terça-feira, junho 21

Ana Jorge na hora da despedida

"Fica muita coisa feita e muita coisa por fazer. Quando terminamos um passo há um sempre outro para dar e isso significa continuidade. A Saúde nunca está terminada." link
JP 21.06.11
Será que AJ, cumprindo a tradição de quem sai e julga deixar obra, também tenciona publicar em livro as peripécias mais relevantes da sua governação, nomeadamente a sua preciosa intervenção na crise da pandemia da gripe A.

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segunda-feira, abril 25

A Divina Comédia

ALTOS : Ana Jorge, ministra da Saúde
«Apoiou as iniciativas da Inspecção da Saúde junto dos hospitais que pediram apoio à população (evitando que a demagogia campeasse), não se intimidou com as reacções corporativas à "importação" de médicos da Amarica do Sul e vai alargar a fiscalização das facturas dos medicamentos aos exames, à hemodiálise e ao transporte de doentes. Profilática e eficaz.» "Altos e Baixos” João Garcia, Semanário Expresso, 22.04.11

Infelizmente o espectáculo está quase a terminar. Ficam, no entanto, algumas notas trágico-cómicas deste (triste) consulado. Primeiro a utilidade das assessorias dispendiosas cujo valor se viu ressarcido pela capacidade de acomodar umas setas para cima nas publicações do grupo Impresa.

Depois o engenho da narrativa gizada:- “Apoiou as iniciativas da Inspecção da Saúde junto dos hospitais que pediram apoio à população (evitando que a demagogia campeasse)”.
A expressão do cinismo sonso pós-moderno. O que aconteceu foi que a senhora ministra“encomendou” as inspecções para sacudir a água do capote denegrindo a imagem da instituição e dos seus dirigentes escamoteando a grave responsabilidade no sufoco orçamental a que está a submeter a MAC e a generalidade dos hospitais do SNS.
Inventou a parábola das fraldas voadoras violentamente ironizada por Marcelo Rebelo de Sousa que, a esse propósito, disse e bem que quem precisava de voar não seriam exactamente as fraldas.

No jogo das setas aparece outra pérola:
- “não se intimidou com as reacções corporativas à "importação" de médicos da Amarica do Sul”.
É claro que nada como esta acção de propaganda para esconder a responsabilidade na maior vaga de reformas de que há memória nos CSP, no maior número de portugueses sem médico de família, no caos absoluto instalado nos ACE’s. Imbuída do vício da propaganda mentirosa acena com a importação de meia dúzia de médicos sem formação repescados nas sobras dos sistemas de saúde de alguns países da América latina. Tudo isto vendido como luta corajosa contra as corporações vindo de quem alienou a independência política do MS aos sindicatos assinando de soslaio e à socapa acordos a três dias das eleições em 2009 e ACT’s já em 2011 depois do governo demitido.

Finalmente o retoque final:
-“vai alargar a fiscalização das facturas dos medicamentos aos exames, à hemodiálise e ao transporte de doentes”.
Depois de ter sido responsável pelo maior buraco na despesa com medicamentos com a gratuitidade de medicamentos pré-eleitoral que gerou a maior fraude de que há memória no SNS aparece agora armada em justiceira da negligência e da incompetência.
Apesar do tempo político escassear e considerando que está garantido o poiso parlamentar para garantir a reforma ficam aqui algumas sugestões para setinhas a “encomendar” nas próximas edições de um semanário amigo:
- Maior dívida a fornecedores do SNS de que há memória.
- Maior número de saídas de médicos do SNS de que há memória.
- Maior número de portugueses sem médico de família de que há memória.

Setubalense

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sábado, abril 23

Bater no fundo

…”Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos pelo mesmo motivo”…
Eça de Queiróz

O comportamento (deplorável) da administração da MAC é o mais pungente sintoma do desespero que atravessa a generalidade das instituições do SNS. Em circunstâncias normais este órgão de gestão já não estaria em funções. Das duas uma ou teria um pingo de dignidade pessoal e institucional e já tinha apresentado a demissão ou a tutela já teria prescindido, com justa causa, dos seus préstimos.
link

No entanto a espuma mediática esconde a verdadeira razão de ser dos factos.
A MAC, tal como a generalidade dos hospitais que integram o SNS, está a ser vítima de um processo irresponsável de cortes orçamentais impostos pela tutela que conduzem a um grave problema de sub-financiamento. Tal quer dizer pura e simplesmente que o dinheiro que recebe não cobre as necessidades mínimas para um funcionamento normal que possa garantir as suas responsabilidades em termos de acesso e de qualidade.

Repare-se que a MAC ainda integra o sector público administrativo não tendo por isso natureza empresarial o que agrava a sua dependência da tutela hierárquica. No entanto (como já vem sendo hábito) a tutela lava daí as suas mãos, branqueia a sua responsabilidade directa no sufoco que impõe às instituições e de caminho faz passar a ideia de que é um problema da gestão enviando diligentemente as inspecções a inspeccionar para que o incauto cidadão fique com a ideia de que os “criminosos” gestores incumprem a bondosa doutrina ministerial.

Este tipo de comportamento qualifica bem quem o pratica.
Pelo meio vamos ouvindo repetir até à exaustão a “lenga-lenga” da boa gestão dos recursos sem comprometer a qualidade vindo de quem de gestão tem tanta experiência como o Dr. Fernando Nobre terá da ética republicana.

Nem uma palavra sobre o descalabro operacional e financeiro do SNS e da sua vertiginosa dívida. De concreto apenas uma ou outra interjeição delirante sobre fraldas voadoras ou pseudo-ofensas relativas a intenções de encerramento de urgências. Como se a actual tutela fosse capaz de fechar fosse o que fosse ou tocar em custos com pessoal.

Medidas enérgicas e reformistas apenas e só jarros de água, desligamento de impressoras, impressão dos dois lados e, mais recentemente, fiscalização fraldária.
link

Setubalense

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quarta-feira, abril 13

Novo Diário da Crise

Hoje o saudesa faz sete anos. Sem arrependimento.
Arrependimento é com o Otelo: Se soubesse como o país ia ficar, não fazia a Revolução. link No dia em que a “troika” iniciou os trabalhos com o Governo português para decidir o montante e as condições do plano de ajuda a Portugal no quadro do FEEF: Rasmus Rüffer preside à delegação do BCE; Poul Thomsen, lidera a equipa do FMI e Jürgen Kröger, a equipa da Comissão Europeia. link E, Portugal país de corruptos: 794 denúncias na linha de Denúncias Anónimas da Procuradoria-Geral da República. link Em que o líder dos liberais de Pacotilha anda à caça de “esqueletos do armário”. link Mourinho passou às meias finais. link
E, a boa senhora ressurgiu nos media a sossegar os portugueses sobre a distribuição de medicamentos nos hospitais.
link Dar-se-á o caso de José Sócrates ter decidido criar um novo Diário da ...crise (FMI) ?

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terça-feira, abril 5

Fim de festa

- 23 de Setembro de 2009 - Assinado um Acordo Colectivo de Trabalho (ACT) destinado a ser aplicado nas entidades públicas empresariais inseridas no Serviço Nacional de Saúde.
- 27 de Setembro de 2009 - Eleições Legislativas
- 23 de Março de 2011 - Demissão do governo
- 25 de Março de 2011 - Despacho de nomeação do novo coordenador de saúde mental
- 29 de Março de 2011 - Assinado acordo com Misericórdias no valor de 22 milhões de euros
- 01 de Abril de 2011 - A Fundação Champalimaud já chegou a um acordo com o Ministério da Saúde (MS) que tem «uma expressão mais ampla do que apenas o tratamento de doentes», anunciou hoje a presidente, Leonor Beleza.
- 05 de Abril de 2011 - - Os Sindicatos Médicos chegaram a Acordo com o Governo sobre matérias pendentes da contratação colectiva.
E tantas outras “espertezas”. Sentido de Estado? Ética republicana? Responsabilidade política? Quem disse que a sonsaria não era eficaz?
Depois de terem escaqueirado o sistema de saúde fica a “verdadeira obra”. Favores, cedências, negociatas e serviço sindical. Neste caso de pouco lhes servirá com FMI e PPC qual ACT qual carapuça.
Vale a pena esperar para ver onde irão parar os protagonistas após a hecatombe de 5 de Junho.

Ozília

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sábado, abril 2

Ana Jorge foi às compras

Ana Jorge contratualizou consultas e cirurgias a doze hospitais pertencentes à União das Misericórdias Portuguesas (28.03.11) pelas quais vai pagar cerca de 22 milhões de euros. link
José Manuel Silva
, em nosso entender, acertadamente, manifestou «perplexidade» em relação a estes acordos, «quando o País atravessa grandes dificuldades económicas e quando há capacidade instalada no sector público que não está a ser devidamente aproveitada e rentabilizada», com «blocos cirúrgicos fechados à tarde, porque o Estado não investe o necessário».
Não satisfeita com esta medida insensata e despesista, Ana Jorge apressou-se a assinar novo protocolo com o Centro Champalimaud para tratamento de doentes do SNS com cancro, já a partir de Junho.
link Para Leonor Beleza trata-se de um "acordo-chapéu", que irá traduzir-se depois em "acordos com hospitais e administrações regionais de saúde".

Já todos entendemos do que se trata.

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sábado, fevereiro 26

Governo recua

E Ana Jorge faz (uma vez mais) figura de boba

«Numa reunião informal com o Senhor Primeiro-Ministro, os Sindicatos Médicos foram informados que o Governo retirou de negociação a Proposta de Lei sobre fidelização dos médicos internos ao SNS.
O Senhor Primeiro-Ministro afirmou não ser intenção do Governo "criar um problema onde não há problema", referindo-se explicitamente à elevadíssima taxa de permanência, mais de 90%, de novos especialistas no SNS após o Internato Médico.
A Senhora Ministra da Saúde foi mandatada para elaborar uma nota à Comunicação Social sobre a matéria.»
link

Em declarações aos jornalistas, Ana Jorge recusou a ideia de isto se tratar de um recuo.
«No fundo, o nosso objectivo era que tivéssemos médicos para trabalhar no Serviço Nacional de Saúde e aquilo que sabemos é que os médicos continuam a querer trabalhar no Serviço Nacional de Saúde», garantiu.
Assim, e segundo a ministra da Saúde, não fazia sentido, «neste momento em que os médicos querem e estão disponíveis para trabalhar no SNS, estar a criar um dispositivo que não ia ser mais-valia nenhuma».
«Aquilo que nós pretendemos é ter médicos motivados, formados que são hoje quase em exclusivo nas instituições do SNS, garantindo-lhes que contribuem para melhores serviços e para fortalecer as instituições do SNS», defendeu.
Sobre a polémica gerada em torno deste processo, Ana Jorge explicou que aquilo que foi feito foi «uma aprovação inicial, muito na generalidade, para poder ser uma base de negociação e de conversa com os parceiros. E, quer da parte do Governo quer da parte dos parceiros, analisando os prós e os contras, foi decidido, em conjunto, que não faria sentido continuarmos a desenvolver algo que não era uma mais valia para o sistema», declarou.
Querem melhor prova que a ministra da saúde é um "verbo de encher" !
Clara Gomes

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quarta-feira, fevereiro 16

Isto é que vai uma crise!

... Permitam-me que explique. link

Após analisar o gigantesco número de buracos com que o consulado de Ana Jorge tem minado o SNS, cheguei à conclusão de que em muitos deles, a incompetência, mesmo se elevada à oitava potência, não bastava como explicativa. Tinha que haver outra razão... Outra causa para a alucinação que é possível encontrar, frequentemente, no motor da perfuradora.

Foi aí que me lembrei da velha D. Maria... Ana Jorge sofre do mesmo mal de que sofria a gentil velhinha da minha infância. Chegado a esta conclusão, tornou-se-me fácil perceber a génese da maioria dos imbróglios em que a governante se tem metido.

Por exemplo, no caso da prescrição electrónica, a começar a 1 de Março... Há-de ter sido, com certeza, algum dos assessores que integram a sua populosa corte, que lhe terá dito - no gozo, claro está - que 99% das unidades de saúde portuguesas estavam informatizadas, dispunham de internet com banda larga e estavam ligadas em rede... à ACSS.

E no caso da prescrição por DCI... Enfim... Na certa convenceram-na de que com a medida se iam poupar milhões em comparticipações, já que era certo e seguro que ao negócio da farmácia só interessava que o utente saísse do estabelecimento com o remédio mais baratucho.

E ela acreditou...

O mesmo terá acontecido na bronca do transporte de doentes para tratamento... Foram-lhe dizer, na brincadeira, que os latifundiários de Montemor-o-Novo se aproveitavam das ambulâncias pagas pelo erário público, para pouparem no chauffeur e no gasóil. ...

MMM , JMF 30.01.11

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segunda-feira, fevereiro 14

Charada ministerial

Ana Jorge faz história: drfeelgood

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quarta-feira, fevereiro 2

This is the end

A ‘revolta’ silenciosa dos médicos
Portugal tem falta de médicos e o número de clínicos que estão a reformar-se não para de aumentar. Em todo o ano de 2010 aposentaram-se 741 médicos. Só nos dois primeiros meses deste ano já perto de 200 destes profissionais de saúde pediram para deixar a vida activa. Estes valores atípicos mostram que o número de médicos reformados vai triplicar em Janeiro e Fevereiro, com a agravante de a situação poder tornar-se ainda pior nos próximos meses. A debandada está a preocupar as autoridades, os gestores hospitalares e até os sindicatos que avisam que, se em Março, as listas de aposentações se mantiverem acima dos 100, resultarão daí danos graves para o Serviço Nacional de Saúde. A falta de especialistas seniores para formar médicos mais jovens é uma das piores ameaças, mas também os cuidados de saúde primários estão em risco com a reforma massiva dos médicos. Esta ‘revolta’ silenciosa dos clínicos prende-se com os cortes nas remunerações e o congelamento da progressão nas carreiras. Para o País, a factura poderá ser ainda maior se, como já está a acontecer, para colmatar as necessidades dos hospitais públicos e dos centros de saúde, se tiver de recorrer a contratações através de empresas privadas ou “importar” médicos estrangeiros. Um sistema de saúde é essencial para um país e só funcionará com os médicos e não contra eles.
DE, editorial, 02.02.11

Temos desancado na ministra da saúde, repetidamente, neste blogue. Merecidamente. Ana Jorge sempre nos mereceu desconfiança com o seu jeito beato a bater no peito pelo SNS. O resultado está à vista com a derrapagem das contas e debandada dos médicos cansados de tanta inépcia e fingimento. É o fracasso estrondoso, em toda a linha, da politica de saúde posta em prática pela senhora ministra. Que conduzirá, inapelavelmente, à destruição do SNS.
Clara Gomes

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quarta-feira, janeiro 26

Derrapagens

Já todos sabemos como as redacções dos jornais adoram títulos bombásticos. O DE decidiu, hoje, presentear-nos com mais esta pérola de colecção: “Contas da Saúde derrapam 412 milhões de euros em 2010”.
DE de 26.01.11.
Mais adiante, no corpo da notícia, o especialista de serviço explica: «Em vez do superavit de 198,9 milhões de euros que ficou prometido no Orçamento do Estado para 2010, Ana Jorge apresentou um défice de 212,6 milhões de euros. Feitas as contas, são 411,5 milhões de euros a menos que o esperado.»

Bom… Parece-me mais correcto considerar os valores comparáveis do défice do SNS: 337,1 milhões de euros (2009) e 212,8 milhões de euros apurados pela equipa de Ana Jorge para 2010. Apesar de tudo... uma redução do prejuízo de 37%, susceptível de fazer bater de orgulho o coração entristecido da senhora ministra da saúde.
Acontece, no entanto, que o valor do prejuízo apurado (212,6 milhões de euros) sofrerá, certamente, agravamentos sucessivos até ao encerramento definitivo das contas do ano transacto.
Quanto às derrapagens das contas da Saúde é caso para dizer com propriedade futebolística: estimativas só lá mais para Março (fim do jogo).

drfeelgood

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terça-feira, janeiro 25

Mais do mesmo...

foto semanário expresso
1.º -Daqui a escassas horas (15:00 horas, 25.01.11) a Ministra da Saúde, Ana Jorge, vai ser ouvida na Comissão de Saúde sobre: contratação de médicos pelas unidades de saúde do SNS; integração do Hospital Pediátrico Dona Estefânia no futuro Hospital de Todos os Santos; e a situação financeira do Serviço Nacional de Saúde.
Sobre este último ponto, AJ prometeu um défice final de 200 mil euros ou menor. Aguardamos sem grande expectativa as explicações da senhora ministra, certamente melhor informada pelo ministro Teixeira dos Santos.

2.º «Passados seis meses do prazo estipulado para a sua criação, a central de compras da saúde ainda não está no terreno. Os hospitais já começaram a celebrar os contratos directamente com os seus fornecedores, nomeadamente com a indústria farmacêutica, sem recorrer aos serviços da central de compras, seja para comprar medicamentos ou material clínico.»
«A venda de medicamentos em dose individual nas farmácias, prometida por Ana Jorge em Setembro para “dentro de semanas” e a avaliação dos administradores hospitalares, apontada como uma prioridade para 2010, são outras medidas que ainda não saíram do papel.» DE 24.01.11

O habitual. Anunciar é fácil. Implementar é o cabo dos trabalhos. Principalmente quando se passa a maior parte do tempo distraída a assobiar para o ar. Daqui a algum tempo alguém vai ser acusado certamente do impasse. Se for Administrador Hospitalar, melhor!

drfeelgood

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terça-feira, janeiro 18

Um Novo Paradigma


Ana Jorge: aumento de taxas na saúde serve para defender gratuitidade
A ministra da Saúde, Ana Jorge, afirmou, esta sexta-feira, que a actualização das taxas de saúde pública serve para defender a gratuitidade do Serviço Nacional de Saúde.
«Aquilo que eu defendo é que algumas das medidas são feitas exactamente para que o Serviço Nacional de Saúde para os portugueses continue a ser como é, tendencialmente gratuito. Por isso, temos de o gerir bem e saber o que é que é possível e necessário», disse a ministra, que falava aos jornalistas no Centro de Saúde da Amadora.
De acordo com Ana Jorge, o aumento das taxas das vacinas internacionais, por exemplo, é uma actualização face ao que já acontece noutros países europeus como a Inglaterra, a França ou a Espanha, tratando-se de uma medida que afecta somente uma pequena faixa da população que viaja para determinados países. A ministra explicou que este processo é «complexo», uma vez que exige um boletim de vacinação especial e consultas com enfermeiros, não se tratando somente do custo em si da vacina.
Relativamente aos atestados médicos que subiram de preço, a ministra adiantou que os aumentos das taxas são «adequados àquilo que é o valor do trabalho executado» para os obter, tratando-se de atestados cujo «único objectivo» passa por conseguir benefícios fiscais.

Aquela que ficará para a história como a “boutade” do ano terá lançado a maior perplexidade no núcleo político de Pedro Passos Coelho. O arremesso constitucional de Agosto passado está, a partir de agora, politicamente morto. A declaração proferida hoje por Ana Jorge: …”Aquilo que eu defendo é que algumas das medidas são feitas exactamente para que o Serviço Nacional de Saúde para os portugueses continue a ser como é, tendencialmente gratuito. Por isso, temos de o gerir bem e saber o que é que é possível e necessário”… é, verdadeiramente, assassina para a estratégia política de PPC.

De uma penada AJ faz emergir um novo paradigma quando diz: …”temos de o gerir bem e saber o que é que é possível e necessário” abrindo uma inaudita linha de reflexão e novas pistas para a investigação científica na área da gestão em saúde ao mesmo tempo que ensaia a demonstração de que a quadratura do círculo é possível. Com efeito ao defender o aumento brutal de taxas, no âmbito de serviços de saúde pública, a descomparticipação maciça de medicamentos, a aplicação de multas e coimas aos utentes em geral e aos doentes em particular, o pagamento de transportes pelos doentes com rendimentos acima do salário mínimo e o pagamento de taxas moderadoras pelos desempregados AJ desarma toda a estratégia do PSD.
Nesta sua reencarnação AJ apoiada no ímpeto guerrilheiro do seu SE deixará uma marca indelével na história do SNS abrindo caminho para que o artigo 64ª da Constituição da República possa ser reescrito.

Fica desta forma, bem explícito, o amadorismo de Correia de Campos, nos seus avanços irracionais que pretendiam introduzir co-pagamentos no sistema. Fez muito bem Manuel Alegre em conspirar contra ACC e a sua incompetência. AJ é muito mais eficaz no desmantelamento do SNS, do seu ideário e dos seus valores. Com a vantagem de repetir mecanicamente que é o último baluarte na defesa do SNS vai prosseguindo, inconscientemente, o seu caminho com muito maior eficácia.

É de facto genial explicar que a gratuitidade se defende com o agravamento dos pagamentos por parte dos cidadãos. Não param de nos surpreender as mentes brilhantes. Ainda haveremos de ver e ouvir Manuel Alegre, nesta campanha, proclamar que quem tem mais deve pagar mais na utilização para garantir a gratuitidade.

É por estas e por outras que até a protectora Eurosondagem já apresenta no Expresso de amanhã o PS abaixo dos trinta por cento.

Orwell

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quarta-feira, janeiro 12

Pedido de ajuda

No SaudeSA andamos todos preocupados.
Há semanas que vasculhamos por tudo que é jornal, revista, telejornal, inauguração, meeting, congresso, seminário, jornada, agenda do portal e ... nada. Nem o mais leve vestígio.
Deveras preocupados, como referimos, pedimos a vossa ajuda para tentar localizar Ana Maria Teodoro Jorge (nascida na Lourinhã, 1950) médica e política portuguesa que, desde 29 de Janeiro de 2008, exerce o cargo de Ministra da Saúde do XVII e XVIII Governo Constitucional de Portugal (Wikipédia). link drfeelgood

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domingo, janeiro 9

Triturar hospitais

Ana Jorge pretende economizar 1,5 milhões de euros com a criação de novos centros hospitalares: link Centro Hospitalar de São João (Hospital de São João e Hospital Nossa Senhora da Conceição de Valongo); Centro Hospitalar Universitário de Coimbra (Hospitais da Universidade de Coimbra, Centro Hospitalar de Coimbra e Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra); Centro Hospitalar do Baixo Vouga (Hospitais Infante D. Pedro, Hospital Visconde Salreu e Hospital Distrital de Águeda); Centro Hospitalar Tondela-Viseu (Hospital Cândido de Figueiredo, Hospital São Teotónio); Centro Hospitalar de Leiria-Pombal (Hospital de Santo André, Hospital Distrital de Pombal).

Não se conhecem estudos de impacto destas medidas, no entanto, segundo a equipa de Ana Jorge, com estas alterações do atendimento "pretende-se fazer convergir a melhoria da prestação de cuidados de saúde, a universalidade do acesso e o aumento da eficiência dos serviços”. Para conseguir este pleno bastará "reduzir a estrutura orgânica, administrativa e funcional das unidades envolvidas e a introdução de mecanismos para uma organização integrada e conjunta que tornem a gestão mais eficiente”.
Simples, fácil, implementação instantânea, pronto a economizar.
No final do ano cá estaremos para conferir as poupanças realizadas.

Notas: 1.º A máquina de propaganda da ministra ao ataque e em força; 2.º A tutela garante que o plano “constitui um projeto modernizador e ambicioso que materializa uma colaboração ...”. "Projecto ambicioso e inovador ..." Mais um. Têm sido todos. Propaganda pirosa; 3.º “Nunca mais se ouviu falar da muito apregoada reorganização (interna) dos hospitais e do grupo de trabalho com hospitais-piloto criado para o efeito". Caro PL Isto só dá para medidas avulsas. Esta governação parece uma retrosaria de medidas avulsas. 4.º Quando acabará este filme de terror?!...

drfeelgood

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terça-feira, dezembro 28

2010

Ano em que se escreveu o capítulo final sobre o SNS


Propaganda

(Pseudo) Gripe A, alarmismo populista, despesismo irresponsável, milhares de vacinas pagas e não utilizadas. “Encerramento” de estruturas inexistentes ou já encerradas. A demagogia de fazer diminuir o número de elementos dos CA’s enquanto estruturas centrais e regionais permanecem incólumes (nem uma palavra sobre os milhões gastos em viagens)

Medicamento

Medidas avulsas, ziguezague legislativo, trapalhadas operacionais, desautorização pela assembleia da república, medidas “às três pancadas”, brutal penalização dos utentes, destruição da indústria nacional e de investigação.

Hospitais

Desnatação, fuga dos melhores, desrespeito e desautorização dos dirigentes, estagnação de todas as reformas, incumprimento da avaliação da gestão, sub-financiamento, regresso aos níveis de ineficiência de 2005, quebra da actividade, retorno ao agravamento das listas de espera e às restrições no acesso.

Cuidados Primários

Recorde no número de portugueses sem médico de família, caos organizativo na misturada ACES, USF’s. Princípio da implosão da reforma.

Recursos Humanos

Desmoralização, frustração, caos na gestão de recursos, flop das carreiras, recorde absoluto no recurso a “empresas externas”, fuga para o sector privado como não há memória, recorde absoluto no número de médicos a pedir aposentação, rotundo fracasso na peregrina ideia de contratar reformados.

Sustentabilidade

Ignorância sobre a situação real. Manipulação dos factos conhecidos. Desresponsabilização política fazendo crer à opinião pública que é um problema de gestão e não um problema de políticas.

Setubalense

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segunda-feira, dezembro 27

As melhores de 2010

A ministra enfermeira

Espanta-me o vazio das declarações de Ana Jorge. As palavras da ministra da Saúde funcionam como anestesia geral para todos os males, alergias e doenças da alma. Parece que está sempre tudo bem. O facto de ser pediatra talvez tenha alguma coisa a ver com infantilização a que nos sujeita com carinho de enfermeira. Crise? Cortes? Risco de paralisação do SNS em 2011 por causa da razia de mais de mil milhões de euros no orçamento? Responde Ana Jorge sem levantar a voz, docemente: "Há sempre a possibilidade de fazermos uma gestão diferente que permita levar a uma redução dos custos em determinadas áreas, sem pôr em causa a qualidade e os tratamentos." A sério? Saúde e milagres não casam, mas Ana Jorge quer acreditar que sim. O antecessor, o feroz Correia de Campos, convenceu Sócrates que um dos grandes males do ministério da Saúde era a suborçamentação crónica. Todos os anos eram aprovados orçamentos ridiculamente baixos que, por isso mesmo, ninguém cumpria. O resultado era dramático: derrapagens, mais dívidas e indiferença na gestão hospitalar. Correia de Campos travou parte dessa hemorragia e fez com que, pela primeira vez, as contas fossem levadas a sério e os cuidados de saúde melhorassem.

Pois é: Ana Jorge atirou tudo para os cuidados intensivos. Em 2011 talvez até fosse possível congelar a despesa - não aumentava nem diminuía face a este ano -, mas um corte superior a 10% implica uma amputação extraordinária do dinheiro disponível. Ora bem, para operar esta multiplicação dos pães - melhor saúde com muito menos recursos -, a estratégia teria de ser bem definida e explicada. Teria de ser credível para conseguir ser executada. Evidentemente, não é o caso. Até hoje, não se sabe o que vai acontecer. Além de generalidades ("vamos fazer uma gestão diferente"), Ana Jorge gere tudo num terrível e enigmático silêncio. Que saudades da frontalidade de Correia de Campos.
André Macedo, DN 11.12.10

Olinda

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sexta-feira, dezembro 17

Pérolas literárias

na expressão de um pensamento político invulgar

A ministra da Saúde nega que o défice acumulado do Serviço Nacional de Saúde ascenda a dois mil milhões de euros ou mesmo a um valor aproximado. link

A ministra afirmou que a verdade "será dada", que o ministério tem de prestar contas "a cada passo", mas que a dívida, para ser consolidada, "terá de ser no final do ano". Ana Jorge argumentou que muita da dívida existente em determinado momento "muitas vezes é maior" porque "não estão feitas as contas, as facturações, os recebimentos e os pagamentos".

A ministra remeteu os dados sobre a dívida real para depois do fecho das contas no final do ano, mas frisou que o valor "não está próximo" dos dois mil milhões de euros. "Não chegámos lá", acrescentou, sublinhando o trabalho de "grande contenção" para "gerir bem" os dinheiros do sistema, com a introdução de "medidas correctivas".

"No fundo, tem a ver com os efeitos das medidas que foram introduzidas e também nas contas do valor acumulado de Janeiro ao fim de Novembro, comparativamente aos anos anteriores", referiu, defendendo que as medidas deram "o efeito esperado".

Dizendo que houve descida no valor acumulado, a ministra admitiu que, relativamente ao objectivo para 2010, é superior ao previsto, mas ainda assim "muito inferior àquilo que foi em determinada altura", sem as medidas correctivas.

"Esperamos que no final deste ano, este valor acumulado se aproxime mais daquilo que tinha sido o nosso objectivo", acrescentou.

A ministra da Saúde admitiu hoje que terá de ser a indústria farmacêutica a suportar os custos da reposição dos preços dos medicamentos nas embalagens, garantindo que não poderá ser o cidadão, nem o Estado.

A ministra lamentou, ainda, a aprovação no Parlamento da reintrodução dos preços dos medicamentos nas embalagens, lembrando que esta «não é nunca uma medida que vá beneficiar o utente, porque o que se coloca – o preço nas embalagens – numa próxima descida de preços que possa acontecer, esse problema de escoamento volta a acontecer». Ana Jorge adiantou que o preço que está na embalagem “raramente é o que o doente paga no acto da sua compra”.

Esteves

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segunda-feira, dezembro 13

Diary is back !


Gripe do Inverno
«A ministra da Saúde diz que, neste momento (13.12.10), não há uma "crise pandémica" de gripe A H1N1, mas sim a "epidemia de gripe do Inverno", e apela aos portugueses para se vacinarem.» link

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