domingo, janeiro 15

Política dos cortes a eito

Os doentes em espera cirurgica aumentaram de 161 para 174 mil (mais treze mil) no 1.º semestre de 2011, invertendo a tendência de recuperação das listas de espera registada nos últimos anos. link

Tudo isto se sabe, como vem sendo habitual com este Governo, antes de ter sido publicado o relatório do Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC), referente a este período.

Se tivermos em atenção que a produção cirurgica dos hospitais está em queda livre (menos 42 mil cirurgias realizadas em Set-Nov 2011) temos evidência dos que nos espera com esta política de cortes a eito da troika e do ministro Paulo Macedo (mais papista que a troika): A destruição do acesso dos portugueses aos cuidados de saúde.

Eventualmente, o ministro da saúde espera que a última subida brutal das taxas moderadoras afaste muitos doentes das consultas dos CSP e dos HHs, reduzindo, desta forma, os doentes com indicação cirurgica e, por conseguinte, a pressão dos novos casos sobre as listas de espera .
E, logo, os portugueses passando a morrer mais cedo, as listas de espera compõem-se. É como quem manda emigrar os portugueses mais jovens. Tudo a bem do equilíbrio das contas do Estado e da política da senhora Merkel.

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4 Comments:

Blogger Tavisto said...

É preocupante saber-se que enquanto o número de doentes em lista de espera para cirurgia aumenta se verifica uma derrapagem orçamental dos hospitais (70 milhões de euros só em Novembro de 2011).
É caso para perguntar, por que frinchas se esvai o dinheiro?

9:20 da tarde  
Blogger Maria Eduarda Runa said...

O número de doentes em lista de espera aumenta, mas era importante averiguar a razão pela qual uma equipa opera por exemplo 15 doentes numa manhã, mas quando se trata de produção adicional a mesma equipa já opera 20 ou 25 doentes no mesmo período de tempo. Nota importante: a produção adicional tem um valor bem mais elevado que a normal !

10:43 da tarde  
Blogger tambemquero said...

Estatísticas e pessoas

Os cortes cegos no Orçamento, com a psicose geral da crise, podem parecer uma saída boa, numa politica de ciclo de quem espera poder vir a distribuir benesses a tempo de ganhar eleições.

E talvez seja uma tentação, para quem ache que a melhor maneira de fazer passar uma crise pela opinião pública é fazê-la esperar uma de maior gravidade ainda – para as pessoas se aliviarem com um resultado, apesar de bastante mau, menos horrível.

Mas o perigo é o de se tratarem as pessoas como estatísticas e, de repente, elas deixarem de ser números e aparecerem na imprensa, com nomes e apelidos, mais os seus dramas. Na Saúde, esse é um problema especialmente melindroso. Já se viu que a especialidade do ministro da Saúde, Paulo Macedo, é precisamente essa: cortar com os olhos apenas nas estatísticas. O pior é se lhe caem em cima doentes com nome e apelido, vítimas de cortes escusados, e evitáveis se não tivessem sido vistos apenas como dados estatísticos. Como aconteceu com a miúda que ia ficando em Madrid sem transplante de fígado. Por isso João Lobo Antunes (mais um cavaquista...) alertou oportunamente que «na Saúde, os cortes não podem ser cegos». Macedo irá compreendê-lo? Ou vai cair tudo em cima do discurso de Ano Novo do Presidente Cavaco. link

12:34 da manhã  
Blogger e-pá! said...

"Democracia: é uma crendice muito difundida, um abuso da estatística." (Jorge Luis Borges)

7:08 da manhã  

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