Encerramento dos SAP
José Manuel Silva, presidente do Centro Regional do Centro da Ordem dos Médicos, bate forte e feio no programa de encerramento dos SAP, num artigo publicado no JN (15.08.06) link
"(...) De facto, o senhor ministro pretende encerrar todos os SAP's de Portugal. Já o começou a fazer, no Centro do país, mas ainda ninguém conhece a prometida rede de Unidades Básicas de Urgência, nem os respectivos critérios de localização e equipamento, muito menos o que significam exactamente e o regulamento das ditas "Consultas Abertas", que serão criadas em substituição. Na realidade, o senhor ministro prepara-se para fechar todos os SAP's, que funcionavam durante as 24h do dia (admitimos que alguns não se justificaria continuarem abertos), e abrir as "Consultas Abertas", apenas durante o dia. Como serão somente "Consultas Abertas", irão ter ainda menos recursos técnicos e humanos que os SAP's, se bem que, no terreno, irão desempenhar precisamente as mesmas funções… "
"(...) De facto, o senhor ministro pretende encerrar todos os SAP's de Portugal. Já o começou a fazer, no Centro do país, mas ainda ninguém conhece a prometida rede de Unidades Básicas de Urgência, nem os respectivos critérios de localização e equipamento, muito menos o que significam exactamente e o regulamento das ditas "Consultas Abertas", que serão criadas em substituição. Na realidade, o senhor ministro prepara-se para fechar todos os SAP's, que funcionavam durante as 24h do dia (admitimos que alguns não se justificaria continuarem abertos), e abrir as "Consultas Abertas", apenas durante o dia. Como serão somente "Consultas Abertas", irão ter ainda menos recursos técnicos e humanos que os SAP's, se bem que, no terreno, irão desempenhar precisamente as mesmas funções… "
A região Centro, onde decorre presentemente o encerramento de SAP, foi a que registou menor adesão às USFs.
A resistência da classe médica a esta mudança terá sido correctamente avaliada pelo ministro da saúde?
O que aconselha o relatório do OPSS:
Torna-se assim decisivo para a requalificação dos cuidados de proximidade que seja ultrapassada a presente situação, aparecendo as UBU como uma alternativa mais vantajosa, quer ao fazerem crer na prestação de cuidados de urgência/emergência adequados, quer ao propiciarem condições para o aumento do acesso às consultas no médico de família.
Mas, para que tal aconteça há um quadro prévio de condições a cumprir por parte dos promotores da reforma:
a) O estudo para a sua implantação deverá ser rigoroso, incorporando os dados demográficos, de tempo de deslocação e de necessidades em saúde;
b) Não deverão ser encerrados serviços sem que antes se tenham criado melhores alternativas para os cidadãos, mesmo que um pouco mais longe, mas ainda e sempre em proximidade e tecnicamente mais apetrechadas;
c) Todo o processo deverá ser escrupulosamente transparente, criando-se um necessário espaço de pedagogia e de discussão sobre as propostas a implementar, nunca esquecendo autarcas, políticos e outras lideranças locais.
A não ser cumprido este quadro de condições corremos o risco de uma vez mais sermos confrontados com uma intervenção política assente em soundbytes, propiciadora do reaparecimento cíclico de contra-respostas de teor regionalista e populista e, como balanço final, com a impossibilidade de se reverter, pela positiva, a actual situação de proliferação dos SAP.
A não ser cumprido este quadro de condições corremos o risco de uma vez mais sermos confrontados com uma intervenção política assente em soundbytes, propiciadora do reaparecimento cíclico de contra-respostas de teor regionalista e populista e, como balanço final, com a impossibilidade de se reverter, pela positiva, a actual situação de proliferação dos SAP.
























7 Comments:
O meu aplauso para esta opinião.
Quem diria, Dr. Pires, quem diria...
Em completo acordo com José Manuel Silva (JN 06/08/2006).
Anseio que a Ordem dos Médicos pugne pela sustentabilidade do SNS, sendo o garante de recursos médicos humanos, zelosos, competentes e idóneos. Faça respeitar os clínicos, realce a importância do sentido de serviço público dos seus pares! Regulamente com autenticidade a actividade médica privada!
De facto este governo não tem perspicácia para fazer aplicar as medidas ditas de racionalização, com os clínicos, mas sim contra os clínicos! Isto pode colher a muito breve prazo a simpatia de alguns que vingam algum sentimento recalcado mas realmente resultará numa crise insoluvel do nosso SNS!
Alerta,
a OM nunca se preocupou com os cuidados primários, ou se quizer com os médicos dos centros de saúde, não vai ser agora que o vai fazer...
Continuamos com uma política economicista de saúde, abandonou-se de vez a política de qualidade.
Vamos continuar a assistir ao desmantelamento do SNS no que ele tem de bom e de mau logo que isso signifique menor gasto e desgaste da classe médica.
Viva a economia fora com a saúde dirá o Ministro CC.
Essa do "Vamos continuar a assistir ao desmantelamento do SNS" já se vem ouvindo há anos e com vários governantes/governos.
Se CC não muda de técnica e estilo, a reforma dos CSP e as USF arriscam-se a ser mais um estrondoso fracasso, depois de terem sido um estrondoso sucesso antes de começar a sua implementação.
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