sexta-feira, novembro 11

Hospitais de gestão pública piores que os PPP?

 Sob este tema dois estudos chegaram a resultados contraditórios: ERS concluiu que não há diferenças estatisticamente significativas em eficiência (modelo DEA), que em eficácia e em qualidade, nuns indicadores são melhores noutros são piores e identificou várias questões dos PPP nos custos de regulação link ; O estudo da Católica não é público e a comunicação só refere a eficiência, medida em doentes padrão, desconhecendo-se o modelo e os testes usados. link 
A este respeito transcrevo texto sobre PPP a que tive acesso há tempos, mas que mantém atualidade. 
“Em primeiro, será de lembrar um problema presente com a informação, sua fiabilidade e comparabilidade, sempre identificado mas nem sempre referido e valorizado. Não é aconselhável evitar uma área importante por ser difícil obter informação relevante, pois não escolhemos seguir por uma rua com mais iluminação se em sentido diferente do pretendido. 
Em segundo, a própria forma de medir o desempenho induz efeitos perversos que dificultam a avaliação, por exemplo, concentração nos indicadores que são contratados desprezando outros, importantes mas não explicitados, com tendência para upcoding e embelezamento de números, agravada na presença de incentivos a profissionais e gestores, com desenvolvimento prioritário ou mais significativo de serviços simultaneamente agudos e rendíveis Vs crónicos graves e com prejuízo esperado. Ora, a composição dissemelhante da produção influencia os resultados da avaliação como as atividades não financiadas para quem não as exerce. 
Terceiro, os hospitais sob gestão pública são muito diversos e exibem grande variabilidade de eficiência, em parte por fatores que não se encontram nas PPP, como seja, dimensão superior ao desejável (CHUC), serem fracionados (ex. Centro H. Trás os Montes e Alto Douro ou Centro H. Algarve), terem custos muito elevados com medicamentos de dispensa ambulatória (ex. SIDA, transplantes), estarem social e politicamente obrigados a manterem-se assim (ex. Centro H. Médio Tejo) e terem custos maiores por servidões públicas, em ensino e urgências altamentes diferenciadas. A gestão também poderá contribuir negativamente, seja por escolhas nem sempre baseadas na capacidade e no mérito, ou por deficiente acompanhamento e ausência de prestação de contas. 
Quarto, os hospitais em PPP beneficiam genericamente de algumas vantagens relativas de hospital novo, como seja no pessoal, com menores custos pela idade média inferior e por adequação da dotação à oferta, na tecnologia atualizada, que se reflete em custos e eficácia de diagnóstico, na estrutura adequada e na maior qualidade e conforto dos edifícios. 
Quinto, os hospitais são entidades muito complexas com milhares de produtos diferentes, necessariamente talhados às necessidades dos doentes, que requerem ampla coordenação interna, com as múltiplas unidades produtoras, e integração de cuidados com outros serviços de saúde. Insuficiências nestas “coordenações” trazem problemas aos doentes (erros e omissões clínicas) e impedem maior beneficio para outros serviços de saúde e para o SNS, mas não entram habitualmente em avaliações comparativas entre hospitais. Também é difícil detetar e quantificar a tendência para evitar despesas “empurrando-as” para outros serviços de saúde ou para o doente e sua família, risco mais presente em privados e PPP. 
Por fim, o sistema de financiamento dos hospitais, que não visa o valor em saúde e privilegia o pagamento por ato (SU, CE, HD, CA), pouco incentiva a qualidade levando à desvalorização desta, quando não é avaliada de modo sério e não afeta negativamente os custos - pode mesmo dar a ilusão de maior eficiência quando os reinternamentos e reoperações são mais frequentes. Assim, pode não haver nas PPP grande incentivo para evitar situações em que o prestador não garante o SU de obstetrícia em fins-de-semana ou em que a exiguidade de pessoal conduz a maior risco de erros clínicos, incluindo eventos que não podem hoje acontecer num hospital e que poderão ser mortais.

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sábado, julho 30

Não são a mesma coisa

Os Hospitais PPP, são unidades da rede pública. Mas não são a mesma coisa. 
Os Hospitais PPP, são, inevitavelmente, norteados por uma cultura de valores de gestão determinada pelo grupo accionista, cujo interesse é, naturalmente, retirar dinheiro do negócio em que investiu. 
Esta cultura casa mal com a governação dos HH Públicos cujo objectivo é reduzir o sofrimento humano e não a produção de cuidados de saúde para clientes. 
Esta cultura influencia em toda a linha, a gestão de qualidade dos hospitais PPP. 
A grande mobilidade de pessoal, sobretudo enfermagem e assistentes operacionais, que se regista actualmente nos nossos hospitais, constitui uma forte condicionante da prestação de cuidados de qualidade. Este fenómeno parece ter maior incidência nos HH PPP. 
Quanto à governação muito se tem falado e escrito sobre a liderança “power point”. As unidades PPP, tal como os hospitais públicos EPE, carecem de “gestores com formação específica que conheçam a globalidade da operação e que promovam uma rede colaborativa de prestadores que assegure cuidados de saúde centrados nas necessidades do cidadão”. 
Outro traço distintivo é o tipo de relacionamento com as autarquias da região onde se inserem que desenvolvem no estritamente necessário. Quem marca o verdadeiro ritmo, o pulsar das unidades PPP não são as ARS, DGS, ACSS, ACES, mas as sedes accionistas. 
Comprovado que não fazem melhor, link decorre o processo com vista à comprovação de que não fazem mais barato. Fazemos votos que neste deve/haver sejam contabilizados os benefícios dos grupos resultantes da detenção/gestão dos hospitais públicos  PPP. 
As marcas que gerem os nossos hospitais PPP 
JMS, a sua visão é ser líder na prestação de cuidados de saúde de qualidade distintiva suportada numa rede integrada de unidades de elevada performance, tanto no setor privado como no setor público, e apresentando opções de crescimento em mercados internacionais selecionados. link 
Luz Saúde: Com a Fidelidade nasceu a marca Luz Saúde. Uma marca que dá continuidade ao maior projecto de Saúde Privada em Portugal. A nossa luz é brilhante , entusiasta, dedicada e inovadora. A nossa marca projecta tecnologia, talento e Medicina de excelência. Com o novo acionista avançamos para o futuro à velocidade da luz. link 
Lusíadas é uma marca com hospitais e clínicas de norte a sul do país. O seu principal foco é cuidar dos seus clientes. Por isso, esta marca foi construída para estar mais perto das pessoas que lhe confiam a sua saúde: ou seja, para estar mais perto de Portugal e dos portugueses. link 
Como refere Constantino Sakellarides: “não há nada que seja defensável para a manutenção das PPP. Não se percebe como empresas do outro lado do mundo (China, Brasil ou EUA), cujo interesse é retirar dinheiro, têm maior sensibilidade do que o Estado para defender o SNS”. 
Chegou a hora dos que fazem juras de fidelidade ao SNS decidirem em sua defesa
Clara Gomes

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quarta-feira, agosto 8

PPP, monitorização mensal da ACSS

A monitorização mensal divulgada pela ACSS link continua sem incluir os dados económico-financeiros dos quatro hospitais públicos geridos em modelo de parceria públicoprivada, ao contrário do que chegou a ser prometido pelo ministro da Saúde, Paulo Macedo, num encontro recente com os jornalistas, organizado pelo Observatório de Imprensa, em Lisboa. Os únicos dados disponibilizados dizem apenas respeito à actividade assistencial dos hospitais de Braga, Cascais, Loures e Vila Franca de Xira. JP 06.07.12

A publicação destes dados é muito importante para demonstração pública da validade do projecto das PPP da Saúde, confundidas, amiúde e injustamente, com o fartar vilanagem das concessões rodoviárias. linklink
Nota: Boletim Informativo, Parcerias Público-Privadas e Concessões, 1.º Trimestre 2012 link

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