domingo, agosto 27

Gestão Hospitalar

A memória é uma coisa simples. Quando não se faz por esquecer.
Quando foram criados os primeiros SA's, muitos dos gestores dos SPA, foram nomeados para as administrações dos SA. Houve alguma razão para os salários passarem de 700 para 2000 contos? Certamente que tal foi negociado. E porque é que os tais administradores que, até essa data andavam de Renault passaram a andar de Saab? Assim foi estabelecida a diferença entre a gestão SA e SPA. Sabia-se, à partida, que este processo (a que os EPE deram continuidade) ia acabar mal! O resultado está à vista.

Claro que os gestores dos SA's só para lá foram devido às condições salariais novas... Caso contrário, teria sido impossível recrutar tão brilhantes gestores para a administração dos hospitais.

Não basta mudar de nome, mantendo as mesmas regras e pessoas.

Na minha opinião, a grande responsabilidade da falta de controlo financeiro e de preocupação com o cliente (doente) que se regista actualmente nos hospitais do SNS, advém do facto do recrutamento dos gestores ser feito, maioritariamente, pela cor do cartão de militante.

É absolutamente impossível melhorar a qualidade da gestão se os gestores escolhidos forem meramente "indicados" pelos governos sem qualquer avaliação técnica dos candidatos. Tem que haver um processo de selecção em que se escolham os melhores candidatos aos lugares, do mesmo modo que uma qualquer empresa faz. De outro modo, que moral (e que motivação) têm os governos para responsabilizar os seus nomeados? Antes de CC eram os novos governos que diziam cobras e lagartos dos gestores nomeados pelos governos anteriores num processo que visava pôr na rua os que não eram da mesma cor partidária. Com CC a crítica aos gestores hospitalares banalizou-se sem quaisquer efeitos práticos.
farmasa

9 Comments:

Blogger tambemquero said...

A autonomia e responsabilização dos Conselhos de Administração dos hospitais EPE não funcionou.

A manutenção de uma Unidade de Missão dos HH EPE fazia sentido para fazer o acompanhamento do processo de reforma (tal como acontece presentemente com a unidade de missão dos cuidados de saúde primários).

A não substituição do "tableau de bord" foi outra das graves falhas da gestão CC .
A criação de um conjunto de indicadores capaz de estabelecer uma dinâmica de competitividade entre hospitais é uma medida indispensável que até agora não foi implementada.

A questão dos carros e dos gastos supérfluos é apenas uma ponta do iceberg dos inúmeros falhanços da gestão EPE.
E, desta vez, os AH não vão sair incólumes.
Vejam só quantos AH não compraram carros novos e caíram na tentação dos gastos supérfluos.
Daqui os inúmeros comentários efectuados aqui na saudesa a defender a aquisição de carros como um direito adquirido.
Até o vivóporto saiu em defesa dos carrinhos, culpando o ministro.

Enfim, maus resultados e uma triste figura.

Como a criação de um sistema de selecção de gestores hospitalares, baseada em critérios seguros e eficazes, é uma tarefa complexa e demorada,CC deverá, dentro em breve, optar pela solução mais rápida, ou seja, o recurso aos préstimos da gestão privada.

Assim vai a nossa triste gestão dos hospitais.

1:23 da tarde  
Blogger hospitalepe said...

A expectativa era ver até que ponto o desempenho dos AH era qualitativamente superior aos gestores nomeados pelo anterior ministro LFP.

É cedo para fazer uma avaliação definitiva. Os primeiros dados, no entanto, não abonam nada a favor.

Concordo com o Farmasa as nomeações dos gestores hospitalares são baseadas quase exclusivamente nas "indicações" partidárias ou nos conhecidos meninos do jet set.

A grande expectativa relativamente ao desempenho dos AH advém do facto da sua formação específica e de serem portadores de uma pretensa cultura de gestores públicos.
Afinal, com base nos primeiros dados, a maioria dos AH chamados a desempenhar funções nos CAs dos HHs demonstra as mesmas "virtudes" e defeitos dos anteriores gestores SA, não havendo nada de qualitativamente distinto a assinalar.

Assim sendo como justificar uma carreira distinta para os AH formados e portadores da cultura de gestão da ENSP.

Mas afinal, que cultura é essa ?

4:39 da tarde  
Blogger joaopedro said...

O actual sistema de gestão dos nossos hospitais permanece com poucas alterações de fundo.

A Cultura de gestão da ENSP é um "bluff" muito bem guardado, não conseguindo ensinar nada de mais elevado além do "salve-se quem puder".

Poucos professores, talvez com a excepção do professor Vasco Reis, conseguiram incutir nos alunos um cunho forte de espirito de missão de servidor público.

A qualidade do ensino também deixou sempre muito a desejar. Muito formalismo, muita cagança, mas, tudo espremido, a não valer mais do que um caracol.

E a maioria dos alunos da ENSP pactuou sempre, silenciosaente, com este estado de coisas, sabendo que, mais tarde ou mais cedo, seria também compensado .

Moral da história: sobre o que está a acontecer não temos que nos queixar.

Sobre o desempenho dos AH, neste novo ciclo de gestão, era de esperar o que está a acontecer.

Desde o caso extremo de LD no HIDP, a breve trecho de ser trucidado pelos caciques locais, passando pelos meninos(as) 'jet set' que, como era de esperar, só têm dado barraca (havendo mesmo alguns casos paradigmáticos de falta de perfil, dignos de figurar nos compêndios de gestão).
Penso que é escusado apresentar casos e nomes.

E isto, quando o andor ainda vai no adro.

Sou administrador Hospitalar, mas em primeiro lugar está a salvação do nosso Serviço Nacional de Saúde.
Dado o actual panorama afigura-se-me inevitável o recurso a outras soluções para assegurar uma gestão capaz nos nossos hospitais.
E, CC sabe disso.
Com esta tropa não vamos lá.

5:28 da tarde  
Blogger drfeelgood said...

E esta ?

Os AH estão zangados.

As coisas não parecem estar a correr nada bem.

8:26 da tarde  
Blogger alerta said...

O modelo de gestão SA/EPE não tem nada a haver com o “fracasso” na gestão dos hospitais públicos.

A implementação do modelo de gestão SA, apesar das dificuldades inerentes à mudança, e a natural resistência ao “novo” foi sendo conseguida, umas vezes menos outras mais. Estava em fase de cimentação quando o Ministério mudou.

Com esta mudança houve a necessidade incompreensível (como Vital Moreira bem escreveu: uma questão de semântica!) de novamente alterar as regras. Apareceram as EPE (S) e novos CA (s) alguns dos quais liderados por pessoas, sem aptidão para as tarefas que lhe foram e são exigidas.

Os recursos humanos passaram a ser qualificados como despesa e não como um factor de produção, deixaram de ser considerados um capital, logo, por mais brio profissional que exista, tal como o mais fraco compêndio sobre esta matéria referirá certamente, há desmotivação dos profissionais de saúde.

Esta actual equipa do Ministério da Saúde criou as condições para que pareça inevitável o fim do SNS!

A gestão privada dos hospitais e o fim do SNS não é uma solução de recurso de CC.
É a que o Ministro escolheu, aceitou escolher ou lhe foi imposta e por tal foi criando as condições, para que parecesse a única possível.

Outros Ministros de Saúde tiveram grandes dificuldades de governo do Ministério, alguns deles foram centro de grandes polémicas e contestação, nenhum deles pôs em causa a “vida” do SNS!

É estranho que Correia de Campos tenha sido capaz de substituir Luís Filipe Pereira, não mantendo sustentável o SNS!

Já Arlindo Carvalho teve dificuldade em substituir Leonor Beleza, mas nessa altura não houve dúvidas 1º o SNS, porque ministros há muitos, e por lá continuarão a passar, mas o SNS é único.

Sr. Ministro já todos, embora com interpretações diversas, percebemos o que se pretende! Deixe de vez de fazer por fazer, de lançar para o ar, mudar de medida e esperar que a poeira assente e passar à medida seguinte! Não faça reformas apenas porque o seu antecessor lhe tirou alguma margem de manobra. Não invente!

Saiba que todos lhe reconhecemos as qualidades profissionais que ao longo da sua vida demonstrou! Mas e em nome do SNS, pedimos-lhe:

Deixe de vez as guerras entre as flores, vulgo acácia, e a fé, vulgo Sta Maria; é que Sr. Ministro, isto, não são rosas Sr., não são rosas Sr.!...

10:58 da tarde  
Blogger deserto said...

joaopedro,

Aguardo o seu comentário ao último acervo que postei!

Entretanto, ao cogitar, sim porque também eu cogito, não é um dom só de alguns, lembrei-me de avivar algumas memórias, talvez consciências, d’outrem que não o joaopedro, certamente.

Lembra-se dos tais vis, dos bufos, (permita-me, parece uma linguagem de PREC, serei um pouco mais velhote, nesse tempo ainda alguns nem de cueiros andariam), nomeados por LFP, foram os primeiros a convidar o Sr. Prof. Correia de Campos a proferir no HIDP uma conferência sobre as SA’s. Sabe o que foi dito? A memória é curta, …

Já agora fique a saber, que o ódio aos vis é tão grande que ainda hoje pagam, mesmo que noutras actividades, por não acederem a uma idêntica conferência com o Prof. Carlos Zorrinho! Aliás continuam acusados de tal vilania!

Será necessário tal para justificar a demissão! Será por isso que o HIDP foi premiado com LD! Será H’U’Mano? Será da Pub herdade? Ou…?
A final quem é cacique quem é?

Como tenho ouvido duro e voz de cana rachada, não toco nem canto dessas formas!

12:30 da manhã  
Blogger saudepe said...

É realmente triste, ao fim deste tempo todo, não termos ultrapassado o ponto de partida e estarmos a falar de esbanjamentos praticados pelas administrações dos hospitais.

1:27 da manhã  
Blogger joaopedro said...

Para esse peditório já dei.

O caro amigo vai ficar a pregar no deserto.

A sua informação não cruza com a minha. Em breve saberá porquê.

Se é tão antigo porque não se reforma. Estas coisas fazem mal ao coração. E, nunca se sabe. Salvaguarde-se.

1:31 da tarde  
Blogger deserto said...

Como de costume atiramos os cães à moiteira e encolhemo-nos, ou, para perceber, atiramos a pedra e escondemos a mão. De adágios já basta!

Com que então, joaopedro, de novo a jogar à Batalha Naval:

Sabe, num passado recente, as informações eram transmitidas em sede própria, eram da responsabilidade de quem dizia, de quem ouvia ou de quem escrevia, o que tenho vindo a reescrever.
Se como diz, a sua informação não cruza com os meus escritos e, se o método não é o mesmo, então, o vulgo cidadão, entende que o caro bloguista está a pôr em causa quem lhas facultou, transmitiu…
Entre pares fica mal! Quebra aquilo que de mais importante temos, direi os seres humanos, a dignidade, pois a essa cada um deve ou deveria estabelecer o preço da que lhe corresponde!

Já agora não se chegue muito à acácia, pica, nem a Sta Maria, isto não é um confessionário! Ande antes pelos by night que esses não o deixam ficar no mato sem cachorro, não lhe roem a corda. Com os outros quando a quebrados formos, não olhe para o lado pois ninguém estará lá, nem os informadores!....

Será que o Blogue é um "sítio" para bolsarmos o que não temos a coragem de dizer em público? Por mim já o fiz, em público, naturalmente, e não a coberto de Blogues; tem o caro joaopedro o mesmo procedimento?

Do coração passo bem, tenho em casa quem dele me trate!

Mas sempre lhe digo:

A ver vamos!

Ninguém se deve abster do dever de defender o SNS, mesmo que já tenha ultrapassado a idade da reforma!

Ninguém se deve abster de denunciar a desonestidade e promiscuidade intelectual de alguns com tão graves prejuízos para direitos essenciais à dignidade humana como é o direito à saúde!

Pobre povo que tão fracos governantes elegeu e alguns Administradores também não!

E para epílogo:
Ai tu quê mais?!!!

6:51 da tarde  

Enviar um comentário

<< Home