quinta-feira, agosto 25

Mendes Ribeiro, nova missão

José António Mendes Ribeiro é o coordenador do grupo técnico para a reforma hospitalar, nomeado (24.08.11) por despacho n.º 10601/2011 do ministro Paulo Macedo link

Entre outros cargos, José António Mendes Ribeiro foi presidente da Unidade de Missão Hospitais SA (2003-2004), nomeado/exonerado por Luís Filipe Pereira.
Foi também presidente da Comissão Executiva do Grupo Português de Saúde (2004 -2007) pertencente à famigerada Sociedade Lusa de Negócios (SLN) proprietária do BPN; Docente do Programa Avançado em Parcerias Público-Privadas da Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais da Universidade Católica Portuguesa.
Autor do livro “Saúde: a liberdade de escolher”, Gradiva, Lisboa, 2009 e de "Um novo contrato social da Saúde" - Mais Sociedade ‐ Saúde Abril de 2011
link

Segundo o referido despacho o grupo técnico para a reforma hospitalar «tem por missão propor um conjunto de medidas que visem reorganizar a rede hospitalar através de uma visão integrada e racional do sistema de saúde.»
Com semelhante coordenador é fácil imaginar o que aí vem. Pobre Rede Hospitalar. Depois deste estudo, dificilmente "O SNS continuará a ser o pilar do nosso sistema de saúde."

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7 Comments:

Blogger e-pá! said...

O(s) Sistema(s>...

É verdade que os CPS são a espinha dorsal do SNS.
Mas também é verdade que os HH's - nos consulados de ACC e AJ - foram os párias do SNS. As "mudanças" - mais recentes e mais visíveis - vêm do tempo de LFP e foram ditadas pela necessidade de "desorçamentar"...
De resto, nestes últimos anos na área hospitalar, foi essencialmente cosmética (p. exº: passarem de SA's a EPE's) e deixar correr o marfim. Tudo o que vinha dos tempos da governação Barroso permaneceu, quando não foi potenciado...
Agora, regressa em força a "velha guarda" (neo)liberal para "reformar". E adequar a rede a uma "nova" realidade. Esta é a presença no terreno de múltiplas unidades hospitalares do sector privado e social.
Como diz o preâmbulo do referido despacho (10601/2011) a intenção é elaborar um "plano de acção para a política hospitalar 2012 -2014, no quadro de uma missão que visa aumentar o acesso e melhorar a eficiência e a sustentabilidade da rede hospitalar."
Como? Integrando (a tal "visão integrada e racional do sistema de saúde"), i. e., fechando unidades públicas para contratualizar prestação de cuidados em hospitais do sector privado e/ou do sector social, erguidos ao lado...
É a mutação do Serviço para o Sistema. De douradouro será a sigla SNS que passará de Serviço Nacional de Saúde para Sistema Nacional de Saúde... com "vivas!" à "liberdade de escolha".
A Direita sempre gostou deste tipo de (in)gratas "missões"...

8:51 da manhã  
Blogger Tavisto said...

Uma má notícia, a escolha de Mendes Ribeiro como coordenador do grupo técnico para a reforma hospitalar. É difícil conceber que uma personalidade que tem defendido publicamente as PPP e o afastamento do Estado como prestador de cuidados de saúde, assuma papel central numa política reformadora do hospital público.
Face às exigências da troika de reforço do SNS e ás declarações recentes de Paulo Macedo afirmando”O SNS continuará a ser o pilar do nosso sistema de saúde”, como entender a preferência?
Duas possibilidades me ocorrem neste momento:
- Ou PM não acredita no que diz e, face às exigências da troika, pretende apenas ganhar tempo para poder aplicar mais tarde o conhecido programa de Passos Coelho para o sector. Neste caso terá escolhido um óptimo presidente de uma comissão liquidatária do hospital público.
- Ou, face às pressões dos grupos económicos (Há um conjunto de interesses privados “fortíssimos” no sector como reconheceu o ministro), PM entendeu que a melhor forma de aliviar a pressão seria trazer alguém da sua confiança para liderar a reforma do sector com maior potencial lucrativo.
Sejam estas ou outros os motivos da escolha, a verdade é que Mendes Ribeiro só pode gerar desconfiança e rejeição da parte dos que se identificam e têm combatido a privatização do SNS.

5:35 da tarde  
Blogger Entre coutos e coutadas said...

SÓ NÃO ACERTO NO EUROMILHÕES...
Enfermeiros indignados por não estarem no grupo de trabalho

Bem me parecia que um grupo de 3 médicos, 2 farmacêuticos, 3 economistas e 2 juristas a avaliar funcionamento de hospitais ia dar raia.
Na verdade parece-me que as espécies cinegéticas consideram os 5 primeiros como caça com negaças e os outros 5 como caça com furão.
Falando em princípios da representatividade e sendo os enfermeiros os primeiros a queixarem-se, analisemos o balanço social do MS do ano 2009:

Médicos no SNS- 23266
Enfermeiros- 39951
Técnicos Diagnóstico e Terapêutica- 7834
Técnicos Superiores de Saúde- 1889

Sendo que estes 4 grupos profissionais por si só representam 56% do total do pessoal do SNS (as designadas carreiras especiais)
Ora constatando que os enfermeiros são o grupo mais expressivo das carreiras especiais, representando só por si cerca de 30,6 % do pessoal total do MS, foi efectivamente tiro de zagalote não estarem representados no grupo de trabalho. Os técnicos superiores viram 2 membros incluídos, quando nem sequer representam 2% do total de pessoal.
A coutada adverte o caçador que disparou que é proibida em Portugal a caça com zagalotes.
Qual a espécie cinegética que se irá queixar a seguir ?

www.entrecoutosecoutadas.blogspot.com

7:21 da tarde  
Blogger Clara said...

Este estudo levará em conta as recomendações do Plano Nacional de
Saúde 2011 -2016 para os Cuidados de Saúde Hospitalares, do relatório
«Organização interna e a governação dos hospitais», elaborado pelo
grupo de trabalho nomeado pelo despacho n.º 10 823/2010, de 25 de
Junho. link

Todos têm presente a ligeireza deste trabalho, agora recomendado pelo senhor ministro da saúde como suporte do estudo a desenvolver por este grupo de trabalho.

Com respeito por muitos dos elementos que integram este grupo de trabalho a escolha de Mendes Ribeiro para coordenador deste grupo de trabalho constitui verdadeira afronta aos profissionais do SNS.

A partir de agora, o senhor ministro pode fazer o favor de nos poupar às suas falinhas mansas, pois estamos esclarecidos sobre as suas verdadeiras intenções.

Se quer confronto, senhor ministro, pode estar certo que vai tê-lo. Pois, uma coisa lhe podemos garantir: Nós não vamos permitir que um grupo de oportunistas de ultra-direita aproveite a actual crise para destruir o SNS em proveito das suas negociatas.

10:29 da tarde  
Blogger tambemquero said...

Regime dos conselhos de administração vai ser revisto e membros serão mais responsabilizados

Apresentar propostas de alteração “ao modelo de financiamento dos hospitais” e “identificar medidas de redução de custos de curto prazo com impacto nos exercícios dos hospitais no ano de 2012 e seguintes”. Estas são duas das missões do grupo técnico para a reforma hospitalar que o ministro da Saúde, Paulo Macedo, acaba de criar, e cujo coordenador será o economista José António Mendes Ribeiro, o ex-presidente da Unidade de Missão dos Hospitais SA, criada no tempo de Luís Filipe Pereira.
“O elevado endividamento dos hospitais, em nível nunca antes verificado, assim como a trajectória de degradação dos resultados do exercício dos hospitais exigem o desenho de uma nova política hospitalar, mas também um conjunto de acções imediatas que possam ter impacto na contenção da despesa que permita atingir as exigentes metas a que o país se obrigou”, justifica Paulo Macedo no despacho que assinou no dia 16.
Este grupo, que terá 90 dias para apresentar as suas propostas, irá ainda debruçar-se sobre a criação de “normas de gestão de recursos humanos que promovam a maior responsabilização e estímulo das equipas, designadamente através de incentivos à formação dos profissionais de saúde” e “avaliar e redefinir o regime dos mandatos dos conselhos de administração dos hospitais através da utilização de critérios baseados na maior exigência e qualificação da gestão e maior responsabilização dos seus membros no que respeita ao cumprimento dos objectivos definidos”. A “transferência, de forma gradual de alguns cuidados” actualmente prestados em meio hospitalar “para estruturas de proximidade, da Rede de Cuidados Primários e da Rede de Cuidados Continuados, ou mediante convenções, se revelarem eficiência de custos”, é outra das missões deste grupo, cujos membros exercem o seu mandato de forma gratuita, exceptuando “as despesas de deslocação e demais encargos” dos profissionais que fazem parte do Ministério da Saúde.
Além do coordenador, o grupo é composto por mais nove membros, um dos quais é Rui Ivo, farmacêutico e actual director executivo da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma). Jorge Varanda ( jurista e administrador hospitalar), José Carlos Caiado (economista), José Martins Nunes (médico anestesista), Jorge Penedo (médico), Agostinho Barreto (farmacêutico e administrador hospitalar) e mais três elementos dos gabinetes do ministro e dos secretários de Estado completam-no.
De acordo com o despacho de Paulo Macedo, este grupo irá fazer um estudo que terá em consideração as recomendações do Plano Nacional de Saúde 2011/16 para os Cuidados de Saúde Hospitalares, do relatório Organização interna e governação dos hospitais, elaborado por um grupo trabalho nomeado pela anterior ministra da Saúde (e que não saiu da gaveta) e “os contributos” já solicitados pelo actual ministro “relativos às medidas concretas de racionalização a propor pelos hospitais, centros hospitalares e unidades locais de saúde”. Paulo Macedo determina ainda que as propostas do grupo deverão ainda “reforçar o protagonismo e o dever de informação aos cidadãos” e “a prestação regular de informação rigorosa” sobre a actividade e desempenho dos hospitais.
JP 25.08.11

11:16 da tarde  
Blogger tambemquero said...

Os enfermeiros estão revoltados por não integrarem o grupo técnico que foi nomeado pelo ministro da Saúde para definir medidas visando a reforma hospitalar, porque consideram que são quem «melhor conhece» a dinâmica dos hospitais, avança a Lusa.

Jacinto Oliveira, vice-presidente da Ordem dos Enfermeiros, disse esta quinta-feira à Lusa que «a Ordem saúda com interesse a criação deste grupo técnico, mas está indignada porque nesse grupo não há qualquer enfermeiro».

Não aceitar os enfermeiros num grupo de trabalho que «tem o objectivo de reorganizar a oferta hospitalar é algo que não é aceitável [e que] vai amputar esse relatório da opinião dos profissionais que melhor conhecem a realidade estudada», disse.

O responsável afirmou ainda que «sem enfermeiros neste grupo de trabalho, o relatório será muito menos rico e não responderá de forma adequada àquilo que a missão do grupo define» e que os enfermeiros são os profissionais que «melhor conhecem a dinâmica dos hospitais».

Jacinto Oliveira diz que a ausência dos enfermeiros no grupo de trabalho é «surpreendente», porque a Ordem tem apresentado várias propostas para rentabilizar os hospitais.

A Ordem dos Enfermeiros já transmitiu a sua indignação ao ministro da Saúde, Paulo Macedo.

O grupo de trabalho tem como missão estudar medidas para a concretização de redução de custos, a proposta de alterações ao modelo de financiamento dos hospitais ou a elaboração de um plano de acção para a política hospitalar 2012-2014.

O objectivo desta missão é «aumentar o acesso e melhorar a eficiência e a sustentabilidade da rede hospitalar», refere o despacho.

Actualmente, o grupo de trabalho integra 10 elementos, entre os quais três médicos, o mesmo número de economistas, dois farmacêuticos e dois juristas.

TVI/24, 25.08.11

11:21 da tarde  
Blogger Maria Eduarda Runa said...

A reforma hospitalar também deveria passar por uma mudança comportamental dos profissionais!

Aqui fica o triste relato:

A questão dos 20 minutos…

Os oitenta e muitos anos já não lhe permitiam caminhar apressadamente e os ainda cintilantes olhos azuis não mereciam a presumida lição de moral, por se ter atrasado…apenas 20 minutos!

“Eu levantei-me cedo, mas os senhores da ambulância foram buscar uns outros tantos…não tive culpa…” Justificava o senhor.

“Leiam os papéis. Lá diz que têm de chegar 20 minutos antes da hora marcada.” Afirmava o médico.

“Mas eu não me importo de esperar… se pelo menos me pudesse ver no fim…sabe, depois de ver os outros doentes…” Insistia o senhor.

“Já disse que não atendo!”. Retorquia o médico.

Fez-se um silêncio glacial na sala de espera.

Seguramente o doutoramento de tão egrégio profissional tolheu-lhe o discernimento!

Causaria assim tanto transtorno consultar o desgostoso senhor?

Quem chefia esta gente, deveria exigir acima de tudo, bom senso e não permitir este tipo de humilhação.

Garantidamente que se o episódio tivesse ocorrido no consultório privado, o mesmo utente teria sido atendido ainda que o atraso fosse de 30 ou 40 minutos.

Seria de enorme utilidade afixar em cada consultório médico do SNS uma fotocópia ampliada da cédula profissional onde nela se vê inscrito “A saúde do meu doente será a minha primeira preocupação” Hipócrates. Com a finalidade única de lembrar a estes seres o propósito da profissão.

Resta dizer e citando Goethe em Fausto “ Olhai com atenção os juízes terríveis. Uns são atoleimados, os outros insensíveis.”

7:07 da tarde  

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