terça-feira, agosto 7

Fariseus da Saúde


Vale a pena ler e refletir na mensagem que Isabel do Carmo nos transmite em artigo no Público- Uma campanha travestida a respeito do SNS, do qual destaco o parágrafo introdutório: «No conjunto de títulos e de notícias que têm ocupado a comunicação social a respeito da Saúde, podemos perguntar-nos se se trata de um debate, de uma defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS) ou de uma campanha de promoção dos serviços privados e de uma perspetiva política de facto anti-SNS.»   JP 31.07.18 link 
Seguindo diariamente os media, preocupa ver que com tanta ânsia de cuidar do “menino” os que o estimam não consigam demarcar-se dos que, a pretexto da lavagem, querem desfazer-se dele servindo-se da água do banho.

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domingo, julho 29

Notícias sobre o SNS a la Expresso

Percentagem do PIB atribuída aos cuidados prestados nas unidades de saúde é menor do que nos anos da crise.
O Serviço Nacional de Saúde (SNS) mereceu em 2018 a menor parte da riqueza nacional dos últimos 15 anos, apenas 4,3%. Nem durante os piores anos da crise, 2012 e 2013, a percentagem do produto interno bruto (PIB) foi tão pequena. A denúncia é feita pelo presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, Alexandre Lourenço, com base em dados da Conta Satélite da Saúde, confirmados pelo Expresso.
Vera Lúcia Arreiogoso , semanário expresso 21.07.18 link
 Notícias sobre o SNS a la Expresso: - se o orçamento do SNS for cortado em 2% mas a economia cair 3%, o orçamento da saúde aumentou (porque a despesa em % do PIB aumenta); - se o orçamento da saúde for aumentado em 2% e a economia crescer 3%, o orçamento da saúde diminuiu (porque a despesa em % do PIB cai). link
Diz que é informação da boa e da séria. O Expresso decidiu inovar no jornalismo económico. Então, é assim: as notícias sobre a dívida pública são dadas em valores nominais, ignorando que o que interessa é a dívida em % do PIB, porque é esse indicador que nos dá a relação entre a dívida e a capacidade de pagar essa dívida; e o orçamento do SNS, apesar de ter o valor mais elevado de sempre, é dado em % do PIB. Acontece que no SNS, ao contrário do que acontece na dívida pública, haver mais x de despesa (mais médicos, mais enfermeiros, mais camas) é mesmo mais x de despesa e de recursos, seja o PIB mais alto ou mais baixo. Na dívida não, porque dever mil quando se ganha um milhão não é o mesmo que dever mil quando se ganha mil. Enfim, pormenores pouco relevantes para o Expresso, que parece mesmo empenhado em desinformar.
 João Galamba in facebook link
 O financiamento da Saúde tem crescido não tanto quanto desejaríamos e as necessidades o determinam: «A despesa total consolidada do Programa da Saúde prevista para 2018 é de 10 289,5 milhões de euros, o que corresponde a um aumento de 2,4% (239,1 milhões de euros) face ao estimado para 2017 e a um aumento de 4,4% (360,2 milhões de euros) face ao orçamento de 2017.» OE18, página 144 link
Por sua vez, segundo a Conta Geral do Estado de 2017, o orçamento consolidado do Programa da Saúde de 2017 (realizado), totalizou 10 334,2 milhões de euros, 5,58% superior ao de 2016 (9 788,4 milhões de euros). link
É à volta destes valores que nós temos de ver o que irá acontecer relativamente ao OE da Saúde 2019. Contas a "La Expresso" só servem para confundir. Ignorância ou combate político de baixo nível.

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segunda-feira, julho 23

João Semedo

Morreu João Semedo.  É daquelas notícias que doem. 
Democrata exemplar, fonte inspiradora, verdadeiro defensor do SNS.  Quando muitos mais são precisos, João Semedo vai fazer muita falta.

domingo, julho 15

PPP da Saúde

Descarrilamento de 42 milhões de euros 
«Nunca uma ferrovia de apenas 1,1 km deu origem a um desastre financeiro tão pesado. A parceria para o monocarril de Oeiras levou a Teixeira Duarte (TD), entre investimento e perdas na exploração, a destruir 42 milhões de euros. Pior só o BCP (580 milhões). O sistema deixou de funcionar em 2015. A TD entregou por dois euros o equipamento à Câmara, mas já repartira as perdas pelos exercícios anteriores.» link 
O que tem este desaire a ver com a Saúde? 
Como tem sido divulgado pelos órgãos de comunicação, várias dificuldades sujeitaram a TD ao cumprimento de um plano de venda de activos e abatimento de dívida na execução do qual a Teixeira Duarte (TD) transaccionou recentemente o Lagoas Parque a um fundo por 375 milhões de euros link 
Numa outra operação, mais discreta, realizada em abril 2018, a TD vendeu a sua subsidiária TDHOSP, gestora do edifício do Hospital de Cascais (HC), por 19,4 milhões de euros à gestora de fundos 3i Invesments. link 
Como se sabe o modelo de contrato da PPP do Hospital de Cascais (HC) assenta em duas entidades gestoras: a Lusíadas Saúde, responsável pela prestação de cuidados de saúde; e a Teixeira Duarte, responsável pela construção, financiamento e, até esta venda, pela conservação e exploração do edifício. 
PPP da Saúde, mobilidade de participações 
No universo das PPP da Saúde a venda de participações tem sido uma constante.  A Somague  vendeu aos holandeses da Aberdeen as participações nas Parcerias Público-Privadas (PPP) dos edifícios dos hospitais de Braga e de Vila Franca de Xira. link 
A CGD, numa operação anterior, vendeu o grupo de saúde HPP, responsável pela gestão da prestação de cuidados do Hospital de Cascais, aos brasileiros da AMIL, entretanto adquirido pela United Healthcare, um fundo segurador e de pensões norte americano. link link link 
Como resultado da Oferta de Aquisição Pública (OPA) a Espírito Santo Saúde (ES Saúde), responsável pela gestão da prestação de cuidados do Hospital Beatriz Ângelo, foi vendida à Fidelidade, controlada pelos chineses da Fosun. link 
Estas alterações frequentes, normais no mundo dos negócios, são preocupantes quando se trata de hospitais. Uma das fragilidades marcantes do modelo PPP. A par da evidência, à medida que o tempo de contrato avança, que as PPP da Saúde são caras e não trazem melhores cuidados de saúde, nem poupanças em relação à gestão pública 
Futuro incerto 
O contrato do Hospital de Cascais (HC), que termina em dezembro 2018, gorada em primeira linha a decisão política de reversão para a gestão pública, foi recentemente renovado por proposta do governo com a "Lusíadas Saúde" até 2020. Para “dar tempo” à preparação/desenvolvimento de concurso publico internacional, cujo caderno de encargos, deverá prever o aumento significativo de actividade (em consonância com o alargamento da área de influência), aumento de especialidades (oncologia médica, infecciologia e pedopsiquiatria) e mais camas. Um reforço/alargamento aliciante do negócio da PPP em perspectiva, portanto.link 
O compromisso político deste governo, relativamente ao HC (até 2020), é a elaboração de um caderno de encargos que corresponda às actuais necessidades, lançamento de concurso público internacional, avaliação de propostas e selecção de adjudicatário. Caso nenhuma das propostas cumpra o interesse do estado (alinhamento de propostas com o caderno de encargos) haverá lugar à integração do HC na rede pública empresarial. 
Vamos acompanhar este processo com o máximo interesse.
Clara Gomes

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segunda-feira, julho 9

SNS, ameaça ruir

O ministro da Saúde garantiu ontem que o plano em curso de contratação de profissionais de saúde vai garantir o funcionamento dos serviços que serão abrangidos pela aplicação das 35 horas semanais a partir de domingo
Jornal Público, 30.06.2018

Apesar da garantia de Adalberto Campos Fernandes, os hospitais estão e vão continuar a estar em grande dificuldade com a passagem dos profissionais em CIT (não médicos), ao regime de 35 horas. Ainda na véspera desta notícia me cruzei com um diretor de serviço atarefado, procurando libertar 20% das camas por não ter enfermeiros em número suficiente para garantir cuidados aos doentes. Foram as ordens recebidas do conselho de administração face à redução de horários daqueles profissionais. Em tom de desabafo dizia, nuns dias pedem-nos que aumentemos a produção adicional para reduzir a lista de espera, no outro mandam-nos fechar camas ….
Por incompetência do ministério da saúde, das administrações e do clima de permanente instabilidade laboral, o SNS ameaça mesmo ruir. Face ao descalabro, há quem esfregue as mãos de contente e há mesmo os sacristas que tudo tendo feito para o desacreditar pedem hoje responsabilidades pela situação a que chegou.
Tavisto

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quinta-feira, junho 28

Oportunidade desperdiçada ?

João Galamba, em entrevista ao JP (28.06.18) link  acusa os partidos à esquerda de tentarem encontrar linhas de divergência com o PS, porque precisam dessas linhas para se apresentarem de forma autónoma às eleições. 
E dá como exemplo a recente apresentação da proposta de lei de bases da Saúde do BE que devia aguardar a proposta do PS com debate agendado para Setembro. link 
Sobre esta matéria, Mariana Mortágua, depois de considerar o PSD e CDS fora de jogo e o PS pouco digno de confiança, mais não seja pela sua responsabilidade histórica na criação das PPP link (efectivamente, o grande salto proporcionado ao sector privado que lhe permite competir hoje em condições de vantagem com o Estado na prestação de cuidados hospitalares: Clientela e financiamento do estado garantidos por dez anos. Qual o negócio que usufrui de semelhantes condições e garantias?), deixa o recado ao PS: «cometerá um (grande) erro se desperdiçar esta possibilidade, adiando a discussão da Lei de Bases para fora desta legislatura no desejo de uma outra relação de forças, que o liberte de fazer os compromissos de que o SNS precisa.» 
Para o pai das PPP, António Correia de Campos, «hoje está tudo mais embrulhado. Se queremos construir os novos hospitais de Lisboa, Seixal, Évora e Algarve, só lá iremos com PPP … e, se não criarmos uma forma de pagar ao pessoal por desempenho não alcançaremos a desejada exclusividade, nivelaremos por baixo e promoveremos a saída dos melhores para o privado; se não responsabilizarmos as gestões premiando as boas e expulsando as más, gastaremos muito mais que o necessário. Estas são medidas de fundo, difíceis mas necessárias. O pretexto de lei nova não as pode adiar.» link 
Ou seja, o debate vai lindo mas isto não vai lá sem as tão necessárias medidas de fundo. Tão conhecidas e necessárias como no tempo em que Correia de Campos foi ministro. 
 Moral da história: Quanto a compromissos da saúde, ou me engano muito, ou o PS prepara-se, mais uma vez, para borregar. 
Quem agradece a vivacidade do debate é o actual ministro Adalberto Campos Fernandes. Enquanto o debate avança e o entusiasmo aumenta folgam-lhe as costas.

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terça-feira, junho 26

É urgente tratar o SNS

O Sistema Nacional de Saúde está em declínio. O diagnóstico é do seu criador - António Arnaut - que com João Semedo assinou a proposta para uma Nova Lei de Bases da Saúde. 
A degradação do serviço público de saúde não começou em 2015 por iniciativa deste Governo. PSD e CDS votaram contra a criação do SNS em 1979. Com Cavaco Silva estraçalharam a Lei de Bases da Saúde em 1990, quando tornam expressa a sua intenção de desenvolver um sistema privado paralelo, em concorrência mas dependência financeira do público. E pela mão de Passos e Portas cortaram 15% do orçamento da Saúde. A campanha que agora lançam contra o SNS, arrasando a sua - ainda assinalável - qualidade é tão oportunista como é hipócrita a súbita preocupação com serviço público. 
Se queremos discutir como a nova Lei de Bases pode salvar o SNS, então PSD e CDS estão fora de jogo. Este não é o seu campeonato. 
Dizer que o Governo não é o responsável pelo estado do SNS significa reconhecer que houve recuperação dos cortes da Direita, mas só isso. O PS tem as suas responsabilidades históricas - como as PPP - e este Governo não inverteu os problemas crónicos do SNS: a suborçamentação, a obsolescência e insuficiência dos equipamentos substituídos por contratações privadas, ou a fuga de profissionais. 
O SNS luta para dar resposta às enormes responsabilidades que lhe foram atribuídas. No entanto, sem financiamento e uma lei que o proteja, continuará a canalizar 40% do seu orçamento para os privados, e definhará. Nesse dia o negócio terá ganho, e o direito constitucional que tanto acarinhamos e com que contamos nos momentos difíceis - o acesso de todas as pessoas a cuidados de saúde - deixará de existir.
 Não há pequenos remédios. Precisamos de uma lei que assuma que não é possível ter um SNS forte, gratuito e universal em concorrência com o negócio da saúde. A proposta de Arnaut e Semedo, apresentada pelo Bloco, é clara nessa escolha, a de Maria de Belém, pelo Governo, não tanto. 
O Governo tem nas mãos a possibilidade de negociar e aprovar uma lei histórica para salvar o SNS. E de o fazer com uma maioria parlamentar de Esquerda que tem orgulho e leva muito a sério o direito Constitucional a um SNS geral e universal. O PS cometerá um erro se desperdiçar esta possibilidade, adiando a discussão da Lei de Bases para fora desta legislatura no desejo de uma outra relação de forças, que o liberte de fazer os compromissos de que o SNS precisa. 
Mariana Mortágua, JN 26.06.18 link 
A discussão pública da Lei de Bases da Saúde decorre até ao dia 19 de julho.  link 
O documento apresentado pela comissão presidida por Maria de Belém é o que se esperava, mantendo escancarada a porta ao desenvolvimento do sector privado à custa dos dinheiros públicos. Cerca de 3.700 milhões de euros são transferidos do SNS todos os anos para os privados. 
É essencial que a nova Lei de Bases da Saúde consagre de forma clara a separação de sectores público e privado e que o financiamento público seja dirigido, essencialmente, ao SNS.

sábado, junho 16

O senhor que se segue ...

Falou da morbilidade múltipla, de uma governação moderna, da reforma dos cuidados primários, o que falta mudar para transformar o SNS ? 
O capital humano. Se o SNS não começar a curto prazo a criar um corpo profissional próprio, dedicado, exclusivo, não conseguirá ter uma gestão capaz, não conseguirá o que estamos a falar, a tal transformação. O que faz o setor privado? Vai buscar ao SNS os mais qualificados, oferece melhores ordenados, coloca-os a chefiar serviços e em tempo completo e exclusivo. Não há nenhuma empresa inteligente que partilhe os principais ativos com o vizinho. Só o SNS é que ainda não descobriu isso. À volta deste corpo exclusivo poderemos ter um outro grupo profissional em tempo parcial. Será preciso ter um corpo exclusivo a 100%? Não. Podemos atingir, progressivamente, num tempo razoável os 50% ou 60% dos profissionais mais qualificados. Mas há, desde logo, que avisar que na nossa tradição, quando se fala em exclusividade, parece que é um castigo, e não pode ser. É preciso atrair e reter pessoas para o SNS doutra forma. 
Constantino Sakellarides, DN 09.06.18 link
Depois de ler mais esta entrevista de Sakellarides é caso para perguntar: O que tem andado o ministro da saúde a fazer?
Entalado entre greves e o Centeno; sem preparação, talento e alento; a dormir na forma; incapaz de levar a cabo o plano de reformas que o SNS precisa urgentemente.
Clara Gomes

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domingo, junho 10

10 junho 2018

Marcelo a banhos nos Açores. link  Quando não há tragédias a visitar, o PR trata do programa para se mostrar. 
António Costa, prefere demonstrar confiança nos acordos do OE 2019. link 
Adalberto Campos Fernandes, à deriva, acossado por greves, sem discurso nem chama (um palrador sem pio é o cúmulo da tragédia). 
SNS, as habituais notícias sobre as dificuldades crescentes: “Mais de um ano de espera por primeira consulta em pelo menos 20 hospitais”. link 
Neste deserto de lugares comuns e cumprimento de protocolo  damos a palavra a quem tem ainda alguma coisa para nos dizer. 
...
O que achou quando ouviu o ministro das Finanças dizer que provavelmente há “má gestão” na Saúde? 
São afirmações ligeiras. Falar em má gestão é uma banalidade. O principal problema da gestão é não haver gestão nenhuma. Está toda centralizada no ministério das Finanças e no da Saúde. Um hospital ou um centro de Saúde não gere nada. Recentemente perguntaram-me se a Oncologia Pediátrica do Hospital de São João não devia ser uma prioridade. Claro que sim, mas não se pode resolver o problema localmente. Quando se corta cegamente, por imperativo da Troika ou outro, há que centralizar. Mas agora, no momento em que estamos a repor, não pode ser assim. Num serviço tão complexo e sensível como o SNS, a gestão tem de ser feita perto das pessoas e isso desapareceu. A menos que fosse à excessiva centralização que o ministro da Finanças se referia quando falou em má gestão. Se não era isso, foi apenas ruído. 
O ministro da Saúde já disse que a reposição dos recursos do SNS ao nível anterior à crise é coisa para duas legislaturas. 
A questão não é essa. Devido aos cortes todos que houve, concordo que a reposição irá durar mais de uma legislatura. Mas não se deve fazê-la sem transformação. Ou então iremos repor o mesmo sistema disfuncional. Não queremos mais médicos ou mais enfermeiros para o sistema tal como ele era em 2010. Precisamos é de uma estratégia orçamental a pensar no sistema que devemos ter em 2020 ou 2025. 
Entrevista de Constantino Sakellarides, Visão 27.05.18 link

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sábado, junho 9

É nisto que dá ...

Private hospitals’ business model is archaic, unsafe and indefensible 
Jeremy Hunt’s call for private hospital companies to improve their safety and quality standards after a damning report on the sector by the regulator marks a long overdue– though still tacit– acknowledgment that the private sector’s business model is based on an archaic and dangerous concept of medical practice. Usually in private hospitals an independent surgeon operates alone and is off-site and not available for post-operative care as soon as their patient is back on the ward. If anything goes wrong, the nearest NHS hospital is an ambulance dash away. This model poses distinct risks to patients. 
This is increasingly concerning as a growing share of all NHS-funded surgery (almost 600,000 hip and knee replacements a year) is now carried out in private hospitals – NHS patients now account for roughly half of all their admissions. 
Hunt’s action was not in fact prompted by the Care Quality Commission’s recent report, but by a letter sent to him by a coroner in Manchester, to which the health secretary was obliged to reply by 15 May. In the letter, which the coroner also sent to the Centre for Health and the Public Interest, he called for action following the death of Peter O’Donnell, who died in an NHS hospital from complications following a routine hip replacement at a private hospital. O’Donnell’s deteriorating condition was not noted early enough, due to inadequate monitoring; and a single junior resident medical officer, provided and appraised by an outside agency and working literally 24/7, was in sole charge, says the coroner. 
Further, there was no formal protocol governing communication with the surgeon requiring him to come back to see his patient if his condition deteriorated; and there was no agreed protocol for transferring an unwell patient to the nearest NHS hospital. To make matters worse, two nurses were found to have altered O’Donnell’s case notes after he was transferred, the coroner revealed. ...
Guardian 09.05.18 link 
É nisto que dá a destruição da rede de referenciação de cuidados. A implementação da propalada livre escolha dos utentes. Os voucher de cirurgia, dirigidos a unidades privadas. E outras sofisticações quejandas, concebidas com o único propósito de baralhar a responsabilidade do estado na defesa da universalidade e qualidade dos cuidados de saúde.

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domingo, junho 3

O teste da Lei de Bases

Quando os deputados votarem a lei que vier substituir a actual Lei de Bases da Saúde, a expectativa é de que venha a representar um instrumento jurídico que contribua para que a política de saúde e a organização do Serviço Nacional de Saúde estejam alinhados, sejam o contrato social que no sector responda aos défices que se foram acumulando e clarifique o papel dos vários actores com interesses nos cuidados de saúde. E de uma vez por todas considerar-se que cabe à organização, financiamento e gestão serem instrumentais relativamente à saúde, e não o contrário, como tem vindo a acontecer.
São várias as disposições que contribuíram para a criação do conceito de sistema de saúde, aquelas que formalmente têm respaldado o desenvolvimento de ambiguidades e cavalgamentos nas relações entre o sector público e o sector privado, e que foram responsáveis pela transferência, em 2015 (Conta Satélite da Saúde), de 38% do orçamento do SNS, à volta de quatro mil milhões de euros, para as empresas produtoras de cuidados de saúde. O teste à aprovação de uma lei que vinque as fronteiras entre os vários interesses estará na eliminação de formulações como “O Estado apoia o desenvolvimento do sector privado (...) em concorrência com o sector público”, “Facilitação da mobilidade do pessoal do Serviço Nacional de Saúde que deseje trabalhar no sector privado”, “A hospitalização privada, em especial, actua em articulação com o Serviço Nacional de Saúde”, “A gestão das unidades de saúde deve obedecer, na medida do possível, a regras de gestão empresarial”, “Pode ser autorizada a entrega, através de contratos de gestão, de hospitais ou centros de saúde do Serviço Nacional de Saúde a outras entidades ou, em regime de convenção, a grupos de médicos”, “A lei pode prever a criação de unidades de saúde com a natureza de sociedades anónimas de capitais públicos”.
Embora nove das dez disposições da Base II da lei de 1990, sobre a política de saúde, se mantenham actuais, desde logo a que se refere à promoção da saúde e à prevenção da doença como fazendo “parte das prioridades no planeamento das actividades do Estado”, acabaram, nos 28 anos que leva da sua existência, por não terem passado de boas intenções que nunca encontraram suportes institucionais, comunitários e as parcerias indispensáveis que as concretizassem. É por isso que, estando na ordem do dia o dossier da descentralização, ela deve ser aproveitada para promover a reunião, a organização e a convergência dos actores públicos que localmente estejam em melhores condições para as concretizar.
É verdade que uma boa Lei de Bases da Saúde não faz a Primavera da política de saúde do país, mas passa a representar um quadro de referência a partir do qual se podem construir boas soluções. Tudo para contrariar o pessimismo justificado de Slavoj Zizek (A coragem do desespero): “A esquerda existente é bem conhecida pela sua assombrosa habilidade de nunca perder uma oportunidade de perder uma oportunidade.” Os deputados do PS, BE, PCP e PEV, os mesmos que no Parlamento têm conduzido e cumprido exemplarmente a letra dos acordos de 10 de Novembro de 2015, têm, neste caso, uma oportunidade única para cumprirem também o seu espírito. Porque a política, como a natureza, tem horror ao vazio.
Cipriano Justo

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segunda-feira, maio 28

SNS, transformar o modelo actual

Um dos argumentos foi o de o Governo gastar 120 milhões de euros ao ano com empresas de trabalho temporário, em vez de abrir a tempo concursos de especialidade.
Sim, os concursos têm sido sistematicamente atrasados. Mas a questão de fundo é que o SNS não sobreviverá se não tiver um corpo profissional dedicado a tempo inteiro. Não têm de ser todos. Convém até que haja uma margem flexível, um corpo de 50 ou 60% de pessoas só da casa. Nenhuma empresa inteligente partilha os seus recursos fundamentais, o capital humano.
.......

Em entrevista à Visão, num registo curto, mas de valioso conteúdo para o relançamento do Serviço Nacional de Saúde, Constantino Sakellarides deixa ideias mestras para esse objectivo que me atrevo a resumir:
- É preciso mais financiamento, há folga orçamental cumprindo o défice de 1,1% acordado para 2018, mas o dinheiro tem de ser aplicado com critério numa perspectiva transformadora do modelo actual.
Não poderia estar mais de acordo ... 

Tavisto

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segunda-feira, maio 14

Impasse

Cumpriram-se mais três dias de greve dos médicos (08, 09 e 10 de Maio). 
Segundo os sindicatos, a adesão esteve próximo dos 100% (3.º dia).link A mim pareceu-me chocha. Senão vejamos. 
Ao segundo dia de greve os sindicatos médicos queixavam-se da insensibilidade dos governantes (Adalberto, Centeno e Costa): «Mas contrapondo a este enorme descontentamento dos médicos perante a situação atual da Saúde, assiste-se à inqualificável insensibilidade do Ministro da Saúde, do Ministro das Finanças e do Primeiro-Ministro que não aceitam as múltiplas propostas sindicais para negociar.» link
Ao terceiro dia os sindicatos exigiam «o início imediato do processo negocial, com presença dos Ministros da Saúde e das Finanças, demonstrando-lhe que não se aumentam os gastos, antes pelo contrário. Pondo fim à insensibilidade política para a resolução dos problemas dos utentes e dos médicos.» link 
Uma saída fraca após três dias de luta. 
Os Sindicatos parecem ter perdido discernimento. Os tempos são outros. O mundo já não vai acabar, nem o governo estremece quando os senhores doutores decidem fazer greve. Por outro lado, o caderno reivindicativo, tão extenso e recheado, não ajuda nada:  “Cada vez há mais motivos para protestar. Têm todos os motivos e mais alguns, tanto que é difícil eleger os principais” (bastonário da OM). link
Sem prioridades claras, molhos de reivindicações dispendiosas, os sindicatos correm o risco de serem tomados por glutões  à vista da maioria dos cidadãos portugueses. 
Falta de talento em conduzir a luta, do lado dos sindicatos; insensibilidade (?) ou conhecimento das fragilidades do adversário, do lado do governo, fazem com que este estado de coisas ameace prolongar-se sine dia, em prejuízo dos utentes mais pobres que não têm cartão de acesso aos cuidados do privado. 
 Nota: O SNS deixou de preencher as expectativas dos seus profissionais. Definitivamente. E, assim, perdeu-se o amor à camisola. A Saúde transformada em negócio, acessível só para alguns, está aí. Por culpa de todos nós.

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domingo, maio 6

Saúde, negócio de milhões

A reunião realizou-se num restaurante de frutos do mar moderadamente caro em Sarasota, Flórida, com toalhas de mesa de linho e grandes janelas com vista para a baía. O sol ainda estava alto. Barcos a motor reluzentes ladeavam as docas e uma brisa morna ondulava a água. De um lado da mesa estavam Burlakoff e Tracy Krane, uma representante de vendas do laboratório Insys. Krane era uma novata na indústria, alta com cabelos castanhos escuros apanhados num carrapito. Burlakoff, então com 38 anos, era seu novo chefe com largos anos de experiência no mercado de opióides. Os colegas maravilhavam-se com a sua ousadia para realizar vendas e o seu irresistível carisma. Até mesmo as pessoas que não confiavam nele não podiam deixar de gostar dele. 
Do outro lado da mesa, Chun, 49 anos médico com excelentes credenciais: treinado na Universidade de Washington, no Cornell Medical College e no Memorial Sloan Kettering Cancer Center. Havia-se casado na Igreja Presbiteriana da Quinta Avenida, em Manhattan, com uma violinista treinada na Juilliard, filha de um ex-chefe executivo da Korean Air. Divorciado recentemente, a convite de Burlakoff, trouxera a namorada, uma jovem de vinte e poucos anos, para jantar. Para o laboratório Insys, Chun era o tipo certo de médico a conquistar. 
No final dos anos 90, as vendas de opiáceos prescritos registaram uma subida rápida. Mas, em 2012, o crescente escrutínio regulatório e a mudança da opinião médica estavam diminuindo o número de prescritores de opióides. Chun era um dos defensores, um verdadeiro crente do tratamento da dor com narcóticos. Em 2015, 95% dos pacientes do Medicare que ele assistira tinham pelo menos um tratamento de opióide prescrito. Chun também era um dos principais prescritores de uma pequena classe de analgésicos cujo principio ativo é o fentanil, que é 50 a 100 vezes mais potente que a morfina. O produto de Burlakoff era uma nova entrada desta classe. Numa “lista de alvos”, com origem em dados da indústria que circulavam internamente na Insys, Chun ocupava o terceiro lugar. A palavra certa dentro da empresa para um médico como Chun era “baleia”. 
Depois de breve referência às virtudes do novo medicamento, Burlakoff, finalmente, revelou o verdadeiro propósito do jantar. Ele tinha uma proposta a fazer. A Insys queria assinar com Chun um programa de palestras da empresa, que decidira dar início. 
Nos USA, os programas de palestrantes são ferramentas de marketing amplamente utilizadas no setor farmacêutico. Os fabricantes de medicamentos recrutam médicos para fazer palestras pagas sobre os benefícios de um produto para outros potenciais prescritores, em sessões realizadas em clínicas ou num jantar numa área reservada de um restaurante. O programa de palestrantes proposto a Chun , mais ambicioso, revelou-se na prática um esquema eficaz de pagamento de prémios aos maiores promotores do negócio. Burlakoff deixou o jantar de bom humor, confiante que Chun aceitaria a sua proposta. Efectivamente, o médico tornou-se palestrante do Insys no final daquele ano, e as vendas melhoraram, não só no escritório da Chun na Flórida, mas também em todo o país, à medida que mais médicos aderiam ao programa. No ano seguinte, segundo a empresa, a receita líquida das vendas da Subsys aumentaria em mais de 1.000%, para US $ 95,7 milhões. ... 
O consumo de opiáceos, tornou-se a epidemia de drogas mais mortal da história americana, tendo evoluído significativamente ao longo das últimas duas décadas. O que começou como um aumento acentuado nas overdoses de prescrição foi eclipsado por um aumento assustador nas mortes causadas principalmente por opiáceos sintéticos e heroína sintéticos fabricados ilicitamente, com um total de mortes por opiáceos de 42.249 em 2016 (33.091 em 2015). Os medicamentos controlados e o programas de marketing que alimentam as suas vendas continuam a ser a contribuição maior para esta crise. A heroína foi responsável por aproximadamente 15.000 mortes por opióides em 2016, por exemplo. Até quatro de cada cinco usuários de heroína começaram a consumir opióides prescritos. 
NYTimes, “ The Pain Hustlers" link 
Merece a pena ler todo o trabalho. Quando no nosso país decorre o debate sobre a Lei de Bases da Saúde, onde parece haver, cada vez mais, interessados em transformar o SNS num negócio de muitos milhões, liderado por um pequeno núcleo de empresas na maioria internacionais. E, onde corremos o risco de assistir a uma viragem de costas do PS a António Arnaut para firmar um pacto de regime com os parceiros de bloco central PSD/CDS. A história recente do PS já demonstrou tratar-se de um partido capaz do melhor e do pior.

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domingo, abril 29

O debate está na rua

Como qualquer mortal, o senhor Barreto tem direito á asneira e a simplificar o que é complexo. Na sua crónica domingueira, meteu-se desta vez pelo estreito caminho de divagar sobre o SNS. link 
Argumentando com um conjunto de indicadores, habitantes/médico, remunerações dos médicos, despesa per capita, % do PIB na saúde, volume de consultas, volume de urgências, e por aí fora, concluindo que "Sem a estupidez do fanatismo político, a saúde e o Serviço Nacional de Saúde poderiam ser a mais formidável realização da democracia portuguesa". Portanto, o grande obstáculo ao acumulado no sector da saúde seria o fanatismo de uns quantos extremistas que andam a activar incêndios por tudo quanto é hospital e centro de saúde, e exaltar a consciência dos portugueses. .Não é a sistemática ausência de política de saúde, não é o histórico subfinanciamento, não é a promiscuidade entre o público e o privado, não é o comando central das instituições de saúde, não a insistência no modelo biomédico (não se confunda com biomedicina), não é a completa ausência de participação das comunidades. 
Na sua qualidade de sociólogo, o senhor Barreto tinha a obrigação de saber que antes de ser um sistema de prestação de cuidados de saúde, o SNS é e será sempre um assunto político, de tal maneira que levou à queda de um governo quando a designada lei Arnaut foi aprovada na AR. Que em 1990, onze anos depois, foi substituída pela actual Lei de Bases da Saúde para abrir as portas à situação que actualmente vivemos, cujos principais beneficiários são os grandes empresários do sector. É essa a razão por que a discussão, não estando incendiada, será sempre dura e convicta. 
Há os que não queriam ouvir falar, sequer, da revisão da actual lei, há os que aspiram a que o SNS se transforme numa grande ADSE, há os querem jogar em todos os tabuleiros, há os que tanto lhes faz, mas há também, e serão a maioria, os que têm a expectativa de que a Lei de Bases que vier a ser aprovada na AR desate os principais nós que estão a impedir que o SNS cumpra integralmente a missão para que foi criado. É por essa razão que, pela primeira vez, o debate sobre o rumo da política de saúde está na rua. Que está a ser discutido tanto na universidade como no Órfeão do Porto, no auditório do Montepio como hospital de S. Teotónio, na Cantina Velha como em Beja, nas redes sociais como nos jornais. Desta vez não será como foi em 1990. 
Cipriano Justo

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domingo, abril 22

De mal a pior...

Constantino Sakellarides, antigo professor da Escola Nacional de Saúde Pública e perito em políticas do sector, entregou esta quinta-feira uma carta de demissão a Adalberto Campos Fernandes. Divergências de pensamento motivaram a saída do consultor do ministro, que há dois anos coordenava um projeto de modernização do SNS
Chegou ao fim a colaboração entre o reconhecido especialista em políticas de Saúde Constantino Sakellarides e o ministro com a pasta, Adalberto Campos Fernandes. O professor catedrático jubilado da Escola Nacional de Saúde Pública liderava há dois anos um processo para modernizar os cuidados assistenciais e saiu por divergências com a governação.
"Demiti-me esta sexta-feira. Enviei a carta ontem ao ministro. Acordos e desacordos são naturais na vida. O ministro não ficou surpreendido e eu também não", disse ao Expresso na manhã desta sexta-feira. Constantino Sakellarides não quis revelar as razões concretas do seu afastamento, justificando que "não estaria a ser decente ao comentar". Ainda assim, explica que "o processo foi evoluindo e que foram surgindo limitações", tornando-se "difícil fazer coisas com utilidade" como era seu objetivo.
Nos últimos dois anos, Sakellarides coordenou a iniciativa SNS Saúde + Proximidade, um processo para modernizar a oferta pública de cuidados à população garantindo o acesso à assistência adequada e no momento certo. A integração de todos os níveis de cuidados, por exemplo entre o domicílio, o centro de saúde e o hospital; e o desenvolvimento da literacia em Saúde eram algumas das metas principais.
Ao Expresso, o especialista em saúde pública garantiu que o trabalho da equipa que liderou tem pernas para continuar a andar: "O projeto tem todas as condições para continuar, pois não o abandonaria se assim não fosse." Sakellarides reconhece que o ministro da Saúde tem um trabalho muito complicado pela frente. "A tarefa é terrível e tenho um enorme respeito por quem quer ser ministro, mas há coisas que não são confortáveis, e não vou voltar atrás na demissão.".
Expresso 20.04.18 link
Se os sinais são evidentes que as coisas vão de mal a pior, António Costa e Rui Rio parecem estar de acordo que o futuro joga-se na revisão de bases da Saúde. Maria de Belém, sempre oportuna, quer negociar com o PSD (tudo menos o Bloco). link
Assim sendo, já se sabia, temos a Saúde entregue aos bichos. 
Cumpre-nos cumprir a liturgia em mais um 25 de abril.

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Esperanças Mil

Uma nova Lei de Bases da Saúde em linha com a lei do SNS
Não permitiremos que a saúde deixe de ser um direito para se converter e degenerar num grande negócio.
O Serviço Nacional de Saúde (SNS) vive uma crise indisfarçável. Julgamos mesmo que, em rigor, pode dizer-se que há muito que esses limites foram ultrapassados, sobrevivendo o SNS à custa da entrega abnegada dos profissionais de saúde aos seus doentes e serviços.
O SNS está em regressão e declínio. Nos últimos anos, tem sido vítima de um arrastado processo de degradação e degenerescência: degradação do seu funcionamento e da resposta às necessidades dos seus utentes, degenerescência dos seus princípios fundadores.
Se nada for feito para suster e inverter esta curva descendente, o SNS deixará de ter condições para continuar a ser o garante do direito à saúde e, onde hoje temos um direito reconhecido e consagrado, passaremos a ter apenas negócio e nada mais do que negócio. Não permitiremos que a saúde deixe de ser um direito para se converter e degenerar num grande negócio.
O colapso do SNS seria uma tragédia para a nossa democracia social, não apenas e desde logo porque impediria o acesso de muitos portugueses aos cuidados de saúde de que necessitam, frustrando o seu direito constitucional à protecção da saúde mas, também, porque se saldaria no agravamento das desigualdades sociais.
Surpreende por isso e causa-nos profunda inquietação a atitude facilitista e despreocupada e, até, algum tom desculpabilizante, por vezes muito próximo do auto-elogio, dos responsáveis pela política de saúde.
Não se resolvem os grandes problemas do SNS resolvendo os seus pequenos problemas. Problemas políticos desta dimensão exigem respostas políticas à altura e não apenas medidas pontuais e descontínuas, por muito acertadas que sejam tecnicamente.
Os grandes problemas do SNS estão há muito identificados e não faltam soluções. Sabemos como chegámos a esta situação, mas é evidente que falta vontade e determinação políticas para romper com o passado e mudar aquilo que é indispensável mudar. Ou a democracia acaba com o assalto dos grupos privados ao SNS ou estes vão concluir o que puseram em marcha há 30 anos: o desmantelamento do SNS. Não há mais qualquer outra alternativa.
Por isso apresentámos recentemente a proposta de uma nova Lei de Bases da Saúde. Da actual já nada há a esperar, a direita fez dela a sua plataforma para assaltar o SNS – a livre concorrência entre público e privado, a privatização da prestação de cuidados e da gestão dos hospitais públicos, o subfinanciamento, o fim das carreiras profissionais, a precariedade e a desregulação laborais, o desvio de profissionais e de outros recursos, os hospitais-empresas, as PPP, a desvalorização da saúde pública, a secundarização da promoção da saúde e da prevenção da doença, a gestão centralizada e a incapacidade de reformar e modernizar o SNS. É isto que a direita tem para oferecer ao SNS.
Por isso é tão importante aprovar uma nova Lei de Bases da Saúde. Sabemos que não basta mudar a lei, muitas outras mudanças são indispensáveis mas, sem mudar a lei de bases, não conseguiremos interromper, travar e inverter o declínio do SNS.
A grande e principal motivação política desta proposta é fazer regressar o SNS aos seus valores e princípios fundadores e constitucionais, a saber: direito à saúde para todos e assegurado pelo Estado através do Serviço Nacional de Saúde. Um SNS universal, geral e gratuito, de gestão integralmente pública, cuja prestação de cuidados obedeça a padrões de qualidade e humanidade e que se relacione com as iniciativas privadas e sociais na base da complementaridade e não da concorrência.
Em resumo, o que pretendemos é uma Lei de Bases da Saúde em linha com a lei do SNS, a lei de 1979.
Sem o 25 de Abril não teríamos criado o SNS e sem a democracia não o teríamos feito crescer. O SNS, como filho primogénito que é da Revolução de Abril, merece de todos e de cada um e cada uma de nós, a maior exigência na sua defesa. Nos dias de hoje, esse é o maior desafio que se apresenta a todas as forças de esquerda: todos juntos, salvarmos o SNS. É o apelo que queremos partilhar convosco e que vos convidamos a abraçar, com a força de Abril.
Texto a apresentar no jantar “Em Abril, Esperanças Mil”, Lisboa, Cantina Velha da Universidade de Lisboa, 20 de Abril de 2018
João Semedo  e António Arnault, JP 20.04.18


domingo, abril 15

Emigração vai continuar

«Not every country can reward graduates equally, so medical professionals leave. Freedom of movement is one of the cornerstones of the European Union. When it comes to providing health care in the bloc’s poorest countries, it’s also a problem. More doctors and nurses move from one country to another than any other highly regulated profession in the EU, and the flows often go from East to West, from poorer EU countries to richer ones. "A Político", analysis of European Commission data found the exodus of health care professionals is especially pronounced from Eastern and Southern Europe. In effect, these countries are training doctors for their richer neighbors. 
Take Ingmar Lindström, who graduated from the University of Tartu’s medical school in Estonia in 2001. All he had to do to quadruple his salary was move 200 kilometers. 
He was making about €600 a month as a doctor in Estonia, doing family medicine work and studying for his Ph.D. He enjoyed his job and liked the place where he lived. “But it didn’t pay all the bills,” he said. “That’s the main reason I thought I might go to Finland.” 
Just across the gulf, young doctors made €2,000 or €3,000 per month — four to five times what they could make in Estonia — and a shortage of Finnish doctors made it easy to find a job. “A few years after I graduated, 30 to 40 percent of each graduating class was moving,” Lindström said. 
Educating doctors is a long and expensive process, but not every country can reward its graduates equally. Health spending per capita varies drastically in EU countries, from €816 per year in Romania to more than €4,000 in Luxembourg, Germany and other Western European countries. And so doctors and nurses follow the money.» 
By Ginger Hervey 9.27.17 
Um artigo que merece ser lido e “digerido” na íntegra em: link 
Entre 1997 e 2016, a grande emigração do País verificou-se nos Enfermeiros sendo a dos Médicos pouco expressiva. No futuro, como consequência da pletora de médicos indiferenciados que se anuncia, a manterem-se as condições de trabalho e salariais praticadas entre nós e as actuais regras de mobilidade na EU, a saída deste grupo profissional será seguramente mais expressiva. 
Tavisto 
Nota: Ultrapassada a grande crise (desemprego) a emigração dependerá mais do planeamento eficiente (n.º licenciados formados anualmente pelas faculdades), atracão por melhores salários e, essencialmente, da oferta de melhores condições de trabalho. 
O tão falado amor à camisola tem muito que se diga. E, normalmente, depende mais das condições oferecidas aos profissionais da Saúde do que das remunerações (dinheiro). Acontece que o Serviço Público, neste ponto, deixou de ser atractivo. Fruto do desinvestimento de anos sucessivos, e da incompetência dos nossos gestores e políticos. 
Metade dos jovens médicos admite emigrar quando já for especialista link Vem aí uma vaga de emigração de jovens médicos? link 14 mil enfermeiros saíram de Portugal desde 2010. link Emigram mais enfermeiros do que aqueles que as escolas formam link

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sábado, abril 14

Queiroz e Melo

‘Recebi ameaças de morte. Diziam que era ladrão de corações’ João Queiroz e Melo liderou o primeiro transplante cardíaco no país, em 1986. Hoje, reformado, tem uma empresa de reprocessamento de dispositivos médicos e diz que o futuro passa por hospitais mais ‘verdes’, o que podia poupar milhões. E está a recuperar os Caminhos de Santiago: aos 73 anos, tem palmilhado centenas de quilómetros. Recebeu hoje o Prémio Nacional de Saúde. 
…………………………………… 
É difícil compatibilizar estar nos dois lados? 
Eu entendo que se deve trabalhar com profissionalismo e sempre tentei trabalhar só num sítio, que acho que é a única forma de trabalhar com grande eficiência. Não compreendo como é que é possível, em Portugal, o normal ser trabalhar para um hospital e para a competição ao mesmo tempo, é uma contradição filosófica. Se um engenheiro trabalhar ao mesmo tempo para duas ou três companhias de telemóveis, ninguém o iria aceitar. Em Portugal, na Saúde, aceita-se isto com a maior naturalidade, é uma rotina. Como noutros países aliás, não os mais desenvolvidos. 
 O Governo devia ir por aí, pela separação entre público e privado? 
Acho que está entre uma série de tabus consignados pelo SNS, entre os quais a ideia de que somos todos iguais, os que trabalham e os que não trabalham, os que se dedicam e os que não se dedicam. Quando se quer gerir em condições de igualdade 200 ou 300 mil funcionários, é de facto impossível. Uma vez disse a um ministro da Saúde, um homem muito competente, que não era assim tão competente: tem as melhores fábricas, os melhores funcionários mas deixa-os ir trabalhar ao mesmo tempo para a competição, com as fábricas a custar dinheiro. Todos sabemos que as instalações do SNS não são bem aproveitadas à conta disto, não têm blocos a funcionar a tempo inteiro. Claro que os médicos a trabalhar 35 horas com um salário miserável têm direito a querer ir ganhar dinheiro noutro lado, mas isto algum dia vai ter de ser encarado de frente. E acho que não vai ser quando forem os médicos ou gestores a mandar no sistema, mas quando forem os doentes....
Marta Reis, Jornal I 07.04.2018 link 
Uma entrevista que vale a pena ler. Não porque subscreva todas as opiniões do entrevistado, mas porque há concordâncias que devem ser sublinhadas como é o caso do extrato aqui citado. Tavisto

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domingo, abril 8

Estudo exemplar

Voltei a ler o estudo sobre a mortalidade do 1.º trimestre de 1852 do hospital de S. José, “Memória sobre as Principaes Causas da Mortalidade do Hospital de São José e Meios de as Attenuar”, realizado por António Maria Barbosa, Cirurgião Médico pela Escola Medico- Cirúrgica de Lisboa, Membro da Commissão Medica Consultiva do Hospital N. E R. de S. José, Cirurgião do mesmo hospital. link 
Origem do estudo: «A Estatística medica do hospital de S. José, respectiva ao 1.º trimestre de 1852, confeccionada por uma comissão de seis facultativos da Casa - Drs. José Pereira Mendes, F.M. Polido, J.J. Simas, P.F.C. Alvarenga; J. M. Alves Branco, e A. M. Barbosa - deu a mortalidade de 1:4,2 dos doentes entrados. Este excesso, na proporção dos doentes falecidos, foi devidamente considerado pelo ex.mo Enfermeiro-môr do hospital, que procurou, por conselho da mesma comissão, ser esclarecido pelos diversos facultativos, directores de enfermarias, sobre as causas d´essa enorme mortalidade e meios de as atenuar.» 
Trabalhar os números: « A mortalidade de 1:4,2, que se deu no 1.º trimestre de 1852 no hospital de S. José. É realmente excessiva, sobre tudo se a compararmos com a de outros hospitais da Europa, como, por exemplo, o Hotel-Dieu de Paris, que, apesar da sua posição péssima sobre as margens do Sena e em um bairro populoso da cidade, apresenta comtudo a mortalidade de 1:7, ou pouco mais; e assim mesmo é este um dos hospitais estrangeiros, em que a mortalidade é mais exagerada. É preciso comtudo dezermos, que a época, a que se refere aquella mortalidade do hospital de S. José, é de certo a mais mortífera do anno, e que o foi, não só dentro dos hospitais, mas também fóra na clinica civil, se bem que, como é claro, não em tão extraordinária proporção; e que, consequentemente, a menor mortalidade, que há sempre no 2.º e 3.º trimestre do anno, compensa um pouco a exageração apresentada no 1.º trimestre. Esta verdade não precisava demonstração; entretanto apontámos, como prova exuberante d´ella , a relação de 1:5,78, que teve lugar no 2.º trimestre, a de 1:7,39, que se deu no 3.º, e ade 1:5,72, que houve nos primeiros nove meses do anno, de Janeiro a Setembro, em que é incluído o 1.º trimestre mencionado. 
A verdadeira mortalidade do hospital de S. José, que contámos em relação ao numero dos doentes entrados, não deve pois procurar-se em um trimestre de um anno, mas sim na média de certo numero de anos. 
Procedendo por este modo, e tomando os resultados dos últimos 12 annos, de 1840 a 1851 inclusivamente, que extrahimos dos registos competentes da casa dos assentos do hospital de S. José, achámos, em 141,567 doentes entrados, e 22,288 mortos, a relação de 1:6,35, a qual, deve representar a mortalidade média do hospital de S. José e que é, pouco mais ou menos, a que se dava há 30 annos, ou pouco mais, no Hotel-Dieu de Paris. Entretanto a cifra mencionada é de certo muito prejudicial à humanidade, e sobretudo desfavorável ao hospital, principalmente se a compararmos com a de certos hospitais estrangeiros, como, por exemplo, o de Vienna d´Austria, em que ella +e de 1:12,5, e o de S. Diniz, em França, em que é de 1:14,42.» 
Com este tratamento estatístico conseguiu-se baixar a alarmante taxa de mortalidade de 1:4,2 (23,8%) para decentes 1:6,35 (15,75%). 
Segue-se um levantamento rigoroso das condições de funcionamento desta unidade hospitalar e das medidas a implementar de combate aos principais problemas. Um trabalho que todos os profissionais da Saúde devem conhecer, cuja leitura se recomenda.

domingo, abril 1

Joga, joga


Sobram vagas nos concursos para médicos
Nos centros de saúde, 23 lugares ficaram por ocupar. Nas especialidades hospitalares e na saúde pública foram mais de 100.
Mais de uma centena de vagas nos últimos concursos para a colocação de médicos recém-especialistas no Serviço Nacional de Saúde (SNS) vão ficar por preencher, segundo dados preliminares avançados pelo Ministério da Saúde. Os resultados já conhecidos destes concursos abertos este mês para a contratação de médicos de família, de especialidades hospitalares e de saúde pública que concluíram a sua formação em 2017 (e que desencadearam grande polémica por se terem atrasado vários meses) levaram ontem o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) a sustentar que o Ministério da Saúde se revelou “incapaz de atrair e fixar médicos” no SNS. Os dirigentes do SIM, da Federação Nacional dos Médicos e da Ordem dos Médicos por várias vezes reclamaram a abertura dos concursos, alegando que, face à indefinição, muitos jovens estavam a optar por ir trabalhar para o sector privado ou para o estrangeiro. Os primeiros resultados, adiantados pelo jornal i e confirmados pelo Ministério da Saúde, indicam que ao concurso para a colocação de médicos especialistas em Medicina Geral e Familiar se candidataram 117 profissionais (havia 110 vagas). mas que apenas 87 acabaram por ficar a trabalhar nos lugares disponibilizados nos centros de saúde. Ou seja, 23 vagas ficaram por preencher. Relativamente às áreas hospitalares, candidataram-se 381 profissionais, enquanto na saúde pública concorreram aos lugares disponíveis 19 recém-especialistas. Portanto, houve 400 médicos para um concurso que tinha à partida 503 vagas. Fazendo as contas, serão assim pelo menos 126 (23 nos centros de saúde e 103 nas áreas hospitalares e de saúde pública) os lugares que ficaram por ocupar.
Alexandra Campos - Público 31/03/2018
Uma questão fica sem resposta: Não tivesse havido um atraso de 10 meses na abertura de concursos para recém especialistas, o resultado das colocações no SNS teria sido outro? É possível que sim, embora olhando para o que sucedeu com a Medicina Familiar, em que 23 vagas ficaram por preencher havendo mais candidatos (117) que vagas (110), seja de admitir que as coisas poderiam não ser substancialmente diferentes.
Para se entenderem melhor as razões da aparente falta de atracção do SNS, precisávamos de conhecer as opções dos 325 médicos “perdidos em combate” (725 recém-especialistas hospitalares e de Saúde Pública que terminaram a especialidade e os 400 que se apresentaram a concurso). Terão optado pelo Privado, decidido pela emigração ou não se apresentaram a concurso por saberem não ter possibilidade de ocupar a(s) vaga(s) que lhes interessava?
Não se conhecendo o que está por trás dos números, responder a estas questão seria puro exercício especulativo. Uma coisa, porém, me parece poder dizer-se: face à manifesta necessidade de médicos no SNS, consentir num incompreensível atraso de 10 meses na abertura de concursos para recém-especialistas é politicamente inaceitável. 
Tavisto

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sábado, março 24

PIN da Saúde

Maior hospital privado do país está em risco de fechar
Manuel Agonia, dono dos Hospitais Senhor do Bonfim, garante que o Estado lhe está a dever e diz que, sem o saldar da dívida, não pode pagar os salários aos funcionários, que não recebem desde janeiro.
Observador 21/3/2018

O promotor Manuel Agonia investe 100 milhões de euros num projeto "à escala global". Passos Coelho inaugura complexo hospitalar em dezembro.
Após vários adiamentos e seis anos depois do seu lançamento, o complexo hospitalar Senhor do Bonfim, em Vila do Conde, está concluído e será inaugurado no início de dezembro pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho. Em meados de janeiro entra em operação. É o maior hospital privado do país, envolvendo um investimento de 100 milhões de euros.
O projeto Senhor do Bonfim é da responsabilidade do empresário Manuel Agonia, 77 anos, e foi o único da área da saúde a ser declarado PIN- Potencial Interesse Nacional.
Agonia fundara a rede Clipóvoa (dois hospitais e três ambulatórios) que venderia, em 2006, à Espírito Santo Saúde. Foi o encaixe deste negócio que concedeu músculo ao empresário poveiro para se abalançar um investimento tão elevado no Senhor do Bonfim. Em velocidade cruzeiro, ocupará perto de 850 profissionais, tendo já recebido mais de nove mil candidaturas.
Vocação global
"Será o melhor hospital da Europa em todas as valências. Não valia a pena fazer mais um hospitalzinho", orgulha-se Manuel Agonia que não receia a dimensão do projeto "pela sua vocação global".
O financiamento foi assegurado por capitais próprios. "Não tive ajudas de ninguém, apliquei os capitais que acumulei. Nunca depositei dinheiro no estrangeiro", diz o empresário. Agonia justifica a ousadia do investimento "pelo seu amor à Pátria", comparando o seu espírito empreendedor ao caráter aventureiro dos navegadores portugueses que se lançaram à descoberta de novos mundos.
A capacidade é de 525 camas. O hospital geral, com 113 quartos duplos e 15 individuais, conta com 241 camas e sete salas de bloco operatório. Para se ter uma ideia da dimensão, o maior hospital privado do Norte (o Cuf Porto), conta com 150 camas e o grupo Trofa Saúde, que atua na mesma área de influência do Senhor do Bonfim, tem 404 camas nas quatro unidades que gere. Em número de camas, descontando as parcerias público-privadas, a maior unidade privada é o Hospital da Luz, em Lisboa (231 camas).
A previsão da empresa promotora é que duas mil pessoas frequentem diariamente as instalações, entre doentes internados, consultas e profissionais de saúde.
Geriatria e patologias do foro mental
O complexo hospitalar acolhe oito edifícios autónomos e terá uma vocação no turismo de saúde, em especial nos segmentos de geriatria e psiquiatria. A proximidade ao aeroporto Sá Carneiro é um fator suplementar de atractibilidade. Além de um hospital geral e de um centro neurológico, conta com uma unidade residencial, uma unidade de serviços de ambulatório e até uma capela.
Mas, Manuel Agonia rejeita o conceito de "turismo de saúde", porque os doentes querem "recuperar a saúde, não fazer turismo". E para acentuar que o novo complexo vai disputar os principais mercados europeus, interroga: "Sabe quantos russos estão em lista de espera em São Petersburgo? Ou o tempo de espera por cirurgias em Londres? E qual o preço de uma diária de internamento na Suécia?", Com as viagens tão baratas, a área de influência dos Hospitais Senhor do Bonfim é todo o espaço europeu.
Segundo a sua memória descritiva, a conceção do projeto "teve em conta as prioridades enunciadas pelo Plano nacional de Saúde e no relatório "Health in Portugal da União Europeia". Nesta medida, "será particularmente orientado para as áreas de pediatra e geriatria e para as patologias do foro mental, como Parkinson, Alzheimer, esquizofrenia e bipolaridade".
Na altura da apresentação do PIN, um estudo de viabilidade da EGP- Porto Business School apontavam para uma Taxa Interna de Rentabilidade (TIR) de 21%, alcançando "o ponto crítico de volume de negócios", estimado em 52,5 milhões, no terceiro ano de exploração. Depois, a faturação deve crescer 12% ao ano. A atualização do relatório levou a EGP a subir a TIR para 26% e a ser mais prudente nos níveis de faturação, calculando um Valor Atualizado Líquido (VAL) de 298 milhões de euros.
Se, entretanto, o mundo mudou, a nova realidade não assusta Manuel Agonia. Se fosse hoje, o programa teria a mesma ambição. "Ao longo da minha vida, o mundo já mudou muitas vezes e nunca esperei pelos oásis da vida para tomar decisões. A mudança faz parte do mundo". argumenta o empresário de 77 anos.
Abílio Ferreira – Expresso 21/11/2014
………………….
Em 2014, soprado pelos ventos de então, Manuel Agonia proclamava ir dobrar o Bojador com o maior hospitalar privado do País. Qual Orson Wells, anunciava uma invasão de Russos, temperada por Ingleses e Suecos, na demanda da excelência da medicina privada Lusa.
Afinal PIN! Sem o apoio político do governo de Passos Coelho o PIN atribuído pelo estudo de viabilidade da EGP- Porto Business School virou flop. Atormentado, o empresário procura hoje salvação nos dinheiros públicos. 
Será que para além da Banca iremos ter de resgatar os negócios privados da Saúde! 
Tavisto
Nota: A trapalhada envolvendo o Hospitais Senhor do Bonfim (HSB), Centro Hospitalar Póvoa de Varzim/Vila do Conde e o ministro da saúde à mistura prossegue link

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