quinta-feira, agosto 3

Novos Medicamentos Hospitalares

Causou natural preocupação a notícia do DE (03.08.06) link sobre a suspensão de entrada de novos medicamentos, decidida pelos Conselhos de Administração dos maiores hospitais do SNS .link
A competência para a autorização de novos medicamentos tem estado a cargo dos Conselhos de Administração que, como se sabe, utilizam os mais diversos critérios, inconsistentes para a selecção de novas substâncias que constituam reais mais-valias para o arsenal terapêutico dos HHs do SNS.
De há muito o secretário de estado da saúde, Francisco Ramos, vem reclamando a necessidade de estabelecer novas regras que obriguem as novas substâncias a uma avaliação económica prévia, valorizando as vantagens terapêuticas e o custo total do tratamento como critérios objectivos .
Para conseguir este objectivo, CC decidiu centralizar esta responsabilidade no Infarmed.

O diploma que atribui ao Infarmed competência para autorizar a entrada de novos medicamentos nos hospitais do SNS deve ir a aprovação do Conselho de Ministros nas próximas semanas.

Enquanto este processo decorre, receando o efeito catalizador da entrada de novas substâncias, avaliadas com as limitações referidas, CC deu instruções aos CAs dos maiores HHs para suspenderem, transitoriamente, a introdução de nova tecnologia.
MD considera "transparente", esta decisão (não generalizada a todos os HHs do SNS) e que "não vai prejudicar os doentes". "Se se tratar de um medicamento benéfico e importante para o doente este será adquirido pelos hospitais. Não há como contornar."

21 Comments:

Blogger guidobaldo said...

Xavier

Tanto quanto me é dado perceber, a CAM é uma coisa e o grupo que irá constituir a bolsa de peritos destinada à avaliação de medicamentos para efeitos de entrada nos HH é outra.

Classicamente a CAM avaliava qualidade, segurança e eficácia. Passa também a avaliar valor terapêutico e económico ? A função de avaliação para efeitos de entrada nos HH passa a ficae sediada na CAM ?

9:58 da tarde  
Blogger tonitosa said...

Para quê gastar dinheiro?! Afinal mais tarde ou mais cedo todos estaremos mortos! E quanto mais cedo morrermos menos problemas criamos à Saúde, à Segurança Social e até aos nossos familiares que já não têm pachorra para nos aturar.
Algumas afirmações que ouvi na TVI, a dirigentes dos hospitais, são uma autêntica acusação de irresponsabilidade e certidão de incompetência aos médicos!
Se estas medidas fôssem adoptadas há dois anos, que diria a APAH que hoje saíu em sua defesa?!

10:12 da tarde  
Blogger xavier said...

Aradeço a correcção.
Retirei a CAM.
Vou tentar saber o que se passa com o grupo avaliador do Infarmed para os medicamentos hospitalares.
Um abraço.

10:12 da tarde  
Blogger xavier said...

Neste Agosto há um frenesim inusitado.
Os níveis de pressão estão a subir.

Aproxima-se a mobilidade especial.
Prevejo grande actividade na SaudeSA.
A reabertura de época promete.

10:21 da tarde  
Blogger guidobaldo said...

Agenda para os próximos 45 dias:

- nova CAM

- aumento da lista dos MNSRM

- alargamento dos MNSRM comparticipados aos locais de venda de MNSRM

- grupo de peritos para avaliar a entrada de medicamentos nos HH

- instalação de farmácias nos HH (o anteprojecto já seguiu para os parceiros, para consulta). Estou deserto para ouvir a opinião de MD (APAH) e JBrochado (APFH). O último vaticinou há dias a queda do governo ... lá saberá.

- inauguração da 1ª USF (de preferência com José Sócrates também presente: caso contrário fico a saber que uma loja de MNSRM é mais importante do que uma USF)


Para já não falar na agenda a 90 dias que compreende, pelo menos, mais duas medidas de fundo no sector do medicamento.

Concordo com Xavier: isto promete !

10:31 da tarde  
Blogger xavier said...

Guidobaldo

«Do mesmo modo, a OF preconiza a utilidade da implementação de medidas tendentes à passagem de medicamentos de uso exclusivo hospitalar para cedência em ambulatório, em condições específicas, conforme relatório final já elaborado por grupo de trabalho do próprio Ministério da Saúde em que participaram a OF, a Ordem dos Médicos, o INFARMED, a ANF, a APIFARMA e algumas associações de doentes .»
Site da OF

Esta posição da OF não vai facilitar a criação de farmácias concessionadas nos hospitais ?

Um abraço

10:45 da tarde  
Blogger guidobaldo said...

Xavier

Se os medicamentos em causa passarem a poder ser cedidos pelas farmácias de ambulatório em iguais condições, quer estas se situem ou não nos hospitais, nem facilita, nem dificulta. Agora dificulta, isso sim, o ambulatório da farmácia hospitalar.

10:56 da tarde  
Blogger maria said...

1. Quantos medicamentos novos estão a aguardar aprovação para a entrada nos formulários hospitalares?
2. Quais são e quais os seus fins terapêuticos?
3. A qualidade do medicamento não é determinada pelo seu valor terapêutico?
4. A determinação da eficácia não depende, também, do factor económico?

11:31 da tarde  
Blogger guidobaldo said...

Caro Xavier

Porque o meu Amigo me lançou uma pergunta directa, bem formulada na extensão em que inteligentemente explora um eventual preconceito meu, dado o estracto profissional, tenho a ousadia em lhe dirigir estas palavras (letras).

A função farmácia apenas faz sentido na perspectiva de se constituir em instrumento da racionalidade terapêutica. Deixada a função de produção de medicamentos, o farmacêutico ou evolui para um especialista em farmacoterapia (noto que a terapêutica é um processo no qual a prescrição é uma etapa, ainda que decisiva, e que defendo que deve ser médica. A prescrição não se esgota necessáriamente na autorização para que um doente possa aceder a um medicamento, mas deve ser entendida como parte de uma estratégia destinada a modificar mecanismos fisiológicos disfuncionalmente identificados no decurso da história natural da doença)ou tende a desaparecer.

O farmacêutico do futuro (não muito longínquo) será um integrador de fuxos de informação de natureza farmacológica, clínica, terapêutica e económica à custa de sistemas informáticos sofisticados que incorporam e confrontam modelos previsionais do impacto da exposição a um ou vários medicamentos, num doente individual, com a evolução da resposta tal como medida no doente e pelo doente.

Considero que a facilitação do acesso aos medicamentos tal como se está a promover, disso sendo exemplo os MNSRM, consititui um erro estratégico na perspectiva da saúde pública, embora colha frutos políticos imediatos e simpatias precoces.

Considero que, salvo esclarecimento em contrário, toda a política do medicamento em curso tem um viés que o porvir realçará, mas não corrigirá. O fantasma da ANF.

Será sempre, para todos as partes, um problema mal resolvido. E isso deve-se ao modo como o problema "ANF" tem sido politicamente gerido.
Bem sei que, tal como nas "manifs" quando os "choques" intervêm, tudo o que está à frente leva.

Aconteceu e está a acontecer a muito boa gente. Repare que o debate sobre o medicamento, quando envolve farmacêuticos, requer, por norma, a necessidade de esclarecimentos prévios:

- posição sobre a propriedade das farmácias;
- posição sobre a venda de medicamentos fora das farmácias.

Xavier: o problema não está nestes dois aspectos. O modelo organizacional e funcional da cobertura farmacêutica e da distribuição de medicamentos é uma consequencia da política do medicamento e não o contrário.

O que se está a passar é que as forças- determinantes da formação de opinião - que querem separar a regulação do medicamento da regulação da distribuição farmacêutica - com objectivos óbvios - vão ganhar. E esta vitória vai ser apresentada como geradora de ganhos para o cidadão (acessibilidade e preço). No momento seguinte, será verificável que apenas se formou mais um grupo financeiro (ou se engordaram os já existentes).

Quanto a farmácias nos hospitais: um "fait diver" que só economias de escala tornarão viáveis.

Propriedade da farmácia ? Uma questão de modelo em função do foco estratégico do SNS no que à política do medicamento respeita.

Grande abraço

11:41 da tarde  
Blogger xavier said...

Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

1:20 da manhã  
Blogger xavier said...

guidobaldo

Demorei um pouco a enganar o jantar

A pergunta surgiu da coincidência de o apanhar "on line" e do facto de não concordar com a transferência da dispensa de medicamentos hospitalares para as farmácias comunitárias.

Sei que nestas análises não nos devemos fixar na árvore, perdendo de vista a floresta.

No meu entender o caminho correcto seria o do investimento e aperfeiçoamento da Farmácia Hospitalar.
Anos de sucessivos programas não têm conseguido a modernização necessária da Farmácia Hospitalar.

A Farmácia Hospitalar, como instrumento de racionalidade terapêutica, dirigido a um núcleo de doentes específico (doentes muito diferenciados, patologias pesadas, com um grande número de reinternamentos),está em principio mais apta, vocacionada para cumprir este objectivo.

Não querendo ou não podendo investir na Farmácia Hospitalar, arranja-se um conjunto de argumentos (efectividade das tomas, etc) para justificar a transferência.

Concordando com o que diz, tenho presente, no entanto, que ao decisor político responsável pela governação da saúde, coloca-se um sem número de objectivos, de meios e instrumentos que tornam o processo de decisão extremamente complexo.

Supondo estar perante um decisor capaz de dominar todo ete complexo processo.
A racionalidade técnica constitui apenas um factor da vasta gama que intervém na decisão política,
saindo por vezes, demasiadas vezes, como factor perdedor.

É este, modestamente, o nosso campo de intervenção, tentar valorizar, defender,
a componente técnica como factor essencial da decisão política.

Um abraço

1:35 da manhã  
Blogger drfeelgood said...

E cá temos o MD como porta voz do Ministro da Saúde .

Será que este cargo é remunerado ?

1:58 da manhã  
Blogger expresso said...

Caro Xavier,

Tal como o Guidobaldo referiu penso que serão entidades diferentes a avaliar a entrada de novos medicamentos no mercado (CAM) e a autorização de comercialização de medicamentos hospitalares (grupo de peritos a nomear). Penso que este grupo será composto por peritos hoje em dia já envolvidos na avaliação da comparticipação de medicamentos de ambulatório e mais alguns especialistas de áreas específicas (oncologia, infecciologia). Não sei se será facil encontrar especialistas dispostos a ter este trabalho. Segundo me disseram já terão sido convidados diversos especialistas que por diferentes razões não se mostraram disponíveis.
E quanto à CAM? Também não será fácil encontrar peritos na avaliação de medicamentos que possam substituir os anteriores... não existem muitas pessoas com esta experiência e qualidades em Portugal.
Assim o CC e o Governo estão a criar mais uma dificuldade para sua actividade...
Quanto à questão de fundo - passagem de medicamentos dos hospitais para as farmácias de ambulatório gostaria de emitir a minha opinião: Não vejo qualquer incoveniente se não existir qualquer aumento de encargos com esta passagem e se for dada preparação específica aos farmacêuticos responsáveis pelas farmácias que poderão dispensar estes medicamentos - quer ao nível terapêutico, quer ao nível de técnicas de promoção de adesão à terapêutica, quer meios de melhor interligação com os restantes profissionais de saúde.
Para mim é até obvio que as farmácias hospitalres têm já por si diversas actividades que não podem suportar um ambulatório de grandes dimensões. Existem diversas actividades que só por si deverão ser tão absorventes que impossibitam que estas farmácias estejam vocacionadas para a distribuição de medicamentos para fora das suas instalações. Isto não quer dizer que não se deva investir na melhoria da farmácia hospitalar.Pelo contrário. Penso que nos últimos anos temos assistido a uma melhoria em sistemas de informação que tem possibilitado pequenos passos nesse sentido.
Até se bem me recordo, em termos legislativos as farmácias hospitalares nunca estiveram vocacionadas para este serviço de ambulatório. Foi a pressão da tecnologia (e outras) que vieram promover o seu desenvolvimento.
Em conclusão, penso que o Guidobaldo e o Xavier estão a caminhar no mesmo sentido mas por caminhos diferentes.

9:28 da manhã  
Blogger farmasa said...

Deixem-me apenas saudar o regresso das grandes discussões a este blog. Depois de por cá passarem lpires52 e doutorenfermeiro, este espaço estava com um ambiente estranho.

Mais uma vez, o nosso guidobaldo continua a dar cartas com as suas brilhantes intervenções.

Não conte, contudo com o meu voto para a sua eleição como bastonário da OF. Não que não goste de o ler e ouvir. Mas porque o Sr. Prof. não tem perfir político. É um bom técnico, mas isso não chega para dar um bom bastonário.

11:26 da manhã  
Blogger guidobaldo said...

Caro Farmasa

Com toda a consideração e amizade penso que está a laborar num erro de "casting".

Abraço

1:16 da tarde  
Blogger Mário de Sá Peliteiro said...

Eu voto no Guidobaldo para Ministro da Saúde

1:53 da tarde  
Blogger xavier said...

Cara Farmasa gostaríamos mais de ter intervenções a ajudar à discussão.

Não sou farmacêutico, não posso votar, mas conheço muitos farmacêuticos que é de caras.
Muita coisa mudará por certo para melhor.

2:15 da tarde  
Blogger farmasa said...

Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

3:59 da tarde  
Blogger farmasa said...

Caros amigos,

Infelizmente, não tenho muito tempo para as lides bloguísticas. No entanto, quando tenho, é sempre um prazer deambular pelo SaudeSA. Na minha opinião, é simplesmente o melhor blog de discussão política que há neste país. Política de saúde, é certo, mas política. O nível deste blog advém, sobretudo, da excelente preparação técnica da maioria dos seus intervenientes.

Na minha intervenção anterior, quis apenas tentar acertar no alvo, buscando adivinhar quem será este nosso ilustre companheiro de blog "guidobaldo". É que, mais uma vez infelizmente, na classe farmacêutica (a que pertenço), pessoas com o seu nível de conhecimentos e tipo de escrita são muito raras. Diria mesmo, uma espécie em vias de extinção!

Compreendo que não queira revelar a sua identidade, do mesmo modo que também não o faço. De qualquer modo, para mim, não há muito espaço para a sua identidade ser distinta da que, implicitamente, apontei.

Sobre a questão da candidatura a Bastonário, confesso que não o acho com perfil político para abarcar essas funções. Ainda assim, a sua personalidade e, acima de tudo o respeito que granjeia na classe e sobretudo fora dela, fariam de si o melhor bastonário que me recordo.

Por isso, e também tendo em conta a outra provável candidatura, o mais certo será mesmo depositar o meu voto no Sr. Prof.. Boa sorte!

Para breve ficarão outros comentários sobre os temas em análise. Quando as férias o permitirem!

4:01 da tarde  
Blogger Vladimiro Jorge Silva said...

Não conheço a verdadeira identidade do Guidobaldo, mas acredito sinceramente que daria um excelente bastonário da OF (aliás, penso que eu próprio já o tinha sugerido em tempos). No actual momento político os farmacêuticos não podem continuar com bastonários tipo Rainha de Inglaterra, deixando à ANF todo o poder de efectiva representação. O Guidobaldo já provou ter competência técnica e ideias correctamente organizadas. Não conheço o seu perfil político (pois para isso teria que o conhecer pessoalmente), mas acredito que não é homem para virar a cara às lutas que se avizinham e que o próprio vai referindo. Ou seja, como se diz nestas ocasiões... Guidobaldo vá em frente, tem aqui a sua gente!!!

5:01 da tarde  
Blogger clara said...

Peço desculpa por me intrometer na conversa.

O Guidobaldo além da enorme qualidade técnica que lhe reconhecemos, é um cidadão conhecedor e corajoso de grande verticalidade, capaz de fazer a reforma que a OF precisa.
Um grande abraço para o guidobaldo

5:18 da tarde  

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