Os Pecados de CC
Em Pensamentos, Palavras, Obras e Omissões.
Tem razão Tonitosa, quando diz que em concreto, até agora, muito pouco foi feito por parte deste Ministério da Saúde. A não ser a publicação de alguns documentos tardios sobre o que espera vir a fazer em matéria de saúde pública, de cuidados de saúde primários, de cuidados continuados, e, agora, o projecto de D.L. sobre os HH EPE, além de uma ou outra medida avulsa, muito tonitruante, mas de pouco impacto real na melhoria da Saúde e na organização do sistema de saúde: a liberalização na venda de alguns medicamentos, a mudança (sem nexo) de alguns gestores, a revisão «em baixa» dos preços das áreas convencionadas, e conversa, muita conversa, conversa de mais.
E, pelo meio, muitos silêncios (alguns dos quais começam a produzir ruído a mais: sobre a carreira de Administração Hospitalar, p.ex), muitos erros (a não alteração do sistema de nomeação dos gestores hospitalares, a manutenção da maior parte dos gestores nomeados por LFP, a manutenção do processo das PPP, as declarações polémicas, as inúmeras guerrilhas injustificadas e sem nexo, a descredibilização, mais uma vez, da classe médica, os ataques cegos, aos utentes, aos prestadores convencionados, etc.)
Já decorreram nove meses, tempo mais que suficiente para já se terem visto no terreno os efeitos das políticas.
Sucede porém que CC não tinha uma missão, não tinha objectivos estratégicos bem definidos, não tinha uma estratégia, não soube definir os «inimigos» nem precisar, reunir e preparar os «amigos». Não tem sabido explicar-se. Parece um pistoleiro que não sabendo manejar uma arma atira para todos os lados, para cima, para baixo, para os lados, sem acertar no alvo. Correndo o risco de acertar mais em quem não deve e pouco ou nada em quem deve.
Daqui resulta, como principal aspecto dominante da saúde a total desorientação que se vive, a desmotivação generalizada, a mistificação que alguns Conselhos de Administração vão fazendo da sua actuação, a tentativa que outros de tudo fazerem para se manterem à frente dos Hospitais. Recentemente, o Presidente de um desses Conselhos, em entrevista certamente encomendada (a altura é propícia para isso, o fim dos mandatos está próximo), dizia: «é-nos dado o mandato de três anos, mas é certo que o instituto vai mudar de estatuto, de SA [Sociedade Anónima] para EPE [Entidade Pública Empresarial] e pode levar a renomeação dos conselhos de administração. Nesse caso, cabe ao ministro decidir. Da nossa parte, estamos dispostos a continuar o trabalho, porque temos uma postura de profissionais, devemos ser leais ao Ministério e cumprir os objectivos de quem manda. Por mim, não tenho objecções de fundo que me impeçam de fazer parte desta mudança». Quem assim fala, é um dirigente do PSD do Porto, um dos mais emblemáticos gestores hospitalares de LFP, «reconduzido» por CC e que deste modo pretende ver renovada a sua comissão de serviço por mais três anos. A entrevista dada nesta altura e nos termos que se podem ler no 1º de Janeiro de Sábado, dia 3, em de que o entrevistado é um colaborador assíduo (ali publica crónicas com regularidade), é uma clara tentativa de se impor ao Ministro. De mostrar serviço. Só não vê quem não quer ver.
Mais uma vez pergunta-se:
Tem razão Tonitosa, quando diz que em concreto, até agora, muito pouco foi feito por parte deste Ministério da Saúde. A não ser a publicação de alguns documentos tardios sobre o que espera vir a fazer em matéria de saúde pública, de cuidados de saúde primários, de cuidados continuados, e, agora, o projecto de D.L. sobre os HH EPE, além de uma ou outra medida avulsa, muito tonitruante, mas de pouco impacto real na melhoria da Saúde e na organização do sistema de saúde: a liberalização na venda de alguns medicamentos, a mudança (sem nexo) de alguns gestores, a revisão «em baixa» dos preços das áreas convencionadas, e conversa, muita conversa, conversa de mais.
E, pelo meio, muitos silêncios (alguns dos quais começam a produzir ruído a mais: sobre a carreira de Administração Hospitalar, p.ex), muitos erros (a não alteração do sistema de nomeação dos gestores hospitalares, a manutenção da maior parte dos gestores nomeados por LFP, a manutenção do processo das PPP, as declarações polémicas, as inúmeras guerrilhas injustificadas e sem nexo, a descredibilização, mais uma vez, da classe médica, os ataques cegos, aos utentes, aos prestadores convencionados, etc.)
Já decorreram nove meses, tempo mais que suficiente para já se terem visto no terreno os efeitos das políticas.
Sucede porém que CC não tinha uma missão, não tinha objectivos estratégicos bem definidos, não tinha uma estratégia, não soube definir os «inimigos» nem precisar, reunir e preparar os «amigos». Não tem sabido explicar-se. Parece um pistoleiro que não sabendo manejar uma arma atira para todos os lados, para cima, para baixo, para os lados, sem acertar no alvo. Correndo o risco de acertar mais em quem não deve e pouco ou nada em quem deve.
Daqui resulta, como principal aspecto dominante da saúde a total desorientação que se vive, a desmotivação generalizada, a mistificação que alguns Conselhos de Administração vão fazendo da sua actuação, a tentativa que outros de tudo fazerem para se manterem à frente dos Hospitais. Recentemente, o Presidente de um desses Conselhos, em entrevista certamente encomendada (a altura é propícia para isso, o fim dos mandatos está próximo), dizia: «é-nos dado o mandato de três anos, mas é certo que o instituto vai mudar de estatuto, de SA [Sociedade Anónima] para EPE [Entidade Pública Empresarial] e pode levar a renomeação dos conselhos de administração. Nesse caso, cabe ao ministro decidir. Da nossa parte, estamos dispostos a continuar o trabalho, porque temos uma postura de profissionais, devemos ser leais ao Ministério e cumprir os objectivos de quem manda. Por mim, não tenho objecções de fundo que me impeçam de fazer parte desta mudança». Quem assim fala, é um dirigente do PSD do Porto, um dos mais emblemáticos gestores hospitalares de LFP, «reconduzido» por CC e que deste modo pretende ver renovada a sua comissão de serviço por mais três anos. A entrevista dada nesta altura e nos termos que se podem ler no 1º de Janeiro de Sábado, dia 3, em de que o entrevistado é um colaborador assíduo (ali publica crónicas com regularidade), é uma clara tentativa de se impor ao Ministro. De mostrar serviço. Só não vê quem não quer ver.
Mais uma vez pergunta-se:
Será CC alguma vez capaz de nos surpreender?
De mostrar clarividência, de mostrar senso político, de mostrar as qualidades que lhe advieram da sua condição de Professor de Economia da Saúde, de se revelar um bom organizador, um bom gestor, um inovador, capaz de fazer história?
O que vier a passar-se com a nomeação dos CAs dos HH EPE é para mim o momento decisivo que se segue que irá dizer definitivamente se sim ou não.
Porque o modo como CC vier a lidar com esta questão politicamente relevante (mais relevante, sintomática, paradigmática da política de CC, como já foi dos outros, do que possa parecer), determinará todo o resto do seu mandato.
Se vier a gerir mal a questão, estou certo de que não irá ser Ministro da Saúde até ao fim da legislatura.
O que vier a passar-se com a nomeação dos CAs dos HH EPE é para mim o momento decisivo que se segue que irá dizer definitivamente se sim ou não.
Porque o modo como CC vier a lidar com esta questão politicamente relevante (mais relevante, sintomática, paradigmática da política de CC, como já foi dos outros, do que possa parecer), determinará todo o resto do seu mandato.
Se vier a gerir mal a questão, estou certo de que não irá ser Ministro da Saúde até ao fim da legislatura.
vivóporto
Etiquetas: Vivóporto
























5 Comments:
" O que vier a passar-se com a nomeação dos CA's dos HH EPE é para mim o momento decisivo que se segue que irá dizer definitivamente se sim ou não".
Assim escreve o Vivóporto relativamente à actuação de CC. Possivelmente com alguma ironia, porque pelos seus habituais comentários não acredito que faça desta matéria a "pedra de toque" da política de CC.
Os problemas da Saúde são muito mais profundos e complexos e a sua resolução não se resume à gestão hospitalar e muito menos à escolha dos CA's. E o Vivóporto até poderá ter alguma razão, mas a sua tese surge enfraquecida pelo facto de deixar transparecer a ideia (discriminatória) de que CC deve privilegiar os amigos ou os AH's. CC deve escolher os melhores e há pessoas muito competentes e para quem o "cumprimento do dever" está acima das opções políticas.
Sei que pode haver quem não tenha uma tal atitude mas não me parece poder generalizar-se a escolha pelo "cartão de militante". Infelizmente tem sido esse o critério predominante e continuará a sê-lo se não houver alguém capaz de romper com o "sistema".
Mas a nova lei de nomeação dos altos cargos da Administração Pública, se aplicada de forma cega, tenderá a reforçar a política da cunha partidária.
Pois eu estou, basicamente, de acordo com o que escreve o Vivóporto. CC é estruturalmente uma pessoa de acção. Só que essa acção esfumou-se nesta sua 2ª passagem pelo cargo de Ministro da Saúde. Principalmente quando se confrontou com a numenklatura do seu Partido de toda a vida. Ao que ouvi, terá havido alguns remoques por parte de alguns dirigentes socialistas que lhe levaram a mal a recondução de alguns CA's de alguns HH. E a nomeação de certos vogais para uma certa ARS. Parece que eram portadores de cartão com a coloração errada. Não obstante isso ser secundário para o CC dos tempos antigos. O que ele desejava (o ex-CC) era serem ou não tipos ( e tipas) competentes. O que encheu a(s) referida(s) estrutura(s) dirigente(s) do PS de raiva e inveja.
E desde então CC terá passado a fazer a vontade ao aparelho partidário. Terá passado a nomear de acordo com as indicações que lhe eram transmitidas, regressando ao tempo dos boy(i)s e girls. Sem qualquer sombra de projecto, como quem faz uma experiência e deseja fazer as pazes com os correligionários...
Eis que chega a oportunidade de ajustar as contas. A transformação em EPE vai dar a oportunidade de CC arrepiar caminho, confirmando ou infirmando esta versão que corre pelos mentideros. A confirmação significará que irá efectuar uma limpeza dos incompetentes que não fizeram mais que adiar o inadiável, procrastinando, e brincando com o dinheiro dos contribuintes. Infirmar significará que irá proceder à confirmação, sem mexidas de vulto, nas equipas que actualmente estão à frente dos principais HH portugueses.
Mais, os silêncios que CC vai cultivando são tradução de um ambiente geral de conflitualidade que irradia do próprio governo (veja-se Alberto Costa na Justiça, como caso paradigmático, ao conseguir a façanha única de unir contra si todos os operadores do sector).
De facto, a nomeação dos CA's das EPE's será um momento crítico para vermos se CC será um Ministro da Saúde para a legislatura ou, talvez melhor, para sabermos se ficará na História (com H maiúsculo) ou na pequena história dos cuidados de saúde em Portugal.
Viva
Via o país em que as pessoas são nomeadas por pertencerem ou não a partidos!
Viva aqueles que defendem o partidarismo acima dos conhecimentos, da experiência, das provas dadas.
Viva a mediocridade Portuguesa que assim pensa e que pretende que os governantes assim governem.
Caro Jyromino,
Quem partidariza não sou eu. No meu post defendo precisamente o inverso: a nomeação independentemente da pertença a um dos diversos partidos, ou a nomeação de quem é rigorosamente apartidário e, por tal facto, vota por em lhe parece servir melhor o povo, a democracia e o nosso Serviço Nacional de Saúde.
A afirmação que faz de que o que se pretende é a governação por amiguismo (como a nomeação de Fernando Gomes para a Galp), é o exemplo acabado do que eu não pretendo. Não reconheço ao Dr. Fernando Gomes um pingo de competência em matéria de energias (petrolíferas ou outras).
Quanto a conhecimentos e provas dadas, estou de acordo consigo. São o único critério que deveria guiar as nomeações.
Ora, meu caro Jyromino, consegue dar-me 5 exemplos concretos e indiscutíveis em que este governo tenha seguido este critério?
Ainda a tempo...,
Passei um pouco ao lado do comentário de Anadias segundo o que:
"Há um complôt de comentadores aqui na SaudeSA de esquerda e de direita onde podemos incluir o vivóporto (PS/BE ?)e o tonitosa (PSD/CDS ?)que elegeram o ministro da saúde como o bombo da festa".
A Anadias escreve, naturalmente o que lhe apetece e possa ser ditado pelos seu neurónios. Não tem o direito de fazer juízos de valor sobre os comentadores só porque discordam das suas ideias.
E repare, Anadias, que não fiz qualquer declaração de intenções sobre as suas opções pessoais. Que, de resto, não me interessam absolutamente para nada.
Se fosse uma pessoa atenta, já teria certamente constatado que as minha ideias não são de ataque a CC. Mas não deixo de ser crítico em relação ao que até agora foi feito por si como MS.
Disse.
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