domingo, dezembro 25

Selecção Adversa


Registo sobretudo o que se refere ao risco de selecção adversa que, segundo ASA, continuará a existir, apesar da mudança dos SA's para EPE's, porque os hospitais em causa continuarão a ter critérios de gestão dirigidos aos resultados.
Aqui estou totalmente em desacordo com ASA. O facto de as empresas em causa se orientarem por tais critérios de gestão não tem que implicar uma política de selecção adversa. A selecção adversa pode existir mesmo em situações onde a preocupação com os resultados não exista mas onde os recursos tendem sempre a ser limitados. E uma gestão orientada para resultados não é o mesmo que uma gestão orientada para o lucro máximo, conceito que dificilmente entrará na gestão de unidades sob a tutela do próprio MS. E não devemos por em causa os princípios deontológicos dos profissionais de saúde, que são afinal quem decide da aceitação ou não de doentes.
Uma boa gestão das SA's (como a das EPE's) não pressupõe selecção adversa e como referiram os relatórios já conhecidos ela não ocorreu nos SA's. Tal não significa que num ou noutro caso não possam surgir tentações mas parece-me que admiti-la à partida por se tratar de EPE's é um mau sinal. É um preconceito que pode conduzir a resultados não desejáveis.
Se pensarmos de outro modo (a ERS) acho que começamos mal.
tonitosa

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5 Comments:

Blogger guidobaldo said...

Não se trata de equacionar os preconceitos (designadamente os ideológicos) subjacentes à missão e à visão das instituições. Trata-se, outrossim, da coerência de funções e de atribuições, nomeadamente as tidas por reguladoras, das entidades criadas. Claro que num sistema de parasitismo público/privado a ERS nunca passará de uma válvula de escape tranquilizadora da consciência ... de quem a criou. Custa-me perceber o que é regulação na ausência de competição saudável, com separação de financiamento e de prestação no que é público e de separação público - privado no que é sistema nacional de saúde.

6:41 da tarde  
Blogger guidobaldo said...

Continuo à espera de ver sair fumo (não importa a cor) da unidade de missão para a reforma dos cuidados primários. Alguém sabe o que por lá se passa ?

7:16 da tarde  
Blogger xavier said...

Quando li pela primeira vez a entrevista de ASA fiquei agradado com a franqueza, direi mesmo, humildade do novo presidente da ERS.
Depois de ter lido este comentário do tonitosa voltei a ler a referida entrevista.

Parece-me que a preocupação dominante de ASA é o baixar da fasquia.Mas ao baixar, tanto baixou, que o que restou é muito pouco.
Receber queixas, aplicar coimas e lançar inquéritos sobre a percepção dos utentes relativamente à qualidade dos prestadores de saúde parece preencher todas as ambições no novo responsável. E já não será pouco se o fizer com eficácia.

Vamos esperar para ver, fazendo votos para que a ERS se transforme numa verdadeira entidade reguladora da saúde.

7:39 da tarde  
Blogger tonitosa said...

A qualidade em Saúde não pode ser avaliada, como pode parecer da entrevista de ASA, apenas por inquéritos aos doentes sobre a "sua" percepção relativa à qualidade dos prestadores.
Como é evidente, tais inquéritos devem fazer parte de um "cabaz" de indicadores de avaliação, uns mais técnicos (objectivos) outros mais subjectivos. Na verdade todos sabemos que a percepção dos utentes tem muito (quase tudo) a ver com as suas expectativas (e das famílias) à entrada nos hospitais. Veja-se, por exemplo, o que se passa com inquéritos a utentes dos IPO's : todos sabemos que as expectativas de sobrevivência, são geralmente baixas, e por isso cada dia, cada mês de vida, são valorizados diferentemente do que se passa com os hospitais gerais. Nestes, não raramente, o que mais se valoriza é o serviço de "hotelaria" e obviamente não é o mais importante do sistema de saúde. Não se tratando, muitas vezes, de doenças graves, os doentes pouco valorizam os actos médicos e paramédicos. Qualquer de nós, como siples observador, certamente já ouviu dizer: ah, no hospital X comia-se muito bem; davam muita comida e "eu nem conseguia comer tudo". Mas esse mesmo doente nem sequer sabe propriamente a que intervenção e tratamentos foi sujeito.
Os inquéritos serão certamente muito pouco.
Xavier, na verdade fica a sensação de que a ERS está muito preocupada com as coimas (dinheirinho a entrar, claro!) e na verdade "muitas coimas" tenderão a ser um sinal de ineficácia da própria ERS.
"A ver vamos, como diz o outro!"

12:27 da manhã  
Blogger lisboaearredores said...

A ERS não poderá ser apenas "caixa de reclamações", pois esse é um papel de intervenção apenas depois de alguma problema ter sido detectado. Deverá ter também um papel de prevenção de situações e um papel de construção de concorrência saudável/opções de escolha para os utentes. Nenhuma outra entidade reguladora existente se limita a fazer recolha de queixas ou inquéritos de qualidade (embora seja verdade que há umas mais activas que outras).

10:15 da manhã  

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