sábado, março 21

Medicamentos genéricos

A ministra da Saúde, lançou um apelo aos médicos de família para prescreverem medicamentos genéricos aos seus doentes, sobretudo nesta fase de crise económica link
Faz sentido o apelo de Ana Jorge.
Acontece que a utilização de medicamentos genéricos não depende só da boa vontade dos médicos prescritores.

No nosso país, o consumo de genéricos representa 18,56% em valor e, apenas, 13,63 em volume do mercado global (quadro abaixo).
link

O desenvolvimento do mercado de genéricos, confronta-se com inúmeras dificuldades, nomeadamente,
preços elevados: «Portugal is the only country in the EU where the generic market by value represents a higher percentage than by volume in the pharmacy sector. High generic prices have limited generic market penetration as they are not competitive with original product prices.»
E as inúmeras acções judiciais m
ovidas pelos fabricantes de originais que recorrem aos tribunais em defesa das patentes. Em 2007, cerca de um quinto dos pedidos de definição de preços dos genéricos estão suspensos a aguardar decisão dos tribunais. link

Uma realidade muito distante do que se passa nos EUA, onde os medicamentos genéricos representam: 56% do total das prescrições; 60,1% do total dos medicamentos dispensados (formulário, part D); $10 mil milhões de poupança dos consumidores; preço médio dos genéricos: $29,82, contra $101,71 dos medicamentos de marca; mercado com crescimentos de 14% ano . (GPhAStatistics)

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4 Comments:

Blogger DrFeelGood said...

Bom post.

«Ministra pede a médicos de família que prescrevam genéricos».
Continuo sem compreender porque é que não é obrigatória a prescrição de genéricos no SNS.» link
vital moreira, causa nossa

Esta chamada de atenção do VM é pertinente.

As prescrições dos médicos de família traduziram –se em 2008 numa despesa do SNS de 1.472.891.176 euros, ou seja, 43,9 dos gastos totais em medicamentos neste ano (mercado global).

Esta verba daria para construir quase dois hospitais como o universitário de Braga (794 milhões de euros) depois, como é evidente, do substancial desconto de 22,5% (225 milhões euros) feito pela JMS.

Daria igualmente para adquirir uns milhares de BMW 520d Berlina Executive (53.500€)

A OM e as estruturas dirigentes dos MF, deviam empenhar-se mais em promover a utilização de medicamentos genéricos.(pelo menos, não rumar contra a maré).

3:28 da tarde  
Blogger tambemquero said...

.../ Arons de Carvalho disse ontem que considera que "aquilo que a TVI tem feito não é jornalismo, mas sim uma violação sistemática das regras deontológicas", repetindo o que tinha escrito num artigo de opinião no Expresso sobre a cobertura jornalística do caso Freeport, onde no qual afirmava também: "Não deixa de ser confrangedor verificar que este estilo, onde o rigor é absolutamente inexistente, subsiste há meses perante o ruidoso silêncio da regulação e da auto-regulação do sector." .../
JP 21.03.09

O trabalho "jornalistico" do Jornal Nacional da TVI, relativamente a esta matéria tem sido vergonhoso.
Sensacionalismo barato para facturar audiências parece ter sido a linha de rumo traçada pela direcção de programas deste canal.
O trabalho da Manuela Moura Guedes é de envergonhar o mais dos distraídos telespectadores.
A ERC já devia ter intervido há muito. Infelizmente, a falta de tomates é um mal de enorme incidência nacional.

4:04 da tarde  
Blogger Olho Vivo said...

Caro tambemquero tem toda a razão. Infelizmente a "falta dos ditos" não se refere apenas à burlesca pivot da TVI que mistura uma coreografia barata, de corista das notícias conservada em botox, com um suposto figurino de "jornalismo" tablóide. Também nos deixa perplexos a confrangedora complacência de alguns responsáveis que têm tido responsabilidades na área do medicamento há tantos anos em sucessivos períodos e nos têm conduzido a esta lamentável situação.
Quanto aos apelos deveríamos estar conversados. Os responsáveis políticos apenas deveriam fazer apelos em matérias e áreas onde não têm capacidade de agir, intervir e legislar. Só que isso custa muito. Qualquer dia estamos a pedir por favor para não terem comportamentos fraudulentos ou até para não gerarem muitas listas de espera.

4:35 da tarde  
Blogger Joaopedro said...

O mundo de abundância e prosperidade em que vivemos desde a II Guerra Mundial está a ruir fragorosamente. Há, contudo, quem pense que, passada a tempestade, tudo voltará ao mesmo. Pois a má notícia é que não voltará. A boa é que, mesmo sendo um mundo mais pobre aquele que aí vem, pode ser um mundo melhor. Explico-me.

O que se está a passar é o empobrecimento das sociedades ocidentais. Os nossos padrões de consumo serão inferiores àqueles que temos praticado até agora. Haverá menos emprego nos sectores da agricultura, indústria e serviços. E será insustentável que se mantenham e agravem as fortíssimas desigualdades sociais que se criaram desde os anos 80.

É bom que ninguém se esqueça que o que começou por ser uma crise imobiliária, passou para uma crise financeira, tornou-se uma crise da economia real, está já a transformar-se numa enorme crise social e vai descambar inevitavelmente em crises políticas, cujos desfechos são completas incógnitas.
Por isso, não podemos cair nos vários erros que nos conduziram até aqui. Não podemos pedir às pessoas que se endividem para aumentar o consumo — foi precisamente o excesso de endividamento das pessoas, das famílias, das empresas, dos bancos, dos Estados que nos conduziu ao beco em que nos encontramos. Não podemos pedir aos bancos que emprestem dinheiro a tudo e a todos para manter as economias a funcionar — porque a probabilidade de grande parte desse dinheiro não ser recuperado é agora muito maior. Não podemos pedir às empresas que invistam para aumentar a produção — quando os mercados não conseguem absorver a produção existente. Não podemos pedir às autarquias que façam obras desnecessárias porque é preciso que o dinheiro chegue à economia — sob pena de agravarmos o seu desequilíbrio financeiro. Não podemos pedir aos Governos que deitem dinheiro para cima de todos os problemas — porque estamos a agravar os défices excessivos e os desequilíbrios comerciais fortíssimos e a passar uma factura pesadíssima para os nossos filhos.

O que precisamos é de algo que não se compra mas que tem um valor incalculável: bom senso. O bom senso que se espera dos que ganham mais é que reduzam os seus salários para evitar despedimentos. O bom senso que se espera dos gestores é que abdiquem de bónus que, na fase que atravessamos, são ofensivos. O bom senso que se espera dos banqueiros é que não apresentem lucros pornográficos nem tenham remunerações indecorosas. O bom senso que se espera dos trabalhadores é que não agravem o problema das empresas com reivindicações irrealistas.

É por tudo isto que é um bálsamo para a alma a decisão do Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de taxar a 90% os bónus dos administradores de empresas que recorreram a empréstimos do Estado. Se os próprios administradores não tiveram o bom senso de recusar esses bónus (o que diz muito da estupidez da natureza humana), que haja, da parte do poder político, decisões que moralizem a sociedade. Esperemos que o exemplo se espalhe e frutifique. Porque a alternativa é um mundo a caminho de convulsões sociais cada vez mais violentas.
Nicolau Santos, semanário expresso 21.03.09

Por tudo isso e muito mais, nunca como agora, precisamos de conservar e aperfeiçoar o nosso SNS. Gerí-lo melhor. Melhorar a nossa dedicação à causa pública. Tratar melhor os nossos doentes.

7:25 da tarde  

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