quinta-feira, novembro 10

Avaliação dos HH do SNS (II)


O estudo em causa, "Avaliação da eficiência e da qualidade em Hospitais EPE e SPA ", deve ser visto grande cuidado. A forma como os diversos indicadores são agregados tem óbvias implicações para os resultados.

Além disso, nada nos diz sobre se de facto SA/EPE ou SPA são melhores - pois não é estabelecido claramente o ponto de partida. Se os hospitais SPA que surgem com melhor indicador neste estudo também tivessem melhor indicador há dois anos atrás, mas apresentem uma menor evolução, em termo de melhoria, que os SA, então a conclusão inversa seria tirada.

Não estou a afirmar que seja este o caso, apenas que o estudo deve ser analisado com cuidado.

Mesmo para a utilização de indicadores desta natureza, há metodologias que levam a uma melhor construção do índice. Veja-se o excelente exemplo do estudo de Jorge Simões, Retrato Político da Saúde, que constroi um índice de ponderação com cuidado. Aliás, esse trabalho nem é referenciado no estudo, ou por ignorância da sua existência ou por outra razão qualquer.

Antes de embarcar em conclusões que sejam simpáticas para as percepções que uns tenham, há que ter a honestidade de perceber as limitações do estudo.

Fora esses aspectos, o estudo fornece um conjunto de informação bastante útil, que poderá servir de base para análises mais trabalhadas.
lisboaearredores
(link)Avaliação da eficiência e da qualidade em Hospitais EPE e SPA

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6 Comments:

Blogger tonitosa said...

Estamos numa fase rica da nossa reflexão sobre os problemas do país e neste particulatr sobre os problemas da Saúde. Assim, todos os estudos são bem vindos pois contribuem inquestionavelmente para enriquecer o debate em torno das reformas em curso.
Haverá certamente quem tenha forma diversa de abordar as questões e é dessa diversidade que se poderão retirar as principais linhas orientadoras para o novo modelo de gestão da Saúde.
Esperemos nomeadamente pelo relatório da Comissão presidida pelo Prof. Miguel Gouveia e também não se podem ignorar os dados disponibilizaods pela U. Missão dos HH SA's (ou então teremos que questionar a sua validade e a competência dos diversos fiscais únicos que acompanham a respectiva actividade).

11:26 da tarde  
Blogger xavier said...

O comentário do lisboaearredores é pertinente.
Mas a correlação que à primeira vista se estabelece é entre este indicador agregado (produção qualidade) e os indicadores utilizados no Ranking SA.
Neste a qualidade é aferida com base nos questionários que os doentes preenchem à saída do hospital. Todos sabemos como são enviesados estas avaliações.
A avaliação da qualidade proposta por este estudo baseia-se em indicadores mais fiáveis como a taxa de infecção hospitalar, n.º de reinternamentos.
Os indicadores utilizados e a sua forma de agregação parece-me correcta.
Para tirar conclusões sobre a performance dos hospitais, concordo, é necessária a sua utilização temporal para se estabelecerem comparações significativas.
As propostas de avaliação contidas neste estudo representam um significativo avanço, no meu entender, em relação à metodologia utilizada pela Unidade de Missão.

9:14 da manhã  
Blogger xavier said...

Tenho uma gravação electrónica do estudo da professora Giraldes "Avaliação da eficiência e da qualidade em Hospitais EPE e SPA."
Não consigo pô-la on line por falta de link.
Não percebo como é que a DGS não disponibiliza o acesso a este trabalho no seu site.
Continuamos a trabalhar mal.

Tal como o MB do DE refere, CC vai dispor a curto prazo de dois estudos sobre os SA.
Um oficial, encomendado pelo próprio ministro, outro da DGS que parece ter surgido um pouco contra a maré .

Vamos ver qual terá mais influência na política de CC.

9:29 da manhã  
Blogger xavier said...

Peço desculpa pelo meu engano.
O estudo "Avaliação da eficiência e da qualidade em Hospitais EPE e SPA."está acessível no Site da DGS.

9:40 da manhã  
Blogger xavier said...

link do estudo "Avaliação da eficiência e da qualidade em Hospitais EPE e SPA.":
http://www.dgsaude.pt/upload/membro.id/ficheiros/i007327.pdf

9:51 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Comentando os comentários com o que está no estudo.

Concordo que a informação base apresentada é útil. Mas, a meu ver, mal utilizada. E pelo menos o exemplo está matematicamente errado, o que destrói a meu ver toda a credibilidade do indice calculado.

Como pode ser que eu esteja a ver mal, cá vai a sustentação da minha opinião (para ser corrigida por quem tiver uma interpretação diferente), depois de 10 min a olhar para os números:

p. 5 a 7 do relatório - exemplo do Hospital de Anadia

indicadores de gestão - são 13 - e têm uns factores de ponderação - a soma dos factores de ponderação não dá 1. Ou falta qualquer coisa, ou estão mal calibrados. Este factor não teria importância, seria apenas uma questão de escala, não fosse este indicador ser depois usado para fazer média com o de qualidade. Logo, está-se a dar menor peso a este elemento do que realmente se diz.

no primeiro indicador de gestão - o valor usado para somar de forma a dar o indice de gestão é obtido por uma regra de três simples entre a despesa de internamento corrigida com o ICM - indice de case mix e o valor médio. A ponderação não entra aqui. Ou seja, o valor somado no indice tem ponderação 1 e não a que é dita que tem.

no segundo indicador, já é o valor ponderado que é comparado com o valor médio (que pela escala parece não estar ponderado), criando algo estranho.

Mas depois é tudo somado. Uns com os outros.

Para os números em falta para certos hospitais, o valor introduzido foi o da média do grupo. O que obviamente pode alterar a posição do hospital no ranking de eficiência que se tenta traçar. Basta pensar que se um hospital for o mais eficiente que todos os outros, mas lhe faltar a informação sobre imagiologia, ao colocar o valor médio do grupo, como os indicadores são todos somados, pode facilmente deixar de ser o mais eficiente. Não sei se sucede ou não, é apenas uma possibilidade que deveria ter sido acautelada. Basta ver que na despesa com hospital de dia por sessão , grupo I, são mais os valores em falta que os existentes - e variam entre 20 e 3035 (p. 29) - ou seja, a informação está pouco trabalhada, no mínimo duvido que os conceitos subjacentes estejam uniformizados para se poderem comparar os hospitais. Algo de similar ocorre para despesas com medicamentos por sessão. E por aí fora.

Por fim, todos os indicadores de gestão estão associados a despesas, e as ponderações determinadas pelo peso dessas despesas. É muito pouco.

Conceptualmente, não é feita qualquer referência a porque é este o indicador de eficiência correcto, ou indicador de qualidade correcto, e como é que se podem somar os dois indices...

Enfim, redefinindo a minha posição face a este estudo:
- informação de base útil, e ainda bem que é disponibilizada
- competência técnica do estudo muito fraca e para mim sem credibilidade neste momento (a julgar pela exemplo, contém erros)

Sei que esta é uma posição dura, mas devemos ser tecnicamente exigentes e não seguir apenas as "gordas" dos jornais, que certamente não se debruçaram sobre a qualidade técnica do estudo.

A Direcção-Geral de Saúde deveria retirar o estudo de circulação, corrigir, e sustentar as opções metodológicas, e só depois dar-lhe valor.

Mas pode ser que seja eu a estar enganado, e nesse caso algum dos outros comentadores do blog se encarregará de mostrar onde errei...

11:14 da manhã  

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