quinta-feira, outubro 28

Conversa da Treta (Parte II)

foto portal da saúde
…”Governo impõe novos cortes na despesa e limites ao crescimento do consumo nos hospitais. Administradores ainda não foram informados. Os hospitais do Serviço Nacional de Saúde vão ter de cortar 5% nos custos com pessoal em 2011. A medida integra um despacho conjunto do Ministério da Saúde e das Finanças que será enviado aos hospitais e unidades locais de saúde.

O mesmo despacho prevê ainda que o aumento da despesa com medicamentos e material clínico não exceda 1,5% no próximo ano. No que respeita ao fornecimento de serviços externos (FSE), por exemplo serviços de limpeza, custos com electricidade ou água, não há margem para crescimento da despesa: "Para os custos da rubricas de FSE deve ser considerado um aumento máximo de 0% face ao presente ano", pode ler-se no despacho a que o Diário Económico teve acesso.

O presidente do conselho de administração do Hospital de S. João, no Porto, não se mostrou surpreendido com as novas medidas de contenção. António Ferreira diz que as orientações da tutela são "entendíveis no actual contexto do país", mas realça que "medidas de carácter geral são muito mais difíceis de cumprir no caso das instituições que já têm vindo a fazer um esforço de contenção nos últimos anos, como é o caso do S. João".

Recorde-se que este hospital se antecipou às medidas de contenção impostas por Ana Jorge em Maio, ditando inclusive um corte de 10% nos salários dos administradores e directores de serviço. Frisando que ainda não recebeu qualquer despacho da tutela, o presidente do segundo maior hospital do país acredita que os tectos impostos para 2011 podem ser cumpridos neste hospital mas apenas se vier a receber os pagamentos em atraso das Administrações Regionais de Saúde, da Administração Central do Sistema de Saúde, da ADSE (gerida pelo Ministério das Finanças) e dos restantes subsistemas. Uma dívida global que ronda os 123 milhões de euros”…

O Hospital de São João, nos últimos meses, tem-se vindo a prestar ao papel de Hospital do (fim) do regime. Ensaiando medidas bacocas de carácter populista, para inglês ver, muito ao jeito dos actuais “coveiros” do SNS baixou os salários do CA, manteve a arbitrariedade de muitas outras medidas constituindo-se no último reduto de apoio a políticas em fim de festa. Reconhece-se que o “carinho” com que tem sido tratado pela tutela merece gratidão. A gente do norte é conhecida por ser grata e solidária.

Apenas um espanto pelo desalinho detectado na questão da dívida. Será falta de coordenação no ritual da propaganda? Então o senhor presidente do HSJ vem reclamar uma dívida global que ronda os 123 milhões de euros da ADSE e dos restantes sub-sistemas? Tratar-se-á, certamente, de um acto falhado porque a senhora ministra e os senhores SE’s juram a pés juntos que não devem nada a ninguém…

É por causa da politiquice mentirosa e pantomineira que o SNS está a ser destruído, vergonhosamente, por maus servidores do partido que o fundou. É por estas e por outras que vemos hoje nas sondagens o PS a cair a pique com 25 % dos votos e o PSD do inenarrável neo-liberal PPC à beira da maioria absoluta com 42 %.

O país fartou-se de tanta incompetência, mentira e esperteza saloia. O SNS foi destruído por gente incompetente. José Sócrates ficará com a responsabilidade histórica de ter destruído o SNS. O afastamento de Correia de Campos representou o toque de finados na reforma do sistema de saúde. O que se passou desde então é inacreditável. O famigerado e inesperado buraco nas contas públicas não teria ocorrido com Correia de Campos e com Maria de Lurdes Rodrigues no governo. O preço da capitulação está a vista. Um governo não é uma marquise onde se acolitam donas de casa a brincar à política.

Restará o HSJ para, pateticamente, resistir no anteparo do regime…


Zé Esteves

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8 Comments:

Blogger e-pá! said...

Vamos ser contemplados com uma assombrada regressão?...

A situação financeira [sustentabilidade] decorrente de desvarios orçamentais verificados em 2010, na Saúde, transparece tão subserviente, irrealista e [obviamente] deficitária que julgo não haver qualquer futuro candidato indigitado para tutelar o desventurado Ministério que arrisque assumir funções sem uma auditoria prévia às contas.
Começa a grassar a alarmante noção de que haverá demasiado lixo varrido para debaixo do tapete.

A sensação de desgoverno é tão pronunciada que, num quadro de re-estruturação da Administração Pública, este Ministério corre o risco de extermínio passando a uma Secretaria de Estado integrada no Ministério da Segurança Social [como já foi no tempo da outra senhora que em questões de género era - segundo consta - um varonil beirão...].

Para que "isto" aconteça não são precisos mais malabarismos. Os que estão feitos [e em curso] chegam.
Para ocorrer essa "despromoção" basta que o FMI assente arraiais nesta ocidental praia lusitana [o que desde há algum tempo a esta parte deixou de ser uma hipótese remota...].

10:35 da tarde  
Blogger tambemquero said...

Ontem, no telejornal da SIC, Eduardo Catroga disse o que teria feito se fosse ministro das Finanças, esquecendo-se momentaneamente que já foi ministro das Finanças. Não teria esbanjado dinheiro e, sobretudo, não empurraria para o futuro investimentos do presente. E deu o exemplo como a SCUT. Concordo. Já escrevi aqui que as Parecerias Público-Privadas são um dos cancros do Estado. Além de saírem mais caras apenas para difarçarem o défice e limitarem por décadas as grandes opções do Estado, criam um ambiente de promiscuidade entre o poder político e as empresas.

Depois comecei a pensar: mas uma das primeiras grandes obras que se socrreu deste tipo de financiamento – e uma das mais ruinosas -, foi feita quando? A concessão foi dada em Abril de 1994 e a construção começou em Fevereiro de 1995. Tratava-se da segunda travessia do Tejo. Deu e continua a dar muito a ganhar à Lusoponte e muito a perder aos cofres do Estado. Era então o ministro das Obras Públicas Joaquim Ferreira do Amaral. As condições foram as que se conhecem. O mesmo Ferreira do Amaral acabou à frente da empresa que ganhou com o negócio.

Quem era então o ministro das Finanças? Nada mais nada menos do que Eduardo Catroga (entre Dezembro de 1993 e Outubro de 1995). É por isso que as suas declarações sobre o Estado gordo e a irresponsabilidade de quem governa valem o que valem. Se ele fosse ministro das Finanças faria provavelmente coisas muito acertadas. Incluindo travar este género de negócios que deixaram o Estado empenhado por décadas. Mas a única coisa que interessa não é o que faria se fosse ministro das Finanças, mas o que fez quando foi ministro das Finanças. E a verdade é que deixou fazer o que agora lhe parece inaceitável.

Daniel Oliveira

11:07 da tarde  
Blogger Clara said...

É confrangedor o contraste entre a vaidade, vontade de aparecer da ministra da saúde e a sua confragedora ignorância e inabilidade política.

11:10 da tarde  
Blogger e-pá! said...

SNS – o triunfo da política de sarjeta...

O desmantelamento do SNS entrou na fase visível em que os propósitos são, de todo, indisfarçáveis.
As declarações de hoje de João Goulão, [http://ww1.rtp.pt/noticias/?headline=46&visual=9&tm=2&t=Instituto-da-Droga-e-Toxicodependencia-sem-condicoes-para-manter-funcionarios.rtp&article=387531] presidente do Instituto da Droga e Toxicodependência (IDT) afirmando que não tem condições para manter os actuais funcionários pelo que está confrontado com a necessidade de dispensar cerca de 200 que, neste momento, possuem vínculos precários, mostra – sem margens para rodeios – como os serviços vão ser afectados em termos de recursos humanos.

Em primeiro lugar, o IDT perde parte importante da capacidade de manter a sua relação de proximidade com os toxicodependentes. Restringe, assim, uma das mais importantes vertentes operativas desse Instituto. Coloca-se em risco, já no campo social, o apoio aos seus utentes. Muitos vão acabar na sarjeta... Isto para ficarmos pelos epifenómenos.

E, para espanto dos portugueses, não tardará a surgir a Srª. Ministra, ou um qualquer Secretário de Estado, apregoando aos ventos que a qualidade dos serviços não vai ser afectada. Como se os portugueses acreditassem em histórias da carochinha ou que o descalabro desta gestão de prestações médico-sociais, numa área extremamente sensível, é uma miragem.

Vamos, portanto, assobiar uma canção de Natal para condizer com a época. Porque as exéquias solenes devem ser lá para a Páscoa (época mais apropriada – religiosamente e, quem sabe, de acordo com o calendário político que está a ser construído).

5:27 da tarde  
Blogger Brites said...

O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, revelou recentemente que a derrapagem no Orçamento deste ano é superior a 1700 milhões de euros e que 500 milhões são nas contas do Serviço Nacional da Saúde (SNS).

Há apenas 5 meses podíamos ler no Público online (25-5-2010):

“O Ministério da Saúde olhou para a sua "casa" e apresentou ontem os primeiros dez passos para tentar colocar as contas do Serviço Nacional de Saúde (SNS) no bom caminho. É uma espécie de Plano de Estabilidade e Crescimento para o sector. Cabe agora a cada serviço decidir como vai apertar o cinto para atingir as metas da tutela de uma poupança de 50 milhões de euros até ao final do ano. Em breve serão anunciadas mais medidas para duplicar este valor. Reduzir horas extraordinárias, a despesa em farmácia hospitalar, justificar as novas contratações, medicamentos genéricos mais baratos ou poupar papel e electricidade são apenas alguns dos exemplos. Muitos falharam no passado.
"Sentimos necessidade de contribuir para o equilíbrio das finanças públicas contendo os gastos, mas sem pôr em causa o leque dos cuidados de saúde que prestamos", assegurou a ministra da Saúde. As "dez primeiras medidas para uma gestão mais eficiente do SNS", segundo explicou em conferência de imprensa Ana Jorge, passam por dar aos hospitais um prazo de 20 dias, a partir do momento em que for publicado o despacho conjunto com o Ministério das Finanças, para apresentarem um plano de redução das despesas. "Pretendemos baixar cinco por cento a despesa com horas extraordinárias, dois por cento a despesa com fornecimentos e serviços externos e assegurar o cumprimento da meta orçamental de crescimento de apenas até 2,8 por cento da despesa em farmácia hospitalar", esclareceu. Só em horas extraordinárias o ministério prevê reduzir 13 milhões no espaço de um ano.
Nos próximos 30 dias, será elaborado um Guia de Boas Práticas para as despesas correntes. No mesmo sentido, os gabinetes do Ministério da Saúde estão também mais atentos às suas deslocações e a cuidados como deixar os computadores desligados ou "utilizar jarros de água em vez de garrafas", exemplificou Ana Jorge, para mostrar que os detalhes não ficaram esquecidos. A 1 de Junho entra em funcionamento uma espécie de "central" para as compras, contabilidade e recursos humanos do SNS.”

Às tantas, digo eu, a culpa da derrapagem foi dos funcionários, que não desligaram os computadores e verteram muita água a encher os jarros!

7:57 da tarde  
Blogger helena said...

Excelente post.
Ana Jorge vai ficar para a história como a pior ministra da saúde de todos os tempos.
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8:16 da tarde  
Blogger Joaopedro said...

Se houvesse um pouco de digniddade neste processo há muito que Ana Jorge estaria em casa a tratar dos netos.
Infelizmente as coisas estão a atingir um grau de degradação tal que até o meu pacífico bobby desata furioso a ladrar sempre que a senhora ministra aparece na TV.
Certamente alguma reacção pavloviana ao diário da gripe.

8:24 da tarde  
Blogger Paco said...

È conhecido o ditado popular que diz "Depois de mim virá quem de mim bom fará!..." :)

11:58 da manhã  

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