segunda-feira, janeiro 24

Menos esperança

Cavaco Silva venceu de caras. Longe, no entanto, do resultado esmagador – menos de 53% - vaticinado por muitas sondagens estapafúrdias. Digno de nota, no discurso de vitória, os longos minutos (tempo demais) que CS dedicou à defesa da honra ofendida. Que se cuidem os orquestradores da “campanha de difamação”.
Pior apontamento destas eleições a intervenção de Correia de Campos em defesa de Aníbal Cavaco Silva como garante da estabilidade. Para que nos serve tanta estabilidade se a esperança dos portugueses é cada vez menor.
Nota final: Cavaco não tem engenho nem coragem para os novos tempos que se avizinham.
Clara Gomes

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10 Comments:

Blogger e-pá! said...

Independentemente de uma análise mais cuidada que estas eleições merecem o "discurso de vitória" de Cavaco Silva foi preocupante.

Na verdade, começa a alastrar pelo País o conceito de que as eleições, para além de um dever e um direito de participação cívica, funcionam, também, como um "tribunal popular", para questões pessoais pendentes.
É tanto mais iníqua esta concepção quanto é verdade que o então candidato fugiu ao cabal esclarecimento de algumas questões que, ao longo da campanha, foram levantadas [o "esquema Ponzi" na transacção de acções da SLN/PPN, a estranha mixordice das permutas na aldeia da Coelha] não permitindo, por defice de informação, uma apreciação fundamentada, logo, nenhum tipo de "julgamento" objectivo.

De facto, há uma estranho tipo de reactividade na sociedade portuguesa face a questões que incidem sobre o comportamento ético dos políticos.
Poderíamos chamar-lhe: "a metamorfose da probidade através do voto", um fenómeno tipo Isaltino...

Domingo, a população eleitoral, "encavacada", desmotivada, terá ficado maioritariamente em casa e o país remanescente votou maioritariamente Cavaco.

Uma pretensa "absolvição popular" é, portanto, um juízo parcimonioso, remanescente.
As questões ficaram por esclarecer.
Mas, distorcendo o sentido do voto, reivindica-se - de imediato - imunidade e/ou indulto.
Na verdade, o voto não "branqueia" nada, pelo contrário, acresce as responsabilidades de, no mínimo, ser prestado um público e detalhado esclarecimento das situações que - como Cavaco Silva deverá vir a verificar - não "morrem" com o encerrar das urnas...

Finalmente, o que lateralmente veio ao de cima [no "discurso de vitória"] foi a deselegância e a arrogância do vencedor... Mas, isso, são questões educacionais e culturais.

10:35 da manhã  
Blogger tonitosa said...

Clara,
Não vale a pena chorar sobre o leite derramado.
Cavaco Silva venceu porque os Portugueses assim quiseram.
Porque não defender a Honra? Não foi isso que fez mais que uma vez o Primeiro Ministro nos casos Freeport e Face Oculta? Como diz o Povo "só não se sente quem não é filho de boa gente"!
Correia de Campos, para sua desilusão e de muitos dos "seus AH" (a tal sua gente) apoiou CS. Não sei se bem, se mal, mas se o fez por o considerar garante da estabilidade, não fez mais do que aquilo que ontem disse o Primeiro Ministro: os portugeses preferiram a estabilidade. Ou seja oytro candidato que fosse eleito não era garante da estabilidade.
Quanto às competencias (coregem e engenho de CS) desculpe, mas não lhe reconheço capaciadde para fazer essa avaliação.
Aguente e tenha calma, porque pior do que estamos é impossível.

5:43 da tarde  
Blogger tambemquero said...

Ouvi há pouco Cavaco afirmar que tinha vencido a verdade. A verdade de Cavaco é o silêncio. No discurso de vitória, não só atacou todos os que ousaram escrutiná-lo, como se escusou a responder a qualquer questão que lhe fosse dirigida pelos jornalistas. Nesta campanha, Cavaco foi desmascarado na sua suposta imaculada existência. Hoje é claro que fez dinheiro à custa de amigos pelintras. Mas achou que estava acima da obrigação de esclarecer o que tinha - e tem - de ser esclarecido. Cavaco nunca perdeu os tiques de pequeno ditador.


Cavaco afirmou hoje, magnânimo, que nunca vendeu ilusões. Só quem prefere esquecer os 10 anos de governo cavaquista pode deixar de recordar o discurso do 'pelotão da frente'. Dia sim dia não, o então primeiro-ministro dizia-nos que no espaço de uma década estaríamos entre os países mais desenvolvidos da UE. Isto num país pobre e sub-qualificado (e sê-lo-ia hoje ainda mais, se mantivéssemos as opções de educação do seu reinado), dominado por grupos económicos parasitários que cresceram à custa de privatizações a preço de saldo e das auto-estradas cavaquistas. O demagogo de todas as horas não perdeu o jeito.


Depois de um mandato marcado por aquelas relevantíssimas e esclarecedoras intervenções relacionadas com o Estatuto dos Açores, as escutas a Belém e o casamento homossexual, o homem continua a tentar convencer-nos que é um grande estadista. E já poucos duvidam que ele acredita no que diz. Estranho é que não seja o único.


O país não ficará mais arruinado com esta eleição, é certo. Mas este homem só deixa sossegado quem precisa muito de acreditar em qualquer figura plástica que lhes apareça no ecrán.

Ricardo Paes Mamede

10:01 da tarde  
Blogger tambemquero said...

Eleições antecipadas

«Na projecção Intercampos/TVI sobre as intenções de voto dos portugueses, o PSD seria vencedor, com 36,8 por cento dos votos. O PS ficaria seis pontos atrás, com 30,8 por cento dos eleitores.»
Com previsões destas, é francamente duvidoso que o PSD esteja interessado em eleições antecipadas e ainda mais duvidoso que o Presidente da República se preste a fazer-lhe o frete de dissolver o parlamento, arriscando-se a ficar com um imbloglio político entre mãos...

Vital Moreira, Causa Nossa

10:08 da tarde  
Blogger saudepe said...

Hoje, 24 de Janeiro, é o dia mais deprimente do ano, segundo uma fórmula matemática concebida por um cientista britânico da Universidade de Cardiff. link

JP 24.01.11

Exactamente!
Ou não seja o dia imediato à vitória de Cavaco Silva.
Mais cinco anos a aturar o professor é obra!
Para não falar da Maria, pobrezinha, com uma pensão de apenas 800 euros.

10:39 da tarde  
Blogger ochoa said...

Comentário: Lisboeta:

There is a number that is totally biasing this article. While it is true that there was a poll indicating that PSD would have 46%, there were two others from today both indicating 37%! The firm (Marktest) that did the first poll had an estimate of 78% for the winning candidate in the presidential, just two months ago when all other firms had number below 60%, just to give an example of its strange results.

This is biasing the analysis, because it's very unclear what would happen in case the reelected president would ask for new parliamentary elections. His incentives to do it are clearly very different when his party has 37% or 46% in the polls.

Silva´s bullet link

12:11 da manhã  
Blogger Brites said...

Li, algures, uma citação de Nietzsche, que me parece oportuno recordar aqui:

Certos pavões escondem de todos os olhos a sua cauda - chamando a isso o seu orgulho.

5:00 da tarde  
Blogger tambemquero said...

1. As eleições presidenciais decorreram sem chama e perante um certo desinteresse dos portugueses. A enorme abstenção de 52,4% aí está para o demonstrar. Os resultados foram os esperados, embora com algumas surpresas. Os debates não trouxeram ideias novas quanto aos problemas que mais interessam os portugueses: como viver a crise global que nos afecta - que está a provocar o desespero em milhares de famílias - e, principalmente, como sair dela.

Como se sabe, estive, voluntariamente, silencioso durante todo o processo eleitoral. Quando o PS resolveu apoiar o candidato que já tinha sido escolhido pelo Bloco de Esquerda, disse - e escrevi - que considerava isso um erro de Sócrates, grave, sobretudo, para o futuro do PS, visto que ia dividi-lo, como aconteceu. Não o disse por ressentimento, como alguns comentadores afirmaram. Mas tão-só em defesa do partido de que fui um dos fundadores. Por essa mesma razão, fiquei calado e não apoiei nenhum candidato.

Estimo pessoalmente Fernando Nobre, que conheço há muitos anos, e aprecio-o pelo seu carácter e pela obra que realizou. Mas não fui eu que o empurrei para candidato. O seu a seu dono. Como ele próprio disse - e quem o conhece sabe que não podia ser de outro modo -, "decidiu pela sua própria cabeça". Limitou-se a consultar alguns amigos, depois de estar determinado, e eu fui um deles, entre vários. Com muita honra.

Numa entrevista em que me interrogaram sobre se, desta vez, iria votar Cavaco Silva, afirmei, discretamente, para desfazer equívocos, que "nunca votaria em Cavaco Silva". E agora acrescento: por razões político-ideológicas e não pessoais.

Terminado o acto eleitoral, devo felicitar o candidato, como fiz, aliás, há cinco anos, como candidato derrotado. Trata-se de um ritual democrático, que deve ser respeitado, porque em democracia, os políticos, dos diversos partidos e os independentes, não se consideram inimigos, mas tão-só adversários ocasionais.

Estranho e lamento que o candidato Cavaco Silva não o tenha feito, no passado domingo, em relação aos seus adversários. Como aliás lamento os dois discursos que proferiu no momento da vitória. Em lugar de ser generoso e magnânimo para com os vencidos, foi rancoroso. O que, além de lhe ficar mal, quanto a mim, representa um erro político grave que divide Portugal precisamente quando mais o devia unir.

A verdade é que as últimas eleições mostram que o nosso país está mais dividido do que nunca. E, além disso, desorientado. Por isso, o Presidente ora reeleito deveria ter feito um discurso positivo, voltado para o futuro, e não um discurso que divide mais os portugueses, com a agravante de que, feitas bem as contas ao volume da abstenção, a metade que votou nele está longe de ser maioritária...

Nesse aspecto, o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, marcou um contraste com o candidato Presidente, tendo proferido um discurso politicamente responsável, muito equilibrado e inteligente.
...

DN 25.01.11

9:23 da tarde  
Blogger tambemquero said...

Quando perguntaram a Winston Churchill se os seus inimigos se sentavam na outra bancada, a resposta foi certeira: do outro lado sentam-se os meus adversários, os meus inimigos sentam-se deste lado. É sempre bom não esquecer esta lição de baixa política para perceber os bastidores do poder.

Quem tivesse duvidas sobre a relação do Presidente da República com aquele que, muito provavelmente, será o próximo primeiro-ministro esclareceu-as quando Passos Coelho foi apresentado, num comício em Vila Real, como presidente da Assembleia Municipal. O desconforto de Cavaco Silva com o líder do PSD voltou a ser sentido quando lhe foi pedido para dizer se a presença de Passos lhe agradava. Parecia evidente que Cavaco não tencionava dar, com a sua previsível vitória, um empurrão a Passos Coelho. E muito menos dividir com ele os louros da sua reeleição. Mais relevante: Passos também não queria essa ajuda.

Este divórcio sem litígio não seria grave se não fosse a costumeira deselegância do Professor, que fez questão em tratar o "presidente da Assembleia Municipal de Vila Real" com um desprezo indiscreto. A resposta sentiu-se nos últimos dias de campanha, quando a preciosa máquina do PSD desapareceu da campanha e Cavaco ficou com a mobilização reduzida ao mínimo.

Quem não tivesse entendido o recado teve a explicação mais clara no discurso de Passos de domingo: a vitória era de Cavaco e ele nada tinha a ver com ela. Ao contrário de Paulo Portas, que logo se pôs em bicos de pés, o líder do PSD explicou que aquilo não eram nem legislativas nem primárias delas.

O novo PSD não quer empurrões de Cavaco porque não lhe quer dever nada. E não lhe quer dever nada porque sabe que, se não há almoços grátis, com Cavaco Silva eles costumam ter o preço de um banquete. Cavaco Silva sempre quis e continua a querer governar por interposta pessoa. Sempre quis pôr e dispor do PSD e não perdoa que o Partido tenha tido o descaramento de escolher como líder que receberá o poder no colo um homem que não é de sua confiança. Pior: um homem que ele despreza e que o despreza a ele.

O preço de uma boleia de Cavaco seria, para Passos, o de lhe prestar vassalagem, o único tipo de relação que Cavaco conhece com os outros. Passos nunca o fará. E no domingo suspirou de alívio: o Presidente eleito com menos votos e reeleito com menos percentagem não estará em condições de exigir vassalagem a ninguém.

A política não é feita epenas de política. As relações humanas contam. Elas são, mais coisa menos coisa, grande parte das motivações de muitos dos confrontos internos nos partidos. E a relação de despeito mútuo entre estes dois homens será muito importante nos próximos anos.

Mesmo sem força para tanto, Cavaco não desistirá da ideia de tutelar o próximo governo ou até de evitar que ele venha a ser liderado pelo jovem desobidiente que lhe calhou na rifa. E, no partido, os cavaquistas conspirarão na sombra, sabendo que se for Passos a chegar ao poder eles perderão para sempre a sua oportunidade.

Passos não desistirá de não dever nada a Cavaco. Começando por não lhe dever umas eleições antecipadas. Se o governo tem de cair, Passos vai querer que caia às maõs do seu PSD e não de Belém. E se chegar a São Bento a tempo tratará de fazer a limpeza interna que tanto deseja. Para os cavaquistas ficarão os comentários na televisão e nos jornais e pouco mais.

A animosidade entre o fedelho arrivista de Massamá e o empertigado professor de Boliqueime - imagino que seja assim que cada um veja o outro - marcará as lutas de poder no PSD. As diferenças ideológicas que as várias fações irão simular, sempre muito preocupadas com os destinos do País, não serão mais do que uma farsa. Um será mais liberal e extremista, outro mais caritativo e provinciano. Mas o que conta, o que contará, é a luta entre o professor galo e o jovem coelho

Daniel Oliveira

9:31 da tarde  
Blogger Tavisto said...

As crónicas de Daniel Oliveira são, para além de bem escritas, habitualmente perspicazes. Esta foge à regra.
Onde Daniel Oliveira vê desentendimentos entre Cavaco Silva e Passos Coelho existe apenas encenação e jogos de sombras. Pode PC não ser o líder que CS escolheria para comandar o PSD mas isso não o impedirá de lhe entregar o poder logo que possa. Quando PC parece distanciar-se da vitória de Cavaco é tão só para nos iludir quanto ao seu anseio de chegar ao poder quanto antes. A tarefa de desgastar o governo e de exigir a sua demissão, vai ficar a cargo de Paulo Portas poupando assim PC à acusação de falta de responsabilidade institucional face às consequências de uma crise política.
CS/PC/PP estão no mesmo barco e, concertados, preparam o assalto ao castelo. Para já medem a largura do fosso e a altura das muralhas, logo que sintam forças para as transpor irão avançar. Não haja ilusões.

11:59 da tarde  

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