terça-feira, novembro 30

OG, propõe debate

«Sem pretender entrar em linguagem de “cavadores e mineiros”, parafraseando o prof. Sousa Franco, é muito importante que haja um debate sério – politicamente sério e intelectualmente honesto -sobre a situação financeira do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Todo o ruído que se faz em redor do tema não permite que ingenuamente se ignore a discussão, mas exige que os termos da mesma sejam determinados pela objectividade, substância e impacto, em vez de palavras apocalípticas e sem conteúdo e de mentiras e semi-verdades muitas vezes repetidas até se tornarem lugares comuns de aceitação acrítica por muitos desprevenidos.
Vamos aos factos. O défice do SNS em 2009 foi inferior a 0,25% do PIB e em 2010 deve ficar nos 0,12% do PIB. A despesa do SNS está a crescer menos de 3% este ano e longe vão os tempos em que o orçamento rectificativo era o final de ano inevitável para a saúde. As despesas com pessoal estão sob controlo (aumentam menos de 2%) e as áreas de maior preocupação foram as que motivaram a aprovação de medidas rigorosas, cujo impacto já está a sentir-se. Senão vejamos, as despesas com medicamentos em meio hospitalar há 4 meses que ficam abaixo da meta orçamental (2,8%) e a comparticipação de medicamentos em ambulatório inverteu a tendência em Junho e apresentou taxa de crescimento negativa em Outubro.
Desafio quem quer que seja a contrariar estes números ou a apresentar outros que supostamente demonstrem que há uma degradação do desempenho económico-financeirodo SNS.

Quer isto dizer que não há problemas? Claro que não. A batalha contra o desperdício é um desafio permanente para o qual devem ser convocados todos os instrumentos e o desafio da sustentabilidade exigirá novas medidas. Também se reconhece que o elevado prazo médio de pagamentos das instituições do SNS é uma preocupação para a qual se devem convocar diversos instrumentos.
É sabido que a nova metodologia de relacionamento entre o SNS e a ADSE permitiu a simplificação de procedimentos mas, em termos financeiros, só começou a ter impacto em Maio, quanto ao pagamento dos actos prestados em 2010, e teve seguimento em Novembro com o acordo entre o Ministério da Saúde e o Ministério das Finanças relativamente à liquidação dos valores facturados até Dezembro de 2009.
Entretanto, os parceiros do sector conhecem como a instabilidade dos mercados financeiros bloqueou o recurso a eventuais soluções de financiamento das dívidas comerciais. Também sabemos que se tem vindo a trabalhar em outros instrumentos que, não pondo em causa o nível dos fundos públicos envolvidos, permitam apoiar os pagamentos do SNS.
Estas são as realidades e as preocupações financeiras em 2010. Os desafios da saúde em Portugal vão muito para além deste quadro. Em termos de definição e gestão do SNS que os portugueses querem e podem ter o debate está em curso mas nem sempre os interlocutores têm a mesma motivação e objectivos. Neste sentido, a catadupa de notícias recentes sobre o SNS é muito elucidativa.
Há sempre aqueles que pedem tudo para todos e que estão continuamente a propor reduções de taxas moderadoras, aumento das isenções e a gratuitidade em qualquer caso. São os mesmos que rejeitam a aplicação da condição de recursos às prestações, os que diabolizam em absoluto a negociação com privados para a contratualização eficiente de cuidados de saúde, os que questionam todas as medidas de contenção de despesa (como argumento fácil e vazio de que são economicistas) e estão na linha da frente de qualquer reivindicação salarial e de carreira. Em termos objectivos, reforçados pela evidência da presente conjuntura, estes são os que penalizam o SNS com irresponsabilidades e não vêem que, a prazo, são os coveiros do sistema.
Mas há os outros que pelas suas omissões também estão aquém do que seria importante para a sustentabilidade pois ficam acantonados num queixume de que se deveria ir mais além e de forma mais dolorosa. Não têm uma palavra para o facto de nos últimos anos se ter prosseguido a reforma dos cuidados de saúde primários e terem encerrado dezenas dos chamados SAP que estavam abertos como falsas urgências. Omitem que a reforma na actualização dos preços e na comparticipação dos medicamentos torna o sistema mais justo e menos propenso a abusos e que junto dos médicos e dos cidadãos se promove a adopção de medicamentos mais baratos. Fingem que ignoram a causa e não estão cientes do impacto da falta de médicos no sistema. Não relevam que tem havido renegociação em baixa para o preço das convenções de meios complementares de diagnóstico e terapêutica e que se está a evoluir para a criação de protocolos terapêuticos. São os que não reconhecem que os hospitais estão a implementar planos de contenção de despesas dentro do pressuposto de que o nível da qualidade e do acesso não podem diminuir e que não vêem que este momento está a ser aproveitado para a reorganização de serviços, susceptível de eliminar redundâncias.
O caminho está a ser feito.Com reformas claras a diversos níveis e com uma estratégia sobre o que é necessário para garantir a sustentabilidade do SNS. Não é este o tempo nem o modo para perspectivar as medidas para a sustentabilidade mas é muito importante que num futuro próximo as reformas passem também por um enquadramento orçamental plurianual do SNS e das suas diversas componentes. É também indispensável que se reforcemos sistemas de informação para que haja um reporte atempado e completo da situação em termos de produção, eficiência e execução financeira. Assumindo por inteiro que “o modelo de acesso universal e tendencialmente gratuito a todos os serviços de saúde é o que melhor garante o direito à saúde e a sustentabilidade do desenvolvimento económico e social do nosso País… e que o crescimento dos recursos colocados à disposição do SNS deve ser realizado mantendo o financiamento através do Orçamento do Estado” (programa do VIII Governo) há que definir a afectação desejável de recursos públicos e criar condições para maximizar a cobrança da prestação de cuidados a entidades terceiras. É também importante que se mantenha a pressão para a demonstração de custo-efectividade dos medicamentos e dos dispositivos médicos.
O SNS merece mais investimento, nomeadamente em termos de investigação e gestão. Este reconhecimento deveria implicar um amplo movimento para a sustentabilidade do SNS. Nem sempre é possível (ou desejável) chegar a consenso, mas é em tempos de adversidade que devemos dar o melhor de nós. Assim, também os governos e oposições devem dar o exemplo, assumindo um autêntico compromisso estratégico para o SNS, unindo-se naquele que é um valor para todos. O direito à Saúde.
Óscar Gaspar, DE 30.11.10

Óscar Gaspar, a abrir, a propor debate sério sobre a situação financeira do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Os factos:
« O défice do SNS em 2009 foi inferior a 0,25% do PIB e em 2010 deve ficar nos 0,12% do PIB. A despesa do SNS está a crescer menos de 3% este ano e longe vão os tempos em que o orçamento rectificativo era o final de ano inevitável para a saúde. As despesas com pessoal estão sob controlo (aumentam menos de 2%) e as áreas de maior preocupação foram as que motivaram a aprovação de medidas rigorosas, cujo impacto já está a sentir-se. Senão vejamos, as despesas com medicamentos em meio hospitalar há 4 meses que ficam abaixo da meta orçamental (2,8%) e a comparticipação de medicamentos em ambulatório inverteu a tendência em Junho e apresentou taxa de crescimento negativa em Outubro.»

Um défice inferior a 0,12% do PIB em 2010 ? O senhor secretário de estado não deve estar bom!
Ora vejamos:
Se é verdade que a despesa hospitalar com medicamentos cresceu 2,1% em Junho; 2,0% em Julho; 2,0% em Agosto; inverteu a tendência e voltou a subir, 2,6% em Setembro . E irá, certamente, crescer todos os meses até ao final do ano.
Considerando o período jan-jun a taxa homóloga foi de 5,4%; jan-jul: 4,9%; jan-ago: 4,2% e jan-set: 4,3% (muito acima, por conseguinte, da meta de 2,8%, estabelecida para este ano).
Quanto à despesa dos medicamentos do ambulatório registou-se efectivamente uma inversão em Junho (-4,7%), logo contrariada pelo crescimento registado nos meses seguintes: jul: 5,4%; ago: 10,7%; e set, imaginem só, 35,5% . (fonte:Infarmed
link)
Ainda relativamente aos medicamentos do ambulatório, a variação homóloga do período Jan-jun foi de 11,9%; jan-jul: 10,5%; jan-ago: 10,2% e jan-set: 12,4% (voltou a subir, portanto)

Tudo espremido, é este o contributo do OG para tão nobre discussão. O resto são desabafos e mais desabafos críticos, dirigidos, quiçá, aqueles que não concordam com os dados de informação que o senhor secretário de estado tem por hábito apresentar.

small is beautiful

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18 Comments:

Blogger e-pá! said...

Uma "repto" apropositado...

"Wikileaks ya tiene a su próxima víctima: un gran banco de EEUU.
El fundador de la organización advierte además que tienen documentación sobre grandes farmacéuticas y sobre BP..."
link.

Vítimas, Bancos, Farmacêuticas… um caldo explosivo!

11:36 da tarde  
Blogger Setubalense said...

Desistimos…

É por estas e por outras que não vamos a lado nenhum.
Esta obsessão com a fantasiosa distorção dos factos. Esta terrível tentação para nos enganarmos a nós próprios iludindo a realidade. É indo por este caminho que não nos restará outra coisa que levar primeiro com o FMI e depois com o PPC. Senhor SE não fale de pessimistas nem de catastrofistas nem de OE rectificativo. Se não fosse o alçapão dos EPE’s e as “costas” dos fornecedores o senhor teria de produzir o maior rectificativo da história de Portugal.
Desistimos…
Eles não conseguem, de facto, lidar com a realidade…

11:39 da tarde  
Blogger Joaopedro said...

Óscar Gaspar, campeão

E Criticámos nós o LFP...
Contabilidade criativa é com o pequeno Gaspar.

11:51 da tarde  
Blogger saudepe said...

A derrapagem é certa...

Bem desmontado.
Oscar Gaspar só apresenta o que lhe interessa.
Em relação às contas da Saúde, funciona a velha máxima do futebol: prognósticos só no fim.

11:58 da tarde  
Blogger Olinda said...

Catastrofistas

As clínicas privadas de hemodiálise e o Ministério da Saúde não chegaram a acordo para reduzir preços.

A ANADIAL, associação que representa as empresas de diálise, deu por terminadas as negociações com o Ministério da Saúde para descer a factura do Estado com o tratamento dos doentes renais. "Não há acordo", disse ao Diário Económico o presidente desta associação, Ricardo da Silva.

Em cima da mesa estava uma proposta do Ministério da Saúde para cortar 6% no valor que o Estado paga às clínicas privadas de hemodiálise. A contra-proposta da ANADIAL previa um corte de apenas 2% mas garantia um alargamento dos serviços prestados a cada doente (mais medicamentos e mais exames). Uma proposta que o ministério de Ana Jorge não aceitou.

Ricardo da Silva diz ainda que o Ministério da Saúde não incluiu na proposta final nenhuma cláusula que previsse o pagamento de dívidas. De acordo com a ANADIAL, o Estado deve cerca de 120 milhões de euros às clínicas de hemodiálise, um valor em dívida há seis meses. Por pagar estão ainda dívidas da ADSE relativas a 2008 e 2009, no valor de 20 milhões de euros.

O presidente da ANADIAL acredita que, mesmo sem acordo, o Ministério da Saúde vai decretar um corte de 6% nos preços, "quebrando assim um acordo assinado por cinco anos". Se assim for, a ANADIAL diz que não aceitará tratar novos doentes renais a partir de Janeiro do próximo ano. "Todos os anos entram cerca de 2.500 novos doentes no circuito, são cerca de 200 por mês. A partir de Janeiro vai ter que ser o Estado a tratar estes doentes", garante Ricardo da Silva.

Existem em Portugal cerca de 9.600 doentes que precisam de tratamentos de hemodiálise, sendo que o Estado só trata actualmente cerca de 10%. Os restantes recebem tratamento em unidades de diálise privadas, uma factura que custa ao Estado 275 milhões de euros por ano

12:11 da manhã  
Blogger tonitosa said...

Eu nem quero acreditar!
Será o mesmo João Pedro de outros tempos o autor do comentário acima?
Mais vale tarde que nunca.

12:47 da manhã  
Blogger Joaopedro said...

Pois é...
Isto está mesmo mau.

Um abraço.

11:47 da manhã  
Blogger Dom Lopo said...

Se o MS quer lutar contra o desperdício na Saúde deixo aqui uma pequena nota que mostra como os dinheiros do Ministério andam a ser gastos.
Realizaram-se, recentemente, na importante Misericórdia do Porto eleições para a Mesa administrativa.
No programa da lista vencedora. e no que respeita à Saúde, podia ler-se, o seguinte:
“A importância estratégica da prestação de cuidados de saúde, no conjunto das actividades da SCMP capazes de gerarem receitas que assegurem o financiamento de outras assumidamente deficitárias…”
Consultando os Relatórios e Contas da SCMP pode constatar-se que assim é. Na verdade são os resultados positivos do Hospital da Prelada que compensam o défice das outras valências da Instituição.
Sendo essas actividade inegavelmente meritórias deve, no entanto, questionar-se se compete ao MS, estar a pagar actividades de natureza social fora do âmbito da Saúde.
Os lucros do HP são avultados – mais de sete milhões de euros – não obstante os altíssimos honorários que profissionais Médicos e alguns Enfermeiros recebem, quando comparados com o sector público e até privado.
Se a Senhora Ministra da Saúde se desse ao trabalho de procurar saber de que montantes estamos a falar, aposto que ficaria ruborizada.
E tem todo o direito para o querer saber porque, afinal, paga a quase totalidade da receita do Hospital.
Tendo em atenção os encargos de pessoal, os lucros obtidos não se conseguem. pois. com uma boa gestão das outras áreas de actividade; são necessariamente o fruto dum contrato programa altamente favorável ao HP e que, ainda por cima não é objecto de acompanhamento próximo da respectiva execução.
Corrigir este desperdício de dinheiros é uma obrigação de MS.
E caso o Tribunal de Contas resolvesse levar a cabo uma auditoria ao HP, que pode e deveria fazer porque a quase totalidade da receita do hospital é paga pelo Estado, utilizando os mesmos critérios que tem usado nos hospitais EPE, há quem diga que as conclusões seriam surpreendentes.

11:53 da manhã  
Blogger Clara said...

Espécime de Barnabé

OG, traquejado na preparação das sessões de reporting do primeiro ministro desenvolveu esta arte feita de pequenas habilidades: colorir os números e apresentá-los da forma mais conveniente.

Não sei bem porquê este secretário faz-me lembrar o Barnabé

Vieram profetas
Vieram Doutores
santos milagreiros, poetas, cantores
cada qual com um discurso diferente
p´ra curar a vida da gente
e a gente parada
fez orelhas moucas
que com falas dessas
as esperanças são poucas
mas quando o Barnabé cá chegou
Toda a gente arribou
Toda a gente arribou

Que é que tem o Barnabé que é diferente dos outros?

Vieram peritos
em habilidades
dizer que a fortuna cresce nas cidades
e que só ganha quem concorrer
e quem vai ser, quem vai ser
que vai ganhar, vai vencer?
e a gente parada
fez orelhas moucas
que com falas dessas
as esperanças são poucas
mas quando o Barnabé cá chegou
Toda a gente ganhou
Toda a gente ganhou

Que é que tem o Barnabé que é diferente dos outros?

Vieram comerciantes
vender sabonetes
danças regionais, televisões, rabanetes
em suaves prestações mensais
e quem dá mais, quem dá mais?
e quem dá mais, quem dá mais?
e a gente parada
fez orelhas moucas
que com falas dessas
as esperanças são poucas
mas quando o Barnabé cá chegou
quem tinha ouvidos ouviu
quem tinha pernas dançou

Que é que tem o Barnabé que é diferente dos outros?

12:04 da tarde  
Blogger SNS -Trave Mestra said...

Que é que tem o Barnabé que é diferente dos outros?

Pegando na deixa...

É o elemento da equipa de MS em quem Sócrates tem confiança para fazer face à inépcia quase total da ministra da saúde.
Mais uma vez o primeiro ministro etá errado. Óscar Gaspar não é marinheiro para navegar neste mar encapelado numa altura em que a borrasca já vai alta.

12:16 da tarde  
Blogger ochoa said...

Caro dom Lopo

Não é de admirar...
Isto continua tudo na mesma: Futebol, fado e fátima.
Não temos de nos queixar.

E o outro artista que aí vem (?) também defende o regresso às Misericórdias.

12:25 da tarde  
Blogger tambemquero said...

Um estudo recente do próprio FMI, publicado já este ano, veio confirmar as consequências graves de uma consolidação orçamental tão grande (4,6% do PIB), feita num período tão curto (apenas 2 anos), e em condições tão desvantajosas para Portugal como é aquela que o governo, com apoio do PSD, pretende fazer. As consequências são tão nefastas para os portugueses e para o futuro do País, que alterar rapidamente essa politica é uma exigência sentida pela maioria dos portugueses, como mostrou a dimensão da adesão à greve geral.

Segundo esse estudo do FMI, “em dois anos, uma consolidação fiscal equivalente a 1% do PIB tende a reduzir o PIB em aproximadamente 0,5%, aumenta o desemprego em cerca de 0,3%, e reduz a procura interna (consumo e investimento) em aproximadamente 1%”.

E esta redução de apenas 0,5% no PIB por cada diminuição do défice orçamental em 1% do PIB só se verifica em condições vantajosas, ou seja, quando o país pode alterar a taxa de câmbio, desvalorizando a moeda para assim aumentar as exportações (o que Portugal não pode fazer, pois tal poder já passou para o BCE); quando o país faz a consolidação orçamental numa altura diferente daquela em que os seus principais parceiros também a realizam (e Portugal está a fazer a consolidação orçamental numa altura em que os seus principais parceiros comerciais para onde
exporta mais, como é o caso de Espanha, França, Alemanha e Itália, estão também a fazer); e quando um país pode baixar as taxas de juro para estimular a actividade económica (e Portugal também não pode fazer, já que as taxas de juro internas são condicionadas pela taxa de juro fixada pelo BCE, a que se junta crescentes dificuldades na concessão de crédito às empresas e às famílias). Quando essas condições não se verificam, as consequências para o país que faz a consolidação orçamental são ainda mais nefastas de acordo com o estudo do próprio FMI.
Segundo o mesmo estudo do FMI, se o país não puder desvalorizar a moeda para aumentar as exportações, “o custo da consolidação fiscal sobre o produto será aproximadamente o dobro, com uma quebra no PIB de 1% no lugar de 0,5%”. E ““quando o resto do mundo faz uma consolidação fiscal ao mesmo tempo, o custo para o Canadá (que foi o país cuja consolidação orçamental foi estudada pelo FMI) em termos do PIB duplica e alcança 2%” . E o governo de Sócrates, com o apoio do PSD, pretende fazer uma consolidação orçamental não apenas de 1%, mas sim de 4,7% do PIB em apenas dois anos, a que seguirá ainda uma outra de 1,8% do PIB logo no ano seguinte. A recessão económica será inevitável (entre -2% e -3% já em 2011), e sem crescimento económico os “mercados” continuarão com a chantagem sobre Portugal. Só o governo e os defensores da sua politica é que não conseguem prever isso.

Eugénio Rosa

12:42 da tarde  
Blogger DrFeelGood said...

Catastrofistas?!...
Devolvo-vos o cumprimento: Incompetentes!

12:55 da tarde  
Blogger tambemquero said...

Cortes impossíveis na saúde

Portugal está a atravessar grandes dificuldades financeiras e, por isso, os esforços de poupança têm de ser generalizados.
Ninguém pode ficar de fora. Tolerância zero às excepções. Por isso, as palavras do presidente do Hospital de Santa Maria, no Diário Económico de hoje, são preocupantes: curto e grosso diz que é quase impossível cortar 15% nos custos, como é pedido pelo Ministério das Finanças. Não se deve crucificar o presidente do maior hospital do país, João Correia da Cunha não vira a cara à luta e reconhece a necessidade de fazer mais com os mesmos recursos mas há reduções que vão para lá do razoável.
Este caso reflecte a falha do Governo no processo de consolidação orçamental - não fez o trabalho de casa. Reagiu tarde e sob pressão à necessidade de reduzir o défice orçamental, que disparou em 2009 para 9,3%, assim apenas conseguiu apresentar medidas transversais e cegas, que não levam em atenção as diversas situações. A consequência é a abertura de excepções sucessivas que minam a eficiência da regra. Quando é preciso reduzir o défice num valor desta dimensão é preciso estudar os diversos sectores da Administração Pública onde se pode cortar e depois avançar com planos específicos e adequado às diferentes necessidades. Mais do que regras genéricas, o importante é o resultado final. Isto não aconteceu. Desta forma, as poupanças previstas para a Saúde em 2011 são muito difíceis de conseguir.
A execução do Orçamento do Estado começa já em dificuldades.

Editorial, DE 29.11.10

Tudo é feito em cima do joelho.
E quemvai pagar toda esta incompetência são os utentes do SNS.

1:14 da tarde  
Blogger tambemquero said...

Já sabe se é mesmo 15% que vai ter de cortar?

Não sei. Neste momento, ninguém sabe.
É muito difícil assumir um corte de 15%. Ganhos de eficiência nos serviços externos podem-se sempre obter mas são pontuais. A EDP pode fazer uma atenção de 5% ou 10%na factura da electricidade, mas já fizemos isso anteriormente e há um limite. Quais são as luzes que eu apago no hospital para reduzir custos? Não tenhamos ilusões: não posso manter a operatividade de uma estrutura tão complexa como este hospital com cortes de 15%.

João Correia da unha, presidente do CA do CHLN, DE 29.11.10

Comentário: catastrofistas! Malandros dos Administradores Hospitalares.

1:27 da tarde  
Blogger tambemquero said...

Nos últimos cinco anos o CHLN apresentou contas equilibradas. Mas este ano foi-lhe retirado 11 milhões de euros ao orçamento. Isto não é contraditório? Os bons resultados não deviam ser incentivados e não penalizados?

Foi mais que 11 milhões. E acresce a esse número o novo modelo de contratualização da ADSE que nos tirou mais uma fatia representativa, porque a ADSE representa cerca de 12% da nossa produção.
Este ano, fomos claramente financiados abaixo do ano passado de uma maneira que para nós não nos parece muito adequada, muito justa.

João Correia da unha, presidente do CA do CHLN, DE 29.11.10

Aqui está mais uma habilidade de que a equipa do MS se poderá orgulhar.
Depois a culpa é dos Administradores Hospitalares, esses malandros.

1:38 da tarde  
Blogger Tavisto said...

Salários públicos vão ser os mais penalizados da UE.

Trabalhadores portugueses vão sofrer a maior quebra de poder de compra da Europa
A crise global combinada com a política de austeridade total prometida pelo Governo vai atirar Portugal para uma recessão em 2011 (uma queda de 1% do produto) e empurrar o desemprego para níveis históricos. Os ordenados do privado vão estagnar, perdendo poder de compra, e o corte na massa salarial no sector público será superior a 11%, o mais violento de sempre e o maior dos 27 países da União Europeia (UE).
Estas são algumas das más notícias ontem ventiladas pela Comissão Europeia, no relatório das previsões de Outono.
Os técnicos do executivo europeu provam o que a maioria dos economistas já avisa há muito tempo: estão reunidas as condições para que Portugal acumule, até 2012 inclusive, meia década perdida no crescimento, no emprego e no bem-estar da população.
Os portugueses vão empobrecer (cada português tornar-se-á no oitavo mais pobre dos 27 em 2012, já ajustado pelas paridades de poder de compra de cada país), enfrentarão quatro anos consecutivos de destruição de emprego e verão assistir a uma subida da taxa de desemprego para 11,1% em 2011 e 11,2% em 2012.
A subida da carga fiscal prevista no relatório afectará a esmagadora maioria dos portugueses, mas tende a pesar mais no bolso das pessoas mais pobres. O aperto ficará completo com a forte redução dos apoios sociais e o congelamento das pensões, por exemplo. Não se sabe ainda o que acontecerá com a actualização prevista do salário mínimo.
É nos salários que o impacto é maior, sobretudo ao nível da função pública: o ordenado médio real dos trabalhadores portugueses (já descontado da inflação) deverá cair 3,5% em 2011, o pior valor de toda a UE. É preciso recuar até aos anos do segundo plano de ajustamento do Fundo Monetário Internacional (FMI), a 1983 e 1984, para encontrar uma degradação superior (-5,7% e -9,2%, respectivamente).
A seguir a Portugal surge a Grécia, com uma perda de poder de compra salarial na ordem dos 2,3% no ano que vem.
A média nacional é fortemente enviesada pelos sacrifícios pedidos a muitos funcionários públicos, actualmente cerca de 663 mil pessoas. Bruxelas aponta para uma quebra nunca vista nas verbas para salários públicos superior a 11% em termos nominais, a maior de toda a UE. Em 2012, a razia continua com um corte de outros 2%. O Governo defende um corte médio da massa salarial na ordem dos 5%. A medida reflecte um controlo extremo na admissão de funcionários.
Apesar do empobrecimento em larga escala, Bruxelas alerta que Portugal falhará o ambicioso plano de redução do défice público prometido. Considera que o país precisa de mais medidas de austeridade para evitar a derrapagem: o Governo defende que o défice vai melhorar dos 7,3% do PIB este ano, para 4,6% no próximo e 3% em 2012; Bruxelas arrasa esta previsão, dizendo que a economia vai fraquejar e a factura com juros explodir. Para Bruxelas, o desequilíbrio das contas públicas vai, afinal, chegar a 4,9% e subir até 5,1% em 2012. Os mercados não gostaram e a taxa de juro da dívida pública atingiu um novo recorde, 7,4%.


DN por LUÍS REIS RIBEIRO

5:32 da tarde  
Blogger e-pá! said...

Sanear ou sacanear?

Este quadro catastrófico poderá, ainda, ser empolado por uma anunciada "crise política"...

Preocupante é que em tempos de austeridade e de rigor se continue a efectuar, despudoradamente, malabarismos contabilísticos.

Na verdade, o corte cego [dramático!] de 15% na dotação orçamental da Saúde [tinha a noção de 12,7%] só pode ser atribuído aqueles que propangandearam - durante anos a fio - uma percentagem de desperdício, no SNS, da ordem dos 25%.
Se calhar - e com este Governo tudo é possível - ainda terão de ouvir o ministro Teixeira dos Santos insinuar que existe uma "folga" orçamental de 10% [25%-15%=10%].
Dez por cento que estarão reservados para o corte do próximo ano [OE 2012].
E assim se vai saneando financeiramente o SNS...

Sanear ou sacanear?

6:15 da tarde  

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