segunda-feira, setembro 20

Cair no ridículo ...

Ana Jorge garante que despesa com medicamentos está controlada (14 Setembro 2010)

…”A ministra da Saúde anunciou, esta terça-feira, que os dados de Julho mostram que a taxa de crescimento da despesa do Estado com medicamentos está a descer, ao contrário do que aconteceu no primeiro semestre do ano. «O acumulado até ao fim de Junho, nos primeiros seis meses, que nós apresentamos era 11,9 por cento. O acumulado, incluindo o mês de Julho, passou a 9,5 por cento. O chamado novo pacote do medicamento só teve de facto efeito a partir de Julho e por isso o efeito está aqui», adiantou, de acordo com a Renascença”…

Conferência de Imprensa da Apifarma (16 Setembro 2010)

A Apifarma alerta para a possibilidade do desaparecimento de alguns fármacos e para a ruptura nos stocks de outros.
…”Quando estamos a comprimir artificialmente o nível de preços, arriscamos em produtos mais antigos e de baixo valor a vê-los desaparecer do mercado a pouco e pouco. Relativamente a outro tipo de produtos, quando tornamos os preços muito mais baixos do que nos países de referência, assistimos a uma drenagem sistemática dos medicamentos das farmácias portuguesas para o exterior, com faltas para os doentes portugueses”, afirma o presidente da associação.
João Almeida Lopes sustenta, por outro lado, que as medidas agora anunciadas também penalizam, e muito, cerca de 5 milhões de utentes que usam fármacos cuja comparticipação do Estado vai descer de 69% para 37%.
A gigantesca dívida dos hospitais aos laboratórios, de 950 milhões de euros, veio de novo à baila, mas parece que não será usada para pressionar o Governo.
“Acho que é uma questão que não se põe. Acho que a única coisa para que as dívidas servem é para serem pagas pelos devedores e o importante seria que o Governo solvesse os seus compromissos, tanto quanto possível, a tempo e horas”, refere João Almeida Lopes”…

Comunicado da ANF (20 Setembro 2010)
…”Política do medicamento à deriva. É preciso parar para pensar, sob pena de se poder afundar o sector da saúde numa crise irreversível, sem precedentes e, porventura, sem solução. Aparentemente, a política do medicamento está à deriva. O Governo tem de identificar com rigor as razões dos problemas, sem o conhecimento das quais não é possível encontrar as soluções adequadas. Em 2009, apesar do mercado em ambulatório ter decrescido, a despesa do SNS cresceu 8,4%, e em 2010, de Janeiro a Julho, cresceu 9,1%”…


O mais impressionante, no meio disto tudo, nem é sequer a falta de honestidade política mas sim a total dissociação com a realidade…

Aguiar

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4 Comments:

Blogger DrFeelGood said...

A descida anunciada de 6% no preço dos medicamentos, já em Outubro, é acompanhada de uma descida na comparticipação do Estado. Alguns medicamentos, como é o caso dos antiácidos ou dos anti-inflamatórios, vêem a comparticipação reduzida em 32 pontos percentuais (de 69% para 37%). Conclusão: a descida do preço não compensa a quebra na comparticipação e o doente vai ter de pagar mais pelos medicamentos. Na maior parte dos casos, a factura poderá mesmo duplicar (ver exemplos ao lado).
Segundo contas da indústria farmacêutica, a que o Diário Económico teve acesso, de nove mil embalagens que hoje são comparticipadas mais de seis mil vão ficar mais caras.
Também a comparticipação de remédios a 100% aos pensionistas mais pobres desce para 90% nos remédios do escalão A (que inclui medicamentos para as doenças crónicas, como a hipertensão ou insuficiência cardíaca) e para 95% nos medicamentos dos restantes escalões.
Com estas medidas, o Governo estima poupar 250 milhões de euros por ano. Mas a ministra da Saúde já admitiu que “estão em análise mais medidas para contribuir para uma gestão eficiente e para contribuir para a poupança do Estado”. Mas Ana Jorge garantiu, porém, que estas novas medidas não vão pedir “mais esforços ao cidadão”.
A Associação de Farmácias de Portugal acusa o Governo de querer poupar “à custa dos utentes” e estima que a descida dos 6% permita uma poupança de 90 milhões, ou seja, “é ao bolso das pessoas cujos interesses pretende acautelar (os mais pobres, os idosos e a todos os utentes) que o Governo tenciona ir buscar o valor remanescente”, diz a AFP.
Já a Associação Nacional de Farmácias (ANF) acusa o Executivo de não cumprir uma metodologia de preços que o próprio Governo aprovou, uma situação que é “inadmissível e imoral”.

DE 21.09.10

11:10 da tarde  
Blogger DrFeelGood said...

Xalatan

É o mais vendido para tratamento do glaucoma: PVP actual 18,77€. Os doentes no regime geral (RG) pagam hoje 0,94€ e no regime especial não pagam. Com a redução de 6%o preço será de 17,64€. O doente RG passa a pagar 1,76€ (+87% do que pagava) e no RE passa a pagar 0,88€.

Nimed

Anti-inflamatório não esteróide: PVP actual 9,26€. O doente RG paga hoje 3,79€ e no RE para 2,6€. O preço será 8,73€. O doente RG pagará 6,48€, um aumento de 70% e no RE pagará 5,57€.

DE 21.09.10

11:28 da tarde  
Blogger Magistral Estratega said...

E pensar na excessiva medicalização da saúde?

Para quando uma auditoria à aplicação de guidelines?

Risco de hipertensão: prescreve-se uma tiazida sem primeiro aconselhar a adopção de práticas saudáveis...

Realmente prevenir não é apanágio do Homem

4:15 da manhã  
Blogger e-pá! said...

Ao Deus dará ou "faremos o que for necessário?…"


“A despesa pública sem juros do subsector Estado está a crescer 4,1%, um valor que é mais do que o dobro do orçamentado. Défice também "engorda" 5% …”
Jornal de Negócios online 21.09.2010 link

“O secretário de Estado do Orçamento, Emanuel dos Santos, afirmou hoje que a meta do défice de 7,3 % para este ano "está ao alcance" do Governo, mas sublinhou que é preciso manter "uma grande determinação e esforço"
”É essa determinação que nós mantemos e, naturalmente, faremos o que for necessário para que, no final de 2010, esse objectivo seja cumprido"

Jornal de Negócios online 21.09.2010 link

Ora aí está uma das justificações [as outras residem na esfera da tutela …] para a súbita alteração do pacote dos medicamentos [nomeadamente a sobrecarga de comparticipação para os utentes com a mudança de escalão de muitos fármacos].
Só que, para um Governo que tem enfatizado a tónica das políticas sociais, este expediente – para além de poder arrastar consequências imprevisíveis – é demasiado “cego”.

Pior, será lermos nos alvitres do Sr. Secretário de Estado - faremos o que for necessário para que, no final de 2010, esse objectivo [deficit de 7.3%] seja cumprido - como a ameaça velada de um PEC III, ainda em 2010.

Na verdade, a imagem que estamos a projectar para os portugueses [e para o Mundo] é a total decomposição [desmembramento] do Governo em segmentos incomunicáveis. A área económico-financeira não é capaz de concertar medidas com a social e o decisivo núcleo político [governamental], parece já nada coordenar, nem comandar.

Como reza a letra da canção Partido Alto de Chico Buarque de Holanda:

“Diz que deu, diz que Deus, diz que Deus dará,
Não vou duvidar, ô nega e se Deus não dá, como é que vai ficar, ô nega?
Diz que deu, diz que dá, e se Deus negar, ô nega
Eu vou me indignar e chega, Deus dará, Deus dará…”


A indignação, de facto, vai galgando terreno, aproximando-se de níveis intoleráveis… Estamos ao Deus dará...

9:17 da manhã  

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