Paris a Arder
"A situação de crise que os gravíssimos desacatos em Paris e noutras cidades francesas vieram evidenciar carece de respostas políticas de fundo que proporcionem uma esperança de vida decente e digna para todos os que habitam os subúrbios degradados por essa Europa fora.(link)Quando Paris está a arder, convém lembrar que nem só ela é combustível..."
Vital Moreira, Causa Nossa
























7 Comments:
Oeditorial do jornal Le Monde dizia tudo: "Um país que se considera como pátria dos direitos do homem e santuário de um modelo social generoso mostra-se aos olhos de todos incapaz de assegurar condições de vida dignas a jovens franceses cujos avós imigrados contribuíram para os "trinta anos gloriosos" [da II Guerra aos anos 70], mas que não têm tido outro horizonte que desemprego, regressão tribal e racismo." O pior que poderia suceder perante a onda de violência juvenil e destruição incendiária nos subúrbios franceses será supor que tudo não passa de uma reacção conjuntural de revolta contra um acontecimento infeliz (a morte de dois jovens na fuga a uma perseguição policial) e a reacção desastrada do ministro do Interior Sarkozy perante os primeiros actos de violência, designando como "escumalha" (racaille) os nela envolvidos.
Vital Moreira - JP 06.11.05
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Pedro said...
Felizmente que Paris não está a arder por causa dos Hospitais, mas das políticas neoliberais e do comportamento típico dos políticos de direita como é o do Senhor Sarkozy. Uma eventual coabitação, que por certo não irá verificar-se, pese embora as Cassandras reaccionárias que por aí pululam e já se posicionam, entre Sócrates (neoliberal) e Cavaco Silva, idêntica a que ocorre em França com Chirac, Villepin e Sarkozy seria de muito mau agoiro.
3:54 PM
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Não é só Parias que arde: Noticia da Lusa:
"Farmácias: Associação acusa Governo de atacar "interesses vitais" do sector
Lisboa, 08 Nov (Lusa) - As farmácias acusam o Governo de pretender "atingir interesses vitais" do sector ao propor, no Orçamento de Estado, que possa rescindir unilateralmente, por despacho, acordos financeiros sobre dívidas da Saúde.
A Associação Nacional das Farmácias (ANF) e o então ministro da Saúde social-democrata Luís Filipe Pereira assinaram em 2003 um acordo segundo o qual o Ministério da Saúde (MS) se endivida para pagar às farmácias o valor dos medicamentos comparticipados pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Porém, como as farmácias cederam os créditos sobre as suas dívidas à ANF, esta acaba por ser intermediária neste processo, garantindo o pagamento atempado às farmácias da percentagem dos fármacos comparticipados e cobrando posteriormente este valor ao MS.
Em carta enviada segunda-feira aos deputados à Assembleia da República, a ANF critica o artigo oito da proposta de Lei de Orçamento de Estado para 2006 que - acusa - "visa atingir exclusivamente a ANF e as farmácias".
O artigo em causa estabelece que os negócios jurídicos relativos a dívidas das instituições e serviços do Ministério da Saúde, com entidade que não sejam instituições de crédito ou sociedades financeiras, "podem ser rescindidos por despacho conjunto" dos ministros da Saúde e Finanças desde que as quantias em dívida estejam pagas nessa datas.
Na missiva, a ANF salienta que "a única finalidade prática desta disposição é a de pôr em causa, por via legal, o acordo em vigor com o Ministério da Saúde sobre a dispensa de medicamentos a crédito pelas farmácias, aos beneficiários" do Serviço Nacional de Saúde.
O ministro da Saúde, António Correia de Campos, tem afirmado publicamente que quer acabar com a intermediação da ANF e substitui-la por uma entidade financeira.
Esta política será seguida também com as restantes entidades externas que prestam serviços aos utentes do sistema de saúde público.
O ministro justificou a mudança com o "dar condições ao MS para escolher as entidades responsáveis para que o pagamento seja feito a tempo e horas".
Na carta enviada aos deputados, a ANF sustenta que este artigo "põe em causa regras fundamentais sobre o funcionamento da economia de mercado, sem nenhum interesse público que o justifique", além lançar dúvidas sobre a "necessária relação de confiança e boa-fé, pressuposto de qualquer relação contratual".
Para a ANF, a intenção do Governo é exclusivamente a de "atingir interesses vitais do sector de farmácias, concretizando, aliás, ameaças que têm sido feitas em público e privado". In site da Lusa
Acho que aquilo que se passa em França é um aviso para todo o mundo.
Creio que nunca as teses de Marx e Engels estiveram tão próximo da realidade. (Eu gostava particularmente de Trotsky).
Vou voltar a ler Imperialismo Estadio Supremo do Capitalismo. Vou misturar com Tofler e um ou outro mais e ver o que dá.
O debate está lançado.
Os países Europeus criaram um sistema de desenvolvimento económico que requer mão de obra altamente especializada.
A produção de bens de tecnologia média foi remetida para os países da periferia.
O resultado deste política é o desemprego maciço entre a população jovem.
Por outro lado há factores de ordem social e religiosa que dificultam a integração desta população jovem.
Os Governos Europeus guetizaram os netos dos emigrantes que ajudaram ao desenvolvimento do pós guerra.
Deixaram passar demasiado tempo sem tomarem medidas que pudessem minimizar o desenvolvimento deste problema.
Agora aí temos uma bomba pronta a explodir em quase todos os países europeus.
Destraídos como andamos com os problemas do terrorismo e as paranóias do presidente Bush não demos por nada.
A solução política que os Governos encontram é lançar dinheiro sobre os problemas. Lançar uns doces à populaça.
Nada de mais errado.
Este grave problema requer medidas mais profundas.
Há que alterar o modelo económico de desenvolvimento. Tentar melhorar a competitividade sem esquecer que a economia deve estar sempre ao serviço das populações.
Enquanto houver miséria generalizada em grandes regiões do mundo e diferenças abissais entre países ricos e pobres, não há solução definitiva para o problema.
Com a globalização na economia e na mobilidade, o desemprego ir-se-á manter nos países desenvolvidos, e as migrações das regiões pobres para as regiões ricas continuarão. Assim sendo, por mais esforço de integração que se faça, nunca se fará integração suficiente.As bolsas de pobreza e de marginalidade nas grandes cidades irão persistir.
O mundo tornou-se um sistema de vasos comunicantes. Uns irão subir, outros provavelmente descerão, até um novo patamar de nivelamento (ainda que desnivelado).
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