quarta-feira, Outubro 29

HPV


Arrancou em 27.10.08, a vacinação contra as infecções por Vírus do Papiloma Humano (HPV), destinada às jovens portugueses que completem 13 anos até ao final do corrente ano.
A integração desta vacina no Plano Nacional de Vacinação foi anunciada pelo primeiro ministro, José Sócrates, com pompa e circunstância (nov 07). Tendo o Governo disponibilizado para já 14 milhões de euros para aquisição da vacina Gardasil. A fornecer pela Sanofi Pasteur, seleccionada através de concurso público (55 euros a unidade) derrotando na negociação final a proposta da GSK (39,39 euros), devido à quadrivalência da vacina apresentada a concurso(protecção dos tipos 16, 18, 06 e 11 do HPV) .

No comunicado da DGS pode ler-se: link
«A vacina Gardasil é a única vacina contra infecções por Vírus do Papiloma Humano (HPV) licenciada nos EUA, tendo já sido comercializadas, em todo o Mundo, mais de 36 milhões de doses.
Assim, com base na evidência científica existente à data e disponibilizada por instituições de referência mundial (CDC e FDA), a DGS, em articulação com o INFARMED, considera que a vacina Gardasil® é segura e efectiva.
Por esta razão, a DGS mantém a recomendação de vacinar, no âmbito do Programa Nacional de Vacinação, as jovens de 13 anos de idade.»
Comunicado da DGS

Há, porém, quem não partilhe do optimismo da DGS no que concerne à evidência cientifica dos resultados da vacina link

(...) Despite great expectations and promising results of clinical trials, we still lack sufficient evidence of an effective vaccine against cervical cancer. Several strains of human papillomavirus (HPV) can cause cervical cancer, and two vaccines directed against the currently most important oncogenic strains (i.e., the HPV-16 and HPV-18 serotypes) have been developed. That is the good news. The bad news is that the overall effect of the vaccines on cervical cancer remains unknown. As Kim and Goldie1 point out in this issue of the Journal, the real impact of HPV vaccination on cervical cancer will not be observable for decades.(...)

In the meantime, there has been pressure on policymakers worldwide to introduce the HPV vaccine in national or statewide vaccination programs. How can policymakers make rational choices about the introduction of medical interventions that might do good in the future, but for which evidence is insufficient, especially since we will not know for many years whether the intervention will work or — in the worst case — do harm?
(...)

The model presented by Kim and Goldie is well done and ambitious, and it includes most of these factors. They conclude that under certain assumptions, vaccinating 12-year-old girls is associated with an incremental cost-effectiveness ratio of $43,600 per QALY gained, whereas adding a catch-up program for older girls and women is not cost-effective.
However, their base-case assumptions are quite optimistic. They presume lifelong protection of the vaccine (i.e., no need for a booster dose), that the vaccine has the same effect on preadolescent girls as on older women, that no replacement with other oncogenic strains of HPV takes place, that vaccinated women continue to attend screening programs, and that natural immunity against HPV is unaffected. Whether these assumptions are reasonable is exactly what needs to be tested in trials and follow-up studies. If the authors' baseline assumptions are not correct, vaccination becomes less favorable and even less effective than screening alone. For example, as shown in the article, if the protection of the vaccine wanes after 10 years, vaccination is much less cost-effective and screening is more effective than catch-up programs.
With so many essential questions still unanswered, there is good reason to be cautious about introducing large-scale vaccination programs. Instead, we should concentrate on finding more solid answers through research rather than base consequential and costly decisions on yet unproven assumptions. "Human Papillomavirus Vaccination — Reasons for Caution", Charlotte J. Haug, M.D., Ph.D. nejm 21.08.08
haquim avicena

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7 Comments:

Blogger tambemquero said...

O papilomavírus humano (HPV, nas siglas em inglês), identificado pelo prêmio Nobel de Medicina, o alemão Harald zur Hausen, pode causar cancro cervical, ou do colon do útero, que afectam 500.000mulheres por ano, 80% delas nos países em desenvolvimento.

A infecção genital por HPV é uma doença sexualmente transmissível e a sigla engloba um grupo de vírus que inclui mais de 100 variedades diferentes. Os vírus do tipo 16, 18, 31, 33, 35, 39, 45 e 51 são chamados "oncogênicos" porque podem dar lugar a casos de cancro; 80% dos cancros devem-se aos tipos 16, 18, 31 e 45.

Actualmente são comercializadas duas vacinas: a Gardasil protege contra as infecções causadas por quatro tipos de papilomavírus (6, 11, 16 e 18) e Cervarix contra os dois mais perigosos, o 16 e o 18.

No entanto, essas vacinas não protegem contra todos os tipos de papilomavírus que podem originar lesões cancerígenas ou contra infecções previamente existentes.

Uma série de controles e testes específicos regulares permitem detectar a presença de células anormais e lesões pré-cancerosas ou cancerígenas no colo de útero feminino, tanto entre as mulheres vacinadas ou não.

Várias questões pertinentes levanta a leitura deste texto:
a) Portugal faz parte do grupo de países subdesenvolvidos?
Certamente que não.
b) Foi feito algum estudo custo efectividade para opção da vacina Gardasil?
c) A inclusão desta vacinação no PNV constitui uma verdadeira prioridade?
Penso que não.

12:17 da tarde  
Blogger e-pá! said...

Sugeria ainda a leitura de um outro artigo sobre este assunto link

1:14 da tarde  
Blogger Clara said...

Plano Nacional não deve integrar novas vacinas em 2009 link


O Plano Nacional de Vacinação (PNV) não deverá incluir novas vacinas durante 2009, informou hoje a subdirectora geral de Saúde, no primeiro dia de vacinação contra o vírus papiloma humano, um dos responsáveis do cancro do colo do útero.
Graça Freitas acrescentou ainda que a vacina contra o rotavírus (que causa entre, outras doenças, a gastroenterite) não deverá ser incluída no PNV, por não haver peso significativo da doença em Portugal.
«Em princípio a vacina não terá critérios para a sua inclusão no PNV devido ao pequeno peso/carga que a doença tem», explicou a responsável, sublinhando não estar em causa a qualidade da vacina.
Em idêntica situação está a vacina da hepatite A, apenas vendida nas farmácias, face aos números baixos da doença em Portugal, acrescentou.
Para 2010 espera-se o licenciamento de uma vacina contra meningite pneumocócica conjugada heptavalente mais abrangente que a actual Prevenar, que o Ministério da Saúde decidiu excluir do PNV.
Tem chegado à Direcção Geral de Saúde informação prévia do trabalho que está a ser desenvolvido por duas empresas farmacêuticas, mas Graça Freitas afirmou que uma decisão só será tomada após o licenciamento daquela vacina

7:00 da tarde  
Blogger Clara said...

Caro é-pá,

As conclusões do artigo que linkou contrariam alguns dos seus comentários anteriores sobre esta matéria.
Não acha que a decisão do governo incluir esta vacina no PNV tem algo de precipitado?

7:05 da tarde  
Blogger Sofia Loureiro dos Santos said...

A prevalência dos vários tipos de VPH de alto risco associados ao desenvolvimento de cancro do colo do útero têm diferenças geográficas e étnicas. Em estudos de genotipagem já efectuados nalguns países, foi também demonstrada a existência de poli infecções, ou seja infecções por mais que 1 tipo de VPH de alto risco.
Em Portugal não sabemos quais os tipos mais prevalentes nem a percentagem de multi-infecções. As vacinas protegem dos VPH de alto risco 18 e 16. Não seria de investigar em primeiro lugar se são esses os tipos de VPH existentes na população portuguesa e desenvolver um rastreio eficaz?

9:55 da tarde  
Blogger e-pá! said...

Cara Clara:

O artigo que linkei é originário de uma publicação que "vigia" (watch) as publicações tradicionais e idóneas, como o NEMJ, citado no texto do post.
Mais do que o artigo em si queria chamar a atenção para o comentário da autoria da Prof. Ann J. Davis, do Serviço de Obstetricia e Ginecologia e Pediatria do MD, no Tufts Medical School, New England Medical Center em Boston, uma autoridade nesta matéria. Como deve supor os comentadores dos "Jornais Watches" são escolhidos a dedo, nomeadamente em relação à sua competência e quanto aos conflitos de interesses.

O que se pôs em causa foi a necessidade de uma vacina que fosse activa para os tipos 16 e 18 (Cervarix) ou outra de espectro mais alargado 6, 11,16 e 18 (Gardasil).
Este problema, ao que me parece também se levantou em Portugal.
É uma situação semlhante aos espectros dos antibióticos.
Só que aqui não se trata de resistências, mas a potencialização da capacidade de mutações, isto é, tornar virus actualmente (relativamente) inofensivos em potenciais oncogénicos...

Além de outros problemas como, p. exº, deverá ser administrada só a pré-adolescentes, que ainda não iniciaram a vida sexual, ou deve estender-se até às mulheres adultas (22 anos)?

De qualquer maneira, sempre defendi a inclusão deste tipo de vacina no calendário vacinal nacional. Só que não estou motivado para sair para a rua a gritar: VACINA JÁ!
O tempo trouxe-me algumas interrogações e não fujo a expô-las.
Assim:
Qual delas (Gardasil ou Cervarix)?
- não tenho a certeza (e não é só pela análise do binómio custo/eficácia);
Que população-alvo?
- acho a definição etária encontrada baseada, ainda, em dados muito fragéis.
Como, também, penso que não estão definidas, com um mínimo de evidência científica, a periodicidade de eventuais "rappelles" e, portanto, qual o periodo de imunização efectiva?

Falta a necessária e insubstituível décalage.

1:23 da manhã  
Blogger xavier said...

Contra o que é hábito estivémos 12 horas sem actualizar o saudesa. As nossas desculpas pelo atraso na moderação dos comentários.

9:48 da tarde  

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