domingo, agosto 20

Governação de CC

Aceito o desafio da Helena e do LPires52 (a quem aproveito para esclarecer que infelizmente não sou administrador de nenhuma farmácia...:)), sentindo-me honrado pela deferência (afinal não é a qualquer comentador que se pedem sugestões para medidas de Estado) e registando com gosto os sempre agradáveis níveis de bílis que o LPires52 não consegue deixar de fora das suas reacções ao que por aqui se escreve.
Primeiro as senhoras e, portanto, as medidas positivas de CC:
- A aposta estratégica (pelo menos no papel) nos CSP e nos Cuidados Continuados é correcta;
- A fixação de tectos de crescimento da despesa hospitalar com medicamentos é também uma boa ideia - embora fosse preferível uma fundamentação cientificamente mais rigorosa, parece aceitável acreditar que variações na procura e produção hospitalares não serão suficientes para justificar aumentos superiores aos que é possível absorver com ganhos de eficiência na prescrição;
- A ideia de racionalizar a oferta hospitalar (através, entre outras medidas, do fecho de algumas unidades) é também positiva, embora devesse ter em conta aspectos de interesse estratégico (por exemplo, dever-se-ia evitar o recurso a maternidades espanholas);
- A tentativa de racionalizar a generalização da utilização de novos fármacos é também correcta (resta saber se será bem executada);
- A criação de um orçamento realista para o SNS é provavelmente a melhor das medidas de CC, pois evita o folclore dos rectificativos e induz responsabilidade sobre quem tem que o cumprir.
Quanto a ideias para o futuro, deixo algumas pequenas achegas para o sector do medicamento:
- Promover uma revisão global a todo o sistema de comparticipação de medicamentos pelo SNS: estabelecer protocolos de prescrição por DCI (reduzindo drasticamente o número de princípios activos comparticipados e atribuindo às farmácias a responsabilidade pela dispensa em cada caso), criar mecanismos de efectivo acompanhamento e fiscalização (que também permitiriam salvaguardar a validade das excepções) e adoptar a receita médica electrónica e electronicamente renovável;
- Fazer com que as farmácias sejam pagas por acto farmacêutico e não a partir da margem comercial (CC até já falou nisto);
- Apoiar a implementação dos programas de Cuidados Farmacêuticos;
- Criar mecanismos que assegurem a independência da formação médica relativamente à IF;
- Em relação à propriedade das farmácias: legislar para que não seja possível que a mesma pessoa, individual ou colectivamente, possa ser proprietário de mais que uma farmácia;
- Autorizar a abertura das farmácias que a simples aplicação da lei permitiria abrir, descendo a capitação para os níveis observados actualmente no concelho de Lisboa;
- Tornar obrigatória a existência de um farmacêutico na sociedade proprietária da farmácia, com uma quota significativa (por exemplo 30%);
- Ainda sobre a comparticipação dos medicamentos: criar uma taxa simples como pagamento único por cada e qualquer receita (embora esta medida só possa ser aplicada em conjunto com as anteriores sugestões de pagamento por acto farmacêutico e autonomia de escolha das farmácias relativamente à prescrição por DCI) - num SNS verdadeiramente universal e tendencialmente gratuito não é justo que o acesso ao tratamento seja condicionado pelo preço dos medicamentos utilizados nas patologias de que cada um padece;
- Acabar com a venda de MNSRM fora das farmácias;
- Evitar situações em que, por razões meramente administrativas, o mesmo princípio activo pode ser um MSRM comparticipado ou então um MNSRM vendido nas lojas de esquina (o exemplo mais conhecido será o do Ben-U-Ron ou Panasorbe vs. Panadol ou outro qualquer paracetamol) ;
- Criar condições para que, à semelhança do que já se verifica noutros países (como por exemplo o Reino Unido), seja possível a prescrição (naturalmente, em determinadas condições específicas) a profissionais de saúde que não os médicos;
... e a lista poderia continuar quase indefinidamente (mas foi o que se pôde arranjar assim "do pé para a mão").

Em relação às acusações de "pessimismo inveterado"
de que fui alvo, digamos que perante as actuais políticas de CC sinto-me tão pessimista como os professores que corrigiram as provas de Física e Química na primeira fase: perante uma média nacional de 6 ou 7 valores, o optimismo é um sentimento muito mais relacionado com a possibilidade de desviar os olhares dos exames do que propriamente com o conteúdo dos mesmos.
vladimiro jorge silva

10 Comments:

Blogger Mário de Sá Peliteiro said...

Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

10:08 da tarde  
Blogger Mário de Sá Peliteiro said...

Palavras chave:

Sobrevivência do SNS: concorrência;
Qualidade no SNS: fiscalização.

10:10 da tarde  
Blogger LPires52 said...

"Cuidados farmacêuticos"??? É para rir?? Manusear uma caixa registadora é um cuidado farmacêutico?? Só para me esclarecer....

9:03 da tarde  
Blogger LPires52 said...

Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

9:15 da tarde  
Blogger LPires52 said...

Sr. Vladimiro, será que existe um motivo fundamentado para a sua raiva contra os médicos (opinião que o sr. peliteiro partilha consigo)?

Estou a ver que no sr. Vladimiro mudaria todo o sistema de saúde em dois dias... seria um revolucionário!
Deixe-me dar-lhe uma notícia: os farmacêticos não fazem parte dos decisores de orientação estratégica a nível da saúde... nem sequer estão representados nos CA dos hospitais...
Sr. vladimiro, realmente admito que "solte" aqui no blog a raiva que reflecte a incapacidade da sua classe. A pouca dignidade que tinham foi recentemente vendida a bom preço pelo Dr. Cordeiro...
Sabe sr. Vladimiro, gerir o país, não é gerir a farmácia lá da vila.... é em tudo diferente.

Hoje estou de serviço (estive a ler a sua mensagem com dois colegas), e deixe-me dizer-lhe que o sr. está a fazer furor entre a classe médica... Pelo menos algumas gargalhadas foram soltadas com os seus "cuidados farmacêuticos"...


O Sr. Xavier há uns posts atrás não quis deixar passar a oportunidade de referir que o sr. tem um mestrado, é prof. universitário. Que mau gosto!! Nunca se puxa dos galardões sem saber com quem estamos a falar, não acha? Deixa transparecer complexos de inferioridade...


Em relação à sua lenga-lenga do post, é sempre a mesma coisa. O meu caro passa a tempo todo a repetir-se e a referir asperctos desinteressantes...

9:25 da tarde  
Blogger Tiago Farrajota said...

Caro lpires52

Sabe o que são cuidados farmacêuticos?
Sabe o que é seguimento farmacoterapêutico?
Sabe quais os projectos em que as farmácias estão envolvidas?
Sabe ao menos o que é um farmacêutico e o que faz?
Então se não sabe, tente não fazer este tipo de comentários...
Ah! Já me esquecia! Manusear uma caixa registadora não é um cuidado farmacêutico. E ser assediado pelos delegados, é medicina?
Bom serviço e se tiver tempo, tente pesquisar sobre o termo "pharmaceutical care", "hepler e strand" e "prm", pode ser que aprenda alguma coisa...

9:53 da tarde  
Blogger Vladimiro Jorge Silva said...

Caro LPires52:
É completamente abusivo o que escreveu sobre mim. Tenho as melhores relações profissionais, pessoais e familiares com vários médicos, que são uma classe pela qual eu tenho o maior respeito e consideração. Inclusive, acho que os médicos são profundamente injustiçados na forma como são muitas vezes culpabilizados pelo actual estado do SNS e já em diversas ocasiões defendi em público as posições da classe médica quando seria muito mais fácil ficar calado ou ajudar a bater no ceguinho.
Se reler os meus posts verá que em nenhum momento eu escrevi o que quer que fosse que permita fundamentar a sua observação. A sua postura neste debate tem sido muito pouco educada, nada sustentada e baseia-se no insulto gratuito a tudo e todos. Desta vez, posso garantir-lhe, atingiu o alvo errado: não sou aquilo que escreve de mim e não tenho a menor vontade de voltar a discutir consigo o que quer que seja. Participo neste blogue com o espírito aberto para a discussão académica e política sobre Economia e Políticas de Saúde e não tenho o menor interesse em participar em cenas de arruaça para as quais os seus comentários inevitavelmente arrastam.
Além disso, assino todos os meus textos com o meu verdadeiro nome (e se clicar nele até pode ver a minha fotografia), ao contrário de si, que utiliza o anonimato como máscara para os sistemáticos ataques ressabiados e grosseiros que tem feito nos últimos tempos. Por isso, meu caro, vá carpir mágoas para onde bem entender ou então mude de postura e tente debater com honestidade intelectual os temas que por aqui se discutem. Enquanto a sua postura não mudar, não voltarei a responder às suas provocações.

10:10 da tarde  
Blogger LPires52 said...

Ó sr. VJS, leia bem os posts anteriores e tire as suas conclusões acerca de quem terá sido o primeiro mais indelicado.


Podemos perfeitamente ter uma dscussão construtiva entre nós, desde que não continue a ser o dono da razão. O que eu expresso nos meus posts não é mais do que a minha simples opinião, não a verdade paradigmática.

Em relação aos farmacêuticos, continuo com a minha opinião. É classe substituível e dispensável... Além do mais, reitero a minha opinião factual que é uma classe sem poder decisório.

Para o Tiago Farrajota: ó Tiago, não consegues argumentar melhor do que isto????
"Ah! Já me esquecia! Manusear uma caixa registadora não é um cuidado farmacêutico. E ser assediado pelos delegados, é medicina?"

Por fim, deixe-me dizer que o anonimato é um direito que assiste os bloggers...

10:46 da tarde  
Blogger joaopedro said...

Este lpires52 não é médico nenhum. Vai uma apostinha.
E se é não parece. ..
Escreve mal como à merda.
E quanto a ideias, idem ...

12:15 da tarde  
Blogger LPires52 said...

Curiosa esta afirmação do sr. joão pedro. Afirma que eu não sou médico, porque escrevo mal!!!

1º Quando me identifiquei inicialmente, foi no sentido de demonstrar a minha referência pessoal e profissional num blog alimentado por opinião pessoais (penso que era importante), além disso, iniciei esta minha saga opinativa depois de um repto deixado pelo sr. Peliteiro, se não estou em erro...

2º Curioso, este sr. joão pedro, que consegue identificar a profissão de alguém pelas suas ideias ou simplesmente pela forma como escreve. Espantoso...

3º Felizmente, eu não tenho qualquer problemas de afirmação pessoal. Ou seja, a minha posição não vai mofificar, de acordo com as suas crenças pessoais. De facto num universo cibernético, cada um diz o quer. Se tais factos reflectem a verdade, cabe à consciência de cada indivíduo. Neste caso concreto, ser médico ou não, não tem a mínima influência na orientação conceptual deste blog... compreende?

4º Se para si escrever mal traduz-se em erros dactilográficos, então desculpe a minha pretensão pessoal em querer escrever rápido com um teclado à frente. Se o seu problema forrem erros de concordância/semântica, mais uma vez peço desculpa pois não sabia que estava a ser avaliado.

5º Se essa sua afirmação, foi colocada com o intuito de me "obrigar" a revelar a minha identidade, fraquejou, pois mais uma vez reitero o que disse. Para mim é verdadeiramente indiferente se o meu caro amigo acredita ou não em quer que seja. E é um direito que lhe assiste.


6º E por último se refere que escrevo mal, porque a linguagem é simples, não necessito de uma linguagem elitista para me fazer diferenciar. Aliás, num blog aberto a todos como este, a linguagem simples é um requisito fundamental, pois existem muitos leitores que rapidamente sucumbem perante a linguagem complexa. Existem ainda outras pessoas que pensam que por apresentar textos elaborados, a sua credibilidade e imagem inteletual se exacerba aos olhos dos restantes leitores. Puro engano e condeno os pobres de espírito que assim acreditam.

7:47 da tarde  

Enviar um comentário

<< Home