terça-feira, julho 5

O arranque

1.º Muitos portugueses terão votado na esperança dum governo melhor ou, no mínimo, diferente do anterior.
Esperança vã.
Para dissipar dúvidas aí temos os primeiros episódios do costume. Ficámos a saber que a Manuela Moura Guedes nas vésperas da tomada de posse do novo governo conseguiu através de uma ligação TM amedrontar PPC e, assim, lixar o secretário de estado Bernardo Bairrão que, desta forma, não chegou a sê-lo.
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Noutro episódio, não menos ilustrativo, Miguel Relvas, de quem muito ouviremos falar nos tempos mais próximos, convidou para assessor do seu ministério um conhecido figurão da blogosfera.
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Em resumo: política da mais rasca.

2.º Visitámos o Portal da Saúde. Tudo na mesma. Como no tempo da anterior senhora dos chazinhos e bolos entre duas inaugurações.
Paulo Macedo parece empenhado em preparar meticulosamente o arranque. Vamos ver que PM nos sai na rifa: o cobrador de impostos (taxas moderadoras e não só), preocupado, quase exclusivamente, com o controlo das contas da Saúde e o desbaratar do património do Serviço Público em favor dos privados. Ou o gestor competente, pouco afectado pela vertigem liberalizadora dos parceiros de Governo, capaz de realizar reformas em prol de um serviço público de saúde mais eficiente, exigente e de melhor qualidade.

3.º Tenho constactado que a maioria das pessoas que conheço parece mais confortável quando confere que as medidas anunciadas fazem parte do memorandum da troika, dando a entender que confiam no trabalho realizado por esta equipa e que nutrem desconfiança em relação às medidas da iniciativa deste novo Governo.
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5 Comments:

Blogger Vera Carvalho said...

Recomendo para leitura ...No meio da crise, Médicos querem ganhar tanto como os Magistrados. Quem o disse foi o Fundador do Serviço Nacional de Saúde, António Arnaut. Leiam mais aqui http://cogitare.forumenfermagem.org/

9:01 da manhã  
Blogger e-pá! said...

"Tenho constactado que a maioria das pessoas que conheço parece mais confortável quando confere que as medidas anunciadas fazem parte do memorandum da troika, dando a entender que confiam no trabalho realizado por esta equipa e que nutrem desconfiança em relação às medidas da iniciativa deste novo Governo..."

Chegou o desconforto. O tal "murro no estomago". Passos Coelho está a caminho das urgências.
Com que então o "problema português" era unicamente subsidiário da má governação caseira?
Tornou-se evidente - para o mais descabelado idiota - que os países periféricos da UE, economicamente debeis, vão ser um lauto repasto para o poderio financeiro, para os filantropos "investidores".
Não vale a pena perder tempo e gastar o latim com espúrias elucubrações.
Não há volta a dar-lhe. Ou o poder político domina o poder financeiro ou tornamo-nos os "novos" escravos.
E por falar em escravatura (dominação) não basta reforçar o poder político.
É necessário - urgentemente - apear a camarilha neoliberal que domina (politicamente e de parceria com o poder financeiro) a Europa. Uma nova época de abolição!.

Caso contrário retrocederemos ao Renascimento, i. e., a uma transição para um capitalismo obsoleto, emergente dos escombros do domínio feudal...
E assim enterraremos um vector fundamental da Humanidade: o progresso!

10:20 da tarde  
Blogger saudepe said...

«Governo aprova fim das golden shares da PT, EDP e Galp Energia».
Cheio de gente dos negócios, este Governo tem uma tendência inata para favorecer os negócios, à custa do interesse público. Mesmo que fosse obrigatório eliminar as golden shares, nada obrigava a dá-las à borla. É evidente que com o fim das restrições que elas representavam os demais accionistas ganham uma considerável valorização do seu capital, sem terem de dar nada em troca. Justificava-se plenamente o lançamento de uma taxa sobre a operação, igual à mais-valia dela resultante.

vital moreira, causa nossa

11:05 da tarde  
Blogger saudepe said...

O governo tenta agora discutir com as agências de notação, argumentando que está a desenhar políticas consensuais a pensar nos melhores interesses dos chamados mercados. Esforço inglório porque não estamos no domínio de qualquer racionalidade comunicativa, mas sim no domínio do puro exercício de poder. Quem aceita e até naturaliza uma configuração institucional que potencia a a afirmação do poder financeiro, quem se deixa submeter e isolar, perde sempre. Como sublinha José Reis, as agências de rating “são insaciáveis porque o que preconizam é pôr mais crise em cima da crise”. Fica a lição: “Espero que o Governo veja que não vale a pena apostar só na austeridade. Tomou uma medida tão violenta, como o imposto extraordinário, e a agência de rating marimbou-se nisso. Foi um balde de água fria para o Governo”.

João Rodrigues

11:14 da tarde  
Blogger Tavisto said...

Que as agências de rating não são entidades isentas e objectivas nas suas decisões já há muito o sabíamos. O episódio da falência do banco Lehman Brothers, cotado com nota máxima pelas ditas agências quando à beira da falência, veio apenas confirmar o que há muito se suspeitava. Apesar disso, era ouvir Duques e comentadores de direita quejandos, enaltecer diariamente o rigor e objectividade das moody’s, e outras que tal, sempre que baixavam o rating da Nação. Que sim senhora, se o faziam era porque o merecíamos, que era a dívida e o défice e a falta de competitividade, que Sócrates e só Sócrates era culpado, que…… Em tudo isto secundados por Cavaco na sua forma sibilina e sacrista de queimar os seus opositores.
E agora! O governo caiu, Sócrates saiu de cena, temos um governo maioritário de direita liberal que, para mostrar que está alinhado com quantos pretendem espremer-nos até ao tutano, lança mais um imposto sobre os nossos rendimentos mostrando assim que irá não só cumprir como exceder-se nas exigências da Troika. Apesar disso, implacável, a moody’s coloca a nossa dívida ao nível do lixo, lançando mais uma pazadas de terra sobre o esquife.
Ah! Mas agora os ditos comentadores, mais o sindicalista reconvertido em patrão da CIP mais o sonso do Presidente, compadecem-se com Passos Coelho aliviando-lhe a dor do murro no estômago infligido pela moody’s. Que as agências são umas ingratas, que estão ao serviço não se sabe muito bem de quem, que nem respeitam o estado de graça dum governo tão promissor para os interesses de quem manipula e a quem servem as ditas agências, que isto não é um problema do País mas da Europa, que o Durão tem de falar com a Merkle que …….
Mas o que é isto! A que situação chegámos que já nem os cães conhecem os donos? Que nove espectro é este que ameaça mesmo os que lhe são próximos?

11:38 da tarde  

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