quinta-feira, outubro 25

Compromisso prá Saúde


Finalmente!
Os HHs do SNS vão poder conter a despesa e equilibrar as contas.
Simples!

As farmácias hospitalares em processo de concessão (out sourcing) vão passar a vender medicamentos de distribuição exclusiva hospitalar para o tratamento dos doentes com patologias do cancro e Hiv/Sida.

Trata-se de dar cumprimento ao previsto no artigo 14.º do acordo "Compromisso para a Saúde", estabelecido entre o XVII Governo Constitucional e a ANF: Serão instaladas farmácias de venda ao público nos estabelecimentos hospitalares para dispensarem receituário dos serviços oficiais de saúde, devendo funcionar 24 horas por dia e 365 dias por ano. Estes serviços serão concessionados, sendo dada preferência a proprietários de farmácias localizadas na mesma zona.link

O negócio vale 320 milhões link, mais coisa, menos coisa.
Ganham os HHs, ganham os filiados da ANF ! Perdem os doentes do SNS:
«As farmácias hospitalares não estão nem nunca vão estar preparadas para vender medicamentos para o cancro». Laranja Pontes,presidente do IPO/Porto.

Trata-se da medida, mais humilhante, em prejuízo dos doentes do SNS, prevista no acordo de capitulação estabelecido entre o primeiro ministro, José Sócrates e a ANF. Eufemisticamente designado de "Compromisso para a Saúde".

Etiquetas:

27 Comments:

Blogger SNS said...

Excelente trabalho do Diário Económico.

1:52 da manhã  
Blogger Joaopedro said...

O importante nesta matéria não é o facto de os HHs verem-se livres da dispensa de medicamentos aos doentes oncológicos e HIV/SIDA.
O importante é que esta dispensa vai passar a ser feita com maior risco para os doentes.

Nestas ocasiões há sempre os habituais papagaios de serviço que correm em defesa do Governo. Como é o caso do senhor Vaz Carneiro.

8:28 da manhã  
Blogger helena said...

O primeiro ministro, José Sócrates e o ministro da Saúde, são os primeiros responsáveis nesta macacada.

O professor Vasco Maria prepara-se para entrar em cena.

Quando se trata de defender os doentes são poucos os que têm coragem de dar a cara.

8:32 da manhã  
Blogger e-pá! said...

A pública encenação, representada há alguns tempos entre a ANF e o Governo, exibiu uma aviltante claudicação dos interesses públicos.
O governo mostrou-se incapaz de legislar sobre a propriedade das farmácias da mesma maneira que trata das questões normativas de outros sectores privados, sociais ou até públicos. Quando tentou mexer no tabu da ANF foi-lhe imposto um pacote de contrapartidas. Como não podia dar uma imagem de condescendência, de fraqueza, tornou-se necessário arquitectar um cenário de idílico interesse público. Aí, perante o olhar atónito dos portugueses, foi exibida a peça: “Compromisso para a Saúde”.
Má escolha! O repositório pode ser tudo menos isso.

A “intrusão” das farmácias nos HH’s é um secreto desejo, desde há muito, alimentado pela ANF. A reacção de JC à proposta de “farmácias sociais” efectuada, há uns anos, por Ferro Rodrigues, mostrou como esta questão é fundamental para a ANF. E não são necessárias especulações para além da indisfarçável pretensão hegemónica do mercado farmacêutico. Trata-se de um negócio de 320 milhões de euros.
O Governo conhecendo essa apetência das farmácias pelos HH’s e, não sejamos pudicos, pelo negócio, vislumbrou o tal “compromisso”. Trata-se, em relação aos doentes portadores de doença oncológica ou infectados por HIV, cujo arsenal terapêutico traduz-se em custos economicamente pesados, de uma despesa passível de ser eliminada / “escondida” do orçamento (OE). E este factor (orçamental) passa a ser o fundamental, para quem continua com o PAC às costas. Portanto, se a tentação foi grande, a imprudência foi ainda maior.
O restante, i.e., o que vem nos 28 artigos que incorporam o “compromisso”, incluindo a expansão do negócio (artº. 13) até parecem meros aconchegos. Parecem, mas não são! Também aqui se deu um salto em frente, embora muitos dos itens já viessem a ser praticados, como por exemplo, a venda de produtos naturais, veterinários e de saúde e conforto (presume-se cosméticos, etc.).
O que é novo e interessaria questionar, no interesse dos doentes, é a competência e aptidão técnica para exercer outros, como por exemplo, administrações de:
- vacinas não incluídas no Plano Nacional de Vacinação da Direcção-Geral de Saúde,
- de medicamentos e primeiros socorros;
Ou, ainda, a realização de meios auxiliares de diagnóstico e terapêutica; Infelizmente, não inibe a interpretação destes exames donde podem nascer as mais variadas confusões e danos.
Assim, numa “penada” ou pernada passou-se por cima, ou ao lado dos sectores: de enfermagem e dos MCDT.

A dispensa em farmácias hospitalares destes medicamentos é outra ultrapassagem. Desta vez das estruturas hospitalares e Institutos que ao longo de anos foram criadas e treinadas para as particularidades da terapêutica oncológica e antiretroviral. Um simples negócio, mascarado de compromisso, pode perturbar as mais valias que estes doentes foram obtendo ao longo dos anos.

Afirma-se nesse tal documento: “As farmácias em Portugal funcionam com qualidade assinalável e o sector tem-se mostrado disponível para participar na resolução dos problemas de saúde que a sociedade vai colocando.”
Tal asserção não se aplica a este novo “negócio”. Falta-lhe conhecimento, desempenho e treino neste “ramo”.
O que estamos a assistir é a atribuição de uma escandalosa benesse que, como a administração de muitos medicamentos oncológicos, precisa de ser monitorizada, ao longo do tempo.
Dada a atipicidade do caso (no meio hospitalar, entenda-se) falta saber por quem:
- pela ERS?
ou,
- pela ASAE?

1:09 da manhã  
Blogger Vladimiro Jorge Silva said...

Confesso a minha estupefacção com o que se passa neste blogue: quem vos viu e quem vos vê, meus caros!
Apesar de já estar há algum tempo sem intervir neste magnífico fórum de discussão, desta vez não me consigo conter, tamanhas são as imprecisões e tão afastada da realidade está a discussão.
Mas comecemos pelo princípio: ao contrário do que por aqui se diz, este é um péssimo trabalho do DE.
A notícia tal como está é sensacionalista, imprecisa e, em alguns aspectos, errada.
Se seguirem o link que o Xavier disponibilizou (para o "compromisso com a saúde")poderão verificar que aqui se estão a misturar duas questões diferentes: a abertura de farmácias comunitárias (iguais às que actualmente existem pelas ruas e aldeias de todo o país) nas instalações dos hospitais e a venda de produtos que até agora têm sido de uso restrito hospitalar em farmácias comunitárias (localizadas em hospitais ou em qualquer outro local).
Ou seja, não podemos confundir as farmácias hospitalares, que desde sempre foram responsáveis pela distribuição de medicamentos "para o cancro e SIDA" (eu próprio o fiz na minha curtíssima passagem pela farmácia hospitalar há quase 10 anos) com as novas farmácias que vão abrir nos hospitais ou com as farmácias comunitárias que já existem em todo o país.
Até porque os farmacêuticos hospitalares são seguramente os profissionais de saúde mais bem preparados e com mais experiência nestas funções, que aliás desempenham desde sempre.
Por outro lado, é absurdo referir que as novas farmácias dos HHs constituem a principal preocupação deste aspecto do "compromisso", uma vez que estas, pela sua proximidade aos HHs e respectivos serviços de farmácia hospitalar, até serão aquelas em que haverá maior facilidade de esclarecimento de dúvidas e melhor acesso à informação.
Além disso, o "compromisso" não prevê a passagem de todos os medicamentos "para o cancro e SIDA" para fora dos HHs, mas apenas aqueles em que isso é tecnicamente possível (há muitos em que isso será impossível, pois a sua preparação exige condições laboratoriais muito específicas e que dificilmente seriam implementáveis na maioria das farmácias comunitárias). Ou seja, mesmo que o valor total do mercado seja de 320 milhões de euros, só uma parte deste é que está em causa.
Por outro lado, temos que ser intelectualmente honestos na apreciação económica que fazemos do projecto: sendo público que as novas farmácias a abrir nos HHs vão pagar ao hospital uma mensalidade fixa de cerca de 10.000 euros mais uma mensalidade variável correspondente a 36% da facturação (recordo que a margem legal dos medicamentos é 18,25%, que passam a 25,12% se se adicionar a margem da distribuição), a verdade é que desta forma o Estado poupará imenso dinheiro nestes medicamentos, pois não acredito que os esteja a comprar mais baratos do que o valor correspondente à diferença entre o preço final e o que é devolvido por via da quota variável das novas farmácias hospitalares!
Ou seja, esta é uma medida de grande poupança por parte do governo e que facilmente pode ser salvaguardada sob o ponto de vista técnico (restringindo o número de fármacos abrangidos e exigindo formação específica aos farmacêuticos responsáveis pela sua cedência).
Por último, e respondendo ao É-pá: ao contrário do que refere, este nunca foi um "desejo secreto" da ANF, mas sim um projecto sempre assumido há vários anos (basta ver as declarações de Manuela Arcanjo ao DE).
E ao contrário do que por aqui se escreve, as novas farmácias que vão abrir nos HHs são um enormíssimo problema para a ANF (arrisco mesmo a dizer: o mais grave problema desde a fundação da ANF) e não uma vitória política ou económica.
Pessoalmente eu sou contra a abertura das novas farmácias nos HHs e também não concordo com a cedência destes medicamentos fora dos serviços de ambulatório da farmácia hospitalar tradicional. No entanto, é inquestionável que o Estado vai conseguir grandes poupanças com a implementação destas medidas!

10:30 da manhã  
Blogger Joaopedro said...

Não entendo a exaltação do Vladimiro.

Senão vejamos...

O compromisso para a Saúde ´prevê o "outsourcing" de farmácias comunitárias hospitalares.

Estas farmácias poderão comercializar os produtos usualmente disponíveis nas farmácias comunitárias.

Bem como:
produtos naturais;
- produtos veterinários;
- produtos de saúde e conforto;
- vacinas não incluídas no Plano Nacional de Vacinação da Direcção-Geral de Saúde, administração de medicamentos e primeiros socorros;
- meios auxiliares de diagnóstico e terapêutica.

E ainda:

«Os medicamentos actualmente distribuídos nos hospitais e que possam tecnicamente ser dispensados em farmácias, poderão ser por elas distribuídos, em termos a regulamentar.»

E aqui vamos ver até onde vai o desplante dos peritos do Infarmed e dos professores Vaz Carneiro e Vasco Maria.

A grande jogada do MS está em lançar para o circuito comercial os medicamentos de distribuição gratuita hospitalares do Hiv/sida e oncologia.
Num futuro próximo os utentes do SNS vão ter de avançar com o seu dinheirinho (posteriormente reembolsado) para ter acesso a estes medicamentos. Tipo ADSE.
O Dr. Vladimiro sabe o que isto significa em termos de acesso aos medicamentos para os doentes do SNS?

Comparado com isto, a receita resultante da exploração destes estabelecimentos, que tanto parece impressioná-lo, são peanuts.

Portanto relativamente às farmácias hospitalares temos como resultado do Compromisso para a Saúde, duas coisas:
a) - Concessão de farmácias hospitalares;
b) - Venda de medicamentos de distribuição exclusiva hospitalar com a dimensão que o Infarmed determinar.

Onde estão, afinal, as imprecisões do post do Saudesa?

O dr. Vladimiro acaba por confessar que não concorda com esta medida do compromisso para a saúde.

Tudo bem!

Não sabe, ou não compreendeu, no entanto, a verdadeira razão da sua discordância.

Um abraço

Nota: Também nos pareceu algo destreinado.
Ainda estamos a tempo.

1:06 da tarde  
Blogger Vladimiro Jorge Silva said...

Não adianta, João Pedro... de facto, não estamos a falar da mesma coisa.
Eu ainda sou do tempo em que as medidas anti-ANF eram populares :))

4:46 da tarde  
Blogger xavier said...

Caro VJS,

O compromisso para a Saúde prevê de uma assentada a concessão de farmácias hospitalares e a venda de medicamentos de distribuição exclusiva hospitalares (não todos como é evidente).

Estas medidas vão traduzir-se em profundas alterações do circuito de distribuição hospitalar do medicamento (é isto que importa analisar e não o aumento das receitas dos HHs)

a) os medicamentos gratuitos (100%)de distribuição exclusiva hospitalar (pelos riscos que envolvem) vão passar a ser distribuídos por farmácias privadas pertencentes à rede ANF;

b) Está aberto o caminho à moderação do acesso a estes medicamentos a onerar os utentes e a correlativa redução da comparticipação estatal;

c) Os HHs vêem-se livres dos encargos financeiros resultantes da aquisição destes medicamentos;

d) A ANF ganha uma fatia importante do mercado de medicamentos hospitalares;

e) As farmácias de bairro poderão sentir algum efeito marginal na sua facturação resultane da entrada em funcionamento das farmácias hospitalares concessionada;

f) Vantagens para os doentes?

-melhoria do acesso a estes medicamentos? Não creio.

- aumento dos riscos? Certamente.

- Termo da gratuidade (100%). Num futuro próximo.

Se isto são imprecisões...

7:01 da tarde  
Blogger Clara said...

O Vladimiro Jorge Silva nem parece o mesmo.
Precipitou-se claramente neste comentário.

11:36 da tarde  
Blogger Farmasa said...

Brilhante comentário do VJS.

Nota-se que este blog tem deixado de prestar atenção ao sector das farmácias. Ainda estão todos muito formatados com o discurso anti-ANF.

O problema é que o CC está a conseguir aquilo que queria: A divisão das farmácias e a corrosão do poder da ANF. Basta ver quem ganhou os concursos das farmácias de venda ao público a instalar nos hospitais dos Covões, Sta Maria, Leiria, Faro e Sto António. Mas para além de verem quem os ganhou, vejam também quanto se propõem a pagar aos hospitais e meditem um pouco sobre isso...

Já agora Xavier, se os medicamentos forem pagos pelas ARS (via comparticipações) e não pelos HH, que é que paga? Não é o mesmo Estado? Onde é que o Estado poupa? Ok. Aceito que possa ser o abrir da porta aos co-pagamentos destes medicamentos, mas pelo simples facto de mudar o centro de custo, não se muda o responsável último pelo seu pagamento.

Por outro lado, acho fascinante o facto de entender que o facto destes medicamentos estarem actualmente acessíveis apenas nos HH ser razoável.
Mas então não diziam que 2500 farmácias era pouco para garantir uma boa acessibilidade??? Então e agora acha que 100 HH (serão??) são suficientes para garantir uma boa acessibilidade?

10:43 da manhã  
Blogger xavier said...

Cara Farmasa,

Nesta análise, como sabe, o que está em causa é o facto de as novas farmácias hospitalares (concessionadas) passarem também a comercializar medicamentos que só são distribuídos nos HHs devido aos riscos que envolvem.

A decisão do Governo é má por representar maior risco para os doentes, perda de qualidade da prestação de cuidados e também por encobrir, relativamente ao acesso aos medicamentos oncológicos e HIV/Sida, uma nova estratégia do circuito de distribuição destes medicamentos visando, essencialmente, a redução de gastos.

O farmacêutico da farmácia hospitalar concessionada vai perguntar ao doente quando foi a sua última consulta da especialidade?
Ou preocupar-se, se o número de embalagens prescritas é para x ou y dias de tratamento?

Nesta matéria é irrelevante ser contra ou a favor da ANF.

A borrada foi do primeiro ministro e do MS.

As dores de cabeça são dos peritos que têm de dar sequência a estes disparates.

Nota: Ao que parece passámos férias no mesmo local e não nos falámos.
Ressentimentos ANF?

2:25 da tarde  
Blogger Farmasa said...

Caro Xavier,

Não sou uma Farmasa, mas sim um Farmasa... Presumo que esteja enganado a meu respeito.

Pelo que depreendo do "Compromisso para a Saúde", a distribuição de medicamentos oncológicos e anti-retrovirais não será exclusiva das farmácias a instalar nos HH. Estas farmácias serão exactamente iguais, do ponto de vista legal, às restantes farmácias de rua. Aliás, nem de outra forma poderia ser. A única coisa que, até ao momento, difere entre elas, é que as hospitalares não contam para o limite de 4 farmácias para cada indivíduo/entidade.

Analisando a medida em si, o que acho é que não há evidência científica que valide uma ou outra opção (distribuição em HH vs distribuição em Farmácias de rua).

Compreendo os seus receios, que também são os meus. No entanto, não estou convencido sobre qual a melhor medida.

Apesar de tudo, CC não tomaria este tipo de medidas se achasse que, com elas, iria gastar mais. Se optou por esta solução é porque entende que é mais barata. Resta saber se é a que melhor serve a saúde pública.

Já agora, gostava de saber qual a opinião dos comentadores do SaudeSA sobre a forma de atribuição dos alvarás de farmácia: sorteio!

Seria aceitável vermos clínicas a abrir por sorteio? notários por sorteio? Governo por sorteio? Talvez tivessemos melhor sorte!

2:52 da tarde  
Blogger Mário de Sá Peliteiro said...

Quem vos viu e quem vos vê.

Deviam dar mais atenção ao que escrevo: sobre este tema já me pronunciei há 1 ano, em Outubro de 2006, e não me parece haver entretanto nada a acrescentar.

Quanto ao resto faço minhas as palavras de Vladimiro. E claro que na "guerra" CC x JC o vencedor será JC - quinze a zero, lembram-se?

Abraço

8:50 da tarde  
Blogger Clara said...

Este pessoal só vê ANF à frente.
Pode-se até dar o caso de os novos proprietários não pertencerem à ANF.

E o que essencialmente interessa discutir sobre esta matéria é a venda de medicamentos hospitalares nas farmácias comunitérias.
Um erro de todo o tamanho.
Um grande risco para a saúde dos doentes. Em breve também a pagarem uma "pequena" taxa de moderação.

10:57 da tarde  
Blogger tambemquero said...

But each year a little more of NHS's £92bn budget is given to private firms. Deregulation of the pharmacy sector has resulted in counters springing up in Tesco and Sainsbury's, while the ubiquitous Virgin Group and Boots the Chemist, now owned by Kohlberg Kravis Roberts, chip away at territory such as health centres.
guardian 27.10.07

11:05 da tarde  
Blogger Vladimiro Jorge Silva said...

Passa-se de facto qualquer coisa de estranho neste blogue: com a abertura de farmácias comunitárias "normais" nos HHs, CC tomou a mais dura das medidas anti-ANF. Nunca CC ou qualquer ministro de qualquer governo haviam provocado uma tão grande mossa à ANF.
Além disso, esta é uma medida politicamente imbatível, tão elevados serão os ganhos económicos e de acessibilidade ao medicamento.
Confesso que esperava que, perante isto, o Saúde SA mais uma vez se rendesse aos méritos de CC e partilhasse do regozijo ministerial.
Fiquei, obviamente pasmado quando vi que se passava precisamente o contrário... :)
Em relação aos medicamentos hospitalares nas farmácias comunitárias normais, confesso que, provavelmente por estar menos informado que os outros comentadores, não tinha ainda ouvido falar de descomparticipação. De qualquer modo, discordo em absoluto do Xavier e subscrevo as palavras do Farmasa: se há problema que o actual sistema tenha é precisamente o da acessibilidade. Obviamente não para quem reside nas grandes cidades do litoral, mas para as populações mais afastadas, que em certas ocasiões têm que fazer mais de 100 km (no horário de abertura do ambulatório das actuais farmácias dos HHs) para receber medicamentos que em grande parte dos casos não podem contar a ninguém que estão a tomar.
Além disso, pelas razões que expus no meu primeiro comentário, existirão poupanças económicas muito significativas nestes medicamentos. E o seu custo continuará a sair do orçamento dos HHs, ao contrário do que agora se escreve.
Ou seja, estas duas medidas de CC são inquestionáveis sob o ponto de vista económico e de Saúde Pública.
Desta vez, CC tem razão e os únicos com motivos de descontentamento serão mesmo os associados da ANF.
Continuo surpreendido e sem perceber a opinião da generalidade dos comentadores deste blogue!

9:35 da manhã  
Blogger tambemquero said...

“O negócio das farmácias é mais interessante para a indústria, porque as farmácias pagam regularmente aos fornecedores, e os hospitais não são conhecidos por pagarem as dívidas a tempo e horas”, sublinha, ao Diário Económico, o presidente da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma). João Almeida Lopes explica, no entanto, que “esta é uma decisão política que cabe ao Governo decidir”, e por isso evita dizer se a associação das farmacêuticas que operam em Portugal é, enquanto tal, a favor ou contra a medida anunciada na semana passada pelo ministro da Saúde.
DE 29.10.07

1:56 da tarde  
Blogger NM said...

É só rir.......

Ainda não perceberam que a Anf levou o maior golpe de sempre!! E eu a pensar que o Saudesa estava em festa.

5:39 da tarde  
Blogger drfeelgood said...

Estou-me nas tintas para a ANF e para o minitro da saude.
Estou preocupado com os doentes.
Medicamentos oncológicos e de HIV nas farmácias comunitárias?
Será para controlar as tomas?
Os riscos para os doentes vai aumentar.

O risco para os pequenos proprietários de farmácias é a cartelização que aí vem.

Não confundamos as coisas.

A ANF já se preparou devidamente para a festa com a programação de cartões de desconto e promoções várias.

Daqui a anos este pessoal ainda hão-de estar aqui a discutir as manobras da ANF e de CC.

Quem vos viu e quem vos vê!
A vê-los passar...

7:15 da tarde  
Blogger Mário de Sá Peliteiro said...

Clara, de facto este pessoal só vê ANF à frente.
Falemos de outro assunto importante, que me diz da prescrição por DCI?

12:15 da manhã  
Blogger Clara said...

Nos hospitais receita-se por DCI, como sabe.

12:57 da manhã  
Blogger Magistral Estratega said...

Dinheiro, dinheiro, dinheiro... Há ganhos em Saúde que parecem ser imediatos... mas o que acontecerá à vigilância dos efeitos secundários desses medicamentos? Não pensam concerteza que um antiretroviral ou um um antineoplásico se assemelha à toma de uma aspirina? Se esses medicamentos são dispensados em hospitais... lá terá alguma lógica. Além de que o farmacêutico não é propriamente o profissional mais preparado para aconselhar sobre a monitorização da toma e efeitos desse tipo de medicamentos. Decisões destas só mesmo à luz de tecnocratas que não entendem o que é prestar cuidados de Saúde.

4:45 da manhã  
Blogger Mário de Sá Peliteiro said...

Pois sei Clara, pois sei; mas falava do ambulatório.
Também está no "famigerado" acordo.
Isto se quiseremos continuar a perder tempo com as eventualidades do XVII.

Por falar em eventualidades, mais duas dúvidas:
1 - Se as Farmácias dos Hospitais são um tão grande sucesso, umas tão grande fonte de receitas, de que estarão à espera os outros Hospitais todos para as abrir (aqui na província, que espécie de AH há na Póvoa, Famalicão, Braga, Guimarães, Viana, Vila Real, Bragança)?
2 - Não iam liberalizar as convenções em Junho? O DE não anunciou a abertura de clínicas como o negócio do ano? As denúncias e recomendações da ERS servem para quê? A concorrência não é de estimular?

Tretas, o XVII é especialista em tretas. E nós aqui entretidos com trenguices.

10:26 da manhã  
Blogger e-pá! said...

Caro MS Peliteiro:

Sobre as regulamentações actuais e projectadas sobre as prescrições, tinhamos muitas coisas a falar, para além da prescrição por DCI.

Já agora, e voltando ainda ao "Compromisso para a Saúde", é capaz de me explicar o art.º 17:
"Poderão ser aprovados Protocolos Terapêuticos, definindo guidelines de actuação profissional".

Guidelines de actuação profissional?.
Serão normas ou códigos deontológicos?
Na semântica médica guidelines são normas de orientação (terapêutica).

E relativamente aos protocolos terapêuticos?
Os farmacêuticos passam a prescritores?
É que se assumem como tal não poderão ser proprietários de farmácias (conforme determina o artº. 2).
E este artigo é abrangente, diz respeito aos prescritores directos ou indirectos.

Olhe, caro MS Peliteiro, este compromisso só é um compromissso na medida em que compromete Sócrates e Correia de Campos, até às orelhas.

De resto, é um favor.

11:25 da manhã  
Blogger Vladimiro Jorge Silva said...

Por favor não prendam CC por ter cão e também por não o ter... até porque, ao que julgo saber, o MS tem gatos e não cães!

PS - Leiam a tambémquero!

8:53 da tarde  
Blogger Mário de Sá Peliteiro said...

Nada como uma boa discussão. Vou tentar atear mais um pouco.


Perfeitamente de acordo e-pá, completamente, é um favor, claro que sim, a ANF faz gato-sapato de Correia de Campos, 15 a zero, até dá dó.
Por isso me custa andar aqui, nós todos, a ajudar a preencher o vazio desta governação, discutindo eventualidades e ilusões, enquanto que a realidade se agrava e o SNS se afunda. Voltando ao início, a dispensa de medicamentos para o SIDA e o cancro nas Farmácias não é para concretizar (já o dizia em Outubro passado) e também não o é a prescrição por DCI (acabou por não me dizer o que pensa sobre o assunto) – é só para dar a impressão de que existe uma dinâmica e distrair de temas mais importantes.

Quanto aos conceitos de protocolos terapêuticos e guidelines e aos farmacêuticos prescritores, sendo directo, sincero e muito controverso (bem sei): os farmacêuticos há muito que diagnosticam e que prescrevem na sua prática do dia a dia. Concorde-se ou não é a realidade, escusemo-nos a hipocrisias. Correia de Campos nunca abriu nem uma Farmácia - e talvez nem venha a abrir - porque mais Farmácias é mais despesa em medicamentos e interessa-lhe precisamente o contrário, diminuir a acessibilidade aos medicamentos comparticipados. O favor paga-se com outro favor. Este mundo é muito complicado – quem quer saber do art.º 2.

11:18 da tarde  
Blogger xavier said...

Retirei, quarta-feira 31.10.07, o seguinte comentário, que de novo volto a repôr.
Ao É-Pá apresento as minhas desculpas.

Caro MS Peliteiro:

Sobre a prescrição como sabe o Decreto-Lei nº 176/2006 de 30 de Agosto veio estabelecer o quadro legal, nomeadamente, no artº. 120, em que o "cavalo de batalha" chamado DCI, está regulamentado.
E, faço votos para que venha a prescrição electrónica.

Quanto à "prescrição farmacêutica" que confessa com receio da polémica (dos seus colegas?) mostra como tem evoluído o sector farmacêutico. De facto, de um poderoso lobby que muito tem influenciado o poder para manter privilégios e urdir negócios.

O que me espanta é que se tenham gasto resmas de papel a salientar a excelência e a qualidade dos serviços prestados ao País pelas farmácias e, acabar por confessar que, desde há muito, que se dedicam ao diagnóstico e prescrição, sem se tenham competência, formação ou sequer habilitação legal para tal.

Caro MS Peliteiro, permita-me recordar um ditado popular: "Não vá o sapateiro além da chinela..." ou, se preferir, "cada macaco no seu galho".
Ficamos, portanto, elucidados sobre o "empirismo oficinal" (chamemo-lhe assim) onde parece repousar a propangandeada excelência dos serviços prestados pela Farmácias que, entre outras coisas, lhe valeram o famoso "Compromisso" (tenho dificuldade em escrever "para a Saúde").

Agora, o "chorilho de troca de favores" que sugere estar em movimento, para além de me repugnar como sistema de relação com as coisas públicas, algum dia acabará mal.
E esse dia chegará quando uma parte achar que foi "levada" pela outra...nas questões de favorecimento, que parecendo reciproco, nunca são igualitárias. Alguém fica a ganhar (por 15 a 0, não foi o que disse?) e, o pior, será a "vindicta" do que fica a perder.

Caro MS Peliteiro:
Então vai ser necessário gastar muito detergente para lavar a "roupa suja".
Vai ser um grande desperdício...

12:27 da tarde  

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