sexta-feira, abril 5

DMS, perigo espreita

In scathing ruling, judge rips insurer for putting bottom line over patients health 
US Chief Magistrate Judge Joseph Spero issued his decision Tuesday against United Behavioral Health, a unit of UnitedHealthcare (multinacional gestora da PPP do Hospital de Cascais), saying the insurer created internal policies that effectively discriminated against those seeking mental health and substance abuse treatment. link 
Correia de Campos, brilhante académico, duas vezes ministro da saúde, deputado europeu, ficará para a história simplesmente como “Pai das PPP da Saúde”. 
A sua passagem pelo Banco Mundial terá tido a sua quota de influência na formação/decisão do ministro da saúde. Talvez, longe de supor no perigo que as PPP da Saúde (geridas por multinacionais gestoras de fundos), verdadeiros Cavalos de Tróia, representam hoje para o SNS. 
À espreita do sucateamento do sistema público de saúde 
Desde que a empresa norte-americana UnitedHealth Group assumiu o comando de 90% da Amil, em 2012, o controle do sistema brasileiro de saúde por uma instituição estrangeira passou a ser uma grande preocupação. Em apenas 5 anos, a UnitedHealth Group adquiriu cerca de 41 hospitais em todo o país, entre os quais: Hospital Vitória – Tatuapé; Hospital da Luz – Vila Mariana; Hospital Vitória – Anália Franco; Hospital Metropolitano – Osasco; Hospital Paulistano – Santana; Hospital Metropolitano - Centro Médico Vila Romana; Hospital Ipiranga – Mogi Das Cruzes; Hospital Metropolitano – Butantã; Hospital da Luz – Cubatão; Hospital Alvorada – Moema; Hospital da Luz - Santo Amaro; Hospital ABC - Unidade Cirúrgica - São Bernardo do Campo; Hospital Paulistano – Barueri; Hospital da Luz - Cerqueira César; Hospital ABC – Unidade Avançada Diadema; Hospital Paulistano – Liberdade; Hospital TotalCor – Cerqueira César; Hospital Vitória – Santos; Hospital Carlos Chagas – Guarulhos; Medicina Diagnostica Carlos Chagas – Guarulhos; Hospital Madre Theodora – Campinas; Hospital Ipiranga – Itaquaquecetuba; Hospital Next Seisa – Guarulhos; Pronto Socorro Seisa – Guarulhos; Hospital Ipiranga – Suzano; Hospital E Maternidade Ipiranga – Arujá 
A estratégia da Amil/UnitedHealth Group no Brasil deve continuar a assentar no investimento no país, porque os seus empresários ao que parece estariam "de olho” no Sistema Único de Saúde (SUS), que exerce um papel indispensável no atendimento à população de baixa renda. 
Sucateamento do SNS? 
Neste dia mundial da Saúde temos motivos de sobra para estarmos apreensivos. link
Clara Gomes

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domingo, janeiro 20

SNS, aposta no futuro

Aproximando-se o momento em que a Assembleia da República vai tomar nas suas mãos a decisão sobre a Lei de Bases da Saúde que irá vigorar nos próximos anos, a direita parlamentar, saudosa dos idos de 1990, vem retomar aquilo que fez as empresas privadas de saúde prosperar: a concorrência entre público e privado, e o apoio do Estado à criação de instituições privadas de saúde. Vai ser essa a exigência que vão levar para a discussão daquela lei.
Se dúvidas houvesse sobre as intenções dos que torceram o nariz à revisão da Lei de Bases da Saúde, aí estão as razões da torcidela. Conseguir obter-se consensos tendo como ponto de partida estes pressupostos, como alguns exigem, é o mesmo que esperar que do cruzamento de um mamute com uma girafa nasça um gracioso coelhinho, essa criatura que a direita quer assitir ao nascimento, alimentar, mudar a fralda e levar à escola.
Cipriano Justo in facebook link
A nomeação de Maria de Belém presidente da Comissão de Revisão da Lei de Bases da Saúde, criada por despacho do ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, foi um erro crasso do PS. link
A natureza do trabalho produzido não oferece dúvidas merecendo, recentemente, a perfilhação do CDS link, em defesa dos privados a concorrer em igualdade com o público. Ou seja, a continuação da drenagem descarada do SNS. link 
Haja o que houver, devemos apostar no futuro do SNS. link 
claragomes

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sábado, dezembro 22

À pala do Estado

«Só há no mundo um negócio melhor, dizia Isabel Vaz, então dirigente da Espírito Santo Saúde (hoje dirigente da Fosun), e é o das armas. Mas o da saúde é apetitoso. A saúde é um maná porque a procura é indiferente ao preço, dado tratar-se de uma necessidade básica: pagaríamos o que quer que fosse pelo tratamento dos nossos familiares, se não houvesse um sistema público e gratuito. E essa é a explicação para a mobilização de tantos interesses em torno da definição de uma nova Lei de Bases da Saúde. 
A saúde privada não seria, aliás, um problema, se fosse de adesão estritamente voluntária, caso esse negócio não estivesse instalado a cavalo do Estado e tendo como premissa a degradação do sistema público. Essa é a particularidade do debate atual: os privados não estão a reclamar o seu direito ao negócio, que não tem qualquer limitação, podem construir os hospitais e clínicas que quiserem desde que cumpram os requisitos legais; estão a exigir que o Estado lhes pague esses hospitais ou lhes entregue os hospitais públicos. Por isso mesmo, precisam das parcerias público-privado para recrutarem pessoal médico e administradores e constituírem o seu poder onde ele tem que estar, instituindo uma renda paga pelo Estado. O exemplo de Braga é esclarecedor: os Mellos querem continuar a gerir o hospital desde que o Estado pague mais €50 mIlhões. O próximo passo seria criarem cursos privados para a formação de médicos. 
A forma como se movem estes interesses é de antologia. O anterior ministro nomeou uma socialista que foi assessora da Espírito Santo Saúde para dirigir a comissão que proporia a nova Lei de Bases. Personalidades do PS, PSD e CDS, junto com alguns empresários da saúde, iniciaram uma campanha por uma lei que proteja o privado (um elogio a Henrique Monteiro, um dos seus signatários, por ter anunciado a sua declaração de interesses num artigo recente). E, quando o Governo apresenta outra proposta, a pressão é tal que o Presidente toma a posição inédita de anunciar a sua preferência pelo modelo de Maria de Belém e por um acordo PS-PSD (que, aliás, não foi condição para aprovação da presente Lei de Bases e é uma exigência sem fundamento constitucional). 
A procissão ainda vai no adro, embora o Governo tenha escolhido um debate apressado, depois de se ter atrasado com jogos internos. Devia ter começado a preparar a sua proposta há dois anos, quando Arnaut e Semedo, cuja lei me parece adequada, lhe comunicaram a sua iniciativa. Agora, Costa apresenta a sua lei como uma recuperação do serviço público, apesar de, como revelado pelo Expresso, ter imposto na 25ª hora uma alteração essencial para proteger os privados. Então, para os defensores do serviço público, a escolha passa a ser entre umas boas frases que deixem o sistema intocado e degradado ou um plano exigente de recuperação do investimento e da estrutura do SNS, que será caro, apoiado numa lei que faça o que diz. Quem conhece os hospitais saberá escolher.» 
FL, Expresso 22.12.18 
Quando a conversa é sobre Saúde há sempre alguém que, à falta de melhor, decide alertar para a viragem à esquerda ou a argumentação ideológica do debate. 
Quando, recentemente, Marta Temido decidiu clarificar o texto da fórmula de delimitação de sectores público e privado da Saúde, escarrapachado na proposta de lei de bases da saúde de Maria de Belém, logo vários opinadores e jornalistas da nossa praça reagiram indignados à perigosa viragem à esquerda da lei. 
Todos sabemos a razão da nomeação de Maria de Belém para presidente da comissão encarregada do anteprojecto de Lei de Bases da Saúde. Sem surpresa, a ex-candidata à presidência da república cumpriu a redacção do extenso rol de bases, sem esquecer o negócio privado da Saúde à pala do Estado. 
Para já, mais que indignações de sacristia, o importante é o governo assumir um plano exigente de recuperação do SNS. Veremos o que Costa é capaz.
Nota: Marta Temido respondeu bem à chantagem da Mello Saúde Braga que exigiu mais 50 milhões para continuar a gerir o hospital. Como a coisa não pegou aí temos a assegurar arrecua que se pretende digna o ex ministro Luís Braga da Cruz e o arcebispo de Braga, Ricardo Rio, a pedirem uma reunião urgente a António Costa por causa do fim anunciado da PPP. 
A história curta da PPP de Braga dá para compor um "best seller" e pano para continuar.
clara gomes

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sábado, novembro 17

Quem não chora ...

As parcerias público-privadas (PPP) na saúde não são o negócio da China para os grupos que as ganharam, mas mesmo assim os privados não afastam a hipótese de voltar a jogo nos futuros concursos para a gestão de hospitais.
Dimensão, economias de escala, maior capacidade negocial (até junto da banca), reputação (apesar do risco associado), massa crítica em termos clínicos, tarimba em gestão hospitalar, acesso a um corpo clínico ‘fixo’ que permite ter projetos diferenciadores (de investigação, por exemplo), são vantagens importantes. Apesar de todos perderem dinheiro, José de Mello Saúde – JMS (Hospitais de Braga e de Vila Franca de Xira), Luz Saúde (Hospital de Loures) e Lusíadas Saúde (Hospital de Cascais) admitem continuar nas PPP. Mas não a qualquer preço.
O peso das parcerias no seu volume de negócios é significativo, sobretudo na JMS, onde Vila Franca de Xira e Braga valeram, em 2017, quase 48% dos proveitos operacionais. Na Luz Saúde, Loures traduziu-se em 18% e na Lusíadas Saúde, Cascais representa 25% (valores de 2018). No ano passado, com as PPP, os Mello registaram proveitos operacionais de €637,4 milhões, a Luz Saúde obteve €483,8 milhões (estariam taco a taco sem as parcerias) e a Lusíadas Saúde estima fechar 2018 com €300 milhões de faturação.
De acordo com dados das empresas, em Loures, no primeiro ano (2012), a então Espírito Santo Saúde (hoje Luz Saúde, após ter sido comprada pela Fidelidade, do grupo chinês Fosun) teve €12 milhões de prejuízo e, anualmente, as perdas oscilam entre os €2,5 milhões e os €3 milhões. Já em Cascais, apesar de hoje a parceria já gerar retorno, a Lusíadas Saúde calcula um prejuízo de €13 milhões caso o contrato terminasse este ano. Mas o cenário pior é em Braga, onde a JMS aponta para perdas na ordem dos €50 milhões até ao fim do contrato, em agosto de 2019. Em Vila Franca de Xira as contas estão marginalmente positivas.
Os três reclamam equilíbrio nos contratos. Porém, a tutela lembra que foram os privados que colocaram o preço quando concorreram às PPP. “Os contratos de gestão não beneficiam nem prejudicam nenhuma das partes. Houve uma transferência de risco do sector público para o sector privado que foi reconhecido e aceite pelos parceiros privados (...) que estabeleceram os preços unitários dos diferentes atos médicos, em sede do concurso”, sustenta fonte oficial da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARS de LVT), que tem a seu cargo três PPP (Loures, Vila Franca de Xira e Cascais).
“Foi um preço para ganhar”, assume Vasco Luís de Mello, presidente do Conselho de Administração dos Hospitais de Braga e de Vila Franca de Xira, em relação à proposta que fizeram no concurso público (menos €392 milhões face ao comparador público, o custo estimado pelo Estado para fazer e gerir a mesma unidade), mas recusa que seja essa a origem das dificuldades financeiras. A operação de Braga esteve à beira da falência, a unidade quase foi entregue ao Estado e o Grupo José de Mello teve que estancar a hemorragia com injeções de capital. “Em 2014 e 2015 tínhamos as contas marginalmente positivas nas duas PPP, mas em 2016 deixámos de ter acesso ao financiamento do HIV e da esclerose múltipla. Esse facto alterou tudo. Em Braga são cerca de €8 milhões, por ano”, adianta o gestor. Durante três anos, a ARS do Norte pagou-lhes o HIV (na esclerose foram dois anos) através de um financiamento autónomo, mas depois o entendimento mudou. O caso está em tribunal arbitral e, devido ao possível impacto nas contas públicas, os €33 milhões pedidos pelos Mello são mencionados na proposta de Orçamento do Estado para 2019. 
Quando dez euros fazem diferença
Em Loures, o cenário nunca foi tão negro como em Braga, mas gerir no vermelho é uma tensão permanente, refere Artur Vaz, administrador executivo do hospital. “Não discutimos cêntimos em comissão executiva, mas discutimos mais ou menos 10 euros numa despesa específica”, assegura. O administrador também garante que não foram otimistas na proposta. “Demos um preço razoável, cerca de 20% inferior ao comparador público”. E, tal como a JMS, a Luz Saúde considera legítimo receber além do contrato pelo tratamento dos doentes com HIV. A estes encargos, Artur Vaz acrescenta os salários dos internos (médicos que estão a fazer a especialidade) — “que nos são enviados pela tutela e nós não podemos recusar”. Juntos, HIV e internos têm um impacto anual de cerca de €5 milhões nas contas. “Nunca teríamos resultados negativos se estes dois programas [de financiamento] se aplicassem”, sustenta. Porém, o diferendo relativo aos internos foi dirimido em tribunal arbitral e a Luz Saúde perdeu.
Já em Cascais estas questões não se colocaram, porque o contrato não previa o HIV e, por isso, o hospital tem um protocolo anual “de €10 de milhões para tratar os doentes nesta área (cerca de 1200)”, menciona Vasco Antunes Pereira, presidente da Lusíadas — Parcerias Cascais. Mesmo assim, a operação sofreu percalços. “O Hospital de Cascais fez um percurso enorme”, frisa Vasco Antunes Pereira. Chegou a estar em cima da mesa, tal como em Braga, o Estado assumir a gestão devido às dificuldades financeiras. Em 2013, a Amil comprou a Hospitais Privados de Portugal à Caixa e, nesse mesmo ano, a companhia brasileira passou para as mãos do colosso norte-americano UnitedHealthcare. “A United é especialista em saúde e aquilo que foi posto em prática foi esse conhecimento. Tivemos de arrumar a casa”, refere o presidente da Lusíadas Saúde. Hoje, “a operação é sustentável e dá retorno ao acionista, temos uma margem operacional positiva significativa”, mas “projeta-se que, apenas no final do ano 2020, a PPP de Cascais possa atingir o break-even”.
Em média, a gestão privada poupa cerca de 20% ao Estado, segundo um estudo de 2016 da Católica Lisbon School of Business & Economics, feito a pedido da JMS e da Lusíadas Saúde. Entre 2012 a 2015, em Braga poupou-se entre €100 milhões a €130 milhões e, no mesmo período, em Cascais o ganho foi entre €53 milhões e €72 milhões, diz o relatório. Porém, os dados da ARS de LVT, enviados ao Expresso, são mais modestos: “A PPP no Hospital de Cascais permitiu uma poupança acumulada, no período de 2011 a 2015, de aproximadamente €40,4 milhões (...) são 13,6% menos face aos custos totais que se estima se [a unidade] tivesse gestão pública”. Em relação a Loures e a Vila Franca de Xira, a ARS de LVT não dá dados porque as duas parcerias estão agora a ser avaliadas. A ARS do Norte também não revela informação sobre Braga, mas olhando para o último comparativo dos custos por doente padrão nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS), o hospital é o mais eficiente do país.
Uma década de gestão privada
Os dois primeiros contratos de dez anos de gestão clínica estão a terminar e o Governo quer lançar novos concursos públicos. No final do ano, acaba o acordo em Cascais e a Lusíadas Saúde aceitou ficar até mais três anos até a tutela ter pronto o novo caderno de encargos. “Trata-se de um trabalho complexo de grande exigência que, no caso do Hospital de Cascais, tem uma importância superior na medida em que sendo este contrato o mais antigo, assente num caderno de encargos com mais de 12 anos, há que adaptar o mesmo aos novos conceitos e novas práticas existentes no SNS”, justifica a ARS de LVT.
A JMS também foi convidada pelo Governo a permanecer em Braga, por mais dois anos. A empresa está disponível mas, antes de ‘assinar’, pede condições de equilíbrio financeiro. O Expresso apurou que o desfecho desta negociação só deverá ocorrer depois da decisão do Tribunal Arbitral sobre o diferendo relativo ao HIV e à esclerose múltipla, que deverá sair em breve. ...
Expresso 17.11.18
As PPP da Saúde, cumprida a primeira etapa de existência em que ganharam «Dimensão, economias de escala, maior capacidade negocial (até junto da banca), reputação (apesar do risco associado), massa crítica em termos clínicos, tarimba em gestão hospitalar, acesso a um corpo clínico ‘fixo’ que permite ter projetos diferenciadores (de investigação, por exemplo)», preparam novo patamar de crescimento, novos concursos e revisão de contratos. Mais do mesmo à pala do Estado.
Para já, o choradinho de muitos milhões de prejuízo ajuda na perfeição. 
Levadas ao colo do Estado, o processo PPP da Saúde tem dado para tudo: Concursos ganhos com propostas muitos milhões abaixo do comparador público (PPP de Braga, €392 milhões), pechinchas (compra do grupo da CGD, Hospital de Cascais incluído, por 85,6 milhões de euros (Amil) link; drenagem de milhares de profissionais do SNS (administradores, técnicos, médicos, enfermeiros); corropio de vemda de participações (edifícios hospitais Braga e VFX, vendidos à Aberdeen; Hospital Beatriz Ângelo, vendido à Fidelidade, controlada pelos chineses da Fosun; venda do edifício Hospital de Cascais (abril 2018) por 19,4 milhões de euros à gestora de fundos 3i Invesments). 
Sobre a decepção do projecto das PPP da Saúde, Francisco Ramos, actual secretário de estado da saúde, é claro: «Na minha avaliação pessoal, acho que (PPP Saúde) ficaram longe de demonstrar os benefícios que se poderiam esperar de um tipo de gestão diferente. Acho que esse aspecto falhou e portanto precisa de ser revisitado. Sem uma fortíssima reavaliação, não faz sentido (promover mais PPP). Eu esperava que os modelos de gestão hospitalar tivessem dado um salto qualitativo graças a inovação trazida pelas PPP. Mas não conheço nenhum sítio onde isso tivesse acontecido.»  link
Clara Gomes

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domingo, setembro 9

Hospitais PPP


Renovação do contrato da PPP de Cascais 
 «O que levou à renovação do actual contrato de gestão com o grupo Lusíadas Saúde até 2020, tempo que permitirá — como explica a presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), Rosa Matos — que o grupo de trabalho defina o caderno de encargos, lance o concurso público internacional e seja escolhido um novo gestor. Além da revisão do número de consultas e cirurgias, o hospital terá mais especialidades, como oncologia, e irá receber mais 90 mil pessoas com a transferência de utentes que até agora pertencem ao Hospital Amadora-Sintra.» 
Em perspectiva, novo caderno de encargos, lançamento de concurso público internacional, escolha de novo gestor, alargamento do negócio, aumento da dotação financeira da PPP de Cascais. 
As coisas poder-se-iam ter passado de maneira diferente? 
Podiam! Não fosse o compromisso político do governo e do PR de manter em funcionamento as PPP da Saúde. 
Haverá justificação técnica, alicerçada em evidência de ganhos de eficiência e qualidade para manter em funcionamento as PPP da Saúde? 
Não há. Em Portugal, as PPP da Saúde (gestão clínica+ gestão do edifício) implementadas pelo Dr. Correia de Campos (pai das PPP), uma profunda nódoa a manchar o seu distinto curriculum, têm demonstrado nos anos que levam de funcionamento constituírem um modelo de exploração de unidades de saúde complexo, pesado, pouco flexível, caro, gerido na sua grande maioria por empresas internacionais de gestão de fundos, que não conseguiram evidenciar, até à data ganhos de eficiência e qualidade apreciáveis relativamente à gestão pública de hospitais que, como se sabe, confrontam-se com graves dificuldades (atendimento de doentes de patologias mais pesadas – oncologia, queimados, doenças infecciosas como o HIV/Sida, hepatite; instalados geralmente em edifícios em maus estado de conservação, obsoletos, muitos sem condições base de funcionamento). 
Razões políticas da manutenção  das PPP
O mega objectivo político pretendido com a manutenção das PPP, não tem nada a ver com a eficiência, eficácia, qualidade dos cuidados prestados por estas unidades, visa, essencialmente, contornar o regime da função pública com o enquadramento dos profissionais em unidades regidas pelo direito privado. Aliviar a carga do Estado prestador directo de cuidados, reduzindo-o à condição de regulador/financiador do sistema.
Hospitais PPP sem mais qualidade  
Onde as PPP da Saúde falharam de forma clara foi na obtenção de ganhos de qualidade dos cuidados, pese embora todas as certificações e acreditações em qualidade e ambiente obtidas junto de prestigiadas empresas internacionais. 
Estas acreditações e certificações (sem por em causa a sua utilidade como instrumento impar de processos de melhoria da qualidade), escamoteiam a verdadeira realidade que teima em não conseguir os padrões de qualidade de funcionamento a que se propõem. Acontece que nos períodos imediatamente anteriores às auditorias são constituídos grupos de trabalho encarregues de intensificarem a aprendizagem e implementação de procedimentos de actualização. Trabalha-se, então, afincadamente para o exame final. Obtidas as reacreditações/certificações volta tudo ao normal, ou seja, equipas “curtas”, pouco motivadas, muitas mal enquadradas, sem tempo e paciência para porem em prática o nível de funcionamento recém adquirido. Assim sendo, vai-se continuando a fazer tudo assim assim. 
O âmago da questão está, para que a cultura de qualidade se entranhe na nova prática hospitalar (elevação do nível de cuidados), na realização de mais e melhor investimento, essencialmente inovação tecnológica e recursos humanos habilitados. E quanto a isto as PPPs da Saúde são muito cautelosas e o parceiro Estado também não está disponível para andar sempre a reequacionar a repartição de risco. Acresce que o lucro constitui a pedra de toque, o principal objectivo do parceiro privado gestor de fundos. Certo que privilegiam gastos avultados em propaganda, muita propaganda. 
Primado da gestão pública
Todos os gestores públicos sabem o que é qualidade em Saúde. Acesso fácil às consultas, internamento, cirurgias, tratamentos de reabilitação. Com cumprimento dos tempos de espera estabelecidos. Atendimento competente e humanizado, ambiente seguro (controlo eficaz da infecção hospitalar), limpo, bem higienizado, confortável (temperatura ambiente, equipamento adequado em bom estado de funcionamento, acesso a informação). Consultas resolutivas o que exige boa articulação com os MCDTS. Organização eficiente do internamento com equipas bem dimensionadas, bem coordenadas, distribuição de alimentação adequada (dietas terapêuticas) dentro dos horários estabelecidos, doentes correctamente assistidos nos tratamentos, medicação (sem erros). alimentação, higiene. Demora médias adequadas sem forçar a saída naquelas salas de pré-alta onde os doentes aguardam com todas as incomodidades a chegada de familiares a beber chazinhos (prática que nada ter a ver com a competente gestão centralizada de camas). 
Como vão as coisas relativamente ao 1.º hospital PPP? 
 Foi aprovada em 18.08.18 a minuta do contrato de renovação e autorizada a celebração do aditamento ao Contrato de Gestão do Hospital de Cascais despacho n.º 7941-A/2018. Autorizada, mais recentemente, a realização da despesa no montante máximo estimado de 217 552 999,88 euros, inerente à renovação do contrato de gestão do Hospital de Cascais Resolução do Conselho de Ministros n.º 110/2018 .
Entretanto, começaram as pressões 
«Segundo o presidente da Câmara de Cascais, a indefinição do futuro da gestão do Hospital de Cascais pode vir a ter repercussões na qualidade do serviço prestado. «Esta indefinição é perigosa porque, nestas circunstâncias, nem o Estado nem o privado que está na PPP fazem investimento, o que pode levar à deteorização dos serviços». O autarca nega que haja problemas no serviço do Hospital de Cascais e refere que não tem conhecimento da existência de queixas: «Pela informação que tenho e também pela utilização indireta através de familiares, só tenho a dizer bem da prestação de serviços do Hospital de Cascais». Sol, 28.08.18 .
Não se passa nada, não há qualquer indefinição (como se poderá verificar através da leitura dos diplomas colocados em link), mas o autarca PSD entende que é melhor ir avisando. A eventual reversão da gestão PPP de Cascais para o Estado (gestão pública) parece trazer o autarca inquieto, perceptível na investida ao ministro da saúde: «Agora, parece-me que o próprio ministro da Saúde fez uma tese de doutoramento onde demonstra que o investimento direto do Estado é mais vantajoso na área da Saúde do que as PPP. A grande questão é saber se o Estado tem dinheiro para fazer esse investimento. Para passar para o SNS, o Estado tem de garantir que tem meios financeiros próprios para assegurar sozinho e com mais eficácia do que a PPP». 
Nunca ouvimos (lemos) tal coisa de ACF. O senhor autarca saberá, certamente, que quem paga até ao último cêntimo às sociedades gestoras dos Hospitais PPP somos nós contribuintes na esperança de termos mais e melhores cuidados prestados por gestão pública mais eficaz, humanizada e melhor qualidade. 
Também Pita Barros entende que a não renovação automática da PPP de Cascais “é custo, criado pelo Estado, para esta relação, impedindo que um contrato mais adequado às necessidades da população coberta possa ser estabelecido”, esquecido dos anos em que a referida PPP tem andado manca (deficiente cobertura dos cuidados de oncologia, infecciologia, utentes das freguesias de Sintra) 
Nota: Um autarca e um professor universitário. Só falta juntar um eclesiástico. O presidente república aparece na TV um dia destes a abordar o tema.
Somos contra a visão do doente como dado estatístico, GDH facturável ao Estado, acompanhado no PC da sala dos médicos, à distância (onde passam cada vez mais tempo), cliente a quem é necessário facturar serviços (esmiuçar GDHs). Resmas de gestores impreparados, gestão almanaque, pronta a usar, que apela ao imediato e improviso, onde o que é preciso é saber brilhar. Mercantilização, sinónimo de desumanização dos cuidados. Transferência de investimento para o sector privado enquanto o SNS perde capacidade e qualidade.
Clara Gomes

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domingo, julho 15

PPP da Saúde

Descarrilamento de 42 milhões de euros 
«Nunca uma ferrovia de apenas 1,1 km deu origem a um desastre financeiro tão pesado. A parceria para o monocarril de Oeiras levou a Teixeira Duarte (TD), entre investimento e perdas na exploração, a destruir 42 milhões de euros. Pior só o BCP (580 milhões). O sistema deixou de funcionar em 2015. A TD entregou por dois euros o equipamento à Câmara, mas já repartira as perdas pelos exercícios anteriores.» link 
O que tem este desaire a ver com a Saúde? 
Como tem sido divulgado pelos órgãos de comunicação, várias dificuldades sujeitaram a TD ao cumprimento de um plano de venda de activos e abatimento de dívida na execução do qual a Teixeira Duarte (TD) transaccionou recentemente o Lagoas Parque a um fundo por 375 milhões de euros link 
Numa outra operação, mais discreta, realizada em abril 2018, a TD vendeu a sua subsidiária TDHOSP, gestora do edifício do Hospital de Cascais (HC), por 19,4 milhões de euros à gestora de fundos 3i Invesments. link 
Como se sabe o modelo de contrato da PPP do Hospital de Cascais (HC) assenta em duas entidades gestoras: a Lusíadas Saúde, responsável pela prestação de cuidados de saúde; e a Teixeira Duarte, responsável pela construção, financiamento e, até esta venda, pela conservação e exploração do edifício. 
PPP da Saúde, mobilidade de participações 
No universo das PPP da Saúde a venda de participações tem sido uma constante.  A Somague  vendeu aos holandeses da Aberdeen as participações nas Parcerias Público-Privadas (PPP) dos edifícios dos hospitais de Braga e de Vila Franca de Xira. link 
A CGD, numa operação anterior, vendeu o grupo de saúde HPP, responsável pela gestão da prestação de cuidados do Hospital de Cascais, aos brasileiros da AMIL, entretanto adquirido pela United Healthcare, um fundo segurador e de pensões norte americano. link link link 
Como resultado da Oferta de Aquisição Pública (OPA) a Espírito Santo Saúde (ES Saúde), responsável pela gestão da prestação de cuidados do Hospital Beatriz Ângelo, foi vendida à Fidelidade, controlada pelos chineses da Fosun. link 
Estas alterações frequentes, normais no mundo dos negócios, são preocupantes quando se trata de hospitais. Uma das fragilidades marcantes do modelo PPP. A par da evidência, à medida que o tempo de contrato avança, que as PPP da Saúde são caras e não trazem melhores cuidados de saúde, nem poupanças em relação à gestão pública 
Futuro incerto 
O contrato do Hospital de Cascais (HC), que termina em dezembro 2018, gorada em primeira linha a decisão política de reversão para a gestão pública, foi recentemente renovado por proposta do governo com a "Lusíadas Saúde" até 2020. Para “dar tempo” à preparação/desenvolvimento de concurso publico internacional, cujo caderno de encargos, deverá prever o aumento significativo de actividade (em consonância com o alargamento da área de influência), aumento de especialidades (oncologia médica, infecciologia e pedopsiquiatria) e mais camas. Um reforço/alargamento aliciante do negócio da PPP em perspectiva, portanto.link 
O compromisso político deste governo, relativamente ao HC (até 2020), é a elaboração de um caderno de encargos que corresponda às actuais necessidades, lançamento de concurso público internacional, avaliação de propostas e selecção de adjudicatário. Caso nenhuma das propostas cumpra o interesse do estado (alinhamento de propostas com o caderno de encargos) haverá lugar à integração do HC na rede pública empresarial. 
Vamos acompanhar este processo com o máximo interesse.
Clara Gomes

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domingo, junho 10

10 junho 2018

Marcelo a banhos nos Açores. link  Quando não há tragédias a visitar, o PR trata do programa para se mostrar. 
António Costa, prefere demonstrar confiança nos acordos do OE 2019. link 
Adalberto Campos Fernandes, à deriva, acossado por greves, sem discurso nem chama (um palrador sem pio é o cúmulo da tragédia). 
SNS, as habituais notícias sobre as dificuldades crescentes: “Mais de um ano de espera por primeira consulta em pelo menos 20 hospitais”. link 
Neste deserto de lugares comuns e cumprimento de protocolo  damos a palavra a quem tem ainda alguma coisa para nos dizer. 
...
O que achou quando ouviu o ministro das Finanças dizer que provavelmente há “má gestão” na Saúde? 
São afirmações ligeiras. Falar em má gestão é uma banalidade. O principal problema da gestão é não haver gestão nenhuma. Está toda centralizada no ministério das Finanças e no da Saúde. Um hospital ou um centro de Saúde não gere nada. Recentemente perguntaram-me se a Oncologia Pediátrica do Hospital de São João não devia ser uma prioridade. Claro que sim, mas não se pode resolver o problema localmente. Quando se corta cegamente, por imperativo da Troika ou outro, há que centralizar. Mas agora, no momento em que estamos a repor, não pode ser assim. Num serviço tão complexo e sensível como o SNS, a gestão tem de ser feita perto das pessoas e isso desapareceu. A menos que fosse à excessiva centralização que o ministro da Finanças se referia quando falou em má gestão. Se não era isso, foi apenas ruído. 
O ministro da Saúde já disse que a reposição dos recursos do SNS ao nível anterior à crise é coisa para duas legislaturas. 
A questão não é essa. Devido aos cortes todos que houve, concordo que a reposição irá durar mais de uma legislatura. Mas não se deve fazê-la sem transformação. Ou então iremos repor o mesmo sistema disfuncional. Não queremos mais médicos ou mais enfermeiros para o sistema tal como ele era em 2010. Precisamos é de uma estratégia orçamental a pensar no sistema que devemos ter em 2020 ou 2025. 
Entrevista de Constantino Sakellarides, Visão 27.05.18 link

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sábado, março 10

SNS, plano de emergência

Plano de Emergência para o SNS
Só há melhor saúde para todos com mais e melhor Serviço Nacional de Saúde!
Consciente de que a situação do SNS necessita de respostas imediatas, de que exige a ruptura com a política de direita e a adopção de uma política alternativa, o PCP apresenta hoje um Plano de Emergência para o Serviço Nacional de Saúde.
O plano que propomos contempla o reforço de investimento para a requalificação e construção de centros de saúde e hospitais, substituição e renovação de equipamentos e alargamento de valências nos cuidados de saúde primários; a contratação de profissionais de todas as categorias dando-lhes condições de trabalho, repondo direitos e valorizando as carreiras; atribuir médico de família e enfermeiros de família a todos os utentes; reduzir os tempos de espera para consultas e cirurgias; reverter as PPP e assegurar a gestão pública dos hospitais actualmente em gestão PPP, revogar as taxas moderadoras e garantir o transporte de doentes não urgentes.
São propostas para defender e reforçar o SNS, garantir os direitos dos utentes e dos profissionais.
O Serviço Nacional de Saúde, os utentes e os profissionais exigem respostas claras e sem tibiezas para acudir à situação de emergência.
Todos os dias os utentes do Serviço Nacional de Saúde e os seus profissionais estão confrontados com as consequências gravosas de décadas de política de direita levada a cabo por PS, PSD e CDS e que o Governo do PS tarda em romper.
2 milhões de utentes faltam às consultas porque não conseguem pagar os custos com os transportes e 10,8 % não compram toda a medicação que necessitam;
Cirurgias e exames complementares de diagnóstico não se realizam por avaria de equipamentos;
Aumentam os tempos de espera para consultas de especialidades na esmagadora maioria dos hospitais do SNS;
Utentes sem médico de família, incluindo bebés;
Carência de profissionais de saúde, atrasos persistentes e incompreensíveis na abertura de concursos para a sua contratação;
Sangria de recursos públicos para os grandes grupos económicos que operam na saúde, quer por via das PPP, quer por via de acordos e convenções.
Tudo isto são exemplos das consequências da política de direita. É essa política que é preciso dizer basta!
Garantir o direito dos portugueses de acesso aos cuidados de saúde exige, como o PCP defende, o reforço de investimento no Serviço Nacional de Saúde, a reposição dos direitos dos utentes e a valorização dos profissionais do sector, o combate à privatização da saúde.
É essa a proposta que o PCP faz.
Grupo parlamentar do PCP  link

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sábado, fevereiro 24

Saúde, difícil imaginar pior

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, lamentou esta noite que o ministro da Saúde ainda não tenha conseguido fechar nenhum dos dossiês negociais com as várias profissões da saúde, nesta legislatura. "É difícil de compreender que o ministro da Saúde não consiga chegar a entendimento nem com os médicos, nem com os enfermeiros, nem com os técnicos de diagnóstico e terapêutica, nem com os farmacêuticos dos hospitais, nem com os auxiliares", frisou a líder do Bloco. 
Catarina Martins falava em Santa Maria da Feira, durante a primeira de um conjunto de sessões e iniciativas que os bloquistas vão realizar em todo o país até abril, com o objetivo de criar um movimento em defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS). 
A coordenadora do BE referiu que "as mais variadas áreas das profissões da saúde" estão em negociação desde o início da legislatura com o Ministério da Saúde e "aparentemente não é possível o acordo", adiantando que "não está em causa nenhuma reivindicação completamente fora de cabimento". 
"O que está em causa é a organização básica e o respeito básico pela atividade destes profissionais que é também a organização mais básica do SNS", vincou. 
Catarina Martins referiu que o ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, "responde muito bem à direita", no debate parlamentar, mas o que interessa aos bloquistas é a resposta que dá aos utentes e aos profissionais do SNS e aí, garante, "a resposta não é aquela de que o país precisa". 
"É um facto que os profissionais de saúde estão a trabalhar horas a mais, estão a acumular tarefas de uma forma impossível e não têm os meios necessários para a sua função todos os dias, como é verdade que os utentes sentem que não têm tantas vezes a resposta atempada que precisam", observou. 
Referiu-se ainda ao problema do conflito de interesses com o privado que, segundo a mesma, "tem fragilizado o SNS", realçando que "bem mais de um terço do dinheiro do orçamento da saúde é para pagar aos privados". A líder do Bloco defende que é necessária uma nova lei de bases da Saúde que separe o público do privado e garanta o acesso universal e integralmente gratuito e mais investimento público no setor. 
"Seria um enorme erro se no tempo desta legislatura não fosse possível uma maioria parlamentar para uma nova lei de bases de saúde que proteja o SNS. Temos um ano para fazer uma nova lei de bases da saúde e é nesse trabalho que estamos empenhados", afirmou. 
Na mesma sessão, o deputado do Bloco Moisés Ferreira disse que o atual Governo do PS e o ministro da saúde "são insuficientes para fazer a defesa do SNS". 
"O SNS está ameaçado de há vários anos a esta parte e é preciso quem saia à rua para o defender. O PS não é capaz nem quer afrontar os negócios privados. Seremos nós neste grande movimento que estamos aqui a construir que faremos essa luta", afirmou. 
 JP 24.02.18 link 
ACF, tem sistematicamente procurado refúgio nas costas largas do ministro das finanças, na tentativa de justificar/esconder a inépcia da sua governação relativamente aos vários dossiers da Saúde. 
De acordo com esta tentativa de ocultar a realidade as coisas não andam por causa do Centeno que não autoriza os carcanóis. Uma versão light, actualizada, do ministro das finanças salazarento de antigamente. Curiosamente, os sindicatos da saúde, erradamente, têm dado eco a esta habilidadezinha saloia. 
Certo é que as coisas da Saúde estão como estão, vão mal, porque o ministro da saúde, além do patacuá nas comissões e plenário da AR, tem demonstrado não estar à altura das exigências do cargo. Fala, fala, mas não decide. Fala, fala mas não resolve. Empata. Não empata porque, entretanto, os problemas vão-se agravando. Cada vez mais difíceis de resolver. 
Não cuide Carlos Costa de intervir, quanto antes, dar uma ajudinha ao seu ministro em dificuldades, ou , em breve, acordará com a geringonça de pantanas. 
Nota: Quem diria que com um ministro duma coligação de esquerda os investidores das privadas da saúde iriam encontrar tanta felicidade: Cresce o negócio afunda-se o SNS.
Clara Gomes

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domingo, fevereiro 4

Pacto prá saúde, lá vai andando

Despacho n.º 1222-A/2018 - Comissão para a revisão da Lei de Bases da Saúde
O direito à proteção da saúde como direito fundamental, constitucionalmente consagrado no âmbito dos direitos e deveres sociais, é uma das mais relevantes realizações da democracia.
As sucessivas revisões à Lei Fundamental foram introduzindo alterações à formulação inicial sem, contudo, terem alterado o papel estruturante do Serviço Nacional de Saúde (SNS) no «acesso de todos os cidadãos, independentemente da sua situação económica, aos cuidados de medicina preventiva, curativa e de reabilitação».
Por sua vez, a Lei de Bases da Saúde de 1990 visou estabelecer os princípios gerais que enformam o conjunto do sistema de saúde português, no qual se inclui o SNS.
No decurso dos quase trinta anos desde a adoção da Lei de Bases da Saúde, tanto o sistema de saúde português, como o seu contexto nacional e internacional evoluíram consideravelmente.
Ainda na década de 90 deram-se os primeiros passos para melhorar e inovar a gestão e organização do SNS, tanto nos hospitais como nos centros de saúde, ensaiaram-se modelos de integração de cuidados, introduziram-se processos de contratualização e novas formas de remuneração profissional, associadas ao desempenho.
No sistema de saúde, referindo apenas alguns aspetos relevantes, tiveram lugar, nas últimas décadas, ajustamentos progressivos ao regime de convenções com os prestadores privados de cuidados de saúde, alterações profundas na ADSE, o desenvolvimento da rede de cuidados continuados com amplo recurso ao setor social e a adoção do modelo de Parcerias Público-Privadas (PPP).
No início desta década, o sistema de saúde português sofreu as consequências de um ajustamento económico-financeiro severo, com reflexos significativos no financiamento da saúde, com importantes repercussões nas condições de funcionamento do SNS e evidentes implicações nas relações entre os diferentes setores.
A integração e a participação de Portugal na União Europeia, pese embora o princípio da subsidiariedade, tem vindo a influenciar a formulação das políticas de saúde pública, através de mecanismos cada vez mais exigentes. Estes, no entanto, nem sempre têm sido suficientemente atentos aos seus efeitos sobre a saúde e os seus determinantes sociais, incluindo a redução das desigualdades no acesso a cuidados da mais elevada qualidade no tempo adequado. Também os normativos da circulação de doentes no espaço da União Europeia não deixam de ter consequências nos sistemas de saúde dos países europeus.
São ainda de considerar, no sistema de saúde português, as implicações de fatores globais mais relevantes, as transformações previsíveis a nível dos modelos de organização do trabalho, a evolução exponencial do conhecimento científico e das tecnologias no domínio das ciências da vida, as tecnologias de informação e comunicação, as consequências das redes sociais na formação da opinião pública, as implicações das alterações climáticas e da insegurança informática na saúde, nos cuidados de saúde e nos orçamentos públicos e a crescente influência da economia nas políticas públicas.
Saliente-se, ainda, a importância no desempenho da economia dos níveis de saúde da população, quer no contexto nacional, quer global.
É, pois, a altura própria de aprender com a experiência das últimas décadas e com os desafios que do presente se podem antecipar para o futuro próximo e proporcionar ao país uma Lei de Bases da Saúde que assegure aos portugueses a melhor promoção e proteção da saúde, incluindo o acesso apropriado a cuidados de saúde de qualidade.
A Lei de Bases da Saúde diz respeito ao setor público, ao setor social e ao setor privado. Mas diz respeito sobretudo ao bem-estar dos portugueses.
O SNS tem-se revelado, nos últimos quarenta anos, como um dos maiores sucessos da democracia portuguesa. Um SNS moderno, integrando melhor os seus múltiplos serviços, centrado nas pessoas e nas suas capacidades de tomar decisões informadas sobre a sua saúde, os serviços de saúde de que necessitam e a sua participação ativa nas decisões públicas que dizem respeito ao seu bem-estar não pode deixar de ser uma preocupação essencial da Lei de Bases da Saúde.
Neste contexto, é criada uma Comissão de Revisão da Lei de Bases da Saúde e designados a sua Presidente e os membros que a integram.
Assim, determino o seguinte:
1 - A Comissão de Revisão da Lei de Bases da Saúde, adiante designada por Comissão, é presidida por Maria de Belém Roseira Martins Coelho Henriques de Pina, cuja nota curricular consta do anexo ao presente despacho e do qual faz parte integrante.
2 - A Comissão tem por mandato apresentar os termos de referência para a elaboração de uma Proposta de Lei até ao início da sessão legislativa 2018/19, com projeto de articulado, visando a revisão da Lei de Bases da Saúde n.º 48/90, de 24 de agosto, atualmente em vigor.
3 - A Comissão desenvolverá o seu trabalho em quatro fases, com a seguinte sequência:
3.1 - Elaboração de um primeiro projeto legislativo;
3.2 - Discussão desse projeto com os parceiros institucionais, os representantes dos agentes do setor e ainda as entidades relacionadas, cuja audição a Comissão considere importante para o bom andamento dos trabalhos;
3.3 - Promoção da discussão pública do projeto;
3.4 - Entrega do trabalho final nos termos referidos no n.º 2.
4 - Para efeitos do disposto em 3.1, a Comissão consultará especialistas das várias áreas do saber que sejam necessários para a elaboração do primeiro projeto.
5 - A Comissão integra as seguintes personalidades da área, referidas por ordem alfabética:
Doutor André Dias Pereira, Professor da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra;
Doutora Cláudia Monge, Advogada e Professora Auxiliar da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa;
Doutora Helena Pereira de Melo, Professora da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa;
Dr.ª Isabel Saraiva, vice-presidente e presidente de associações de doentes;
Mestre Sofia Crisóstomo, coordenadora do projeto «Mais participação, melhor saúde» e membro de associações de doentes.
6 - O Doutor José Reis Novais, Professor Associado da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e a Doutora Luísa Neto, Professora Associada da Faculdade de Direito da Universidade do Porto, prestarão o seu conselho à Comissão, quando solicitado.
7 - Os serviços e organismos dependentes do Ministério da Saúde prestarão à Comissão as informações necessárias ao bom andamento dos trabalhos que lhes sejam solicitadas.
8 - A Secretaria-Geral do Ministério da Saúde assegura o apoio logístico e administrativo necessários ao desenvolvimento dos trabalhos.
9 - Os encargos relativos ao reembolso das despesas de deslocação e estadia dos membros da Comissão são suportados pelos respetivos serviços de origem, quando aplicável e se trate de organismos do Ministério da Saúde ou por este tutelados, e, nos demais casos, pela Secretaria-Geral do Ministério da Saúde.
10 - O presente despacho produz efeitos desde o dia 1 de fevereiro de 2018.
31 de janeiro de 2018. - O Ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes.
....
 «Sem desmerecer as competências profissionais dos elementos que compõem a comissão para e revisão da Lei de Bases da Saúde, presidida pela Drª Maria de Belém, é surpreendente a visão que o Ministério da Saúde tem desta matéria. Em cinco elementos efectivos, três são juristas. Isto é um mau indicador do sentido que se pretende dar à revisão. O sentido de que, sendo uma Lei, é predominantemente um assunto da área do direito. Não são, de facto, boas notícias. Daí a necessidade da mobilização e intervenção dos movimentos sociais neste assunto.»
Cipriano Justo, Facebook 02.02.18
Não são de facto boas notícias.
Tudo começou mal com a indigitação da Drª Maria de Belém.
O objectivo do ministro é claro: Matar à nascença, por exemplo,  qualquer  veleidade de separação de sectores da saúde. O que se pretende é liberalizar, liberalizar para que os operadores privados possam avançar mais facilmente e dominar ,dentro em breve, completamente o sector.
Clara Gomes

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domingo, janeiro 28

Gestão "fast food"

A despesa com as Parcerias Público Privadas (PPP) da área da Saúde tem aumentado ao longo dos anos. Em 2012, a despesa com as PPP da Saúde situou-se nos 326,4M euros, subindo em 2013 para os 401M euros, em 2014 para os 412M euros, em 2015 para os 429M euros e em 2016 para os 431M euros. Segundo o OE 2018, a despesa com estas PPP situar-se-à em 2017 nos 479M euros, prevendo-se que em 2018 atinja os 471M euros (no entanto, o histórico dos últimos anos tem mostrado que a despesa com este tipo de gestão de hospitais do SNS acaba por se situar significativamente acima do estimado).
As PPP são caras para o Estado e não trazem nem melhores cuidados de saúde, nem poupanças em relação à gestão pública. Basta ver os dados do benchmarking dos hospitais, publicados pela ACSS, para perceber que, por exemplo, nos indicadores de acesso, de desempenho assistencial e de segurança, os hospitais de gestão pública classificam-se significativamente melhor do que os hospitais de gestão PPP-
Se virmos os dados da PPP de Cascais e os compararmos com a média dos hospitais públicos comparáveis em dimensão e diferenciação, só podemos chegar a uma outra conclusão que a gestão privada deste hospital tem ficado mais cara para o Estado.
Em 2015, o Estado pagou aos hospitais públicos 44 euros por cada primeira consulta, à PPP de Cascais pagou 79  euros (um custo 82% superior). A consulta subsequente foi paga aos hospitais públicos a 44 euros enquanto que à PPP de Cascais se pagava a 59 euros (um custo 36% superior). Nas urgências, enquanto os hospitais públicos receberam 54 euros por cada atendimento, a PPP de Cascais recebeu 69 euros (29% a mais), para além disso, foi pago à PPP de Cascais mais 3,62M euros só para garantir a disponibilidade do serviço de urgência, valor que não foi pago aos hospitais públicos com serviço de urgência semelhante.
Feitas as contas o hospital de Cascais foi, em 2011, 4,1M euros mais caro; em 2012, 10,4M mais caro; em 2013, 13,6M euros mais caro;  em 2014, 13,9M euros mais caro; em 2015, 9,3M euros mais caro. Em cinco anos, o estado gastou mais 51,3M euros com a PPP de Cascais para contratualizar os mesmos serviços que contratualiza com os hospitais de gestão pública.   
Em janeiro deste ano o governo decidiu, erradamenbte, lançar um novo concurso internacional com vista à renovação da PPP de Cascais . Dizemos erradamente porque está a desperdiçar o momento ideal para trazer para a gestão pública aquilo que deve ser público, sem possibilidade de litigância por parte dos privados e, por isso, sem nenhuma chance sobre hipotéticas indemnizações a pagar pelo Estado.
Nesse despacho publicado porque o contrato com a entidade gestora do Hospital de Cascais estava a dois anos do término, decidia-se lançar um novo procedimento concursal com vista a uma nova Parceria Público Privada, mas previa-se mais ainda: A possibilidade de renovar o actual contrato com a Lusíadas Saúde por mais dois anos (ou seja, até ao final de 2020), caso o novo contrato resultante do novo procedimento concursal não se encontrasse a fazer efeito até ao dia 31 de Dezembro de 2018.
Acontece que se soube hoje, dia 29 de novembro, que a prorrogação do contrato com o grupo Lusíadas Saúde já foi feita, de forma administrativa, por mais dois anos. Mantém-se os mesmos privados à frente de um hospital inserido no SNS, sem recurso a concurso, e sem explicação sobre o assunto.
O Bloco de Esquerda considera que a audição do Ministro da Saúde é urgente porque esta prorrogação do contrato não é transparente nem respeita o interesse público.
Moisés Ferreira, BE, Audição MS anúncio de renovação da PPP de Cascais por mais dois anos, de forma administrativa e sem recurso a concurso.

Começam a surgir dados de informação, seguros e esclarecedores, sobre o que vale a gestão dos hospitais PPP.  Sobre esta matéria o documento do BE é esclarecedor.
Mais caras. Menos qualidade. Muita pantominice.
Mas há outras diferenças e subtilezas. O utente (doente) do Hospital PPP não é cliente do grupo (entidade responsável pela exploração), é apenas utente da PPP, do SNS, do Estado, usufruindo de tratamento correspondente ao pagamento da tabela.
E esta idiossincrasia faz toda a diferença.
Sem preparação específica adequada os gestores das PPP tratam do negócio com a frieza que as estatísticas das tabelas excel ou dos gráficos das apresentações "powerpoint" lhes transmitem.
Apesar da operacionalidade das instalações (edifícios novos, recém construídos), a qualidade da gestão clínica não ultrapassa a dos piores hospitais públicos. Mas sempre, onde a mercantilização é sinónimo de desumanização dos cuidados.
Onde as PPP são melhores é no marketing, com acções permanentes, quase diárias, de propaganda sobre tudo e sobre nada.
E ainda procissão vai no adro. O processo de implementação das PPP da Saúde no nosso país está ainda numa fase de investimento, a ganhar corpo, tentar a hegemonia do mercado da saúde. Para num futuro próximo poder gozar os proveitos de um mercado dominado de vacas gordas.
Adalberto Campos Fernandes, defensor das PPP e do pacto para a saúde, tem demonstrado neste processo apenas preocupação em alijar responsabilidades. Por a matéria em causa fazer parte do programa da Saúde ou resultar de recomendações da UTAP (execução de concurso público internacional e a recente renovação do contrato da PPP de Cascais por mais dois anos). Tudo pretexto para mais e longos discursos de auto comprazimento e conversa fiada.

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sábado, dezembro 9

Cada vez pior!

Acha que Vieira da Silva é um ministro mais amigo dos patrões?
Eu nunca vejo a política como um jogo de simpatias ou meço um Governo pelas vontades individuais dos ministros. Política é relação de forças. O que é verdade é que o PS é permeável aos grandes interesses económicos. E isso vê-se na medida da energia, como se vê na recusa de mudar a legislação laboral, ou vê-se também na forma como continua a proteger o sector privado da saúde numa altura em que é tão necessário proteger o SNS
O Governo acabou discretamente por renovar por dois anos a PPP do Hospital de Cascais, quando há um ano o ministro da Saúde tinha dito que a decisão estava tomada e que não haveria negociação direta.
O PS faz parte de um centro político em Portugal que ao longo dos tempos promoveu a promiscuidade entre os grandes interesses económicos e a decisão política. Há uma enorme expectativa, desde logo da base do PS, que os acordos feitos à esquerda permitam cumprir a expectativa de uma democracia que fica mais reforçada e que é capaz de colocar os interesses económicos onde devem estar e não a mandar no poder político. E acho que o PS frustra essa expectativa quando mantém as PPP de hospitais privados como Cascais, que custam por ano €10 milhões a mais do que um hospital público nas mesmas condições. Ou quando é incapaz de mexer na energia. Ou quando nem as alterações laborais que estão no programa de Governo é capaz de fazer.
Mas acha que é um mau sinal em relação a uma possível negociação com o PS para uma nova lei de bases na saúde?
O SNS é dos serviços mais fragilizados. O que tem acontecido é que tem existido um desgaste do SNS por meios muito diversos. Portanto, é preciso atacar esses problemas todos.
Quais?
Há o problema claro do subfinanciamento. O orçamento do SNS durante os anos da troika, com o Governo PSD-CDS, encolheu 1600 milhões. De lá até cá só recuperámos 600 milhões. Ou seja, ainda estamos mil milhões abaixo do que estávamos nessa altura. Portanto, há aqui um problema claro de opções. Nós temos estado a fazer opções de financiamento que fazem com que grande parte dos recursos da saúde vão para o sector privado. Para lá das PPP de que já falámos, nos meios de diagnóstico, por exemplo, o Estado gasta em contratualizações de diagnóstico todos os anos mais de mil milhões de euros. E há um ano o ministro da saúde dizia que bastavam 800 milhões de euros para substituir material obsoleto e poderíamos internalizar boa parte desses serviços. E finalmente temos o problema dos trabalhadores do SNS, nas suas mais variadas áreas. E é para nós difícil de compreender como é que este tempo todo o ministro da Saúde tem problemas por resolver com todos os profissionais da área da saúde. Alguns com casos tão caricatos — ou terríveis — como os técnicos de diagnóstico, que deixaram de ter carreira com a promessa de que teriam uma nova carreira e não se criou carreira nenhuma. Ficaram num limbo. E o ministro nem encontrava tempo para se reunir com estes profissionais da saúde.
Quando é que o BE apresentará a sua proposta?
A proposta de Arnaut e Semedo será apresentada formalmente pelos seus autores no início de janeiro. O que nós já nos comprometemos a fazer é pegar na proposta e fazer um debate interno e externo.
Essa poderia ser uma das áreas de convergência além dos acordos assinados em 2015. Tendo em conta que dos acordos de 2015 já quase 80% a 90% estão cumpridos ou em andamento, o que é que falta ainda cumprir?
O problema dos serviços públicos é o mais complicado e é o que diz mais a toda a gente. Porque servem toda a gente. A escola pública está muito fragilizada. No SNS, dos 1600 milhões que foram cortados ainda só recuperámos 600 milhões. Na educação, dos 1200 milhões que foram cortados ainda só repusemos 300 milhões. E isto em termos nominais, sem ter em conta a inflação ou o crescimento do PIB. É preciso, no espaço desta legislatura, ter a coragem de proteger serviços públicos que são fundamentais. E isso significa mais investimento na escola, retirar as medidas de Nuno Crato que estão a retirar os alunos das famílias mais carenciadas da possibilidade de terem um processo de aprendizagem pleno. E é possível, do ponto de vista da economia, fazer algumas alterações ainda durante esta legislatura, assim o queira o PS. Nomeadamente nos direitos do trabalho, na energia e no investimento público.
Maria de Belém é opção “preocupante”
O BE reage de forma dura à escolha de Maria de Belém Roseira para rever a Lei de Bases da Saúde, a convite do ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes. Maria de Belém, ex-ministra da Saúde, ex-deputada e ex-presidente do PS (a convite de António José Seguro) é também consultora do grupo privado Luz Saúde e é isso que leva Catarina Martins a considerar que a sua escolha por parte do Governo foi “um sinal estranho e preocupante”. “Uma nova lei de bases da saúde — que protegesse o SNS da predação dos privados e ao mesmo tempo conseguisse respeitar os profissionais e utentes — era uma medida que tinha espaço para uma alargada convergência política, porque não seria só acarinhada pelo BE”, considera a bloquista. Catarina Martins insiste que “teria sido possível fazer mais com negociações a três”, ou seja, que se PCP tivesse aceitado negociar à mesa mesa de BE e PS, este teria cedido mais. A coordenadora do BE não quer falar muito sobre o pós-2019 mas vai dizendo que uma das próximas prioridades será a reforma fiscal.
Expresso 09.12.17
Vejo com muito cepticismo o relançamento político do próximo ano: Discussão da Lei de  Bases da Saúde (Maria de Belém, concordo, é péssima escolha); continuidade das PPP (todos sabemos o logro que são as PPP e o empenho dos defensores do Pacto para a Saúde); resolução do rosário de problemas que afectam a Saúde: Subfinanciamento, pacificação dos grupos profissionais, renovação do parque de equipamentos.
Ao fim de dois anos de exercício nunca como nesta legislatura os problemas da Saúde continuam a acumular-se/agravar-se e o ministro da saúde a demonstrar cada vez maior incapacidade para a sua resolução.
Clara Gomes


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