quarta-feira, agosto 23

Tarefa gigantesca


CC quer que os médicos se portem bem em relação à prescrição de medicamentos e MDCTS. Que adiram, com motivação acrescida, ao processo de reforma em curso.

Por outro lado, propõe-lhes retirar horas extraordinárias, o regime de exclusividade, as elevadas remunerações à custa do trabalho extraordinário (horas de presença não activas), a estabilidade do emprego (ingresso na FP, lugares de quadro nos HHs e CS), exigir-lhes mais trabalho.

Tudo isto em troca de uma mão cheia de nada.

Não temos dúvidas que, no final deste processo, a motivação do pessoal médico terá sofrido um rude golpe.
ricardo

1 Comments:

Blogger Vivóporto said...

CARTA BREVE AO MINISTRO DA SAÚDE DO AMIGO ANTÓNIO

Excelência,
Desculpe tratá-lo deste modo tão reverencial, mas o tempo entre as nossas epístolas começou a ser tão longamente espaçado e os efeitos do poder costumam ser tão inevitáveis (o poder modifica as pessoas, ainda que se diga e pense o contrário) que temo que a nossa relação de amizade possa ter sido abalada. Espero que não. É neste pressuposto, por isso, que lhe escrevo, pensando, apesar de tudo, que a muita amizade que sempre tive e continuo a ter por si me dará a liberdade de lhe escrever para lhe a chamar a atenção para um aspecto recente da sua governação que me deixou muito preocupado e também muito perplexo. Preocupado, pois sinto que o meu caro amigo ainda não terá ido de férias e temo que esteja a precisar delas com urgência, absolutamente. Digo isto, porque tenho verificado que depois de muitas medidas acertadas e corajosas (já agora, deixe-me que lhe diga que aprecio enormemente a sua coragem política. Talvez seja esta, entre todas a sua principal qualidade, sobretudo num país de meias-tintas, de arranjinhos, de conveniências, e de mansidão, V. Exª tem sabido ser firme nas suas decisões, elas próprias de enorme coragem e de grande valia técnica e política), V. Exª começa a dar sinais de algum desnorte. Precisa de assentar. De retomar a sua recente clarividência. Digo isto a propósito de um recente despacho de contenção de despesas nos Hospitais do SNS que é um sinal evidente de algum esgotamento emocional governativo e o motivo da minha perplexidade e a razão principal desta minha carta.
De facto, este despacho, nas mãos de um Eça (Conde de Abranhos) ou de um Camilo (A Queda de um Anjo), bem lapidado evidenciaria um verdadeiro diamante do disparate, da política kisch, do focus-fatuum (o povo português é politicamente cego, eu sei, mas embora). Não o vou dissecar. Embora me apetecesse. Deixo isso para o Vasco Pulido Valente, agora distraído com a Guerra no Líbano, ou para o Sousa Tavares, mais distraído ainda com o início da temporada futebolística, o seu FCP e o seu Movimento Anti-anti tabágico. Espero, por si, que eles não dêem conta da matéria – prima que têm nas mãos.
Entretanto a si, Excelência, apenas lhe peço, pela grande amizade que lhe tenho, vá de férias. Não sem antes encaixilhar o despacho, pendurá-lo no Gabinete, bem à vista, para que, quando V. Exª regressar de férias não se esquecer do que não deve ser feito, que há aspectos que não devem merecer um minuto do seu precioso tempo e que outros bem mais importantes carecem da sua maior atenção, por exemplo, o estado da informática hospitalar da saúde, em particular da informática hospitalar, completamente à deriva com consequências que antevejo muito funestas a curto prazo.
Um abraço, de quem apenas espera, para bem de todos nós, que faça um bom lugar e que descanse muito. Suba ao Pico. Reflicta. (Re)leia o Assim falava Zaratustra e volte com genica.

P.S. Vejo que perdeu uns quilitos. Não lhe faz mal, nenhum. Mas cuidado, não exagere!

O Amigo de sempre,
António.

9:00 da manhã  

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