domingo, março 4

Recuperação da Crise






(...) Semanário Expresso (SE) link : Sente que tem total confiança do primeiro-ministro para conduzir esta reforma?
Correia de Campos (CC): Ora, ora…

SE: Foi chamado a São Bento na véspera de assinar os protocolos…
CC: Não fui chamado. Tenho reuniões regulares com o primeiro ministro.

SE: Mas foi noticiado e até reconhecido por uma fonte do seu gabinete.
CC: Não. A conversa com o primeiro ministro estava marcada há duas semanas. O primeiro ministro tem conversas regulares com os ministros e essas conversas têm uma agenda, que é reservada.

SE: Não foi para falar das urgências?
CC: Não vou dizer do que tratámos.

SE: E houve alguma intervenção de primeiro ministro neste processo?
CC: Este processo foi desenhado por mim de A a Z e fui sempre mantendo o primeiro ministro informado. O primeiro ministro aconselhou-me, muitas vezes, sobre a forma como contactar com os media.

SE: Os seus camarada socialistas acusam-no de ter errado ao divulgar o relatório antes de o debater com as populações.
CC: Os meus camaradas socialistas não me acusam de nada. Duas ou três pessoas emitiram opiniões. Portanto, não generalize.

SE: Ainda não respondeu à pergunta se sente que tem condições políticas e a confiança do primeiro ministro e do PS para concluir esta reforma.
CC: Posso comentar a sua pergunta? É uma pergunta que não tem sentido nenhum.

SE: Faz sentido porque tem autarcas, deputados e dirigentes do PS a criticá-lo e foi a São Bento falar com o primeiro ministro.
CC: Olhem para os pontos nas sondagens. O Governo fez mais em dois anos do que, provavelmente, outros Governos em dez. Acham que algum Governo vai fraccionar-se com esta quota de popularidade? Já agora deixe-me aplicar o velho aforismo de Jorge Luís Borges: “Quero informar que são completamente prematuras todas as notícias sobre a minha morte”.

SE: Conta ser ministro da Saúde até ao fim da legislatura?
CC: Esse é o compromisso que tenho com o primeiro ministro. É evidente que podem acontecer acidentes de percurso. Temos que fazer ainda algumas coisas que são impopulares.

SE: Sente que tem tido a confiança absoluta do PS?
CC: Quando não a tenho procuro-a. Sou provavelmente a pessoa que mais vezes foi falar com o grupo parlamentar.

SE: Como ouviu as recomendações do Presidente da República ao dizer que as políticas de Saúde devem ser “bem fundamentadas”?
CC: Não posso estar mais de acordo com essas recomendações. (...)

Mais adiante, num artigo cheio de mexeriquices (apanágio do expresso) "Sócrates decidiu ida do ministro à RTP", o articulista de serviço escreve:
(...) "A intervenção de José Sócrates", sabe o Expresso, foi decisiva para que Correia de Campos participasse no debate. Foi o primeiro ministro que lhe deu instruções para aceitar o convite e definiu os moldes em que esta participação ocorreria." (...)
E remata assim:
(...) Apesar de ter protagonizado um dos momentos de gestão política mais difíceis desde que Sócrates é primeiro-ministro, o lugar de CC não está em causa. Ele é considerado uma peça fundamental do Governo PS, e o seu papel na contenção da despesa do ministério é "muito bem avaliado" pelo primeiro ministro.
Ao bom estilo da máquina de propaganda do primeiro ministro, José Sócrates.

3 Comments:

Blogger eclipse said...

Mais uma intervenção desastrosa de CC na comunicação social.

1:36 da tarde  
Blogger saudepe said...

Um ministro que dá a cara pelas medidas impopulares que é necessário implementar.

O extremo sacrifício de um ministro, a cumprir o programa de medidas prometidas durante as eleições, e que nas horas mais difíceis é abandonado à sua sorte pelo primeiro ministro, José Sócrates.

E que, ainda assim, tem pachorra para aturar as perguntas estúpidas do Expresso.

2:00 da tarde  
Blogger coscuvilheiro said...

Este trabalho do expresso parece efectivamente de encomenda.

O primeiro ministro, José Sócrates, surge como o herói de toda a crise.

Trava o ministro da saúde na altura certa. Manda-o dialogar com os autarcas. Aconselha-o no relacionamento com os "Media".

Manda recuar...

E, finalmente, manda CC entrar como animador da segunda parte dos prós e contras.

Porque não foi feita uma pergunta do tipo: Não se sentiu isolado, a dar a cara por uma medida inscrita no programa do Governo?

A máquina de propaganda do XVII Governo Constitucional já consegue comandar os domínios do Balsemão?

3:59 da tarde  

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