domingo, dezembro 23

Austeridade assusta economistas da ONU

Assustados com os efeitos das medidas de austeridade, grupo de economistas das Nações Unidas defende que o Governo devia renegociar, de imediato, parte da dívida soberana.
O coordenador do Observatório Económico e Social da ONU para a Europa do Sul, Artur Baptista da Silva, classifica como "assustadores" os resultados das medidas de austeridade implementadas em Portugal e aconselha o Governo e os parceiros sociais a rever, de imediato, o memorando de entendimento com a troika e a renegociar 41 por cento da dívida soberana.
Em entrevista à TSF, o economista explica que trata-se de uma parcela contraída desde 1986 para que Portugal pudesse "ter acesso aos fundos estruturais" da União Europeia.
"Esses 121 mil milhões de euros têm que ser separados do resto da dívida. Porque isso não foi viver acima das possibilidades, não foi de os portugueses terem todos a mania que são ricos, sendo pobres. Não. Foi o Estado que teve que aportar este dinheiro, endividando-se no exterior, para ter acesso aos fundos estruturais, os tais fundos de ajuda", disse.
Artur Baptista da Silva lidera um grupo de seis economista das Nações Unidas que estudou durante um ano os efeitos do Programa de Assistência Económica e Financeira em Portugal, tendo entregue a todos os órgãos de soberania um relatório onde constam esta e outras recomendações.
Para o economista português, que condena, por exemplo, a desvalorização dos custos do trabalho, os índices de pobreza em Portugal, devidamente enquadrados na União Europeia, são inquietantes.
Expresso “on line” 23/12/12 link
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Artur Baptista da Silva, uma voz que é preciso ouvir e que tanto está a inquietar o Governo e a Presidência da República. É que a análise da crise nacional e das previsões quanto ao futuro do País com estas políticas, parte de um organismo internacional acima de qualquer suspeita. Aqui não há desculpa quanto à credibilidade e isenção do mensageiro. 

Tavisto


Entrevista à TSF link

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7 Comments:

Blogger Carlos Simoes said...

Lidas as noticias sobre a "idoneidade do mensageiro", penso que o administrador do blogue deve, pura e simplesmente, remover este artigo...

http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=2963109

"O falso colaborador das Nações Unidas, que andou a divulgar um relatório sobre Portugal, dando entrevistas e conferências, tem uma série de processos por burla e apresenta-se como professor de uma inexistente universidade americana "

2:22 da tarde  
Blogger Tavisto said...

Pelos vistos Artur Baptista da Silva fazia-se passar por aquilo que não era. Um conhecido burlão, segundo as últimas notícias, que terá enganado tudo e todos, organizadores do programa expresso da meia-noite inclusive.
Tiro-lhe o chapéu pela arte da trapacice.

2:35 da tarde  
Blogger DrFeelGood said...

"Lamento muito mas fui mesmo embarretado", diz Nicolau Santos

O director-adjunto do semanário Expresso, Nicolau Santos, lamentou, em declarações ao PÚBLICO, ter-se “deixado enganar” por Artur Baptista da Silva, o homem que disse coordenar uma equipa da ONU encarregada pelo secretário-geral Ban Ki-moon de apresentar um relatório da crise na Europa do Sul. Recusou, contudo, que “ alguém possa concluir”, que ele próprio, “o Expresso ou os jornalistas em geral privilegiam quem critica o Governo”.

“Tudo se resume a isto: cometemos um erro terrível, do qual me penitencio – não confirmámos se aquele senhor era quem dizia ser. Para além disto, qualquer conclusão é abusiva”, disse Nicolau Santos.

Segundo afirmou, ele próprio almoçou, em Novembro, com Baptista da Silva, que, considera, mostrou ter “um discurso bastante consistente e credível do ponto de vista económico”. Aquele entregou-lhe um cartão que, segundo o director-adjunto do Expresso “não parece ser forjado” e alguns documentos, alegadamente da sua autoria, “sobre os temas em que dizia ser especialista”

“Cometemos um erro, mas não foi sequência da pressa ou da precipitação”, refere Nicolau Santos. Conta que, depois desse encontro, uma jornalista do Expresso foi assistir a uma conferência do alegado especialista da ONU, “no Grémio Literário, uma organização prestigiada e insuspeita, feita perante inúmeros notáveis”. Só mais tarde se realizou a entrevista publicada na edição do Expresso no dia 15 – na qual Artur Baptista da Silva propôs a renegociação da dívida –, na sequência da qual o próprio Nicolau Santos o convidou para o programa da SIC Notícias "Expresso da Meia Noite", de sábado passado.

“Lamento muito, mas depois de 32 anos de jornalismo fui mesmo ‘embarretado’”, disse o director-adjunto, que afirma “não ter dúvidas” de que, tal como noticiou a SIC e confirmaram, depois, outros órgãos de comunicação social, “Artur Baptista da Silva será um impostor”.

Em declarações ao PÚBLICO, Nicolau Santos lamentou que “sendo o Expresso um jornal credível, possa ter induzido em erro outros órgãos de comunicação social, como a Reuters e a TSF” que, nota, “também não se certificaram” da idoneidade da fonte.

Questionado sobre a possibilidade de o erro ter consequências em relação à sua posição no jornal, Nicolau Santos disse que o assunto será debatido pelo Conselho de Redacção, mas que não considera que se coloque tal hipótese. “Não tirei qualquer vantagem deste caso, como é óbvio, e por erros destes muitos de nós, em muitos lados, teríamos de nos demitir”, comentou.

Também disse não ter lido a crónica de Henrique Monteiro, ex-director do Expresso, na edição online do semanário, que comenta que “se o burlão fosse a favor de Passos Coelho e de Gaspar não teria o mesmo eco” e que “a imprensa tem, no geral, um enviesamento para a esquerda”. Ainda assim, fez questão de se antecipar “a eventuais afirmações que venham a ser feitas” nesse sentido, dizendo que “não as admite”. Os jornalistas estão, sim, “interessados em ouvir pessoas novas, de fora dos círculos habituais, que apresentem propostas, como parecia ser o caso”, disse.

cont,

10:53 da tarde  
Blogger DrFeelGood said...

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Contexto favorável à dramatização

Ouvido pelo PÚBLICO, o sociólogo Boaventura Sousa Santos afirmou que o eco na opinião pública das posições de Baptista da Silva se justifica pela “polarização muito grande do debate entre os que apoiam as políticas do Governo e os que as contestam e consideram que elas estão a resultar na destruição do Estado Social”, como ele próprio. “O clima é de muita tensão e as pessoas de um e de outro campo estão ávidas de dados e de argumentos que reforcem as suas posições”, comentou.

O sociólogo considera que “é possível a figura de Baptista da Silva, que serviu para reforçar um dos campos, seja agora utilizada por quem está no campo oposto para descredibilizar quem critica a política de austeridade”. “O contexto é favorável à dramatização, mas este caso nunca será suficiente para pôr em causa a credibilidade de quem há muito apresenta um conjunto de argumentos coerentes para fundamentar as suas convicções”, considerou.

Mecanismos de controlo
Numa nota divulgada esta segunda-feira no site do Expresso, Nicolau Santos assegura que o jornal irá “reforçar mecanismos que permitam um controlo acrescido sobre a credibilidade das fontes”.

Numa análise da situação feita a pedido do PÚBLICO, Felisbela Lopes, investigadora do Centro de Estudos em Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho, considera que “a necessidade de tomar medidas nesse sentido é óbvia”, mas que" este caso é interessante por ser uma caricatura do que se verifica de forma regular pelo menos desde os anos 90, em televisão”.

“Estamos a fazer um estudo que indica que o número de pessoas que falam em televisão em horário nobre é bastante escasso; por outro lado, essas pessoas são muitas vezes ouvidas na qualidade de especialistas em áreas que, de todo, não dominam”, disse.

Segundo afirma, tem constatado que, “ de uma forma geral, os jornalistas não olham para os currículos, não os analisam – têm tendência para privilegiar quem está acessível a todo o momento e se pronuncia rapidamente sobre qualquer questão da actualidade”, disse.

Frisando que não está a falar de impostores, como será o caso em questão, Felisbela Lopes, doutorada em Informação Televisiva, considera que este caso “pode ser um bom ponto de partida para uma reflexão sobre o assunto, dada a facilidade com que o alegado especialista foi ouvido como tal em vários meios de comunicação social.

“Apesar de o bilhete de entrada no plateau televisivo ser extremamente selectivo, quem lá entra conquista um estatuto que lhe permite circular com toda a facilidade" nos meios de informação, diz.

Baptista preso por burla
A SIC – que segundo Nicolau Santos foi alertada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros – desvendou, no domingo, a suposta farsa de Artur Baptista da Silva.

JP 25.12.12

10:56 da tarde  
Blogger DrFeelGood said...

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“Não faz sentido, a história não bate certo e é absolutamente improvável", corroborou, domingo à noite, ao PÚBLICO, o mais destacado alto funcionário português da ONU, Vítor Ângelo, que foi secretário-geral-adjunto da organização antes de se reformar, há dois anos. “Sob o ponto de vista do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), não há nada que justifique criar um observatório para a Europa do Sul", disse Ângelo, que hoje é consultor internacional baseado em Bruxelas e frisou que "no Sul da Europa há uma crise, mas não uma crise que ponha em causa a paz e a segurança internacional”.

Na edição desta segunda-feira, o Diário de Notícias revela que Artur Baptista da Silva foi libertado da prisão em Dezembro do ano passado, e que desde 1993 cumpriu várias penas por burla, abuso de confiança e emissão de cheques sem cobertura. Na mesma peça, adianta que a Milton Wisconsin University, de que Baptista da Silva se dizia professor, não existe. O jornal i indica que aquela terá fechado há 30 anos.

O DN adianta que as suspeitas se terão generalizado durante a emissão do programa "Expresso da Meia Noite", da SIC, quando o entrevistado foi identificado por algumas pessoas como o presidente do conselho de fiscalização do Sporting no tempo de Jorge Gonçalves, altura em que seria conhecido como o "burlão encartado".

jp 25.12.12

10:57 da tarde  
Blogger e-pá! said...

'Morto' o mensageiro o que fazemos da 'sua' mensagem?

Será que daqui para a frente quem defender a renegociação da dívida (juros e 'maturidades') passa a ser um 'burlão'?

Quem não terá ouvido falar, p. exº., de Marx como sendo um filho de abastadas famílias (...), retirando-lhe, deste modo, toda a autoridade para revealr os mecanismos do modo de produção capitalista que, na teorização que expandiu, conduziriam ao inexorável empobrecimento dos tarbalhadores...
Conhecemos, hoje, algum teórico ou adepto do neoliberalismo que não fale em 'mais-valias'?

Não se trata de 'comparar' Artur B. S. a K. Marx (esse tipo de analogias são um privilégio de PPC), mas de, no meio da 'bagunçada' reinante, manter a clarividência para continuar a distinguir entre a morte de um 'mau' mensageiro, e o intrínseco valor do conteúdo da mensagem.

Ao focalizar todas as atenções sobre a idoneidade do personagem, pretender-se-à, sumariamente, 'matar' as ideias veiculadas...
Será isso?

11:51 da manhã  
Blogger Tavisto said...

Artur Baptista da Silva foi um Bandarra de vida efémera. Todos se lembrarão do famoso sapateiro de Trancoso que, também num momento negro da nossa história, profetizava sobre o regresso de D. Sebastião. Sob a designação do Encoberto, o Rei, perdido nas loucuras de África, haveria de regressar numa manhã de nevoeiro para resgatar o reino. E o Povo ia-se iludindo na crença de que o País viria a ser liberto, pela mão do Rei e vontade de Deus, da grave crise política e social em que se encontrava.
Face ao descalabro em que o País se encontra e ao futuro incerto que se anuncia, por ausência de perspectivas dentro do actual quadro político e económico, é natural que estejamos todos mais receptivos a discursos redentores e hetero-punitivos, sem curar muito da consistência da mensagem e da credibilidade do mensageiro.
Assim, para além do engenho e arte na pantominice que o extenso curriculum de Artur Baptista da Silva comprova, se explica que tantos se tenham sido enganados por este convincente parlapatão.

1:22 da tarde  

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