segunda-feira, novembro 8

Desonestidade política

foto semanario expresso
…”PJ está a investigar suspeitas de prescrição irregular de antidepressivos”…

A ministra da Saúde revelou hoje que a Polícia Judiciária está a investigar casos de suspeitas de prescrição irregular de medicamentos antidepressivos e anti-psicóticos.
No mês passado, o Ministério da Saúde revogou uma portaria que previa um acréscimo de comparticipação do Estado na compra de psicofármacos a doentes com patologias especiais, como a esquizofrenia. À margem de uma conferência europeia em Lisboa, Ana Jorge lembrou hoje que esta portaria foi revogada por ter sido encontrada uma “série de irregularidades”, adiantando que alguns dos casos estão a ser investigados pela Polícia Judiciária. Logo quando anunciou que a portaria iria ser revogada, o Ministério da Saúde alegou a prescrição “pouco racional” de fármacos do foro psiquiátrico em Portugal”…

Os mesmos governantes que, em tempo de “vacas gordas”, esbanjaram dinheiro à “tripa forra” com vacinas, “programas” a pedido, medicamentos gratuitos entre outras irresponsabilidades são os mesmos que agora vêm ensaiar a rábula criminosa da “prescrição irregular”. Aliás parece que nesta fase, de fim de mandato, a ministra da saúde desatou a insinuar todo o tipo de tropelias. São os médicos que não sabem prescrever, que pedem exames mal pedidos, que fazem cesarianas que não devem e que, pelos vistos, agora se associaram numa espécie de cumplicidade culposa com os doentes e com os farmacêuticos para prescrever “à toa” antidepressivos.

É evidente que este novo anúncio apenas se destina a sacudir a água do capote da má consciência por terem penalizado, injustamente, milhares de doentes utilizadores deste tipo de fármacos.

Não nos esqueçamos que é a mesma ministra que desbaratou medicamentos gratuitos, esbanjou recursos em vacinas não utilizadas. O mesmo ministério que faz vista grossa às centenas de delegados que, diariamente, infestam os centros de saúde e os hospitais, aumentando a prescrição com técnicas agressivas de marketing e oferecendo viagens para explicar as diferenças entre dois omeprazois genéricos iguais. O mesmo ministério que pactuou com a retirada dos preços das embalagens dos medicamentos, que persiste no boicote à unidose e à DCI.

Depois dos mil milhões de euros resultantes do “festim medicamentoso” e do há muito esperado colapso da ADSE resta-nos que, a iminente, chegada do FMI imponha rigor neste ministério e consiga salvar os mínimos do sistema de saúde.

Idalécio

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