Sábado, Maio 10

SNS, profissionais exauridos


Há "uma degradação do estado psicológico dos trabalhadores" dos hospitais-empresa, o que poderá provocar "a perda de qualidade e humanismo" link

COMENTÁRIO:
A acompanhar a fragilidade do SNS, começam os indícios do desmoronamento profissional, em termos actuais, isto é, global.
Até aqui eram os médicos que se "entregavam" ao sector privado.
Hoje, ou melhor, já há muito tempo, que sabemos que os problemas de recursos humanos do SNS são de motivação, incentivos, satisfação profissional, progressão profissional e técnica (carreiras), remunerações, etc.
Nada foi feito desde há 10 anos pelos recursos humanos no sector da Saúde. Deixou-se apodrecer a situação.
Primeiro, surgiu o sector privado com capacidade de captar as frustações mais profundas e mais sensíveis que, sejamos, directos, dizem respeito ao sector médico.
Depois vão os técnicos.
Os AH foram, com toda a evidência, dos primeiros a desertar. Os mais expeditos ou mais bem encostados politicamente, ficaram pelo MS e apêndices.
Sem nada para fazer, descortinaram a culpa perene dos médicos que praticavam o pecado da promiscuidade público-privada, e como penitência, criaram os pontómetros. Os logo a seguir, rumaram para o sector privado.
Finalmemnte, uma grande parte ficou, muitos em comissão de serviço, e relegados para funções de certo modo distanciadas das estratégias dos CA.

Enfim, como nos versos de Adriano:
Este parte, aquele parte
e todos, todos se vão.
Galiza, ficas sem homens
que possam cortar teu pão

Tens em troca, órfãos e órfãs
tens campos de solidão
tens mães que não têm filhos
filhos que não têm pai.

Coração, que tens e sofre
longas ausências mortais
viúvas de vivos mortos
que ninguém consolará.
(Adriano Correia de Oliveira)
e-pá!

CTAPRU

A Comissão Técnica de Apoio ao Processo de Requalificação das Urgências (CTAPRU) pediu à ministra da Saúde a sua extinção, por considerar que estão cumpridos os objectivos. link

Exemplar. Até a sair de cena.

Sakellarides


Vai presidir a CC da MCSP

Entretanto, na semana que passou foi anunciada a criação de um conselho consultivo (CC) da MCSP que será presidido por Constantino Sakellarides, antigo director-geral da Saúde e actual director da Escola Nacional de Saúde Pública.
O novo CC tem por função «o acompanhamento» da MCSP e «assegurar a transparência para o exterior daquilo que é a actividade da Missão», explicou Luís Pisco .
O dirigente não relaciona o novo organismo com as recentes saídas da equipa e esclarece que este órgão já estava pensado desde «Outubro de 2005», mas que, em virtude da «quantidade de trabalho que foi o início da Missão», não tinha sido possível a sua constituição. «Agora, com a nova equipa, pareceu-me interessante retomar essa ideia», frisou o coordenador. (...)
Tempo de Medicina 12.05.08
É como se o Benfica mantivesse o Chalana a frente do plantel depois de contratar o Mourinho.

Quinta-feira, Maio 8

Ana Jorge

foto JMF
A forma directa e sem equívocos, como Ana Jorge respondeu à questão colocada sobre o protocolo estabelecido entre a ADSE e o Hospital da Luz – perguntem ao Ministro das Finanças, mostra que não foi para o ministério para ver passar os comboios. Sabe que provavelmente comprou uma guerra com Teixeira dos Santos, mas mostrou que está determinada na revitalização do SNS. link
Repare-se no absurdo da decisão do Ministério das Finanças, estabelecer um protocolo com o sector privado para assistência na saúde aos funcionários públicos quando há um serviço público apto a fazê-lo é, sem margem para dúvidas, dizer-se que não se tem confiança no SNS e desaconselhar os cidadãos em geral a recorrer os seus cuidados. Desculpem a lhaneza da comparação, algum de vós iria comer a um restaurante em que os donos aconselhassem os funcionários a comer no estabelecimento ao lado? Ou colocaria um filho numa escola pública sabendo que os professores a recusariam para os seus? Mas a decisão do Governo, pelas mãos de Teixeira dos Santos, relativamente à ADSE não tem mesmo semelhanças com estas caricaturas?
Portanto, das duas uma: Ou se trata de uma decisão espúria de um ministro que não percebeu que o Primeiro-ministro mudou de política de saúde, ou não mudou mesmo e é tudo encenação, estando Ana Jorge a desperdiçar tempo e energias. link
Tá visto

À procura...


Este pessoal ainda anda a ver o que lhe aconteceu

A ministra da Saúde, Ana Jorge, foi informada da confissão pública que o coordenador nacional da Missão para os Cuidados de Saúde Primários (MCSP), Luís Pisco, fez sobre a sua "incapacidade" em fazer avançar a reforma.
"Numa reunião geral da Missão, realizada no passado dia 7 de Abril, Luís Pisco não só declarou sentir-se incapaz de levar para a frente a tarefa da reconfiguração dos centros de saúde" como especificou, "por culpa própria", não ter "condições para ir ao encontro da implementação dos agrupamentos dos centros de saúde", lê-se nas cartas que os ex-responsáveis pela reforma enviaram a Ana Jorge, onde referem também que "ficou clara a divergência de fundo entre o coordenador e o resto da equipa". Estranham por isso que a ministra não tenha avaliado a importância das informações que lhe chegaram, optando por manter à frente da MCSP o coordenador que publicamente disse ser "incapaz". JP 08.05.08
joaopedro

Markets and Medical Care


(...) At this writing, link the newest “market-oriented” proposals come from Porter and Teisberg (2006), who postulate a world of integrated medical records, providers specializing in services of greatest competence, and patients flocking to the highest-quality providers, forcing the others to improve or get out of the business. The experience described in this article gives many reasons to believe that the market will not give us that kind of rationalization, either. As Donald Berwick (2005, p. 329) has noted about the need for integrated medical records, “The market will only add variation, which is the last thing we need more of.” Following in the footsteps of the managed competition theorists, Porter and Teisberg assume away the difficulties of organization building, postulating that competition will drive transformation. Imagine that a new world of measurement means that a hospital can compete on coronary care but not on orthopedics. That would be realized only through losses on the orthopedic service, which would make the hospital a bad investment risk. Moreover, simply closing the orthopedic service could cause a capacity shortage, which, according to market logic, would be met by the remaining suppliers raising prices. Porter and Teisberg assume that high-quality providers will expand by absorbing the best personnel from the failed institutions and will move into areas that have shortages. But this ignores all the managerial, cultural, and capital difficulties of expansion. “Competition” is not some sort of magic wand that solves organizational problems. In reality, any positive and significant reorganization of American health care delivery, especially of the hospital system, would need to be slow; the fixed costs of the hospitals would have to be managed; and a minimal supply of all services would have to be maintained. The capitalist market simply is not designed to do those jobs.
It should be impossible to observe American experience over the past decade and still imagine that control of capital is unimportant. Much of what happened in the United States depended on decisions by investors who flocked to for-profit HMOs and then rushed away from them; or by drug companies that offered new income sources for physicians through clinical trials; or the capital sources that allowed some hospitals to expand or specialty hospitals to be created. It should be obvious, but I’ll say it again: capitalism means capital has power. If “the market” is to strongly influence American health care, that means the capital markets will wield much of that influence. Readers are free to conclude that is a good idea, but it is hard to see what events in the United States since 1993 would justify that conclusion.
Effective reform will require restraining the market, not relying on it. The following measures are especially important:
First, any kind of equitable guarantee of access to care requires the strong hand of government to mandate the necessary redistribution.
Second, any form of cost control requires effective limits on prices, and that will work better through some sort of coordinated payment system than through relying on selective contracting by multiple purchasers (White 1999). During the mid-1990s, selective contracting did successfully restrain prices, but that was temporary and the approach is inherently unreliable. Government should take the lead either in setting prices or in coordinating payers to create monopsony power.
Third, the proliferation of organizational forms—especially the rise of Independent Practice Association HMOs and Preferred Provider Organizations—appears to have added very little value to the health care system. There is a reasonable case that traditional HMOs of the prepaid group practice form could manage treatments in productive ways. Ironically, recent experience in the Veterans Health Administration may confirm the advantages of a coherent and hierarchically managed organization (Asch et al. 2004; Oliver 2007). Yet such approaches are at a great disadvantage in the market, owing to both beneficiaries’ preferences and the Kaiser model’s relative inflexibility and high capital requirements. Gray argues that the other forms of HMO did not have the cost-containment advantages of prepaid group practice and had to intervene in care in ways that were visibly intrusive and so provoked backlash (Gray 2006, p. 329). From a health policy perspective, PPOs make no more sense. Therefore, believers in the original vision of system rationalization through prepaid group practice should support simply banning all other forms of selective contract plans.
This would create a system in which Kaiser-like models competed with all-payer fee-for-service. The government could do a better job of creating an integrated medical record and reasonable performance measures than the private sector has managed to date. To the extent that quality could be measured, patients could vote with their feet more easily in such a system than in a system in which they had to first choose plans and then could only choose among providers within those plans.
Fourth, there is a need for some sort of controls on capital investment in medical services. A proliferation of specialty hospitals and imaging centers is highly unlikely to improve the overall delivery of care. Churning, with services closing in some places and opening in others, normally produces more disruption than improvement. Both the financial markets and government planners can make bad decisions, just as both private and public payers may create payment rules that have perverse health policy consequences (Ginsburg and Grossman 2005). Government, however, at least is likely to make its mistakes more slowly and also is in a better position to gather information and consider the risks of innovation. One of the problems with financial markets is that money moves too quickly, allowing boom-bust cycles such as occurred with Physician Practice Management companies and with health plans that discounted to gain market share. Any responsible restructuring of medical care delivery would require the kind of patience, attention to the long term, and knowledge of individual businesses that in the political economy literature has been associated with the postwar model of German, bank-based capitalism but not with the equity-based model of American capitalism (Doremus et al. 1999).
If American politics allowed government to ban some health plan designs, so as to limit both shopping and entrepreneurship; if it arranged for government to have a directive role in the capital allocation aspects of any transformation, so as to reduce the role of capital markets; if it eliminated much of the competition now existing around information systems and subsidized standardization across the provider universe; if it allowed government to mandate the subsidies needed to guarantee coverage; if it allowed the government to make most contracting about prices unnecessary by setting up a structure that set most prices; and if it took a series of other measures to eliminate less useful aspects of market strategies, such as risk selection—then perhaps such market forces as remained could contribute to creating a more efficient, higher-quality American medical care system. I greatly doubt such measures would be considered legitimate by many advocates of “the market” as an answer to America’s health care challenges. Yet the immense amount of innovation in the United States since 1993 offers little reason to believe that “the market,” without such stringent limitations, will improve American health care. (...)
Markets and Medical Care: The United States, 1993-2005,By Joseph White

Financiamento no SNS

Hospital de La Ribera

Capitação vs GDH, ou o equivoco?
Em linhas gerais, também estou de acordo com Adalberto Campos Fernandes (ACF)PPP com gestão clínica”
link. E digo em linhas gerais porque o texto me parece excessivamente redondo (será asséptico, ou cuidadosamente oportunista?) e, para mim, insuficientemente explicitado para que me não fiquem dúvidas de qual é, na verdade, o posicionamento de ACF. As afirmações são de tal modo genéricas que nem surpreendem nem deixam margem para discordância, mas, porque são genéricas não definem os contornos e é nestes que pode estar a diferença. Assim como os mapas que não relevam as pequenas praias e onde apenas os grandes estuários são legíveis: podem servir para fugir destes, mas não servem para escolher onde ir a banhos.
Para fundamentar o que afirmo poderia escolher qualquer das afirmações de ACF, com excepção da primeira (na ordem em que são arroladas no Post), porque essa parece-me simples petição de princípio: «não há, na Europa de hoje, nenhuma evidência forte de que a PPP com gestão é melhor do que a PPP sem gestão clínica», nem mesmo que «a PPP com gestão clínica por 10 anos ou mais serve os interesses do Estado e dos cidadãos». Pergunto: como haveria, se não foi ainda posta no terreno em lado nenhum? E, sem eu próprio ter opinião formada, poderia perguntar: se há evidência do contrário, onde está? Não estaremos a esquecer que os HH-PPP, com gestão clínica (e só se com gestão clínica) deveriam ser vistos, sobretudo, como dinamizadores da mudança necessária pelo desafio que devem constituir para os HH públicos com diferente estatuto e que, como afirma ACF, há “necessidade de se «avançar para modelos onde a comparação seja feita, baseada na melhor evidência», e ainda que «haja cada vez melhor gestão, independentemente de ser pública ou privada”? Ora, como comparar, se o termo de comparação não existir?

Mas não é este o tema da minha escolha. Prefiro debruçar-me na afirmada «certeza» de que o modelo de financiamento por capitação «tende a construir sempre um modelo mais equilibrado na relação entre prestadores e financiadores»”. ACF guardou para si as razões em que se fundamenta e, pior do que isso, faz outras afirmações que carecem de ser compatibilizadas com aquela: i) “necessidade de se «avançar para modelos onde a comparação seja feita, baseada na melhor evidência»” (que não existe, pelo menos entre nós) ii) a necessidade de que “haja cada vez melhor gestão, independentemente de ser pública ou privada” iii) “a selecção adversa ou selecção de risco, isto é, «o comportamento incorrecto dos agentes», é actualmente «uma realidade que não vale a pena mistificar nem ocultar». Tal «pode acontecer entre hospitais e equipamentos públicos, entre hospitais e equipamentos privados, e até pode acontecer na relação entre público e privado»”.

Sabemos que o financiamento dos serviços de saúde por capitação, consistindo na atribuição de um montante proporcional à população abrangida, privilegia a eficácia, traduzida em ganhos de saúde para a população, independentemente dos cuidados que efectivamente lhe sejam dispensados. Será então lógico que o financiamento por capitação influencie a política e a estratégia na saúde a nível central, lá onde a rede de serviços a oferecer à população é definida e devia ser avaliada e ajustada, ou seja ao nível donde dimanam as decisões de criação dos recursos a disponibilizar, quer sejam recursos humanos quer equipamentos de saúde. Aí sim, não se compreenderia que não estivesse presente a preocupação de definir o “retorno para o Estado, algo como ganhos em saúde por euro gasto”, como diz o lisboaearredores, ainda que haja equilíbrios que não podem ser dispensados e que não permitem total “liberdade” de afectação dos recursos mobilizáveis, que a doença é um dado incontornável. Isto é, o retorno para o Estado é muito difícil de definir, como também reconhece o lisboaearredores.
Porém, à medida que nos aproximamos ou penetramos nos serviços prestadores de cuidados, qualquer que seja a área em que estes se situem (CSP, CH, CC) e ainda que a preocupação com o retorno dos recursos não possa ser afastada, parece forçoso reconhecer que o simples financiamento por capitação vai perdendo viabilidade por uma série de razões de que recordarei algumas seguidamente, parecendo preferível visar os mesmos objectivos por outra via, procurando um sistema temperado que acolha contributos que se mostrem adequados (e alguns poderão vir da capitação).

Assumo que o financiamento dos serviços de saúde por capitação se afirma, fundamentalmente, pela aptidão para recentrar o SNS na promoção de ganhos em saúde, privilegiando as modalidades de cuidados que mais o possam conseguir, em detrimento de outros que, com os mesmos recursos, possam ser disponibilizados a uma dada população. Sem excessiva preocupação de ser exaustivo, parece-me, no entanto, que há razões que afectam a viabilidade da distribuição dos recursos pelos serviços de saúde apenas por esse critério, e algumas assumem mesmo a natureza de pressupostos. Assim:
i) O financiamento por capitação exige das entidades financiadas a existência de real autonomia. Não só de escolha dos serviços capazes de produzir maiores ganhos em saúde para a população (razão primeira do sistema), mas também autonomia patrimonial entendida como separação do património do Estado que, à partida, parece não existir nos HH-EPE em que os sócios são o MF e o MS!. Os deficits eventualmente produzidos devem permanecer na esfera jurídica daquelas entidades, pois que se o Estado os assumisse e financiasse certamente não poderia fazê-lo com base em financiamento por capitação;
ii) O financiamento por capitação, para se manter integralmente, exige também que as entidades financiadas sejam gerais, da mesma amplitude que o SNS. Se assim não for – e diria que nunca é: os serviços estão organizados em rede, melhor dito, estão organizados em várias redes – ou as entidades financiadas se desviam da razão primeira do sistema de capitação ou terão que requisitar e pagar a outras entidades as prestações que, elas próprias, não puderem executar. Para o efeito também lhe não bastam os princípios do sistema de capitação: como se define o montante do pagamento?
iii) Mesmo em termos de equidade, o financiamento por capitação não resolveria nenhuma das assimetrias existentes – e que têm de ser reconhecidas porque são reais: diferenças de rendimento, vias de circulação, meios de transporte, concentração ou dispersão populacional, etc. – e que, no seu conjunto, constituem pesada renda de situação suportada pela população das regiões do interior nas quais, evidentemente, nunca se podem situar os nós de melhores recursos das diferentes redes que constituem os serviços de saúde.

Estas, como outras razões que me dispenso de abordar (responsabilidades de investigação e ensino, densidade tecnológica e respectivo custo, diferente de instituição para instituição, etc.), traduzem realidades que fazem apelo a compensações ou incentivos específicos que, pelo menos directamente, nada têm a ver com financiamento por capitação.
Por tudo isto a minha certeza não é tanta como a de ACF.
Depois do que precede é legítimo perguntar se o financiamento por GDH não tem também as suas limitações. É evidente que tem. Na minha opinião constituiu um avanço significativo no sentido de se abandonar o financiamento histórico, indefensável de todo por ser acrítico, estacionário e anquilosante. Mas não se atentou suficientemente que o financiamento por GDH corre o mesmo risco se permanecer o imobilismo que parece existir. Só recentemente surgiram os GDA (grupos de diagnóstico ambulatório) e, mesmo assim, sem diversidade e sobretudo sem a visibilidade que tiveram os GDH. Penso que não deveria repousar-se sobre o peso específico atribuído a cada GDH; antes deveria ser testado sistematicamente de forma a garantir a sua permanente actualização. Tudo isto e o mais que não digo passa por uma afirmação que me parece transparente, só falta assumi-la: o Estado não pode demitir-se de definir, avaliar e controlar. Não o fazendo, facilita-se o caminho para a chamada selecção adversa, de que fala ACF (selecção adversa e regulação), com o qual, neste ponto, estou em total acordo.
Aidenos

Saúde, público & privado


O que vou dizer pode parecer uma heresia, mas quem mais se aproximou da figura de Moisés foi uma personalidade política de direita de nome Leonor Beleza. Todos nos lembramos que foi durante o seu mandato que surgiu o regime de exclusividade, obrigatório para as direcções clínicas, directores de serviço e médicos em formação. E, também, de o trabalho em exclusividade poder ser condição obrigatória no perfil dos concursos de provimento.
Bem sei que eram outros tempos e que a direita não tinha no terreno alternativa credível ao SNS, como hoje já não acontece.
Todo o ganho para a profissionalização do SNS foi rapidamente revertido por Arlindo de Carvalho, por pressão da Ordem dos Médicos, durante o segundo mandato de Cavaco Silva, como forma de conseguir a “paz social” na saúde e procurar assegurar a sobrevivência política do governo.
Maria de Belém procurou retomar a linha da dedicação exclusiva ao sector público mas foi rapidamente anulada nos seus propósitos. Verifica-se desde então uma política errática, mas com uma aposta clara no reforço do papel dos privados e na competição entre sectores, com os grupos económicos a procurarem contratar os melhores profissionais a tempo inteiro (o que o público não conseguiu fazer está a fazê-lo o privado). A nada ser feito em contrário, antecipo como resultado final um Serviço Público prestador residual na área hospitalar e, como consequência, no papel financiador do Estado (Bruxelas agradece).
Como sabe meu caro “e-pá”, uma linha estreita separa a direita da esquerda governante (PS) em termos de política de saúde; penso mesmo que actualmente é muito mais o que os une que aquilo que os divide.
Tá visto

Plástico


Ana Jorge a sair de novo em defesa do sector público da saúde. Critica "a decisão da Direcção Geral de Protecção Social aos Funcionários e Agentes da Administração Pública (ADSE) em celebrar protocolo com o Hospital da Luz, para prestação de serviços aos funcionários públicos." link
Curioso um dos comentários à notícia do JP:
«Tenho muito respeito e admiração por si. Só lhe quero dizer que a sinto como a pessoa certa com o governo errado. Quem manda nos destinos deste País não são os ministérios, é a vontade de alguns. Ainda não entendeu? É pena, porque está a gastar-se uma pessoa competente num governo incompetente.» (Carlos Miranda, Porto)
Ao que parece, um alerta amigo. Nada que a ministra não saiba. José Sócrates, já provou do que é capaz. E de que é feita esta política.

OBAMA




Terça-feira, Maio 6

Excelente


No novo programa da TVI, «Cartas na mesa», Constança Cunha e Sá, tentou pôr à prova a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues. Esteve bem melhor a ministra.

Tema forte o fim das retenções. Chumbar alunos sai caro ao Estado e não promove a recuperação escolar.
"O Estado gasta por ano, em média, três mil euros por cada aluno do ensino básico e do secundário. Se um estudante chumbar, passa a custar o dobro. Os 170 mil estudantes que chumbaram no último ano lectivo custaram, assim, 510 mil euros ao Estado."
Maria de Lurdes Rodrigues e CC os melhores ministros do XVII Governo Constitucional.

Avaliação CA HH epe


Dias depois da tomada de posse da nova ministra da Saúde, um responsável do Ministério anunciava que estavam a trabalhar na criação de uma grelha para avaliação dos conselhos de administração dos hospitais EPE. Nada nos poderia dar mais satisfação: é mais que tempo, e mais que necessário, que pessoas a quem foram confiados milhões e milhões de euros dos cofres do Estado possam ser correctamente avaliadas pelo destino que deram a todo esse dinheiro. link
De imediato, alguns presidentes de conselhos de administração vieram clamar, à laia de aviso, que não era fácil serem avaliados, até porque estavam dependentes dos profissionais que têm a trabalhar nos «seus» hospitais. E isso é verdade, essa dependência é um facto, e é positivo que pelo menos alguns deles a reconheçam, embora não se saiba que influência tal facto tem na sua actuação administradora. Mas a verdade, também, é que um responsável tem de assumir as suas responsabilidades e não esconder-se atrás dos seus subordinados, imputando-lhes a culpa de um eventual fracasso (ao mesmo tempo que, se calhar, fica sozinho com os louros quando as coisas correm bem). Napoleão Bonaparte ganhou muitas batalhas à custa dos seus soldados, os quais no entanto ficaram globalmente na história apenas por serem os seus soldados. E quando foi vencido em Waterloo, mais uma vez foi ele quem perdeu, não os seus soldados, apesar de historicamente se saber que essa derrota se ficou a dever em grande parte à não execução cabal e atempada de um plano de batalha confiado ao comandante de um dos seus regimentos. Mas foi ele quem foi derrotado, e destronado, e preso, e que morreu no exílio. Não o seu exército, que apenas perdeu o chefe. (...)

Em suma, e para concluir, é fundamental avaliar a actividade dos conselhos de administração dos hospitais EPE, e rapidamente. Essa avaliação não é fácil, porque é complexa e deve ser feita sob múltiplos aspectos, para além do económico-financeiro. Há hospitais com as contas eventualmente certas -- outros nem isso -- e destruídos por dentro, e o Ministério da Saúde, que empatou lá o dinheiro que é de todos nós, não sabe. É altura de querer saber. Há aspectos muito mais importantes do que o económico-financeiro, porque as consequências dos erros aí cometidos levarão muito mais tempo a ser corrigidas e terão muito maior impacte negativo no País, para além de no próprio hospital. Mesmo no campo financeiro, porque ao fim e ao cabo gastou-se dinheiro para se cometerem os erros.
Mas entenda-se é que a dificuldade de avaliar a actividade dos responsáveis não reside nos profissionais que trabalham no hospital. Esses, pelo contrário, deveriam ser ouvidos: para saber o que pensam e que futuro antevêem para a instituição, e se estão contentes e a trabalhar a par com o seu conselho de administração ou, pelo contrário, apenas esperando, senão desejando e pedindo a Deus, que ele seja substituído. Este deveria ser outro factor na grelha de avaliação.
Carlos M. Costa Almeida , presidente da APMCH
TEMPO MEDICINA on line, 06.05.08

Classe Médica


1. O sr. Arroz foi mesmo directo ao assunto: ponham o dinheiro na conta, já! Parecia a aluna do Carolina Michaelis a gritar com a Professora: "Dá-me o telemóvel, já!" As nossas corporações no seu melhor.

2. O novo regime remuneratório para as USF vai obrigar a rever de forma profunda o regime remuneratório e de incentivos dos profissionais hospitalares. Quando é que um governo tem a coragem de alterar radicalmente o regime das carreiras médicas e desligá-las dos vencimentos? Uma coisa é a capacidade técnica, outra coisa é o trabalho efectivamente realizado.

3. Estou a ver a reportagem da tvi sobre a oftalmologia em Portugal. Pondo de parte a demagogia habitual do "jornalista", há ali imagens confrangedoras e extremamente negativas para a classe médica portuguesa: o silêncio ensurdecedor do Director de Serviço de Oftalmologia do Hospital do Barreiro quando questionado se um melhor funcionamento do serviço não acabava com o negócio dos seus médicos no privado; a figura inqualificável do Bastonário a tentar justificar o injustificável - quando é que existe coragem política para retirar à Ordem dos Médicos a faculdade de autorizar o exercício da Medicina em Portugal por médicos estrangeiros?; a revolta dos cidadãos com os médicos portugueses, a agradecerem o cuidado e a simpatia dos espanhóis e dos cubanos. Significativo.
porreiro, pá!

Segunda-feira, Maio 5

Mellos, culpados

Adalberto Campos Fernandes (ACF) não pára de nos surpreender.
Toda a gente preocupada com a fundamentação da decisão de Sócrates em suspender a gestão clínica das PPPs, eis senão quando, para nosso descanso, surge ACF, em rigoroso exclusivo ao DE, a revelar a evidência que faltava.
"A redução de 225 milhões de euros no preço apresentado pelo Grupo Mello para construir o Hospital de Braga suscitou inquietação e uma reflexão" no Estado.
link
O Estado a inquietar-se e a reflectir se os lucros do Amadora Sintra dariam para cobrir tais reduções ?
Bem vistas as coisas, parece tudo de brincadeira. E há evidência para desconfiarmos da bondade de tais propostas.
ACF, fina análise, a revelar-se um verdadeiro guru da nossa comunicação social.

High food prices

Aproveite para modificar o seu estilo de vida link

"Comecem a pagar"...


Homologadas as normas (23.04.08), para cálculo das remunerações dos profissionais das USF de Modelo B, propostas pela MCSP, link o problema está em saber se há cabimento de verbas para iniciar os pagamentos, já a partir de Maio.
Que não são tão pouco como isso. Senão vejamos:
Principais encargos com o pessoal médico:
a) valor a pagar por cada unidade ponderada contratualizada, dependente da dimensão ponderada da lista por médico (entre 1918 a 1972 UP, cada médico receberá +234 euros) até um valor máximo de 1794 euros mensais se a dimensão da lista chegar às 2358 UP;
b) Valor a pagar em relação às unidades ponderadas contratualizadas resultantes das actividades específicas (a dividir igualmente por todos os elementos), podendo cada médico chegar a receber mensalmente até um total de 2600 euros;
c) Valor a pagar pelos domicílios: 30 euros por cada visita até um máximo de 300 euros por médico;
d) Valor do suplemento a pagar a cada coordenador de USF: 910 euros mensais.

A impaciência dos sindicatos é grande, o que leva Carlos Arroz (SIM) a contestar com a sua habitual delicadeza: «Deixem-se de espectáculos e comecem a pagar». «É um belo papel, mas só aplaudimos quando o dinheiro estiver na conta bancária dos médicos». link
Para quem já teve uma ideia mais romântica da reforma dos CSP, a coisa está a compor-se.

Domingo, Maio 4

Oportunismo



Adalberto Campos Fernandes é hoje uma voz escutada nos meios políticos socialistas da Saúde, foi mesmo um dos nomes que correu nos "mentideros" como provável substituto de Correia de Campos. A clareza com que hoje diz o óbvio, "Não há evidência das vantagens das PPP com gestão clínica" link e tudo o mais que o fundamenta, só peca por tardia, soando pois um pouco a oportunismo. Por que não teve esta frontalidade quando CC era MS? Ainda por cima estando a mesma escrita e dita desde 2005.
Tá visto

Avaliar, eis a questão


Curiosa esta discussão sobre a avaliação. link Vejamos as alternativas:
a) não avaliar - resultaria a acusação de falta de responsabilização (calculo que alguns comentadores usariam termos como "regabofe")
b) avaliar, mas sem anunciar a metodologia - resultaria a acusação de partidarite, amiguismo, corrupção, protecção de uns sabe-se lá porque razões.
c) avaliar, com anúncio da metodologia link- acusação de sistema complicado, etc... (ver os comentários anteriores).
Ou seja, querendo-se há sempre um motivo para estar contra.
Dentro deste contexto, estou com o Xavier, não se percebem as criticas. Ao menos com o sistema apresentado tenta-se dar alguma objectividade.
Nas empresas privadas, a vida é mais simples: a equipa de gestão dá retorno ao accionista? se sim, muito bem; se não, muda.
O sistema é de facto mais simples, e aqui também poderia ser aplicado - basta definir retorno para o Estado, algo como ganhos em saúde por euro gasto. Mas calculo que logo venham dizer que a realidade é mais complicada e multidimensional do que apenas este indicador...

Mas a verdadeira prova será feita com a aplicação da avaliação.
lisboaearredores

MS, provisório ?

art work JMF
"Ministra recua e devolve SAP ao concelho de Ovar", a partir de 15 de Maio. link
O que levou Miguel Viegas, porta-voz da comissão de utentes do hospital de Ovar, a dizer : "O MS começa a dar o braço a torcer".

Ana Jorge, Ministra da Saúde do XVII Governo Constitucional, desde 30.01.08, garantiu, no inicio, que “as principais políticas eram para manter”. “Continuar as políticas, mas com um rosto mais humanista. Foi a sua imagem de lançamento.
Por sua vez, o primeiro-ministro, José Sócrates, sempre atento e permeável às críticas da população, defendeu na altura que “ninguém vai voltar atrás em nada. O que nós queremos é um novo método mas cumprir os mesmos objectivos”.

Volvidos 93 dias de governação, a mudança de estilo é evidente. Quanto a discrição passámos de oito para oitenta. A ministra da saúde desapareceu quase por completo do alinhamento dos órgãos de comunicação.
Quanto a policies… podemos alinhar os principais registos:
a) Recuo em toda a linha na reforma das urgências: Passou-se a abrir. Congelou-se o programa de encerramentos;
b) Uma boa decisão: O resgate do Amadora Sintra para o sector público;
c) A resolução (sem alternativas?) pronta da crise da MCSP;
d) Um número assinalável de demissões.

Nova política ou adiamento... até ao desfecho das próximas eleições?
Decisão do Amadora Sintra à parte, dir-se-ia estarmos perante um ministério da saúde provisório.

Sábado, Maio 3

MCSP


Em busca do prestígio perdido
Constantino Sakellarides, link pondera o convite para presidir ao Conselho Consultivo (CC) da MCSP. Ana Jorge, tenta assim dar uma mãozinha ao comprometido projecto de reforma dos cuidados de saúde primários. link
Apesar das garantias que não deixará de salvaguardar, perspectiva-se uma missão de elevado risco para CS. E já vimos como o primeiro ministro, José Sócrates, costuma premiar a coragem e dedicação dos seus colaboradores.

PPP com gestão clínica


«Não há evidência» das vantagens das PPP com gestão clínica
A decisão do Governo de retirar a gestão clínica aos novos hospitais construídos em modelo de parceria público-privada (PPP) era expectável para Adalberto Campos Fernandes, tanto mais que a mesma estava já «escrita e dita desde 2005». Aliás, para o presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar de Lisboa Norte (CHLN), «não há, na Europa de hoje, nenhuma evidência forte de que a PPP com gestão é melhor do que a PPP sem gestão clínica», nem mesmo que «a PPP com gestão clínica por 10 anos ou mais serve os interesses do Estado e dos cidadãos».

Convidado a falar sobre «Estatística em Saúde e selecção adversa» no Lunch & Learn organizado pelo Hospital do Futuro, no passado dia 24, o médico e administrador hospitalar sublinhou a «certeza» de que o modelo de financiamento por capitação «tende a construir sempre um modelo mais equilibrado na relação entre prestadores e financiadores». O responsável chamou a atenção para a necessidade de se «avançar para modelos onde a comparação seja feita, baseada na melhor evidência», e ainda que «haja cada vez melhor gestão, independentemente de ser pública ou privada». Além disso, Adalberto Campos Fernandes entende que «o futuro também nos deve orientar para promover um caminho mais largo na liberdade de escolha», por forma a «sermos cada vez mais eficientes nas zonas de financiamento e acentuar as capacidades do Estado enquanto provedor e regulador».

Qualidade e custo em risco
O administrador salientou, contudo, os «riscos sobre a qualidade e o custo» que poderão resultar no caso de o sistema de Saúde «num país pobre como o nosso» ser «desmantelado e precipitadamente aberto para regimes de regulação entre financiamento e prestação mais liberais». Segundo o orador, o resultado poderá apontar no sentido do que «já se verifica hoje», ou seja, que o SNS constitua «uma espécie de reservatório daquilo que é menos interessante e menos conveniente para os sectores sociais ou lucrativos, através do fenómeno de patient turning». E «o risco de mercantilização dos cuidados de saúde não é de natureza económico-financeira, mas antes política e social», frisou.
Na sua opinião, o SNS «deve ser mais competitivo, ter mais autonomia de gestão, ser capaz de reter os melhores e deve ser capaz de lidar sem nenhum tipo de preconceito ideológico, técnico ou outro, com a existência de um sector privado e dinâmico, complementar e autónomo». Ainda assim, é verdade que o SNS «não pode competir consigo próprio», mas também «não pode deixar de ser ressarcido pela condição de fábrica de conhecimento».

Selecção adversa e regulação
Segundo Adalberto Campos Fernandes, a selecção adversa ou selecção de risco, isto é, «o comportamento incorrecto dos agentes», é actualmente «uma realidade que não vale a pena mistificar nem ocultar». Tal «pode acontecer entre hospitais e equipamentos públicos, entre hospitais e equipamentos privados, e até pode acontecer na relação entre público e privado». Por isso, o administrador sustenta que «a salvaguarda deste risco passa pela definição de uma estratégia de regulação». Embora reconheça que «as falhas de mercado associadas às falhas do próprio Estado têm condicionado muito a regulação deste sector», o clínico considera que a mesma «é indispensável enquanto instrumento de comparação, divulgação e transparência do desempenho das entidades reguladas». «Regular na Saúde pressupõe que os agentes reguladores e os agentes regulados se entendam quanto a uma plataforma ética na qual os padrões de eficiência, equidade e de universalidade estão presentes enquanto critérios de acesso ao sistema».
Tempo Medicina, 05.05.08
Alguma vez havia de concordar com o ACF. Já era tempo.

Sexta-feira, Maio 2

Avaliação (2)


Vejo que hoje é um dia de grande tristeza para si. Também de grande felicidade, pelo sentido do dever cumprido e uma vida profissional repleta de êxitos, como refere.
Nestas alturas, nada melhor para refazer forças do que um bom combate . Ora aí vai…
O seu comentário link ao post “Avaliação” link merece os seguintes reparos.
Diz que «o modelo de avaliação dos Conselhos de Administração (CA) põe 3 problemas» (mesmo sem o ver...):
«1º Até que ponto se sobrepõe ao "peso" dos accionistas (i.e. o Estado)». Ora a avaliação dos gestores é precisamente um dos poderes do accionista, representado pelo MS e MF, que fará um contrato de gestão com os gestores, como já foi legislado e publicado.

«2º Em que medida o Estado ... abdicar .. do uso de justificações do tipo da conveniência política (partidária)». Se o Estado quisesse muito não se punha a publicar legislação e a assinar contratos com objectivos e outros elementos quantitativos que só o tolhem nessa «conveniência».

«3º Se esse processo não abre caminho à execução de despedimentos sumários com invocação de "justa causa"». Duas pequenas notas:
a) As leis sobre a gestão hospitalar já prevêem a cessação da comissão do CA, simplesmente por não cumprir os objectivos («despedimento sumário e com justa causa?»);
b) Quem já leu a legislação sobre os contratos de gestão nas empresas públicas, que se aplica no HH EPE, percebe que se trata de um contrato que tem «consequências» (como a pessoa citada no artigo afirma) para a gestão de topo. Será o que a motivará a melhores resultados, bem como aos restantes gestores e trabalhadores que dele dependem. Melhores resultados é precisamente que pretendem, os clientes, o Estado e os contribuintes.

Quanto a «...ter sobejas razões para questionar a metodologia ...» sem a conhecer de todo, só demonstra "facilidade de afirmar", quanto a responsabilidade e ponderação estamos conversados.

Finalmente faz uma afirmação curiosa: «É significativo que o texto do anúncio de arranque ...» (só na Tempo Medicina já vi 2 artigos, o Secretário de Estado já se referiu a ela várias vezes nos jornais) «...não se refira a problemas ou questões éticas». Ora pelo que sei foi referido a um dos 3 CA dos hospitais em teste que irá haver um código de conduta para os gestores e chefias do hospital e que todos serão objecto de avaliação em 2009, não apenas o CA.

Sugiro ao e-pá! que troque o «lançamento» da suposição e o «cavalgar» a imaginação e recorra a um daqueles CA para saber o mínimo sobre o processo e a «metodologia» que tanta curiosidade e «problemas» lhe despertam.
e, um abraço.

Take Five

Quinta-feira, Maio 1

Gostava de ter escrito isto


Este tipo de crónica insidiosa link visa apenas denegrir a gestão empresarial dos hospitais epe. Faz parte de uma estratégia de comunicação. Não se fala dos males do sector privado como por exemplo a selecção adversa de doentes, a fraude na facturação ao Estado, a facturação "criativa" no caso do Amadora-Sintra, ao mesmo tempo que se proclama uma bendita eficiência da gestão privada omitindo, estrategicamente, os vastos exemplos internacionais que demonstram o risco de iniquidade social associado à privatização do financiamento e da prestação de cuidados de saúde. Esconde-se (foge-se como o Diabo da Cruz) da evidência científica que aponta para as graves consequências da entrega do sistema de saúde ao sector económico lucrativo. Cinicamente insinuam-se comentários sobre as contas dos hospitais públicos omitindo a sua responsabilidade social (custos de estrutura e de exploração) que os privados não têm e que só aceitariam a troco de PPP's eternizadas no tempo para garantir retornos accionistas de dois dígitos. Finge-se discutir "Policies" em vez de "Politics" quando todos os dias e em todas as crónicas o que se faz é intervenção política dissimulada (assim uma espécie de "finjo que estou com estes mas escrevo para agradar aos outros"). Glosa-se com António Arnaut cujo crédito de respeitabilidade deveria envergonhar estes neófitos produtores de opinião e os deveria colocar na sua reduzida dimensão.
Falarverdade, DE 17.04.08

1.º de Maio

May 1, In Kiev, Ukraine, a Communist supporter held a portrait of Stalin during a May Day demonstration. A encenação ainda é o que era.
NYTimes- Photo: Gleb Garanich/Reuters.

O meu Maio




A todos
Que saíram às ruas
De corpo-máquina cansado,
A todos
Que imploram feriado
Às costas que a terra extenua –
Primeiro de Maio!
Meu mundo, em primaveras,
Derrete a neve com sol gaio.
Sou operário –
Este é o meu maio!
Sou camponês - Este é o meu mês.
Sou ferro –
Eis o maio que eu quero!
Sou terra –
O maio é minha era!
Vladimir Maiakovski

Quarta-feira, Abril 30

Fé, meus amigos ...


"A culpa do poder da ANF é da incompetência do Estado na gestão dos seus interesses".
Cristalino como a água. Neste, como noutros casos, tudo começou por aí. É só estar atento e ter bons apoios na máquina do Estado para que um frutuoso negócio vingue.
Quantas garrafas de "veuve cliquot" já não terão sido abertas por estes dois amigos a selarem interesses comuns?

Esta coincidência de não haver coincidência entre a longínqua amizade de João Cordeiro/Costa Freira e tudo o resto que sabemos, fez-me recordar aquela outra feliz coincidência ocorrida numa paróquia lá para os lado de Coimbra. Em que o pároco justificava aos paroquianos os caprichos de um sorteio então realizado: Quis Deus que o carro me saísse a mim, a bicicleta ao Sacristão e a televisão à minha irmã.
É preciso é fé meus amigos, o resto é inveja e má-língua.
Tá visto

Avaliação


A avaliação dos hospitais EPE vai resultar da análise de três componentes: resultados da actividade do hospital, cumprimento de objectivos programados e actuação dos administradores. link
O modelo de avaliação dos conselhos de administração (CA) dos hospitais com estatuto de entidade pública empresarial (EPE) já está definido. Segundo as informações de António Dias Alves, coordenador da Comissão de Estudo para a Avaliação dos Conselhos de Administração dos Hospitais EPE, encarregue de definir o sistema de avaliação, o componente que terá maior importância relativa na avaliação final é o que se refere aos «resultados obtidos pelo hospital», e «terá um peso de 53%». Neste item estão incluídos indicadores como «qualidade clínica, satisfação dos doentes, actividade e eficiência», além de índices relacionados como o «desenvolvimento e satisfação de profissionais e responsabilidade pública».
TM 28.04.08

Terça-feira, Abril 29

HH EPE, R&C 2007

Mais um Relatório e Contas: IPOFG Porto 2007 link
Tonitosa, por amor de Deus...
Woody Aleen, o modelo continua a resistir e a dar boa conta de si.

Vamos estar atentos aos próximos R&C. Em especial ao do Centro Hospitalar do Alto Ave, EPE.

Faz de Conta


João Cordeiro, dando conta que há muito não se falava dele, decidiu dar uma extensa entrevista ao semanário expresso link
Com base no que ficou dito, elaborámos um pequeno texto, à boa maneira da ficção de cordel.
Nota: Apesar do excelente trabalho das jornalistas, onde estão as respostas de Fernando Costa Freire (FCF) ?

Quando faz bom tempo, João e Fernando bordejam à popa a marina oceânica no barco que compraram em sociedade. João percorre, olhos semicerrados, a linha de costa rasa que se estende a bombordo até ao guincho.
A seu lado, Fernando segura a roda do leme com firmeza. FCF foi sempre o Skipper da embarcação. Embora no regresso, quando se aproximam do molhe, deixe o amigo fazer de conta que é ele o homem do leme.
Entre os dois o "veuve clicquot" frio afundado entre esquirolas de gelo.
Fernando, deixa também que seja o amigo a lançar o tema de conversa: Investimentos da Polónia. Consiste em Angola. Consiste no IPO do Porto. Ou simplesmente, soltar a memória . Relembrar o grande feito, que foi o acordo entre a ANF e o Estado. Uma preciosa obra de relojoaria do Fernando, então secretário de Estado da Saúde de Leonor Beleza. Um acordo belíssimo para o Estado.
Só Satanás podia lembrar-se pôr termo a semelhante criação.
Felizmente, Sócrates soube mostrar carinho pelas farmácias. Castigando. Pondo na rua o autor de tamanha afronta.
Mesmo assim, não se considerava vingado. É que as coisas nunca mais voltariam a ser como dantes. A associação teve mesmo pesados prejuízos em 2007...
Restou-lhes a venda de medicamentos para o cancro e VIH. As análises clinicas. Tudo mimos do tio Sócrates e do seu 'Compromisso para a Saúde´. (...)
Caía o sol na barra do Tejo quando o barco dos dois amigos deu entrada na Marina de Cascais. Com João a fazer de Skipper.

É isso mesmo:

dali- o inferno
"Mas quando nos julgarem bem seguros,
cercados de bastões e fortalezas,
hão-de ruir em estrondo os altos muros
e chegará o dia das surpresas"

A massiva debandada de médicos dos Hospitais e Serviços do SNS - não só por causa dos pontómetros - vão fazer ruir os muros atrás dos quais se escondem os burocratas e amanuenses e o processo vai desembocar, sem dúvida, no dia das surpresas, para os reverentes serventuários do sistema.
Chegará o dia em que um doente angustiado, percorrerá desvairado o Hospital à cata de uma impressão biométrica que tenha por detrás uma mão capaz de o ajudar.
Só encontrará o registo...

Caro Xavier:
A maneira como sorridente, displicente, arrogante e manhosa como Sócrates - na campanha para as últimas Legislativas - anunciou a reforma da Administração só podia enganar tolos.
É difícil definir se estas medidas reformistas são hilariantes, são repugnantes ou ambas.
Qualquer um de nós sabia que chegaria o dia em que pagaríamos o descontrolo de custos do guterrismo, crescidas das asneiras de Barroso & Santana.
Seria muito duro.
Sócrates optou por começar pelas medidas emblemáticas, espectaculares - mas pouco eficazes. Elas definem - erroneamente - a vontade férrea em mudar, venha o que vier, aconteça o que acontecer.
Em democracia, este método começa por funcionar (revela uma falsa autoridade) mas esboroa-se nas contradições da cidadania e na cadência cíclica do exercício do poder.

Começou-se pelo saneamento moral e a partir daí, por arrastamento, viria o económico e o financeiro.

Começou-se mal. O saneamento moral de que o pontómetro é um pequeno e ínfimo instrumento, poderia (deveria) ser aceite sem polémicas. Isto é, a assiduidade é um dever do funcionário.
Mas antes que se conseguisse implementar esse controlo, começou a ruir o edifício do agente público, com as suas pequenas regalias, bloqueamento das especificidades retributivas (aumentos anuais), de regime de trabalho (progressão nas carreiras) e o rigor hierárquico.
Sócrates destruiu, em poucos meses, uma ideia quase centenária - "os direitos adquiridos".
Certo que os direitos adquiridos não podiam ser eternos, nem exclusivos para a FP, enquanto o País lançava centenas de milhares de trabalhadores no desemprego.
Mas muitos julgavam que o Estado os protegeria, porque eram indispensáveis para o funcionamento da máquina estatal. Eram a "guarda pretoriana" do poder civil.

A diminuição das despesas (indispensável para o equilíbrio orçamental) começa na administração pela área social, i.e., da pior maneira.
Médicos, professores, juízes, etc., começam a ser atacados por uma urbe de investidores e empreendedores que, dentro do conceito neoliberalismo que veneram, acham que nada deve ser dado a ninguém, muito menos aos FP. Para esses porrada, por são improdutivos, pouco eficientes e gastadores...
Aliás, consideram os FP "gigolos" do Estado.

Os médicos há algum tempo iniciaram a sua debandada, muito embora defendam que os números são reduzidos. Ultimamente, a Ministra tem mostrado algum realismo.

Haverá sempre quem ponha o dedo.
Os critérios de recrutamento em Portugal não são muito exigentes e dependem muito do enquadramento político-partidário.
Resta saber qual os préstimos desse acto, para o doente e para o Hospital ou se quisermos ser mais vastos para o SNS.
O objectivo de diminuir 75.000 funcionárias públicos até ao final da legislatura, vai seguir um caminho ínvio. Centenas de professores, médicos e outros funcionários públicos têm pedido reformas antecipadas, com severas penalizações para se libertarem da senda persecutória em curso.

Como se diz no verso:
"Não aceitem nem queiram outra arte
que a proeza do registo, o verso acta."

No fundo, Caro Xavier, a ministra , vai ter de escolher entre Sallieri e Mozart.
Os administrativos indicarão Sallieri, mas muita gente preferirá Mozart.
Não é?
Ou, então, Xavier:
"O inferno são os outros."
Jean Paul Sartre
e-pá!

Segunda-feira, Abril 28

SINAS

Terminou no dia 24 de Abril de 2008, o prazo de entrega de propostas do concurso público internacional, desenvolvido pela ERS, para adjudicação da estrutura de suporte do SINAS. link
E o que é o SINAS?
O SINAS pretende ser um sistema de avaliação das unidades prestadoras de cuidados do SNS, através de ratings.
Ranking de estrelinhas parece ser a nossa Sina(s).

Domingo, Abril 27

MCSP e o futuro


O mais importante no momento é saber se a MCSP «tem capacidade para assumir a resolução do Conselho de Ministros», no que diz respeito à forma como exercerá «a liderança sobre as ARS» na implementação dos Aces. Se até ao Verão não se conhecerem avanços no cumprimento dessa resolução, «a reforma fica paralisada».
José Luís Biscaia confia nos novos elementos, tal como confiava no grupo demissionário, o que interessa é a reforma e não as pessoas que a lideram. Mas «Quando houver desvios, cá estamos nós para os identificar.»
José Luís Biscaia, vice presidente da APMCG, TM 28.04.08

Sábado, Abril 26

A propósito,

da anunciada inauguração de mais um grande HH privado em Lisboa.
O SNS ainda garante a maioria dos internamentos (74% das camas hospitalares).
Mas...
Até 2009, a oferta dos hospitais privados atingirá em Portugal as 5.000 camas (o dobro da actual). Para corresponder à procura dos Seguros, Subsistemas e Sigic (estratégia dos três SSS).
Mas, não só...
Na cidade do Porto, além do Hospital da Boavista dos HPP (190 camas) e Hospital da Boa Nova, em Matosinhos (70 camas), a JMS vai construir o Hospital da CUF (cem camas), com entrada em actividade prevista para 2010.
Em Lisboa, a inauguração do Hospital dos Lusíadas, está anunciada para 19.05.08. Com 160 camas, capacidade para 20 mil cirurgias, 50 mil diárias e 400.000 consultas ano. O hospital dispõe de 60 gabinetes de consultas, oito salas de bloco operatório, três salas de bloco de partos e um hospital de dia médico.
É o próximo grande acontecimento da "heróica" expansão da hospitalização privada.

O Estado também está a investir na construção/substituição de HHs da rede pública. Só na região de Lisboa, segundo dados do MS, verificar-se-á, a médio prazo, um aumento de 961 camas públicas e um aumento líquido de 530 camas. link
A modernização do parque hospitalar é condição essencial para o sector público manter a sua posição dominante .

Só que os players privados nacionais têm outras ideias. Bem diferentes do papel de complementariedade que o Estado lhes tem reservado até hoje. A estratégia de conquista é bem clara:
a)- Investir em força na criação de oferta do melhor nível, através da introdução de elementos de inovação assistencial e de gestão;
b)- ganhar capacidade para recrutar recursos humanos altamente diferenciados. Os melhores. «Até ao presente muito ligados ao SNS, estes quadros, fruto da reestruturação que a hospitalização pública se encontra a realizar, começam a estar motivados para integrarem projectos privados que, além do mais, lhes oferecem condições de trabalho comparáveis (ou até superiores) àquelas de que dispõem nos hospitais públicos. »
c)- «adaptar as linhas orientadoras da Estratégia de Lisboa à saúde, estimulando o empreendedorismo, a inovação e a utilização sustentável dos recursos, como vias de aumento da competitividade da economia nacional.»
«Os privados têm consciência de que é possível criar em Portugal um sector privado de prestação de cuidados de saúde forte, capaz e altamente competitivo a nível internacional, nomeadamente Europeu, mas que, para isso, é necessária uma cooperação estratégica entre os poderes públicos e os agentes privados.» APHP - Plano de Actividades – 2008) link
Cooperação do Estado, ao que parece, não tem faltado.
Como é que a ministra da Saúde, Ana Jorge, vai conseguir suster a debandada de profissionais do SNS para o sector privado? Rompendo a cooperação estratégica? Neste sentido, o fim da gestão privada do AS terá sido apenas o primeiro sinal?

Aguardar visto


Quanto ao desafio de Cascais, a HPP já investiu €44,2 milhões no capital social do hospital e aguarda, “com alguma apreensão” devido à demora, o visto do Tribunal de Contas para arrancar com o recrutamento das equipas. link
semanário expresso, semanário expresso Edição n.º 1852 de 25.04.08

Tempos difíceis


As famílias portuguesas de mais baixos rendimentos (menos de 5.200 euros/ano p/pessoa) são as que mais estão a sofrer com a subida de preços dos bens essenciais, pois cerca de 43% do seu rendimento é destinado à compra de bens alimentares e habitação. E o preço dos bens alimentares vai continuar a subir…

A grave escassez mundial de bens alimentares (uma das mais graves de sempre), faz perigar a sorte das populações do planeta normalmente sujeitas ao flagelo da fome link

While customers at restaurants in New York City will soon be able to count the calories of their meals in an attempt to curb the obesity epidemic, people in New Delhi are currently counting their grains of rice. From Bolivia to Yemen, people around the world are taking to the streets in protest at the spiralling increases in food prices. Politicians have been sacked, protesters have died, and some governments are imposing extreme measures to ration food and control their hungry populations.
The era of cheap food is over. In the past year, the cost of wheat has risen by 130%, rice by 120%, with corn and soya not far behind. As a result, millions of people are starving and at least 100 million more people will be pushed further into poverty. Food, the fundamental determinant of health, is unaffordable to an increasing proportion of the world's population. As usual, the poorest are affected the most, with those living in absolute poverty—less than US$1 a day—surviving on just one meal a day if they are lucky. And since the International Fund for Agricultural Development has estimated that the number of food-insecure people in the world will rise by 16 million for every percentage increase in the prices of staple foods, this situation is likely to get worse. The target of MDG 1—to reduce by half the proportion of people who suffer from hunger—is in reverse. (...)
The Lancet 2008; 371:1389

A grave crise mundial de bens alimentares não deixará de afectar também Portugal. A taxa de risco de pobreza, tem vindo a decrescer um ponto percentual ao ano (20% em 2004). Situando-se nos 18 por cento em 2006 (INE). A elevada inflação dos bens essenciais, faz prever um retrocesso deste processo.