sábado, junho 26

A "Política do empata”

foto portal da saúde
Não decidir parece ser a palavra de ordem do actual MS.

Como não se consegue concretizar uma política do medicamento rigorosa e defensora dos interesses dos cidadãos utilizam-se os utentes acicatando-os contra os médicos através da indecorosa utilização da receita médica como instrumento de contra-informação. A covardia política parece não ter limites. Perante o medo de decidir não se hesita em utilizar a regra de “les uns contre les autres”.

Como o MS se manifesta incapaz de garantir o cumprimento das leis da república, nomeadamente, quanto às obrigações de dispensa de fármacos nas farmácias incentiva os utentes a “fazerem queixinhas”. Ou seja o MS dá de barato que é incapaz de regular o mercado e fazer cumprir a lei e, vai daí, “usa” as pessoas contra as farmácias incentivando um clima de suspeição e destruindo a desejável relação de confiança entre o cidadão e o farmacêutico.

Na área médica já tinha ido, com enorme despudor, pelo mesmo caminho. Incapaz de uma política de genéricos e de preços digna desse nome, inventou novo artifício cavando a relação de confiança entre o médico e o doente. A utilização da receita para fins diferentes da prescrição e informação terapêutica revela um dos piores sinais da “política” sem coragem que recorre a todo o tipo de truques para enjeitar as suas próprias responsabilidades.

Quando a ministra da Saúde pede aos médicos para avaliarem a situação económica dos doentes ao receitarem medicamentos link mais não faz do que assumir a sua incapacidade para defender o interesse público presa que está no medo e na incapacidade de decidir seja o que for. É vergonhoso para o PS, partido fundador do SNS, ver-se ultrapassado pela esquerda, pelo CDS na questão da prescrição por DCI perante os patéticos e insustentáveis argumentos ministeriais.
Haja decência…

cremilde

Etiquetas: ,

10 Comments:

Blogger Clara said...

Uma vergonha!
Segundo entendi, a senhora ministra da saúde apela aos médicos, para prescreverem genéricos aos pobres e medicamentos de marca aos ricos/remediados.
Bonito!
Dito desta forma estamos perante mais um perfeito disparate da senhora ministra.
E uma péssima promoção dos medicamentos genéricos.
Será que a senhora ministra tem em mãos a criação de um novo sistema em que o Estado será unicamente responsável por um pacote de cuidados mínimos?

11:14 da manhã  
Blogger tambemquero said...

Como mecânico não arriscaria montar pastilhas de travão da "concorrência" num Mercedes, passe a publicidade. Se o cliente disser que quer da "concorrência", tudo bem, mas a responsabilidade é dele. Não ando a fazer avaliações sócio-económicas de ninguém. É o mínimo do bom senso. Por isso surpreende-me que os médicos recebam de tão elevada autoridade recomendações para prescrever à papo-seco. Devíamos ter um ministro dos transportes destes. É que eu tenho um pequeno carregamento de pastilhas vindas da China que rende muito mais que quaisquer pastilhas de marca. É pena não poder por-me a monta-las à papo-seco. Se ao menos fosse médico...

JP, comentário

11:21 da manhã  
Blogger cotovia said...

Não sejam assim...
Todos sabem que a senhora ministra é uma alma caridosa sempre pronta a apregoar o bem.
A intenção da senhora ministra é de apenas ajudar os mais necessitados.

Pelos vistos vamos ter já a funcionar um sistema de saúde só para pobres, quando o próximo ministro das finanças, Nogueira Leite tomar posse. O senhor vai ficar muito decepcionado por lhe terem antecipado o projecto.

11:32 da manhã  
Blogger Tavisto said...

Com propostas destas Ana Jorge parece mais preocupada em conseguir a beatificação que em gerir racionalmente o SNS. Devendo os médicos prescrever de acordo com o estatuto socioeconómico do doente, porque não acrescentar ao receituário electrónico a informação relativa à declaração de IRS?

12:15 da tarde  
Blogger Joaopedro said...

Nesta altura do campeonato só sai asneirada!

12:28 da tarde  
Blogger Simplesmente Constança said...

Medicamentos para pobres

Depois admiram-se que os genéricos sejam tidos como de inferior qualidade em relação aos medicamentos de marca.

12:44 da tarde  
Blogger Cremilde said...

Inimputabilidade absoluta

Se este tipo de atitude negligente, de gestão do dinheiro público, fosse tomada por um gestor este já estaria crucificado, auditado, multado e condenado na praça pública. Não resta dúvida de que os titulares de cargos políticos podem, para além de incompetentes, dormir descansados porque são inimputáveis. A qualidade e as consequências das suas decisões e atitudes, em cima do dinheiro, público nunca têm consequências.
Já agora vale a pena lembrar: Avaliação dos CA’s dos HH’s, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 e assim por diante. De facto é difícil compatibilizar a gestão de concelhias partidárias e dos jobs respectivos com os interesses dos cidadãos em política de saúde.

12:57 da tarde  
Blogger ochoa said...

É por causa de tanta ligeireza incompetente que a factura do SNS com medicamentos vai registar no final do ano um crescimento de dois digitos.

6:00 da tarde  
Blogger Utente said...

Caro Ochoa não tenha a menor dúvida de que assim será: “É por causa de tanta ligeireza incompetente que a factura do SNS com medicamentos vai registar no final do ano um crescimento de dois dígitos”.
Lá teremos as “tácticas” do costume:

- Apelos inconsequentes mais ou menos ao jeito do costume
- Culpas para cima dos administradores hospitalares
- Mais um corte administrativo e à toa no preço dos medicamentos

E, para variar, inventar-se-ão uns coelhos da cartola para dar a entender que para o ano é que vai ser. Como é possível um governo ter uma incapacidade tão grande em fazer o que promete e ESCREVE no seu programa? Unidose, avaliações dos dirigentes, prescrição por DCI, central de compras, entre tantas outras…

6:47 da tarde  
Blogger SaudeSemFiltro said...

“O processo de empresarialização hospitalar insere-se numa política de modernização e revitalização do Serviço Nacional de Saúde que pressupõe a adopção de uma gestão inovadora com carácter empresarial orientada para a satisfação das necessidades do utente”

Empresarialização não rima com competição* mas rima com cooperação, que por sua vez rima com eficiência e poupança. Mas pelos vistos não temos apreciadores de poesia (mesmo que de rima fácil) nos hospitais portugueses.

O exemplo de uma plataforma colaborativa disponível para todo o SNS é a plataforma de Serviços Partilhados da Saúde, com irrefutáveis poupanças ao nível das Compras (entre outras).

Poupanças que só se verificam, claro, se os hospitais comprarem através da Central de Compras da Saúde. Mas os hospitais não querem, dizem que per si “podem comprar e negociar de melhor forma”. Também aqui querem competir.....quando neste caso a cooperação seria sem qualquer sombra de dúvida o caminho mais eficiente.

Esta posição dos hospitais, a par da passividade do Ministério da Saúde que tarda em arrancar com a SPMS, EPE conferindo a adesão do SNS à central como obrigatória, conduz ao que refere a ex presidente do SUCH na entrevista ao Diário Económico – “ Estado desperdiça 400 milhões de euros há dois anos”.

Um bom exemplo da política do empata.....


* apesar de alguns hospitais (muitos) assim o entenderem.

Saúde Sem Filtro

3:53 da tarde  

Enviar um comentário

<< Home