sábado, janeiro 1

Atenção aos liberais de pacotilha !

Este capitalismo não tem remissão link
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Milhões de americanos ficaram sem as casas que tinham começado a pagar. Milhões de aforradores, que tinham acreditado na credibilidade dos ‘produtos derivados’, ficaram sem as suas poupanças. Bancos de investimento e de retalho abriram falência e arrastaram as empresas que deles dependiam e estas lançaram no desemprego outros milhões de americanos. Mas, nessa altura, já os grandes accionistas e os seus gestores na banca estavam a salvo e tinham encaixado biliões de lucros roubados aos clientes e passados para as offshores. Estranhamente, com excepção de Roubini, nenhum dos gurus da economia tinha imaginado que pudesse implodir um sistema onde os lucros crescentes não correspondiam a riqueza crescente mas apenas a especulação, e que, numa economia global, uma crise desencadeada num dos seus pilares pudesse alastrar ao resto do mundo. Soube-se depois porquê: porque também a Universidade, a elite dos economistas, estava a soldo do sistema financeiro e pregava o que eles queriam. A crise do sistema financeiro americano, desencadeada por práticas especulativas e criminosas, alastrou ao mundo e criou cinquenta milhões de desempregados, dezenas de milhares de falências de empresas viáveis, e obrigou os Governos a investirem uma parte inimaginável do dinheiro dos contribuintes e das poupanças dos reformados para salvar o sistema financeiro.

Mas nada de essencial mudou. Nos Estados Unidos, onde George W. Bush, o campeão do liberalismo, teve de nacionalizar bancos para salvar os ricos com o dinheiro dos pobres, Obama não conseguiu que o Congresso, dominado pelos republicanos, lhe aprovasse legislação para recuperar esse dinheiro roubado aos contribuintes, não conseguiu que lhe permitisse voltar a tributar os grandes lucros financeiros isentados de impostos por Bush e não conseguiu sequer livrar-se de ter como reguladores do sistema financeiro alguns dos grandes criminosos que o fizeram implodir, como os ‘sábios’ da Goldman Sachs. E as empresas de rating, as tais que aconselhavam a comprar créditos incobráveis, continuam a aconselhar os mercados a apostarem agora na falência de Portugal e de Espanha e na morte do euro.
Antes de mais nada, esta é uma crise de valores éticos, de valores de vida em sociedade. E mal vai o mundo se não há uma geração de líderes políticos com capacidade e coragem de fazer frente a este bando de abutres que suga o trabalho, o esforço e os sonhos de tanta gente que é vítima da sua ganância sem limite. Esse é o combate inadiável, sem o qual nenhum sacrifício do presente faz sentido.

Miguel Sousa Tavares, semanário expresso 30.12.10

Os conhecidos liberais de pacotilha, verdadeiros aprendizes de feiticeiro, não deixam de ser menos perigosos, apostados como o têm demonstrado na aniquilação do nosso estado social, por o considerarem uma estravagância demasiado cara para os bolsos dos contribuintes. A trupe de Ângelo Correia e companhia, constitui, igualmente, à sua maneira, um bando de abutres dispostos a sugar o trabalho, o esforço e o sonho dos portugueses numa sociedade mais justa e solidária.

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12 Comments:

Blogger xavier said...

Facto negativo

O «arrefecimento» das três reformas-pilar do SNS

As reformas tomadas pelo Governo como pilares para garantir o futuro do SNS estão a esbarrar na inevitabilidade da falta de dinheiro.
Nos cuidados de saúde primários, o número de USF inauguradas é cada vez menor a cada mês que passa. Os médicos de família mais velhos estão a pedir a reforma antecipada, deixando as unidades com listas a descoberto. Por outro lado, os mais jovens têm de lidar todos os anos com os atrasos dos concursos de colocação, ao que, este ano, se juntou a obrigatoriedade de assinarem contratos de 35 horas. Ora, com a carência de médicos de família que é conhecida, tratar assim quem quer trabalhar na especialidade na qual se formou é dar um tiro no pé daquele que foi assumido como um dos pilares da política de saúde do Governo.
Nos cuidados continuados, e embora a coordenadora da Rede Nacional dos Cuidados Continuados Integrados, Inês Guerreiro, assuma as insuficiências da rede, cinco anos depois do arranque deste projecto estruturante para a saúde já deveria existir, pelo menos, uma unidade especializada em Alzheimer, cuidados continuados pediátricos ou ainda a regulamentação da legislação dos cuidados continuados para a saúde mental, a revisão dos preços pagos a cada tipologia e cuidados paliativos que não sejam incipientes.
Em relação à sustentabilidade do SNS, bem, este pilar parece cada vez mais ameaçado...

Tempo Medicina 03.01.11

8:24 da tarde  
Blogger Joaopedro said...

Entre nós o cado BPN é essencial para a compreensão do que estes grupos que chegam ao poder são capazes.
Cavaco Silva não escapa nesta análise como um dos grandes protagonistas desta nebulosa.

12:27 da tarde  
Blogger tambemquero said...

Quando os seus amigos andavam a brincar com o fogo no BPN, Cavaco Silva ficou calado. Quando o caso rebentou, ficou em silêncio. Quando o seu ex-ministro Dias Loureiro mentiu ao Parlamento veio em sua defesa para o tentar segurar no Conselho de Estado. Quando o BPN foi nacionalizado, deixando de fora a SLN, concordou e calou-se.

Quando resolve falar Cavaco Silva? Agora. Para criticar quem afundou o BPN num buraco de pelo menos cinco milhões de euros? Não. Para assumir que Dias Loureiro e Oliveira e Costa tiveram um comportamento vergonhoso? Não. O Presidente abre a boca pela primeira vez sobre o caso BPN para atacar quem, mal ou bem, recebeu o presente envenenado.

Cavaco Silva não consegue disfarçar a sua dificuldade em falar sobre este caso de mãos livres. O descaramento desta acusação - que demonstra também a sua irresponsabilidade institucional - prova que não é, nesta matéria, um homem livre. Um dia saberemos porquê

Daniel Oliveira

12:38 da tarde  
Blogger xavier said...

Mecanismos neo liberais

Na semana passada, um secretário de estado vangloriava-se por estar a conseguir afunilar ainda mais as prestações sociais a golpes administrativos. O último editorial link de Serge Halimi no Le Monde diplomatique é por isso bem oportuno: "Já se sabe qual vai ser a sua próxima etapa, pois ela já foi experimentada nos Estados Unidos: em sistemas políticos dominados pelas classes médias e altas, a amputação dos serviços públicos e das prestações sociais torna-se uma brincadeira de crianças quando as camadas privilegiadas deixam de lhes ter acesso. Quando se chega a esse momento, essas camadas consideram que tais privilégios alimentam uma cultura de dependência e de fraude, o número de beneficiário reduz-se e é-lhes imposto um controlo minucioso. Fazer com que as prestações sociais dependam dos rendimentos significa portanto, quase sempre, programar o seu desaparecimento para todos."

João rodrigues

Daí a cantata repetida do "opting out" da livre escolha, estratégia para secarem o financiamento do SNS, reduzido às prestações dos pobrezinhos.

12:59 da tarde  
Blogger DrFeelGood said...

BPN e a economia do Crime

A SLN era um grupo económico particular porque, ao contrário do que normalmente acontece, o Banco não era o centro de comando do Grupo. As fraudes do BPN foram conduzidas pela Holding e perpetradas através do recurso generalizado a quase uma centena de empresas sediadas em off-shores, como explicou um membro da administração de Miguel Cadilhe. O caso do BPN é, aliás, exemplar do ponto de vista do papel estratégico que têm os off-shores não apenas na promoção da fraude e evasão fiscais, mas também na protecção da criminalidade financeira.

Foram essas conclusões que levaram João Cravinho a defender uma investigação sobre o papel dos off-shores no caso do BPN, da qual poderiam e deveriam ter resultado conclusões importantes para a sua extinção, um dos desígnios mais importantes, entre outros, de qualquer alternativa de política económica.

Esse é o fulcro do que se passou no BPN. Devemos punir os criminosos, criticar os reguladores mas não esquecer em momento algum que a responsabilidade última é política e consiste na criação de um quadro de regulação e fiscalização do sistema financeiro que proteja a economia, a estabilidade do sistema financeiro e os contribuintes.

Não deixa de ser revelador que, enquanto se juntam à esquerda na crítica ao processo do BPN (mas não em qualquer tipo de propostas concretas), PSD e CDS apresentem dois projectos de resolução para dar condições "mais favoráveis" (sic) ao off-shore da Madeira. Nesta matéria do BPN, a direita atira pedras porque tem telhados de vidro. Não apenas por causa das ligações de governantes de Cavaco a este banco, mas também pelas responsabilidades políticas pelo quadro legal em que operam as instituições financeiras.

Nem sempre é preciso mudar alguma coisa, para que tudo fique na mesma. Às vezes basta gritar muito. A direita faz todo o alarde que pode com a sua indignação sobre o BPN, mas as propostas concretas que agravam o problema da desregulação financeira, avança-as sorrateiramente no anonimato das comissões.

José Gusmão

1:13 da tarde  
Blogger e-pá! said...

A arremetida contra o SNS [já] começou com a sub-orçamentação…

A estratégia neoliberal, em relação à Saúde, é evidenciar a insustentabilidade financeira dos sistemas de acessibilidade universal, subsidiados em grande parte pelo Estado. De valores que rondam na UE, em 2010, os 10% do PIB, ultrapassariam os 20% em 2025, apesar da incorporação de todo o tipo de inovações de conhecimento, tecnológicas, de comunicação e de gestão.
Este crescente aumento do peso da Saúde nos orçamentos públicos é difícil de contrariar e, o neoliberalismo, joga com dados macroeconómicos que, à primeira vista, demonstram a insustentabilidade [a impossibilidade] do “desvio” orçamental de cerca de 20% dos proventos da actividade produtiva para garantir prestações sociais na Saúde.
Todavia estes factores estão condicionados por factores externos à própria Saúde – demográficos, climáticos, ambientais, alimentares, etc. – cuja regulação está longe de ser alcançada.
A inovação – nomeadamente no campo da investigação bio-molecular e das suas aplicações terapêuticas – poderão introduzir novos vectores que são difíceis de prever a médio prazo. Poderemos estar perante uma situação idêntica à verificada nos anos 70 em que a grande maioria das prospecções quanto ao futuro ignoraram o desenvolvimento da informática e revelaram-se, em grande medida, imprecisas.
Em Saúde costumamos dizer que a saúde não tem preço mas o dinheiro é finito. Na realidade, a recente crise introduziu outro dado. O crescimento também é finito.
Na verdade, o controle do crescimento exponencial da percentagem do PIB que é afecta à Saúde, está para além dos factores de inovação específicos já referidos. Outros vertentes devem ser consideradas, p. exº., a educativa e a preventiva, enquadradas numa perspectiva de Saúde Pública. Como vem referido no Health Glance 2010: “Os sistemas de saúde são às vezes criticados por serem excessivamente concentrados nos "cuidados dos doentes": por tratarem os doentes, mas não fazerem o suficiente para prevenir doenças. Em média, nos países da UE, apenas cerca de 3 % das actuais despesas de saúde são gastos em programas de prevenção e de saúde pública.” link
O investimento em medidas educativas, nomeadamente a difusão de conceitos bio-sanitários e de higiene pessoal e comunitária poderão vir a influenciar, de modo positivo, a sustentabilidade dos sistemas de Saúde. A prevenção é mais morosa quer na assimilação de posturas saudáveis [hábitos alimentares, comportamentais e ambientais] quer na obtenção de resultados que, por regra, aparecem a longo e médio termo.
Por outro lado, a situação de crise que vivemos actualmente, onde medidas de contenção orçamentais têm como consequência drásticos abrandamentos do crescimento económico influenciam negativamente o rácio despesas de Saúde/PIB. link
Portanto, o SNS está exposto a melindrosas vulnerabilidades. Que podem ser oportunistamente aproveitadas.
Uma delas será em termos políticos usar uma retórica de intransigente defesa, na praça pública, do seu[actual] paradigma e, na prática, estrangulá-lo paulatinamente em sucessivas propostas orçamentais.
É este o quadro que vamos viver em 2011...e o que adiante se verá.

3:18 da tarde  
Blogger Brites said...

A s críticas ao capitalismo neoliberal surgem de todos os quadrantes. Num programa com Fátima Campos Ferreira - 125 Minutos Com...D. Carlos Azevedo – na Figueira da Foz, a posição do Prelado é relatada no Figueirense:

“D. Carlos Azevedo admitiu, nestes “125 Minutos Com”, que os gestores formados pela Universidade Católica Portuguesa (UCP) não seguem a doutrina social da Igreja e professam, nas empresas, um tipo de gestão feroz na dimensão humanista. Questionado por Fátima Campos Ferreira sobre se a doutrina social da Igreja não é aplicada no curso de Gestão da UCP, D. Carlos Azevedo respondeu: “Pelos vistos [não]”.
“Há uma cadeira, mas é capaz de ser uma cadeira um bocadinho isolada do resto das matérias”, afirmou.
A questão da Universidade Católica tinha sido suscitada da plateia, minutos antes, pelo padre Anselmo Borges, que, imputando a pergunta às “más-línguas”, questionou D. Carlos Azevedo sobre se as faculdades de Economia e Gestão da UCP “seguem uma orientação teórica muito mais no sentido dum capitalismo neoliberal do que propriamente mais social”.
“Eu também oiço essas más-línguas. Os meus ouvidos têm escutado esses comentários, o que deve levar a fazer crer que algum fundamento existe”, retorquiu o bispo auxiliar de Lisboa, que foi vice-reitor da UCP entre 2000 e 2004 e lembrou, a esse propósito, que “foram dados Prémios Nobel de Economia a gente que defendeu as teorias que agora são a causa da nossa desgraça”.
“Nós estamos a ver, neste momento, que esse tipo de Gestão não tem em conta a globalidade do desenvolvimento, não tem em conta o desenvolvimento integral, tem em conta apenas o lucro”.
“E, de facto, as empresas, quando contratam esses gestores, exploram ao máximo, despedem quanto é preciso. São ferozes em dimensões humanistas, não é esse tipo de gestores que respeitam a doutrina social da Igreja”, declarou aquele que é também o responsável da Pastoral Social da Igreja.”

Peter Drucker, insuspeito de ser conta a economia de mercado, afirmou numa entrevista:
“… todas as expansões – e eu evidenciei e trabalhei em quatro ou cinco – catapultam os aldrabões para o topo. Em Janeiro de 1930, o meu primeiro trabalho como jovem jornalista foi fazer a cobertura do julgamento de uma equipa de gestores de topo naquela que tinha sido a maior e mais orgulhosa companhia de seguros da Europa, que tinham pilhado sistematicamente a sua empresa – e é isso que acontece a seguir a cada expansão no negócio. A única novidade é que a última fase de expansão fez aumentar fez aumentar consideravelmente a atenção de cometer fraudes contabilísticas – a ênfase exclusiva aos números do trimestre, a excessiva ênfase dada aos preços dos títulos, a crença bem-intencionada mas idiota de que os executivos devem ter importantes interesses financeiros na empresa, as stock options, (que sempre considerei serem um convite aberto à má gestão), etc.”

Este capitalismo não tem emenda.

6:03 da tarde  
Blogger xavier said...

A (falta de) moral link
O príncipe Carlos e e Camilla Parker-Bowles foram vítimas da fúria dos estudantes em Londres.
Um ex-ministro grego, reconhecido nas ruas, foi espancado e Atenas vive em ambiente de guerrilha. Roma experimentou o fogo e a violência.
As cidades europeias estão assim. Em Portugal a revolta mantém-se controlada. Mas assiste-se ao impensável. Vários responsáveis da Igreja Católica têm apelado a que não se fique no sofá à assistir às injustiças.
O que andam a fazer as elites bancárias, os responsáveis do sector que carrega e devia pagar a desgraça em que lançou sobre a Europa e a América?
Em Londres, os banqueiros ameaçaram sair da City quando souberam que a União Europeia pretende limitar os prémios de desempenho a 20% do salário. O argumento? O do costume. Que essa medida vai delapidar os talentos que trabalham no sector financeiro.
Na Irlanda, o Allied Irish Bank, que tem a sua vida garantida pelo dinheiro e a austeridade do povo irlandês, só desistiu de pagar 40 milhões de euros em prémios depois do ministro das Finanças ter ameaçado que acabaria com a ajuda que lhes está a fornecer.
E estes são apenas dois exemplos recentes. Os mais antigos chocavam pela indiferença dos gestores, banqueiros e accionistas em relação à crise que afectava as suas empresas, como se elas não fossem suas. Estávamos perante um problema aparentemente apenas económico, de ausência de funcionamento dos mecanismos de mercado. Os casos actuais já chocam pela imoralidade. Sim, é preciso começar a chamar os nomes certos à descarada exploração que os accionistas, banqueiros e gestores do sistema financeiro estão a fazer dos efeitos brutais que a falência de um banco tem sobre a vida das pessoas.
Na Hora H, uma iniciativa do Negócios onde esteve António Horta Osório, três quartos dos gestores, empresários e convidados que estavam na sala afirmaram que a sociedade tem razão em estar zangada com os seus bancos. O que fazer com essa razão?
A primeira grande obrigação dos banqueiros é fazerem o "mea culpa" e daí retirarem as devidas consequências, não apenas racionais mas também morais. Morais? Ninguém se pode esconder por trás de argumento de racionalidade económica para justificar actos e omissões que são manifestamente imorais. Há uma imensidão de exemplos que têm toda a racionalidade económica mas que não são cometidos por serem imorais.
A situação financeira actual, sejamos claros, deve-se única e exclusivamente ao comportamento abusivo do sector bancário nos Estados Unidos e nos países de influência anglo-saxónica, como a Irlanda e o Reino Unido. A banca portuguesa portou-se bem? Não se envolveu nessas aventuras? Claro que não. Mas a banca portuguesa tem também a sua quota-parte de responsabilidade, ajustada à dimensão e desenvolvimento do país, quando se envolveu a si e a algumas famílias num endividamento que corria o sério risco de ser excessivo.
O sistema financeiro, depois de ter cavado o buraco económico em que estão as economias do Ocidente, parece querer agora alimentar a revolta dos cidadãos e ameaçar as democracias e o capitalismo.
A racionalidade económica não é um fim em si, é um meio para construir sociedades mais prósperas e justas. A democracia e a liberdade de mercado não se podem deixar chantagear por accionistas e banqueiros imorais. Os banqueiros andam a brincar com o fogo.

Helena Garrido, JN 20.12.10

7:55 da tarde  
Blogger xavier said...

O filme é de não perder.

1.º - Film blames financial crisis on 'inside job' link

2.º - Inside Job Paul Krugman link

3.º - Inside Job Felix Salmon link

8:19 da tarde  
Blogger Tavisto said...

O que mais custa em Inside Job é ver que o sistema económico-financeiro americano não tem alternativa ao modelo que conduziu à derrocada recente. Muitos dos responsáveis máximos pela “débâcle” continuaram à frente das instituições bancárias responsáveis pela crise, ou fazem parte do grupo de assessores próximo de Barack Obama. Percebe-se pois porque pouco mudou ao nível do funcionamento dos organismos de controlo financeiro mundial, se mantém intocáveis os paraísos fiscais offshore e continuam a ser escolhidas economistas da escola neoliberal para ocuparem cargos em organismos financeiros internacionais, como é o caso da nomeação de António Borges para director do departamento europeu do FMI.
Se as coisas evoluírem como o previsto, o sistema financeiro será recomposto à custa do empobrecimento dos mais pobres (nações e grupos sociais), assistindo-se a uma maior concentração da riqueza e ao enfraquecimento do estado social de direito.

10:32 da tarde  
Blogger tambemquero said...

Portugueses voltam aos empregos e ficam espantados por a empresa onde trabalham não ter sido encerrada ou destruída por um meteorito

Esta segunda-feira milhões de portugueses voltaram aos seus empregos e quedaram pasmados por, ao contrário do que indiciavam todas as crónicas nos jornais e comentários nas televisões, as empresas onde trabalham não terem sido arrasadas por algum cataclismo de proporções bíblicas neste começo de 2011.

"A empresa de telecomunicações onde trabalho aparentemente não foi deslocalizada para o Uzbequistão ou engolida por um tsunami, ao contrário do que pensei que aconteceria em 2011 após ter lido as crónicas do Miguel Sousa Tavares e do Pacheco Pereira", explicou um operador de call center de 26 anos de idade. "Estou contente, mas não confiante. Eu li as crónicas do Henrique Raposo e ouvi as opiniões do António Lobo Xavier, por isso estou consciente que, quando sair do local onde trabalho, hoje à tarde, e olhar para trás, para me certificar que a empresa ainda lá está, Deus vai transformar-me num bloco de sal", concluiu o jovem, que ainda assim é um dos portugueses mais optimistas que existem hoje em dia.

Vítor Elias,Inimigo Público

8:52 da tarde  
Blogger Clara said...

O chamado Estado social surgiu na Europa, no pós-Guerra, para responder a aspirações inteiramente legítimas: aumentar a justiça social, garantindo um mínimo de regalias socias a todos os cidadãos.

Além destas preocupações, foi o crescimento económico das décadas milagrosas de 1950 e 1960 que permitiu sustentar e reforçar as políticas sociais. Com algumas diferenças, resultantes de percursos históricos distintos, foi este o padrão em toda a Europa ocidental. O consenso sobre a necessidade de políticas sociais, partilhado pela esquerda e pela direita, e o crescimento económico permitiram o Estado social. O desenvolvimento económico europeu, por seu lado, resultou quer de factores internos como da integração europeia, sobretudo do aprofundamento do mercado interno e da aposta no comércio livre.

A partir da década de 1980, começou a verificar-se um desiquilíbrio entre os compromissos com políticas sociais e o crescimento económico. As primeiras aumentaram mais, e mais depressa, do que o segundo. Surgiram duas respostas a este problema. Por um lado, alguns governos iniciaram reformas que permitissem sustentar as políticas sociais. Olhe-se, por exemplo, para o que aconteceu na Holanda, na Suécia, na Dinamarca, na Finlândia e, já mais tarde, e sob pressão da reunificação, na Alemanha. Por outro lado, sem um crescimento económico suficiente, os países europeus procuraram cada vez mais os mercados de obrigações para financiar a justiça social. Os mercados, que antes serviam para pagar as guerras, financiam agora as políticas sociais; claramente, um progresso.

A cumplicidade (senão mesmo a aliança) entre o Estado social e os mercados financeiros foi-se reforçando durante as últimas duas décadas. A viabilidade do primeiro dependia dos segundos e estes ganharam muito com o financiamento do primeiro. E os governos, quer de esquerda quer de direita, beneficiaram muito desta situação, aproveitando-a para os seus programas e campanhas elitorais. Os mercados financiaram o aumento dos privilégios que o eleitorado queria dos seus governos. E estes deram-lhes o que queriam, continuando a financiar-se, como se não houvesse limites nem amanhãs.

A crise financeira de 2007/2008 precipitou o "amanhã" das dívidas soberanas. Deixou de ser possível financiar o Estado social sem o reformar. Quem percebeu isto, está empenhado em salvar o Estado social. Aqueles que não o entenderam e resistem às reformas constituem as principais ameaças ao Estado social. Em Portugal, são o PCP, o Bloco de Esquerda, a CGTP e os candidatos presidenciais por eles apoiados. Está na altura da maioria silenciosa, que pagará as dívidas, impedir a minoria barulhenta de continuar a viver à custa dos mercados.
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João Marques de Almeida, DE 03.01.11

Só cá faltava esta. Associar o Estado Social aos mercados financeiros. Ainda vamos ouvir dizer que o Estado Social é mais um produto derivado.

11:56 da tarde  

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