quarta-feira, agosto 30

USP


Todos sabemos que o ponto forte deste Governo é o marketing. O título do DE não faz a coisa por menos: "Lisboa gerida pelo SUCH" link

A notícia diz respeito ao projecto-piloto de criação de uma Unidade de Serviços Partilhados (USP) - frota automóvel e compras (sem medicamentos) - que o SUCH pretende fazer arrancar a partir de 2007.
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Segundo a presidente do conselho de administração do SUCH, Paula Nanita, com a implementação deste projecto pretende-se obter uma redução dos custos de 10 a 20%, cerca de 240 milhões de euros por ano (10% de 2,4 mil milhões de euros, valor anual das compras).

Sobre a criação da Unidade de Serviços Partilhados (USP) do SUCH volto a postar o comentário oportuno do semmisericórdia:
a) Na preparação da central de negociação misturam-se artigos com importância muito díspar;
b) O SUCH pretende receber “delegação” (?) das “áreas não clínicas” dos hospitais: “… criação de condições para que os hospitais delegassem nesta entidade a responsabilidade de gerir os serviços fora da área clínica que pudessem ser partilhados com outros hospitais”.

Comentarei apenas o primeiro ponto (definir prioridades e focalizar a Central de Negociação). Uma Central de Negociação é uma boa ideia e trará benefícios assinaláveis aos hospitais e ao SNS se simultaneamente:
i. Fizer diferença através de ganhos de preço substanciais obtidos por funcionamento especializado e apurado em moldes de gestão, não meramente administrativo;
ii. Souber priorizar a sua actividade no importante (PF, MCC, equipamentos; focalizando na classe A) e se souber congregar, por escolha livre dos interessados, a maioria das instituições de saúde (em valor de aquisições), pois é sabido que será do poder negocial resultante da dimensão que o resultado referido em “i” poderá surgir;
iii. Acrescentar valor para as entidades envolvidas – por exemplo, no caso dos hospitais pela disponibilização adicional de informação e SI, pelo apoio e formação de quadros.

A dispersão referida nada de bom augura mas mais preocupante seria se a Central se dedicasse, e passo a citar, “… para além dos medicamentos…, o catering, a segurança, a lavandaria, a manutenção dos edifícios e a gestão das frotas de automóveis … “ ou, noutra versão, “a frota automóvel e o transporte de doentes, a hotelaria alimentar, a segurança, a manutenção de jardins”. E porquê? Pela confusão de papéis e pelas consequências para a concorrência.

Porque as actividades não clínicas citadas são áreas actuais do SUCH ou não o sendo constituirão, porventura, áreas para sua expansão futura. Assim o SUCH constituir-se-ia numa entidade dupla:
– Como na rábula seria “Maria Patroa” contrataria e escolheria os concorrentes aos procedimentos que lançasse (acede a informação privilegiada, escolhe e actua como cliente dos fornecedores existentes no mercado);
– Concorreria simultaneamente aos concursos que lançou como “Maria Empregada”, como fornecedor e nas áreas que lhe interessassem (lavandaria, resíduos, manutenção, etc.).
(esta confusão de papeis na mesma entidade com conflito de interesses é impossível num país da EU, penso eu).
A concorrência é boa para as empresas, para a população e para competitividade do País, pelo que só podemos fazer a sua defesa, não a sua limitação ou oclusão. Gera benefícios em eficiência, em qualidade e responsividade que são repartidas por todos: própria empresa que inovou; seus clientes e consumidores; seus concorrentes – não tardam a adoptar/adaptar as inovações e responder com outras melhorias; o Estado e outros interessados pelos ganhos gerais (produtividade e menor desperdício de recursos, sustentabilidade e competitividade,…).
Ora o SUCH não pode evoluir para entidade isolada da concorrência porque esse isolamento condenar-nos-ia a perdermos aqueles benefícios e provocaria consequências nefastas para a própria entidade e para o mercado. Penso que terá havido algum equívoco ou problema de comunicação na referida notícia.
semmisericórdia

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3 Comments:

Blogger coscuvilheiro said...

Não quero ser mauzinho.
Mas onde é que o pessoal da canasta tem competência e resistência para pôr de pé um projecto desta dimensão e complexidade ?

Mais uma contradição da política de CC.

Tenta liberalizar serviços das áreas clínicas (Farmácias hospitalares e MSDTS, nomeadamente), por outro lado pretende centralizar as prestações de serviços (hotelaria, frota automóvel) e as compras.

Em relação aos medicamentos não há coragem.

Caro ministro, poupe-nos. O nosso coração não aguenta até ao fim da legislatura !

1:18 da manhã  
Blogger tambemquero said...

Já se referiu aqui, o Elo Forte da política de CC: as USF.

O Elo Fraco: o perfil do ministro.

Falta referir o Elo assim , assim: Carmen Pignatelli, Inês Guerreiro e Paula Nanita.

1:24 da manhã  
Blogger Gato das Botas said...

Sobre o VP do SUCH que acabou de assinar contratos com velhos amigos...

Contratos à pressa para os hospitais


O Ministério ordenou aos hospitais SA que assinassem vários contratos com privados até 5 de Março

OS HOSPITAIS SA receberam uma directiva para assinar, até 5 de Março, vários contratos com empresas privadas de informática, escolhidas pelo Ministério da Saúde sem qualquer concurso nem consulta prévia. Esta urgência não foi explicada aos gestores dos SA, que receberam mal a notícia, na sexta-feira da semana passada, na sede do Ministério, numa reunião para a qual tinham sido convocados também de urgência.
A informação foi prestada pelo responsável da Unidade de Missão do grupo dos hospitais SA, Pedroso Lima, que expôs, durante cerca de duas horas, as vantagens de assinar os referidos contratos com as quatro empresas escolhidas pelo Ministério - sem concurso público, nem consulta prévia. O ministro Luís Filipe Pereira esteve presente, mas só no final desta reunião.
Na sua exposição, Pedroso Lima informou os administradores dos 31 SA que a opção por aquelas empresas tinha a ver com o facto de a Unidade de Missão ter obtido a garantia de descontos substanciais, caso a compra dos programas informáticos fosse feita em grupo. Na reunião terá mesmo dito que estes descontos podiam atingir os 70% e assegurou que os hospitais que aderissem até seriam premiados, com um subsídio especial retirado do orçamento da própria Unidade de Missão.
Segundo soube o EXPRESSO, trata-se de contratos para comprar, por ajuste directo, aplicações informáticas para a gestão de várias áreas de trabalho dos hospitais: a financeira, os recursos humanos, a urgência e a farmácia hospitalar. No total, este negócio - que os hospitais foram aconselhados a fazer com a Capgemini (que instalará a solução da espanhola Meta 4), a CPC, a GES System (com a solução da Oracle) e a MNI - pode ascender aos 150 milhões de euros.
A Capgemini, sobre quem recaiu a escolha para a aplicação de gestão de recursos humanos, tem como consultor o ex-ministro Mira Amaral - de quem Luís Filipe Pereira foi secretário de Estado na década de 80 e o seu adjunto António Mocho, assessor de imprensa. Foi, aliás, o próprio ex-ministro a apresentar a empresa à Unidade de Missão, confirmou ao EXPRESSO Pedroso Lima.
A opção pela aplicação de gestão financeira da Oracle provocou reacções por parte do IGIF (Instituto de Gestão informática e Financeira da Saúde), uma vez que este está a concluir o concurso público realizado precisamente para comprar uma aplicação destas para os hospitais públicos, inclusive para os SA. Um dos sistemas candidatos é o da Oracle. Alberto Serrano, do IGIF, disse esta semana ao «Jornal de Negócios» que, por isso, a iniciativa da Unidade de Missão não fazia «qualquer sentido».

Liberdade total
. Pedroso Lima afirmou ao EXPRESSO que «ninguém obrigou ninguém a nada», uma vez que «os hospitais SA têm total autonomia para decidir se querem e com quem querem fazer negócios». E explicou que apenas pretende «agilizar os procedimentos», dada a «extrema carência» dos hospitais SA em sistemas de informação.
Confrontado com a questão da urgência na assinatura dos contratos com as quatro empresas por si escolhidas, Pedroso Lima explicou que «esse prazo tem a ver com a necessidade de apurar com exactidão o desconto feito pelas empresas, valor que depende do número de hospitais que aderirem a isto». Por outro lado, acrescentou, «este calendário tem também a ver com o facto de querermos acelerar o mais possível a instalação destes sistemas» - que se pretende esteja concluído até ao final do ano, por ser «estratégico» para os hospitais. «E isto demora o seu tempo», adiantou, esclarecendo: «De qualquer modo, alguns hospitais disseram que precisavam de mais tempo», pelo que a data de 5 de Março poderá já não ser cumprida. Pedroso Lima fez ainda questão de salientar o facto de o mandato da Unidade de Missão terminar em Janeiro de 2006, para justificar o seu empenho neste projecto e no cumprimento do seu calendário.
Os gestores dos SA mantêm muitas dúvidas em relação a todo este processo. Alguns dos contactados pelo EXPRESSO manifestaram reservas à imposição de uma data para a assinatura dos contratos, enquanto outros se mostraram preocupados com a promessa dos descontos a fazer pelas empresas - que até consideram muito aceitáveis. Isto porque os contratos que já lhes foram apresentados não fazerem referência, por exemplo, aos custos da instalação e da manutenção dos sistemas.


Graça Rosendo, jornal expresso, Abril 2005

11:12 da tarde  

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