sexta-feira, maio 20

Os Liberais de Pacotilha ao ataque ...

PSD quer saúde informatizada para aferir escalões de IRS através do cartão de cidadão.
O PSD quer o Serviço Nacional de Saúde (SNS) todo informatizado para, através da leitura do cartão de cidadão, aferir o escalão de rendimentos de cada utente e assim permitir o pagamento diferenciado das taxas moderadoras, avança a agência Lusa.
A informação foi avançada pelo deputado social-democrata Luís Menezes, à margem de um encontro, durante o qual os partidos políticos apresentaram os seus programas para a área da Saúde.
Esta informatização do sistema é fundamental para a posterior aplicação do pagamento diferenciado das taxas moderadoras no Serviço Nacional de Saúde, defendida pelo PSD no seu programa eleitoral, no âmbito de uma medida que chama de “Plano Universal de Benefícios”.
“Quem pode pagar um pouco mais, paga mais, para que quem está na malha cinzenta [utentes com menos rendimentos] pague menos, ou fique isento”, afirmou.
Luís Menezes explicou que o objectivo do partido não é aumentar o montante dos oitenta milhões de euros arrecadados anualmente pelo Estado em taxas moderadoras, mas antes distribui-los de uma forma “moralmente mais justa”.
Ainda ao abrigo deste plano, o partido quer alargar a oferta dos serviços de saúde actualmente disponibilizados pelo SNS, designadamente consultas de dentista ou comparticipação na compra de óculos.

Os “empreendedores” neoliberais não escondem o desespero pela falta de negócio. Com efeito a multiplicidade de “investimentos” feitos na saúde, a torto e a direito, no sector da saúde cada vez correm pior. É do conhecimento geral a aflição que percorre o sector. Depois de a troika lhes ter trocado as voltas com um plano que reabilita o SNS e introduz racionalidade e transparência o pânico instalou-se.

Com efeito os discípulos do Dr. Catroga estavam convencidos que do memorando iria sair um excitante impulso privatizador cheio de mercado, concorrência, liberdade de escolha e outras pantominices que incorporam a narrativa destes comerciantes que enxameiam o sector da saúde.

Ao invés de um caminho para escaqueirar o SNS a troika fixou objectivos claros de racionalização e de eficiência. Teve porém a ousadia de tocar nas “vacas sagradas”o alimento dos comerciantes. Primeiro escreveu o epitáfio da enorme aldrabice que enforma os subsistemas públicos, nomeadamente, a ADSE. Depois abriu caminho ao fim progressivo dessa absurda medida de iniquidade social que são as deduções fiscais acabando com o incentivo ao consumo e aos preços obscenos do sector privado. Depois fixou, com clareza, regras para a qualificação da gestão pública. A seguir determinou redução dos preços nas tabelas dos convencionados. E, finalmente, a pior de todas prescrição electrónica não apenas de medicamentos mas também de MCDT’s.

Ora como sabemos a transparência e o controlo dos custos com o sector convencionado vão direitinhos à redução da margem dos tais “empreendedores”.
Em desespero de causa vêm agora com esta peregrina ideia do plano universal de benefícios que mais não visa impor racionamento de cuidados obrigando os cidadãos a comprarem seguros de saúde para cobrir a parte que o SNS deixar de pagar. Para arranjar mais uns trocos retomam a patetice dos co-pagamentos indexados ao rendimento indo mais longe que os seguros privados nos quais os co-pagamentos são rigorosamente iguais para ricos e pobres no momento da utilização.

Estranha-se a proposta deste senhor deputado Luís Filipe Menezes (filho) porque ao que se julga tem elevadas responsabilidades num grupo privado de análises clínicas.
Percebe-se no entanto que a falta de liquidez está a ser crítica e há que sacar rapidamente onde puder ser sacado. Que se dane a universalidade e a equidade.
Coitados deles se o pobre do Dr. Coelho não ganha, estarão (como diria o Prof. Marcelo) fritos pois troika + PS + SNS dar-lhe-ão cabo do negócio…

Olinda

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15 Comments:

Blogger tiburcio said...

Perguntas de algibeira
Será que o jovem deputado também vai impor co-pagamentos diferenciados na compra de medicamentos. Assim do género antibióticos para ricos, remediados e pobres? E já agora na tão estimada ADSE pelo PSD e pelos amigalhaços dos negocios privados vai por co-pagamentos também indexados ao rendimento ou os senhores juízes continuarão a pagar consultas no hospital da luz os mesmos 3 euros dos escriturários?

11:43 da tarde  
Blogger Clara said...

O que é interessante verificar é que os nossos liberais de pacotilha são bem mais perigosos que as feras do FMI.

12:25 da manhã  
Blogger tambemquero said...

Regista-se o consenso político nesta matéria: deve ser chamado a formar governo o partido que ganha as eleições, qualquer que seja o seu score eleitoral (em 1985 Cavaco Silva foi chamado a formar governo, tendo ganho as eleições com menos de 30% dos votos). Sempre foi assim no actual regime constitucional, por efeito da própria Constituição, que aponta nesse sentido, e por efeito de uma prática estabelecida, que entretanto se tornou verdadeiro costume constitucional.
No caso de o partido vencedor não ter maioria absoluta, só se pode partir para outras hipóteses de governo, sem o partido vitorioso, se este renunciar a formar governo ou se for logo demitido por efeito da rejeição do programa do governo, para o que é preciso uma maioria absoluta. (Até agora nenhum goveno foi derrubado desse modo, ressalvado o caso atípico de um "governo de iniciativa presidencial", em 1978.)
Evidentemente, no nosso sistema constitucional o PR pode entender exigir, justificadamente, que o governo a formar disponha de maioria absoluta, mas se o partido vencedor não conseguir prencher essa condição mediante coligação com outro partido, o Presidente terá de ponderar se deve assumir a responsabilidade política de optar por chamar a formar governo outros partidos marginalizando o partido vencedor.

vital moreira, causa nossa

12:28 da manhã  
Blogger saudepe said...

Quantas oportunidades daremos a PPC

Pedro Passos Coelho acha que as Novas Oportunidades são uma certificado à ignorância. Assim como acha que o subsídio de desemprego é um expediente de preguiçosos. Passos Coelho deve ser um homem que, desde de tenra idade, deu no duro. Um aluno brilhante que singrou numa carreira e assim se impôs aos que o rodeavam. Porque tanta arrogância social só pode resultar de uma vida sofrida que olha com impaciência para as dificuldades dos outros. Quem vá ouvindo a forma como a nossa elite fala dos menos afortunados terá de concluir que é o mérito, e apenas ele, que explica o seu sucesso.

Pois eu admiro quem, depois de um dia de trabalho, ainda arranja forças para ir para uma escola. Admiro quem tira tempo ao seu tempo para aprender um pouco mais. As Novas Oportunidades não corresponderão muitas vezes a um ensino de excelência. Aqui e ali poderão, muitas vezes, ser ligeiras. E as principais vítimas desse facilitismo serão aqueles que perdem o seu tempo para melhorar os seus conhecimentos e ver habilitações que já têm, conseguidas fora dos bancos da escola, reconhecidas pela comunidade. E serei o primeiro a defender que não pode haver uma formação de segunda para quem se esforça para conseguir mais. Mas nunca, em nenhum momento, me atreveria a insultar assim o esforço destas pessoas.

A frase de Passos até pode ser popular num País onde o esforço de quem não se resigna a ficar no seu lugar é, pelo menos até se conseguir engordar a conta bancária, motivo de troça. Quem fez o 12º ano até pode gostar de pensar que os que chegaram até lá fora de tempo não o merecem. Mas ela carrega consigo o indisfarçável desprezo que os homens à volta de Passos Coelho têm por aqueles que esta sociedade desigual e esta elite arrogante vê como "falhados". É assim com os desempregados, é assim com os que têm menos estudos. E este padrão de desprezo social diz quase tudo sobre a forma como estes senhores pretendem governar o País

Daniel Oliveira, Arrastão

11:39 da tarde  
Blogger e-pá! said...

O problema deste País não tem sido as "Novas Oportunidades" que, timidamente [poderia ter sido doutra maneira?], tentaram qualificar portugueses e portuguesas excluídos - em tempo útil - de dejesáveis processos de formação e educação.
Tem sido, antes, as "Grandes Oportunidades" [grandes e espúrias] que geraram múltiplos casos de oportunismo político, empresarial e financeiro...
É isto que os "liberais de pacotilha" pretendem esconder.

10:08 da manhã  
Blogger daniel said...

podem falar de 1000 episódios diferentes sobre PPC. No final do dia a questão é sempre a mesma. Qual é o Partido que melhor vai servir Portugal. Infelizmente neste momento só existe um minimamente capaz e com os pés minimamente assentes na terra. PSD.
Espero que ganhe para o nosso bem.

4:57 da tarde  
Blogger Clara said...

Sócratee ganhou o debate.
Repararam como PPC faz beicinho.
Demonstrou não conhecer bem o seu próprio programa eleitoral.
PPC vai precisar de explicadores para se actualizar.
Um caso dramático de falta de cultura política e de jeito.

10:57 da tarde  
Blogger tonitosa said...

Quem tenha acompanhado minimamente a evolução do SNS desde o início do século deverá ter presente a sua evolução, por um lado em termos de custos, por outro lado em termos de comparticipação dos utentes, quer nos medicamentos quer nas taxas moderadoras.
Não deveria pois, ser surpresa para alguns comentadores do Saúdesa,e "experts" na matéria, que se procure a informatização do SNS e a possibiliadde de se aferirem direitos através do cruzamento de informação sobre rendimentos dos utentes para que as regras se cumpram. Mas por razões ideológicas(?) há que diabolizar novas propostas e soluções porque surgem da iniciativa dos que apelidam de "librais de pacotilha" (pobre imaginação!).
Então já se não lembram da introdução compulsiva das taxas de internamento por Correia de Campos, aliás tão debatidas neste blog? E esqueceram-se do agravamento dos custos dos medicamentos para os utentes "decretado" pelo(S) governo(S) Sócrates? E já se não recordam das discussões em torno da sustentabiliadde do SNS, com os ministros da saúde e os "economistas(?) da saúde" a apontarem a necessidade de acabar com a "gratuitidade" do SNS, lembrando que essa qualificação é apenas uma "tendência".
E ignoram estes comentadores o agravamento dos custos da saúde e particularmente dos Hospitais do SNS, seja em salários seja em medicamentos e com aquisição de serviços externos?
E entendem que a tróika sobre a matéria veio dizer algo de novo e que os responsáveis (políticos e gestores) desconhecem?
A tróika fixou objectivos claros de racionalização e eficiência?!
O que tem afirmado a propaganda dos Administrações e do governo ao longo dos anos? Não se tem anunciado aos quatro ventos a racionalização e eficiência? E onde estão os resultados?
Basta atentar na evoluçãos dos custos e das dívidas dos HH para bem se perceber que mais uma vez "as medidas impostas(?) pela tróika não passarão de boas intenções (de que o inferno está cheio).
PS.: Como outrora escrevi, sou contra as taxas moderadoras e consequentemente os ditos co-pagamentos. Mas não será com novo governo PS que nos livraremos delas. Não atiremos, então, areia para os olhos dos outros.
E também não fica bem a maldicência. Se queremos defender as nossas posições (e/ou os nossos empregos privilegiados) não precisaremos de acusar outros de desonestidade.

10:22 da manhã  
Blogger tonitosa said...

Oh Clara, olhe que não...olhe que não. Veja as opiniões da maiosria dos analistas!

10:31 da manhã  
Blogger tambemquero said...

Membros da troika «foram cuidadosos»

«Foram cuidadosos na questão da Saúde, embora obrigando a cortar um bocado», É que, para António Arnaut, «há muita coisa onde cortar sem prejudicar a qualidade do SNS» e o sector do medicamento é disso exemplo, pois ao antigo ministro afigura-se que o lucro médio de 18% da Indústria Farmacêutica, num mercado garantido, «é excessivo».

A revisão das taxas moderadoras, com uma actualização indexada à inflação e com a diminuição das isenções, também foi bem acolhida pelo ideólogo do SNS, que ressalvou: «Não se pode é cortar por nenhuma via o acesso aos cuidados de saúde, em nome da ética.»

António Arnaut reconheceu que «temos de reestruturar» e fazer as «reformas necessárias» para adaptar e incorporar as mudanças da sociedade nos últimos 30 anos no modelo de assistência médica nacional, mas, advertiu, o que «não se pode fazer é pôr em causa o princípio».

Imposto para a Saúde só em «última instância»

A António Arnaut não escapou o tema da sustentabilidade do SNS em tempos de crise e de contenções orçamentais. Só que para o advogado esse argumento é «esgrimido por quem quer atacar o SNS» e até gracejou: «Há 33 anos que oiço dizer que é insustentável.» Ainda assim, lembrou, aquilo que o País gasta com a Saúde «é das despesas per capita mais baixas da Europa».
«Em última instância», o «pai» do SNS não descartou a hipótese de ser criado um «imposto especial consignado para a Saúde», de modo a fazer frente aos crescentes custos e para garantir que, no acto da prestação, nenhum utente tem de pagar, nem mesmo os com mais possibilidades económicas. Neste ponto, António Arnaut invocou o «argumento do “tio Belmiro” [de Azevedo]», referindo-se aos sectores que querem pôr as camadas da população mais abastadas a pagar no acto da prestação médica para favorecer as camadas mais desprotegidas. Um argumento «falacioso e perigoso», na opinião do jurista. Falacioso, porque as pessoas com mais posses «já pagam nos impostos» em função dos rendimentos, e «não podem pagar duas vezes»; perigoso, porque se isso acontecer, essas pessoas com mais capacidade económica vão preferir contribuir apenas para seguros de saúde privados e «a partir daí passa a haver Medicina de primeira e de segunda».
A liberdade de escolha por parte do utente também mereceu a atenção de António Arnaut, quando argumentou que «o Estado não pode financiar o sector privado» e que este «não pode parasitar o sector público». O fundador do SNS foi mais longe e frisou que quem defende a liberdade de escolha o faz «no interesse dos grupos económicos» e não no interesse dos doentes.

Base do SNS «não é ideológica»

Como seria de esperar, durante a conferência António Arnaut fez muitas «viagens» ao passado para falar da constituição do SNS, do qual que reconhece a «paternidade», pelo menos do «princípio», já que deixou para técnicos como Mário Mendes e Gonçalves Ferreira o delinear da organização que daria corpo ao seu projecto.
Recordando todo o processo, que envolveu a queda do Governo de coligação do PS com o CDS e a aprovação do decreto-lei na legislatura seguinte com o voto favorável dos deputados do PS, do PCP e um da UDP, António Arnaut sublinhou: «A base do SNS não é ideológica.» Ainda assim, condescendeu, não deixa de haver «uma carga ideológica», mas trata-se, antes de mais, de «um imperativo ético», com o qual pretendeu responder à pergunta: «A saúde é um direito de todos ou um privilégio de quem pode pagar?»

Tempo de Medicina 23.05.11

12:11 da tarde  
Blogger tambemquero said...

Saúde sai «valorizada» com as propostas da troika

Definir algumas regras para o sector privado, gerir melhor o SNS, que apesar de tudo é «um excelente sistema», são, segundo o bastonário da Ordem dos Médicos (OM), algumas das propostas e recomendações da troika para o sector da Saúde. De resto, o SNS «será para manter».
«Não há dúvidas de que aquilo que perpassa em todas as propostas da troika é a manutenção e a melhoria do Serviço Nacional de Saúde [SNS]», afirmou no Porto o bastonário da OM, José Manuel Silva, saudando o facto de as preocupações do SNS em geral terem sido de alguma forma «valorizadas» pelas medidas apontadas pelos representantes das três entidades que vão financiar o País (Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia).
Falando na abertura do 17.º Congresso Nacional de Medicina Interna — realizado a 17 de Maio na Alfândega do Porto e a que presidiu o director-geral da Saúde, Francisco George, em substituição da ministra da tutela —, o presidente da OM sublinhou que «um aspecto pouco valorizado na Comunicação Social» é que «a troika nos veio dizer» que «temos de melhorar, gerir bem», e «preservar e manter o SNS». E «isso é possível, e é desejável que seja feito com os médicos», acrescentou.
Seja como for, José Manuel Silva defende que as ordens profissionais terão de ser ouvidas e devem dar o seu contributo para algumas propostas futuras. «Seguramente, a OM tê-lo ia feito, saberia onde fazê-lo e poderia ter dado um contributo importante a esse nível», frisou.
Num encontro marcado pelo arranque das comemorações do 60.º aniversário da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), o bastonário não deixou de apelar ao envolvimento dos médicos no processo de «recuperação do País». «Estamos disponíveis, mas seremos também exigentes para que a comparticipação atinja todos e que não sejam apenas alguns a fazê-lo», sublinhou.

TEMPO MEDICINA, 23.05.11

12:15 da tarde  
Blogger xavier said...

...
2. Dito isto, vamos à análise do debate:

a) Sócrates começou o debate atacando, tal como previ. Passos coelho respondeu bem, invocando exemplos de Cameron e do partido trabalhista para refutar críticas relacionadas com a sua idade e inexperiência. Ficou, no entanto, aquém na defesa do Estado Social e no seu entendimento do papel do Estado. Foi muito redondo, muito lento, muito pouco claro. José Sócrates deu uma imagem -televisivamente - muito mais tranquilo, mais confiante. Passos Coelho mais nervoso - tremeu quando pegou nos papéis - , mais tranquilo, sobretudo num momento importante do debate: a menção de um relatório da Fomtinvest que alegava que a crise nacional era, em grande parte, consequência da crise internacional. É a confirmação de que José Sócrates é um bicho político terrível: recorreu a um documento da vida profissional de Passos Coelho para o entalar politicamente. É um golpe baixo, mas politicamente útil. Até porque a imagem televisiva mostrou um Passos hesitante na resposta e invocou um argumento político frágil: é que, enquanto administrador, tinha uma certa visão; enquanto líder do PSD tem outra. Ora, era precisamente isso que José Sócrates pretendia demonstrar! Portanto, Passos Coelho deu um presente a José Sócrates!

b) Contudo, na nossa opinião, este momento foi um fait diver. O momento mais difícil para Passos Coelho foi a da comparticipação do serviço nacional de saúde: Passos Coelho, em vez de responder directamente a José Sócrates, deu a ideia de querer fugir à pergunta, falando dos desempregados e outras matérias, pedindo por duas vezes a Sócrates para não o interromper (enquanto ele pensava na resposta). É lentidão a mais! E Sócrates, que tem uma equipa de assessores muito profissional, levou cds, folhinhas, isto e aquilo para mostrar que ele é que diz a verdade. Aspeto curioso: Sócrates acusou de o líder do PSD de colocar em causa a sua palavra - mas foi Passos quem passou por mentiroso neste debate. Ora, politicamente, foi uma jogada de génio...

c) O grande problema de Passos Coelho foi apenas reagir -nunca agir. Nunca tomou a iniciativa, trazendo assuntos incómodos para o PS (e há muitos!) , limitando-se a responder a José Sócrates. Naturalmente que isso dá, desde logo, uma vantagem significativa ao líder socialista. Este era um dos dez mandamentos que Passos Coelho não cumpriu. Falta-lhe confiança política. Falta-lhe entusiasmo.

d) O melhor momento de Passos Coelho foi a reta final. Esteve muito, muito, bem na escolha de frase proferidas por José Sócrates a diabolizar o FMI. O mesmo FMI com quem José Sócrates teve (ou terá?) de trabalhar para evitar que o país ficasse na bancarrota! E este foi, correlativamente, o pior momento de José Sócrates: então, José Sócrates celebrou um acordo com a troika, terá de cooperar para as executar, quer ser chefe do Governo que as irá aplicar - e continua a criticá-las, dizendo que o país não precisava de ajuda externa? Estamos a brincar? O mesmo Sócrates que chama o FMI - diz que Portugal não precisa do FMI! Que ilusionismo político!

e) No domínio da legislação laboral, José Sócrates caiu no ridículo: a flexibilização do despedimento encontra-se no memorando - mas Sócrates diz que o Governo está a estudar. Isto é uma A-NE-DO-TA! Uma anedota! Só não nos rimos, porque é triste... E Passos Coelho respondeu razoavelmente, embora - mais uma vez! - lento na articulação do raciocínio.

3. No global, na forma, José Sócrates muito mais ágil, perspicaz politicamente, a atacar forte e feio; Passos Coelho mais lento, com, aqui e ali, tiradas certeiras, mas um pouco inócuas. É pena: ficamos com a ideia de que Passos poderia ter mais e melhor. Bastava ter cumprido os dez mandamentos que eu aqui avancei - não cumpriu nenhum. Infelizmente para Portugal...

José Sócrates - é um animal político, com uma grande presença televisiva, com a lição muito bem estudada - 13 valores;

Passos Coelho - nervoso no início, lento, muito redondo nas respostas, embora com críticas eficazes - 12 valores.

joao lemos esteves, expresso 21.05.11

12:29 da tarde  
Blogger tonitosa said...

Ainda quanto ao debate, JS-PPC poderiam publicar-se, também, opiniões de outros analistas, também elas publicadas noutros jornais.
Mas acho que não vale a pena. Afinal todos somos "inteligentes" para percebermos que, frequentemente, quando o nosso clube perde a culpa é do árbitro!
E basta vermos os debates para constatarmos que o "amor aos clubes" (clubismo) raramente é compatível com a razão e/ou a racionalidade.
Disse

1:39 da manhã  
Blogger helena said...

Depois da celebre declaração de Massamá, a Laurinha desapareceu da campanha.

12:12 da tarde  
Blogger tonitosa said...

Para esquecermos a situação em que o nosso País se encontra, e recordando outros tempos, aqui no Saúdesa, deixem-me gritar bem alto: VIVÓPORTO.
Apesar de ter sido no estádio de Oeiras (terra do Xavier?) foi um dia lindo. E que bons petiscos, trazidos por gente boa da Póvoa de Varzim!
Um abraço ao Vivóporto que há muito se remeteu ao silêncio.

10:35 da tarde  

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