quarta-feira, fevereiro 21

A preparação dos Gestores











Para o bastonário da OM, Pedro Nunes, existe uma guerra corporativa dos gestores para não perderem o emprego. E explica: a gestão opera apenas na margem do sistema, reduzindo o preço de cantinas, fazendo "outsourcing" de serviços aos privados, por isso poupa apenas trocos, corta no farelo e não na farinha.
O real controlo dos gastos está na escolha de medicamentos, nas tecnologias de saúde, nas análises clínicas e nesses campos só o médico tem conhecimentos técnicos para decidir.
link

Luís Martins, director do mestrado em Gestão dos Serviços de Saúde (ICSTE), secunda a opinião do bastonário da OM: Os gestores devem ser médicos porque só eles têm o conhecimento técnico que condiciona as decisões na gestão propriamente dita.
DE 19.02.07

João Pereira, num artigo publicado no DE (19.02.07), defende que as faculdades de Medicina devem incluir nos seus programas o ensino da “Economia da Saúde” de molde a sensibilizar os futuros médicos para a inevitabilidade de racionamento dos cuidados de saúde, quer através de preços, de listas de espera, pressão orçamental, avaliação clínica e económica ou outro mecanismo qualquer.
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O bastonário da OM não pára de nos surpreender. Vamos a isso: escolher melhor os medicamentos, as tecnologias de saúde, as análises clínicas . Já tardava. Por onde tem andado, dr. Pedro Nunes?
JP, sem rodeios, refere a inevitabilidade de racionamento de cuidados de saúde. Será que há alguma grande novidade no relatório final da Comissão encarregada de estudar a sustentabilidade do SNS ?

13 Comments:

Blogger tambemquero said...

SERÁ QUE EU ENDENDI BEM?

Racionamento de cuidados de saúde?

Como é que isto articula com a universalidade do sistema?

Então as listas de espera são um expediente criado deliberadamente para racionar os cuidados de saúde?

Eu acho que não é preciso ensinar estas coisas aos médicos.
Estes procedimentos já fazem parte do manual de boas práticas do pessoal médico.

9:46 da manhã  
Blogger coscuvilheiro said...

Caros Colegas

O debate continua acesso no post "Urgência e Consulta Externa Hospitalar".

A propósito do repto lançado pelo É-Pá ao Cosme Éthico postei a seguinte:

Caro É-Pá

Os habituais comentadores deste blogues não têm conseguido pregar olho tal é a ansiedade em relação aos seus prometidos comentários.

Temos informação que CC, habitual frequentador da SaudeSA, partilha igualmente desta ansiedade, tendo, inclusivé, até perguntado a um dos seus assessores, o que era feito daquele comentador de Coimbra com nome de gelado.
O asssessor, trapalhão como de costume, respondeu que o "perna de pau" já não se comercializava.

Caro É-Pá, veja lá, não deixe mal o maralhal de Coimbra. Responda lá ao homem. Como sabe e puder. Ao menos tenha uma gentileza para quem teve a bondade de o elucidar.
Disse elucidar?
Talvez quissesse dizer baralhar.

10:08 da manhã  
Blogger coiso said...

Estas declarações do Sr. Bastonário só podem ser entendidas como piada de carnaval. Não vêm que está a brincar connosco?
Então o que é que os Directores Clinicos andam a fazer nos CAs há tantos anos?
A maioria dos médicos nem se preocupam com a racionalidade das prescrições pois não são eles que pagam..., mas recebem...
Médicos a gerir saúde só no seu consultório privado. Nem nas grandes clínicas privadas têm esse privilégio...
Se estivessem de boa fé em tudo isto, o melhor que podiam fazer era colaborar activamente com quem foi realmente preparado para gerir, principalmente assumindo a responsabilidade pelo control das suas áreas de responsabilidade.

10:10 da manhã  
Blogger e-pá! said...

Caro Hospitalepe:

Devia ser mais rigoroso nas conjecturas.
Tentar "baralhar", menos.

Sou um leitor atento de saudesa e quando tenho discordâncias, dúvidas ou questões, exponho-as ou levanto-as.
Ao contrário do que afirma no seu comentário, ou do que gostaria, não lanço reptos.
Nem estou aqui para defender a "honra" de ninguém, nem de nenhum burgo.
Como escrevi, "Voltarei, oportunamente, ao assunto das Urgências e Consulta Externa hospitalar."
Creio que terá o ensejo de perguntar aos tais "assessores de CC" o entendimento que deve atribuir à palavra "oportunamente".

Não se impaciente!

10:50 da manhã  
Blogger ricardo said...

O que é interessante é o Pedro Nunes querer pôr os médicos a apreender gestão com a Manuela Arcanjo !
A ministra que capitulou vergonhosamente ao poder da corporação dos médicos.

1:53 da tarde  
Blogger naoseiquenome usar said...

Bem, isto é mesmo a piada do ano!
Como disse o EPE e o "Coiso", não há nenhuma dúvida de que os médicos sabem gerir bem, mas é... as suas vidas privadas!!! De facto vale a pena enfatizar a pergunta: o que andaram os DC's os DS's e os Directores de Departamento, que também os há a fazer este tempo todos????

Eu acho que a coisa saiu ao contrário ao PN e daí a piada.
O que ele quereria dizer é que os médicos devem ser proibidos de ser gestores!
:)

2:30 da tarde  
Blogger e-pá! said...

A gestão dos cuidados de saúde será sempre uma partilha entre diversos técnicos (médicos, gestores, economistas, administradores, enfermeiros, etc.) se o objectivo for o “health status” da população e a satisfação do doente. Agora, se o "motor" da gestão da saúde, forem meras questões orçamentais, então, estou de acordo com os comentários que foram tecidos ao post.

Todavia, o mundo do “health care” é muito complexo e, como todos sabemos, ultrapassa largamente os sectores económicos, administrativos e clínicos. Por outro lado, o management da saúde, para ser eficiente, resulta necessariamente das sinergias conseguidas e facilitadas por diferentes especialistas.

As reacções, que por aqui vão surgindo, às afirmações de Pedro Nunes, Luís Martins e João Pereira, abonam mais a favor das anunciadas “guerras corporativas” do que na defesa de soluções interdisciplinares ou multi-sectoriais para, em conjunto, podermos atingir os “health targets” do SNS. As jactâncias, p. exº., "de onde saíu este cromo", nada contribuem para o esclarecimento, ou a solução, dos problemas e, de certo modo, dão razão à - de certo modo inusitada – evocação, por Pedro Nunes, de corporativismos.
É certo e sabido que os médicos, p. exº., nunca aceitarão, como está sugerido num comentário, ser “colaboradores” dos gestores na área da saúde. Quando muito devem estar disponíveis e ser preparados para serem parceiros nessa gestão. O que é, substancialmente, diferente. Chamar à colação os CA’s os DS, etc., é, antes de incriminar os médicos, afundar o “barco administrativo e da gestão” num oceano de ineficiência, ambiguidades e maus resultados que têm obriga´toriamente de ser compartilhados. Com todos, sendo evidente uma óbvia responsabilização colegial, em todos os patamares de direcção e gestão.
Daí a pertinência da sugestão do ensino de “Economia da Saúde” na preparação curricular em Medicina. Sempre será melhor do que o “negócio” daqueles cursos de pós graduação…
Para depois, todos, não lamentarmos o arrivismo de engenheiros às responsabilidades na gestão e nos centros de decisão política na área da saúde.

Agora, o mote do “racionamento dos cuidados de saúde” aparece aqui como gato escondido com rabo de fora. E o gato escondido, não vale a pena iludir, são os grupos económicos actuantes ou propensos a actuar na área privada da saúde. Um "racionamento" no SNS era ouro sobre azul...
Todavia, as interrogações de agora deveriam ser mais precoces. MD já tinha afirmado, no Congresso Nacional dos Hospitais: "É chegada a altura de perguntar às pessoas o que querem fazer ou pagar mais, ou entrar em políticas de racionamento".
A pergunta, para quem vive no conturbado “ambiente” do SNS, é sempre a mesma:
racionamento ou redistribuição?.
Finalmente, estou de acordo – se calhar por diferentes razões - que será melhor esperar pelo relatório da comissão encarregada de estudar a sustentabilidade do SNS.

8:30 da tarde  
Blogger voualiejavolto said...

O é-pá faz um comentário sensato e deveras preocupado. O "Health Status" efectivamente requer a cooperação de todas as classes envolvidas. Todas têm o seu papel e é importante que o desempenhem bem, sem rancores ou invejas, sem vendetas menores, sem passar grande parte do tempo a olhar para o umbigo da sua corporação. E nisto não há qualquer diferença entre médicos, que têm o conhecimento técnico e científico, e gestores, que têm conhecimento técnico de administração e por isso se acham os predestinados a mandar no sistema de saúde. O futuro será dificil, obviamente as opções serão duras e provavelmente passarão por cortes de toda a espécie, mas tudo isto só deve unir os principais actores na busca da melhor perfomance.
Já agora o coiso devia saber que não fica bem fazer referência a marcas comerciais, tal como faz com a marca de preservativos control.
Saúde a todos.

10:56 da tarde  
Blogger marinho said...

O artigo do João Pereira é muito fraquito. Prefiro so do PKM.

O Sr. Luís Martins é um oportunista e artista de variedades que manipulou dentro do Iscte para correr com os verdadeiros fundadores do Mestrado em Gestão dos Serviços de Saúde do ISCTE (Cipriano Justo, Ana Escoval, Correira Jesuino, Paulo Moreira) num exemplo de golpe palaciano com os resultados que conhecem as pobres vitimas desse 'novo curso'.

10:41 da manhã  
Blogger Santa Ignorância said...

1.º - O nosso amigo e-pá, além de fugir aos debates que convoca, denota desconhecimento do bê-a-bá da economia de saúde:

·As necessidades em saúde são praticamente infinitas, os recursos porém são escassos;

·Todas as sociedades racionam os cuidados que serão prestados, como? Através de preço (quem pode pagar ou tem seguro tem, quem não pode aguenta... no limite temos os EUA), através da limitação de recursos (fixar nº estudantes/limitar nº médicos; obrigar licenciamento novos hospitais, Radioterapia, RMN e outros) e através do tempo (lista de espera). O efeito sente-se de modo diferente - classes, doenças, ...-, mas é assim (PPB tem toda a razão).

2º Os gestores profissionais de saúde não reinvidicam para si o conhecimento ou a exclusividade de actuação. Pelo contrário estão desejosos que cheguem ao nosso SNS gestores excelentes, sejam gestores profissionais ou médicos que se reconverteram em gestores. O problema é que, como dizia o Vivóporto, abundam por aí os "jeitosos da gestão" que tomam umas luzes que receberam com o conhecimento a sério da gestão, daí confundirem tudo, alguns exemplos:

·Estratégia é "fazer obra" (mudar a organização, a cultura, as práticas, os resultados) diferente de "fazer obras" (construção civil mais distribuir equipamentos reluzentes);

·Comunicação é gestão de "porta aberta" (disponibilidade para ouvir, dialogar e ajudar todos os que acorrem, em horário determinado) com ter a porta do gabinete sempre aberta (mesmo em diálogos que se exige descrição e respeito pelo interlocutor);

·Fixar objectivos, negociar contratos e avaliar é acordar, rapida e sómente, o nº de actos e estar pronto para aceitar as desculpas mais esfarrapadas quando a realidade fica aquém da previsão (ou nem avaliar).
·etc.
A actividade dessess jeitosos só prejudica porque, como a medicina, a gestão é ciência com arte mas, por isso mesmo, os "verdadeiros artistas" estariam melhor "noutros palcos", onde poderiam fazer malarabarismos e habilidades sem ser com o dinheiro dos nossos impostos.

3º A gestão nos HH deve fazer-se em três níveis: estratégico, intermédio e operacional. Os gestores profissionais em todos estes níveis querem gerir com a colaboração estreita dos profissionais de saúde - não apenas dos médicos. Todos sabemos que é da troca de informação e do diálogo de saberes que todos nos desenvovlmentos, passarmos a saber mais (médicos, enfermeiros, gestores, TDT, etc.) e tomamos boas decisões. Por isso os administradores hospitalares sempre procuraram e continuarão a procurar, a cooperação e a intervenção na gestão dos profissionais de saúde, em todos os níveis.

O resto "é só fumaça", mas "o povo é sereno".

4:57 da tarde  
Blogger e-pá! said...

Santa ignorância:

Conseguiu debitar a "lição" que tinha engatilhada sobre "economia da saúde". Obrigado pela ajuda.
Se reparar, alguns conceitos que expande não divergem substancialmente, dos que exprimi no comentário anterior.

Reconheço que sei pouco sobre o assunto mas também só fiz um "cursozinho" daqueles de 5000 €, ... aos fins de semana.
Mas sempre dá para entender a linguagem encriptada e questionar-me do que pode estar por detrás... dos conceitos.

Já agora, nunca ouvi um gestor da saúde reconhecer que não sabe nada de Medicina... mas o melhor será trabalharmos em parceria (não "só" como colaborantes, insisto) e deixar-nos de andar a confessar ingnorâncias uns aos outros.
Porque as ignorâncias são ubiquitárias.

7:09 da tarde  
Blogger Coiso de Viseu said...

O João Pereira deve andar na Lua. Ou então não percebe nada da realidade do terreno dos HH (deve ser isso, pelo que se consta). Para além disso, está a puxar a brasa á sua sardinha o que lhe fica muito mal. Já agora porque não ensinar nas faculdades de Medicina outras coisas: Direito da Saúde? Comunicação em Saúde? Psicologia da Saúde? Políticas da Saúde? Gestão hospitalar? Gestão de Recursos Humanos? Marketing? Planeamento? e já agora porque não acabar com a Licenciatura de Medicina e transformar os médicos todos em gestores? É uma ideia orelhuda esta do JP. É que se ensinar economia da Saúde seria apenas uma curiosidade então estamos perante uma sugestão de continuidade da mediocridade e negação da complexidade das coisas! Por outro lado, economia da Saúde não é gestão em Saúde o que nos deixa confusos. Alguém consegue pedir ao João pereira que nos envie um programa dessa sua disciplina para médicos?

9:25 da manhã  
Blogger e-pá! said...

coiso de viseu:

O programa curricular está feito!
É pedi-lo à Univ. Católica que, há alguns anos, o comercializa.

2:26 da tarde  

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