terça-feira, junho 3

Selfie do Cavaco


A bola é o ópio do Povo e é, assim, em quase todo o lado. Mas em Portugal nota-se mais a presença da bola na vida pública. Menor no Norte da Europa, igual em Espanha, Itália e América do Sul.
Por exemplo, em Portugal (e Espanha) existem 3 jornais desportivos diários! Dito de outra forma, onde há mais Povo há mais bola.
Li recentemente um trabalho interessante num site de desporto. Conferiam as reacções dos jogadores da época ao 25 de Abril de 74, Simões e outros. Sem surpresa oscilavam entre o comentário cauteloso ou meio fascista, e todos eram circunstanciais e desinteressantes.
Juntando ao que dizem (ou não dizem) os jogadores de hoje constatamos que não aprendemos nada com os atletas da bola, para além de modas e penteados foleiros. Nem uma palavra sobre o país e o mundo, sobre a vida pública. Importa dizer que ainda são miúdos, milionários e são censurados pelas instituições do futebol que querem o jogo assim: supostamente asséptico, despolitizado, para venderem publicidade. 
Mas há sinais que as coisas podem estar a mudar. Vamos ver como corre o mundial no Brasil e como se resolve o escândalo da competição no Qatar. 
Por ora, a minha teoria é esta: Os jogadores da bola estão ao serviço do sistema. Não só pela alienação mas porque legitimam a ordem das coisas. 
Imaginem que até fizeram um selfie com o Cavaco!
PM

Etiquetas:

terça-feira, junho 11

10 Junho 2013

Paulo Macedo elogia discurso de Cavaco
No final das comemorações, o Ministro da Saúde elogiou o discurso positivo de Cavaco Silva. Paulo Macedo foi o único ministro, até agora, a reagir às palavras de Cavaco Silva.link 

SIC 11.06.13
Miguel Sousa Tavares, afinal, está safo!
Nem queria acreditar! O professor Cavaco Silva, num discurso oficial , enquanto Chefe do Estado, no Dia de Portugal e no pior ano que vivemos de crise, achou ser boa altura tentar reabilitar o seu passado como primeiro-ministro (José Sócrates tem, afinal, um mestre!) e resume assim 25 anos de política agrícola (dos quais os primeiros 10 comandou): "apesar de o número de agricultores ser então muito superior ao atual - cerca de 600 mil, contra cerca de 300 mil nos dias de hoje - a produtividade da terra cresceu 22% e a produtividade do trabalho agrícola aumentou 180%."
Pedro Tadeu, DN 11,06,13 link

Etiquetas:

sábado, abril 6

Derrota vergonhosa


...Cavaco Silva foi derrotado de forma estrondosa. E a sua falta de estatura moral e política é um peso insuportável para o país. A sua decisão de não pedir a fiscalização preventiva de um orçamento que padecia, ostensivamente, de várias inconstitucionalides, levou a que, no momento em que estão a ser negociadas novas condições com os nossos credores, o país esteja a discutir uma possível queda do Governo e as medidas que terão de ser tomadas para substituir as que foram chumbadas pelo TC. A sucessão de acontecimentos, desde a apresentação do orçamento de Estado, mostra até que ponto esta coligação de direita está a prejudicar o país. O sonho de Sá Carneiro - uma maioria, um Governo, um presidente - é na realidade um pesadelo do qual não vemos maneira de acordar. Cavaco Silva ajudou Passos Coelho a chegar a primeiro-ministro, e é refém voluntário desta decisão, será até ao fim. Ontem, antes de se conhecer a decisão do TC, confirmou isso mesmo, ao afirmar que esta não era a altura de haver eleições. Faça o que o Governo fizer, Cavaco não o vai deixar cair. Podem falhar largamente todas as previsões orçamentais, destruirem a economia, manterem uma atitude de humilhante subserviência perante a UE e os nossos credores, podem apresentar orçamentos não só inexequíveis e mal construídos como ilegais à luz da lei fundamental do país, que Cavaco será o último garante deste Governo. Cavaco não preside aos destinos do país, preside aos seus próprios interesses e aos do partido a que sempre pertenceu. A pátria que se lixe, é um pormenor da grandiosa história pessoal de Cavaco Silva. No nosso momento mais difícil, não temos estadistas, mas sim ratos de porão a comandarem o barco. Triste destino, o nosso. 
Sérgio Lavos 06.04.13 link

... Aliás, se se pudesse falar, a propósito de uma decisão do TC, em vitórias e derrotas, tratar-se-ia de uma derrota clamorosa para o Presidente da República. Porque veio tornar ainda mais claro que deveria ter solicitado a fiscalização preventiva do OE 2013, permitindo que o assunto ficasse resolvido desde janeiro. E porque no seu pedido o PR se concentrava naquilo que considerava ser a grande injustiça sobre os pensionistas com reformas mais elevadas, desvalorizando o corte dos subsídios a funcionários e pensionistas. Outra relativa surpresa do acórdão é "chumbar" a taxa sobre subsídios de doença e desemprego.
Jorge Reis Novais, Constitucionalista  DN 06.04.13  link

O PR não existe e não tomará qualquer iniciativa para protecção dos portugueses. O plano está traçado. Cavaco  faz parte, com Passos Coelho, Gaspar e Portas, da clique de executores do plano de liquidação das conquistas de Abril.

Etiquetas:

segunda-feira, março 12

Ressentimento

O que Cavaco Silva escreve sobre Sócrates, tantos meses passados sobre a saída do segundo, é mesquinho e vingativo, confirmando uma personalidade ressentida e um estadista sem estatura política para o cargo presidencial.

É evidente que, como declarei na altura, Sócrates deveria ter informado previamente o Presidente sobre o PEC 4, apesar da urgência com que este teve de ser apresentado. Mas considerar o incumprimento de um dever de informação como uma deslealdade institucional "digna de figurar na história", como se fora um crime de lesa-majestade, é pelo menos uma hipérbole. E ainda que se tratasse de falta de lealdade institucional, Cavaco Silva seria a última pessoa a poder denunciá-la, depois de ter praticado contra Sócrates actos, esses sim que ficaram na história, pela sua gravidade e pelo seu insólito, como foi o de lhe ter feito a gravíssima acusação de fazer "escutas" a Belém, a poucas semanas das eleições parlamentares de 2009. Será que Cavaco Silva considera essa tropelia como exemplo de lealdade institucional? Será que também informou previamente o primeiro-ministro antes de o atacar dessa forma assassina?

A lealdade institucional não tem somente um sentido! E o ressentimento vingativo não qualifica um Presidente da República!

vital moreira

Etiquetas:

domingo, agosto 28

Carlos do Carmo




"Merecemos mais do que este homem que é Presidente" link
«Tanto que hoje não se revê no País. E explica: "Vou tão somente falar de uma pessoa: Aníbal Cavaco Silva. Que foi primeiro-ministro deste país quando entraram vagões de dinheiro e nunca o ouvi dizer 'Este dinheiro tem que ser pago'! Quando era primeiro-ministro, a nossa agricultura foi vendida a pataco, as nossas pescas foram vendidas a pataco, a nossa indústria quase desapareceu (...) É tão fácil bater em Guterres, em Santana Lopes, em Durão Barroso ou em Sócrates. Não quero centrar-me numa pessoa e dizer 'Eis aqui o bode expiatório disto tudo', pretendo é alertar os portugueses que têm esta tendência para ter um paizinho, só que precisamos é de ter um paizinho sério. E merecemos mais do que este homem, que foi primeiro-ministro e que é Presidente da República!"»
entrevista a Carlos do Carmo, DN 28.08.11

Etiquetas:

quinta-feira, agosto 11

Mexe e remexe

Inevitável. A maioria liberal pacotilha teria de arranjar, mais tarde ou mais cedo, um lugarzinho compensador para Pedro Santana Lopes. Para o sossegar. Depois de o tentar seduzir para fora de portas. link

E logo na área do projecto social tão acarinhado do presidente da república. Boa ou má moeda para Aníbal Cavaco Silva? Sem esquecer que ACS resiste a tudo e já depois deste episódio condecorou PSL com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo
link
clara gomes

Etiquetas: ,

quarta-feira, julho 27

Não vamos brincar à caridadezinha

Aníbal Cavaco Silva, na Santa Casa da Misericórdia de Torres Vedras. voltou à carga com o novo conceito de serviço público e da necessidade da sua delegação nas misericórdias e outras instituições .link

Como se as Misericórdias trabalhassem à borla ou estivessem dispostas a fazer qualquer substancial desconto ao Estado. Ou primassem pela eficiência e qualidade das prestações. Muito antes pelo contrário.

Como muito bem referiu Isabel Vaz na sua recente entrevista ao semanário expresso:
«Para as Misericórdias continuam a fazer-se contratos ad hoc que não têm o mesmo nível de exigência nem de acompanhamento das PPP Tenho ouvido falar do papel do sector social a gerir hospitais o que acho excelente (foi anunciado que o Estado pretende entregar às Misericórdias os hospitais nacionalizados com o 25 de abril). Mas isso não pode ser feito com mecanismos contratuais que não sejam de igual exigência para todos Deviam ser lançados concursos públicos.»

Como tenho vindo a escrever repetidamente a História vai ser implacável com Cavaco Silva. Pela incompetência com que tem tratado Portugal e os portugueses.

Referência musical
link

Etiquetas: ,

quinta-feira, julho 14

A Saúde vista através do Algarve

O discurso do Presidente da República suscitou acusações, parcialmente fundadas, de inconstitucionalidade

O Presidente da República ocupa e irá ocupar espaço nos media por uma incursão na política do quotidiano, quando inaugurou obras de requalificação e ampliação do Hospital da Misericórdia de Loulé. O discurso do Presidente suscitou acusações, parcialmente fundadas, de inconstitucionalidade por parte de António Arnaut e de Jerónimo de Sousa.

Vejamos primeiro a decisão do anterior Governo de apoiar as obras no edifício, notável a vários títulos, da Misericórdia de Loulé, para instalação de uma unidade de cuidados continuados, co-financiada pelo Ministério da Saúde. Tudo correcto e até louvável, representando uma alternativa bem melhor que a gorada tentativa de associação a um grupo privado para a criação de uma unidade totalmente lucrativa. O apoio financeiro do município, um dos mais ricos do País, é de saudar e não será estranho à sensibilidade profissional do seu presidente. O financiamento público das obras para acolher cuidados continuados integrados, prestados por instituições sociais, a partir de programas rigorosos que garantam qualidade na assistência, é complementado pelo pagamento regular dos cuidados através de um sistema complexo, fortemente informatizado, que reflecte a intensidade dos cuidados e previne rendas de privilégio. O contributo das Misericórdias e outros para a criação de quase cinco mil lugares, em menos de cinco anos, foi instrumental e executado através da cooperação entre a diplomacia florentina de Manuel de Lemos, presidente da União das Misericórdias, e a alta capacidade de Inês Guerreiro, a responsável pelos CCI. Por aqui, tudo bem.

A Misericórdia de Loulé entendeu aproveitar a capacidade excedentária das suas instalações para outras actividades de saúde, como cirurgia electiva, consultas externas e fisioterapia. Está no seu direito, embora a experiência demonstre que os recursos humanos não costumam ser internos mas sim externos, médicos e enfermeiros do SNS, treinados a expensas públicas, actuando em acumulação de funções. Não é o melhor dos mundos, são conhecidos os efeitos desta contaminação e as perdas de eficiência do SNS nesta “dupla militância” profissional. O sistema existe desde há décadas, sem que as condições políticas tenham permitido a sua clarificação, a qual só agora se está parcialmente a fazer com opções definitivas a meio da carreira e reformas antecipadas dos profissionais. Com este exemplo de complementaridade continuamos no terreno do constitucionalmente aceitável.

Porém, o Presidente foi mais longe. Segundo a Lusa, teria afirmado que “se o Estado não tem capacidade de assegurar a qualidade e eficácia dos serviços de saúde, então deve delegar e partilhar com outras organizações, como é o caso das Misericórdias”, recomendando que se peça às Misericórdias que “prestem esses cuidados se o fizerem com melhor qualidade e eficiência”. Qualidade, eficácia e eficiência, três importantes atributos de um sistema de saúde que no discurso do Presidente são intuídos como claudicantes no Serviço Nacional de Saúde. Trata-se de um pressuposto não demonstrado; bem ao contrário, abunda a evidência de que é o contrário que se passa. O discurso aproximou-se do preconceito.

Não é difícil ver nas palavras do Presidente a defesa da suposta “igualdade de condições na oferta pública ou privada em saúde”, um conceito que conduziria à substituição da universalidade e do carácter público, “ beveridgeano”, do SNS, por um sistema convencionado e abundantemente privado, “ bismarckiano”. Não foi essa a decisão tomada em 1979 e confirmada por um consenso de trinta anos. O que mais se estranha é não se ter pensado nos gastos. Convencionar serviços hospitalares de agudos com o sector privado seria gastar em dobro: no pagamento das convenções e na sustentação da capacidade pública tornada parcialmente ociosa. Para não falar na degradação da qualidade do SNS, um dos seus mais sólidos valores. Nestes termos e exacta medida, as propostas do Presidente, apesar de vagas, não escapam à crítica da inconstitucionalidade.

O que a nosso ver se não aplica à alteração das taxas moderadoras. O Presidente não falou em usá-las para financiamento do SNS, o que seria provavelmente inconstitucional, mas apenas como “diferentes contribuições para a distribuição dos encargos com a Saúde”, o que se enquadra no conceito de racionalização do uso do sistema, permitindo variação das taxas em função do melhor funcionamento do SNS, como de resto foi recomendado pela troika.
Correia de Campos , JP 13.07.11

Etiquetas: ,

segunda-feira, julho 11

Cavaco quer alijar a responsabilidade do Estado

O presidente da Associação dos Administradores Hospitalares (ADH), Pedro Lopes, defendeu hoje que o Estado tem capacidade para gerir a sua rede hospitalar, não necessitando de delegar a gestão de alguns hospitais a outras organizações. link
"Essa visão de que o Estado não consegue fazer ou não faz tão bem é uma visão que eu não comungo e que a minha associação não comunga de forma nenhuma", disse Pedro Lopes à Agência Lusa, comentando declarações do Presidente da República.
Aníbal Cavaco Silva afirmou no sábado que "se o Estado não tem capacidade, deve delegar a outras organizações" os cuidados de saúde.
"Não percebo porque é que se diz que o Estado não tem capacidade para. O que tem é que haver mais investimento no Estado. Em vez de se estar a investir, que é isso que o Estado está a fazer neste momento, em instituições que não são públicas, enviando doentes para instituições privadas para fazerem e para serem prestados serviços que o Estado pode prestar", sublinhou Pedro Lopes.
Segundo o presidente da associação, o que "o Estado tem é que investir mais na saúde" e deixar de "enviar os seus doentes para as redes privadas, misericórdias, hospitais privados e clínicas privadas".
"O grande problema é que o Estado a partir da 13:00 praticamente tem os seus blocos fechados e envia doentes para os blocos privados, que trabalham no período da tarde. A minha pergunta é porque é que os blocos operatórios dos hospitais estaduais não fazem esse serviço e estão fechados quando têm toda a capacidade instalada para o fazer", questionou Pedro Lopes.
DN 11/07/2011

Uma boa questão colocada por Pedro Lopes. A verdade é que se empresalizaram os hospitais do SNS mas na componente clínica pouco ou nada se fez. À parte um ou outro hospital em que os blocos operatórios funcionam à tarde, geralmente em regime de SIGIC, nos restantes mantém-se, exceptuando urgências, o regime de actividade matinal.

É evidente que se esta situação se tem perpetuado governo após governo, é porque convém a muita gente. Já aqui falei das consequências nefastas da promiscuidade público-privado e não vou voltar ao assunto. Direi apenas que de cada vez que um partido político se prepara para governar e esta questão é aflorada, o líder garante que se for eleito irá resolver o problema separando águas. Foi assim também com Passos Coelho, declaração de que poucos se lembrarão e menos ainda acreditam que seja para cumprir.

Parece-me, porém, que não era apenas à gestão hospitalar que as palavras de Cavaco se dirigiam. O que julgo ter querido dizer é que se por insuficiência de meios financeiros o Estado não puder garantir cuidados de saúde a todos os portugueses deve alijar essa responsabilidade. Para além da sopa dos pobres, às Misericórdias ficaria entregue a responsabilidade de tratar os concidadãos sem meios para suportar os previsíveis aumentos de encargos nos cuidados de saúde. Porém, à parte o reaccionarismo da proposta, ignorará o Presidente que em matéria de Saúde aquelas instituições nada têm de filantropo?

Tavisto

Etiquetas: ,

Andam a tramar-nos há muito!

«O Estado deve delegar cuidados de saúde se não puder garanti-los» link
Esta declaração de Aníbal Cavaco Silva, ao jeito de primeiro ministro da República, traz os portugueses indignados.

Sabe-se da intenção do Governo em descartar a prestação de cuidados de saúde através da concessão da gestão de hospitais e Centros de Saúde a operadores dos sectores privado e social.
Estranha-se que seja o PR (de todos os portugueses) a fazer a defesa pública destes objectivos programáticos do Governo. Se não é provocação parece.

«Pedro Lopes, presidente da APAH, gostava de utilizar todas as possibilidades do modelo EPE antes de avançar para esta medida, pois tem permitido aos hospitais governarem «de forma mais expedita» e mais «consentânea» com as suas necessidades, o que se tem traduzido numa «melhoria dos indicadores e dos resultados». O que «Só mostra que este é o caminho correcto».
Até porque, «não está provado que o sector privado faça melhor que o sector público», nem os «processos de monitorização, controlo e acompanhamento destes processos têm qualidade» como ficou claro no caso da concessão da gestão do Hospital Fernando Fonseca ao Grupo Mello.» (TM: 11.07.11)

Parece-nos correcta esta posição do presidente da APAH. O que é essencial e importante é avaliar, discutir e implementar modelos de gestão eficientes e mecanismos de avaliação de desempenho eficazes nos nossos hospitais.
Mas para este Governo e o PR a obssessão maior é a redução do Estado, o combate às corporações e, finalmente, a destruição do SNS em favor dos empresários privados empenhados em arrebanhar os dinheiros públicos da Saúde.

NOTA : Curiosamente o “Programa de Estabilidade e Crescimento - período 2002-2005”, do XIV Governo Constitucional de António Guterres já previa a concessão de gestão de hospitais públicos a entidades privadas e outras malandrices do género.
link
Como costuma desabafar um colega meu amigo quando abordamos estas matérias: «Estes gajos já nos andam a tentar foder há muito.»

«Reformas institucionais para racionalizar a decisão: O desenvolvimento de modelos de gestão empresarial, tanto nos hospitais como em cuidados de saúde primários concretiza-se nas seguintes modalidades: • concessão de gestão de hospitais públicos a entidades privadas;
• lançamento de parcerias público-privadas e público-públicas (PPP); • celebração de concessão de gestão de centros de saúde com cooperativas de médicos, através de contratos programas; • este processo aprofundará as experiências realizadas nos últimos anos, designadamente: o hospital enquanto entidade empresarial pública (Hospital Santa Maria da Feira); o Hospital integrado numa unidade local de saúde (Matosinhos); o hospital público com concessão de gestão a entidade privada (Hospital Amadora-Sintra);
Programa de estabilidade e crescimento, período 2002-2005

drfeelgood

Etiquetas: , ,

sábado, julho 9

Cavaco lê pela Cartilha Liberal Pacotilha

Mário Soares tem lançado farpas certeiras a Aníbal Cavaco Silva sobre a fraca intervenção do Presidente da República no processo de grave crise que atravessamos link

São certeiras as criticas de MS.

Em primeiro lugar porque ACS poderia ter evitado a crise política que deu lugar às recentes eleições,
link pura perda de tempo como se comprovará nos meses mais próximos.

A fazer jus às críticas de MS aí temos ACS a apoiar a intervenção liberal pacotilha no Serviço público de saúde: «todos os cidadãos têm direito a cuidados de saúde de qualidade, mas os que mais têm devem contribuir mais e o Estado deve delegá-los noutras organizações se não conseguir custeá-los.»

Os liberais de pacotilha do Governo não diriam melhor.

O PR aparece, assim, mais uma vez, apostado em esvaziar o Serviço Público defendendo para Portugal um sistema de saúde misto, verdadeiro molho de bróculos, formado por uma rede de cuidados assistencialista, especialmente dedicada aos pobrezinhos, constituída pelo que restará do serviço público, naturalmente degradado com prestações de baixa qualidade, suportada directamente pelo Estado, mais as unidades privadas convencionadas (para captura de financiamento público sem o qual não sobrevivem) e uma primeira rede de cuidados de saúde, mais lavadinha, suportada por seguros de saúde destinada aos cidadãos com poder económico suficiente para os pagar.

Conhecemo-lo de há muito (de gingeira). Consideramos, no entanto, estas últimas intervenções de ACS indignas de um PR num país europeu com 700 mil desempregados e níveis de pobreza que nos deveriam envergonhar a todos.

Etiquetas: , ,

segunda-feira, junho 20

O Maestro

«Depois de ter capitaneado o processo de derrube do Governo do PS, a começar no seu discurso de tomada de posse, Cavaco Silva dá mostras de também querer apadrinhar a partir de Belém o programa da coligação PSD-CDS/PP.
O seu discurso sobre a necessidade de revisão do conceito de "serviço público" em pleno congresso das misericórdias só pode ter o sentido de incentivar a privatização de responsabilidades públicas na área da saúde e da protecção social, desde logo (para começar) em benefício do chamado "sector social", mediante financiamento do Estado, que é um dos cavalos de batalha da agenda da direita naquelas áreas (e não só...).
Decididamente, o conceito de "uma maoria, um governo e um presidente" -- velha ambição do PSD finalmente alcançada -- começa a dar frutos. Resta, porém, saber se tal articulação explícita com o programa e a acção política da maioria governante não põe em risco a função moderadora e arbitral do Presidente da República, que requer uma fundamental autonomia presidencial face ao governo de cada momento.
Em vez de maestro à distância da performance governativa, o Presidente deveria assumir a sua função de supervisor e de "polícia sinaleiro" do funcionamento do sistema político. Quem é eleito para definir orientações de governo, formular programas de governo e conduzir a acção governativa é... o Governo. E também é o Governo, não o Presidente, quem responde pelo seu desempenho nas próximas eleições parlamentares. »
Vital Moreira, causa nossa, 20.06.11

...«Temos de reinventar o conceito de serviço público, nomeadamente na diversidade das áreas sociais. Um novo conceito que atenda mais à necessidade de dar uma resposta rápida e adequada aos crescentes problemas sociais da população portuguesa, do que ao respeito de uma visão ideológica que os tempos tornaram obsoleta».
link
Aníbal Cavaco Silva na Sessão de Encerramento do X Congresso Nacional das Misericórdias, Arganil, 18 de Junho de 2010

Etiquetas: ,

sábado, junho 11

Condecorações

foto JP
Cavaco Silva não perdeu oportunidade para condecorar Manuela Ferreira Leite neste 10 de Junho de 2011 com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo.
Muitas razões existirão para tão distinta distinção.

A primeira, desde logo, MFL entrou para a política pela mão de ACS, seu colega na Fundação Calouste Gulbenkian.
Acresce que MFL desempenhou inúmeros cargos em vários governos da República: Secretária de Estado do Orçamento do XI Governo (1990), Secretária de Estado Adjunta e do Orçamento do XII Governo (1991-1993), Ministra da Educação (1994-1995), Ministra de Estado e das Finanças do XV Governo (ano de 2002, primeira mulher portuguesa a assumir esse cargo).

Outra motivo: MFL foi a primeira mulher portuguesa a chefiar um partido político (2008).

Mas outras razões mais profundas terão pesado na decisão do senhor PR.
MFL, à semelhança de ACS, tem o perfil, o jeito, assim a modos que salazarento de agir e pensar, que tanto agrada a muitos dos nossos conterrâneos. Ficou célebre a sua proposta de fazer uma pausa na democracia: «não seria bom haver seis meses sem democracia" para "pôr tudo na ordem"
link. Ele há coisas que não se dizem nem a brincar.

Motivo da máxima importância: Manuela Ferreira Leite, no exercício das suas funções no governo, chegou a despachar a favor do Benfica
link .

Mas há mais: MFL esteve na genese do "discurso da tanga" de Zé Barroso que deu mais tarde lugar à política de verdade e à "obsessão do défice” (longe iam os tempos de crise dos investimentos tóxicos que arrazaram a economia dos EUA e da EU). Quer dizer, MFL é o exemplo acabado do ajuste de contas feliz com a história. MFL, a sempre velha e avarenta senhora, espírito retrógrado, habituada desde tenra idade à leitura das aventuras do tio patinhas, bafejada pelos ventos da história, acabou por ter razão antes de a ter. Uma espécie de Forrest Gump à portuguesa, versão feminina.

Finalmente: Para a atribuição desta exagerada condecoração, o PR, ACS, teve uma motivação acrescida, especial, que reside no facto de ambos (ACS e MFL) partilharem ódio visceral ao inimigo comum, o atroz recém derrotado engenheiro José Pinto de Sousa, vulgarmente conhecido por José Sócrates.
Para ACS e o seu plano de vingança, gizado a partir da anterior campanha das presidenciais, a recente e estrondosa derrota do primeiro ministro cessante não é suficiente. O processo de humilhação de JS, tudo o indica, vai continuar.

Porreiro, pá

Etiquetas: ,

sábado, abril 2

Sondagens da crise

Depois do terramoto da demissão do Governo, segundo um inquérito da Eurosondagem. realizado entre 27 e 30 de Março, o PSD soma 37,3 por cento das preferências de voto dos portugueses, contra 30,4 do PS. Em relação à recolha de opinião feita em Fevereiro os sociais-democratas sobem 0,4 por cento, enquanto os socialistas descem 0,2 por cento.link Nada que uma boa campanha do PS e dois ou três discursos desastrados da camarilha liberal pacotilha não possa fazer recuperar.
Interessante verificar que em relação à pergunta “quem é a culpa da crise política”, 9,9 % dos inquiridos responderam que é do PR. Demonstração que portugueses vão conhecendo Cavaco Silva de gingeira.

drfeelgood

Etiquetas: ,

quarta-feira, março 30

Quem semeia ventos ...

Como era de temer e foi devidamente antecipado, a rejeição do plano de disciplina orçamental e a consequente abertura da crise política só podia causar imediatamente a incerteza nos mercados da dívida pública, desencadear a subida das taxas de financiamento e arrastar a queda do rating da dívida pública e da banca portuguesa.
A situação está a deteriorar-se inquietantemente. Poderá ter de encarar-se mesmo a necessidade de recorrer a ajuda externa (EU-FMI), com as duras condições associadas. Os que, por simples oportunismo ou vindicta, rejeitaram o PEC podem ter lançado o País na necessidade de suportar outro bastante mais gravoso, para além da inerente humilhação nacional.
Torna-se cada vez mais gritante a irresponsabilidade do PSD, que fez tudo para criar esta situação. E o Presidente da República, que abriu a "caça ao Governo" no seu discurso de tomada de posse, bem pode ficar com um grave problema político nas mãos...
Vital Moreira

Etiquetas: ,

sábado, março 12

O discurso do presidente da república

O discurso do Presidente Cavaco Silva foi duma enorme coragem. Não há memória dum discurso de posse em que o novo Presidente tenha criticado tão duramente o Presidente anterior. Ao referir-se à década perdida, o PR inclui o último quinquénio e, por isso, não critica apenas o Governo mas acaba, também, por fazer uma autocrítica impiedosa.
Valha a verdade que não se ficou por aqui. A sua autocrítica estendeu-se até ao tempo em que foi Primeiro Ministro.

Quando afirma que
“ O exercício de funções públicas deve ser prestigiado pelos melhores, o que exige que as nomeações para os cargos dirigentes da Administração sejam pautadas exclusivamente por critérios de mérito e não pela filiação partidária dos nomeados ou pelas suas simpatias políticas.”, deve estar arrependido de ter permitido, enquanto PM, que a Administração Pública se tivesse transformado numa grande coutada partidária. Recordemos que foi durante um seu Governo que a Saúde viu chegar os primeiros “gestores de reconhecido mérito”, com os resultados que se conhecem.

Quando declara que “ é crucial a realização de reformas estruturais destinadas a diminuir o peso da despesa pública” deve estar com certeza a lembrar-se de criação das carreiras especiais na Função Pública e do peso que tiveram na criação do “Monstro”.

Quando afirma
“ É crucial aprofundar o potencial competitivo de sectores como a floresta, o mar, a cultura e o lazer, as indústrias criativas, o turismo e a agricultura, onde detemos vantagens naturais diferenciadoras.”, deve estar a reflectir no texto de Miguel Sousa Tavares no Expresso de 13 de Maio de 2010:
“Na década do agora inimigo das grandes obras públicas, Cavaco Silva, construímos sem parar: auto-estradas e hospitais, escolas e tudo mais. "O país está dotado de infra-estruturas!", proclamou-se, triunfantemente. E, de facto, o país precisava. O problema é que, enquanto se dotava de infra-estruturas para servir a economia, o país vendia a economia, a troco de subsídios para abate e set-aside: vendemos assim a agricultura, as pescas, as minas, a marinha mercante, os portos, as indústrias que podiam vir a ser competitivas - ficámos com os têxteis e o fado. E, quando alguém, subitamente, perguntou "de que vamos viver no futuro?", sorriram, com ar complacente. Então, não era óbvia a resposta? Iríamos viver dos serviços, do turismo, da "sociedade de informação" e... de Bruxelas."

Diz o PR:
“Não podemos assistir de braços cruzados à saída de empresas do nosso País. Pelo contrário, temos que pensar seriamente no que é que podemos fazer para atrair mais empresas.” Uma das coisas que não podemos deixar de fazer, diz o bilionário do Pingo Doce, é melhorar o sistema de Justiça. O PR deve estar a lembrar-se que, nessa área, a gesto mais significativo do seu mandato anterior foi receber o Presidente do Sindicato do Ministério Público.

Manifesta o PR a esperança
“que todos os agentes políticos e poderes do Estado e os agentes económicos e financeiros estejam à altura das dificuldades do momento e dêem sentido de futuro aos sacrifícios exigidos aos Portugueses.”
O bilionário da Forbes, tal como a PT, tal como a Portucel, já deram o exemplo com a antecipação de dividendos. Mas, sobre isso, o anterior PR não se pronunciou.

Afirma ainda o PR “Em vários sectores da vida nacional, com destaque para o mundo das empresas, emergiram nos últimos anos sinais de uma cultura altamente nociva, assente na criação de laços pouco transparentes de dependência com os poderes públicos, fruto, em parte, das formas de influência e de domínio que o crescimento desmesurado do peso do Estado propicia. É uma cultura que tem de acabar. Deve ser clara a separação entre a esfera pública das decisões colectivas e a esfera privada dos interesses particulares”
É impossível que não se tenha lembrado do BPN.

Brites

Etiquetas: ,

quarta-feira, março 9

Começa mal ...

foto semanário expresso
...Cavaco Silva o seu segundo mandato.
Primeiro
, tendo optado deliberadamente, no conteúdo e no tom, por um discurso divisivo, destinado propositadamente a desagradar à esquerda e a ser aplaudido à direita (que merecidamente lhe não regateou apoio), o Presidente prescindiu de se dirigir a todos os portugueses, preferindo falar para a sua própria área política.

Segundo, desenhando a traços carregamente negros, sem concessões, a actual situação económica e social, Cavaco Silva omitiu intencionalmente assacar a principal justificação à crise financeira e económica vinda de fora -- que aliás afectou outros países tanto ou mais do que o nosso -- e não apoiou nem valorizou os esforços para enfrentar e superar essa inesperada crise.

Terceiro, sem cuidar de observar escrupulosamente o seu mandato constitucional, Cavaco Silva entrou decididamente na defesa de políticas públicas concretas e de propostas programáticas que no nosso sistema política só podem caber aos partidos, no governo ou na oposiçao, e não ao Presidente da República, que não é eleito para governar nem para definir rumos governativos.

Em suma, com este discurso inaugural, o País não fica nem maise esperançoso nem mais mobilizado para enfrentar as dificuldades . O Presidente preferiu apostar no ambiente de pessimismo e de angústia colectiva (mal contrariado por uma retórica de elogio de um "civismo de exigência").
É pena! É nestes momentos que faz falta um Presidente da República de outra têmpera e de outra fibra...
Vital Moreira, Causa Nossa

Faço votos que a malta que está arrasca não se deixe levar na cantiga de Aníbal Cavaco Silva. Como de costume, ACS apenas pretende retirar dividendos em proveito próprio. À pala de um processo de luta justo.
Clara Gomes

Etiquetas: ,

terça-feira, janeiro 25

Rancoroso

«Terminado o acto eleitoral, devo felicitar o candidato, como fiz, aliás, há cinco anos, como candidato derrotado. Trata-se de um ritual democrático, que deve ser respeitado, porque em democracia, os políticos, dos diversos partidos e os independentes, não se consideram inimigos, mas tão-só adversários ocasionais. link

Estranho e lamento que o candidato Cavaco Silva não o tenha feito, no passado domingo, em relação aos seus adversários. Como aliás lamento os dois discursos que proferiu no momento da vitória. Em lugar de ser generoso e magnânimo para com os vencidos, foi rancoroso. O que, além de lhe ficar mal, quanto a mim, representa um erro político grave que divide Portugal precisamente quando mais o devia unir.»

Mário Soares, DN 25.01.11

Etiquetas:

segunda-feira, janeiro 24

Menos esperança

Cavaco Silva venceu de caras. Longe, no entanto, do resultado esmagador – menos de 53% - vaticinado por muitas sondagens estapafúrdias. Digno de nota, no discurso de vitória, os longos minutos (tempo demais) que CS dedicou à defesa da honra ofendida. Que se cuidem os orquestradores da “campanha de difamação”.
Pior apontamento destas eleições a intervenção de Correia de Campos em defesa de Aníbal Cavaco Silva como garante da estabilidade. Para que nos serve tanta estabilidade se a esperança dos portugueses é cada vez menor.
Nota final: Cavaco não tem engenho nem coragem para os novos tempos que se avizinham.
Clara Gomes

Etiquetas:

quarta-feira, janeiro 19

Vingança e calculismo


CC tem certamente razões para não gostar de Manuel Alegre. O grande responsável pelos ataques de dentro do PS à sua reforma da Saúde. Acabando mesmo por impor Ana Jorge como ministra da saúde, sua camarada de chazinhos familiares, partilhados na Lourinhã. Decisão ruinosa para o SNS que tanto sofrimento e humilhação nos tem custado.

Partilho a opinião de CC sobre a candidatura de Manuel Alegre. Não concordo em absoluto com a oportunidade das suas declarações ao jornal i em plena campanha. Feio, muito feio! A demonstrar que a vingança serve-se quentinha.
link Acresce a oportunidade de poder passar a mão pelo pêlo do candidato que, tudo indica, irá ganhar as próximas eleições. O que dá sempre jeito quando o futuro do PS se afigura incerto.

Clara Gomes

Etiquetas: