domingo, fevereiro 17

Cortes cegos e reforma hospitalar na gaveta

O que pensa do trabalho do Ministério da Saúde?
Na actuação externa, de lidar com os grandes interesses privados, farmacêuticas, farmácias, prestadores privados, o ministro da Saúde, Paulo Macedo, tem sido exemplar. Teve capacidade de exigir ao sector privado que reformule o seu funcionamento e isso está a acontecer. Tenho pena que esta mesma pressão não esteja a acontecer internamente. O Ministério poupou porque cortou dois ordenados à função pública e fê-lo de forma transversal, com um corte cego. Isto resolve um problema orçamental no curto prazo.
Sobre a Reforma Hospitalar:
Só vejo grupos de estudo. Dois anos e não há plano para a reestruturação. O Santa Maria está numa situação catastrófica, é o maior do país, além das responsabilidades de ensino.
Isabel Vaz, entrevista caderno económico expresso 16.02.13 link

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3 Comments:

Blogger João Semana said...

Nada de novo
No estilo habitual de adiantamento mental larvar. Algumas verdades sobre o ministro quando refere que este não cedeu aos lobbies de interesses. Tiro no pé. Na verdade o que mais chateia (para entrar no léxico prá-frentex da Ingª) foi o ministro ter barrado os sonhos privatizadores do lobby prestador. Desta forma pôs-se a jeito para umas ferroadas. De resto também nós começamos a ficar cansados. Lenga lenga da liberdade de escolha (terá deixado cair a inspiração no modelo holandês que entretanto começou a desgraçar). Lenga da lenga da supremacia bíblica da (sua) gestão privada. Os EBIDTAS que não param de crescer. Uma confissão surpreendente (porque assumida pela primeira vez): a dependência da ADSE ao nível do risco de sobrevivência. A lenga lenga da liberdade de escolha do prestador em inventar atos e faturar. Riscos emergentes: os novos operadores estrangeiros que (ainda assim) conseguiram oferecer mais por um negócio “da chuva” ao desbarato. Talvez a ida a jogo tenha sido mesmo assim, apenas e só, para fingir pujança. Sente-se um tom de epílogo quase de fim de festa. Parece mesmo que o ministro não se vai deixar tentar pela arruaça privatizadora neoliberal (porque ao que parece até sabe fazer contas e analisar riscos), os troikianos querem mesmo dar cabo da ADSE (secando assim a fonte), os tais estrangeiros vêm para aí com práticas de dumping dar cabo das margens e os sacrificados hospitais públicos, tudo indica, continuarão a resistir. Valha-nos o “sucesso” anémico das mercearias da saúde que afinal ficaram-se pela podologia não representando nenhuma ameaça.
Em síntese nem mesmo boas assessorias de comunicação conseguem disfarçar o fim de ciclo das histórias que como todas têm princípio, meio e fim…

6:10 da tarde  
Blogger DrFeelGood said...

Privatizar a Saúde
«Nunca defenderia a privatização de todos os hospitais. Os grandes devem continuar do Estado e nos restantes passava-se o risco operacional para os outros.»

Privatizar os melhores, hospitais viáveis (carne do lombo), deixar para o Estado os hospitais com problemas (os maiores, eufemismo de não lucrativos).

6:49 da tarde  
Blogger xavier said...

Pedido de publicação de comentário enviado por mail:

«A Inginheira mostra lucidez na análise do trabalho de Paulo Macedo (PM) e garra na defesa dos seus interesses brutais.

Na verdade PM brilhou até agora, na frente externa contra os lobies dos medicamentos, farmácias, MCDT e transportes.

Porém na frente interna, como já alguém aqui escreveu e da qual respigo uns comentários, a sua actuação é medíocre:
- muita hesitação e adiamentos, seja «encanar a perna à rã», na reforma dos hospitais e das urgências, no abandono das USF e dos CCI, na indefinição de estratégia quanto aos recursos humanos e á qualidade, entre outros.
- medidas centralizadoras e castradoras da autonomia da gestão, obtendo poupanças imediatas, insustentáveis a prazo, á custa de menor produção e de cortes nos salários.

Chia a inginheira, e bem, porque antes da abertura do hospital de loures PM não cortou a oferta que passaria a excessiva em Lisboa, no santa maria e civis. Mas quem paga a conta não é ela são os contribuintes, nos défices agravados daqueles hospitais e em verbas para a PPP. Encanar a perna à rã fica caro agora, manter essa irracionalidade terá consequência graves no futuro.

Quanto à ADSE sabemos bem que os interesses são brutais, dela e dos outros hospitais privados. Porque são a maioria dos doentes? Nada disso, porém a maior parte do lucro vem desses doentes, já que a ADSE não tem controlado nada permitindo facturação generosa e tudo pagando: o desnecessário, o excessivo, o indevido desde que mascarado de consultas.
Tudo bem quanto á liberdade de escolha orientada pelo médico, entre hospitais públicos, que agora não se consegue no SNS, ou privados, mas para produtos semelhantes, com a mesma qualidade e segurança, que nem sempre é o caso.
Surge como campeã da liberdade de escolha esquecendo alguns pormenores: Se não fosse a ERS continuaria a tratar no hospital da luz os doentes da ADSE como de segunda; Que quando se trata de cancro ou outra doença «pesada» a liberdade do doente acaba logo que o plafond se esgota, seguindo-se a transferência para o SNS. Essa liberdade é a dos interesses brutais.

Não é bonito ver a gestora de um hospital do SNS atacar o Estado. Esquece-se que é este que paga a factura sem controlar (ADSE), lhe garante óptimas receitas, lhe protege a rectaguarda com os SU públicos e permite que beneficie dos profissionais do SNS a menor custo e já formados.»

Joana

11:24 da tarde  

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