domingo, julho 26

Paulo Macedo, amanuense da troika

«Os problemas estão todos para o próximo Governo [resolver]», já que receberá um orçamento «minado» com as consequências resultantes dos mais de quatro anos de governação PSD/CDS.
Entre elas está a necessidade de «repor os níveis salariais» da função pública que o Tribunal Constitucional ordenou, o «descongelamento das carreiras» inerente ao fim do Memorando de Entendimento, a reposição dos níveis de financiamento hospitalar necessário para assegurar o funcionamento diário das unidades e resolver o grande problema da inovação científica «que está aí à porta» de forma a evitar um episódio como o que aconteceu com o tratamento para a hepatite C que, nas palavras de Adalberto Campos Fernandes, foi «lastimável».
O exercício orçamental de 2016 está assim, na opinião de Adalberto Campos Fernandes, a ser preparado em clima «pré-explosivo». Estas questões irão colocar-se todas ao próximo inquilino da João Crisóstomo porque o atual perdeu, na perspectiva do conferencista, «uma grande oportunidade» para concretizar «reformas estruturais e duradouras na Saúde» tal como o sector pede há décadas, frisou o médico.  Em vez disso, argumentou, a via escolhida foi a de cortar a despesa por três vias que não serão perenes
A primeira a contenção da despesa resultou da redução dos salários dos trabalhadores da função pública -- cortes estes que terão de ser repostos para o próximo ano – depois reduziu-se a despesa transferindo os custos com a Saúde para o bolso das famílias e, por último, diminui-se os custos com medicamentos cortando nos preços e margens do sector. 
Neste último ponto, o representante do PS assegurou que ficou por fazer uma «verdadeira reforma do sector do medicamento» que resolvesse o problema das comparticipações e da inovação terapêutica que será mais uma «bomba» com que o próximo Executivo terá de lidar. E tudo isto aconteceu numa altura em que as corporações – como a Ordem dos Médicos, a Ordem dos Enfermeiros e os sindicatos de ambas as classes – e os stakeholders – farmácias e Indústria Farmacêutica -- estavam «dispostos a negociar, como nunca» no sentido de colaborar numa aliança estratégica para a reforma que a equipa de Paulo Macedo deixou por fazer. «Perdemos uma grande oportunidade nestes quatro anos», garantiu o orador.

Tempo Medicina, 21.07.15
O ministro da saúde, Paulo Macedo, não passou de um grande bluff. Na altura em que era necessário um líder com visão e competência, capaz de fazer as reformas necessárias, saiu-nos um amanuense das finanças zeloso cumpridor dos cortes da troika.
Drfeelgood

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