sábado, dezembro 3

Apanhar bonés

EPE são um saco azul, diz responsável da Saúde

O presidente da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), Carvalho das Neves, afirmou ontem que os hospitais com estatuto de Entidade Pública Empresarial (EPE) são um “saco azul”. O responsável máximo do organismo que gere os dinheiros da saúde, que falava numa conferência sobre os desafios no financiamento hospitalar, organizada pelo Diário Económico, começou por lembrar que estas unidades, do ponto de vista da contabilidade pública, deixaram de contar para o Orçamento do Estado, mas o buraco cresceu significativamente. Até Setembro deste ano, o défice já era de 209,4 milhões de euros, disse. O presidente da ACSS frisou que o país agora tem “novos patrões” e que para a troika “os EPE são um descalabro” e por isso “devem passar para o Sector Público Administrativo (SPA)”. Esta é a novidade que nos está a ser colocada. Vamos ter um ano para pôr as contas em ordem, caso contrário a troika vai exigir que regressem para o SPA”, revelou Carvalho das Neves, salientando que o financiamento dos [nove] hospitais que ainda estão no SPA vai ser assegurado directamente pelas Finanças e não pela Saúde.

O presidente da ACSS admitiu ainda que, ao contrário do que já acontece com a monitorização mensal de todas as unidades do SNS, em relação aos hospitais em modelo de Parceria Público Privada (PPP) “não há informação porque o contrato não prevê a sua divulgação pública”. Carvalho das Neves afirmou ainda que em 2012 “põe-se um desafio que já se tinha colocado antes”, mas que não foi assumido: “Não existe plano para a redução da oferta” com a abertura de unidades na região de Lisboa, como o novo de Loures, cuja inauguração está prevista para Janeiro. O responsável defendeu também que “em tempos de crise devem restringir-se os incentivos à produção dos hospitais.”
João d’Espiney, Público 1/12/2011
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Uma pessoa lê isto e ri-se!
O grupo para a reforma hospitalar preconiza a passagem dos hospitais que restam em modelo SPA para EPE; o actual presidente da ACSS diz que os hospitais EPE são um “saco azul” que devem, em concordância com a troika, voltar ao sector público administrativo.

Ficamos a saber que boas contas serão exigidas apenas aos hospitais com gestão pública, empresarial ou não, as PPP estão dispensadas de monitorização mensal por força de disposições contratuais (por certo os tais lapsos que permitiram o descalabro Amadora-Sintra).

O grupo liderado por Mendes Ribeiro defende a liberdade de escolha dos utentes, com concorrência entre hospitais do SNS e incentivos aos que tiverem melhor prestação, Carvalho das Neves quer desincentivar restringindo a produção hospitalar.

Como vai este pessoal entender-se? Não seria mais correcto titular a reforma hospitalar: “A confusão do Ministério no centro do sistema, doentes e profissionais a apanhar bonés”?

Tavisto

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3 Comments:

Blogger DrFeelGood said...

O que me parece é que o relatório do GTRH é um instrumento queimado.
O ministro da saúde errou, à partida, na escolha de Mendes Ribeiro.
O resultado está à vista.
Paulo Macedo terá de encontrar outra via, outro método, outra gente para levar a cabo a reforma necessária de rede hospitalar do SNS.

9:04 da tarde  
Blogger DrFeelGood said...

Tem a palavra o pai do monstro:

«São notícias muito preocupantes», reagiu José Mendes Ribeiro. O coordenador do Grupo Técnico para a Reforma Hospitalar (GTRH) mostrou-se muito inquietado com as afirmações de João Carvalho das Neves. É que, para além de ter sido o precursor, em 2002, do processo de empresarialização dos hospitais, a equipa actual que este economista coordena recomenda no recente relatório sobre a reforma dos hospitais (edição de 28/11/11) a passagem a EPE dos hospitais que restam no sector público administrativo.
José Mendes Ribeiro reconheceu ter ficado «muito preocupado» com a possibilidade de a troika «querer regredir numa das reformas mais importantes» que, na sua perspectiva, resultou na «transformação dos hospitais em empresas preocupadas com os resultados e com uma melhor e mais eficiente utilização dos recursos».

TM 05.12.11

9:10 da tarde  
Blogger Clara said...

Uma «alternativa radical»

Perante o cenário encontrado, Miguel Gouveia propôs uma «alternativa radical». O economista considera necessário pensar em «concessionar a parte clínica aos privados», tal como já aconteceu no Hospital de Fernando Fonseca, mais conhecido como Amadora-Sintra.
É que se «voltar ao sector público administrativo não faz sentido», a sugestão do economista pode ser positiva, na medida em que os hospitais «já estão tão mal que pior será difícil». Esta é, assim, «a proposta de alguém que se vê entre a espada e a parede» e embora não seja «uma bala mágica», pode ser a solução radical para abanar a gestão.
A proposta de Miguel Gouveia motivou um comentário de Adalberto Campos Fernandes. Apesar de o administrador do Hospital de Cascais não querer entrar na moda de «”malhar” no Amadora-Sintra» e de considerar que a experiência «não foi um insucesso» total, está reticente em relação à proposta: «Tenho algum receio que, em tempo de crise, sejamos experimentalistas.»
«Talvez fosse melhor pedir ao dr. João Carvalho das Neves que faça da ACSS uma grande entidade gestora da rede», preferiu sugerir o administrador.

TEMPO MEDICINA 1.º CADERNO de 2011.12.05

E há sempre um iluminado a tentar defender o que julga ser o ponto de vista do Governo.
Quem parece conhecer esta tropa toda de gingeira é o ACF que aproveita para gozar com a cambada de labregos.

9:17 da tarde  

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