quinta-feira, outubro 13

MNSRM


Eu bem dizia...
E, os preços do MNSRM vão subir ainda mais!
Olha logo com quem, com a Indústria Farmacêutica.

Agora as lojecas pensavam que vender medicamentos era o negócio da China mas estão a braços com o problema da distribuição. Pensavam que os laboratórios lhes entregavam 5 tostões de medicamentos todos os dias à porta do estabelecimento. Ainda não se aperceberam que é um negócio de escala, que implica estruturas bem organizadas a montante.

Ainda, fazendo futurologia, havemos de ver notícias de aspirinas vendidas na candonga, em quiosques e bazares; ao dobro do preço, claro.

Resumindo, vantagens desta medida, para a população, como me fartei de dizer, serão pouco mais de nenhumas.
Mário de Sá Peliteiro
Sobre o preço dos MNSRM. Suponhamos que 1 MNSRM custa 80 euros (preço industrial) e 20% de margem da farmácia (passando por cima do custo de distribuição). Se a indústria aumentar o preço de 80 para 100 euros, bem podem os comerciantes (mesmo os das novas lojas) baixar as suas margens – que esse MNSRM custará sempre mais do que quando tinha preço fixo. E, para aqueles que não têm vivência empresarial, vale a pena lembrar que as margens comerciais (das farmácias ou das novas lojas) não são lucros. É com essas margens que as farmácias e as novas lojas pagam as rendas, os móveis, os ordenados - e os impostos ao Estado.
A SONAE, que é uma organização poderosa, fez as suas contas e desistiu de criar uma rede de lojas autónomas (com insígnia própria), tendo optado por criar pequenas ilhas no meio dos hipermercados para os MNSRM e, mesmo assim, com muitas outras categorias de produtos a fazer-lhes companhia. Há coisas na vida que não se conseguem ultrapassar tendo como argumento “sou ministro de um governo com maioria absoluta”.
Luís Oriente

7 Comments:

Blogger ricardo said...

A Associação Nacional de Farmácias (ANF) está a ser investigada pela Autoridade da Concorrência, devido à existência de suspeitas da prática do crime de cartelização. A investigação, segundo o Correio da Manhã, foi motivada por delcarações do presidente da ANF, João Cordeiro, sobre o aumento de preços nas farmácias à noite.
DN

11:27 da manhã  
Blogger lisboaearredores said...

É redutor considerar que as únicas vantagens para a população serão as decorrentes de menores preços. É obviamente dificil quantificar os benefícios de maior comodidade e rapidez, mas estarão presentes.

Será provável que tal suceda, veremos a seu tempo. Estes primeiros tempos serão certamente de aprendizagem para os novos locais de venda e de ultrapassagem de barreiras artificiais à sua actividade (como parece esta a suceder com os aspectos de distribuição).

Já a evolução da "estrutura empresarial" (chame-se assim à falta de melhor nome) do sector é mais incerta. Para contrapor à Boots do Reino Unido deve-se usar a ANF como monopolista (ou quase, agora). Se assim não fosse, se as farmácias actuassem livremente como canal de distribuição, no sentido de cada farmácia ser uma unidade de decisão distinta de todas as outras, que interesse teria a Alliance Unichem em se juntar com a ANF?

Por outro lado, a SONAE não estar (ainda) interessada em cadeia própria parece-me natural - a sua alternativa de vender nos espaços que já possui permite aceder a mais pessoas com menos custo. Deve também ter pesado o facto de experiências empresariais anteriores de marca própria (nos bancos) não ter dado grande resultado.

Mas a intenção de abrir esta venda de MNSRM não deve ser a de substituir uma grande cadeia monopolista (ANF) por outra (SONAE).

AS pequenas instalações terão certamente o seu espaço, e até é provável que algumas evoluam para cadeias. Mas levará o seu tempo.

Em termos empresariais será interessante ver o que vai suceder ao valor de trespasse de uma farmácia.

12:23 da tarde  
Blogger joaopedro said...

A excessiva facilidade de acesso aos MNSRM poderá ser também sinónimo de quebra de qualidade traduzida na sobreutilização sem aconselhamento técnico com tem acontecido no reino unido em relação ao ácido acetilsalisílico.

A compra da Alliance Unichem pela ANF traduz uma vez mais a extraordinária visão estratégica do João Cordeiro.

Faço votos que o processo de combate ao monopólio da ANF não assume um cariz pidesco.

4:52 da tarde  
Blogger helena said...

A avaliar pelo número de posts e interesse da SaudeSA, a guerra do medicamento vai animada.
A equipa de CC está a desenvolver um esforço notável na implementação de um pacote de medidas com o objectivo de controlar a despesa do SNS com a aquisição de medicamentos.

Duas vítimas desta guerra (processo) se perfilam no horizonte:
- os utentes quepassam a pagar cada vez mais pela aquisição dos medicamentos.
- O crescimento do mercado de genéricos, cujo potencial fazia prever um grande desenvolvimento a curto prazo.

4:59 da tarde  
Blogger drfeelgood said...

A SaudeSA a seguir à ANF está a tornar-se numa grande expert na área do medicamento.
Conta para isso com assessores de peso como o têm demonstrado o Mario de Sá Peliteiro e sobretudo o Luís Oriente.
Neste ponto tenho de dar os parabéns à SaudeSA.

Pior vãoas coisas em relação ao debate sobre a gestão dos hospitais.
É necessário aproveitar o espivitar conseguido com o editorial do Manuel Delgado para relançar o debate.
E as iniciativas.

5:09 da tarde  
Blogger AVELINO said...

Ó Xabier, lemvra-se de eu ter prebisto que ainda íamos ter saudades da ANF quando era pequenina?
E as saudades do tempo em que habia posiçons diferentes entre os associados da ANF? Habia mesmo quem discordasse do Cordeiro!
Ah, saudade!...

11:28 da manhã  
Blogger Mário de Sá Peliteiro said...

Amigo Xavier:
Estava eu a ler este texto quando ele me pareceu familiar. Eis senão quando vejo o meu nome.
Então não se manda um mail, não se faz um link?
E o contraditório, se o houvesse?
Abraço.

12:21 da manhã  

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