quinta-feira, março 27

Xponent


Para conhecer melhor o mercado e salvaguardar o futuro
A ANF propôs, no início deste ano, aos seus associados o desenvolvimento de um novo serviço com base em dados sobre a origem do receituário e a especialidade do médico prescritor, designado por Xponent.link

Sobre o objectivo deste projecto, a circular da ANF esclarece de início: «Num sector cada vez mais exposto à concorrência como é o nosso, o mercado evolui com grande rapidez, sendo imprescindível conhecer-se essa evolução, para podermos defender cada vez melhor o nosso futuro.»

O Conselho Nacional Executivo (CNE) da Ordem dos Médicos (OM) recebeu no passado dia 18 de Março «os representantes da Associação Nacional de Farmácias (ANF) e da empresa IMF, com o intuito de esclarecerem o CNE sobre dúvidas por este levantadas a propósito de um estudo que aquelas duas entidades pretendem levar a cabo junto das farmácias, mas que «pode pôr em causa o segredo médico na prescrição de medicamentos». De acordo com Pedro Nunes, as dúvidas da OM «não foram todas esclarecidas», pelo que o grupo técnico de informática responsável pelo estudo deverá continuar a trabalhar no projecto.» TM online 23.03.08

Sobre este ponto, o folheto com as regras de funcionamento do Xponent, diz o seguinte: «O Exponent tem por objecto relacionar a origem da prescrição com a especialidade do médico prescritor:
a)- origem da prescrição: através da leitura do código de barras da vinheta do local de emissão da receita (Hospital, Centro de Saúde, etc);
b) especialidade do médico prescritor: através da leitura do código de barras da vinheta do médico. »
É fácil de perceber o enorme potencial desta informação. Bem podem dizer que o nome do médico não sai... O certo é que, a concretizar-se este projecto vai render milhões...para a ANF.
A haver uma base de dados desta natureza ela deve ser gerida, naturalmente, pelo MS.
Será que a OM vai nisto?

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7 Comments:

Blogger Farmasa said...

Sobre esta estória, convém referir o seguinte: Alguns (bastantes)médicos, já hoje, recebem um valor mensal razoavelmente idêntico ao que é proposto às farmácias, para fornecerem cópia do seu receituário a essa tal empresa (IMS e não IMF, como se refere). Que eu saiba, até à data, não se ouviu nenhum médico levantar problemas com isso.

Assim sendo, o que aqui está em causa, não é o problema do cruzamento de dados, é sim, saber quem ganha com a informação: os Médicos ou as Farmácias.

5:29 da tarde  
Blogger tonitosa said...

Não sei se os médicos recebem por darem informação. Admito que sim e não ponho em causa a informação do colega farmasa.
Acrescento apenas que a IMS paga também a vários hospitais pelo fornecimento de informação que permite conhecer os "top n" dos medicamentos mais consumidos e comparar os consumos dos diversos hospitais relativamente aos mesmos.

11:09 da tarde  
Blogger Clara said...

O que está em causa neste projecto da ANF é o risco de quebra do segredo médico na prescrição de medicamentos com todas as suas implicações.

É um risco que de todo não se deve correr.

1:32 da manhã  
Blogger e-pá! said...

A quebra do sigilo médico já era....A tentação sempre foi grande.

Não compreendo como diz "farmasa" o "trabalhão" dos médicos a fazerem e fornecerem cópias A IMS...
Quando toda a gente sabe que - pagando bem - à IMS, se pode saber tudo, ou quase tudo !!!

O que se tem verificado - nunca claramenten admitido - é que a ANF, no controlo que faz do receituário, forneça estes dados à IMS ou a outras empresas similares.
Não existem outras vias e todos os médicos já foram confrontados com "dicas" sobre as prescrições cuja origem não engana (faz lembrar o algodão).

Agora o negócio do "Xponent", vai ser um problema. ANF vai propor fornecer ao IMS o perfil do prescritor, ou até mesmo o modelo do prescritor em termos económicos.
O Estado, sempre sonhou com poupanças deste tipo, vai agradecer...

Esqueçe o cidaddão. Estes dados podem (vão ser descodificados) e o perfil do cidadão vai ser fornecido (vendidos a preços exorbitantes - crio eu!) a empresas IMS ou outras.
Qualquer empresa de seguros de saúde ou de vida vai ter uma acesso privilegiado sobre dados pessoais do eventual segurado. A situação constitutucional de protecção de dados pessoais vai às urtigas....

Passamos do fim do sigilo profissional, para a devassa comercial, o negócio encapotado da venda de dados pessoais, sem qualquer tipo de protecção, para acabamos por mandar à fava os direitos e garantias.
Em nome de quê?
Da eficiência,
do negócio das farmácias?
ou, do vale tudo?

Este passo em falso, que a OM devrá analisar com o maior cuidado deve levar ao fim do actual regime de contabilidade e comparticipação dos medicamentos...
Não há outra solução?
Aliás há. Tem de haver!
A rápida implementação da venda de medicamentos por prescrição por via electrónica...

Uma pergunta final: a quem o IMS, ainda, não paga ?
Mais parece um polvo...
ou, então, uma charada!

3:11 da tarde  
Blogger e-pá! said...

O Caderno de Economia do "Expresso"
(pág. 22), informa que a ANF teria apresentado prejuízos ainda relativamente ao decretado fim de intermediação de CC à ANF relativamente aos créditos à ANF pelo SNS.

Segundo se depreendeu na altura a ANF teria criado uma sociedade financeira que teria anulado os efeitos da medida de CC...
É dificil perceber esta multinacional.

Não se passa praticamente um dia em que a ASNF não esteja "metida" em novos negócios.

Agora, com a história do Xponente e da IMS, penso que a ANF deu o passo em falso, quer em promiscuidade em relação à prescrição/prescritor quer ainda à abertura directa e indirecta que posssibilita aos dados pessoais dos cidadãos.

Um dos métodos da contra-guerrilha urbana na América Latina era vistoriar e contabilizar os lixos (resíduos biológicos) medicamentosos de guerrilheiros cujas patologias e seus tratamenteos eram conhecidas e estavam identifificados.
Ninguém se lembra disto?

Penso que será desnecessário chamar a atenção para a OM, no sentido para onde poderá estar a ser empurrada...

8:25 da tarde  
Blogger helena said...

O expresso desta semana trata esta matéria sobre a qual a SaudeSA foi dos primeiros a trazer à luz do dia.
Esta de parabéns o Xavier, sempre atento a tudo o que acontece na Saúde.

10:23 da tarde  
Blogger Farmasa said...

A IMS tem muita informação sobre a venda de medicamentos em ambulatório porque compra, legitimamente, aos distribuidores de medicamentos as suas vendas para as farmácias, por código de produto e por código postal. É assim que, em zonas com poucos médicos é possível saber com razoável certeza, o que cada clínico prescreve. No entanto, em locais mais populosos, com mais médicos e mais farmácias, este cruzamento é difícil de se fazer. O que a IMS tem feito, são formas de tentar obter uma informação mais detalhada. É nesse sentido que vai o projecto XPONENT, tal como o duplicado das receitas dos médicos.

Ora, se o duplicado das receitas era cedido pelos próprios médicos sabendo para que efeito era, não é legítimo que venham agora os mesmos médicos por em causa o fim do projecto XPONENT...

Repito o que antes disse: O que está em causa é apenas saber quem ganha com a informação: Os médicos ou as farmácias... Não é preciso serem invejosos... Dá para os dois...


Já agora É-Pá, as cópias que os médicos fazem hoje para a IMS, não são obviamente uma coisa arcaica. Não. A empresa disponibiliza aos médicos cadernos de receitas com cópia, em que o canhoto é depois entregue à empresa (obviamente que não é copiado o nome do doente).

5:05 da tarde  

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