sábado, março 25

Mercado de Genéricos

Em 2005 as vendas do mercado de genéricos totalizaram 392.653.403 euros, registando uma taxa de crescimento de 66.9%, relativamente ao ano anterior. A quota dos MG atingiu no mesmo ano 12,65% do mercado global.


Este ano o crescimento do mercado ameaça desacelerar. No site do Infarmed ainda não está disponível informação referente aos meses de Janeiro e Fevereiro de 2006 que nos possa confirmar esta tendência.

Segundo Aranda da Silva, bastonário da Ordem dos Farmacêuticos, a medida recentemente anunciada por CC de por termo ao actual sistema de substituição de medicamentos, poderá conduzir à estagnação do mercado de genéricos, pois o crescimento verificado nos últimos três anos, deveu-se, no seu entender, à possibilidade de os doentes escolherem o medicamento mais barato (link)

Presentemente, a grande limitação ao crescimento do mercado, deve-se fundamentalmente ao elevado preço dos MG, não nos parecendo que a anunciada medida de alteração do sistema de prescrição venha a ter grande influência no desenvolvimento do mercado.

10 Comments:

Blogger guidobaldo said...

Apenas uma correcção: Aranda da Silva é Bastonário da Ordem dos Farmacêuticos e não dos Enfermeiros.

10:08 da tarde  
Blogger xavier said...

Agradeço a ajuda.
Um abraço.

11:32 da tarde  
Blogger guidobaldo said...

O que CC anunciou foram, uma vez mais, medidas políticas e não técnicas. Os farmacêuticos nunca tiveram o designado "direito de substituição". Contudo o ambiente político é extremamente desfavorável aos farmacêuticos colocando-se inclusive a sua intervenção como factor de potencial colisão com os interesses dos doentes (consumidores, como acrescenta CC) - tem piada, não tem ?

Por isso não vale a pena adiantar argumentos. Gostava é que profissionais que deveriam perceber que a prescrição é um ponto decisional no processo farmacoterapêutico escolhessem o seu galho para podermos mapear as diversas espécies de primatas.
Sendo o médico o responsável último(porque não dizer único ?) pela terapêutica, não vejo porque não possa vender medicamentos.

Assim sendo, apenas me resta perguntar que definam "terapêutica medicamentosa".

Abraços e cumprimentos.

10:32 da manhã  
Blogger guidobaldo said...

Queria dizer, no primeiro período do post anterior "medidas políticas s em suporte técnico" e não "medidas políticas e não técnicas". As desculpas.

10:54 da manhã  
Blogger guidobaldo said...

Meu Caro Xavier:

As medidas anunciadas sobre as alterações das regras de prescrição e de cedência, pelas farmácias, de medicamentos, consubstanciada num novo modelo de prescrição, é coerente com o que o governo tem vindo a fazer em matéria de política do medicamento.

O passo seguinte deste processo, a haver continuidade na coerência, será um novo regime de estabelecimento do preço de referência para a comparticipação simultaneamente à liberalização do PVP.

Desta forma acomoda-se o prescritor e dão-se sinais de segurança ao consumidor. O consumidor compra só e sempre o que o médico receitou: susbtância activa, dose, forma farmacêutica, dimensão da embalagem secundária, marca e/ou empresa titular da AIM do medicamento.

Nesta circunstâncias, com PVP livre e preço de referência estabelecido, a culpa de uma mesma substância activa poder ter encargos diferentes para o consumidor passa a ser dos "malandros" dos farmacêuticos.

Tal é também válido quando medicamentos iguais de produtores diferentes representem emcargos diferentes para o consumidor.

A lógica é tão simples quanto isto: se o estado paga o mesmo e se o preço é livre, então tudo o que eu possa pagar a mais deve-se à intervenção do farmacêutico.

Esta política induz necessáriamente respostas por parte dos agentes, matrizadas por concentrações de capital grosso/retalho e cartelização das maiores indústrias de genéricos.

Se o caminho for esse, faz sentido que CC entregue/negoceie com os prescritores envelopes financeiros de medicamentos.

O caldo de cultura é propício também com a criação das USF's.

A descomparticipação de muitos medicamentos irá engrossar significativamente o número de não sujeitos a receita médica (que muitos clínicos gerais continuarão provavelmente a receitar, como broncho-vaxons, por exemplo). Bom para as novas lojas, contibuto para a viabilização do negócio.

O crescimento "0" no ambulatório não é díficil: descomparticipação, veto de gaveta nas novas comparticipações, diminuição dos preços e transferência de encargos para o consumidor.

A manutenção do crescimento de 4% da despesa hospitalar é que pode ser mais problemática. Até porque, quando a torneira aperta no ambulatório, a indústria acelera no hospital.

Porém, a avaliação prévia no INFARMED dos medicamentos a introduzir nos hospitais terá dois efeitos:

- imediatamente pelo atraso temporal que estes processos necessariamente induzem cujo reflexo se fará já sentir no corrente ano;

-mediatamente porque se a avaliação a fazer reflectir a que em 2000 foi feita na reavaliação da lista de medicamentos comparticipados, a indústria vai passar um mau bocado e a "balda" que é a terapêutica nos hospitais leva um aperto sério e a sério.

O governo tem ainda e sempre, caso a coisa se agrave, a possibilidade de fazer outsourcing da farmácia hospitalar com negociação de encargos em medicamentos.

Os farmacêuticos reagirão: penso, desta vez, pela via técnico-científica. Levará tempo, mas serão no futuro profissionais muito mais clínicos e especialistas em terapêutica medicamentosa (individualização, adequação genética, monitorização clínica e laboratorial, avaliação
do impacto na história natural da doença).

A ver vamos ...

Grande abraço

PS. Caro Tonitosa: concordo inteiramente que cada macaco no seu galho. O que tem acontecido é que os médicos ocupam galhos errados e a prova é a evolução dos padrões de consumo, de exposição e de custos da terapêutica. Se calhar o meu amigo ajuda a construir áravores que dão tais galhos. Ou não. Poderá estar também no reino animal que os vai oucupar. Abraço.

1:53 da tarde  
Blogger Eduardo Faustino said...

Na minha modesta opinião, a qualidade de certas medidas irracionais tomadas por este governo em relação à política do medicamento, não merecem sequer o tempo que se perde a analisá-las. Durante anos fui um empresário, um cidadão um farmacêutico idealista e empenhado, exemplar...

Hoje sinto-me tão defraudado que para alem de me sentir frustado de todas as horas e recursos humanos e materiais que voluntariamente coloquei ao serviço das políticas do ministério, as campanhas em que participei, os utentes do MS da Saúde, ajudei...

Me apetece pedir o meu empenhamento, dinheiro e tempo gastos de volta... Sei que é impossível... mas não posso deixar de me sentir defraudado e enganado...

De repente de profissional de Saúde que lidava com utentes e ou pacientes do SNS, passei a “retalhista e mero dispensador de medicamentos” que se apropriava de uma forma “politicamente reprovável” e desmesurada dos recursos dos consumidores e do estado.

Em cada intervenção de CC pouco a pouco estou-me a tornar cínico... Os meus utentes, sinto que pelas intervenções deste governo, irão ser transformados em meros clientes da actividade de retalho que dizem que e exerço...

Mas fique CC descansado que saberemos dançar com a música que nos quer impor...
Só que meus amigos... !!!! Actividades gratuitas em prós das políticas do ministério, só se indirectamente trouxerem algum benefício no segmento do mercado a que se destinam...

Vou dar exemplos IRÓNICOS e CÍNICOS ... mas possíveis de cenários de racionalidade empresarial possível face às mediadas que vem sendo propostas para o sector das Farmácias e do medicamento;

Após análise do nosso balanço e demonstração de resultados, verificamos que na nossa empresa apresenta um custo de atendimento de cada cliente de cerca de 4,5€, no actual cenário de evolução do mercado, a longo prazo a estrutura de custos tem que ser revista, racionalizada.

Cuidados farmacêuticos nos doentes diabéticos:
São para manter este segmento de mercado é um grande gerador de cross-seling em termos de insulinas antidabéticos orais e complicações secundárias da patologia.

Cuidados farmacêuticos na área da Toxicodependencia:
Troca de seringas, custo unitário 4,5€, desvalorização da imagem do estabelecimento face à aos nossos clientes estimado em cerca de 2€, logo só será mantido de o MS ou o governo da Nação nos compensar em forma de pagamento de serviço,

Substituição terapêutica de opioides em doentes toxicodependentes em ambulatório só alinharemos mediante o pagamento do Serviço de 5€ por cada administração, caso contrario deverão os doentes dirigir-se aos serviços do MS, centros de saúde hospitais, Cats etc...

Este programa gratuito é para suspender... Sem pagamento aos “palhaços” não haverá “circo”.!


Implementação da nova política de descontos :

Iremos criar o chamado cartão de cliente:

Cliente de passagem sem cartão não terá desconto, cliente fiel 5% em vales de compras, se levar logo duas embalagens do mesmo produto de uma vez terá 7,5% de desconto; 3 embalagens 10%, os descontos serão descontados em compras a efectuar futuramente;

Numa segunda fase poderemos negociar com alguns fornecedores condições comerciais mais vantajosas com descontos, adicionais, que serão oportunamente anunciados no Jornal “a Dica” e no “Jornal da Região”, com um mailing para todos os médicos do Centro e Sáude.


Outros serviços:

A rentabilidade do negócio, a gestão dos recursos obrigará na segmentação dos clientes em 3 Classes na A, B C...

Os utentes da Classe C cliente pobre (margem por venda abaixo do preço de 4,5) quando apresentarem quaisquer duvidas serão imediatamente encaminhados para as estruturas do MS centro de Saude, USF ou Hospitais onde serão esclarecidos...

Utentes da Classe B, cliente médio remediado será adoptada uma política de “cross seling” e será esclareçido de uma forma gratuita em função do seu historial, mas tendo em atenção sempre a função tempo gasto benefício obtido.


Utentes da Classe A; A semelhança da Banca estes clientes VIP terão direito a atendimento especial e personalizado;

Será criado um gabinete privado de atendimento, será contratado uma nova farmacêutica, adquirido equipamento de determinação de paramentos bioquímicos de variadas funções vitais e serão propostos os seguintes serviços Pagos de Elevado Valor Acrescentado;

Após reunião com o Doente o Médico Assistente (Privados Naturalmente...)

Revisão da terapêutica: O farmacêutico revirá sempre todos os medicamentos e patologias, efeitos secundários, potenciais interacções;
Definições com os medico de objectivos terapêuticos a atingir ou monitorizar, no intervalo das consultas médicas.
Reporte ao médico de Problemas relacionados com o uso de Medicamentos, caso se acorde sugestões de correcção de posologias ou eventuais substituições de certos farmacos por outros do mesmo grupo farmacoterapêutico.

Monitorização periódica de paramentos bioquímicos importantes para a terapêutica, por exemplo, glucose, colesterol, Hemoglobina glicosilada, Ácido Urico, Função hepárica , Função renal etc... Ajuste da terapêutica em função do feed-back bioquímico, no sentido de melhorar a resposta terapêutica ou evitar a ocorrência de efeitos secundários e interacções potencialmente perigosas etc...etc...



Em resumo estes são cenários perfeitamente possíveis e pertinentes na actual conjuntura, gostaria que reflectissem, que comentassem e se tiverem quaisquer duvidas de as colocarem em cima da mesa,

Cumprimentos

Eduardo Faustino

3:23 da tarde  
Blogger Eduardo Faustino said...

Em relação ao consumo dos medicamentos em ambulatório;

Os meus indicadores actuais, indicam que contrariamente ao que aconteceu em Janeiro e Fevereiro em que houve uma descida, comparativamente a mesmo periodo do ano passado, em Março, a subida aponta para um crescimento da ordem dos 8 a 12%.

Portanto vejam o que irá acontecer se a cota de genéricos cair abruptamente de 13% para 5 a 6%!!!

O cantar de galo de CC em relação ao consumo de medicamentos pode rápidamente transformar-se em cantar de Cordoniz!!! E lá vai a Apifarma poder contar com umas massas no seu fundo de investimento em investigação.

Cumprimentos
Eduardo Faustino

3:45 da tarde  
Blogger guidobaldo said...

Caro Eduardo Faustino

Apreciei as verdades que descreve, bem como a forma como as descreve. Apenas discordo quanto ao perder tempo com a política deste governo. CC embrulhou-se de tal modo mal com as farmácias, os farmacêuticos e os medicamentos que é muito dificil ter um mandato lúcido e estrategicamente estruturante. O que deve ser permanentemente monitorizado. As decisões que têm vindo a ser tomadas terão implicações a prazo que CC não está em condições de antecipar. Rapidamente terá que inicar a tomada de sucessivas medidas pontuais, de conjuntura, sendo mais arrastado pelos acontecimentos e menos pelas metas que eventualmente tenha traçado.

No medicamento a preocupação primeira foi "partir a espinha à ANF" na expectativa de que tal arrastaria em si um contributo para a boa execução do chamado orçamento real. Mas o mundo real não era uma fábula em que o lobo mau era a ANF e o capuchinho vermelho o estado. CC fez dos doentes portugueses o capuchinho vermelho, ainda não sabe quem é o lobo e já perdeu a lógica da fábula.

Agora, devemos ser críticos permanentes e atentos que não deixam fugir oportunidades.

CC tem um estilo terrorista, destrói sem construir, e intrometeu deliberadamente questões pessoais em assuntos muito sérios da governação em saúde.

E este pecado original faz com que não seja um político que transmita confiança, conseguindo mesmo queimar bons projectos só porque os apadrinha. Todos os parceiros dele desconfiam e os portugueses começam a perceber os contornos de uma desintegração em curso do SNS.

É mais um político, outrora promissor, vítima de si próprio.

Um abraço e obrigado ao Xavier pelo forúm que magistralmente mantém e nos permite exprimir de forma livre, frontal e amiga.

4:50 da tarde  
Blogger O Restaurador said...

I Encontro de Blogues em Vila Viçosa

Participe e divulgue! Saiba mais em http://encontrodeblogues.pt.vu/ e no Restaurador da Independência.

Saudações!

8:46 da tarde  
Blogger Mário de Sá Peliteiro said...

CC é um inconsequente. O tempo se encarregará de demonstrar que é um fogo-fátuo. É só fumaça...

9:03 da tarde  

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