segunda-feira, janeiro 2

SNS, triste dia, triste sina

Correio da Manhã (CM)As novas taxas moderadoras entraram ontem em vigor. O Fisco vai investigar as contas bancárias para calcular quem fica isento?

Paulo Macedo – Com base no número de beneficiário e a declaração de rendimentos de cada cidadão, o Fisco dirá apenas sim ou não quanto ao direito do utente à isenção. O Ministério da Saúde não pede nem terá acesso aos dados fiscais do utente. Apenas receberá um sim ou não sobre o direito do cidadão à isenção do pagamento de taxa moderadora.

CM Considera os valores justos?

PM
– Posso garantir que tentámos encontrar a solução mais justa possível. Mas quem governa tem de olhar para o interesse colectivo, mesmo que para isso tenha que tomar opções menos bem recebidas. Tudo o que é essencial continuará a ser fornecido.

CM Qual a medida que foi mais difícil de tomar até agora?

PM
– As medidas penalizadoras dos cidadãos e de outros intervenientes no sistema de Saúde. A alternativa era deixar os hospitais seguirem o caminho da falência técnica e continuar com um défice do Serviço Nacional de Saúde não sustentável e não financiável, ou seja, seria o seu fim. Mas a medida mais difícil foi a de aumentar as taxas.
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CM 02.01.12 link
No dia em que entrou em vigor o aumento brutal das taxas moderadoras, que deixa à porta da rede pública de cuidados milhares de utentes do SNS sem poder para pagar semelhante despautério, Paulo Macedo confessa ao CM ter sido a última decisão mais sofrida da sua vida. Conversa molenga que não seduz nem engana.
Mete dó ver, assim, um ministro actuar como elefante numa loja de porcelana fina.

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6 Comments:

Blogger e-pá! said...

Uma entrevista "arrepiante"...

A falta de sensibilidade, a par de uma intolerável estultícia, revelada nesta entrevista, é gritante.

Na verdade, PM mostra-se "preocupado" com medidas que representam 2% do orçamento da saúde (taxas de co-pagamento) mas é insensível aos brutais cortes orçamentais da ordem dos 800 M€...
Isto é, a redução substancial do financiamento público da saúde, será - na cabeça dos actuais responsáveis da João Crisóstomo - irrelevante, uma coisa de somenos importância.
Perante tal míngua o MS discorre sobre desperdícios e cortes de "gorduras".
Quem deverá ter a iniciativa de "alertar" os cidadãos para as enviesadas prioridades, para as obscuras escolhas, para inflexões estratégicas ao arrepio das normas constitucionais?
Quem quererá aparecer na praça pública e "justificar" o descalabro com a sombra da eminente ruptura financeira?

Neste momento o MS terá de ter a coragem de falar claro aos portugueses.
Dizer o que pretende - no meio deste despautério - preservar: a equidade / a igualdade / a universalidade. Ou nenhum destes 3 paradigmas.
Ficarmos pelas "meias tintas" é que não!

11:26 da tarde  
Blogger Clara said...

Já aqui foi referido que Paulo Macedo era uma desilusão.
Desilusão?
Paulo Macedo não tem desiludido quem o nomeou, a linha dura dos liberais de pacotilha deste governo.
O ministro da saúde na sua intervenção política não se limita ao desempenho do papel de amanuense da Troika. Ou não seja Paulo Macedo o grande responsável pela execução desta politica de cortes profundos da Saúde, muito além do previsto no memorando da Troika.
O que é surpreendente é o discurso de virgem arrependida que tenta fazer passar nesta entrevista ao CM.
Uma actuação lamentável a merecer todo empenho e força da oposição. Até à derrota final.

12:10 da manhã  
Blogger DrFeelGood said...

Mike Farrar, head of the NHS Confederation, which represents health service managers, last week said that at least one in four patients in hospital beds could be better looked after in the community, or at home, rather than in the "outdated hospital model of care … Hospitals play a vital role, but we do rely on them for some services that could be provided elsewhere. We should be concentrating on ... shifting resources into community services."

Brunt couldn't agree more. "Twenty seven per cent of the patients sitting in my acute hospitals don't need to be there," she points out. "Acute hospital care is extraordinarily expensive, and despite what patients think, acute hospitals are fantastic if you really need hi-tech acute specialist care but they are not that great if you're getting better, or you're waiting well." link

guardian 04.01.12

12:47 da manhã  
Blogger tambemquero said...

A propósito de uma visita dos deputados socialistas eleitos pelo círculo de Braga a unidades de cuidados continuados em Guimarães e Esposende, Nuno Sá deu conta de “queixas” dos profissionais destas unidades nomeadamente da “falta de interlocutor” no ministério.

“Têm chegado até nós queixas dos profissionais que actuam na rede de cuidados continuados que dizem não terem respostas do ministério quanto às dúvidas que têm levantado”, afirmou.

Nuno Sá acusou o ministro da Saúde, Paulo Macedo, de “causar ansiedade e angústia” às instituições pertencentes a esta rede “com o atraso nunca antes visto na transferência de verbas” do ministério.

“Estes atrasos deixam as instituições numa situação de dúvida, mais ainda quando não têm respostas por parte do Governo”, explanou.

Entre as “duvidas sem respostas” dos profissionais de saúde do sector, adiantou o deputado, estão questões como “saber se a rede vai continuar a existir” e “se o desenvolvimento da rede vai continuar nos termos programados ou não”.

Segundo Nuno Sá, a rede de cuidados continuados é “uma bandeira e um marco da governação socialista que já deu provas de ser benéfica quer na redução de custos que na optimização dos cuidados prestados”.

O deputado apontou o “custo mais reduzido” que representa um utente inserido nesta rede em comparação com a ocupação de uma cama de hospital.

“O custo de um utente está contratualizado entre as instituições e o Governo em 65 euros. Cerca de 5 ou 6 vezes menos do que este utente custaria na rede normal de hospitais”, explicou.

O deputado afirmou também que Paulo Macedo tem seguido uma “política de desresponsabilização” com as declarações que tem proferido sobre o futuro da rede de cuidados continuados.

“O ministro vai dizendo que se tem que avaliar, que a rede tem que dizer porque é que é uma mais-valia, quando devia ser o primeiro a ter respostas e não devia ter dúvidas”, disse.

Nuno Sá assegurou ainda que “os deputados socialistas não vão deixar cair a questão da evolução da rede de cuidados continuados” até porque, disse, “é uma medida positiva reconhecida até pela troika”. link

11:45 da tarde  
Blogger tambemquero said...

Os doentes [para pedir a isenção das taxas moderadoras] vão ter que ir ao médico ou ao delegado de saúde para pedir uma junta médica e solicitar vários relatórios. Imagine-se a burocratização que isto vai implicar

Francisco Sales, presidente da Liga Portuguesa contra a Epilepsia
Público, 28/12/11

12:02 da manhã  
Blogger Lifepassenger said...

O lucro tornam o SNS apelativo . Quem ganha são os privados , quem perde os Utentes


http://cogitare.forumenfermagem.org/

10:27 da tarde  

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