quarta-feira, março 28

ANF, poder e ambição desmedida



Caro Eduardo Faustino

Apreciei o seu esforço de tapar o sol (ANF) com a peneira para tentar resguardá-la, sem sucesso porque a dita tem buracos muito grandes.
link LINK

Ao fazê-lo diz simultaneamente duas coisas:

- ANF não tem acesso ao perfil do médico (o que duvido);
- Todos têm acesso (menos os AH e o MS) desde que paguem.

É uma contradição nos próprios termos, depois quem acredita que o Costa Freire não acede á informação se a tiver ali á mão? Ainda por cima valendo ela bom dinheiro?

Vem dizer-nos que a Consiste é competente e que utilizou competências tecnológicas, técnicas e humanas "vis a vis" outros concorrentes. Não se esqueça que:

- O mercado onde actuou é protegido, incidindo sobretudo sobre as próprias farmácias e a informatização do circuito do medicamento;
- Que o fez recorrendo aos muitos milhões de contos dos juros de mora, disponíveis por ser o lobby mais poderoso - não esquecer que nenhum fornecedor ou prestadores médicos o conseguiram - ninguém mais tem uma mina dessas.

Chegou ao ponto de dizer que a Consiste quer ser monopólio "salvaguardando a defesa do interesse público"! Não lembra ao diabo.

Mas o que interessa não é a competência ou incompetência da Consiste. Interessa sim que se trata de alargar o monopólio farmacêutico, visto que ANF já detém as Farmácias-oficina, a maior parte da Distribuição e agora o Software hospitalar onde vai querer entrar na concessão de Farmácias ambulatórias. Pense-se desde logo em dois efeitos:

- No próximo concurso de concessão das farmácias hospitalares vai ter informação privilegiada que será decisiva para a proposta.
- A subida de preços para os hospitais, que já aí está (poder de monopólio a funcionar).

A ANF, assentando no poder imenso de lobby, recolheu muitos milhões de contos do Estado, alargou depois com eles o seu poder à Distribuição, á produção de medicamentos, a laboratórios etc., e quer agora estender a sua "defesa do interesse público" aos hospitais - também quer estender á "prestação de serviços de saúde" (os médicos e enfermeiros que se cuidem). Detém o quase monopólio no software de medicamentos, passará depois a: concessão de farmácias de ambulatório e dos próprios SF (como no Amadora-Sintra) e à extensão á restante logística hospitalar.

Nada temos contra as farmácias, que até funcionam bem, os farmacêuticos e o seu direito de se associarem, como Ordem, Associação e Sindicatos. Temos tudo contra o mais poderoso lobby da saúde, a sua imensa ambição e a evolução recente:

- Actuação como monopolista nas farmácias (cartel);
- Alargamento do poder á distribuição de medicamentos, em posição com grande poder de monopólio;
- Alargamento á informática hospitalar de medicamentos em quase monopólio;
- Começou a produção de medicamentos e também um laboratório de medicamentos;

Sempre utilizando o poder para benefício próprio da clique que tem o poder e para reforço da posição do todo poderoso lobby.

Pergunto: O que aconteceria se fosse a Apifarma a comprar as farmácias, a distribuição, a tomar as novas farmácias hospitalares e a informatização dos medicamentos? Ou se fosse a Ordem dos Médicos?

Seria também um monopólio para "salvaguarda do interesse público" ou já seria demoníaco?
Vida Nova

35 Comments:

Blogger Clara said...

O melhor Post de sempre!

7:48 da tarde  
Blogger Peliteiro said...

Vida Nova é um livro de Orhan Pamuk que acabei de ler no mês passado. Relata a busca, por um grupo de pessoas, de uma vida nova, num mundo novo com uma identidade universal.

A propriedade de Farmácia será (?) em breve liberalizada.

Abracem uma Vida Nova, comprem uma Farmácia e associem-se à ANF.

8:11 da tarde  
Blogger coscuvilheiro said...

Está tudo à venda no SNS.

A decisão de CC de concessionar as farmácias oficina hospitalares aos associados da ANF, faz com que o ministro da saúde também não fique muito bem nesta fotografia.

8:13 da tarde  
Blogger tonitosa said...

Em boa verdade na Saúde, "lobbies" é o que mais existe.
Um: médicos
dois: enfermeiros
...
Quem quer continuar a preencher a lista?

10:16 da tarde  
Blogger Diabo de Saias said...

ANF, poder e ambição desmedidos. É que já aí estão ambos.

O poder político que se cuide. Pode ter tido um entrada de leão e uma saída de sendeiro.

Não se esqueçam que teve lugar no discurso de tomada de posse do nosso primeiro.

Mais uma vez, qual o papel de CC ?

10:51 da tarde  
Blogger Farmaceutico de Oficina said...

Caro Vida Nova,

Vamos então passar em revisão as suas afirmações e tentar confrontá-las com a nossa visão de toda a problemática.

A ANF não precisa que este simples associado de base a tente resguardar. Obviamente as minhas opiniões, são baseadas nas minha percepção da realidade provavelmente subjectiva mas pelas quais dou a cara...
Curiosamente as poucas pessoas que neste fórum se identificam e dão a cara são todos farmacêuticos porque será???

Se a ANF tem ou não acesso ao perfil do médico, não é relevante...(poderá obte-lo pelas vias que já referi...)

O que é relevante é as Farmácias não o fornecem à ANF nem as farmácias pertencem à ANF...

A ANF é que pertence ás Farmácias e aos farmacêuticos...

Continuar a afirmar que
“ANF já detém as Farmácias-oficina”

é continuar a tentar passar um atestado de imbecilidade aos 2 700 directores técnicos-proprietários, que como é obvio pensam pelas suas cabeças não pela cabeça do João Cordeiro... A pretensa superioridade das suas afirmações em relação aos proprietários de farmácia e as atitudes que o Costa Freire toma ou deixará de tomar não me dizem respeito o que lhe posso afirmar é que ele não obtém dados do perfil do prescritor dos Associados da ANF...


“- O mercado onde actuou é protegido, incidindo sobretudo sobre as próprias farmácias e a informatização do circuito do medicamento;”

Primeiro o mercado de hard-software para farmácias é protegido??? É obvio que não!!! Só na cabeçinha do meu amigo. actualmente existem pelo menos mais dois sistemas que eu tenha conhecimento...

Qualquer deles pode importar os dados uns dos outros portanto se alguma das Farmácia utilizadora estiver insatisfeito pode migrar para um dos outros concorrentes ...

No meu caso considero que pago um preço razoável para o serviço que recebo em troca... quando estiver insatisfeito é fácil trocar

“- Que o fez recorrendo aos muitos milhões de contos dos juros de mora, disponíveis por ser o lobby mais poderoso - não esquecer que nenhum fornecedor ou prestadores médicos o conseguiram - ninguém mais tem uma mina dessas.”

O famoso acordo dos juros que contrariamente ao que afirma não eram de mora, mas apenas juros bancários, era um bom acordo para o Estado, com efeito o Estado quando se atrasava pagava exactamente os juros que a banca cobrava às Farmácias pelo adiantamento do dinheiro destinado ao normal funcionamento das Farmácias nomeadamente pagamento de salários e pagamento a fornecedores.

O acordo surge aliás na sequência de numerosas condenações judiciais do próprio Estado junto dos tribunais, sendo-lhe muito mais favorável.

Actualmente não existe acordo e as Farmácias conseguem sobreviver perfeitamente com o facto.

Obviamente se houver atrasos o Estado irá pagar juros de mora legais, aliás como nós pagamos quando nos atrasamos no pagamento dos nossos impostos.

"Actuação como monopolista nas farmácias (cartel);"

Os Farmacêuticos estiveram e estarão sempre onde estão as suas competências específicas á volta do medicamento... dos conceitos aos consumidores...


O modelo de Farmácia e de intervenção profissional, que o meu amigo caracteriza como ” monopolista e de cartel” é em nosso entender que melhor serve os interesses dos País e dos portugueses dos pacientes e dos próprios farmacêuticos...

A continuar eventualmente...
um abraço

10:57 da tarde  
Blogger tonitosa said...

Defacto não me parece que faça sentido este comentário (convertido em post) sob o título: "ANF, poder e ambição desmedida".
Não podem os particulares aceder às oportunidades de negócio que o mercado lhes oferece?
E investir é proibido?
Somos na verdade um pequeno país de gente pequena, porque a inveja não nos deixa ver mais longe.
A CGD quer comprar o GPS...logo se aponta o papão dos Privados "que vão dar cabo do SNS";
A Consiste/ANF comprou a CPCHS! meu Deus vem aí a desgraça com o "malandro" do JC a dominar o mercado dos medicamentos!
Haja bom senso, ao menos.
Afinal muitos dos que se preocupam com o monopólio da ANF são os que não se cansam de defender que só eles, enquanto AH, deveriam ter o monopólio dos lugares de Gestão nos HH.

11:31 da tarde  
Blogger lisboa dakar said...

A abrir nos próximos 365 dias -
por distrito,vão ser criadas:
12 novas farmácias em Aveiro,
1 em Beja,
31 em Braga,
8 em Bragança,
1 em Castelo Branco,
1 em Coimbra,
3 em Faro,
2 na Guarda,
5 em Leiria,
43 em Lisboa,
52 no Porto,
14 em Santarém,
8 em Viana do Castelo,
12 em Vila Real e
4 em Viseu.

11:33 da tarde  
Blogger Vladimiro Jorge Silva said...

A ANF é provavelmente o único stakeholder do sector da saúde que nada pode fazer sem levantar ondas de choque.
Nesta discussão o Vida Nova utiliza a técnica da amálgama (mistura de verdades com insinuações e interpretações enviezadas dos factos), que embora seja eficaz e produza resultados vistosos sob o ponto de vista argumentativo, é relativamente fácil de desmontar quando analisada ao detalhe:
- Em relação ao acesso à informação e à vantagem competitiva que daí advém, relembremo-nos de que o Ministério da Saúde tem acesso a muito mais informação que a ANF (nem todas as farmácias são associadas da ANF e nem todas as associadas da ANF são clientes da Consiste) e que o MS só não a passa para os seus hospitais se não quiser ou se não se souber organizar;
- Além disso, e independentemente do referido na alínea anterior, a mesma informação está também disponível para quem a quiser comprar, por exemplo através do IMS;
- Também não nos devemos esquecer que a recolha e análise de muita dessa informação faz parte da normal actividade de empresas como as farmácias ou a Consiste;
- Como tantas vezes já foi referido, a ANF financia-se nos 1,5% que cobra aos associados e não nos juros de mora. Aliás, até à chegada de CC, a ANF só cobrou ao Estado os mesmos juros que pagou à banca e não os juros legais, a que teria direito por ordem dos tribunais (há sentenças nesse sentido). Ou seja, esses juros tiveram um saldo nulo para a ANF;
- A inside information que a Consiste terá não será relevante para os concursos a abrir para a concessão das farmácias hospitalares, pois serão os concessionários a pagar ao hospital e não o contrário. Além disso, uma vez que o concurso é aberto a todos e não apenas a associados da ANF, o máximo que poderá acontecer é estes apresentarem propostas que não satisfaçam os hospitais, que deste modo terão sempre a opção de entregar a concessão a qualquer outra entidade...
- Também não é verdade que a ANF produza medicamentos... o LEF já existe há cerca de 15 anos e a única novidade é dos últimos tempos é a preparação de manipulados, pagos pelas farmácias e vendidos ao público a preços fixados pelo Estado. Ou seja, quem eventualmente poderá ser prejudicado são as próprias farmácias individualmente, que terão uma margem de lucro menor que a que teriam se preparassem os manipulados no seu próprio laboratório. Se recorrerem ao LEF, será apenas por uma questão de brio profissional de quem quer apresentar o melhor produto possível aos seus clientes, mesmo que isso seja conseguido à custa de uma diminuição do seu próprio lucro imediato;
- Também não é verdade que as farmácias tenham actuado como um cartel, uma vez que não são estas quem fixa os preços dos medicamentos ou controla a prescrição. Que tipo de monopólio é que pode ser exercido por quem não tem qualquer controlo sobre o preço ou a procura dos bens que vende? (com a nova lei a situação poderá alterar-se, pois dentro de 2 meses as farmácias já poderão fazer descontos).

A única verdade que o Vida Nova refere é de facto a importância estratégica da entrada da Consiste nos hospitais, que inevitavelmente irá conduzir a uma ainda maior afirmação daquela empresa no mercado da informática médica. No entanto, esta é uma realidade normal no mundo dos negócios e seguramente que se a Consiste fosse propriedade do Eng. Belmiro ou de qualquer outro grupo económico respeitável a polémica não existiria. Há uma verdadeira psicose contra a ANF, que faz tremer todos os agentes do sector Saúde!
Já agora, a minha opinião: a Consiste tem um excelente departamento de desenvolvimento de soluções informáticas, mas um péssimo serviço de assistência técnica e manutenção. Se as coisas não melhorarem rapidamente, a ida da Consiste para os hospitais poderá ser verdadeiramente trágica para a ANF.

11:53 da tarde  
Blogger Qtolomeu said...

Só a abetura de pelo menos 1000 farmácias os paralisava.

12:50 da manhã  
Blogger e-pá! said...

Se não vivesse neste Mundo, depois de ler os comentários de alguns farmacêuticos aqui colocados, ficaria convencido que a ANF é uma confraria de beneméritos que se esgota nos mais altos patrocínios do bem estar público.
Ou, uma piedosa associação de filantropos da Saúde, com JC à cabeça e Costa Freire à ilharga, sob o pálio da inocência e enroupados com o manto diáfono do desprendimento e do altruísmo.
Eles, coitados, que nem fixam (concertadamente) preços, chamados de cartel...

O resto, são tudo invejas, imprecisões e alienações ("mistura de verdades com insinuações e interpretações enviezadas dos factos").

Uma espécie de magazine...

1:19 da manhã  
Blogger ricardo said...

É curioso ver pessoas inteligentes, bem preparadas, com experiência de vida, defenderem a ANF, como defendem, cheios de fé, a turvar-lhes a razão.
A história é conhecida.
A ANF aproveitando-se de fraquezas construiu um império, um monopólio, um loby poderoso que faz frente, contorna, vence e convence o poder do Estado.

A fé dos associados explica-se devido à protecção que recebem e dos benefícios que repartem, fruto do seu trabalho competente, honesto, esforçado, mas muito mais proveitoso do que de outros sectores de actividade.

A aquisição da CPCHS a par dos concursos em desenvolvimento para a concessão das farmácias hospitalares, marca o arranque do assalto da ANF à rede de cuidados de saúde pública.
Parece que tudo o que o ministro da saúde fez para combater este poder que confronta e limita os poderes do próprio Estado tem apenas resultado no maior fortalecimento deste monstro, cujos tentáculos ameaçam chegar a toda a parte.

Será que num futuro próximo, como dizia o JP, os Big Mac também vão ser da ANF?

2:18 da manhã  
Blogger ochoa said...

CONSISTE - COSTA FREIRE & ASSOCIADOS uma empresa em defesa do interesse público.

Agora é que os hospitais do SNS vão andar . A experiência de CF em defesa do interesse público vai ser decisiva para os ganhos de eficiência e produtividade do SNS.
CF sempre, no lugar certo, onde é necessário para fazer da sua informação hospitalar um instrumento de progresso.

9:25 da manhã  
Blogger Farmaceutico de Oficina said...

Meus amigos,

Vamos agora falar de Lobis,

A propósito do ódio destilado contra o” poderoso Lobbi dos Farmacêuticos”, é fácil antever existência de outros Lobisitos, que a coberto do anonimato lançam as suas farpas e insinuações, mas como se pode demonstrar por A +B nada tem a ver com a realidade.

O segredo do “Lobi dos farmacêuticos”, e felizmente há muito tempo o compreendemos , será sempre conciliar os nossos próprios interesses com os interesses dos utentes e do País.

Uma das características mais importantes da nossa actividade profissional é e empresarial é que devemos continuar a tentar encontrar soluções e não encontrar culpados.

Será sempre mais fácil procurar culpados do que encontrar soluções.

A realidade é como é... não como gostaríamos ou imaginamos que fosse, é por isso que políticas que de forma gratuita nos hostilizam, baseadas em falsas assunções tem exactamente efeitos contrários...aos interesses inconfessáveis que por trás delas se acomodam...

Veja-se o falso problema de falta de acessibilidade ao medicamento... Abriram-se 450 novos locais, mas os utentes vão onde lhes prestam um bom serviço ao melhor preço...

Veja-se a falsa questão do acordo, e dos juros...

Já não há acordo mas os utentes continuam a ter o seu crédito da parte comparticipada e as farmácias continuam a ter a tesouraria equilibrada...

Poderia continuar a falar de preços, de margens, de concorrência cadeias de farmácias no exterior etc... por muito que custe aos nossos detractores não há nenhum indicador em que o actual modelo de independência de propriedade e trabalho voluntário em rede... seja inferior... só nas margens brutas o modelo português claramente inferior a todos os analisados...

Portanto só podemos estar orgulhosos do nosso desempenho e confiantes no futuro...

10:14 da manhã  
Blogger Vida Nova said...

Cumprimento o Eduardo Faustino e o VJS pela sua inteligência e apego na defesa da corporação. Percebo mal que defendam a clique JC/CF e a extensão sem limites das benesses da ANF, conseguidas com o poder de lobbying. Não percebo porque têm de torcer tanto a realidade para defender a ANF.

Houve uma afirmação que me tocou profundamente: “A ANF é que pertence ás farmácias e aos farmacêuticos” (quem acredita nisso? talvez o JC e CF…).
Também fiquei sensibilizado com a nova versão do “monopólio para salvaguarda do interesse público”: o modelo (de cartel farmacêutico) é “o que melhor serve os interesses do País, dos pacientes …”. Como diz o e-pá só aqui temos o privilégio de ter um cartel que é “confraria de beneméritos, bons samaritanos e piedosa associação de filantropos”.

Gostei também daquela das “farmácias conseguirem sobreviver perfeitamente” sem juros de mora. Os juros eram para a ANF e não para as farmácias. Só JC/CF são afectados na sua ambição e projectos de ganhos, em lucros e poder.

Transcrevo de seguida e-mail que recebi, a minha insistência, de amigo professor universitário sobre os males dos monopólios.
“Nos países a sério, EUA por exemplo, combate-se fortemente o monopólio porque esta situação de mercado provoca perdas elevadas para toda a sociedade, e não apenas para os consumidores.
Quando passamos de concorrência perfeita para situações de mercado com maior poder de monopólio (oligopólio, concorrência monopolista) o benefício global para a comunidade, que é sempre repartido entre os produtores (leia-se produção mais distribuição) e os consumidores, vai diminuindo e essa é a razão porque devemos promover a concorrência e combater o monopólio e os cartéis (equivalentes àquele).

O prejuízo por situação de monopólio, ou equivalente, não é apenas de preço (tende a haver preços mais altos e menor quantidade vendida) mas também de serviço e disponibilidade (não haverá tantos postos de venda em horário tão apropriado para clientes), de qualidade (no atendimento, na qualidade técnica e no risco de utilização) e de inovação (menos produtos e serviços inovadores, menos melhorias nos processos).
A ANF situa-se dentro deste quadro de referência.“

A grande maioria dos argumentos apresentados pelos ilustres farmacêuticos não passa, aliás, de falsos desmentidos ou de mera poeira para os olhos dos inocentes úteis.

Os “milhões de contos obtidos do orçamento de Estado” que alimentaram o poder da ANF. ANF obteve em momento político particular (quando Costa Freire era do Governo) um contrato escrito que mais nenhum fornecedor conseguiu do Estado (na Saúde ou fora), contra o parecer dos técnicos e dirigentes do MS (porquê e como?). Esse contrato previa que a ANF passava a:
- Receber juros de mora pelos atrasos a partir de 50 dias da factura (são mesmo juros de mora);
- Ser intermediário financeiro (não havia bancos?), pelo qual cobrava 1,5% da facturação ás farmácias.

Com a desorganização e a falta de dinheiro do MS o resultado era previsível. ANF recebeu, anualmente, milhões do OE e outros milhões da diferença dos juros pagos á banca para os 1,5%. Porque mais nenhum fornecedor ou prestador do Estado, clínico ou não clínico, obteve tal benesse?

“Acesso ao perfil do médico”. Constato que os argumentos apresentados evoluíram de: ”ANF não tem, é impossível, não recolhemos, todos têm acesso desde que queiram pagar (menos AH e MS)” para
“Se a ANF tem ou não acesso ao perfil do médico, não é relevante”. Não é relevante? Claro que é relevante, para todos os médicos e para quem detiver essa informação, com o poder que induz!
“A recolha e análise de muita dessa informação faz parte da normal actividade de empresas como as farmácias ou a Consiste”!

A “técnica da amálgama” e os argumentos (de VJS) para a desmontar.
. É verdade que deter informação sobre medicamentos hospitalares dá vantagem no concurso para concessão de farmácias dos HH. Por exemplo, quem a detiver evita apresentar um preço demasiado alto (perder lucros futuros) ou um preço demasiado baixo (perder o concurso).
. ANF financiou-se com os juros de mora e essa do “saldo zero” só contaram mesmo para você, porque a taxa dos juros de mora sempre foi superior á do crédito concedido pelos bancos.
. ANF produz (ou não) medicamentos. Conseguiu a licença para produzir genéricos e se não a estar a usar é porque considerou mais rendoso aplicar os milhões já referidos na extensão dos monopólios onde se posicionou e quer situar (agora também nos hospitais e na “prestação de serviços de saúde”).
. ANF não é conjunto das farmácias…. Mas representa mais de 90% do total.
. ANF “à volta do medicamento …dos conceitos aos consumidores”. Mas os negócios onde está a entrar, segundo próprio VJS, são fora do mercado de medicamentos: “importância estratégica da entrada da consiste nos hospitais”; “mercado da informática médica”. Também a estratégia de entrar na “prestação de serviços de saúde” , e não de meros cuidados farmacêuticos, revela a ambição desmedida de polvo que se posiciona sempre para beneficiar de situação com forte pode de monopólio.

Refere problemas de prestação da Consiste e diz que “ida para os hospitais (é mesmo para os HH e não só para a informática das farmácias hospitalares?) pode ser trágica para a ANF”, não é para a ANF é para os HH e para a saúde!

Finalmente a afirmação de que “não é verdade que as farmácias (ANF) tenham actuado como um cartel, porque não fixam preço, etc”. Basta lembrar a FORTE oposição a um conjunto de medidas que aumentavam a concorrência e/ou diminuíam os benefícios:
. Reacção forte á abertura de mais farmácias e postos de venda de medicamentos;
. Reacção forte contra o alargamento de horários normais e perda das taxas nocturnas;
.Defesa das margens nas áreas em que está (distribuição, retalho) e contrariar o desconto na comparticipação dos genéricos (produz ou não?), que tornavam esse negócio menos atractivo.
.Combate á repercussão dos descontos, porque as farmácias têm absorvido todos os descontos concedidos pelos produtores e a repercussão é diminuição de preço e de margem;
. etc.

Tonitosa anda á deriva. Esqueceu-se do que aprendeu sobre os malefícios do monopólio. Confunde “particulares” com associações que beneficiam de imenso poder de lobbying e de capital daí derivado. Postou aqui algumas ideias, digo comentários, que não merecem leitura, muito menos resposta.
Cumprimento os comentadores em especial os que têm, como o Ricardo e o e-pá, argumentos e posição esclarecida, sentindo os perigos para actividade médica e para a saúde da ambição desmedida da ANF.

2:20 da tarde  
Blogger saudepe said...

Vida Nova: Brilhante!
Começo a dar razão à Clara: Estamos perante o melhor post que se produziu aqui na SaudeSA.
Há colaboradores da SaudeSA que têm vindo a puxar pelo nível: SEMPRE a SUBIR.

Dois grandes novos bloggers: o É-Pá e este sensacional VIDA NOVA!

2:29 da tarde  
Blogger JP Saraiva said...

Dois pesos, duas medidas.

Se for eu a fazer é bom. Se não for eu é mau.

Quando manifesto a minha opinião não sou lóbista. Se for outro a fazê-lo é lóbista.

Se os outros estiverem de acordo comigo têm descernimento e capacidade de pensar por si. Se não tiverem de acordo comigo são uns mentcaptos seguidistas.

Tipicamente português: justificar as nossas incapacidades culpando terceiros.

Continuamos a lutar contra moinhos de vento e assim esquecemo-nos de resolver os nossos próprios problemas. Por isso tudo está na mesma e continuamos a lamentar-nos.

Este post demonstra Portugal no seu melhor... A culpa não é nossa... É da ANF.

3:22 da tarde  
Blogger cotovia said...

Finalmente a SaudeSA encontrou uma cruzada à sua altura, capaz de pôr à prova o seu poder de fogo de elevada qualidade técnica.

Esta cruzada justifica-se particularmente numa altura em que o primeiro ministro fez um recuo estratégico.

Falta à SaudeSA apresentar um levantamento detalhado das áreas de negócio, valores anuais movimentados, evolução, deste loby imenso e poderoso.

4:06 da tarde  
Blogger Qtolomeu said...

Porque CC não abre mais farmácias?

Era um tema que gostava de ver debatido no saudesa.

6:33 da tarde  
Blogger Vladimiro Jorge Silva said...

Mais uma pequena nota: a ANF é provavelmente o único lobby português que se assume claramente como um lobby.
A arrogância desta frontalidade tem naturalmente os seus custos. No entanto, não nos devemos esquecer que estamos perante uma empresa privada, que de uma forma legítima e clara luta pelos seus interesses privados, que nem sempre coincidirão com os interesses públicos (embora muitas vezes isso até aconteça).
Porque é que a ANF gera tanta polémica? É fácil: porque é eficaz, porque é boa naquilo que faz e porque dá o peito às balas mesmo nas situações mais difíceis.
Nenhum outro actor do sector da Saúde teria a coragem que João Cordeiro teve quando, em plena crise de mega-contestação social às farmácias, foi ao Prós e Contras e disse, na cara do Ministro da Saúde (que tutela o sector onde JC e as empresas que representa exercem actividade), claramente e sem papas na língua "Eu não confio em si". Porque no fim a questão é tão só e apenas esta: a ANF germinou da ineficiência e incapacidade do Estado, que um grupo de pessoas inteligentes souberem converter em oportunidade de crescimento e sucesso. Em vez de optarem pelo fado do desgraçadinho ou de se dirigirem ao governo de mão estendida, as farmácias organizaram-se, elevaram a qualidade dos seus serviços e ao Estado exigiram apenas aquilo a que teriam direito. E não se pense que o famigerado acordo nasceu apenas por (de)mérito de Costa Freire: ao longo dos anos o acordo foi denunciado por sucessivos ministros da Saúde, foi ignorado por vários governantes (Alberto João Jardim chegou a estar 3 anos sem pagar um cêntimo) e actualmente nem sequer há qualquer acordo. A ANF travou árduas batalhas jurídicas para chegar onde está hoje. Foram os tribunais e não os políticos quem obrigou o Estado a pagar as suas dívidas!
Por muito confortável que seja acreditar-se que a "culpa" é de Costa Freire, os factos mostram o contrário: a "culpa" é da enorme inteligência de João Cordeiro, que planeia e gere a ANF como muito poucas empresas o fazem em Portugal.

(mais uma vez ressalvo que, com muita pena minha, não sou proprietário de qualquer farmácia nem tenho qualquer ligação, formal ou informal à ANF)

7:41 da tarde  
Blogger laginha said...

Excelente discussão. A melhor que vi aqui desde que conheço este site.
Abraço a todos!

10:19 da tarde  
Blogger tambemquero said...

Notável este debate. Prá história da SaudeSA.

Pessoal do SNS e não só numa demonstração que o debate da Saúde é possível e necessário.

Notável também a organização do Xavier: competência, tolerância, capacidade de decisão.

Queremos mais.

Um abraço de agradecimento para todos.

10:48 da tarde  
Blogger tonitosa said...

O vida nova, muito provavelmente mais um dos comentadores de serviço em defesa de CC acha muito bem que o estado/MS que paga tarde e a más horas às farmácias não deve ser sujeito a juros de mora.
Ou seja as farmácias têm que financiar o SNS.
Depois, em sua defesa recorre a um professor universitário. Vá lá saber-se se não será um daqueles da UnI?!
Isto diz tudo sobre a sua capacidade de intervenção neste blog.
Tenha uma boa noite...

10:50 da tarde  
Blogger Farmaceutico de Oficina said...

Caro Vida-Nova,

Vamos aos factos, é claro que defendo aquilo em que acredito... em relação a JC/CF não precisam que eu os defenda, se bem que discorde que alguém a coberto do anonimato os crucifique e os adjective com base em argumentos muitos dos quais na minha opinião falaciosos e não verdadeiros.

Na minha existência e na análise da história, já vi muitas vezes esse filme:

Na idade média eram os Judeus e as Bruxas, no tempo do Estado Novo eram os comunistas, no PREC eram os reaccionários fascistas sociais-fascistas capitalistas. Hoje parece que sãos os Lobistas Corporartivistas dos Farmacêuticos e a clic da ANF JC/CF ... O que faz falta é agitar a malta...

Em relação ao relacionamento dos associados com a ANF a suas afirmações, onde mais uma vez se denota uma certa superioridade intelectual e moral em relação ao QI dos 2 700 proprietários, não me merecem qualquer comentário... A sua arrogância fala por si...

Da minha parte digo que só sou sócio porque quero... se amanhã decidir sair... é uma decisão que me diz exclusivamente respeito...e pela qual posso dar a cara.


Questão do monopólio vou dar alguns exemplos:

Qual o sistema farmacêutico onde existe mais monopólio?

Noruega sistema completamente liberalizado total de Farmácias = 559:

Farmácias pertencentes a cadeia 1 Alliance apoteke = 121 => 21,64%

Farmácias pertencentes a cadeia 2 Apoteke 1 = 217 => 38,81%

Farmácias pertencentes a cadeia 3 Vitusapotec = 123 => 22,0%

Farmácias parcialmente detidas por cadeias = 83 => 14,85%

Farmácias detidas por farmacêuticos independentes = 16 => 2,86%

Portugal sistema regulado com acesso por concurso publico total de Farmácias 2762:

Farmácias pertencentes a Farmacêuticos independentes cerca de 2700.

Como se pode ver a concentração monopolista em que 3 cadeias concentram quase 97% das farmácias;

Ora uma dessas cadeias é a pertence ao grupo Celésio que tem um total de farmácias na Europa de 2100 farmácias:
Analisados os relatórios de contas pode-se calcular o valor do VN da Farmácia média Celésio= 1 555 000 € Margem bruta = 36,05 % do VN Margem de Lucro= 8,46% do VN.
Em relação a Portugal os últimos valores conhecidos anda sem o abaixamento de 6% dos preços e da Margem das Farmácias eram os seguintes: n = 2700 Farmácias
Farmácia Média VN = 1250 000 € Margem Bruta = 24,58% do VN
Margem de Lucro= 6,8 % do VN

Em relação ao modelo condicionado de Farmácia que existe em Portugal, que define A FARMÁCIA É UM ESTABELECIMENTO DE SAÚDE PRIVADO DE INTERESSE PÚBLICO e que o meu amigo quer fazer crer a ideia peregrina que é único a nível Europeu ou mundial, só lhe vou transcrever os factos.

Senão vejamos em relação á propriedade exclusiva de Farmacêuticos:

Países da EU em que a propriedade de farmácias é exclusiva de farmacêuticos:

EU de 15 = Alemanha, Áustria, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Itália, Luxemburgo

EU de 25: Alemanha, Áustria, Dinamarca, Chipre, Eslovénia, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Itália, Letónia, Luxemburgo

Países da EU em que as Farmácias são do estado:
Suécia

Países da EU em que a propriedade de farmácias NÂO é exclusiva de farmacêuticos:

EU de 15 Bélgica, , Holanda, Irlanda, Reino Unido,


EU de 25 Bélgica, Eslováquia, Estónia, Holanda, Irlanda, Lituânia, Malta, Polónia, Reino Unido, República Checa, Portugal.

Países da EU onde se mantém condicionalismos de carácter geográfico, demográfico ou político em relação à abertura de novas farmácias:

Áustria, Bélgica, Dinamarca, Eslovénia, Espanha, Estónia, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Irlanda, Itália, Letónia, Luxemburgo, Malta, Polónia, PORTUGAL, Reino Unido, Suécia

Certamente não achará que os governos desses países mantêm esse modelo e esses condicionamentos para defender o interesse unico e exclusivo do Cartel dos Farmacêuticos é obvio que o fazem para defender o interesse Publico.

Factos são factos não percepções gratuitas da realidade.

Em relação ao modelo americano de saúde de preços de medicamentos e de farmácias só o meu amigo é que acha o máximo;

Eu pessoalmente acho que qualquer modelo europeu é infinitamente superior em relação à eficiência é obvio que o modelo Português è claramente mais eficiente na relação custo benefício.

Já que parece que só os cérebros dos pensadores americanos é atingiram o Nirvana do conhecimento, permita-me que lhe faça também a transcrição de um autor americano em relação à concorrência:

«Numa concorrência saudável, as melhorias nos processos e
métodos aumentam de forma constante. A inovação leva a
novas e melhores abordagens, que se difundem amplamente e
com rapidez. Os prestadores menos competitivos sofrem
reestruturações ou são excluídos do mercado. O valor ajustado
do preço cai e o mercado expande-se. Esta é a trajectória
comum a todas as actividades económicas: software,
comunicações móveis, banca e muitas outras.
A Saúde não poderia ser mais diferente.»

Autor Michael Porter In Using Competition to Reform Healthcare

10:57 da tarde  
Blogger Peliteiro said...

É impressão minha ou anda por aqui gente muito irritadiça?

De há uns tempos para cá, parece-me que muita coisa mudou neste blogue. Apareceu muita gente nova - o que é bom - e o ambiente mudou radicalmente. Mais intolerante - já falam em cruzadas - mais instável, mais nervoso, mais inseguro, mais agressivo.

Calma rapaziada, um blogue não é - digo eu - um campo de batalha. Relax. Uma boa e rija discussão sabe bem - mas há limites!

Gente tão crescida e competente que aqui anda (eu posso atestá-lo porque sei quem são todos - não pela Consiste...) e às vezes tão intempestiva.

Calminha, respeito, a blogosfera é, acima de tudo, um passatempo.

10:57 da tarde  
Blogger tonitosa said...

Bravo Eduardo Faustino.
Contra factos não há argumentos.
Com alguns dos pensamentos aqui expressos certamente que cada vez mais Portugal há-de afastar-se dos mais representativos países da União Europeia.
Um abraço

11:29 da tarde  
Blogger NM said...

Caro vida nova,

Já percebi a sua posição, não vale a pena rebater pois o Eduardofaustino e o Vladimiro já deram todas as explicações possíveis.

No entanto tomo a liberdade de lhe transcrever um pequeno excerto de um artigo do nejm, para mostrar ao seu amigo professor universitário.


"The recent acquisition by the pharmacy chain
CVS of MinuteClinic, a chain of in-store clinics
founded in Minnesota, has put this model of primary
care delivery back in the spotlight.
.............................
The operational model is equally
well constructed. The originators
based their design on the
McDonald’s hamburger chain, in
which customers select items from
a limited menu. The services listed
are highly standardized interventions
and require no physician
evaluation. Diagnoses are made
by using a simple binary test (such
as for a streptococcal throat infection)
or by applying a rigid,
protocol-based decision rule. In
some cases, no diagnosis is required
(such as for a hepatitis vaccination).
In addition, the conditions
treated and therapies offered
require no or minimal follow-up
(for instance, clinics offer diabetes
screening but not treatment),
and decisions can be guided by
highly specified protocols.

New England Journal of Medicine
22 de Fevereiro de 2007

Se quiserem ler o artigo todo é só seguir o link:
http://content.nejm.org/cgi/reprint/356/8/765.pdf


Se calhar é isto que querem que aconteça cá, com essa história da concorrência (esta citação do Michael Porter, no comentário do Eduardo diz tudo). Criar verdadeiros Mcdonald's (como já alguém aqui referiu) da saúde.

11:36 da tarde  
Blogger ricardo said...

As intervenções do Tonitosa são confrangedoras.

12:06 da manhã  
Blogger naoseiquenome usar said...

Venho apenas secundar o JP Saraiva.

1:20 da manhã  
Blogger helena said...

A blogger anterior não terá querido dizer fecundar em vez de secundar?
Ele há cada comentário?

O debate é por vezes difícil pois a maioria dos comentadores não sabe o que é um monopólio e as consequências que um monopólio como o da ANF tem na nossa economia.

Alguns comentadores farmacêuticos comportam-se em relação à ANF, como os jornalistas, até há bem pouco tempo, em relação ao Pinto da Costa e o FCP.
Quem disser mal arrisca-se a não arranjar trabalho. Quem disser bem, candidata-se a prémio.
Mais uma das consequências do monopólio.

9:23 da manhã  
Blogger Vladimiro Jorge Silva said...

Esta discussão esgotou-se, com o KO imposto pelo Eduardo Faustino.
No entanto, o argumento da Helena (os farmacêuticos do Saúde SA defendem a ANF porque têm medo de ficar desempregados) é particularmente irritante e intelectualmente desonesto:
- Se eu quisesse dizer mal da ANF e tivesse medo de ficar desempregado, poderia fazê-lo anonimamente, aliás como tantos comentadores deste blogue o fazem;
- Apesar desta possibilidade, pelo menos que eu saiba, não há farmacêuticos entre os comentadores anónimos que criticam a ANF;
- Também já critiquei a ANF aqui no Saúde SA e também no meu próprio blogue;
- Entre os comentadores farmacêuticos que têm defendido a ANF nesta questão há pessoas sem qualquer relação profissional com a ANF e que inclusive até trabalham em áreas completamente diferentes, há farmacêuticos proprietários de farmácias e há quem tenha relações profissionais com empresas associadas (não subordinadas!) da ANF. Ou seja, há de tudo, como na farmácia...
O tipo de estratégia utilizado pela Helena surge normalmente quando as ideias argumentativas chegam ao fim. Perante a impossibilidade de contestar o conteúdo dos argumentos, opta-se por criticar as intenções da outra parte, como se fosse esta a essência da discussão. É mais ou menos como dizer algo do tipo "ok, eu não te sei responder a isso, mas tu também só fazes essas afirmações porque queres é safar-te". Sinceramente, não é assim que se deve discutir em lado nenhum, incluindo na blogosfera.

12:49 da tarde  
Blogger saudepe said...

Continuam a ser postados comentários que não adiantam nada para a discussão.
Os Comentários matraqueiros (de matreco)devem ser todos varridos.
Há que preservar as condições de higiene.

(comenário revisto a pedido do Xavier).

1:39 da tarde  
Blogger Vida Nova said...

Caro Eduardo Faustino

Confesso-me desiludido com o seu último comentário (com o comentário não consigo). Nem parece seu, pessoa inteligente e bem informada na área do medicamento, como já por diversas vezes o demonstrou neste blogue. Nesse comentário o que fez?

Afirmações diabolizantes
.“… em relação a JC/CF … os crucifique e os adjective...”. Na verdade o tema é a “ANF poder e ambição desmedida”, não adjectivei os ditos cujos, nem tentei crucificar nenhuma pessoa.
. Referência á caça às bruxas. Sabe, não acredito em bruxas, pelo que seria estultícia minha tentar caçá-las. Ninguém perseguiu nenhuma pessoa, pretendeu-se sim alertar para as consequências negativas do poder e influência do maior lobby da saúde (ANF), e da sua extensão, inclusive em áreas que nada têm a ver com o medicamento (“prestação de serviço de saúde”, “informática médica”).
.O que está em causa é a actuação da ANF, não as farmácias ou os farmacêuticos, como o título refere (ANF poder e ambição desmedida) e o conteúdo do post comprova. Lembra-se da minha afirmação? “Nada temos contra as farmácias, que até funcionam bem, os farmacêuticos e o seu direito de se associarem, com Ordem, Associação e Sindicatos. Temos tudo contra o mais poderoso lobby da saúde, a sua imensa ambição e a evolução recente…”. Portanto não queira confundir as coisas.
.Aquela do “QI dos 2700 proprietários…”, não havia necessidade! Apenas para me atribuir uma pretensa “superioridade intelectual… e arrogância”, superioridade essa que acredito não ter. Para quê? Apenas para tentar associar os proprietários, na lógica do que afirmou “o que faz falta é agitar a malta”.

Afirmações “falaciosas e não verdadeiras”
.Referência á % de concentração de farmácias num proprietário na EU. Será de lembrar que:
- Nunca esteve em causa ou foi discutido o grau de concentração das farmácias.
- É falacioso dizer-se que Portugal tem “2700 farmácias independentes”. Se mais de 90% aceitam que a sua voz seja a ANF em tudo e sem contestar, estamos perante um comportamento de cartel, o restante não passa de mera poeira.
.“ …modelo americano de saúde de preços de medicamentos… só o meu amigo é que acha o máximo”. Não me pronunciei sobre o modelo americano de preços de medicamentos, até porque não faço ideia de qual seja.

Mais poeira e argumentos que passam ao lado
.Defende a farmácia “propriedade exclusiva de farmacêuticos”. Não defendi nem contrariei essa tese até porque não faz parte deste filme, não esteve (nem está) em discussão. Afirmei sim que a ANF resistiu fortemente á abertura de mais farmácias e postos onde se vendem medicamentos.
.Também não é a limitação geográfica de implantação de farmácias que está a ser discutida. Sim o cartel conduzido pela ANF e a actuação desta no lobbying e na procura de estender os seu poder a mais negócios (embora apenas para “interesse do País e dos pacientes” e para “salvaguarda do interesse público”), sempre em posições de forte poder de monopólio.
.A questão é que o poder da ANF não tem paralelo noutros países da EU, foi construído na base do lobbying/influência política e dos milhões recebidos de juros de mora, e agora quer estendê-lo a outras áreas da saúde.
.Concordo com a citação que faz do livro de Michael Porter, mas essa afirmação refere-se à prestação de cuidados de saúde (a área em que a ANF quer entrar) não ao tema em apreço.

Penso que confunde a sua posição como proprietário e farmacêutico com a defesa da ANF. Ora é possível defender a sua posição sem ser a vestir a pele do lobo, porque como diz o povo quem não quer ser cordeiro não lhe veste a pele.

Temos visões diferentes, o que não é necessariamente mau. Eu continuo a respeitá-lo e a reconhecer que é uma dos craques deste blogue no medicamento.

Como vou para férias e só regresso a doze aproveito para lhe desejar, como ao Xavier e aos restantes colegas de blogue, uma óptima Páscoa na companhia da família.

2:10 da tarde  
Blogger coscuvilheiro said...

Este debate não configura , naturalmente, uma disputa do tipo Benfica Sporting.

Tem sido essencialmente um debate esclarecedor relativamente a alguns argumentos caracterizadores da ANF como um poderoso cartel da área do medicamento.
Não é por acaso que um núcleo de farmacêuticos têm, desde início, desenvolvido uma campanha inteligente, concertada, bem representada, a favor da sua corporação neste blogue.

Tudo se precipitou recentemente a partir da compra da CPCHS pela CONSISTE.
Uma onda de indignação percorreu quase todos os comentadores não farmacêuticos da SaudeSA.
"Já chega de bater no ceguinho", parece ser o lema dos "revoltosos".

Foi o fim da propaganda subtil levada a cabo pelo núcleo farmacêutico. Quebrado o verniz, daqui em diante, nada será como dantes.
Vamos ver qual será o futuro da CONSISTE nos hospitais face a uma concorrência mais agressiva do que está habituada a defrontar.
Conta com a experiência do Costa Freire que, de há muito, sabe como estas coisas se fazem.

6:34 da tarde  
Blogger SG said...

Queria só dizer que concordo que com a propriedade exclusiva das farmácias por farmaceuticos desde que:

1- a cada farmaceutico corresponda UMA farmácia (10% da quota) - é um negócio sem risco, não há que ter medo!
2- não seja premitida a verticalização do negócio: um farmaceutico dono de uma farmácia não pode ser sócio de armazens ou indústria. é esta a lógica de impedir médicos de serem donos (ainda que parcialmente de farmácias)
3-seja liberalizada a instalação, retirando os actuais constrangimentos GEOGRÁFICOS.
4-os medicamentos sem receita médica poderem ser vendidos em parafarmácias
5- deve haver restrições na veda de outros artigos que não são medicamentos

Se assim for, provavelmente voltaremos ao boticário com os seus doentes/clientes que conhece bem e que serve.
Se for para criar condições para que um reduzido grupo de pessoas (2700) possam apoderar-se de 20% do volume de negócio da venda de medicamentos, acho mal.

Por outras palavras: ou se assumem como agentes de um normal negócio comercial, e as regras têm que ser iguais aos outros ramos de negócio, ou se entende que há especificidades que implicam regras diferentes, e então criem-se essas regras, NO INTERESSE DOS DOENTES, não dos farmecueticos e muito menos da ANF, esse cartel.

1:11 da manhã  

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