Discussão da Carreira (II)
A uma primeira leitura rápida, apraz-me desde já dizer o seguinte:
1º- Antes de mais felicitar o Xavier e o Saudesa, por colocar o documento à discussão pública. É importante que os AH debatam o documento da APAH, como é importante ouvir a opinião da «sociedade civil» (dos nossos amigos, em primeiro lugar: Tonitosa, Lisboaearredores e outros comentadores não-AH deste blogg) sobre o que pensam. Já conhecemos as ideias de muitos, é importante conhecer as ideias de todos, nem que seja para repetir o que aqui tem sido dito, sistematizadas à volta deste documento.
2º- Felicitar o Manuel Delgado e a APAH por este passo, que me parece decisivo para o futuro imediato da carreira e, talvez mais do importante do que a carreira, da profissão de AH. Muitos de nós gostariam que este passo já tivesse sido dado. Pensando bem, contudo, talvez agora tenha sido o momento certo:
2.1. Muitos AH regressaram aos CAs dos HH; outros retomaram, com dignidade funções de que se encontravam arredados; noutros casos, pela negativa, também podem colher ensinamentos sobre o comportamento de alguns AH. Tudo somado, pode dizer-se que hoje podemos debater algumas questões com melhor conhecimento de causa do que há algum tempo atrás.
2.3. Hoje tem-se melhor ideia do que pretende fazer CC com a Saúde, podendo perspectivar-se mais claramente qual o papel a reservar para os AH;
2.4. A afirmação do Saudesa como uma voz reconhecida e de prestígio nos meios da Saúde, permite-nos alargar o debate a gente séria, competente e com vontade de contribuir para a reflexão da saúde e, por inerência, também sobre o papel dos AH;
2.5. A posição política do Governo e de CC pode hoje também ser mais transparente.
A oportunidade para o debate parece-me, assim hoje melhor do que ontem.
Para melhor disciplina da discussão e sem prejuízo da liberdade de opinião de cada um seria útil utilizar como guião o conjunto de questões que são formuladas no documento pela APAH.
A seu tempo procurarei também alinhavar algumas ideias.
Finalizo, acrescentando que, a conjugação objectiva de esforços que neste momento aqui se verifica entre o Saudesa e a APAH pode vir a contribuir em muito para que se possa vir a fazer a revisão que a carreira merece e o país e os hospitais precisam.
1º- Antes de mais felicitar o Xavier e o Saudesa, por colocar o documento à discussão pública. É importante que os AH debatam o documento da APAH, como é importante ouvir a opinião da «sociedade civil» (dos nossos amigos, em primeiro lugar: Tonitosa, Lisboaearredores e outros comentadores não-AH deste blogg) sobre o que pensam. Já conhecemos as ideias de muitos, é importante conhecer as ideias de todos, nem que seja para repetir o que aqui tem sido dito, sistematizadas à volta deste documento.
2º- Felicitar o Manuel Delgado e a APAH por este passo, que me parece decisivo para o futuro imediato da carreira e, talvez mais do importante do que a carreira, da profissão de AH. Muitos de nós gostariam que este passo já tivesse sido dado. Pensando bem, contudo, talvez agora tenha sido o momento certo:
2.1. Muitos AH regressaram aos CAs dos HH; outros retomaram, com dignidade funções de que se encontravam arredados; noutros casos, pela negativa, também podem colher ensinamentos sobre o comportamento de alguns AH. Tudo somado, pode dizer-se que hoje podemos debater algumas questões com melhor conhecimento de causa do que há algum tempo atrás.
2.3. Hoje tem-se melhor ideia do que pretende fazer CC com a Saúde, podendo perspectivar-se mais claramente qual o papel a reservar para os AH;
2.4. A afirmação do Saudesa como uma voz reconhecida e de prestígio nos meios da Saúde, permite-nos alargar o debate a gente séria, competente e com vontade de contribuir para a reflexão da saúde e, por inerência, também sobre o papel dos AH;
2.5. A posição política do Governo e de CC pode hoje também ser mais transparente.
A oportunidade para o debate parece-me, assim hoje melhor do que ontem.
Para melhor disciplina da discussão e sem prejuízo da liberdade de opinião de cada um seria útil utilizar como guião o conjunto de questões que são formuladas no documento pela APAH.
A seu tempo procurarei também alinhavar algumas ideias.
Finalizo, acrescentando que, a conjugação objectiva de esforços que neste momento aqui se verifica entre o Saudesa e a APAH pode vir a contribuir em muito para que se possa vir a fazer a revisão que a carreira merece e o país e os hospitais precisam.
Vivóporto
Etiquetas: Vivóporto

























10 Comments:
Na próxima 5ª estoira o encerramento de SAPs com pouco movimento. Estoira ou talvez não. O povo é sereno!
Se não faz é teórico.
Se faz é porque faz.
A única razão do Zé povinho é que está a ser vítima dos maus exemplos e erros do passado.
Vamos ler com atenção os documentos da APAH para tentar dar uma achega à discussão.
Era bom que a SaudeSA fosse fazendo um relato das conclusões das diversas reuniões.
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Mais uma vez parabéns ao vivóporto pela dinamização das matérias que dizem respeito aos AH.
Faço votos para que os AH compareçam em massa nas três reuniões.
O comunicado da APAH é claro ao estender a participação a sócios e não sócios (e , certamente, sócios com quotas em atraso)
A iniciativa é de louvar.
Vamos ver se o MD faz o trabalho bem feito.
Já sabemos que as carreiras acabaram. Falta saber o que vamos fazer com o cadáver.
O documento da APAH quando refere que os AH voltaram a ter condições de trabalho nos seus HH, ´não desconhecerá, certamente, o elevado número de AH pertencentes ao quadro único que permanecem pendurados, exercendo funções de oficiais administrativos.
Bem como do grande número de elementos habilitados com o curso de AH que exercem outras funções por não terem conseguido obter colocação.
Como justificar que vários HH do SNS (S. João, por exemplo) estejam a admitir recém licenciados para lugares de gestão intermédia preterindo a contratação de elementos com o curso de AH.
É muito importante que compareçam nas reuniões programadas pela APAH o maior número possível de diplomados em AH para que a abordagem de todas as situações seja efectuada.
Temos no entanto de ser realistas. CC está a criar condições para a liquidação de um serviço público de saúde: concessão da gestão dos HH a privados (HH PPP), concessão de todos os serviços não pertencentes ao "core business" como agora soy dizer-se.
Quando os HH do SNS tiveram concessionado a privados os MCDTS, os serviços hoteleiros aprovisionamento, financeiros, gestão de pessoal, gestão de doentes que espaço restará para os gestores públicos (AH) ?
Neste quadro qualquer que seja o resultado destas reuniões da APAH, os AH deverão estar preparados para o pior.
CC ao liquidar o SNS liquida simultâneamente os gestores públicos=Administradores Hospitalares.
A questão coloca-se hoje em dia, quando o modelo de funcionalismo público está em casua, em saber se existe lugar a uma carreira de administração hospitalar.
Fala-se hoje em competências e talvez seja esse o modelo a seguir.
Nam inha humilde opinião de AH, a obtenção de uma habilitação / competência em gestão de cuidados de saúde, devidamente regulamentada pelos ministérios da Saúde e da Educação, poderá ser a forma de evitar os "paraquedistas" e de dignificar e profissionalizar de uma vez por todas, a administração hospitalar.
Exigindo-se para o exercício de funções de gestão intermédia e de topo nos HH, uma habilitação de nível pós-graduado em gestão de serviços de saúde, teremos pelo menos a garantia das nomeações para os CA e para os cargos de gestão intermédia, incidirem em pessoal habilitado com uma formação adequada.
Desta forma, os AH terão certamente capacidade para concorrer num mercado onde são, de longe os mais bem preparados.
Agradeço ao MD a gentileza de organizar uma reunião que, para variar, se realizará ao fundo da rua onde trabalho.
Por compromissos anteriores não poderei estar presente na bendita reunião e gostaria de deixar algumas considerações sobre a respectiva agenda.
1. saúdo a decisão de auscultação abrangente dos profissionais AH sobre o futuro da nossa profissão, dentro da problemática da renovação do mercado;
2. de facto o mercado da saúde é, hoje em dia, incomparavelmente mais dinâmico que em 1980, sendo a competição um desejo (real?) na área da prestação dos cuidados e um facto incontornável (e saudável, em minha opinião) na área da respectiva gestão;
3. a carreira actual é fortemente burocratizada, o que conduziu à sua não aplicação prática ao longo de sucessivos anos, passando por diversos governos de cores distintas;
4. temos de, forçosamente, adaptar-nos a uma nova realidade social, política e económica, o que implicará: o abandono da exclusividade do acesso à carreira através da ENSP, o abandono da ideia de que apenas os AH podem aceder a cargos de gestão intermédia e superior nos Hospitais, o abandono da ideia de que "somos os melhores" apenas porque "somos AH";
5. quanto à carreira reitero o que já afirmei (escrevi) em comentário ao post do Vivóporto sobre a matéria (Proposta de Revisão da Carreira, de 20/02).
Por último gostaria de deixar um nota minúscula: quantas vezes é que a APAH ausculta os colegas e depois faz o que resulta das reuniões de "auscultação"?
É que tenho na memória uma Assembleia Geral para discussão da nossa proposta de ACT a apresentar a LFP e à UMHSA e MD, tendo saído vencido, simplesmente esteve-se...
Em primeiro lugar, agradecer ao Vivoporto a resposta ao desafio do que constitui um bom AH. Não tinha ainda usufruido de tempo para voltar à escrita.
Como comentário prévio à discussão proposta neste post, a definição de um bom AH é algo que pessoalmente subscreveria para muitas outras "profissões". O aspecto sobretudo distintivo será o "conhecimento aprofundado do Sistema de Saúde, do que é um Hospital (da sua organização, das suas regras e do seu modo de funcionamento)".
Assim, e entrando como sugere o Vivóporto, nos pontos criticos para discussão do texto da APAH:
a. não vejo qualquer motivo para que a ENSP detenha a exclusividade de acesso à profissão. Independentemente da opinião que se possa ter da formação que actualmente é dada na ENSP, o certo é que as competências pessoais e conhecimento técnico que um AH deve possuir podem ser obtidas noutros locais. A especificidade de conhecimento do sector da saúde e do hospital pode ser também ministrada em formação por outras entidades. O custo da exclusividade da ENSP é remeter a definição da formação para um conjunto restrito de decisores, abdicando da capacidade de inovação e da diversificação que outras entidades fossem eventualmente capazes de intervir. Sugestão: acabar de vez com esta ligação exclusiva.
b. a qualificação para AH deveria ser obtida pela demonstração das competências criticas para o efeito, e não pela mera frequência de um programa.
c. eliminação da ideia de quadro único e de todas as outras burocracias inerentes. Os AH devem afirmar-se pela qualidade da sua formação específica, e devem poder ser escolhidos livremente para cada hospital. Apesar de tudo será inevitável que cada AH ter maior ou menor gosto por certa área de actuação, que tenha maior ou menor capacidade de trabalho nesta ou naquela área. Deve-se procurar fazer o encontro entre os pontos fortes de cada AH e as necessidades do hospital. O quadro único é forma praticamente segura de garantir que isso não acontece (aliás, sinónimo disso é a quantidade de AHs que tendo depois lugar num hospital há anos que lá não vão, ou vão? e estou enganado? aceito correcções).
c. avaliação periódica da manutenção de competências, por exemplo de 7 em 7 anos.
d. por instinto, acordos colectivos de trabalho são a melhor de impedir o premiar de quem trabalha melhor. Num contexto onde o empenho pessoal é determinante, como é o caso da AH, é realmente isso que se pretende? Compreendo a preocupação com situações de precariedade de emprego, mas a que custo?
Julgo que deve ser de rejeitar tudo o que possa constituir mecanismo de protecção de quem já se encontra instalado quanto a avaliação do que faz (e não faz) e quanto a melhor desempenho de quem venha depois (se tenha formado posteriormente).
e. APAH face à negociação colectiva? APAH como entidade sindical ou para-sindical? Creio que aqui a APAH terá que definir se quer ser um parceiro social do sector num sentido mais abrangente ou uma entidade sindical. Espero que opte por ser parceiro.
Um abraço ao Vivóporto por ir mantendo viva a chama da discussão... Boa discussão no seio dos AH.
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