domingo, junho 22

É disto que o povo gosta !

Ou é isto que o povo merece? link
Não é concerteza. O mito da excelência dos cuidados de saúde privados prega-lhes destas partidas.
As declarações de Isabel Vaz, dão-nos conta de uma outra engenheira, com menos “speed”, menos graça, mas melhor instalada no negócio da Saúde:
«A procura multiplicou-se num ano, o futuro incerto deste subsistema, entre outras razões, conduziu à imposição de quotas para as primeiras consultas...
Há espera para todas as consultas e os médicos têm excesso de doentes (200 mil), por isso vamos fazer uma requalificação para aumentar a área assistencial e já contratámos mais 40 médicos desde Setembro (com o SNS, uma vez mais, a financiar) ...
Além de haver quotas de primeiras consultas, "porque os médicos têm de seguir outros doentes, há quotas a nível global para cada cliente. Não podemos ter no hospital só doentes da ADSE", que já representa 20% do negócio...
Não podemos ficar dependentes de nenhum cliente. O estabelecimento de quotas justifica-se sobretudo porque "há movimentos no sentido de acabar com a ADSE. Temos de zelar pela saúde financeira do hospital e das 900 famílias que aqui trabalham.»

O negociozinho primeiro...
"Entendi-te", diria o Narciso (Vasco Santana).

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5 Comments:

Blogger Clara said...

Esta lamentável notícia merece-me os seguintes comentários:

a) Isto é só uma pequena demonstração do que acontecerá quando as empresas privadas tiverem a hegenomia do sector da Saúde.

b) Então a convenção assinada pelo ministro Teixeira dos Santos já não vale nada?

c) A senhora deve ter contratado mas é um naipe de contabilistas.

d) Eu se fosse à senhora engenheira não embandeirava tanto em arco. O Hospital da Luz está na moda,fruto da nossa cultura de Centros Comerciais. Devem estar agradecidos também ao São Eusébio padroeiro desse hospital. Mas modas passam e os doentes ficam...

e) Todo este alarido à volta das quotas dos utentes da ADSE não fará parte de mais uma campanha promocional muito bem urdida, quando faz um ano de abertura o hospital?

2:02 da tarde  
Blogger cotovia said...

A engenheira está na expectativa do "opting out" da ADSE, alinhando com os interesses das seguradoras.

6:08 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Privatizar a Saúde ou a Arte de Cavalgar o engenho na “Gestão Clínica” (Privada)

O trabalho publicado hoje no DN é apenas o aroma daquilo que viria a ser um sistema de saúde com preponderância dos interesses privados nas áreas do financiamento e da prestação de cuidados de saúde. As declarações verdadeiramente “desconcertantes” da responsável do Hospital da Luz revelam o quão as areias estão movediças. O povo diz e bem “gato escondido com o rabo de fora”. Isto acontece, justamente, no dia em que no congresso do PSD, a novel líder MFL se referiu, com sepulcral ênfase, ao “sofrível” SNS reafirmando que tudo fará para encontrar maneira de “compensar” aqueles que já estão a pagar soluções privadas.
O mais lamentável, neste relato, não é o ficarmos a saber, publicamente, o que todos que trabalham no sector há muito conheciam. É incontornável o facto de que a prestação privada (orientada por objectivos de lucro) fará sempre a gestão (clínica) do acesso fundamentalmente por dois tipos de critérios: entra primeiro quem melhor pagar ou então quem deixar, no final dos diferentes actos de consumo, a melhor margem. O mais grave é que estes responsáveis empresariais e dirigentes políticos relevam a natureza imoral deste comportamento reiterando, com enorme desassombro um total desrespeito pelos mais elementares critérios de ética no acesso dos utentes à prestação equitativa de cuidados de saúde com base em critérios económicos.
É claro que, a este propósito, os arautos do costume virão arremessar com a famigerada ERS. Não valerá a pena voltar à triste história da regulação em Portugal (Ensino Superior, Banca, Energia, etc) para rapidamente antever o que seria o sistema “deixado à solta” fingidamente “regulado” por uma Entidade sem propósito e com um profundo auto-desconhecimento da sua missão.
O mais preocupante é que os problemas, ora vindos a público, de restrição do acesso são apenas a ponta do iceberg. A verdade é que se os ditos órgãos de supervisão técnica e regulamentar fizessem o seu trabalho seria muito interessante conhecer a resposta a algumas questões:

- constituição e qualidade de equipas (médicos, enfermeiros e técnicos) nas instituições privadas (Blocos, Maternidades, Urgências, UCI’s, etc);
- supervisão técnica;
- enquadramento de equipas (as carreiras médicas, aparentemente, deixam de ter qualquer importância neste tipo de instituições)
- restrição à utilização de fármacos e de material clínico, etc;
- interrupção abrupta de tratamento (doentes oncológicos) por fim de cobertura financeira;

A ERS, a DGS, a IGAES, a OM não estarão motivadas para avaliar e fiscalizar com independência. Seria uma excelente ocasião para aferir das qualidades da gestão clínica privada e dos respectivos “milagres” de eficiência e qualidade. Talvez assim MFL chegasse à conclusão que as histórias que lhe contam estão longe de corresponder à realidade (com papas e bolos…)

7:55 da tarde  
Blogger e-pá! said...

À engª. Isabel Vaz falta esclarecer qual, qual a aposta estratégica do BES Saúde e qual a preferência actusl:
- Um seguro de grupo ou individual?

Até aqui parecia uma lídima defensora da ADSE, mas algo parece ter mudado. O que faz prever o pior!
Interessava saber em que sentido a situação vai evoluir após 2009?

E ao ministro Teixeira dos Santos falta esclarecer o que entende como uma ADSE transformada em "seguro opcional".

O Prof. Vital Moreira tem ajudado nesta cruzada, sem também esclarecer nada. Tem dado "ferroadas" à custa de "boutades" sobre os contribuintes.
Aliás o problema da ADSE é sermos um País de contribuintes e não um País de cidadãos.

O OE contribui em > 60% para a sustentabilidade da ADSE.
Os funcionários públicos contribuem como qualquer cidadão para o SNS e, normalmente, não o utilizam, pelo menos na sua plenitude.

Haverá aqui algum equilíbrio?
O Estado está em condições de garantir, de acordo com o valor médio das reformas, qualquer tipo de seguro de saúde aos cidadãos com > 65 anos?

E o que têm a dizer (de novo) o Prof. Pitta Barros?

10:02 da tarde  
Blogger Tá visto said...

Isabel Vaz, nesta sua eloquente entrevista , procurando justificar a injustificável discriminação no acesso a cuidados de saúde nos hospitais do grupo BES, atira-nos com esta: Temos de zelar pela saúde financeira do hospital e das 900 famílias que aqui trabalham. Pois muito bem Senhora Engenheira, continuando no seu registo, deixo aqui aos nossos decisores políticos uma preocupação bem mais inquietante:
- Ao permitirem que os privados assumam cada vez mais responsabilidades no cuidar da nossa Saúde, quem vai zelar pela saúde financeira do orçamento de estado e das famílias em que se integram os 10 milhões de portugueses que habitam este rectângulo à beira mar plantado?

12:41 da manhã  

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