sábado, janeiro 13

Director Clínico (2)



O Director Clínico ou é líder ou não é líder! Ou é reconhecido pela sua competência entre os seus pares ou não é! Tudo o resto vem por arrasto e tem muito mais a ver com a "equipa de gestão" do que com o Director Clínico em particular.
O que acontece é que nem sempre ( ou quase nunca)o DC é escolhido pela sua competência mas pelo "cartão de militante partidário" e isso basta para que ele próprio não se sinta em condições de questionar os médicos sobre condutas menos correctas.
Depois, o Director Clínico não é, nem tem que ser, especialista em todas as áreas clínicas e isso também limita a sua intervenção. O DC não pode impor, a este ou àquele médico, determinada prática clínica; tem antes que zelar para que, no seu Hospital, sejam desenvolvidas acções de sensibilização para as melhores práticas, para uma correcta avaliação de resultados e para a definição de objectivos julgados atingíveis.
O DC frequentemente tem tendência a defender os interesses corporativos mais do que os objectivos da organização. Ele comporta-se muitas vezes como se a Gestão da organização não fôsse um problema seu! E isso é que prejudica a sua acção e da equipa de gestão a que pertence.
O DC não pode ser um elemento ausente; deve aompanhar de perto o dia-a-dia do Hospital e isso raramente se verifica. O DC passa muito do seu tempo em Colóquios, Congressos, nas aulas e em reuniões e "ausente" do Hospital.
E assim é difícil dirigir!
tonitosa

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6 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Um DC é ou deve ser um profissional que não deve de forma alguma esquecer que é médico.
Deve pertencer à instituição porque se exige que a conheça.
Deve viver nela (como Tonitosa diz) para estar informado, detectar e dar resposta aos problemas, para ouvir os seus pares e os outros sectores profissionais, para ter um profundo conhecimento da vida interna do Hospital.
Deve ser um bom gestor de conflitos inter pares e inter-sectores profissionais, saber escolher para a sua equipa quem melhor se adapte aos princípios de consonância com os interesses da instituição e estratégia definidas pelo CA e que ao mesmo tempo sejam transmissores da opinião maioritária e dos problemas da área clínica.
Deve ver as áreas clínicas como um todo e não sectorialmente.
Deve ver a sua nomeação como uma missão e não como um acto de promoção pessoal ou valorização curricular.

Não parece ser isto que se prevê para o cargo de DC do CH do Alto Ave…

6:47 da tarde  
Blogger naoseiquenome usar said...

Ò J.F:
Não me diga que vai ser produzida uma lei de carácter excepcional para o cargo de DC do CH do Alto Ave!
Aprovada em CM, promulgada pelo PR e publicada e tudo!
"Valha-nos DEus"

8:26 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

A ler:
http://insustentaveleveza.blogspot.com/2007/01/uma-estria-real.html

10:03 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

O problema do cartão partidário não é exclusivo da classe médica, as nomeações políticas dos dirigentes é um problema transversal no aparelho de Estado em Portugal. Na saúde o problema pode ser mau, mas pior é quando quem chefia não tem conhecimentos para o fazer e, tanto na orientação como na avaliação de quem chefia, essas lacunas provocam desmotivação e quebras de produtividade. Senão imaginem-se, pessoal médico, chefiado por administrativos...
A instrumentalização do aparelho do estado pelos partidos é um dos maiores problemas e dos menos falados.

1:03 da manhã  
Blogger tonitosa said...

Pessoal médico chefiado por administrativos? Não é o conceito de chefia que está em causa?
Eu conheço situações em que os "Serviços" (organizações) são dirigidos por Administrativos ( bem), mas não conheço situações em que os médicos tenham administrativos como seu chefes!

10:09 da manhã  
Blogger tambemquero said...

Agora de repente descobriram (surprise!) que os Directores Clínicos não têm perfil, formação adequada nem se identificam como deveria ser com as instituições (empresas) onde trabalham.
Isto é tipico de um processo de empresarialização feito em cima do joelho, à pressa (é preciso manter o pipeline do interesse privado a funcionar).

Mas então, alguém nasce ensinado?

Que acções de informação, sensibilização, formação sobre os novos métodos de gestão, dirigidas ao pessoal médico, foram desenvovidas nos últmos anos?

Mas não há crise que o novo sistema privado de saúde que o ministro da saúde está a implementar não resolva: hospitais de gestão privada, seguros voluntários de saúde complementar, seguros obrigatórios, rentabilidade assegurada pelo accionamento das taxas acima da inflação.

Como se deve sentir amargurado o Luís Filipe Pereira, o pai desta capitulação do SNS,por não ter tido as mesmas condições do CC.

2:09 da tarde  

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