, mais um par de anos sem sobressaltos.
E houve mesmo quem achasse oportuno considerar a recondução da senhora ministra susceptível de «trazer ganhos significativos, uma vez que já conhece com profundidade os dossier. Por outro lado, a dr.ª Ana Jorge mostrou um grande conhecimento da área da Saúde e uma grande sensatez na solução dos problemas. Com essa atitude, conseguiu estabilizar uma área que estava ligeiramente altercada. É a pessoa correcta neste momento.» TM 02.11.09

Quanto mais agachadinhos melhor...

Nota: Quem idealizou as PPPs como modelo inovador, gerador de mais valias, de eficiência e qualidade, pode tirar o cavalinho da chuva. Neste mundo de agachadinhos já foi tudo inventado.
drfeelgood

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Sábado, Outubro 31

USA HC Reform (38)


1.º - Four Health Care Reforms for 2009 link
2.º - The Lethal Politics Of The Opt-Out Public Option
link
3.º - House health-care reform bill to include public option
link
4.º - Preliminary analysis of H.R. 3962, the Affordable Health Care for America Act, as introduced on October 29, 2009.
link
5.º - With big government boost, U.S. economy grew in 3rd quarter
link
6.º - The Defining Moment
link
7.º - Good Choice
link
8.º - CBO score for a heavily modified -- and compromised -- version of his Free Choice Act
link
9.º - DISPUTATIONS: What If Obama Didn't Need 60 Votes?
link
10.º - CBO: Public option premiums higher than private plans
link
11.º - Lower Premiums, Stronger Businesses: How Health Insurance Reform Will Bring Down Costs for Small Businesses
link
12.º - Now Is the Time to Weigh Medicare Options
link

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Sexta-feira, Outubro 30

EU health prize for journalists

Vencedores do primeiro concurso, cujos prémios foram distribuídos (29.10.09) pela Comissária Europeia da Saúde, Androulla Vassiliou link
1.º - Estelle Saget (França), autor do artigo: «La schizophrénie expliquée aux parents»
link
2.º - Audré Srèbaliené (Lituânia), autor do artigo “Blood sister”
link
3.º - Emilia Chiscop (Roménia), autora do artigo “The secret life of Laura"
link

Catarina Gomes, National nominee for Portugal Media,JP,17.08.08: “Estimada senhora, Venha fazer um papanicolau”
link

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MS, nova equipa


Foi dada a conhecer a nova equipa do MS.
Saída previsível de Francisco Ramos. Entrada de Óscar Gaspar, licenciado em Economia pela FEP, candidato do PS à AR pelo círculo de Aveiro, que transita do gabinete de assessoria do primeiro ministro, José Sócrates para a Secretaria de Estado da Saúde. Talvez um indicador, quem sabe, da preocupação de JS com as Contas da Saúde.

Percebe-se mal a passagem de Manuel Pizarro, um médico, chamado a meio da anterior legislatura para a Secretaria da Saúde, onde teve um excelente desempenho, para Secretário de Estado Adjunto e da Saúde. link

Segue-se a discussão do Programa do Governo e OE/10.

Se José Sócrates não anda tão mal informado, como quer fazer parecer, a nomeação de OG, um economista da sua confiança para a SES, parece-me curto face à gravidade dos problemas da Saúde que é necessário enfrentar a curto prazo.
Para já, vamos estar atentos ao que as PPPs nos reservam até final do ano.

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Quinta-feira, Outubro 29

Four Health Care Reforms for 2009


.../ Insurance exchanges that bring together insurance companies and potential buyers have lower administrative costs than does a system in which numerous sellers and buyers of insurance have to make separate deals. Exchanges are particularly valuable for individual buyers, for persons who are self-employed, and for small firms; they would also be an excellent alternative to employer-sponsored insurance. To succeed, the exchanges must attract large numbers of enrollees — healthy persons as well as sick persons — and must have risk-adjustment rules to protect insurance companies that enroll a disproportionate number of sick beneficiaries.../ Victor R. Fuchs, Ph.D. link

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Terça-feira, Outubro 27

USA HC Reform (37)



1.º- Pelosi Intensifies Pressure for Public Health Plan link
2.º - Death By A Thousand Leaks?
link
3.º - After Reform Passes
link
4.º - Public plan mirage
link
5.º - Reid: Bill to include public option
link
6.º - It’s The Prices, Stupid:Why The United States Is So Different From Other Countries
link
7.º - If you build a coverage mandate, will they come?
link
8.º - Behind public option: Subsidies fight
link
9.º - Missing the Boat on Cost Containment
link
10.º - Reid says he will bring a health-care bill with public option
link
11.º - Reid’s Big Gamble (Or Is It?)
link
12.º - The Public Option Lives. Wow.
link
13.º - A Nation Battling Flu, and Short Vaccine Supplies
link
14.º - the top 20. Now it's your turn to watch the finalists and vote for your favorites
link
15.º - Lieberman: Sure, I'd Filibuster A Health Care Reform Bill With A Public Option
link
16.º - Schumer: We Prevailed On White House That Public Option Was The Way To Go
link

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Segunda-feira, Outubro 26

FG, vacinação em directo

Chapa seis

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Sábado, Outubro 24

Corrida do Tejo 2009

O SaudeSA, tal como aconteceu em 2008, vai participar amanhã domingo (25.10.09) na da Corrida do Tejo (29.ª edição) entre Algés e Oeiras. link

Segue-se o habitual almoço "retemperador" onde se promete não falar de Saúde.

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Não passarão...


Na próxima luta pelo poder, dentro do PSD, voltará a ser, de novo, posto em causa o nosso modelo de saúde.

Há pouco mais de um ano, finais de Maio de 2008, podia ler-se no “Futuro é agora”, blog de apoio à candidatura de Pedro Passos Coelho:
“Os resultados do relatório EuroHealth Consumer Index 2007 são claros: os sistemas bismarckianos de saúde têm melhores resultados do que os sistemas beveridgianos.
Looking at the results of the EHCI 2007, it is very hard to avoid noticing that the top five countries, which fall within 36 points on a 1000-point scale, all have dedicated Bismarckian healthcare systems. There is a gap of 30 points to the first Beveridge country in 6th place.
Em português, isto quer dizer que os sistemas de saúde baseados em seguros sociais independentes dos prestadores do serviço têm melhores resultados do que os sistemas de saúde onde o financiamento e a prestação do serviço estão reunidos numa mesma organização.
Agora trocado por miúdos: se queremos um melhor serviço de saúde, com menos espera, melhor cobertura do território, mais liberdade de escolha, e melhores resultados, não podemos manter o nosso sistema tal como está. Quando quisemos democratizar e massificar os cuidados de saúde em Portugal, olhámos para a Inglaterra e para os países do bloco socialista. Foi um erro: devíamos ter olhado para a França ou para a Alemanha. Ainda vamos a tempo de corrigir.”

O preconceito ideológico do autor do texto ressalta à vista desarmada quando afirma: “olhámos para a Inglaterra e para os países do bloco socialista”.
Não ocorreu a um militante do PSD que as social-democracias nórdicas optaram também pelo modelo de SNS, sendo que, para resultados de saúde idênticos, ou melhores, que os da França e da Alemanha, gastam uma percentagem do produto bem menor.
Em 2006, por exemplo, as despesas totais com a saúde representaram na Finlândia 8,3% do PIB, enquanto na França atingiram os 11%.

Os sistemas de seguro-doença oferecem mais liberdade e capacidade de escolha aos consumidores, mais rápido acesso aos cuidados de saúde e às inovações tecnológicas e não admira, por isso, que obtenham maiores índices de satisfação.
Mas, como o Hermes explicou muito bem, no seu primeiro post sobre o EHCI 2009, a maior escolha individual pode gerar consumismo o que em saúde não é necessariamente melhor, a satisfação dos doentes pode obter-se através da multiplicação de actos o que não corresponde necessariamente a boa prática.

As vantagens dos sistemas com SNS têm a ver com a universalidade da cobertura, a maior equidade de acesso, a maior capacidade de controlar a o crescimento dos custos. Mas apresentam, pelo contrário, maior rigidez, menos capacidade de inovação, ineficiências microeconómicas e menor atenção às preferências individuais.

Como muito bem diz o Aidenós :
“A produção de resultados de saúde e a equidade são os objectivos substantivos ou fundamentais, mas a eficiência micro e macroeconómica, apesar de meramente instrumental é, em larga medida, condicionante e (mais do que no ranking do EHCI) a avaliação global dos serviços de saúde não pode ignorá-la, porque só lhe interessam objectivos e serviços de saúde sustentáveis. Por isso se reconhece tão generalizadamente a importância para qualquer país, mas muito mais para aqueles que dispõem de menores recursos, da escolha das suas opções em função dos resultados por euro investido.”

Num país pobre e em crise, quando a maioria dos portugueses pede ao Estado que a salve, uns para suportar a miséria, outros para aguentar o desemprego, muitos para garantir trabalho e uns poucos para tapar os buracos financeiros que eles próprios criaram, surgem agora uns tantos iluminados que pretendem que o Estado recue numa das zonas mais sensíveis da sociedade.

Até a mim, que sou tão pouco revolucionário, me apetece dizer: “Não passarão”

Brites

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Diário da Gripe, continuidade assegurada


Perante o quadro de «negríssimas nuvens que pairam sobre o SNS e a sua capacidade de resistir a um quadro de insustentabilidade extrema no plano económico e financeiro», a recondução de Ana Jorge só pode significar que o primeiro ministro. José Sócrates anda muito mal informado sobre o que se passa na Saúde.

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CA, guerra das taxas



Segundo dados da CNADCA, estima-se que, no corrente ano, sejam operados em ambulatório 200 mil doentes na rede do SNS, elevando para 50% a taxa da cirurgia de ambulatório .
Um indicador que nos deve deixar a todos cheios de orgulho.
Mas há mais.
Segundo um estudo independente, encomendado pelo CA do Hospital de São João, a cirurgia de ambulatório atingiu 70% do total das cirurgias efectuadas neste hospital. O que, naturalmente, deixou feliz o director do HSJ, António Ferreira.

A nós, este resultado (sem temos tido acesso ao referido estudo) suscita-nos dúvidas, uma vez que, nos dados do CNADCA, o HSJ não figura na lista dos hospitais com taxas de cirurgias de ambulatório superiores a 50%.
link
Os estudos independentes, por vezes, têm destas coisas...


drfeelgood

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USA HC Reform (36)


1.º -Weitzman in context link
2.º - HEALTHY CANADIANS A FEDERAL REPORT ON COMPARABLE HEALTH INDICATORS
link
3.º - The Catastrophic Option
link
4.º - New Medical Marijuana Policy Is Outlined
link
5.º - Health Care Poses Stiff Tests for Top Democrats
link
6.º - The Banks Are Not All Right
link
7.º - In health debate, those numbers are just numbers
link
8.º - Pelosi Aims to Squeeze Blue Dogs on Public Option With Cheaper Bill Than Senate
link
9.º - National Health Care Reform Will Help Four Million Uninsured Adults and Children in California
link
10.º - Washington Post-ABC News Poll
link
11.º - How the Recession is Killing Private Social Insurance
link
12.º - Insure at risk
link
13.º - Massachusetts Health Care Reform — Near-Universal Coverage at What Cost?
link
14.º - Doctors, Patients, and the Need for Health Care Reform
link
15.º - Physicians’ Views of the Massachusetts Health Care Reform Law — A Poll
link
16.º - Reform and the Health Care Workforce —Current Capacity, Future Demand
link
17.º - Poor Substitutes — Why Cooperatives and Triggers Can’t Achieve the Goals of a Public Option
link
18.º - Obama Tells Dems They Can Be 'Own Worst Enemies' And Asks For Health Care Unity
link
19.º - Paterson Administration Fears Cost of U.S. Health Care Overhaul
link
20.º - Democrats Lose Big Test Vote on Health Legislation
link
21.º - TheWorld Health Organization’s Problematic Ranking of Health Care Systems
link

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Quarta-feira, Outubro 21

Ana Jorge, não vai ser vacinada...

foto expresso
«A ministra da Saúde, Ana Jorge, disse esta tarde que ainda não sabe se será vacinada.» link

«Também perante a mudança de Governo disse não poder responder se a partir de segunda-feira integra os membros do Executivo que serão prioritários na vacinação.» CM 21.10.09

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ACES, Proposta de Plano de Desempenho


Do documento posto a discussão pública link retirámos o trecho seguinte:

.../ Não menos importante é a cobertura nacional de sistemas de informação de apoio aos profissionais de saúde (96,1%). De salientar que existem ainda 14 Centros de Saúde (7 ACES) sem instalação de SAM ou de outro sistema equiparável. Existe ainda uma quantidade relevante de extensões de centro de saúde na qual não existe qualquer acesso a sistema informático e Centros de Saúde em que a largura de banda ainda é demasiado estreita. Importa realçar a situação crítica da Região de Saúde do Algarve onde 56,3% dos Centros de Saúde não têm qualquer sistema de informação clínica instalado, o que limitará determinantemente o processo de contratualização.
Além deste facto preocupante, é de considerar também o que se passa em relação às comunicações e aos equipamentos disponíveis. Actualmente, muitos equipamentos e a diminuta largura de banda não permitem em muitos pontos já “informatizados” a utilização conveniente da rede, invalidando ou dificultando o pleno funcionamento dos sistemas informáticos. .../

Apesar dos grandes avanços registados nesta área, persistem constrangimentos dificeis de entender.

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O Império Contra-Ataca


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Terça-feira, Outubro 20

Ainda o EHCI 2009

O Euro Health Consumer Index 2009 (EHCI 2009) link veio a público e à ribalta do Saudesa em período eleitoral, o que não terá deixado de influir na serenidade de algumas das apreciações, qualquer que tenha sido o sentido que as orientou. E a serenidade faz sempre falta, sob pena de não conseguirmos ouvir ou entender, designadamente pontos de vista dos outros, que podem ter também alguma verdade. Temos de agradecer ao Hermes dois Posts link link excelentes, imbuídos do rigor, fundamentação e profundidade de análise a que nos habituou e que, a meu ver, no saudesa ninguém consegue igualar. Não tenho qualquer ponto de discordância e, isto dito, talvez melhor fosse nada mais acrescentar; no entanto, sem pretensão de inovar, vou dizer mais alguma coisa porque, depois do ruído, haverá vantagem em mais alguma clareza.

1. O EHCI não é, assumidamente, um ranking global dos sistemas de saúde da EU. Afirmar, apenas com base na informação dele constante, que o sistema de saúde do país A é melhor do que o do país B é uma tese que excede o que nas respectivas premissas se contém. Nos seus objectivos declarados, o EHCI propõe-se apenas medir (e promover) a capacidade de o Health Consumer comparar e avaliar serviços de saúde.

2. Afirmar “Bismarck Beats Beveridge – yet again!”, ou mesmo só insinuar que a superioridade vem do modelo, é perder o pé porque está clara e inequivocamente fora do contexto; os sistemas de saúde têm outros parâmetros, para além da capacidade de avaliação facultada aos consumidores.

3. Pior ainda: sugerir que “It could well be that the Netherlands would break the 900 points barrier by relaxing the GP gatekeeping rules!” é, objectivamente, defender a irracionalidade na utilização dos recursos de saúde, de uma forma ou de outra, facultados pelos contribuintes.

4. Não havia necessidade disso …, sobretudo quando se está a esquecer que: “Normally, the HCP takes care to state that the EHCI is limited to measuring the “consumer friendliness” of healthcare systems, i.e. does not claim to measure which European state has the best healthcare system across the board”.

5. Mesmo com aquele objectivo limitado, parece fora de dúvida que o Consumidor fica com muito sério risco de ser enganado. É que, como o próprio relatório refere, na definição da estrutura do EHCI foram seleccionados não os dados desejáveis mas só aqueles que foram julgados facilmente disponíveis no vasto conjunto de países abrangidos. O que me surpreende é que, mesmo assim, os dados tenham sido tantos, levando em consideração a diversidade e debilidade dos sistemas estatísticos de cada um deles. Agora é a minha vez de insinuar: será que não houve, lá pelo meio, muita coragem das fontes em afirmar? Para dar só um exemplo, porque há muitos, da insuficiência da informação considerada, o que poderia dizer alguma coisa seria o tempo de espera para acesso directo a especialista com motivo aceitável e não de todo e qualquer acesso a especialista, como parece que o EHCI aconselha à Holanda.

6. Num contexto de escassez de recursos e como refere o Hermes, o sistema de saúde tem como objectivos a produção de resultados, a eficiência micro e macroeconómica e a equidade. A produção de resultados de saúde e a equidade são os objectivos substantivos ou fundamentais, mas a eficiência micro e macroeconómica, apesar de meramente instrumental é, em larga medida, condicionante e (mais do que no ranking do EHCI) a avaliação global dos serviços de saúde não pode ignorá-la, porque só lhe interessam objectivos e serviços de saúde sustentáveis. Por isso se reconhece tão generalizadamente a importância para qualquer país, mas muito mais para aqueles que dispõem de menores recursos, da escolha das suas opções em função dos resultados por euro investido. Isto porque, como também diz o Hermes, “alguns dos objectivos são contraditórios, isto é obter melhor desempenho num implica pior resultado noutro”. Tudo é dizer que a avaliação dos sistemas de saúde só pode fazer-se de forma integrada, ou seja, considerando todas as variáveis e não apenas a perspectiva do consumidor.

7. Não pode dizer-se que o EHCI Report seja insensível ao desafio da sustentabiidade dos sistemas de saúde. Refere-se-lhe expressamente (ponto 6.7 Change under pressure) quando sobre a convicção de que “the best performers are the relatively rich countries …..” afirma que “to some extent this can be true: generally speaking, good outcomes need money and continuity ”, embora afirmando também, e até certo ponto com razão, que a introdução de algumas das medidas necessárias para atingir o top do ranking têm baixo custo e realçando que “The key factor seems to be the overall responsiveness of the national system, and the capability to implement strategic changes” (o que será mais fácil de dizer do que de atingir).

8. Finalmente, e para concluir, direi que o mal maior não estará na estrutura do EHCI, nos erros ou insuficiências que lhe foram justamente apontadas; dar-me-ia satisfação que o nosso sistema de saúde tivesse pontuado Green em todos os parâmetros que o integram. Não pode é pedir-se-lhe o que nele se não comporta e os seus autores deveriam ter usado de maior cuidado para não fazerem eles próprios ou não provocarem outros a fazer erros deste tipo.

Aidenós

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Segunda-feira, Outubro 19

Novo MS, fio condutor


Enquanto o MS contrata médicos cubanos para a rede de cuidados primários link e prossegue o esforço de recrutamento em vários outros países, os ingleses tentam contratar 15 clínicos portugueses para os hospitais públicos .
Ao referido anúncio terão respondido 50 candidatos, seduzidos pelos 6.750 a 7.900 euros de salário bruto mensal.
link
Se a isto juntarmos a concorrência do sector privado nacional…

É por isso tarefa prioritária do próximo MS, como refere o Hermes, completar a mudança em relação aos grupos profissionais: rever salários e horários, dedicação e relação c/ resultados (incentivos) ligados à avaliação .
O problema (do costume) vai ser onde arranjar o dinheiro necessário para levar por diante as reformas necessárias, quando a despesa da saúde ameaça de novo disparar.

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Cavaco Silva

foto JP
Pela primeira vez em muitos anos, a actuação do Presidente da República é avaliada negativamente pelos portugueses. link
Aníbal Cavaco Silva conseguiu-o com o desenlace do caso das escutas. Segundo Joaquim Vieira, Provedor do Leitor do Público: "Um autêntico haraquiri político em directo que foi a comunicação do Presidente"
link

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Sábado, Outubro 17

Obama, em defesa do plano de reforma



Transcrição: link

1.º - The Audacity of Greed: How Private Health Insurers Just Blew Their Cover link
2.º - Human rights are the wrong basis for healthcare
link
3.º - Congress Is Split on Effort to Tax Costly Health Plans
link
4.º - The Twelfth Annual HealthGrades Hospital Quality in America Study October 2009
link
5.º - HealthGrades study: 52 percent lower chance of dying at top-rated hospitals
link
6.º - What Does Snowe Want Now?
link
7.º - The Top Ten Things Worth Fighting For
link
8.º - Aneesh Chopra at Health 2.0
link
9.º - The Baucus Bill and the Hope for Reform
link
10.º - Medicaid and National Health Care Reform
link
11.º - Perspective Roundtable: Health Care Reform in Perspective.
link
12.º - Public Ption is Nest Big Hurdle in Health Debate
link
13.º - 15% - America’s Health Care is … Fairly Average
link
14.º - White House Team Joins Talks on Health Care Bill
link
15.º - In 1918 Pandemic, Another Possible Killer: Aspirin
link
16.º - Antitrust and Health Reform
link
17.º - Potential Impact of Health Reform on the Cost of Private Health Insurance Coverage
link
18.º - A Hatchet Job So Bad It’s Good
link
19.º - The ABC Dilemma of Health Reform
link

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Sexta-feira, Outubro 16

BE, Grupo Parlamentar

Primeira iniciativa na área da saúde da XI Legislatura: Projecto de revogação das taxas moderadoras link

Revogação do artigo 148.º da Lei do Orçamento de Estado para 2007, Lei n.º 53-A/2006, de 29 de Dezembro, que cria as taxas moderadoras para o acesso à cirurgia de ambulatório e ao internamento, no âmbito do Serviço Nacional de Saúde (SNS) .

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Cirurgia das cataratas


Luís Gomes, edil de Vila Real de Santo António, foi o primeiro. Seguiram-se-lhe outros autarcas: Aljezur, Alandroal, Santarém. Todos empenhados na cruzada da cirurgia das cataratas .
Temendo a intromissão de Cuba na rede de referenciação nacional, a OM, primeiro, e o Governo, pouco depois, tentaram reagir à heresia. Nasceu, assim, o PIO, mais um programa de recuperação das listas de espera, destinado a melhorar o acesso à consulta de oftalmologia e à cirurgia de oftalmologia, um “investimento muito sério” de 28 milhões de euros, nas palavras da senhora ministra.
Os resultados anunciados seis meses depois confirmaram o êxito da iniciativa: planeadas 15 mil cirurgias da catarata, acabaram por ser realizadas num semestre 26.797, tendo a produção cirúrgica em oftalmologia excedido em 2008 as 83 mil cirurgias.

O PIO, encerrado em Junho, após ter excedido todos os objectivos programados, foi recentemente alvo de críticas do presidente da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO), António Travassos, em relação ao excesso de cirurgias às cataratas realizadas no nosso país, e, consequentemente, ao contrário da senhora ministra, ao desinvestimento representado pelo programa em prejuízo de outras áreas, como a oncologia.
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A rejeitar a existência de excessos em oftalmologia, o secretário de estado da saúde, Manuel Pizarro, uma vez que Ana Jorge parece, em definitivo, devotada ao “pivoteio” do diário da gripe, defendeu a prioridade existente de operar o elevado número de doentes há largos meses em lista de espera.
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Se a intenção era atingir o PIO, a critica do presidente da SPO terá ricocheteado na direcção da classe médica, ao referir os muitos doentes com cataratas que podem manter uma boa qualidade de vida sem cirurgia. Actualmente «há em muitos diagnósticos uma componente subjectiva e os próprios doentes, devido ao marketing que tem sido feito à volta da catarata, se notam algum problema de visão pensam logo que é uma catarata».
Afinal, não são os médicos responsáveis pelo diagnóstico dos doentes que lotam as listas de espera?

O que parece indiscutível é a necessidade de submeter os resultados do PIO a rigorosa avaliação de forma a apurar se continuamos a Investir naquilo que é mais necessário.

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Quarta-feira, Outubro 14

USA, hospital quality


Segundo estudo do HealthGrades - The Twelfth Annual HealthGrades Hospital Quality in America Study October 2009, link a principal entidade de avaliação independente de saúde dos EUA, publicado neste mês (Out), a probabilidade dos utentes dos hospitais com melhores resultados morrerem é 52% inferior ao que acontece na média dos hospitais americanos, um indicador de qualidade que se tem mantido inalterável durante a última década.

Não faltam outros indicadores surpreendentes neste estudo comparativo da qualidade dos HHs dos EUA, cuja leitura/consulta vivamente se recomenda.

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Campanha de Vacinação

Contra a infecção pelo vírus da gripe pandémica (H1N1)2009 terá início no dia 26 de Outubro de 2009. link

Foi adquirida a vacina Pandemrix®,
link link para vacinação com duas doses, prevendo-se que o fornecimento e a distribuição sejam efectuados de forma faseada ao longo dos primeiros meses da Campanha.
A vacinação, destinada a uma população-alvo superior a 3 milhões de pessoas4 (30% da população), tem por objectivos a protecção dos cidadãos mais vulneráveis, de modo a reduzir a morbilidade e a mortalidade, assegurar a continuidade dos serviços fundamentais e, ainda, reduzir a transmissão e a velocidade de expansão da doença
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DGS, CN N.º 17/DSPCD 14.10.09

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EHCI 2009 (conclusão)

2- Problemas metodológicos

O Índice é essencialmente uma qualificação – bons, razoáveis e fracos – não uma classificação, como tal não serve para ordenar e muito menos comparar o desempenho de sistemas de saúde de países diferentes. Quando se dispõe apenas de uma qualidade, não um valor quantitativo, fica-se impedido de calcular médias, somar ou ordenar conforme a pontuação. Apresentamos um exemplo simples, em que comparamos igual qualificação (5 BB, 2 RR, 3 FF) com a classificação diferente que ilustra esta conclusão.

Naturalmente a pontuação final depende da classificação em cada critério e da respectiva ponderação – quando temos meras qualificações sobra demasiado espaço para a subjectividade e manipulação de números e não pode haver apreciação e ordenação global. Também já vimos que o peso de algumas componentes é desproporcionado (ex. medicamentos) o que gera enviezamento.

Depois, balizas muito largas produzem viés. Por ex., são “fracos” os sistemas de saúde com menos de 70% de despesa pública, assim qualifica-se de modo igual um sistema com 20% de contribuição do Estado (Bismarckianos) ou um SNS com 69%. Tempos muito reduzidos conduzem igualmente a enviezamento, devia tomar-se o tempo aceitável clinicamente ou, quando não exista, um tempo não muito reduzido (7 dias para TAC?).
“Pagamentos informais a médicos”: trata-se de um indicador dependente de opiniões, cuja fundamentação e ajustamento será sempre questionável.
Alguns dos objectivos não estão representados no Índice (qualidade, eficiência macroeconómica) e alguns têm ponderação errada (ex. equidade) – de modo semelhante com algumas dimensões (ex. continuidade de cuidados). Também não são considerados aspectos importantes de especificidade nacional, dou dois exemplos:

• O SU em Portugal tem procura muito maior que a doutros países, daí maior despesa e excesso de inapropriação (desperdício não avaliado pelo índice) mas também maior acesso e minorar o efeito de tempos de espera nos CSP e acesso a especialistas e MCD (3.1, 3.2, 3.5) – aspecto não considerado.

• Especificidade portuguesa de ter vários subsistemas e elevada % privada no ambulatório e MCD gera menor peso das esperas e resultados do SNS, o que também não foi considerado.

É duvidosa a adequação do indicador “variação da taxa de suicídios”. Naturalmente pode usar-se dentro de um país para monitorizar a evolução e medir o desempenho desse sistema, porém não serve como medida de desempenho comparativo de sistemas porque, será de esperar, têm taxas iniciais muito diversas e derivadas a factores diferentes nem todas ligados aos serviços de saúde.

Os valores obtidos da qualificação suscitam alguma perplexidade (ou não, considerando a falta de rigor do Índice):

• Albânia tem o acesso melhor ex-aequo (187 pontos), maior que países com excelentes resultados em saúde como a Suécia (93) e MUITO MAIOR que outros que os cidadãos reconhecem como bons (RU com 80)?

• Que dizer da tendência geral ascendente da qualificação? Não significará que há “jogo de números”?

Resta reconhecer a importância que tem a satisfação dos doentes como medida de desempenho, tomada de modo cientificamente adequado e em complementaridade com outras medidas. Aproveito para desafiar o blogue a dar exemplos de como tudo iria melhor se fosse considerada no desempenho das Unidades.

Hermes

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Terça-feira, Outubro 13

52.ª Conferência


.../ Segundo inquéritos escolares nacionais, mais recentes, o uso de drogas, que foi aumentando desde a década de 1990, diminuiu pela primeira vez em 2006. Efectivamente, diversos estudos concluem que, entre 2001 e 2006, verificou-se uma diminuição geral da utilização de todas as substâncias ilícitas em alunos com idade entre 12 a 19.
Verificou-se igualmente a diminuição da percentagem de utilizadores de drogas no número total de notificações de HIV/SIDA. No que diz respeito a infecção pelo HIV e Hepatite C, no local de tratamento, existe também uma tendência para uma ligeira diminuição do número de casos positivos.
Estes resultados encorajadores estão associados, entre outros factores, à implementação de medidas de prevenção como a troca de agulhas e seringas, programas destinados à prevenção do HIV/SIDA e outras doenças do sangue, tratamento de substituição e trabalho de proximidade.
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Manuel Pizarro, sessão de abertura da 52.ª Conferência do International Council on Alcohol and Addictions - 12/10/2009, Estoril

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Health care bill


The Senate Finance Committee passed a long-awaited $829 billion health care bill Tuesday by a 14-9 vote. Sen. Olympia Snowe, R-Maine, was the lone committee member to cross party lines, breaking with other Republicans to vote for the measure. All the committee's Democrats supported the bill. link

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Segunda-feira, Outubro 12

EHCI 2009


A comunicação social referiu-se ao "Euro Health Consumer Index 2009" (EHCI) link excessiva e desproporcionadamente, dado o seu pouco valor e nenhuma base científica. Bem estiveram os comentários do saudesa e o do MS: “Não se trata de avaliação objectiva … condicionada por perspectiva desfavorável aos sistemas baseados em serviços nacionais de saúde". Os problemas são muitos, indicaremos alguns.

1- Problemas conceptuais

O índice foi concebido para medir o desempenho na óptica dos doentes, no pressuposto que maior acesso e escolha individual na procura e competição na oferta conduzem a melhor resultado do sistema de saúde, pelo que os sistemas com SNS seriam inferiores. Não é bem assim:

a) Competição vs cooperação. A competição tem um papel limitado em saúde, dado que o consumidor não goza da soberania doutros sectores: não tem informação, não paga o preço e tem escolha limitada de produtos e fornecedores.
Ao invés a cooperação impõe-se internamente (especialidades, grupos profissionais) e externamente, com os restantes serviços de saúde e sociais.

b) Consumismo e escolha individual vs planeamento da rede e coordenação. Encorajar a escolha individual gera consumismo. O maior consumismo, em saúde, não é necessariamente melhor, por vezes é pior (ex. erros, radiações).
Será preferível racionar com base em sãs decisões clínicas que obter o mesmo efeito através de preços e co-pagamentos que afectam a equidade.
Por outro lado faz sentido investir mais em cuidados de proximidade evitando o uso inapropriado de cuidados especializados, daí a importância do acesso rápido a CSP mas não do “acesso directo a especialista”- incluir os dois aspectos demonstra desconhecimento da importância da coordenação de cuidados e das consequências nefastas da inapropriação para o sistema de saúde, em especial para os contribuintes e para outros utentes.

c) Satisfação do doente vs equidade, sustentabilidade e resultados em saúde. É possível, mas não desejável, ter satisfação de doentes através da multiplicação de actos, sem melhorar a eficiência e os resultados em saúde. O Índice coloca vários países com provada equidade, com excelentes resultados na saúde e na eficiência global em lugares menores – Finlândia, Noruega e Suécia (esta com máximo possível em resultados na saúde fica apenas em 9º) –, porque no Índice é o tempo de espera e os medicamentos que pesam.

Quanto à oferta o sistema de saúde compõe-se de prestadores públicos (SNS e saúde pública) e privados (lucrativos ou não). Avaliar o desempenho do sistema obriga a considerar todos os prestadores, não apenas o SNS. Em Portugal o tempo de espera deve considerar os que resultam do acesso ao sector privado em todos os serviços em que haja oferta, em especial naqueles em que a oferta pública é minoritária (ambulatório programado e MCD). Ora não existem valores credíveis para a espera, a utilização ou os resultados no sector privado.

Os objectivos essenciais do sistema de saúde são: a) Resultados (na saúde, qualidade, satisfação de doentes e população); b) Eficiência micro e macroeconómica; c) Equidade. Alguns dos objectivos são contraditórios, isto é obter melhor desempenho num implica pior resultado noutro. Por exemplo:

• Maior liberdade de escolha dos consumidores, gera menor desempenho na equidade e na eficiência macroeconómica, devido à multiplicação de actos sem eficácia, duplicados e dispendiosos (face a substitutos). Põe em causa a sustentabilidade do sistema e o acesso equitativo dos cidadãos. Nos EUA um estudo (NEIH, 2008) concluiu que 29,3% dos gastos do sistema, num total de 674 mil milhões de dólares, resultam de má utilização ou sobreutilização que coexiste com áreas com subutilização.

• A boa prática não se compadece com a multiplicação de actos e contactos da iniciativa do doente e impõe a gestão cuidada da doença pelo médico (agente), em especial nos doentes crónicos em que é vital a continuidade e coordenação de cuidados. Segundo um estudo de 2009 (NEJMpo907185) os doentes com cinco ou mais condições crónicas representam 76% das despesas do Medicare e um gasto per capita 17 vezes maior que os que não têm doença crónica.

O Índice não refere a continuidade, dimensão incluída na satisfação dos doentes (Linder-Pelez, 1982), e não valoriza o gasto global em saúde face aos resultados. Quanto à equidade inclui-a (mal) na “generosidade” do sistema e atribui-lhe importância menor – vale tanto como a taxa de cataratas e muito menos que o tempo médio até um novo medicamento ter subsídio público. Valoriza demais o tempo de espera e a escolha pelos doentes, fomentando o consumismo e a inapropriação que geram desperdício e perda de sustentabilidade do sistema. Como estes aspectos são limitados por co-pagamentos em sistemas Bismarckianos, há enviezamento do índice.

Os sistemas de saúde têm vários stakeholders: clientes, cidadãos e contribuintes, profissionais de saúde, Estado, fornecedores. Como a saúde não é normalmente paga no acto do consumo, e como os consumidores não sabem bem o que precisam, há interesses contraditórios: doentes que querem o máximo, com a maior qualidade, já e próximo da sua habitação; cidadãos e contribuintes que desejam que haja eficiência e apropriação para equidade, sustentabilidade e equilíbrio de objectivos da despesa do Estado. Assim a liberdade de escolha do doente (que não paga e ignora o que necessita) deve ceder ao interesse:

a) Doutros doentes, arbitrado por profissionais que decidem conforme a boa prática e as necessidades dos doentes.

b) Geral, decidido democraticamente e consubstanciado em regras de disponibilidade, acesso e utilização dos cuidados de saúde. Por exemplo o desejo de acesso imediato a um especialista choca com o doutros doentes mais necessitados e com as regras que visam evitar a inapropriação de cuidados (recurso a CSP para menor desperdício e melhores resultados globais).

c) Geral, de alocação racional de recursos visando a satisfação das necessidades de toda a população e o interesse público acima doutros interesses, por ex., da indústria farmacêutica e lobbies diversos.

O Índice confunde o interesse das farmacêuticas com o dos doentes e sobrevaloriza a opinião dos consumidores em saúde, que é importante mas deve ser tomada complementarmente a outros (superiores), atribuindo um peso desmesurado aos medicamentos (37,50) e ao tempo de espera (40,00), face ao impacto na saúde (35,1), e-saúde (12,50), direitos de doentes (19,44) e “generosidade” (21,43).
Não percebemos como a divulgação deste Índice pode reduzir a assimetria de informação dos doentes (pág. 25) – pretensão sem substância nem sentido.

Mesmo antes do arrolamento dos problemas metodológicos, que se irá seguir se o blogue mostrar interesse em os conhecer, pedia desde já as críticas e achegas a todo o blogue.

Hermes

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USA HC Reform (35)


Emerging Consensus on Health Insurance Reform link

1.º - Barack Obama Wins Nobel Peace Prize link
2.º - The Baucus Conundrum
link
3.º - Is health on the way?
link
4.º - Making the ‘public option’ a simple one
link
5.º - Modified goldbugism at the WSJ
link
6.º - The Uneducated American
link
7.º - So Much Happening in Washington and So Little To Show for It, So Far
link
8.º - REMARKS BY THE PRESIDENT ON WINNING THE NOBEL PEACE PRIZE
link
9.º - Battleground or Common Ground? American Public Opinion on Health Care Reform link
10.º - Lobbyists Fight Last Big Plans to Cut Health Care Costs
link
11.º - National Study Reveals mHealth has Vast Appeal in America
link
12.º - Obama Cites G.O.P. Officials in Call to Action on Bill
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13.º - Legislating Delivery System Reform: A 30,000- Foot View Of The 800-Pound Gorilla
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14.º - An institutional economics prize
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15.º - Heckuva Job, Barack
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Sábado, Outubro 10

O Epílogo do SNS…

Os impactos financeiros directos da gripe A nos custos do Estado já ascendem a 67,5 milhões de euros com a compra de vacinas, no valor de 45 milhões de euros, e do Oseltamivir, no valor de 22,5 milhões de euros. O Governo gastou este ano 45 milhões de euros na compra de seis milhões de doses de vacinas contra a gripe A à Glaxo Smith Kline (GSK) e gastou, nos últimos três anos, 22,5 milhões de euros na compra do anti-viral Oseltamivir à Roche, inicialmente destinado ao combate à gripe das aves. Por apurar estão ainda os custos indirectos, dependendo da evolução da pandemia, mas um estudo efectuado pela Deloitte refere que os custos para o Estado estão estimados em 330 a 500 milhões de euros.

A vertigem alarmista na abordagem da gripe A irá ter consequências operacionais e orçamentais gravemente desproporcionadas que contribuirão para agravar, ainda mais, a complexa situação orçamental do sector da saúde. Se a esta situação associarmos as consequências financeiras dos ACT’s generosamente despachados à pressa rapidamente chegamos à conclusão das negríssimas nuvens que pairam sobre o SNS e a sua capacidade de resistir a um quadro de insustentabilidade extrema no plano económico e financeiro.

Este tipo de políticos e de políticas deixam sempre facturas muito difíceis de pagar. No entanto, mais grave, infelizmente, é que ficam criadas as condições para que logo que a direita neo-liberal regresse ao poder se torne inevitável a privatização em massa do SNS.

Não perceber que a gestão do SNS tem uma dimensão estratégica de natureza social mas também económica é, de facto, nada perceber do SNS.

Proclamar a respectiva defesa prosseguindo este caminho é fazer de conta. Passada a gripe estaremos confrontados com um duro período de convalescença na vida do SNS.

Olissipo

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